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China tende a sobretaxar o açúcar de fora

O governo chinês avisou o Brasil que está sofrendo pressão brutal de sua indústria doméstica para impor sobretaxa à importação de açúcar, o que na prática sugere que a medida é inevitável. Em reunião bilateral, à margem da Organização Mundial do Comércio (OMC), a delegação brasileira questionou a abertura da investigação da China sobre suas importações do produto e insistiu que a aplicação de salvaguarda deve ser manejada com cuidado e de forma excepcional.

Representantes chineses retrucaram que a opinião pública vem monitorando de perto a questão, uma vez que pequenos produtores do país dizem estar sendo afetados pela entrada de açúcar brasileiro e de outros países. A investigação de salvaguarda deve demorar de dois a quatro meses. Depois disso será decidido se uma sobretaxa provisória sobre o produto importado será ou não aplicada. A delegação chinesa está aberta a considerações técnicas apresentadas pelo Brasil, mas deixou claro que o tema ganhou contornos políticos. (Valor Econômico 26/10/2016)

 

‘Brasil tem trauma com preços dos combustíveis’, diz executivo do Sindicom

Representante da entidade defende política mais livre para destravar investimentos.

O presidente do Conselho Consultivo do Sindicato Brasileiro das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Leonardo Gadotti, defendeu mais liberdade de preços no Brasil. Ele afirmou que a mudança é fundamental para que o país consiga destravar investimentos. Para Gadotti, o setor pode passar pela sua segunda grande onda de investimentos, com a busca de sócios por parte da Petrobras — após a abertura do setor no fim dos anos 1990.

“A política de preços precisa ter maior liberdade. O Brasil tem um trauma com preços dos combustíveis. Isso sempre foi manchete de jornal. Em outros mercados os preços sobem e descem acompanhando as cotações internacionais”, destacou durante a Rio Oil & Gas.

Há dez dias, a Petrobras reduziu os preços da gasolina e do diesel no país. O movimento, no entanto, decepcionou analistas e a própria estatal, já que o corte não se refletiu em combustível mais barato nas bombas. Mesmo com a medida, os combustíveis ficaram mais caros nos postos brasileiros, reflexo de fatores como a alta do etanol, que representa 27% da composição da gasolina.

Para Gadotti, o Brasil também precisa destravar os investimentos em terminais marítimos se quiser ampliar os investimentos na área de refino, hoje concentrados na Petrobras.

“Isso é um gargalo. Não houve investimentos nos portos nos últimos cinco anos. Os do Norte, por exemplo, vivem hoje uma limitação”, disse. (O Globo 26/10/2016)

 

Barreira chinesa ao açúcar brasileiro 'não se justifica', diz Itamaraty

O governo brasileiro apresentou ontem dados aos diplomatas chineses para indicar que uma barreira contra o açúcar nacional "não se justificaria". O encontro ocorreu em Genebra, depois de Pequim ter anunciado que estava abrindo uma investigação para a eventual imposição de uma sobretaxa contra a importação de açúcar.

Durante a reunião, os chineses indicaram que a investigação pode se prolongar por mais dois ou quatro meses. Pequim, porém, não deu garantias de que evitaria uma sobretaxa provisória, até que o caso seja encerrado.

A China aplica uma tarifa de 15% para o produto que esteja dentro de uma cota anual de até 1,95 milhão de toneladas. "Acima disso, a tarifa passa a ser de 50%", informou o governo. O temor das autoridades brasileiras, porém, é que a salvaguarda determine um imposto que tornaria as vendas nacionais impraticáveis.

Pequim também justifica que a investigação foi lançada após um aumento importante nas importações de açúcar. Sua indústria nacional teria exigido uma resposta, em mais um sinal de que Pequim não estará disposta a permanecer apenas como consumidora de produtos básicos de diversos países do mundo.

Do lado brasileiro, porém, o Itamaraty disse que não existem os principais argumentos para legitimar a imposição da taxa: um surto de importação e de um dano real para os produtores chineses. Os argumentos foram os mesmos que o Brasil apresentou em um documento enviado pela embaixada do País em Pequim ao Ministério do Comércio.

De acordo com o Itamaraty, a produção de açúcar na China ficou estável em cerca de 10 milhões de toneladas por ano, entre 2011 e 2016. A importação, portanto, não causou uma queda na safra local.

Outro argumento é de que, entre 2011 e 2016, o aumento na venda de açúcar para a China foi de 60%. Ainda que a taxa seja elevada, ela ocorreu em cinco anos e, portanto, não poderia ser considerada como um surto. Pelas regras, uma salvaguarda apenas poderia ser colocada se ficar provado o surto de importação.

Em termos financeiros, as exportações brasileiras de açúcar para a China somaram US$ 1,4 bilhão em 2013. Mas foram reduzidas para US$ 750 milhões em 2015.

Desde meados de setembro, o Brasil passou a ser um dos países incluídos em investigação do governo chinês sobre o comercio do açúcar. O tema tem deixado produtores, diplomatas e a União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica) preocupados. Austrália, Tailândia e Coreia do Sul também estão sob investigação. (Agência Estado 26/10/2016)

 

Venda da Syngenta deve ficar para 2017

A Syngenta informou nesta terça-feira, 25, que a aprovação regulatória de sua venda para a China National Chemical Corp (ChemChina) atrasará e deverá ficar para o começo de 2017. A expectativa inicial era de que a operação fosse concluída no final deste ano. 
"Em um contexto de consolidação da indústria, os reguladores (da União Europeia e de outros lugares) estão pedindo várias informações adicionais. Esperamos, agora, que o processo regulatório se estenda até o primeiro trimestre de 2017", afirmou a Syngenta, em nota. "ChemChina e Syngenta continuam totalmente compromissadas com a transação e estão confiantes quanto à sua conclusão."

Na segunda-feira, 24, um regulador europeu já havia dito que as companhias não tinham entregue as soluções necessárias para evitar preocupações antitruste resultantes da fusão, anunciada em fevereiro, pelo valor de US$ 43 bilhões. O prazo para a apresentação dessas garantias terminou na sexta-feira, 21.

Bayer e Monsanto - De acordo com o executivo-chefe da empresa suíça, Erik Fyrwald, a proposta de aquisição da Monsanto pela Bayer, divulgada em setembro e que pode criar a maior companhia do agronegócio mundial, levou os reguladores a pedir um volume de informações "nunca antes visto" sobre o acordo entre Syngenta e ChemChina. Entre as solicitações estão dados sobre culturas, geografia e ingredientes utilizados.
Ainda segundo Fyrwald, as empresas não entregaram as soluções antitruste no prazo estipulado porque os reguladores europeus ainda não tinham um feedback para as garantias. Ele prevê que a chamada Fase II da análise do processo se iniciará ainda em outubro e deverá compreender 90 dias de trabalho. "Os reguladores estão absolutamente corretos quanto ao trabalho deles", afirmou. "Trabalharemos com eles para resolver essas questões o quanto antes".

Balanço - A Syngenta anunciou também nesta terça-feira que suas vendas no terceiro trimestre de 2016 totalizaram US$ 2,5 bilhões, 3% menos na comparação com os US$ 2,62 bilhões de igual período de 2015. O resultado, contudo, veio dentro do esperado pelo mercado. Foram registrados aumentos nas vendas nos Estados Unidos, Ásia e Europa, que foram atenuados por uma menor receita na América Latina. (Cana Online 26/10/2016)