Setor sucroenergético

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Cosan reverte prejuízo

A Cosan, cujos resultados consolidam a participação de 50% de Raízen Combustíveis e Raízen Energia, teve lucro líquido de R$ 327,5 milhões no terceiro trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 17,2 milhões obtido um ano atrás.

A receita líquida totalizou R$ 11,7 bilhões, com crescimento de 2,1% na mesma base de comparação.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 1,4 bilhão, alta de 46%.

A melhora na última linha foi fruto, especialmente, do melhor desempenho dos negócios de Raízen e Comgás.

Na Raízen Energia, os melhores preços praticados nas vendas de açúcar e etanol, combinados com a eficiência no processo agrícola industrial, impulsionaram em 8,8% a receita, para R$ 3,1 bilhões.

A Combustíveis obteve receita de R$ 17,4 bilhões, alta de 11,1%, enquanto a de Comgás caiu 20,9%, para R$ 1,4 bilhão, com redução das tarifas. (Valor Econômico 10/11/2016)

 

Biosev voltou ao azul, e dívidas diminuíram

A sucroalcooleira Biosev, controlada da Louis Dreyfus Company e dona de 11 usinas no Brasil, saiu do prejuízo e obteve lucro líquido de R$ 24 milhões no segundo trimestre da safra 2016/17, encerrado em setembro. A valorização do açúcar e do etanol vendidos no período e o fortalecimento do real em relação ao dólar, que reduziu as despesas cambiais, colaboraram para a melhora do resultado.

Com um "mix" de cana mais voltado ao açúcar, a Biosev elevou suas vendas do produto, o que colaborou para um crescimento de 28,1% de sua receita líquida, que alcançou R$ 2,229 bilhões no segundo trimestre da safra. Apenas a receita com as vendas de açúcar subiram 64,4%, para R$ 1,073 bilhão, impulsionada tanto pelo aumento do volume negociado como pela alta das cotações do açúcar vendido. Desde o início da safra, 43,2% do caldo da cana da Biosev foi direcionado para a produção de açúcar, 4,3 pontos percentuais acima do mix observado no mesmo período da temporada 2015/16.

Já a receita com as vendas de etanol cresceu menos que a do açúcar, 6,3%, já que a redução do volume de biocombustível negociado, em função do mix menos alcooleiro, amenizou o impulso da elevação dos preços.

Essa melhora dos resultados operacionais fez com que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado (excluídos os efeitos de revenda e o impacto não caixa da contabilidade de hedge) crescesse 42,6%, para R$ 523 milhões no trimestre, enquanto a margem Ebitda ficou em 35% no período, apenas 0,1 ponto percentual abaixo do mesmo período do ciclo anterior.

No lado financeiro, a Biosev foi beneficiada pela variação cambial do período, que colaborou para um resultado líquido negativo de R$ 235 milhões, 72,7% menor que a despesa financeira líquida do segundo trimestre da safra passada. No fim da temporada, o endividamento líquido ajustado da companhia somava R$ 4,512 bilhões, uma redução de 12,7% sobre o registrado no fim do trimestre imediatamente anterior, já que o segundo trimestre da safra demanda menos capital de giro, além de ter ocorrido uma amortização líquida de R$ 77,8 milhões. Como o resultado operacional melhorou, a alavancagem (relação entre Ebitda e dívida líquida) diminuiu de 3,7 vezes no primeiro trimestre da safra para 3 vezes.

A Biosev também informou que havia fixado, até 30 de setembro, último dia do segundo trimestre da safra atual (2016/17), os preços para a exportação de 862 mil toneladas de açúcar para a próxima temporada, ou 61% do volume previsto para o novo ciclo. O preço médio em real pelo qual esse volume será exportado ficou em R$ 68,42 a libra-peso, resultado de uma fixação em dólares de 18,72 cents por libra-peso e de um hedge cambial médio de R$ 3,655 para US$ 239 milhões. (Valor Econômico 10/11/2016)

 

Vignis espera receita de cerca de R$ 50 milhões este ano

A aposta no desenvolvimento de biotecnologia para tirar a produtividade da cana de anos de estagnação já permitiu à Vignis melhorar seus resultados financeiros e, mais do que isso, abriu as portas para projeções de forte crescimento.

Nascida há cinco anos, a empresa de melhoramento genético convencional de cana vem desde 2015 ampliando o plantio com suas variedades de "cana energia" (mais fibrosa e com maior adensamento nas lavouras que a cana comum), que avançou 66% no ano passado, para 3,2 mil hectares. A empresa, criada por ex-fundadores da Canavialis (vendida à Monsanto em 2008), também passou a fornecer biomassa para indústrias de diferentes setores que utilizam essa matéria-prima para gerar eletricidade em seus parques.

Esses dois ramos de negócio fizeram as receitas da Vignis crescer 19% em 2015, para R$ 6,7 milhões, e permitiram que seu patrimônio líquido mais que duplicasse, encerrando o último ano em R$ 54 milhões. A valorização dos ativos biológicos se refletiu no crescimento do lucro líquido (sem efeito caixa) de 41%, que totalizou R$ 41,2 milhões.

"Já adianto que o balanço de 2016 será melhor, porque vai ter impacto muito importante do valor do ativo biológico", disse Luis Claudio Rubio, presidente da Vignis. Apenas os projetos com os quais a empresa já está comprometida devem impulsionar a receita para cerca de R$ 50 milhões neste ano, a R$ 130 milhões em 2017 e a R$ 350 milhões em 2018.

Até o fim do ano, a Vignis terá em seus domínios 10 mil hectares de área plantada com cana energia. Além disso, a empresa opera desde agosto sua unidade de produção de biomassa para atender a fábrica da Caramuru em Itumbiara (GO). É a segunda planta de biomassa da Vignis. A primeira foi inaugurada um ano antes, em São Simão (GO) para atender outra fábrica da Caramuru.

Para cumprir os contratos de fornecimento de cana energia atuais, a Vignis terá que expandir seu cultivo para mais de 20 mil hectares já em 2017 e para mais de 25 mil hectares em 2018.

Mas a companhia também vem investindo em novos produtos. Neste ano, já obteve a aprovação de mais duas variedades protegidas junto ao Ministério da Agricultura, somando agora nove variedades protegidas. "No próximo ano devemos ir para umas 15 variedades protegidas", afirmou Rubio.

Em 2015, a companhia fez um investimento de (Capex) de R$ 25 milhões. E esses aportes vêm elevando os encargos financeiros da Vignis. No ano passado, as despesas financeiras (com juros sobre empréstimos, multas e despesas bancárias) crescerem mais de 10 vezes em relação a 2014, enquanto o endividamento líquido aumentou mais de seis vezes, para R$ 6,9 milhões.

O perfil desse endividamento também representa uma pressão maior sobre o caixa da Vignis. A dívida no curto prazo somava no fim do ano passado R$ 3,3 milhões, quase 50% de toda a dívida bruta da companhia. No fim de 2014, o endividamento de curto prazo era de apenas R$ 570 mil. (Valor Econômico 10/11/2016)

 

Açúcar

Após o susto, a alta Apesar de registrarem queda no início do pregão em Nova York, em meio às incertezas relacionadas à vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais americanas, os contratos futuros do açúcar demerara voltaram a responder aos fundamentos e fecharam em alta ontem.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 21,55 centavos de dólar a libra-peso, com avanço de 21 pontos.

Além do discurso conciliatório de Trump, que acalmou o mercado, a perspectiva de déficit na oferta global e de que o Brasil, maior produtor mundial, encerre a safra 2016/17 antes do tempo também deram sustentação aos contratos.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 100 a saca de 50 quilos, queda de 0,31%. (Valor Econômico 10/11/2016)

 

Odebrecht fica aliviada com renegociação antes de delação

Executivos da Odebrecht Agroindustrial, por sinal, respiram aliviados com o “timing” da holding em fechar o acordo de delação. A avaliação do braço processador de cana-de-açúcar é de que se a renegociação da dívida superior a R$ 10 bilhões e a injeção de R$ 6 bilhões por parte de instituições financeiras não tivesse sido feita no primeiro semestre, antes da delação, seria impossível hoje.

Ganhando espaço

A gigante do setor sucroenergético deve processar 30 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na atual safra e passará a dividir com a Biosev, da francesa Louis Dreyfus,  o posto de segunda maior empresa do setor. (O Estado de São Paulo 10/11/2016)

 

Setor de etanol vê como positiva nova política de preços da Petrobras

O presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, afirmou ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que o setor produtivo do etanol vê como positivas a nova política de preços da Petrobras para os derivados de petróleo e ainda a baixa anunciada na terça-feira, 8, nos preços do diesel, de 10,4% nas refinarias.

"Previsibilidade é o que a gente sempre quis e a Petrobras vai se portar de acordo com o mercado e não por conveniência política, O que para nós é positivo", disse. "O mais importante é a redução significativa do diesel, que para nós é redução de custo na veia", completou Rocha, que participa do Fórum Nacional de Bioenergia, em Araçatuba (SP).

De acordo com ele, "é uma pena" que a baixa do preço do diesel, estimado em até R$ 0,16 por litro nos postos, seja anunciada no final da atual safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do País, já que o combustível é utilizado nas máquinas utilizadas no processo de colheita da cultura. "Essa baixa no diesel pode ajudar no plantio da cana, mas esperamos que continue", concluiu. (Agência Estado 09/11/2016)

 

Lucro líquido da São Martinho cresceu 185% no 2º tri da safra

O Grupo São Martinho teve um lucro líquido de R$ 68,913 milhões no segundo trimestre da temporada 2016/17, um resultado 184,7% superior ao registrado no mesmo período da safra precedente, informou ontem a companhia. O lucro do grupo sucroalcooleiro foi impulsionado pela ascensão dos preços do açúcar e do etanol e pelo foco na venda de etanol hidratado na primeira metade da safra.

A estratégia de venda foi desenhada diante da perspectiva do fim da isenção tributária do PIS/Cofins sobre o etanol a partir do ano que vem, o que deve tirar competitividade do produto. Por isso, a prioridade foi vender o etanol hidratado enquanto ainda há alguma vantagem sobre a gasolina. Até o segundo trimestre, a São Martinho já havia vendido 56% do etanol hidratado previsto para ser produzido neste ciclo.

"O custo de carregamento dos estoques também foi um fator relevante", afirmou Fábio Venturelli, presidente da São Martinho, ao Valor. Além do custo, também houve necessidade de antecipar as vendas por causa da limitação do espaço nos tanques da Usina Boa Vista, em Quirinópolis (GO). A unidade, inclusive, está recebendo um investimento de R$ 17,5 milhões para ter sua capacidade de armazenamento ampliada em 40 milhões de litros para a próxima safra.

Desde o início da safra, a São Marinho vendeu 56% do volume previsto para ser produzido na temporada. A venda do etanol anidro, por sua vez, foi deixada um pouco mais para o fim da safra, tanto que até o fim do trimestre as vendas haviam alcançado 49% do previsto.

A São Martinho também aproveitou a alta do açúcar para acelerar a fixação dos preços de venda da commodity. Apenas no último trimestre, a companhia fixou 200 mil toneladas de açúcar, ante 150 mil no trimestre anterior, a um preço médio acima de R$ 1.200 por tonelada. A fixação do período anterior ficara aquém desse patamar.

Apenas no último trimestre, o volume efetivamente vendido de açúcar, concentrado em grande parte no mercado externo, cresceu 17,3%, para 327,5 mil toneladas. Com a alta dos preços, a receita da São Martinho com essas vendas teve avanço de 33,3%, para R$ 386,7 milhões.

No total, a receita da São Martinho no trimestre ficou em R$ 779,3 milhões, 14% a mais do que no mesmo período da safra passada. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado subiu 25,6%, para R$ 192,4 milhões.

A companhia também sentiu um alívio nas despesas financeiras, reduzidas com a queda do dólar em relação ao trimestre anterior. "No primeiro trimestre teve uma volatilidade muito grande e o dólar chegou a R$ 4", comentou Felipe Vicchiato, diretor financeiro da São Martinho. Além disso, o segundo trimestre costuma ser um período em que o capital de giro já está empregado, sem necessidade de financiamentos.

Com isso, a São Martinho encerrou o trimestre com um resultado financeiro líquido negativo de R$ 57,4 milhões, mais de 50% abaixo do mesmo trimestre da safra precedente. Já a dívida líquida teve alta de 2% em relação ao trimestre anterior, somando R$ 2,8 bilhões.

Segundo Vicchiato, com o caixa que a companhia acumulava no fim do trimestre, de R$ 929 milhões, há uma posição "tranquila" para cumprir as obrigações financeiras de curto prazo, principalmente considerando a perspectiva de que os preços do açúcar e do etanol devem continuar favorecendo as receitas da companhia. (Valor Econômico 10/11/2016)

 

Colheita da cana avança no campo

Muitas regiões produtoras do Brasil apresentam boas condições ao desenvolvimento das lavouras. Porém, muitas áreas estão com o plantio bastante atrasado, mesmo em relação à safra passada onde já ocorreu um atraso significativo. Regiões como o norte de Goiás e de Minas Gerais, Tocantins, Bahia, Piauí e Maranhão esperam por chuvas para iniciar o plantio.

Além disso, as lavouras do Mato Grosso, da metade sul de Goiás e de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e de São Paulo ainda estão com níveis baixos de umidade do solo, o que de certa forma prejudica o desenvolvimento das culturas e causa apreensão tanto nos produtores quanto no mercado agrícola. O atraso na regularização do regime de chuvas está sendo atribuído ao La Niña. Mesmo ainda não sendo possível a sua confirmação oficial, é fato que devido às temperaturas abaixo da média das águas da região equatorial do Oceano Pacífico, a atmosfera já vem respondendo como tal, o que provoca um atraso na regularização do regime de chuvas. Algo que começaremos a ver agora ao longo do mês de novembro, explica o agrometeorologista Marco Antônio Santos.

A terça-feira (8), ainda será marcada pelas pancadas de chuvas em boa parte do Brasil Central e Norte. No Sul, um sistema de baixa pressão que está sobre a Argentina ajuda a espalhar nuvens carregadas de chuva pelo oeste da região Sul. No decorrer da tarde e a noite a chuva aumenta. Os produtores devem estar atentos às condições de plantio e desenvolvimento das lavouras, sejam elas grãos ou perenes. A colheita, como da cana de açúcar e do trigo poderão ser realizados de uma maneira satisfatória durante a semana. 

O predomínio do ar quente e úmido pelo Brasil facilita a formação de áreas de instabilidade e consequentemente as pancadas de chuva no oeste da Bahia, sul do Piauí e do Maranhão, em Tocantins e no Pará ao longo desta semana. O mesmo será observado nos três estados da região Centro-Oeste, Minas Gerais e São Paulo. Em quase todo o Brasil será observado ocorrência de chuva ao longo de toda semana. Mas, o que preocupa os produtores é a irregularidade no regime das chuvas. O momento é de cautela e arriscar o mínimo possível em relação ao plantio da soja e do milho. O mesmo vale para as culturas do café, cana de açúcar e citros, já que não existe garantia que ocorram bons volumes de chuva nas áreas agrícolas, recomenda o agrometeorologista. (Agroclima 09/11/2016)

 

Ainda é cedo para saber como EPA vai administrar biocombustíveis, diz Unica

A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) diz que "ainda é cedo" para saber como a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) vai administrar o Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS) e a política de biocombustíveis e emissões de gases poluentes no governo de Donald Trump.

Conforme a entidade, em nota, apesar do apoio de Trump ao RFS, que estipula os volumes de biocombustíveis no país, o presidente eleito "deixou clara sua posição protecionista quanto ao comércio internacional, o que poderá se traduzir em algum tipo de restrição ao comércio de biocombustíveis".

A Unica destacou que vai acompanhar a transição no governo norte-americano para avaliar os impactos ao setor sucroenergético brasileiro. (Agência Estado 10/11/2016)

 

Usaçucar anuncia suspensão da moagem de cana na unidade São Tomé

A Usina de Açúcar Santa Terezinha (Usaçucar), que tem sede em Maringá (PR), anunciou nesta terça-feira (8) que vai suspender as atividades de moagem em São Tomé (a 18 quilômetros de Cianorte) a partir de 2017. O grupo, que conta com oito unidades, comprou a usina de São Tomé em 2006. Antes mesmo do anúncio, já circulavam rumores sobre um possível fechamento da usina.

Segundo a Usaçucar, o processamento da cana será feito nas unidades de Rondon e Tapejara, com a manutenção de todos os contratos com parceiros e remanejamento de funcionários. São Tomé ainda seguirá com as atividades de plantio e tratos culturais normalmente. Segundo a companhia a medida disa retomar a moagem no futuro.

“A presente medida se deve às bruscas alterações de mercado, que tem afetado de diversas maneiras a produção de açúcar versus etanol”, afirmou a empresa em comunicado.

Porém, nesta terça-feira, a Usaçucar não divulgou detalhes de como isso vai acontecer e se devem ser demitidos trabalhadores. A empresa afirma que a moagem em São Tomé pode ser retomada, caso haja recuperação do segmento na economia.

De acordo com o relatório de sustentabilidade da empresa, atualmente a unidade de São Tomé gera 989 empregos diretos, o equivalente a 17% da população geral do município, hoje estimada em 5.595 habitantes, conforme a estimativa do Censo do IBGE de 2013; perfil que dá à empresa a responsabilidade de ser a maior empregadora na cidade. (Massa News 09/11/2016)

 

Novo corte no preço da gasolina deve ter reflexo limitado sobre etanol

Segundo especialistas, os valores do etanol hidratado devem continuar se pautando pela oferta do produto, que tende a ficar mais apertada nos próximos meses de entressafra.

O novo corte nos preços de combustíveis nas refinarias, anunciado na noite desta terça-feira, 8, pela Petrobrás, deve ter reflexo limitado sobre as cotações do etanol hidratado, cujos valores devem continuar se pautando pelos fundamentos de oferta, que tende a ficar mais apertada nos próximos meses de entressafra. "Isso já está absolvido pelo mercado. A Petrobrás vai seguir o mercado mundial, o que é positivo e dá transparência", afirmou ao Broadcast Agro Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting, consultoria especializada em commodities.

A estatal de petróleo cortou em 10,4% o valor do diesel e em 3,1% o da gasolina, ambos nas refinarias. A companhia informou que, se o ajuste definido for integralmente repassado ao consumidor final, o diesel pode cair 6,6%, cerca de R$ 0,20 por litro. No caso da gasolina, concorrente direto do etanol hidratado, a diminuição no preço final pode ser de 1,3%, ou R$ 0,05 por litro.

A nova política de definição de preços da Petrobrás prevê revisões ao menos uma vez por mês pelo comitê formado pelo presidente da estatal, Pedro Parente, o diretor de Refino e Gás Natural, Jorge Celestino Ramos, e o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Ivan Monteiro. Em outubro, a empresa já havia reduzido os preços do diesel e da gasolina nas refinarias em 2,7% e 3,2%, respectivamente.

Mas, para José Vicente Ferraz, diretor Técnico da Informa Economics FNP, "ainda há espaço (para o preço da gasolina) cair mais". "A Petrobrás precisa recuperar caixa", destacou. Segundo ele, a decisão de ontem também mostra "que a companhia está caminhando para o mercado".

Apesar das reduções anunciadas pela Petrobrás, tanto em outubro quanto agora, a tendência para os preços do etanol ainda é de alta. Na BM&FBovespa, os futuros apontam cotações até 21% maiores durante a entressafra (janeiro a março) ante igual período do ano passado, segundo monitoramento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). As cotações do hidratado já estão firmes neste segundo semestre em virtude da menor produção, seja por causa das adversidades climáticas, seja pela preferência das usinas pelo açúcar, mais remunerador.

Conforme o relatório mais recente de acompanhamento de safra da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), na parcial da temporada, iniciada em abril, até outubro, a fabricação de etanol hidratado somava 12,3 bilhões de litros, 9% menos na comparação anual.

Na semana passada, os preços do etanol hidratado nos postos subiram em 19 Estados e no Distrito Federal, caíram em outros seis Estados e não variaram no Amapá, conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), compilados pelo AE-Taxas. Na semana anterior, as cotações do produto haviam aumentado em 17 Estados e no Distrito Federal, caído em outros oito e não se alteraram no Amapá. No período de um mês, o biocombustível só registrou queda no preço em quatro Estados: Alagoas, Ceará, Paraíba e Rondônia. (O Estado de São Paulo 09/11/2016 às 11 h: 34 m)

 

Produção de etanol nos EUA recua 1,96% na semana

A produção média de etanol nos Estados Unidos foi de 1,002 milhão de barris por dia na semana passada, volume 1,96% menor do que o registrado na semana anterior, de 1,022 milhão de barris por dia. Os números foram divulgados nesta quarta-feira, 9, pela Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês).

Os estoques do biocombustível diminuíram 2,5% na semana encerrada no dia 4 de novembro, para 19,2 milhões de barris.

Os números de produção de etanol nos Estados Unidos são um importante indicador da demanda interna por milho. No país, o biocombustível é fabricado principalmente com o cereal e a indústria local consome cerca de um terço da safra doméstica do grão. (Down Jones 09/11/2016)

 

Unica reforçará diferenciais sustentáveis da cana na COP22

O papel decisivo da indústria canavieira para o desenvolvimento sustentável do Brasil nos últimos 40 anos e o potencial do etanol no combate aos desafios socioambientais causados pelas mudanças climáticas, em particular a redução das emissões globais de gases de efeito estufa (GEEs) no setor de transportes, serão temas centrais da participação da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) na 22° Conferência do Clima (COP22).

Organizado pela ONU entre os dias 07 e 18 de novembro, no Marrocos, o evento reúne representantes de diversos países para uma série de encontros com o objetivo de discutir e definir estratégias para a implementação do Acordo de Paris, tratado internacional, em vigor desde o dia 04/11, assinado por 195 países com o objetivo de frear o aquecimento do planeta.

“O Brasil apresenta média de produção e uso de energias renováveis muito superior à mundial (40% contra 13%). Isso se deve, em boa parte, à presença de 16% da biomassa da cana no total da nossa matriz energética”, ressalta a presidente da Unica, Elizabeth Farina. Ela ainda continua: “No curto e médio prazos existem totais condições de se replicar esta experiência em diversos países, principalmente nos africanos e asiáticos, cujos desafios para cumprir as metas assumidas no Acordo de Paris serão maiores, dada a falta de infraestrutura e dependência de petróleo”.

Palestras e outros compromissos

No total, a agenda da Unica na COP22 inclui participações em 13 eventos. Dois deles, marcados para o mesmo dia (14/11), no Espaço Brasil, terão a presidente da entidade como palestrante.

Elizabeth Farina falará sobre o tema “Bioetanol: Fonte de Energia Renovável e de Baixa Emissão de Carbono” em seminário idealizado pela parceria entre a Unica e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) no âmbito de um projeto de valorização do biocombustível brasileiro no exterior. Também integrarão o debate o coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima, Tassio Azevedo, a diretora Executiva da Associação Mundial de Bioenergia (WBA), Karin Haara, e o analista sênior da Agência Internacional de Energia (IEA), Cédric Philibert.

Em segunda oportunidade, a executiva da Unica participará de um evento promovido pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, iniciativa formada em 2014 por mais de 120 organizações não governamentais, multinacionais e entidades empresariais visando posicionar o País na liderança global por uma economia mais “verde”.

Nesta palestra, Elizabeth abordará a situação atual e as perspectivas de oferta e demanda de etanol e bioeletricidade até 2030, tendo como pano de fundo as metas de desenvolvimento sustentável anunciadas pelo governo brasileiro e ratificadas no Acordo de Paris. Nos próximos 14 anos, o País terá que cortar em 43% suas emissões de GEEs. A proposta prevê alcançar o índice de 18% de biocombustíveis sustentáveis (etanol e biodiesel) na matriz energética e o aumento de 10% para 23% no uso de energias renováveis (solar, eólica e biomassa) na matriz elétrica.

Além dos biocombustíveis, outros compromissos assumidos no plano nacional contra as mudanças climáticas, como o desmatamento ilegal zero e a preservação/ recomposição florestal, também serão debatidos pelas demais empresas e entidades afiliadas à Coalizão. Entre os participantes confirmados estão: Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima (OC); Marcelo Furtado, diretor-executivo do Instituto Arapyaú; Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS); André Guimarães, diretor Executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam); Marcelo Vieira, vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB); Miguel Calmon, gerente sênior do programa de restauração florestal da IUCN; e Fabio Marques, consultor para Carbono da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).

Plataforma

No penúltimo dia (17/11) da COP22, a Unica também estará presente em evento especial organizado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) no Pavilhão Marrocos: o lançamento da “Plataforma para o Biofuturo”.

A iniciativa permitirá promover, de forma flexível e dinâmica, a cooperação e o diálogo entre governos, indústria, academia, organizações internacionais, instituições financeiras e outras partes interessadas em promover a expansão dos biocombustíveis avançados na matriz energética mundial. (Unica 09/11/2016)