Setor sucroenergético

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Pedro Mizutani, presidente do Conselho da UNICA, acompanha Temer em visita ao Japão em busca de oportunidades para o setor

A visita é uma oportunidade para a renovação do interesse do Brasil e do Japão, entre elas está a energia renovável O presidente da República, Michel Temer, está no Japão. Em Tóquio, o presidente será recebido pelo Imperador Akihito e terá reunião com o primeiro-ministro Shinzo Abe.

Participará, ainda, de encontro com lideranças empresariais nipônicas e de evento com os setores privados do Brasil e do Japão. A visita dá seguimento ao recente encontro bilateral, à margem da Cúpula do G-20 (Hangzhou, 5 de setembro), entre o presidente Temer e o primeiro-ministro Abe, e indica a prioridade mútua que o Brasil e o Japão atribuem à intensificação de sua parceria estratégica.

"Nossos países mantêm rica agenda de trabalho conjunta, marcada por tradicionais laços de cooperação e fortes vínculos humanos. A visita constituirá oportunidade para a renovação do interesse do Brasil e do Japão na ampliação dos fluxos bilaterais de comércio e investimentos, por meio do aprofundamento da cooperação em ciência, tecnologia e inovação, assim como o estabelecimento de parceria em novas frentes dos setores de infraestrutura, indústria e energias renováveis", divulgou o Itamaraty em nota.

Quando se fala em energias renováveis, o setor sucroenergético não pode ficar de fora, por isso, Pedro Mizutani, vice-presidente de Relações Externas e Estratégia da Raízen e presidente do Conselho da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), integra a comitiva de empresários brasileiros que acompanha o Presidente Temer ao Japão.

O Brasil e o Japão participam de projetos conjuntos em terceiros países, na América Latina e na África, bem como integram o G-4, ao lado da Índia e da Alemanha, em defesa da ampliação do número de membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Juntos se coordenam em questões de interesse global, tais como desenvolvimento sustentável, mudança do clima e desarmamento e não proliferação.

Em 2015, o intercâmbio comercial entre os dois países foi de US$ 9,7 bilhões.

Nesse mesmo ano, os investimentos diretos japoneses no Brasil alcançaram US$ 2,8 bilhões. Bons negócios, Pedro! (Fonte: Cana Online 19/10/2016)

 

Bancos esmagam o bagaço da Shree Renuka

A homologação do novo plano de recuperação judicial da Shree Renuka, no último dia 26 de setembro, está longe de encerrar o contencioso entre a sucroalcooleira de origem indiana e seus credores financeiros. Os bancos, entre os quais Itaú, Santander, Votorantim e Rabobank, movem ações contra a empresa.

As instituições financeiras acusam a sucroalcooleira de ter reduzido artificialmente seu patrimônio despachando açúcar para a Índia sem receber pela exportação. Ou seja: por vias indiretas, a subsidiária da Shree Renuka teria transferido caixa a futuro para a própria matriz, manipulando deliberadamente a contabilidade para não honrar seus compromissos financeiros.

As instituições financeiras alegam que este procedimento justificaria uma espécie de tutela antecipada do patrimônio da companhia para cobrir as dívidas, mesmo com a recente aprovação do plano de recuperação judicial. Procurada pelo RR, a Renuka nega as fraudes.

Segundo ela, a "Deloitte, administradora judicial da recuperação judicial, atestou formalmente em juízo, que não encontrou nenhuma irregularidade em nossas operações comerciais com partes relacionadas".

Os bancos, no entanto, votaram contra o plano de recuperação judicial e se recusam a participar do processo.

Ainda assim, a proposta foi aprovada por receber o voto favorável do equivalente a 75% dos credores na assembléia realizada no fim de agosto, o que levou a 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial em São Paulo a homologar o plano.

A Renuka carrega dívidas em torno de R$ 2 bilhões. (Jornal Relatório Reservado 19/10/2016)

 

Shell pode comprar usina de etanol celulósico com 95% de desconto nos EUA

A Shell ofereceu US$ 26 milhões por uma usina de etanol da Abengoa que custou US$ 500 milhões e foi parcialmente custeada com dinheiro público.

A oferta preliminar da Shell, que ainda precisa receber o aval da Justiça americana, é mencionada nos autos de um processo que corre na Corte de Falências do Kansas (EUA). Caso a Abengoa receba outras ofertas pela usina, que tem capacidade anual para 95 milhões de litros, um leilão será realizado em 21 de novembro. O lance foi confirmado por Mark Kisler, diretor-gerente da Ocean Park Advisors, consultora da Abengoa.

“A ação está alinhada com a estratégia da Shell de desenvolver biocombustíveis que promovam cortes substanciais nas emissões de CO2 e façam uso de matérias-primas sustentáveis”, afirmou Natalie Mazey, porta-voz da Shell, em declaração por e-mail. “O uso das instalações com vistas a integrar o programa de biocombustíveis da Shell estará sujeito a uma futura decisão de investimento.”

Ao promulgar o Renewable Fuels Standard, que instaurou a mistura obrigatória em 2005, o Congresso americano esperava que o etanol celulósico preenchesse o grosso da demanda criada. Num esforço para reduzir os níveis de poluição e a dependência de fontes externas de energia, o decreto determina que as refinarias de petróleo misturem volumes cada vez maiores de biocombustíveis à gasolina e ao diesel. O programa desencadeou uma série de batalhas jurídicas entre adeptos dos combustíveis fósseis e dos biocombustíveis. Nos últimos anos, as agências reguladoras ajustaram para baixo as metas estipuladas, em parte porque o etanol celulósico ainda não possui a viabilidade comercial que se projetava.

Financiamento público

A usina de Hugoton, Kansas, é de propriedade da espanhola Abengoa, com sede em Sevilha, e foi projetada para produzir etanol celulósico a partir de resíduos agrícolas, evitando assim o emprego de matérias-primas usadas na alimentação, como o milho. Na época da construção, a Abengoa recebeu um empréstimo de US$ 132,4 milhões do Departamento de Energia dos Estados Unidos, além de um subsídio de US$ 97 milhões. O empreendimento levou quase uma década para ser concluído.

Segundo um porta-voz da empresa, o empréstimo já foi inteiramente quitado com o governo americano.

Em março deste ano, a Abengoa entrou com um pedido de falência na Justiça americana, com base no capítulo 15 do código falimentar. Boa parte das subsidiárias americanas da empresa estão sob recuperação judicial ao abrigo dessas leis, segundo um porta-voz. No mês passado, a Abengoa fechou a venda de três usinas de etanol para a Green Plains. (Bloomberg 19/10/2016)

 

Alta do etanol anidro impede redução do preço da gasolina na bomba, dizem postos

O sindicato que representa os postos de combustíveis no Estado de São Paulo informou nesta quarta-feira ser inviável qualquer redução no preço da gasolina comum, mesmo após a queda dos preços nas refinarias anunciado semana passada pela Petrobras.

Segundo o Sincopetro, a forte elevação nos últimos dias no custo do etanol anidro, produto que é misturado à gasolina pura nas distribuidoras antes de a gasolina comum chegar às bombas, vai neutralizar o corte no preço feito pela estatal petroleira.

O governo brasileiro contava com a queda da gasolina no varejo como um fator adicional de combate à inflação, de olho em um cenário que permita a queda dos juros e estimule a recuperação da atividade econômica.

"Mesmo com a redução de 3,2 por cento anunciado pela Petrobras no preço da gasolina, com o aumento do preço do etanol anidro, que entra em sua composição em 27 por cento, a redução do preço da gasolina torna-se inviável", disse o sindicato em nota.

"Atualmente a revenda não tem como absorver esse custo e não tem outra alternativa senão repassar aos consumidores os valores cobrados pelas distribuidoras."

De acordo com o indicator Cepea/Esalq, da Universidade de São Paulo, os preços do anidro subiram quase 15 por cento no último mês, à medida que se aproxima o fim da safra de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil.

As usinas brasileiras, além disso, têm dado preferência à produção de açúcar nos últimos meses, já que o produto registrou forte alta no último ano no mercado internacional devido a um déficit global na oferta.

Os futuros do açúcar bruto na bolsa de Nova York (ICE) estão nos maiores níveis dos últimos quatro anos. (Reuters 19/10/2016)

 

Açúcar: Ajuste à vista

O açúcar demerara registrou leve queda ontem na bolsa de Nova York em meio a especulações sobre uma possível realização de lucros dos fundos que operam nesse mercado.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 22,29 centavos de dólar na libra-peso, recuo de 6 pontos.

Segundo os analistas, o comportamento das cotações, oscilando numa menor faixa de valores, pode levar a uma queda abrupta das cotações conforme os fundamentos de alta se estabilizem no curto prazo.

Segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities, os fundos reduziram pela segunda vez seu saldo líquido comprado no último dia 11, em 6,27% na comparação com o dia 4.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 98,66 a saca de 50 quilos, alta de 0,36%. (Valor Econômico 20/10/2016)

 

UE se prepara para pôr fim às cotas açucareiras em 2017

Os limites de produção do açúcar desaparecerão a partir de outubro de 2017 na União Europeia (UE), que pretende limitar os riscos em um setor amplamente reestruturado na Europa e dominado mundialmente pelo Brasil.

A abolição das cotas, anunciada há anos, "foi preparada cuidadosamente", disse o comissário europeu de Agricultura, Phil Hogan, em meio a uma crise do setor agrícola que obriga a UE a redobrar a prudência.

O mercado mundial de leite, por exemplo, enfrenta uma situação de superprodução, 18 meses após a eliminação das cotas europeias.

Para evitar cenários parecidos, um grupo de especialistas nacionais se reuniu em meados de outubro com o "grupo de diálogo civil", que reúne as diferentes partes do setor açucareiro. O executivo europeu realiza um "maior acompanhamento" dos mercados.

"Aproveitamos o período anterior ao final das cotas para nos preparar no plano agrícola, industrial e comercial", explicou à AFP Gérard Benedetti, diretor de comunicação da Tereos, primeira empresa francesa do setor.

A Política Agrícola Comum (PAC) europeia, que se aplica aos 28 países do bloco, estabelece atualmente uma cota de produção de açúcar de 13,5 milhões de toneladas anuais.

Com a eliminação deste limite, também desaparecerá o conceito de produção "fora da cota", destinada à fabricação de biocombustível e outros produtos industriais não alimentares e a exportação até um teto de 1,374 milhão de toneladas fixado pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo fontes convergentes, os fabricantes da UE poderão com a eliminação das cotas aumentar sua produção em 20%, em um momento em que várias usinas de açúcar europeias não funcionam a pleno vapor.

Em 2006, uma importante reforma transformou o setor com o objetivo de melhorar a competitividade dos atores. Em dois anos, 83 fábricas fecharam suas portas, ou seja, 40% das usinas europeias, segundo o Comitê Europeu de Fabricantes de Açúcar (CEFS).

França e Alemanha representam quase a metade da produção europeia (cerca de 24% cada una), à frente de Polônia (11%) e Reino Unido (8%).

Os trabalhos realizados pela Comissão devem permitir que os produtores possam "sobreviver em um contexto de preços menos elevados", explicou uma fonte do executivo comunitário.

Subsídios no Brasil

"A Europa, que é atualmente importadora, se tornará um exportador", prevê Gérard Benedetti, apontando uma produção europeia de 18 e 19 toneladas anuais.

O analista da Kingsman-Platts S&P Global, Claudiu Covrig, aposta em uma mudança por uma produção anual de 16 toneladas, já que a conquista de novos mercados por parte da UE é considerada "complicada" em lugares como Oriente Médio e Norte da África.

Para a diretora da CEFS, Marie-Christine Ribera, a parte positiva é que as empresas europeias "recuperarão sua liberdade de exportar", mas "a UE tem que defender os interesses do setor do açúcar", adverte.

"A UE tem que considerar os subsídios acordados com nossos principais concorrentes", afirmou Ribera, que cita um estudo da American Sugar Alliance segundo o qual as ajudas ao setor do açúcar e do etanol no Brasil rondariam os 2,5 bilhões de dólares anuais.

Com 35 toneladas anuais atualmente, o Brasil é o principal produtor de açúcar à frente da Índia (27) e da União Europeia.

Para a fonte do executivo comunitário, o fim das cotas no bloco europeu poderá fazer que Irlanda, Portugal e Eslovênia recuperem suas produções, mas produtores na Itália temem não sobreviver com essa mudança.

O açúcar será a última cota europeia a desaparecer, "uma página virada", segundo Ribera, e símbolo de uma nova PAC orientada aos mercados. (Agence France 19/10/2016)

 

STJ suspende julgamento sobre arbitragem entre Abengoa e Ometto

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu novamente o julgamento sobre a homologação de duas arbitragens feitas em Nova York envolvendo a Abengoa e a Adriano Ometto Agrícola. Desta vez, o pedido de vista foi do próprio relator, ministro Félix Fischer.

As decisões americanas garantem uma indenização à espanhola Abengoa superior a US$ 100 milhões, por problemas decorrentes da aquisição de usinas da paulista Ometto e do grupo Dedini Agro.

Por enquanto, o placar é de três votos contra a homologação das sentenças arbitrais e um a favor. Na sessão de hoje, apenas o ministro Herman Benjamin votou contra a homologação.

Na sequência, o relator pediu vista regimental para examinar o voto de Benjamin, que teria trazido elementos novos à discussão. Por enquanto, apenas Fischer havia votado pela homologação das sentenças.

No caso, a Adriano Ometto Agrícola alega irregularidades nas arbitragens realizadas. A discussão chegou ao STJ após passar por tribunais arbitrais e pela Justiça dos Estados Unidos. No Brasil, a Corte Especial do STJ é a responsável por homologar sentenças arbitrais estrangeiras.

A disputa teve origem em um negócio firmado em 2007. A Abengoa pagou US$ 327 milhões pelas usinas paulistas. Porém, depois, questionou a capacidade de produção das unidades, alegando que não seria a prevista em contrato, além de apontar problemas com encargos trabalhistas. (Valor Econômico 19/10/2016)

 

Combustíveis fósseis mais baratos desafiam os renováveis, diz presidente da Unica

Apesar de ver positivamente a redução de preços da gasolina e do diesel, Elizabeth Farina afirma que o setor do etanol precisa de estratégias para manter a competitividade.

A Unica vê com bons olhos a redução do preço do diesel e da gasolina proposta pela Petrobras na última sexta-feira (14/10). Entretanto, a entidade reconhece que a competitividade do etanol hidratado será prejudicada. "Tiramos, acho que definitivamente, a interferência política da formação de preços dos combustíveis que prejudicou muito tanto a Petrobras quanto o setor de etanol. Porém, o petróleo [sendo vendido] a US$ 40 e US$ 50 é um desafio para todos os combustíveis renováveis", disse a presidente da entidade, Elizabeth Farina, durante a premiação Melhores do Agronegócio 2016, realizada pela Revista Globo Rural.

A executiva acredita que, da mesma maneira que a formação dos preços faz parte do mercado, do ponto de vista do etanol é importante que sejam reconhecidas as externalidades positivas do combustível verde. "Quando o consumidor vai na bomba e abastece com gasolina, ele está remunerando a exploração do combustível fóssil, mas não considera todo o custo social de emissão de gases do efeito estufa, poluição, entre outros, que aumentam a conta do SUS. De alguma maneira, temos que introduzir isso no nosso sistema de preços".

As soluções apontadas pela executiva são, entre outras coisas, a diferenciação tributária entre combustíveis fósseis e renováveis e a taxação sobre o carbono. "O etanol gera um benefício social maior que o benefício privado, os investimentos não vêm com o tamanho que deveriam vir nessa comparação de custo e benefício", critica.

A divulgação dos benefícios do etanol para ajudar na decisão de compra do consumidor também precisa ser intensificada. "Divulgar é importante, pois é a população que toma a decisão no fim. Mas essa decisão acaba sendo feita pelo preço da bomba, por isso é importante que existam esses mecanismos de precificação dessas externalidades [para equiparar preços]. O importante é o consumidor saber que ele leva o etanol e mais alguma coisa", finaliza Farina. (Globo Rural 19/10/2016)