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Esquenta a disputa do açúcar com os chineses

O Brasil contestou ontem na Organização Mundial do Comércio (OMC) a investigação aberta pela China sobre o açúcar importado pelo país, que poderá gerar salvaguarda, reduzir as compras e prejudicar os embarques brasileiros e de outros exportadores.

Maior importador mundial da commodity, a China notificou a investigação ontem no Comitê de Salvaguardas da OMC. O uso desse mecanismo de defesa comercial é raríssimo. Desde 2002 Pequim não abria esse tipo de investigação, que deverá demorar seis meses e resultar em aumento de tarifa ou em entraves maiores à entrada do açúcar estrangeiro em seu mercado.

O Brasil, origem de mais da metade das importações chinesas de açúcar, é o principal afetado pela decisão de Pequim de tentar restringir as importações. A delegação da China na OMC tenta conferir, na disputa, um aspecto de proteção ao desenvolvimento chinês e de defesa de milhões de pequenos produtores.

Nesse sentido, alega que houve um "aumento dramático da importação de açúcar" da China e que a indústria doméstica tem sofrido "sérios prejuízos". Diz, ainda, que a fatia de açúcar importado no consumo total chinês aumentou de 21,23% para 32,09% entre 2011 e 2015.

A delegação brasileira contestou esses argumentos. Argumentou que os chineses tanto sabiam que seu consumo aumentaria, bem como as importações, que tentaram administrar o comércio da commodity. Pequim impõe cota de 1,945 milhão de toneladas com alíquota de importação de 15%. Fora da cota, o produto paga 50% de tarifa para entrar no mercado chinês.

Ocorre que o açúcar do Brasil é tão competitivo que o país consegue vender tudo o que pode pela cota e também fora dela mesmo, mesmo com a taxação maior. Nos últimos meses, os chineses desaceleraram as importações, mas o Brasil continuou embarcando volume maiores ao país asiático.

O Brasil pediu um encontro bilateral com a delegação chinesa para tentar reduzir os estragos que poderão ser causados pelo movimento de Pequim contra o açúcar importado. O governo brasileiro já tinha reclamado com os chineses que precisava de mais tempo para que os produtores conseguissem responder, em mandarim, aos questionamentos apresentados.

Os chineses deram prazo adicional de uma semana para os produtores brasileiros se manifestarem, até porque havia um feriado na China. Mas o Brasil continua a enfrentar dificuldades para se defender. Austrália e Coreia do Sul já se uniram ao Brasil na reclamação contra a ação chinesa.

Os coreanos se disseram muito preocupados com o potencial impacto da investigação e pediu que a China respeite as regras da OMC durante o processo. A delegação chinesa respondeu que a investigação será "aberta e transparente".

Medidas de salvaguarda como as que poderão ser adotadas normalmente se aplicam a todos os exportadores, e não a um país em particular, e não duram mais de quatro anos. Nações em desenvolvimento com menos de 3% das exportações são excluídos da investigação. Países exportadores afetados podem pedir compensações pela perda de comércio por meio de consultas bilaterais. Se não houver acordo, podem elevar tarifas sobre os produtos do país que usou salvaguarda.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projeta a produção de açúcar da China em 9,5 milhões de toneladas na atual temporada. Uma alta dos preços internos resultou em expansão da produção e influenciou uma queda das importações para cerca de 6 milhões de toneladas, quase 2 milhões a menos do que indicavam previsões anteriores. Também pesa para a retração a diminuição do contrabando, que se tornou menos atrativo.

O consumo chinês é estimado em 17,5 milhões de toneladas por ano. Algumas indústrias do segmento sofrem perdas há anos, apesar da alta dos preço da commodity. A Associated British Foods considera vender seu negócio de açúcar na China por US$ 1 bilhão. É o sexto maior produtor na China, com cinco plantas de processamento de cana de açúcar em Guangxi e outras cinco de beterraba no norte da China. (Valor Econômico 25/10/2016)

 

Hidratado fica menos competitivo nos postos

Na primeira semana de vigência dos preços mais baixos da gasolina que sai das refinarias da Petrobras, o etanol hidratado (usado diretamente no tanque dos veículos) perdeu competitividade nos postos de gasolina em relação ao "rival" fóssil na maior parte do país. A decisão da estatal foi anunciada em 14 de outubro e entrou em vigor no dia 15.

Conforme cálculos do Valor com base em dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), a diferença entre os preços dos dois produtos na semana entre os dias 16 e 22 ficou mais apertada que na semana precedente em 14 Estados.

O etanol só está mais competitivo em Mato Grosso, onde foi vendido a um valor médio equivalente a 67% do preço da gasolina. Para o etanol ser mais competitivo que o combustível fóssil, estima-se que seu preço deva ser até 70% do valor da gasolina, mas alguns analistas ponderem que a diferença absoluta também precisa ser levada em consideração.

Na última semana, os preços da gasolina recuaram em 14 Estados, mas ficaram estáveis em outros dois e chegaram a subir em outras 12 unidades da federação, inclusive em São Paulo, maior centro consumidor. O etanol hidratado, que já vem se valorizando nos postos há algumas semanas, voltou a subir em 19 Estados (São Paulo entre eles) e caiu em oito unidades federativas.

O etanol vem perdendo competitividade nesta safra porque as usinas estão dando preferência à produção de açúcar, que está remunerando mais. Já os preços da gasolina aos motoristas perderam força com a medida da Petrobras, mas a queda não foi generalizada. Os postos dizem que o recuo médio só não foi maior porque o etanol anidro, que é misturado ao combustível fóssil, está subindo.

Segundo Julio Maria Borges, diretor da consultoria Job Economia, a maior parte dos contratos que as usinas estabelecem para a venda de etanol anidro está atrelada aos preços do hidratado, o que acaba influenciando o preço final da gasolina. Mas ele ressaltou que as margens das distribuidoras também pesam na conta.

Em nota divulgada na sexta-feira, antes da divulgação do levantamento da ANP, a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) negou que o movimento de preços da gasolina nos postos estivesse atrelado ao comportamento dos preços do etanol anidro. A entidade ressaltou que a formação de preços do combustível também depende do valor na refinaria, das margens das distribuidoras e das revendas, além do preço atualizado para incidência de imposto. (Valor Econômico 25/10/2016)

 

Etanol e carros eficientes afetarão demanda por gasolina no Brasil

O etanol e carros mais eficientes vão impactar a demanda por gasolina no Brasil nos próximos anos, disse o diretor de Refino da Petrobras, Jorge Celestino Ramos (Foto), nesta sexta-feira, em conferência realizada no Rio de Janeiro.

As empresas do setor de petróleo que operam de forma integrada são as que tiram maior valor de mercado, comentou Celestino. (Reuters 24/10/2016)

 

Participação do anidro no preço da gasolina sobe e atinge 16,4%

A participação do etanol anidro na formação do preço da gasolina vendida nos postos de São Paulo aumentou de 13,4% no fim de agosto para 16,4% na semana passada, refletindo a alta nas cotações do biocombustível. Os cálculos são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). Entre 17 e 21 de outubro, o anidro foi cotado a R$ 2,1081 por litro, correspondendo a 16,4% do valor do derivado de petróleo no período equivalente, de R$ 3,472 por litro. Há oito semanas a participação era de 13,4% e, há um ano, de 14,1%. As contas levam em consideração os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a mistura de 27% de anidro na gasolina.

"Desde o fim de agosto, o etanol anidro acumula forte aumento de 22% nas usinas paulistas, enquanto a valorização da gasolina se limita a 1,4%. Na parcial desta safra (de 1º de abril a 21 de outubro), a participação do biocombustível no preço da gasolina está em 13,38%, pouco abaixo da verificada na temporada anterior, de 13,59%", afirmou o Cepea, em relatório antecipado ao Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Na semana passada, a primeira em que vigorou a redução de 3,2% no valor do combustível fóssil nas refinarias, a gasolina subiu em 11 Estados e no Distrito Federal. Esse avanço foi creditado à apreciação do anidro. Mas para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), essa relação não pode ser feita. De acordo com a entidade, a composição do preço da gasolina depende de diversas variáveis, entre elas o preço do produto na refinaria, a margem da distribuidora, a margem da revenda, o valor do Preço Médio Ponderado Final (PMPF), atualizado a cada quinze dias para recolhimento do ICMS, e o próprio anidro. (Agência Estado 25/10/2016)

 

S&P mantém notas de crédito da Cosan

A agência de classificação de risco S&P Global reafirmou nesta segunda-eira os ratings “BB” da Cosan Limited, da Cosan S.A. Industria e Comércio e da Cosan Lubrificantes e Especialidades, mantendo as notas em perspectiva negativa.

Segundo a S&P, o rating da Cosan Limited reflete a sólida posição de negócios da empresa e geração de fluxo de caixa resiliente de suas subsidiárias, que permite a manutenção de uma liquidez adequada mesmo em meio ao pesado ciclo de investimentos da companhia.

Quanto à Cosan S.A., a S&P afirma que apesar de seu fluxo de caixa forte e previsível, seu negócio de logística Rumo ainda tem uma estrutura de capital pesada e perfil de amortização de dívida relativamente de curto prazo, cuja melhora depende da conclusão de agressivo plano de investimento, de cerca de R$ 8,5 bilhões para os próximos cinco anos, que deve elevar a eficiência operacional e margem de lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia dos atuais 45% para 50% em 2020.

“Após o aval regulatório para venda da [gestora de propriedades agrícolas] Radar, a qualidade de crédito da Cosan S.A. dependerá mais da sua distribuidora de gás Comgás, posto que o fluxo de caixa desta deve representar cerca de 55% do total da companhia”, estima a S&P. O segundo maior negócio a contribuir para o Ebitda da empresa deverá ser a Raízen, por meio do seu fluxo de dividendos. (Valor Econômico 24/10/2016 às 14h: 55m)

 

Brasil leva China à OMC por açúcar

Por ora, não se trata de disputa legal, mas brasileiros não descartam novo contencioso.

O Brasil leva as barreiras chinesas ao açúcar para a Organização Mundial do Comércio (OMC) e, nesta terça-feira, 25, em Genebra, se reunirá de forma bilateral com uma missão de Pequim para tentar evitar uma taxação que pode significar duras perdas ao setor exportador nacional.

O caso foi alvo de uma intervenção do Brasil no Comitê de Salvaguardas da OMC e o governo pedirá explicações a uma delegação chinesa. Segundo a diplomacia brasileira, a China deveria considerar que a imposição de salvaguardas é um instrumento que deve ser aplicado apenas em “situações excepcionais”.

Por enquanto, não se trata ainda de uma disputa legal. Mas negociadores brasileiros não descartam subir o tom e transformar a preocupação em um novo contencioso, caso os exportadores nacionais considerem que estejam sendo prejudicados de forma ilegal.

Desde setembro, o Brasil passou a ser um dos países incluídos em investigação do governo chinês sobre o comércio do açúcar. O tema tem deixado produtores, diplomatas e a União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica) preocupados.

Em resposta, os chineses indicaram que estão agindo “com total transparência”. Num documento enviado à OMC, Pequim ainda explicou que decidiu abrir investigações depois de ter constatado que o açúcar importado já representava 47% da produção nacional. Em 2011, eram 27%. Além disso, os chineses apontam que, hoje, o produto importado ocupa 32% do consumo nacional de açúcar. Em 2011, eram de 21%.

Austrália, Tailândia e Coreia do Sul também estão sob investigação. Mas, como o Brasil representa mais de 50% da importação chinesa do produto, uma eventual salvaguarda imposta pelos chineses teria um impacto especialmente importante para o exportador nacional.

O Brasil é o maior exportador de açúcar do mundo e a China é seu maior cliente. O país asiático, por exemplo, comprou quase 10% das exportações do centro-sul do Brasil em 2015.

De acordo com o Ministério da Indústria e Comércio Exterior e Serviço, “em 2015, as exportações de açúcar brasileiro para a China alcançaram 2,5 milhões de toneladas, o que representou mais de US$ 760 milhões”. “Esse valor já foi maior. Em 2011, apesar de a exportação ter sido menor em volume (2,1 milhões de toneladas), o valor apurado foi de US$ 1,2 bilhão”, indicou.

A China aplica uma tarifa de 15% para o produto que esteja dentro de uma cota anual de até 1,95 milhão de tonelada. “Acima disso, a tarifa passa a ser de 50%”, diz o governo. O temor é que a salvaguarda determine um imposto que tornaria as vendas nacionais impraticáveis.

Investigação. Pequim diz que a investigação foi lançada depois de um aumento importante nas importações de açúcar. Sua indústria nacional teria exigido uma resposta, em mais um sinal de que Pequim não estará disposta a permanecer apenas como consumidora de produtos básicos de diversos países.

No caso do açúcar, Pequim já indicou ao Brasil que a investigação vai avaliar as vendas nacionais nos últimos cinco anos. O processo deve levar seis meses para ser completado. Mas o governo chinês indicou aos diplomatas brasileiros que uma salvaguarda provisória poderá entrar em vigor, até que o processo seja concluído em 2017.

Há dez dias, durante a reunião do Brics em Goa, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, negociou uma prolongação no prazo para o Brasil responder ao questionário enviado pelos investigadores chineses. Pequim dava 20 dias para que o País respondesse 91 páginas em chinês.