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Renuka: Manoel Bertone assume desafio de sanear grupo

A Renuka do Brasil S. A., com usinas em Promissão (Madhu) e Brejo Alegre (Revati), no interior paulista, anunciou que Manoel Vicente Bertone será seu novo CEO, conforme o plano aprovado pelos credores. Manoel Bertone tem pela frente o desafio de levar adiante o plano de recuperação judicial recém aprovado pelos credores da companhia e já assumiu para si os desafios desta nova etapa profissional.

Com larga experiência no setor dabioenergia e no agronegócio como um todo, Bertone foi, por quatro anos, Secretário Nacional de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, entre os anos de 2007 e 2011. Ele também foi CEO da Usina Bandeirantes, em Bandeirantes, no Paraná, onde também atuou como assessor do Conselho de Administração por mais de 30 anos; foi CEO da Benri (Biomass Energy Research Institute); além de especialista em agronegócio da Deloitte. Bertone também presidiu por muitos anos o Conselho Nacional do Café, setor em que também tem larga experiência.

"Os desafios agora à frente da Renuka do Brasil são enormes. O grupo está em recuperação judicial e vamos trabalhar para mantermos os importantes compromissos que assumimos junto aos credores", destacou Bertone.

Com mais de 3,7 mil colaboradores, a Renuka do Brasil é subsidiária da Shree Renuka Sugars, com ações listadas na Índia. As duas usinas do grupo possuem capacidade de processar até 9 milhões de toneladas de cana por safra, mas devem esmagar na atual temporada cerca de 7,5 milhões de toneladas, com a produção de açúcar, bioeletricidade e etanol, entre anidro e hidratado. (Udop 18/10/2016)

 

Governo estuda mudanças na tributação do etanol

O governo estuda uma alteração na tributação do etanol para devolver competitividade ao setor, segundo o ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho.

O governo estuda uma alteração na tributação do etanol para devolver competitividade ao setor, segundo o ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho

O estudo está sendo feito com os ministérios da Fazenda e da Agricultura, afirmou o ministro em resposta a um empresário japonês preocupado com a decisão da Petrobras, anunciada nesta segunda (17), de vender 100% das ações da Nansei Seikyu (NSS), na ilha de Okinawa, por US$ 129,285 milhões, para a Taiyo Oil Company.

Os japoneses importam etanol da Petrobras para mistura na gasolina e estão preocupados com o futuro da produção do combustível.

Coelho Filho defendeu a necessidade de a estatal concentrar esforços em sua atividade principal e vender outros ativos, mas afirmou que o governo continuará incentivando a produção de etanol.

A ideia em estudo é promover uma "incorporação de alíquotas" (unificação e simplificação) —a principal tributação sobre o etanol é o ICMS, imposto estadual cuja alíquota varia entre as unidades da federação. A disparidade entre o imposto cobrado sobre o álcool em cada Estado afeta a competitividade do combustível de cana.

Coelho Filho disse que será um "desafio" elevar a produção de álcool para 50 bilhões de litros, dos atuais 30 bilhões, por causa da competição do carro elétrico, que tem se desenvolvido rapidamente.

O ministro participou de uma reunião promovida pelo governo do Brasil na manhã desta terça (18) para anunciar o plano de concessões do governo.

Além dele, participaram os ministros dos Transportes, Maurício Quintella Lessa, da Agricultura, Blairo Maggi, o secretário Moreira Franco (Programa de Parcerias de Investimentos) e o vice-presidente de Gestão de Ativos de Terceiros da Caixa Econômica Federal, Flávio Arakaki.

Queixas e ceticismo

Das 5 manifestações dos empresários japoneses presentes na plateia, 3 se referiam a problemas enfrentados no Brasil.

Além da crise na Petrobras, foram citados o impacto no setor elétrico após a MP 579 e a tragédia de Mariana que envolveu a mineradora Samarco.

Os investidores em áreas de alto consumo de energia, como alumínio, se queixaram do custo da eletricidade e perguntaram se haveria mudança nas regras do mercado livre.

"O estrago dessa MP é impressionante, afetou até o Japão", disse o ministro. Para ele, a MP 735, que precisa ser aprovada até esta quinta (20) no Senado para não perder a validade, pode corrigir parte das distorções.

O texto, aprovado pela Câmara, retira atribuições da Eletrobras, facilita a venda de suas distribuidoras e limita em R$ 3,5 bilhões o repasse de recursos do Tesouro Nacional para concessionárias da companhia na região Norte.

Se aprovada, ela deve evitar que dívidas bilionárias de distribuidoras da estatal acabem sendo cobertas pela União.

A MP também facilita a concessão das seis distribuidoras da Eletrobras, já que os vencedores do leilão terão mais tempo para fazer os investimentos necessários.

"Infelizmente, não tem um botão que a gente aperte e volte ao passado", disse ele à plateia.

Coelho Filho também defendeu a redução dos subsídios no setor elétrico e disse que o mercado livre não é uma ameaça à indústria, está apenas desequilibrado por causa da recessão, que resultou em sobre-contratação de energia. (Folha de São Paulo 18/10/2016)

 

Unica prevê quebra da safra de cana em 2017/18

Adversidades climáticas em algumas regiões de produção de cana no Centro-Sul do país nesta safra, aliadas ao baixo nível de investimentos nos canaviais, provocarão "com certeza" uma quebra de safra na próxima temporada (2017/18), que começará "oficialmente" em abril do próximo ano. Foi o que afirmou ontem em São Paulo Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), durante a "16ª Conferência Internacional Datagro".

A perspectiva de que não haverá uma área expressiva com cana que deixará de ser colhida neste ciclo (2016/17) para ser colhida na próxima, a chamada "cana bisada", deverá ter forte impacto negativo sobre o volume da matéria-prima que será processado em 2017/18, já que a safra atual foi "inflada" por um volume elevado de cana bisada da temporada passada (2015/16).

Pádua estima que cerca de 10 milhões toneladas de cana que estão prontas para serem processadas agora serão colhidas entre fevereiro e março. Mesmo que parte desse volume seja contabilizada como colheita no ciclo 2017/18, o cenário é muito distinto do início da temporada atual, quando as usinas do Centro-Sul moeram 36 milhões de toneladas de cana que sobrou da temporada passado, colhidas em uma área de 40 mil hectares.

"Além disso, o canavial está mais velho", disse Pádua. A falta ou o excesso de chuvas em determinados meses deste ano impediu o plantio de cana em algumas áreas, reduzindo o potencial de renovação. Segundo o diretor técnico da Unica, a cada 0,1 ano que o canavial envelhece, a produtividade agrícola cai 1 tonelada por hectare.

As geadas observadas em alguns polos produtores do Centro-Sul durante o último inverno, que foi mais rigoroso que o de anos anteriores, também fizeram com que algumas usinas e fornecedores cortassem a cana antes do tempo ideal com o objetivo de minimizar o impacto sobre a produtividade das lavouras. Para evitar que esse atraso no calendário tenha impacto sobre a próxima safra, o executivo da Única ressaltou que as usinas precisarão fazer um "bom manejo cultural" para adaptar o novo tempo de rebrota e de crescimento da cana.

Diante desses fatores, mesmo se as condições climáticas forem favoráveis na próxima temporada, Pádua não aposta em uma reversão expressiva desse quadro. "Excelentes condições de clima podem amenizar a quebra".

Para o ciclo atual, ele reforçou que a moagem deverá alcançar o patamar mais baixo das previsões iniciais da Unica, da ordem de 605 milhões de toneladas, diante da perda de produtividade na maior parte dos polos produtivos, principalmente em Goiás. No Estado, algumas plantações chegaram a ser prejudicadas por geadas que normalmente não são registradas.

Apesar da menor disponibilidade de cana, os analistas acreditam que a produção de açúcar deverá ser poupada, já que as usinas deverão aumentar o uso da cana para a produção da commodity.

Em projeções divulgadas ontem, o banco Santander estimou que o preço do açúcar, que deverá ser o principal direcionador da decisão das usinas, deverá ficar, em média, em 19,50 centavos de dólar a libra-peso na bolsa de Nova York nesta safra 2016/17 e em 18 centavos de dólar a libra-peso na próxima temporada. (Valor Econômico 19/10/2016)

 

Posição comprada de fundos em açúcar reduz apetite de tradings por fixação de preço, diz Sucden

Os fundos de investimento, que estão altistas no mercado de açúcar e estabeleceram grandes posições compradas na commodity, estão pressionando financeiramente as tradings que atuam no Brasil, que tiveram que cobrir elevadas chamadas de margem em suas operações de fixação de preço, disse o grupo francês Sucden nesta terça-feira.

As tradings, que adiantam dinheiro às usinas locais em troca de seu açúcar, tradicionalmente travam riscos cambiais e de preço nos mercados futuros. Mas essas empresas têm sido forçadas a limitar a realização de operações de proteção contra a queda nos preços devido à atuação dos fundos, que têm pressionado para cima a cotação do açúcar.

Isso pode limitar a disponibilidade do crédito oferecido às usinas, que estão saindo de sua maior crise em décadas. No curto prazo, o movimento também pode tirar a força dos preços do açúcar, conforme as usinas ficam impossibilitadas de vender a produção futura. No médio prazo, a capacidade de o Brasil reverter o déficit global de açúcar pode ser prejudicada.

Os contratos futuros do açúcar bruto subiram de 10 centavos de dólar em agosto de 2015 para perto de 23 centavos atualmente, um salto de 121 por cento para o maior nível em quatro anos.

O trader chefe da Sucden no Brasil, Luiz Silvestre, disse que todas tradings têm precisado, momentaneamente, aportar recursos em pesadas chamadas de margem.

"O comprometimento das tradings tem sido muito alto neste momento. Na sexta-feira, quando o mercado subiu muito, o total de pagamentos por chamada de margem atingiu 300 milhões de dólares no dia", disse Silvestre nos bastidores de uma conferência da consultoria Datagro em São Paulo.

"Então, todo esse lucro que os fundos tiveram recentemente, enquanto não for realizado, gera chamadas de margem. Consequentemente... você acaba sendo mais seletivo em oferecer mais linhas de crédito às usinas, o que vai limitar mais fixações de preços".

Conforme o mercado de açúcar sobe devido a um déficit de oferta, analistas acreditam que produtores aproveitarão qualquer oportunidade de vender antecipadamente a produção futura, travando os lucros agora antes que os preços caiam.

"Os fundos estão vendo alguma coisa que está levando eles a persistirem em suas posições", disse o diretor do Société Générale em Nova York, Michael McDougall. "A questão é se eles atingiram o limite, se eles têm mais dinheiro para continuar".

Não há um consenso sobre o nível que os preços atingirão quando os fundos liquidarem suas posições, mas Silvestre acredita que esse patamar pode estar entre 17 e 18 centavos de dólar por libra-peso.

Se isso acontecer, ele disse, as tradings de açúcar terão um alívio nas chamadas de margem e ganharão espaço para realizar novas operações de fixação de preços para usinas. (Reuters 18/10/2016)

 

Usinas elevarão rentabilidade nos próximos anos com déficit global de açúcar

As usinas do Brasil vão aproveitar o momento de alta no mercado internacional de açúcar para elevar a rentabilidade, em uma janela de oportunidade que pode durar entre dois e três anos, devido à perspectiva de um déficit global de oferta do adoçante, afirmaram executivos de grupos sucroalcooleiros em evento do setor em São Paulo nesta terça-feira.

Após anos de crise por causa de preços baixos e endividamento elevado, no entanto, as usinas não pensam ainda em novos investimentos e colocam a desalavancagem como prioridade, até por conta de dúvidas quanto ao futuro do mercado para o etanol.

"A transformação da sacarose que iria para o etanol em açúcar, rentabilizando as usinas existentes, nos dá uma visão de que, passada a tempestade, estamos à beira de um momento de rentabilidade bastante positiva", afirmou em apresentação o presidente da Biosev, controlada pelo grupo francês Louis Dreyfus, Rui Chammas.

Ele disse, no entanto, que as atuais condições do setor sucroalcooleiro não devem permitir que os ganhos nesse período sejam utilizados para novos investimentos, um discurso que foi reforçado pelo Grupo Coruripe, de Alagoas.

"A ordem é desalavancar. O setor precisa se desalavancar. Enquanto não houver uma política clara, para novos investimentos no setor, tem que ser muito corajoso", disse a jornalistas o presidente do grupo, Jucelino Sousa.

Ele disse que o setor deve ver ao menos mais dois ou três anos de preços atrativos, um período ao longo do qual a companhia espera ver sua relação entre dívida líquida e geração de caixa (Ebitda) cair de 2,5 na última safra para 1,5 na temporada 2018/19. "A partir daí vamos avaliar oportunidades", afirmou.

Segundo Chammas, da Biosev, o Brasil estará no centro das atenções nesse período, uma vez que deverá ser dos países que mais contribuirão para reduzir o esperado déficit de oferta de açúcar nas próximas temporadas.

Com isso, começa a haver uma tímida recuperação do interesse dos investidores pelo setor sucroalcooleiro do país, de acordo com Sousa.

"Você começa a ouvir algumas sondagens no setor, investidores estratégicos interessados começam a avaliar novamente o setor, mas daí a acontecer algum negócio de fato acho que a gente vai demorar um tempo", afirmou. (Reuters 18/10/2016)

 

Infestação de pragas se acentuou na safra de cana 2016/17, diz Orplana

O presidente da Organização de Plantadores de Cana do Centro-Sul do Brasil (Orplana), Manoel Ortolan, afirmou nesta terça-feira, 18, que o ataque de pragas em canaviais da região se acentuou neste ano, o que contribuiu para a perda de produtividade das plantações. Conforme ele, o bicudo da cana-de-açúcar, a broca e a cigarrinha figuram como as principais pragas que atacaram as lavouras na atual temporada 2016/17. "Sem investimentos, sem renovação, a infestação de pragas se acentuou", disse nos bastidores do segundo e último dia da 16ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.

Dados publicados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar na sexta-feira passada (14) mostraram que o rendimento agrícola no Centro-Sul apresentou quebra neste ano, variando de redução de 2% em Minas Gerais a mais de 15% em Goiás. Além das pragas, adversidades climáticas, com episódios de seca e geadas também prejudicaram a qualidade das plantações.

Na avaliação de Ortolan, esse "conjunto de problemas" tende a fazer com que a próxima safra de cana 2017/18 no Centro-Sul, cujo início oficial é em abril do próximo ano, seja ainda menor que a atual, cujas estimativas giram em torno de 600 milhões de toneladas. Além disso, dada a menor disponibilidade de matéria-prima, "pouca gente vai começar a colher" mais cedo, avaliou. (Agência Estado 18/10/2016)

 

Unica projeta queda na próxima safra de cana do centro-sul

As usinas de cana do centro-sul do Brasil deverão colher em 2017/18 uma safra menor que os 605 milhões de toneladas da atual temporada (2016/17), mesmo com clima favorável, estimou nesta terça-feira o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, durante evento em São Paulo.

Segundo ele, a produção da próxima temporada deverá ser afetada pela falta de investimento nos canaviais em anos recentes, apesar dos elevados preços do açúcar, que atualmente servem de estímulo para as empresas. (Unica 18/10/2016)

 

Alta nos preços do açúcar pega Egito de surpresa e deixa prateleiras vazias

Pedir açúcar emprestado a um vizinho quase nunca foi tão difícil no Egito.

Em supermercados do país, o açúcar tem desaparecido das prateleiras, o que levou a imprensa local a falar em uma crise de abastecimento, pressionando o governo a elevar rapidamente as importações mesmo em meio a uma escassez de dólares e a preços globais do adoçante em alta.

O Egito consome cerca de 3 milhões de toneladas de açúcar anualmente, mas produz apenas 2 milhões de toneladas. A diferença é coberta com importações, geralmente entre julho e outubro, quando a oferta local de beterraba e cana para produção de açúcar cai.

Mas operadores do mercado dizem que os elevados preços no mercado internacional do adoçante, que subiram 50 por cento ao longo do último ano, junto a um crescente mercado negro para o dólar, tornaram a busca por açúcar muito cara e arriscada para importadores nos últimos meses.

Os importadores não têm alternativas que não o mercado negro para comprar dólares, uma vez que os bancos têm racionado a baixa oferta da moeda. Eles pagam 15 libras egípcias ou mais por dólar, contra uma taxa de câmbio oficial de 8,8. Com essas cotações, cada vez mais operadores têm dito que não podem mais comprar.

Na ausência de um fluxo estável de importações, a oferta de açúcar secou, disseram à Reuters donos de lojas, operadores do mercado de commodities e fabricantes de produtos que levam açúcar.

"Faz quatro semanas que tivemos algum açúcar em nossas prateleiras pela última vez", disse o gerente do Metro Market, uma das maiores redes de supermercados do Egito, Aly Ibrahim Aly.

O Ministério do Suprimento do país disse na última semana que o Egito possui estoques suficientes para cobrir a demanda por quatro meses. (Reuters 18/10/2016)

 

Preço do açúcar cristal se aproxima dos R$ 100 por saca em São Paulo

Apesar das quedas no mercado internacional na última semana, os preços do açúcar cristal seguem em alta no mercado spot paulista. As chuvas pontuais que ocorreram nas regiões produtoras de cana-de-açúcar de São Paulo fortaleceram a postura firme de representantes de vendas das usinas, os quais aumentaram ainda mais os valores de negociação.

Normalmente, segundo pesquisadores do Cepea, em períodos de precipitações, a produção é interrompida devido à dificuldade de carregamento da cana nas lavouras.

Na segunda-feira, 17, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal, cor Icumsa entre 150 e 180, fechou a R$ 98,28/saca de 50 kg, alta de 1,9% em relação à segunda anterior, 10. (Cepea / Esalq            18/10/2016)

 

MME lançará iniciativa para debater papel dos biocombustíveis

O Ministério de Minas e Energia e entidades ligadas ao MME iniciaram um grande debate com as representantes do setor de biocombustíveis, com o objetivo de aprimorar práticas e agendas importantes para o segmento. Segundo o ministro interino de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, esses esforços estão sendo agrupados na iniciativa BioBrasil 2030, para repensar o papel desses combustíveis na matriz energética. Pedrosa participou nesta segunda-feira (17/10) da 16ª Conferência Internacional da Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo (SP).

“Já estamos iniciando um grande diálogo com o setor produtivo do etanol, para podermos empreender essa agenda de futuro”, afirmou Pedrosa ao destacar a iniciativa BioBrasil2030, em seu discurso durante o evento. “No diagnóstico, já temos uma convergência muito grande, agora é pensar na agenda de trabalho para o encaminhamento operacional a partir das diretrizes que temos”, disse, destacando que uma dessas diretrizes é a competitividade.

O ministro interino afirmou que o País precisa aproveitar sua experiência no segmento de biocombustíveis, que se destaca no panorama mundial. “Será que é o caso de copiarmos a experiência internacional ou o Brasil teria como desenvolver uma solução brasileira, usando a capacidade produtiva nacional, em projeto integrado com o desenvolvimento do setor elétrico e energético como um todo?”, questionou o representante do MME.

O diálogo e a abertura para ouvir as propostas do setor produtivo já está em curso no Ministério de Minas e Energia, afirmou Pedrosa. Ele analisa que o setor sucroenergético tem grande endividamento, o que dificulta aumentar os investimentos, e que é urgente que o Brasil debata o papel dessa fonte energética na matriz.

“As demandas desse setor são parecidas com as do setor elétrico. O investidor quer confiança, previsibilidade, é isso que queremos construir a frente do MME”, afirmou Paulo Pedrosa.

Cide

Questionado por participante do evento e por jornalistas sobre qual é a visão do MME quanto ao aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre as operações realizadas com combustíveis (Cide-Combustíveis), Pedrosa afirmou que o assunto deve ser estudado pelo Governo Federal, mas de forma que a contribuição seja aplicada como um “tributo ambiental”, que possa capturar na formação de preços dos biocombustíveis o fator de contribuição que eles têm no meio ambiente.

“Precisamos fazer uma reflexão. Temos de buscar a melhor maneira de pautar isso no Governo, mas precisamos refletir sobre isso. Esses resultados (ambientais) tem de ser precificados e considerados. O MME está pronto a empreender essa discussão”, disse Pedrosa. (Ministério de Minas e Energia 18/10/2016)

 

Moro diz que compartilhar provas de negócios de Bumlai com BNDES atende ‘interesse público’

'A falta de adequada cooperação e compartilhamento de informações' é crítica recorrente às instituições encarregadas de prevenção e investigação de crimes, afirmou juiz da Lava Jato ao autorizar envio de documentos apreendidos com amigo de Lula para instrução de processo na área cível da Procuradoria, no Distrito Federal.

O juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Operação Lava Jato, em Curitiba, afirmou que o compartilhamento de provas das investigações de cartel e corrupção na Petrobrás sobre o pecuarista José Carlos Bumlai – amigo do ex-presidente Lula – com processo da área cível, do Ministério Público Federal no Distrito Federal, que apura empréstimos de mais de R$ 500 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para suas empresas, é “oportuno” e “atende ao interesse público”.

“O compartilhamento dos elementos de informação colhidos nestes autos para fins de instrução de processos em que se apurem atos de improbidade administrativa e responsabilidades cíveis e administrativas mostra-se oportuno e atende suficientemente ao interesse público”, escreveu Moro, em despacho de 26 de julho, em que autorizou remessa de documentos para Brasília.

O Ministério Público Federal investiga se o Grupo São Fernando, de usinas de álcool, foi beneficiado em empréstimos concedidos pelo BNDES, entre 2008 e 2012, de mais de R$ 500 milhões. As participações do BTG Pactual, do falido BVA e do Grupo Bertin também estão sob suspeita.

A principal suspeita recai na concessão de R$ 101,5 milhões em 2012. O valor foi contratado em nome da São Fernando Energia 1 – unidade do grupo que geraria energia com o bagaço da cana-de-açúcar -, no plano de reestruturação financeira do grupo. A operação foi feita de forma indireta, via bancos BTG Pactual e Banco do Brasil, um ano antes de Bumlai entrar com pedido de recuperação judicial.

Desde agosto, os procuradores do Distrito Federal trabalham com materiais compartilhados pela força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba. Foram enviados documentos apreendidos na 21ª fase, batizada de Operação Passe Livre – referência ao livre acesso que o pecuarista tinha no Planalto, nos governos Lula. São e-mails e documentos apreendidos em endereços do pecuarista e dos filhos, Maurício de Barros Bumlai e Guilherme de Barros Bumlai, como os contratos e cartas trocadas com o BNDES na época das operações financeiras.

Os procuradores da República do Distrito Federal Sara Moreira de Souza e Claudio Drewes José de Siqueira, da área de combate à corrupção, investigam os negócios de Bumlai e o BNDES desde 2015. Essas frentes, em parceria com a Lava Jato, podem gerar novos processos contra o pecuarista.

“É crítica recorrente às instituições encarregadas de prevenção e investigação de crimes a falta de adequada cooperação e compartilhamento de informações”, afirmou Moro, ao autorizar o envio de documentos para as investigações na área cível. “Frases como ‘o Estado desorganizado contra o crime organizado’ tornaram-se até mesmo clássicas.”

Para o juiz da Lava Jato, a “cooperação entre as diversas instituições públicas, com compartilhamento das informações, é um objetivo político válido e que se impõe caso se pretenda alguma eficácia na investigação e persecução de crimes complexos, como os crimes de colarinho branco ou os crimes praticados por organizações criminosas”.

 “Tal objetivo favorece interpretações do sistema legal no sentido de admitir o compartilhamento de provas, desde que preenchidos os requisitos que autorizam a adoção do método especial de investigação e desde que o compartilhamento vise apenas atender ao interesse público.”

O juiz da Lava Jato citou em seu despacho haver “significativa jurisprudência em casos de compartilhamento de provas colhidas em interceptação telefônica para finalidades públicas que não a instrução criminal”.

“Não se pode dizer, ademais, que o compartilhamento com a esfera cível seria desnecessário diante da perspectiva de um processo criminal. Os ritmos do processo criminal e do cível são diferenciados, aquele infelizmente sujeito a enormes delongas. Além disso, são diferenciadas as cargas probatórias necessárias em um e outro processo. O que pode não ser suficiente para uma condenação criminal, que reclama prova acima de qualquer dúvida razoável, pode mostrar-se mais do que suficiente para a responsabilização por improbidade.”