Setor sucroenergético

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Ultra encontra um pedágio pelo caminho

No Grupo Ultra, há poucas dúvidas quanto às intenções de Ricardo Andrade Magro, dono da Refinaria de Manguinhos. Investigado pela Lava Jato, o antigo parceiro de Eduardo Cunha está diante de uma grande oportunidade de “negócio”.

E esta oportunidade surgiu à sua frente gra- ças ao Cade, que declarou Manguinhos como parte interessada na venda da rede de postos Ale para a Ipiranga. Ou seja: Magro conseguiu colocar o bode na sala e agora, ao que tudo indica, vai cobrar caro para tirá-lo de lá.

O Ultra, dono da Ipiranga, já trata como inevitável uma dura negociação com Manguinhos para que a refinaria não se interponha – tanto na esfera administrativa, caso do Cade, quanto, sobretudo, no âmbito jurídico – à venda dos postos Ale.

Em sua decisão, o Cade considerou que a aquisição da Ale pela Ipiranga poderá causar um grau de concentração na compra de combustível capaz de afetar os interesses da Refinaria de Manguinhos. Curioso: ao que consta, Manguinhos não refina uma gotícula de petróleo há anos.

Seu core business é brigar com o governo do estado para não pagar o ICMS sobre o pouco combustível que comercializa, todo ele importado. (Jornal Relatório Reservado 01/11/2016)

 

De olho na renovação dos canaviais

As usinas sucroalcooleiras investiram pouco na renovação de seus canaviais e, quando o fizeram, plantaram em épocas que tendem resultar em rendimentos menores, o que deverá levar, conforme especialistas, a uma redução da disponibilidade de cana-de-açúcar na próxima safra no Centro-Sul do Brasil.

"A taxa de renovação dos canaviais está abaixo do esperado. Os investimentos das usinas continuam relativamente baixos, já que o foco de boa parte dos grupos continua a ser a redução das dívidas. Mas a situação preocupa, sobretudo por se um ano de La Niña. A depender da intensidade do fenômeno, as temperaturas podem ficar acima da média e as plantações antigas são mais vulneráveis a problemas desse tipo", diz Michael McDougall, diretor de commodities do banco Societe Generale baseado em Nova York.

Relatório divulgado pelo banco Pine, de autoria do analista Lucas Brunetti, estima que, em média, as usinas terão 590 milhões de toneladas de cana para moer na safra 2017/18 (que começará oficialmente em abril). Essa estimativa considera um cenário médio, mas o volume pode variar de 545 milhões a 635 milhões de toneladas. Porém, "a probabilidade da disponibilidade de cana ser menor na próxima safra do que a atual é de mais 65%", afirma o relatório.

Como muitas usinas ainda estão com elevados comprometimentos financeiros, houve poucos aportes em renovação dos canaviais, o que deve elevar a idade média das plantações no Centro-Sul para 3,6 anos, maior patamar desde pelo menos a safra 2011/12, quando o Pine começou o levantamento. A idade média do canavial da safra atual é calculada em 3,4 anos.

O problema é que, quanto mais velho fica o canavial, menor a produtividade. Para uma lavoura com idade de três anos, a produtividade costuma ser de 73 toneladas por hectare. Com um ano a mais, o rendimento cai para 66 toneladas. Além disso, realça o Pine, a renovação que foi feita ficou concentrada no plantio de cana que fica pronta para o corte em um ano, cuja área deve crescer 40%.

Da safra atual, deve sobrar um volume pequeno de cana para ser processada na próxima temporada (cana "bisada"), em uma área de aproximadamente 30 mil hectares, estima o Pine. Esse cenário já vem sendo traçado no segmento, com a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), que acredita que haverá cerca de 10 milhões toneladas de cana "bisada" para a próxima safra, ante 36 milhões de toneladas na atual.

Se o volume de cana que o banco Pine estima que haverá disponível para a safra 2017/128 for confirmado, será um volume menor do que as usinas devem processar na temporada atual, calculado pelo banco em 605 milhões de toneladas. Esta estimativa, que foi revisada, indica agora uma quebra ante a safra passada.

Apesar disso, o Pine projeta uma produção de açúcar maior na safra 2017/18, de 35,7 milhões de toneladas, contra 35,2 milhões de toneladas na temporada atual. Já para o etanol hidratado a projeção do banco é de uma produção de 13,5 bilhões de litros, ante 14,6 bilhões de litros calculados para este ciclo. A destilação de etanol anidro deve crescer levemente, de 11,2 bilhões de litros projetados para a safra atual para 11,4 bilhões de litros no próximo ciclo. (Valor Econômico 03/11/2016)

 

Açúcar bate recorde no mercado interno

Desde o início da safra com uma produção elevada de açúcar bruto, as usinas que comercializam o açúcar cristal começaram apenas no último mês a ver vantagem em negociar sua oferta no país, já que até então o mercado externo vinha oferecendo uma remuneração mais atraente.

Na semana passada, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo atingiu R$ 100 a saca de 50 quilos, novo recorde histórico nominal. Na terça-feira, o indicador chegou a R$ 100,70, alta de 31% desde o início da safra, em 1º de abril, e 36% mais que em 3 de novembro de 2015. Uma salto considerável, que já se refletiu na inflação. Com peso de 0,374 ponto percentual no IPCA de setembro, o açúcar cristal subiu 19,73% nos nove primeiros meses deste ano.

O mercado externo continua interessante, mas vem oferecendo uma rentabilidade menor que nos meses anteriores por causa da paulatina liquidação de posições dos fundos na bolsa de Nova York e da queda do dólar ante o real no último mês. Isso fez com que o preço do açúcar bruto para exportação, em reais, caísse 8,5% em três semanas, a R$ 1.610 por tonelada, segundo a Archer Consulting.

Dessa forma, o açúcar cristal vendido no mercado interno chegou a oferecer na semana passada uma vantagem de 13% sobre o açúcar demerara negociado na bolsa de Nova York, comparados os valores em que ambos chegariam no porto de Santos, conforme Alessandra Rosete, analista da S&P Global Platts.

Esse prêmio oferecido pelo mercado interno ante o externo supera o registrado nas últimas safras e está em torno de R$ 11,65 a saca, 4% acima da média do ciclo passado, de acordo com levantamento da consultoria FG/A.

Tal situação não passou despercebida por usinas e tradings. Uma delas foi a VA&E, especializada na comercialização de açúcar cristal. A trading aproveitou a arbitragem e direcionou ao mercado interno 10% de suas vendas de açúcar em outubro. "Essa é uma venda que costuma acontecer apenas na entressafra, entre janeiro e março", afirmou Clovis Junqueira Franco, CEO da VA&E. Para ele, uma vantagem entre 5% e 10% no preço oferecido pelo mercado interno em relação ao externo já compensa.

Uma companhia que preferiu não ser identificada, mas que controla usinas em diferentes Estados e vem aumentando sua aposta na exportação de açúcar VHP nos últimos anos, arrefeceu esse foco no último mês e direcionou mais da metade de sua produção para o refino e venda ao mercado interno.

Entretanto, o volume de negócios de açúcar cristal no país não ocorre em grandes proporções, já que um aumento muito expressivo da oferta pode derrubar os preços e anular essa vantagem, observou Franco, da VA&E.

Nada, portanto, que possa abalar o ritmo de exportações de açúcar do Brasil, que vem batendo recordes e já alcançou 14,5 milhões de toneladas de açúcar bruto desde o início da safra até setembro, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Até porque a esmagadora maioria da produção no Brasil é do tipo VHP, vendido para as refinadoras fora do Brasil.

Essa recente vantagem do mercado interno reflete muito mais uma postura firme das usinas do que um aquecimento da demanda, que continua fraca no país, diz Franciele Rivero, analista da trading britânica Sopex. "Essa vantagem é [resultado] mais de arbitragem, não necessariamente está tendo uma demanda forte a ponto do preço subir. Isso não vai mudar muito com o país em recessão".

A pouca demanda que aparece no país vem basicamente de compradores ligados ao comércio, uma vez que as indústrias já estão com aquisições contratadas desde o início do ano, com preços de compra fixados antecipadamente.

Mesmo assim, a perspectiva dos traders é que os preços do açúcar no mercado interno continuarão firmes nos próximos meses, já que as usinas do Centro-Sul vem progressivamente encerrando suas atividades desta safra. (Valor Econômico 03/11/2016)

 

Açúcar: Fim de série

Os contratos de açúcar negociados em Nova York interromperam ontem uma série de sete pregões em queda.

Os lotes da commodity com entrega para maio fecharam o dia cotados a 21,16 centavos de dólar por libra peso, valorização de 36 pontos. No início de quarta­feira, os contratos até esboçaram nova baixa, mas a commodity encontrou um nível de "suporte", de acordo com analistas. A premissa é que o preço do açúcar não está suficientemente alto a ponto de estimular a produção futura. De acordo com a trading Czarnikow, o preço do açúcar deve estar acima de 20 centavos de dólar por libra-peso, mas contratos de vencimento mais longo estão abaixo disso. Em São Paulo, principal produtor do país, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal recuou 0,18% na última terça-feira, atingindo R$ 100,70 a saca.

 

Novembro: calor e chuva nas áreas produtoras de cana

As fortes chuvas do mês de outubro, que atingiram diversas cidades do estado de São Paulo, afetaram diretamente uma das fases de produção da cana-de-açúcar. O processo de moagem da gramínea foi prejudicado por conta das precipitações ao longo do mês. “Tínhamos planejado 562 mil toneladas e, por enquanto, entregamos apenas 371 mil. Ainda temos mais cinco dias de moagem e o número tende a cair”, explica Rafael Ascoli, coordenador do departamento Técnico Agrônomo da Usina Da Pedra, localizada em Serrana (SP).

As máquinas que vão a campo para moer a cana-de-açúcar são as grandes danificadas no período de chuvas e contribuem para diminuir a safra. “Se chove ela não consegue rodar por conta do excesso da umidade no solo e temos que ficar alguns dias parados”, diz Rafael. 

De acordo com o especialista, o cenário, no entanto, só não é tão preocupante porque já foi moída bastante cana nos primeiros meses do ano, abrindo uma frente razoável de estoque. “Hoje estamos com 40 mil toneladas em reserva, temos que torcer para manter nesse nível”, afirma. Porém, se os próximos meses chegarem com chuvas acima da média, pode ser que o número de cana moída anual sofra uma queda considerável.

Novembro deve começar com chuva. A primeira semana do mês que começou quente e vai terminar com bastante chuva, devido a passagem de uma frente fria. "Até o dia 05 muitas nuvens vão se espalhar pelo estado e junto com a chuva vão deixar a temperatura mais amena. A partir da segunda semana do mês as temperaturas devem voltar a subir e o calor aumenta nas áreas produtoras de cana de açúcar", comenta Nascimento.

Ainda de acordo com o meteorologista, é comum chover nesta época do ano nas áreas produtoras de cana. Novembro será marcado por grandes variações, ou seja, uma semana com bastante chuva e a outra com mais calor. (Agroclima 01/11/2016)

 

ADM espera receber propostas para suas destilarias nos EUA até fim do ano, diz CEO

A trading norte-americana Archer Daniels Midland (ADM) espera receber até o final de 2016 propostas consolidadas envolvendo suas destilarias de etanol nos Estados Unidos, disse o CEO da companhia, Juan Luciano, reforçando que está conversando com uma pequena lista de partes interessadas. A empresa colocou o negócio sob avaliação estratégica no início deste ano.

Apesar disso, Luciano não revelou se a empresa vai vender uma participação no negócio, aliená-lo ou buscar outra opção. A ADM, que é uma das maiores produtoras de etanol dos EUA em termos de capacidade, vem obtendo margens mais fracas no negócio nos últimos anos. Embora o resultado tenha melhorado em 2016, a ADM tem direcionado mais investimentos para setores com margens maiores.

No começo deste ano, a companhia fechou acordo para vender suas operações de etanol em Limeira do Oeste, no Estado de Minas Gerais, para a JFLim Participações S.A. (Down Jones 03/11/2016)

 

Lucro da Bunge recua 50,6% no 3º tri ante 2015

A Bunge reportou lucro líquido de US$ 118 milhões no terceiro trimestre de 2016, encerrado em 30 de setembro, o que representa uma queda de 50,6% sobre o resultado positivo de US$ 239 milhões obtido em igual período de 2015. A companhia atribuiu a queda no desempenho no período ao setor de agronegócios, que inclui grãos e oleaginosas, por causa queda da colheita na América do Sul, principalmente no Brasil, reduzindo assim o resultado da originação e do esmagamento de soja.

O lucro operacional antes de juros e tributos (Ebit) no terceiro trimestre de 2016 foi de US$ 199 milhões, queda de 45,7% sobre os US$ 367 milhões no período encerrado em 30 de setembro de 2015. No setor de agronegócios, o Ebit recuou de US$ 322 milhões para US$ 83 milhões entre os períodos. "As condições desafiantes do mercado e as vendas de agricultores levaram a um resultado menor que o esperado no trimestre", informou o CEO da Bunge, Soren Schroder.

Por outro lado, em razão da melhora dos preços de açúcar e etanol, o lucro operacional do segmento de açúcar e bioenergia da companhia disparou entre os trimestres, de US$ 3 milhões para US$ 35 milhões. Segundo a companhia, em nota, "os melhores resultados no trimestre foram impulsionados principalmente pela operação de cana-de-açúcar, que se beneficiou pelos preços do açúcar e do etanol. Os resultados de trading e distribuição foram maiores com margens melhores que compensaram os volumes menores".
Nos nove meses de 2016, a Bunge relatou lucro líquido de US$ 474 milhões, ante US$ 588 milhões no período de janeiro a setembro de 2015. (Agência Estado 02/11/2016)