Setor sucroenergético

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Amerra negocia aquisição de usina da família Bumlai

A gestora americana de fundos Amerra está negociando com os principais credores da Usina São Fernando, da família do empresário José Carlos Bumlai, preso no âmbito da operação Lava-Jato, e que está em recuperação judicial, a aquisição da unidade da empresa localizada em Dourados (MS), segundo uma fonte a par do assunto.

A proposta ainda não foi formalizada, mas o Amerra apresentou aos credores a possibilidade de adquirir a usina por meio da assunção da dívida da companhia com desconto, segundo essa fonte. Atualmente, a usina tem uma dívida em torno de R$ 1,5 bilhão. A intenção do fundo é adquirir a usina assumindo um endividamento entre R$ 950 milhões e R$ 1 bilhão.

Esse valor seria correspondente a uma aquisição de aproximadamente US$ 68 por tonelada de cana de capacidade instalada, uma vez que a usina tem capacidade de moer até 4 milhões de toneladas por safra. O valor seria acima da última aquisição de usina sucroalcooleira realizada no país, de US$ 40 por tonelada.

Já houve duas reuniões entre o Amerra com o Banco do Brasil e com o BNDES, além de um encontro com o BNP Paribas, que são os principais credores da Usina São Fernando. As negociações ainda estão em andamento, mas existe a possibilidade de que o Amerra proponha descontos diferentes para cada credores com garantia e quirografários (sem garantia).

A aquisição se daria em um leilão judicial, em que a Usina São Fernando constituiria uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), que poderia incluir, além da usina de cana, as duas unidades de cogeração, a São Fernando e a São Fernando I.

A proposta precisa ser costurada com os credores até o dia 17 de novembro, data em que está marcada a assembleia que deliberará sobre o novo plano de recuperação judicial. Se a assembleia não alcançar o quórum mínimo, a segunda convocação está marcada para 1 de dezembro e pode ser instalada independentemente da quantidade de credores presentes.

A estratégia é bastante semelhante à adotada no caso da recuperação judicial do grupo Infinity. Nesse caso, a própria Amerra, que era uma das principais credoras da companhia, assumiu a Usina Ibirálcool, localizada no município de Ibirapuã (BA), e dividiu o controle da Usina Usinavi, em Naviraí (MS) com outro fundo de investimentos americano, o CarVal. Antes da venda, a Infinity era controlada pelo Grupo Bertin, mesmo grupo que, até 2009, foi sócia dos Bumlai na São Fernando.

Ainda de acordo com a mesma fonte, outros dois investidores de capital estrangeiro já teriam visitado a Usina São Fernando, mas ainda não chegaram a discutir propostas com os credores.

Procurados, os filhos de José Carlos Bumlai, Guilherme Bumlai e Maurício Bumlai, que controlam a Usina São Fernando disseram por meio de sua assessoria que não querem comentar sobre o assunto. (Valor Econômico 28/10/2016)

 

Inscrições para o Desafio Cana Máxima + Produtividade CTC/BASF se encerram em 31 de outubro

Peraceli convida o setor para elevar a produtividade do canavial.

O Desafio é dirigido para unidades sucroenergéticas e produtores de cana

“Aqueles que se interessam em cultivar um canavial que atinja o maior potencial produtivo possível não podem deixar de participar do 3º Desafio Cana Máxima + Produtividade”, diz Cristiano Peraceli, gerente de Marketing Cultivos Cana da BASF, empresa que realiza o Desafio em parceria com o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira).

Para os realizadores do Cana Máxima, o setor disponibiliza as mais recentes tecnologias que, comprovadamente, são capazes de elevar a produtividade do canavial. Contudo, é sabido também que o protagonista desta história precisa ser o produtor, que executa o manejo de forma correta e acredita no diferencial que as inovações podem trazer.

Usinas e produtores de qualquer região canavieira do país podem se inscrever no Desafio. Usinas e produtores participam de categorias separadas e são agrupados de acordo com a variedade: Power e Value. A usina deve inscrever pelo menos 10 hectares e o fornecedor, 5 hectares. Dessa forma, o objetivo é atingir resultados comerciais significativos.

O CTC garante que os resultados sejam equalizados na mesma base. Temos um know-how e uma base de dados que consegue quantificar e equalizar as produtividades para que produtores do Nordeste, por exemplo, não se sintam prejudicados pelos resultados obtidos no Centro-Sul.

No ano passado, o Desafio era dirigido apenas para as unidades produtoras, contou com 39 participantes e teve como vencedores na categoria solo restritivo: 1º lugar Usina Umoe, SP, 2º Delta Volta Grande, MG. Solo Favorável: 1º lugar Raízen, unidade Jataí, GO, 2º lugar Araporã Bioenergia, MG.

 

Açúcar: Mais oferta no Brasil

As expectativas com a divulgação dos dados de moagem de cana-de-açúcar da primeira quinzena de outubro no Centro-Sul do Brasil pressionaram as cotações do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 22,03 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 8 pontos. De acordo com a consultoria S&P Global Platts, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) deve indicar uma queda de 6,8% no processamento das usinas da região, para 33,86 milhões de toneladas, mas um crescimento de 11% na produção de açúcar na comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando 2,33 milhões de toneladas.

No mercado brasileiro, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 100,60 a saca de 50 quilos, queda de 0,08%. (Valor Econômico 28/10/2016)

 

Preço da saca de açúcar cristal do Brasil atinge nova máxima histórica

A saca de 50 kg de açúcar cristal alcançou o valor recorde de 100,68 reais no fechamento da sessão em São Paulo na quarta-feira, à medida que a colheita da cana-de-açúcar termina mais cedo do que o previsto e o mundo se encaminha para o segundo ano de déficit do adoçante.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), a saca de açúcar cristal subiu 0,3 por cento do valor de terça-feira, de 100,37 reais, o recorde anterior e a primeira vez que o preço da saca superou a marca de 100 reais desde que a instituição começou a registra preços, em maio de 2003.

A movimento nos preços ressalta a situação de escassez global do adoçante após problemas climáticos reduzirem a produção em importantes produtores globais no último ano.

"Além da firme posição das usinas em relação aos preços, perspectivas para uma oferta menor de açúcar no mercado global continuam a dar suporte aos preços no Brasil", disse o Cepea/Esalq em nota publicada mais cedo nesta semana.

A Datagro projeta um déficit global na oferta de açúcar de 8,26 milhões de toneladas em 2016/17.

Os preços no mercado doméstico de açúcar estão provocando cancelamentos em alguns contratos de exportação. Algumas usinas estão pagando os custos para cancelar contratos com tradings, preferindo vender o açúcar localmente.

Segundo um operador sênior em uma importante empresa internacional de negociação de açúcar que opera em São Paulo, contratos de exportação somando cerca de 300 mil toneladas haviam sido cancelados até agora na atual safra do centro-sul do Brasil, uma vez que companhias estão conseguindo acordos melhores no mercado doméstico.

Mas o operador, que pediu para não ser identificado porque não tem autorização para falar publicamente sobre o assunto, não considerou a quantia relevante tendo em vista a expectativa de volume exportável do centro-sul do Brasil neste ano, próximo de 25 milhões de toneladas.

"Esses cancelamentos acontecem todo ano. Algumas vezes mais, outras menos, e por motivos diferentes", disse ele. (Reuters 27/10/2016)

 

Oferta menor mantém pressão sobre preços do açúcar

Canaplan avalia que resultado positivo com a commodity não pode impedir a adoção de incentivos ao etanol.

A perspectiva de oferta menor que a demanda mantém a pressão sobre mercado do açúcar, com influência sobre as cotações. Na bolsa de Nova York, o contrato para março de 2017, o mais negociado, acumula alta de 35,4% em seis meses. Nesta quarta-feira (26/10), a cotação foi de US$ 0,2264 por libra-peso. Em 26 de abril deste ano, o fechamento foi de US$ 0,1674.

No Brasil, principal produtor global da commodity, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) registra preços de referência acima de R$ 100 a saca de 50 quilos, com base em São Paulo, líder na produção nacional. Nesta quarta-feira, o indicador do cristal fechou a R$ 100,64, acumulando só em outubro uma valorização de 6,31.

“Além da postura firme das usinas, as perspectivas de oferta menor que a demanda no mercado mundial continuam dando suporte ao movimento de alta no Brasil”, resumiram os pesquisadores do Cepea, em nota divulgada nesta semana.

Para Luís Carlos Corrêa Carvalho, diretor-gerente da Canaplan, consultoria especializada em açúcar e etanol, a dúvida entre representantes do setor neste momento é se a situação é apenas conjuntural ou se trata algo estrutural. Ele lembra que antes dessa virada, o mercado de açúcar passou por pelo menos cinco anos de preços depreciados por excedentes de produção.

“O cenário é de preços bons e há a expectativa de que permaneça no ano que vem. A tendência é positiva”, diz Carvalho, citando também dificuldades de produção na Ásia como causa do aperto no quadro atual de oferta e demanda, e antecipando o que deve ser discutido no Seminário Internacional do Açúcar, marcado para 7 de novembro, em São Paulo, com participação de especialistas do Brasil e do exterior.

Até esta safra, o Brasil vinha de três anos seguidos de queda na produção de açúcar. De acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a temporada 2012/2013 teve 38,264 milhões de toneladas. No ciclo 2015/2016, foram 33,837 milhões somando o Centro-Sul e o Nordeste.

O cenário é de bons preços de açúcar e há expectativa de que permaneça no ano que vem", Luiz Carlos Corrêa Carvalho (Canaplan).

A situação se inverteu na safra 2016/2017. No Centro-Sul, a produção de açúcar somava 27,775 milhões de toneladas entre primeiro de abril e primeiro de outubro, crescimento de 19,65% em relação ao mesmo intervalo na temporada passada. No Nordeste, o crescimento é de 22,55% na mesma comparação, totalizando 8,921 milhões de toneladas da commodity.

Os números do mix de produção também ajudam a dimensionar a resposta da indústria aos preços mais atrativos. Só no Centro-Sul do Brasil, a produção de açúcar consumiu 46,31% da cana que chegou às usinas desde o início desta safra. No mesmo intervalo na safra 2015/2016, a proporção era de 41,72%.

Representantes do setor reconhecem que a alta do açúcar ajuda a indústria, que tem passado por anos de crise. No entanto, ponderam que isso não pode fazer com que se deixe de lado o incentivo a outro produto importante que sai das usinas: o etanol. E reiteram a necessidade de uma política mais sólida para atrair investimentos ao combustível.

O etanol tem sua competitividade atrelada à gasolina. A viabilidade econômica de um para o bolso do consumidor depende do preço praticado na outra. O biocombustível precisa valer 70% ou menos que o derivado do petróleo, uma relação que pode ser afetada pelo próprio mercado ou por uma decisão do governo que interfira nos valores.

Com o açúcar mais atrativo, o combustível de cana perdeu espaço na preferência dos usineiros neste ano-safra, mostram os dados da Unica. A produção de etanol no Centro-Sul está quase estável. O volume de 19,886 bilhões de litros registrados até o dia primeiro de outubro representa uma queda de 0,79% em relação à temporada anterior. No Nordeste, a redução é de 0,92%, para 9,756 bilhões de litros do combustível anidro e hidratado.

“Açúcar o mercado faz. Etanol está sujeito a uma distorção econômica. Se o investidor entender que não há motivo para investir em etanol, vai investir em açúcar. É importante manter o equilíbrio entre os dois produtos e no mix de produção das usinas”, diz Carvalho, que também preside a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

Na avaliação dele, é positivo o recente anúncio da Petrobras, de reduzir os preços da gasolina, ainda que isso, em um primeiro momento, possa afetar o etanol. Afirma que é importante saber com clareza quais as “regras do jogo” e, nesse contexto, quem for mais competitivo conseguirá se manter no mercado.

Para Carvalho, o momento atual é mais do que propício para incentivar o combustível feito a partir da cana-de-açúcar, especialmente depois da ratificação do acordo do clima firmado na Conferência de Paris (COP 21). O Brasil pretende elevar a participação de fontes limpas na matriz energética em de 28% para 33% até 2030, o que inclui os biocombustíveis.

Cumprir esse compromisso, estima, significaria aumentar a produção de etanol dos atuais 28 bilhões para 50 bilhões de litros. E um salto com tamanha escala só é viabilizado aliando a expertise do Brasil ao capital estrangeiro, o que, por sua vez, depende de uma ação mais concreta de apoio.

“O Brasil tem o conhecimento, recursos naturais e físicos para isso. Mas precisa de capital e isso é o estrangeiro que tem”, ressalta, acrescentando que os investimentos do exterior hoje detêm entre 35% a 40% da indústria sucroenergética brasileira. (Globo Rural 27/10/2016)