Setor sucroenergético

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Tereos e Petrobras

O grupo francês Tereos, controladora da Guarani, está interessado em comprar de volta uma fatia de cerca de 45% em sete usinas de açúcar e etanol no país vendida para a Petrobras, disse o diretor da Região Brasil da múlti, Jacyr Costa Filho (foto), durante evento promovido ontem pela Datagro na capital de São Paulo.

"Se eles [Petrobras] realmente decidirem deixar o negócio, estamos interessados", disse ele à agência Reuters. Mas o executivo esclareceu que a Tereos não foi oficialmente informada pela Petrobras sobre a vontade da petroleira de deixar o segmento.

"Eles não se aproximaram de nós ainda. Mas disseram, em anúncio no mês passado, que a ideia é deixar o setor em 2017", afirmou.

Fontes da área disseram no passado que a Petrobras já tentou vender de volta sua participação no negócio, mas não aceitou o que a Tereos estava disposta a pagar.

A Tereos tem preferência sobre qualquer oferta que a Petrobras eventualmente faça envolvendo os ativos da sociedade. (Valor Econômico 18/10/2016)

 

Cresce disparidade entre usinas do Centro-Sul

A safra 2015/16 foi uma ótima oportunidade para um pequeno grupo de empresas sucroalcooleiras incrementar resultados operacionais, reduzir endividamento e diminuir o peso dos compromissos financeiros nos balanços. Mas a melhora das condições dos mercados em que essas companhias atuam, sobretudo o de açúcar, não fez milagres. Muitas usinas que já vinham enfrentando dificuldades há algumas temporadas continuaram com resultados operacionais negativos e viram as dívidas e a pressão das despesas financeiras sobre seus caixas aumentarem.

Nesse contexto, levantamento realizado pelo Itaú BBA identificou que, durante o ciclo, encerrado em março deste ano, cresceram as disparidades entre os resultados das cinco melhores e das cinco piores companhias do segmento que fazem parte de sua carteira. E o fosso poderia até ter ficado ainda maior, tendo em vista que o estudo do banco não considerou grupos que estão em recuperação judicial ou que buscam reestruturar suas dívidas. A carteira do Itaú BBA inclui empresas que representam cerca de 65% da moagem de cana da região Centro-Sul do país.

De acordo com o estudo, as empresas com os cinco piores resultados registraram endividamento médio de R$ 328 por tonelada de cana processada, 16,4 vezes mais que a média das cinco melhores, que ficou em R$ 20 por tonelada. Na temporada anterior (2014/15), as cinco piores empresas registraram endividamento médio "apenas" 11,4 vezes superior ao das cinco melhores.

Conforme o gerente sênior de agronegócios do Itaú BBA, Guilherme Pessini, a diferença se explica, em parte, pelo fato de as empresas hoje em melhor situação terem tomado, no passado, decisões de investimento consideradas conservadoras ­ o que resultou em endividamentos menores. Além disso, muitas delas provavelmente tiveram acesso a financiamentos mais baratos que concorrentes em pior situação financeira e não tiveram que refinanciar prejuízos.

Por essas e outras, a disparidade entre os desempenhos operacionais dos grupos das melhores e das piores usinas da carteira do Itaú BBA também saltou ainda mais aos olhos em 2015/16. Segundo o estudo do banco, o lucro antes de juros e impostos (Ebit) das "5+" foi, em média, de R$ 49,7 por tonelada de cana moída, enquanto as "5-" tiveram resultado negativo médio de R$ 4,8.

Na safra anterior, as cinco piores haviam registrado Ebit negativo médio de R$ 9,1 por tonelada, ao passo que as cinco melhores haviam colhido um resultado positivo médio de R$ 39,7 por tonelada. O fato de as "5 +" terem ficado no azul nessa frente em 2014/15, quando os preços internacionais do açúcar estavam em baixo patamar, é um sinal de que o grupo já tinha uma capacidade de geração de caixa "muito robusta", diz Pessini. "Isso mostra que as boas usinas estão em boa situação há muito tempo. E que as piores, do ponto de vista da alavancagem, estão piorando em velocidade expressiva, mesmo com preços melhores".

Em contrapartida, a incapacidade de as usinas com os piores desempenhos financeiros gerarem caixa também está relacionada ao alto custo de suas dívidas, que acabam se tornando cada vez mais elevadas. Tanto que a despesa financeira média das cinco piores usinas da carteira do Itaú BBA chegou, em média, a R$ 41,30 por tonelada de cana moída em 2015/16, ante os R$ 2,10 médios das cinco melhores.

Situações como essa, de forte desigualdade entre empresas de um mesmo segmento, muitas vezes aceleram tendências de concentração, com as melhores comprando as piores. Pessini avalia, contudo, que no horizonte do segmento sucroalcooleiro essa possibilidade ainda está distante, já que, em média, as usinas em geral, com algumas exceções, estão com investimentos ainda deprimidos e têm sido incapazes de repor perdas de seus próprios ativos.

Ele calcula que, para a manutenção dos níveis de produtividade dos canaviais, dos maquinários e das plantas industriais, é necessário que as usinas do Centro­Sul como um todo invistam cerca de R$ 11 bilhões por safra. Na última temporada, porém, os aportes somaram R$ 8,4 bilhões. (Valor Econômico 18/10/2016)

 

Governo pode avaliar Cide flutuante para dar competitividade ao etanol, diz ministro

O governo vai abrir um diálogo com o setor sucroalcooleiro sobre políticas de incentivo aos biocombustíveis e poderá avaliar um pleito de investidores que querem que a Cide tenha uma alíquota que flutue de acordo com o preço do petróleo para favorecer a competitividade do etanol, afirmou nesta segunda-feira o ministro interino de Minas e Energia, Paulo Pedrosa.

"É um ponto importante. É uma ideia interessante, particularmente em um momento em que o preço do petróleo está em baixa, a Cide ou um imposto ambiental poderia ajudar. E lá na frente, quando o preço do petróleo voltar ao patamar histórico, esse imposto ambiental ou Cide poderia voltar a ser reduzido. Faz sentido", afirmou Pedrosa.

O ministro interino, que falou com jornalistas após evento do setor sucroalcooleiro em São Paulo, fez questão de ressaltar que o momento é de diálogo com todos os setores ligados à pasta e que sugestões e provocações feitas pelos investidores serão levados a Brasília para apreciação por sua equipe.

Mais cedo, no mesmo evento, o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, havia defendido a aplicação de uma Cide flutuante, tributo incidente sobre combustíveis fósseis, como um instrumento de política de incentivo ao setor de etanol.

"O governo olha a Cide como um imposto, com preocupação com a inflação que ela pode gerar caso você aumente o valor... tem que mostrar para a sociedade brasileira que não é um imposto ruim, é um imposto ambiental, e até nesse momento de crise fiscal pode levar recursos para a União, Estados e municípios", defendeu o consultor.

Ao dizer que a ideia pode ser avaliada pelo governo, Pedrosa fez questão de ressaltar que eventual alteração da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) não teria como objetivo elevar as receitas do governo.

"A ideia é que Cide não teria esse componente arrecadatório, a arrecadação seria quase que um efeito colateral", ponderou. "Vamos discutir com a equipe do ministério e governo como um todo".

No sábado, o presidente Michel Temer afirmou a jornalistas na Índia que não há nenhuma previsão neste momento de elevação da Cide ou de qualquer outro tributo.

O presidente disse que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita os gastos públicos, já aprovada em primeiro turno pela Câmara dos Deputados, tem como objetivo justamente evitar novos tributos ou aumentos de impostos. (Reuters 18/10/2016)

 

Etanol subiu em 18 estados na última semana Etanol

Dados da ANP referem-se à semana encerrada em 15 de outubro. Em SP, principal estado produtor e consumidor, cotação avançou 2,22%.

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros subiram em 18 estados, caíram em outros seis e no Distrito Federal e ficaram estáveis no Amapá e no Amazonas na semana encerrada em 15 de outubro. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), compilados pelo AE-Taxas, e mostram que não houve muita variação ante a semana anterior, quando os preços do biocombustíveis haviam subido em 19 estados e no Distrito Federal, caído em seis e não se alteraram no Amapá.

No período de um mês, o biocombustível subiu em 20 Estados e caíram em seis e também no Distrito Federal.

Em São Paulo, principal estado produtor e consumidor, a cotação avançou 2,22%, para R$ 2,476 o litro. No período de um mês acumula alta de 8,16%. Na semana, o maior avanço das cotações foi registrado em Goiás (3,82%), enquanto o maior recuo ocorreu no Rio e Janeiro (1,66%). A maior alta mensal foi em São Paulo (8,17%), enquanto a maior queda ocorreu no Rio de Janeiro (2,53%).

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 2,159 o litro, em São Paulo, e o máximo foi de R$ 3,999 o litro, no Rio Grande do Sul. Na média, o menor preço foi de R$ 2,461 o litro, em Mato Grosso. O maior preço médio foi verificado no Amapá, de R$ 3,699 o litro.

Competitividade

De acordo com os dados da ANP, compilados pelo AE-Taxas, os preços do etanol hidratado seguem competitivos ante os da gasolina apenas em Mato Grosso. Nos demais Estados e no Distrito Federal, a gasolina segue mais vantajosa.

Em Mato Grosso, o preço do etanol vale 66,30% do da gasolina. Em São Paulo, principal consumidor, a paridade é de 71,60%. A gasolina está mais vantajosa principalmente no Amapá (100,85%). A relação é favorável ao biocombustível quando está abaixo de 70%.

Em São Paulo, o etanol ficou cotado, em média, a R$ 2,476 por litro. A gasolina, em R$ 3,458 por litro. (Agência Estado 17/10/2016)

 

Brasil sugere que Índia produza mais etanol

O Brasil apresentou um plano à Índia para que os excedentes de produção de açúcar do país não sejam jogados no mercado internacional e deprimam os preços da commodity: produzir mais etanol. O governo indiano tem sido sistematicamente acusado em comitês na Organização Mundial de Comércio (OMC) de criar mecanismos para subsidiar a exportação de açúcar e, assim, prejudicar outros produtores.

Ontem, durante a visita oficial do presidente Michel Temer à Índia, a delegação brasileira manifestou preocupação com essa situação e propôs cooperação para os indianos acelerarem a produção do etanol. Isso por pelo menos três razões. A primeira é justamente uma defesa quando os preços do açúcar começarem a cair no mercado internacional. "Quem faz etanol a partir do açúcar, como o Brasil, tem a possibilidade de interromper essa queda do preço, indo para o etanol", afirmou o ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

O Brasil sugere que a Índia siga essa estratégia, para segurar o preço do açúcar e não depender de uma commodity com variação tão forte na cotação como tem ocorrido nos últimos anos. Além disso, tem a questão ambiental, para reduzir poluição. A Índia fixou meta de mistura de etanol à gasolina em 10%, que deveria ter sido alcançada em 2009. No governo de Narendra Modi, em todo caso, a mistura já passou de 1,7% para 3,3% e o plano agora é de atingir a meta de 10% em 2020 sem importação de etanol.

Por último, como sublinhou o ministro das Relações Exteriores, José Serra, quanto mais países produzirem etanol, tanto melhor, porque o movimento pode tornar o biocombustível uma commodity global, como pretende o Brasil.

Os indianos se mostraram interessados. O embaixador brasileiro em Nova Déli, Tovar Nunes, crê num potencial importante de negócios no segmento, visto a tecnologia brasileira de etanol.

Produtores brasileiros veem um novo caminho para a Índia também com a produção de lentilhas. A Índia é o maior consumidor mundial. No ano passado, o governo passou maus momentos quando o quilo do produto pulou de 80 para 200 rúpias em oito meses. Maggi diz que a Índia busca fornecedores seguros, o que se refletiu na assinatura de um acordo de transferência de material genético para experimentações no Brasil.

Segundo Maggi, a Índia diz que até 2030 precisará importar 30 milhões de toneladas anuais de lentilhas. Para se ter uma ideia, basta comparar com a safra brasileira de soja, a segunda maior do mundo, que fica em torno de 90 milhões de toneladas. Com o aperto na oferta, os indianos "saíram correndo para assinar um acordo com Moçambique, porque o preço subiu e eles não tem onde se abastecer", diz Maggi. "Moçambique não tem as condições. O Brasil é o mais capaz".

De acordo com o ministro, a demanda indiana em 2030 representará um negócio de US$ 6 bilhões por ano, pelo menos. A Embrapa vai distribuir o material genético em todo o território nacional. (Valor Econômico 18/10/2016)

 

Setor ainda discute com governo alternativas ao fim do PIS/Cofins, diz Unica

A presidente executiva da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Elizabeth Farina, afirmou ao Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) que o setor produtivo "ainda está discutindo" com o governo "várias alternativas" para o término da vigência do crédito presumido de R$ 0,12 por litro incidente sobre o etanol. Esse crédito, que na prática zera a alíquota de PIS/Cofins, vence em 31 de dezembro.

"Estamos vendo quais são as alternativas com menor impacto na inflação", comentou Elizabeth nos bastidores da 16º Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo. (Unica 17/10/2016)

 

Líderes mundiais na produção de açúcar vão discutir cenário da commodity

A LMC International e a Consultoria Canaplan vão realizar, no dia 7 de novembro, o Seminário Internacional do Açúcar 2016. O evento, que tem o apoio da UDOP e do Brasilagro, trará líderes importantes dos principais países produtores do mundo a São Paulo para discutir como irá evoluir o panorama global de açúcar.

Segundo o Diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho (Caio), a expectativa para os próximos anos é de déficit da commodity. "Isso é derivado da estagnação brasileira, da redução da oferta da Índia e, mesmo assim, com o aumento da oferta na União Europeia, Rússia e EUA", explicou o diretor (Foto).

No evento, será apresentado um panorama detalhado do mercado mundial de açúcar. Com base em décadas de experiência combinada e expertise, a LMC e a Canaplan vão identificar os desafios que o setor enfrentará nos próximos anos e como estes podem ser superados.

Um desses desafios, segundo o diretor, é que a Tailândia tem potencial para expandir a produção de açúcar. "O Brasil está questionando a Tailândia na OMC, face os elevados subsídios aos seus produtores", explicou Caio. As discussões irão incluir as principais forças para as tendências do consumo, da produção e dos preços de forma a demonstrar como se chegou ao equilíbrio atual do mercado.

Serviço:

Seminário Internacional do Açúcar 2016

Data: 7 de novembro

Horário: a partir das 8h

Local: Hotel Renaissance

Cidade: São Paulo

Inscrições: www.sugarseminar2016.com (Udop, 17/10/16)

 

Menor disponibilidade de cana impedirá maior fabricação de açúcar, diz Copersucar

A expectativa de um mix ainda mais açucareiro na safra de cana-de-açúcar do ano que vem no Centro-Sul do Brasil não deve se traduzir em maior produção do alimento. De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Copersucar, uma das principais tradings de açúcar e etanol do mundo, Luís Roberto Pogetti, a menor disponibilidade de matéria-prima impedirá um aumento expressivo na fabricação do adoçante.

"O que aumenta em (mix de) açúcar, cai em cana", afirmou nos bastidores da 16º Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo. Ele prevê que o incremento de produção atinja, no máximo, 1 milhão de toneladas no próximo ciclo.

Os preços internacionais do açúcar dispararam mais de 50% neste ano na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) em virtude dos déficits de produção esperados para este e para o próximo ano. A alta das cotações estimulou a maior fabricação do alimento no Centro-Sul, com o mix no acumulado da atual safra em cerca 45% da oferta de cana direcionada para o adoçante. No ciclo anterior, esse porcentual se aproximava de 40%.

Pogetti comentou também sobre a nova política de preços de combustíveis da Petrobras e disse que o "setor (sucroenergético) não pode ser contra" as novas medidas da estatal, que dão previsibilidade à formação das cotações dos produtos. Entretanto, defendeu que o "etanol tenha um papel de longo prazo dentro da matriz energética nacional". "Ainda não temos esse papel", frisou.

Em sua avaliação, o governo tem "bom senso" em torno da valorização de biocombustíveis. "Mas a prioridade agora é a agenda macroeconômica". Para ele, resolvidos problemas estruturais da economia nacional, o governo poderá trabalhar em medidas que tributem combustíveis poluentes, como a gasolina. (Agência Estado 17/10/2016)

 

Tailândia deve detalhar mudanças nos subsídios até começo de novembro, diz Unica

Representantes do governo da Tailândia devem se reunir com seus pares brasileiros no fim deste mês ou início de novembro para apresentar as propostas de mudanças nos subsídios ao açúcar no país asiático. O Brasil defende alterações nessa política como forma de se evitar a abertura de um painel na Organização Mundial do Comércio (OMC).

"Precisamos de um acordo rápido, crível e que seja, de fato, colocado em prática. De nada adianta apresentarem um plano que precisará ser apreciado no Congresso por um, dois anos", destacou o diretor executivo da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Eduardo Leão de Sousa, nos bastidores da 16ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo. A entidade representa os interesses do setor produtivo nacional nessa questão.

Segundo Leão de Sousa, os tailandeses já apresentaram um plano de mudanças, mas de forma superficial. O Brasil aguarda detalhes adicionais antes de partir ou não para um painel na OMC. Em linhas gerais, a Tailândia se compromete a retirar subsídios aos produtores de cana, eliminar o preço mínimo do açúcar doméstico (superior ao internacional) e acabar com cotas de consumo.

As discussões sobre os subsídios na Tailândia começaram no ano passado, mas foi em fevereiro último que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) autorizou o Ministério das Relações Exteriores a trabalhar em um contencioso junto ao Órgão de Solução de Controvérsias da OMC. Após a fase de consultas, os próximos passos são a abertura do painel ou uma solução entre as partes. (Agência Estado 17/10/2016)