Setor sucroenergético

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Setor de etanol pede ao governo que PIS/Cofins recaia sobre gasolina

Recomposição do tributo, de R$ 0,12 por litro do álcool hidratado, voltará a partir de 1º de janeiro de 2017.

O setor produtivo de etanol pediu ao governo que a recomposição do PIS/Cofins, de R$ 0,12 por litro do álcool hidratado a ser cobrado a partir de 1º de janeiro de 2017, recaia sobre a gasolina. Sob o argumento de que ao taxar o combustível de petróleo o governo incentivaria o combustível renovável de cana-de-açúcar e ainda caminharia para cumprir as metas de redução de emissões previstas no acordo climático da COP-21, o setor sucroenergético propôs ao Ministério da Fazenda a transferência dessa alíquota para a gasolina.

O combustível fóssil já paga uma alíquota de PIS/Cofins que varia de R$ 0,28 por litro para a gasolina C (com a mistura de até 27% de etanol anidro) a R$ 0,38 por litro para a gasolina A (sem etanol misturado). Caso assuma toda a taxação, a alíquota do PIS/Cofins da gasolina passaria a entre R$ 0,40 e R$ 0,50 por litro.

"O Ministério da Fazenda não abriu mão até agora da recomposição do PIS/Cofins porque precisa de receita em 2017, mas as propostas caminham no sentido de onerar a gasolina"

Mas, segundo uma fonte do conselho da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), para que haja um acordo com o governo o setor aceitaria até mesmo pagar uma parte pequena de PIS/Cofins, de R$ 0,02 por litro, desde que a gasolina arcasse com os R$ 0,10 por litro restantes. "O Ministério da Fazenda não abriu mão até agora da recomposição do PIS/Cofins porque precisa de receita em 2017, mas as propostas caminham no sentido de onerar a gasolina", relatou a fonte ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Oficialmente, a Unica reitera que estuda alternativas para a recomposição do tributo, mas nunca detalha as negociações.

A desoneração do etanol hidratado integrou um pacote de bondades concedido pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em abril de 2013 às usinas. Outra medida à época foi o aumento da mistura do etanol anidro à gasolina de 20% para 25%, porcentual que posteriormente foi ampliado para até 27%.

A suspensão do tributo tem prazo de validade em 31 de dezembro deste ano e a renúncia fiscal superou R$ 5 bilhões no período. Só em 2016 a previsão é de R$ 1,516 bilhão a menos nos cofres com essa desoneração, valor que estimado para que entre no caixa do governo em 2017.

Outra fonte, no Ministério da Fazenda, informou que o setor sucroenergético tem boa interlocução na pasta e confirmou uma série de pedidos sugeridos no sentido de a recomposição do PIS/Cofins não atingir o etanol, mas negou que haja negociações em aberto. "A Fazenda está com os pedidos de associações e das próprias empresas nesse sentido, mas não há reuniões marcadas ou compromisso firmado de se adotar a proposta dos usineiros", relatou. (O Estado de São Paulo 26/10/2016)

 

Açúcar: Novas realizações

A ameaça de uma grande realização de lucros dos fundos voltou a assombrar as cotações do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 22,11 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 17 pontos.

"O mercado está em compasso de espera. Não somente os fundos, mas todo mundo", destaca Rafael Crestana, analista da FCStone.

Apesar disso, Crestana não acredita numa queda abrupta do mercado no curto prazo. "Qual a razão dos fundos liquidarem agora suas posições sendo que o grosso do fundamento altista está entrando em cena agora?", avalia o analista.

A recuperação do dólar ante o real também pressionou as cotações. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 100,68 a saca de 50 quilos, alta de 0,31%. (Valor Econômico 27/10/2016)

 

ATR SP: Preços no acumulado sobem 2,46% em setembro

O Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana-SP) divulgou nesta quarta-feira (26) os dados referentes ao ATR - Açúcares Totais Recuperáveis do mês de setembro. Em comparação ao mês de agosto, os preços subiram 2,46% no acumulado, fechando em R$ 0,6273 contra R$ 0,6122 do mês anterior. Já o valor mensal teve valorização de 6,59%, passando de R$ 0,6461 para R$ 0,6887.

Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo foram cotados em R$ 68,49 a tonelada contra R$ 66,85 do mês de agosto, alta de 2,45%. O preço da cana esteira em setembro fechou com valorização de 2,46%, com contratos firmados em R$ 76,51. (Udop 26/10/2016)

 

Açúcar ganha mercado e rentabilidade chega a ser 30% superior à do etanol

Usinas investem em infraestrutura para mudar mix de produção que nesta safra pode chegar a 45% de açúcar contra 55% de etanol.

O indicador do Cepea nesta quarta-feira (26) marca o maior patamar real desde 2011 para os preços do açúcar, que despontam acima dos R$100 por saca. Este é um preço considerado histórico e acompanha o mercado internacional de açúcar, que apresenta uma defasagem a nível mundial.
De acordo com João Paulo Botelho, analista da FC Stone, há uma perspectiva de déficit na safra global de 2016/17. A produção de açúcar deve ficar 9,7 milhões de toneladas abaixo da demanda, o que fará com que o produto saia dos estoques para ser consumido. Na última safra, também houve um déficit, de 9,3 milhões de toneladas.

O analista explica que este déficit tende a aumentar uma vez que a demanda de açúcar cresce de forma contínua, a medida em que países em desenvolvimento começam a crescer e a consumir mais alimentos industrializados. A oferta, por sua vez, "não cresceu de maneira adequada nos últimos anos, sem novos investimentos iniciativos na produção de açúcar".

A tendência, portanto, é que os preços continuem no ritmo de alta. A colheita da Índia e da Tailândia, que está prestes a começar, já apresenta uma perspectiva não tão boa, já que a Índia enfrentou um longo período de seca, com monções fracas, redução na área plantada e canaviais velhos e a Tailândia apresentou uma situação semelhante. No Centro-Sul do Brasil, com clima chuvoso, há perspectiva de redução na produtividade agrícola.

Por outro lado, os preços oferecem margens positivas para as usinas, "mas se não tiver muita cana, isso pode prejudicar a produtividade das usinas", como aponta o analista.

Nos postos, o etanol acompanha o preço do açúcar, o que pode compensar a diferença de remuneração. Atualmente, a venda do açúcar compensa 33,5% mais do que o etanol, considerando o preço nas usinas.

A safra global de 2016/17 deve ser de 609 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Para a próxima safra, a produção deve se manter em linha ou ficar até mesmo um pouco abaixo desses patamares. (Notícias Agrícolas 26/10/2016)

 

BRICS podem aumentar produção e uso de energias renováveis a partir da cana-de-açúcar

Intensificar a cooperação na área de energias renováveis, além de gerar desenvolvimento econômico nos países com potencial para produzir em larga escala o etanol de cana, como Brasil, Índia e África do Sul, também ajudará a limpar as matrizes energéticas de Rússia e China, grandes emissores globais de gases de efeito estufa. Esta foi a mensagem da representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) na América do Norte, Letícia Phillips, aos representantes de empresas e entidades setoriais dos cinco países que compõem o BRICS no Business Forum 2016, evento realizado na primeira quinzena de outubro (13/10), em Nova Delhi, capital indiana.

Durante sua participação em um painel sobre integração na área de agricultura, a executiva falou sobre a bem-sucedida experiência brasileira na produção de cana e seus produtos derivados, que há oito anos consecutivos lideram o ranking das fontes renováveis usadas no País.

“Nos últimos 40 anos, o etanol e a bioeletricidade sucroenergética ajudaram a transformar o Brasil em uma potência agrícola e econômica. Neste sentido, temos expertise e uma imensa disposição para cooperar essencialmente em três pontos: previsibilidade, sustentabilidade e inovação tecnológica”, afirmou Letícia, cuja participação no BRICS Business Forum foi possível graças à parceria entre a Unica e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) em projeto de valorização do biocombustível brasileiro no exterior.

Além da Unica, o evento que reuniu aproximadamente 300 pessoas também teve as presenças da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e das companhias Queiroz Galvão, Banco do Brasil, Weg, Vale, entre outras. Segundo Letícia Phillips, todos parceiros do BRICS demonstraram interesse em promover uma maior aproximação no segmento de energias alternativas.

“Os russos demonstraram disposição para projetos de ferrovias e também em técnicas de fertilização do solo. Os sul-africanos desejam contribuição em todas as áreas, em especial na agricultura, com destaque para os biocombustíveis. Os indianos mostraram entusiasmo em trabalhar com tecnologia da informação. Enfim, o Brasil é a estrela agrícola do grupo. Todos querem aprender conosco”, relata a executiva da Unica.

Atualmente, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul detém quase 21% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Juntos, representam aproximadamente 42% da população e 45% da força de trabalho no mundo.

Grupo de trabalho

Além de participar do Business Forum, Letícia Phillips também integrou as discussões do Grupo de Trabalho para a Agricultura do BRICS, composto por representantes da iniciativa privada dos cinco países do grupo. A executiva da Unica reforçou os benefícios econômicos, sociais e ambientais da produção/utilização da cana e seus produtos. “Enfatizei que o Brasil é a prova concreta de que é possível desenvolver um agronegócio capaz de produzir alimento e combustível renovável conjuntamente, de forma eficiente e sustentável”, ressalta.

A cana-de-açúcar foi responsável por 16,9% da matriz energética nacional em 2015. Este percentual já posiciona o País acima da média mundial (13,2%) no uso de energias limpas e renováveis. Apenas o setor produtivo emprega diretamente cerca de 1 milhão de trabalhadores, com 16 mil estabelecimentos vinculados à produção de cana e etanol, o que gera um expressivo número de empregos indiretos. Responsável por uma receita de US$ 10 bilhões em divisas externas em 2014 com as exportações de açúcar e de etanol, foi o terceiro segmento na pauta de exportação do agronegócio do Brasil naquele ano.

Hoje, apenas 0,5% do território brasileiro é utilizado para a plantação de cana-de-açúcar para etanol. A utilização deste percentual de área possibilita que o produto substitua cerca de 40% do consumo de gasolina do país. (Unica 26/10/2016)

 

Produção de etanol nos EUA recua 0,7% na semana, para 991 mil barris/dia

A produção média de etanol nos Estados Unidos foi de 991 mil barris por dia na semana passada, volume 0,7% menor do que o registrado na semana anterior, de 998 mil barris por dia. Os números foram divulgados nesta quarta-feira, 26, pela Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês).

Os estoques do biocombustível aumentaram 4,7% na semana encerrada no dia 21 de outubro, para 19,9 milhões de barris.

Os números de produção de etanol nos Estados Unidos são um importante indicador da demanda interna por milho. No país, o biocombustível é fabricado principalmente com o cereal e a indústria local consome cerca de um terço da safra doméstica do grão. (Down Jones 26/10/2016)