Setor sucroenergético

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Incentivo ao etanol

O presidente da Raízen, Luis Henrique Guimarães, afirmou ontem que o Brasil pode sofrer uma "crise de abastecimento de combustíveis" se a economia voltar a crescer e o governo não adotar algum incentivo à produção doméstica de etanol.

Durante o Seminário Internacional do Açúcar 2016, em São Paulo, o executivo disse que o atual governo "tem uma interlocução boa" com o segmento, mas ressaltou que "tem que ver os frutos acontecerem".

Guimarães reforçou que os próximos dois meses serão cruciais, já que o governo terá que decidir se será prorrogada a presumibilidade dos créditos de PIS/Cofins para as usinas, prevista para terminar no fim deste ano. Para o executivo, a importação de gasolina será uma realidade crescente no país. (Valor Econômico 08/11/2016)

 

Cofco Agri planeja ampliar usinas no Brasil

A Cofco Agri, controlada pela estatal chinesa de alimentos Cofco e dona de quatro usinas sucroalcooleiras em São Paulo, planeja um forte crescimento no setor no Brasil. O foco, no curto prazo, é a expansão da capacidade de produção de suas plantas no país, mas o crescimento também pode vir a partir da aquisição de usinas.

A meta da companhia, com faturamento global estimado de quase US$ 40 bilhões, é elevar sua capacidade instalada de processamento de cana no Brasil para 18 milhões de toneladas até 2019, o que representaria um crescimento de 20% em relação ao potencial de produção atual, de 15 milhões de toneladas. No longo prazo, porém, o objetivo é "dobrar de tamanho", afirmou Marcelo Andrade, diretor global de açúcar da Cofco Agri, durante o Seminário Internacional do Açúcar, realizado pela Canaplan em São Paulo.

Andrade disse que a companhia está atenta a oportunidades no mercado brasileiro, mas ressaltou que a empresa quer "crescer de forma sustentável". "Com a alta do preço do açúcar, todo mundo achou que poderia vender [usinas] a um preço absurdo", afirmou o executivo, que não vê possibilidade de aquisições de plantas ocorrerem por valores já registrados no passado. Ele se referia a preços entre US$ 80 e US$ 100 por tonelada de capacidade instalada.

Para o diretor da Cofco, o valor justo para adquirir uma usina seria entre US$ 50 e US$ 75 por tonelada de capacidade instalada. Além disso, ressaltou, a usina a ser eventualmente adquirida precisa ter uma estrutura forte para ser atrativa. Isso significa ter capacidade de cogeração e canavial próprio. "Não adianta ter usina e não ter cana".

Na safra atual brasileira (2016/17), iniciada em abril, a Cofco já realizou alguns ajustes em suas unidades que permitiram aumentar a parcela do caldo de cana destinado à produção de açúcar, que ficou em 65%, e focar apenas na produção de açúcar VHP. "Focamos no que somos bons e tiramos a complexidade".

Dessa forma, a produção de açúcar em suas quatro usinas paulistas deve totalizar nesta safra 1,150 milhão de toneladas de açúcar. Na temporada anterior, a produção de açúcar ficou em 800 mil toneladas, parte com açúcar cristal.

O maior foco na produção de açúcar acontece desde o ano passado, quando a Cofco decidiu ampliar a área plantada com cana e antecipar a fixação dos preços de venda do açúcar. A companhia estima que encerrará a safra atual no Brasil no início de dezembro com uma moagem entre 14,5 milhões e 14,7 milhões de toneladas de cana, bem acima das 11 milhões de toneladas processadas no ciclo precedente.

Para a safra 2017/18, a Cofco projeta um processamento de 14 milhões de toneladas de cana, com um mix ainda mais açucareiro do que na safra atual. Segundo Andrade, a fixação de preços do açúcar pela empresa também está à frente da média das demais usinas brasileiras, atualmente em 30%, conforme último levantamento da Archer Consulting.

O plano de crescimento da estatal chinesa na produção de açúcar no Brasil está alinhado à estratégia global da companhia, que apenas neste ano adquiriu, na China, duas usinas de processamento de cana e duas refinarias de açúcar.

Na avaliação de executivos do setor, a Cofco é uma das poucas companhias com potencial real de crescimento no setor sucroalcooleiro do Brasil porque tem presença tanto na produção como na comercialização, negociando globalmente 4 milhões de toneladas de açúcar por ano.

A aposta da Cofco ocorre a despeito da perspectiva de que o maior importador de açúcar do mundo, a China, possa reduzir suas importações nesta safra internacional 2016/17, iniciada em outubro passado, em decorrência da redução do déficit interno de oferta e da liberação de estoques de açúcar do governo.

Segundo a companhia, que embora seja estatal, nega ter conhecimento das políticas do governo para o setor, já foram ofertadas 520 mil toneladas de açúcar das reservas estratégicas, das quais 350 mil toneladas saíram das reservas do governo central e 170 mil toneladas das reservas da província de Guanxi, maior centro produtor de açúcar no país.

Do volume total, 370 mil toneladas foram adquiridas por um preço considerado elevado, próximo de 7.000 renmibi por tonelada, segundo Mauricio Sacramento, diretor de trading de açúcar da companhia no Brasil. "Isso pode incentivar que mais estoques sejam liberados", disse o executivo, evitando dar uma projeção sobre quanto açúcar ainda será ofertado.

A estimativa de consenso do mercado é que a China tenha cerca de 7 milhões de toneladas de açúcar em suas reservas, mas há dúvidas sobre a qualidade de parte desse produto. "O estoque está lá há muito tempo, pode estar com coloração amarelada. E há parte do açúcar de Cuba, que também tem qualidade menor", afirmou Paulo Roberto Souza, presidente da trading Copersucar. Segundo ele, a China deverá liberar em 2017 algo entre 1 milhão de toneladas e 1,2 milhão de toneladas de açúcar de seus estoques estratégicos. (Valor Econômico 08/11/2016)

 

Cana transgênica

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) deve ter cana transgênica aprovada e disponível para comercialização em escala daqui cinco a seis anos, estimou ontem Luís Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração do CTC e da Copersucar, durante o Seminário Internacional do Açúcar, em São Paulo.

O executivo crê que a variedade transgênica pode ser aprovada no começo de 2017, mas só será implementada "com algum market share" no canavial do país em cinco anos, ciclo de amadurecimento da cana.

O desenvolvimento das variedades de cana transgênica pelo CTC teve a colaboração de cientistas de Cuba, que já aplicavam técnicas semelhantes em flores no país, segundo Pogetti.

As variedades desenvolvidas pelo centro podem reduzir o custo de plantio em até 70%, o que pode incentivar as usinas a realizarem o replantio em um período mais curto do que realizam hoje. (Valor Econômico 08/11/2016)

 

Brasil diz que proposta da Tailândia sobre açúcar pode evitar caso na OMC

Produtores tailandeses de açúcar e cana estão trabalhando em uma proposta para mudar as políticas do governo para o setor, procurando eliminar o risco de uma disputa comercial com o Brasil, disse um representante da indústria açucareira brasileira nesta segunda-feira.

Representantes do governo e das indústrias de açúcar dos dois países se encontraram em Brasília na quinta-feira para discutir o caso. A proposta formal para mudanças nas políticas tailandesas para o setor devem ficar prontas neste mês, disse o presidente do conselho da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Pedro Mizutani:

"O que eles nos mostraram basicamente responde às nossas demandas", disse Mizutani, que é também vice-presidente de Relações Externas e Estratégia na Raízen, uma joint venture entre a brasileira Cosan e a Royal Dutch Shell.

"Mas teremos que esperar para ver se as propostas serão adotadas e implementadas antes que possamos decidir sobre desistir do caso da Organização Mundial do Comércio (OMC)", acrescentou.

O Brasil está questionando na OMC algumas das políticas da Tailândia para o setor do açúcar, incluindo um subsídio para produtores de cana que levou a um aumento na produção nos últimos anos, mesmo quando o mundo estava enfrentando um longo período de baixos preços no açúcar, uma tendência que agora está se revertendo.

O Brasil diz também que a Tailândia tem indiretamente subsidiado as exportações de açúcar, e argumenta que isso quebra algumas regras de comércio internacional. (Reuters 07/11/2016)

 

Açúcar: Dólar e oferta

A queda do dólar ante o real deu fôlego às cotações do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 21,65 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 46 pontos.

As expectativas do mercado com as eleições de hoje nos EUA deram fôlego ao real, o que tende a desestimular a exportações do Brasil em um cenário de déficit na oferta mundial.

As projeções em relação à produção no Centro-Sul do país na segunda quinzena de outubro também influenciaram.

Segundo estimativa do Banco Pine, a região produziu 1,88 milhão de toneladas do adoçante no período, 13,8% abaixo do registrado em igual intervalo de 2015.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 100,74 a saca de 50 quilos, alta de 0,18%. (Valor Econômico 08/11/2016)

 

Bunge não tem planos de investir em capacidade de produção de açúcar no Brasil

A Bunge não tem planos de investir em capacidade de produção de açúcar no Brasil apesar dos altos preços internacionais, disse o vice-presidente para açúcar e etanol da companhia, Giovane Consul, nesta segunda-feira, durante evento em São Paulo.

A companhia, que possui oito usinas de açúcar e etanol no Brasil, vê o mercado de açúcar favorável, mas está cautelosa tendo em vista a duração do atual ciclo de preços altos, afirmou Consul. (Reuters 08/11/2016)

 

Safra de cana 2016/17 da Copersucar deve ter quebra média de 5%

A Copersucar, uma das principais companhias do setor sucroenergético mundial, deve registrar quebra agrícola de aproximadamente 5% na safra de cana-de-açúcar 2016/17 no Centro-Sul do Brasil. De acordo com o presidente da empresa, Paulo Roberto de Souza, a moagem de cana pelas 35 usinas sócias, inicialmente estimada em 93 milhões de toneladas, deve fechar o ciclo em 89 milhões de toneladas.

"A quebra média é de 5%, mas em algumas regiões chegou a 10%. A maior perda se deu no oeste de São Paulo, enquanto na região de Ribeirão Preto (SP) foi menos", disse a jornalistas pouco antes do início do Seminário Internacional do Açúcar 2016, promovido pela consultoria Canaplan e pela LMC International, em São Paulo, nesta segunda-feira, 7.

Em relação aos produtos, Souza destacou que a fabricação de açúcar na atual temporada deve totalizar 4,4 milhões de toneladas, ante uma projeção inicial de 4,8 milhões de toneladas. No caso do etanol, a estimativa de produção passou de 5 bilhões para 4,5 bilhões de litros, dos quais "dois terços para anidro e um terço para hidratado". Ainda segundo o presidente da Copersucar, as unidades da companhia tendem a deixar uma reserva "técnica" de cana bisada de 10 milhões de toneladas, volume este que geralmente fica em pé no campo para ser colhido apenas na safra seguinte.

Souza também comentou sobre os preços do açúcar no mercado internacional e afirmou que, atualmente, "a venda no físico está com forte desconto", apesar da perspectiva de "escassez" no curto prazo. "Mas se o Brasil confirmar a produção de 35 milhões de toneladas, podemos não ter déficit" no começo do ano que vem, o que reduziria o spread entre o contratos para março e maio na Bolsa de Nova York.

Atualmente, o mercado futuro de açúcar está "invertido", quando as telas de curto prazo valem mais que as de longo prazo. Isso indica que a disponibilidade do produto para os próximos meses pode ser mais apertada do que se previa. Nesta segunda, a diferença entre ambos os contratos chegava a 60 pontos, mas, para Souza, esse spread tende a se estreitar.

Às 9h30, o contrato futuro de açúcar demerara para março de 2017 na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) avançava 0,46%, a 21,83 cents por libra-peso, enquanto o para maio subia 0,19%, a 21,23 cents/lb.

Sobre a onda de consolidação no setor sucroenergético mundial, que teve a parceria entre Raízen e Wilmar International como movimento mais recente, Souza afirmou que esse é um processo natural. "O mercado busca eficiência em origem, destino e logística", comentou. (Agência Estado 07/11/2016)

 

Cofco Agri vê maior produção de açúcar da China; mais vendas de estoques

A processadora de alimentos e operadora de commodities chinesa Cofco Agri projeta que a China vai produzir mais açúcar na safra 2016/17 do que na temporada anterior e disse que é provável que o governo venda mais açúcar de seus estoques.

Mauricio Sacramento, chefe de trading de açúcar da Cofco, disse durante apresentação no seminário internacional de açúcar em São Paulo que a produção de açúcar da China na safra 2016/17 poderia alcançar 9,21 milhões de toneladas, ante 8,66 milhões de toneladas na safra anterior.

Ele vê o consumo total chinês pouco alterado em 15,4 milhões de toneladas em 2016/17, deixando que a diferença seja preenchida por importações ou estoques públicos.

"O governo já liberou 520 mil toneladas dos estoques, então as importações devem cair para cerca de 5,7 milhões de toneladas por enquanto", disse Sacramento.

O operador acredita que o governo chinês vai vender mais de seus estoques, os quais ele estimou em cerca de 7 milhões de toneladas, após receber valores favoráveis em vendas recentes.

Mas Sacramento não vê uma mudança no curto prazo nas importações chinesas de açúcar.

"A China vai continuar sendo uma grande importadora de açúcar nos próximos anos. A atual situação não vai mudar muito", disse ele, apesar de uma investigação em andamento pelo governo chinês sobre importações consideradas excessivas. (Reuters 07/11/2016)

 

Produção de açúcar em safra global pode aumentar em até 13,5 mi de t, diz LMC

A produção mundial de açúcar na safra global 2017/18, que se inicia apenas em outubro do ano que vem, pode registrar incremento de 8,5 milhões a 13,5 milhões de toneladas, projetou nesta segunda-feira, 7, o diretor-gerente da LMC International, Martin Todd, durante o Seminário Internacional do Açúcar 2016, realizado em São Paulo.

"O Brasil pode aumentar a fabricação em até 1 milhão de toneladas, para entre 39 milhões e 40 milhões de toneladas. Apesar da perspectiva de uma safra de cana menor, as usinas estão investindo em aumento da capacidade de cristalização", citou.

Quanto a outras regiões, Todd afirmou que a Índia pode elevar sua produção em até 3,5 milhões de toneladas, para 26 milhões de toneladas, caso as condições climáticas retornem à normalidade. Na Tailândia, o aumento potencial é de 2,5 milhões de toneladas, para até 12,5 milhões de toneladas.

A União Europeia pode ter incremento semelhante, para mais de 20 milhões de toneladas, com o fim do regime de cotas de produção no bloco. (Agência Estado 07/11/2016)

 

Produção de açúcar da Índia precisa crescer quase 30 mi de t, diz grupo indiano

O presidente do grupo sucroenergético indiano Thiru Arooran Sugars, Ram Tyagarajan, afirmou nesta segunda-feira, 7, que a produção de açúcar na Índia precisa crescer dos 22 milhões a 23 milhões de toneladas previstos na safra 2016/17 para 29,6 milhões de toneladas até 2021/22 para que a demanda local seja atendida.

As declarações foram dadas pelo executivo, com base em números da Associação Indiana de Usinas (Isma, na sigla em inglês), durante o Seminário Internacional do Açúcar 2016, em São Paulo.

Conforme ele, o consumo de açúcar na Índia vem crescendo a uma taxa de 3% ao ano, o que equivale a um incremento anual de 700 mil a 900 mil toneladas. Ainda segundo Tyagarajan, o máximo de produção de açúcar já alcançado pela Índia ocorreu na temporada 2014/15, com 28,31 milhões de toneladas. Volume ligeiramente menor, de 28,3 milhões de toneladas, também já havia sido observado há dez anos. (Agência Estado 07/11/2016)