Setor sucroenergético

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Em recuperação judicial, Renuka vai leiloar usina por R$ 700 milhões

Grupo indiano, que investiu pesado na promessa de expansão do setor e comprou quatro unidades no Brasil, foi abatido pela crise e enfrenta problemas para honrar compromissos há mais de um ano; venda de usina foi acordada com credores.

O grupo sucroalcooleiro Renuka do Brasil, controlado pela companhia indiana Shree Renuka e em recuperação judicial desde outubro do ano passado, vai colocar em leilão sua usina de açúcar e etanol na cidade de Promissão (interior de São Paulo), apurou o ‘Estado’. As ofertas deverão ser apresentadas até 19 de dezembro e prevêem lance mínimo de R$ 700 milhões, conforme edital publicado na semana passada.

A decisão de leiloar uma das duas usinas do grupo, aprovada pelos atuais administradores da companhia, foi exigência dos credores, entre eles os bancos Itaú, Bradesco, BNDES, além de fornecedores. O grupo, que está em dificuldades financeiras, acumula dívida de cerca de R$ 2,4 bilhões. Segundo fontes, a expectativa é de que a usina de açúcar e etanol Mandhu, como é conhecida a unidade de Promissão, tenha capacidade de atrair investidores, pois possui também uma unidade do cogeração de energia a partir do bagaço de cana.

Controlada pelo grupo indiano Shree Renuka desde 2009, a Renuka do Brasil não consegue honrar suas dívidas com fornecedores de cana e bancos há mais de um ano. Diante das dificuldades, as conversas para a venda de uma das unidades do grupo ganharam mais força nos últimos seis meses.

Essa operação é considerada uma alienação de Unidade Produtora Isolada (UPI), o que em um processo de recuperação judicial permite que o comprador possa adquirir o ativo sem assumir débitos fiscais e trabalhistas, explicou uma fonte.

A consultoria Galeazzi & Associados é responsável pelo processo de reestruturação do grupo Renuka no País.

Próximos passos. O leilão da unidade Mandhu convocado para 19 de dezembro busca atrair um comprador que faça um lance mínimo de R$ 700 milhões. Caso não atraia um investidor para disposto a desembolsar este total no primeiro leilão, outra oferta deverá ser realizada em um segundo leilão, até 23 de janeiro de 2017.

Se ainda assim o valor mínimo não bater o mínimo esperado, os controladores indianos terão de se desfazer de sua participação acionária na segunda unidade produtora do grupo, a Revati, localizada em Brejo Alegre, também no interior de São Paulo, informaram fontes ao Estado.

A unidade Mandhu é considerada a melhor usina do grupo e tem capacidade para moer 6 milhões de toneladas por ano. A outra unidade tem capacidade de 4 milhões de toneladas.

Onda de investimentos. Estimulada pela expansão do setor sucroalcooleiro no Brasil, a Shree Renuka, que era uma das maiores produtoras de açúcar do mundo no início dos anos 2000, entrou no Brasil com a expectativa de avançar no País, o maior produtor global da commodity.

O grupo indiano tem quatro usinas no Brasil, sendo duas em São Paulo e outras duas no Paraná. Todas estão em recuperação judicial. No entanto, há dois processo distintos de recuperação em andamento. um para as unidades de São Paulo e outro para as unidades do Paraná.

São processos diferentes porque a Renuka do Brasil tem cerca de 60% de fatia nas unidades de São Paulo. Os 40% restantes estão nas mãos de acionistas da Equipav, grupo que atua em construção e é o fundador das duas usinas paulistas. Já as unidades no Paraná são 100% controladas pelos indianos.

Os planos de expansão dos indianos foram frustrados no Brasil com a crise que se abateu sobre o setor sucroalcooleiro. A operação ficou insustentável no ano passado, quando o grupo entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo.

Procurados, o grupo Shree Renuka na Índia, Renuka do Brasil e Galeazzi não retornaram os pedidos de entrevista. (O Estado de São Paulo 16/11/2016)

 

Nova "cana energia" começa a ser usada em escala industrial

Grandes grupos sucroalcooleiros pretendem dar, na próxima safra (2017/18), o pontapé inicial ao uso da "cana energia" em escala industrial em algumas de suas usinas tradicionais. A espécie, considerada por seus defensores uma tecnologia "disruptiva" para o segmento, foi desenvolvida, a princípio, para ser a matéria-prima por excelência para a produção de etanol celulósico e de energia elétrica a partir de biomassa.

Empresas como GranBio, Odebrecht Agroindustrial e Raízen Energia já vêm desenvolvendo canaviais com a nova cana nos últimos anos. Embora a espécie tenha um rendimento menor que a convencional no processo de produção de etanol ou açúcar, apresenta a vantagem de oferecer uma produtividade agrícola muito superior, concentrando o dobro de biomassa por hectare ante uma plantação "normal".

A GranBio, controlada pela família Gradin, já realizou "testes em escala industrial" de processamento de cana energia nos idos da safra 2014/15 na Usina Seresta, localizada em Teotonio Vilela, em Alagoas. Mas é a partir do próximo ciclo que a produção ganhará ritmo. E na Usina Guaxuma, situada no município alagoano de Coruripe, que foi arrendada em setembro da massa falida do grupo João Lyra.

"O objetivo é mostrar que dá para usar cana energia para ter biomassa e também para produzir etanol de primeira geração", disse Bernardo Gradin, presidente da GranBio, ao Valor. Ele estima que os investimentos para recuperar equipamentos que estavam se deteriorando na Guaxuma e iniciar a safra vão somar R$ 15 milhões.

Se a produtividade da cana energia colhida nos primeiros mil hectares próprios que já tem em Alagoas ficar dentro da média, a GranBio terá 140 mil toneladas ­ ainda bem aquém da capacidade da Guaxuma, que chega a cerca de 1,8 milhão de toneladas por safra.

Para garantir sua viabilidade, a Guaxuma vai operar também com cana convencional nessa retomada. Mas a ideia é usar apenas a nova espécie quando houver oferta suficiente. Para isso, a GranBio plantará progressivamente, nos próximos três anos, sua cana energia na metade da área agrícola também arrendada da Guaxuma, que soma 6 mil hectares, a outra metade foi arrendada pela Usina Coruripe.

O início da adoção da cana energia em escala industrial está em grande medida associado à estratégia de crescimento de Vignis, empresa focada em melhoramento genético convencional de cana com sede em Campinas, no interior paulista, que colherá, na próxima safra, cana energia para a Odebrecht Agroindustrial e para a Raízen Energia, com as quais mantém contratos de fornecimento de longo prazo.

Segundo Celso Ferreira, vice-presidente de operações e engenharia da Odebrecht Agroindustrial, disse ao Valor que a usina da empresa em Rio Claro, Goiás, já deverá processar, no ciclo 2017/18, 250 mil toneladas de cana energia.

E isso só será possível pelo acordo feito em 2014 com a Vignis, que desde então plantou 2 mil hectares da espécie para abastecer a companhia. "Fizemos testes em 2015, ainda na fase de crescimento do canavial. Tem que fazer alguns ajustes na moenda em função do maior teor de fibra, mas nada excepcional. Com o parque industrial que temos, vamos continuar moendo perfeitamente", disse.

A meta é chegar à safra 2019/20 com um processamento de 600 mil toneladas de cana energia na usina de Rio Claro, volume que deverá ser complementado com cana convencional. Ferreira afirmou que outras usinas da Odebrecht Agroindustrial, como a Morro Vermelho, também poderão processar a nova espécie, mas a postura ainda é de cautela.

"A próxima safra é decisiva. Aí vamos ter condição de avaliar o processamento industrial, a produtividade agrícola, se faz sentido expandir a moagem de cana energia na Rio Claro e se vale a pena levar para outras usinas", disse.

A Raízen Energia, por sua vez, receberá na próxima safra 400 mil toneladas de cana energia da Vignis, a primeira colheita da espécie para ser processada em escala industrial em suas usinas. Até então, a moagem da cana energia realizada pela Raízen também foi em caráter de teste. Procurada, a empresa informou que prefere não fazer comentários sobre o projeto no momento.

No que depender da Vignis, a adoção da cana energia deverá aumentar de forma expressiva nas próximas safras. "Neste ano, colhemos 200 mil toneladas; no próximo, o volume deverá atingir 1,5 milhão de toneladas. Estamos em uma rampa de crescimento bem agressiva", disse o presidente da companhia, Luis Rubio. Ele disse estar negociando contratos de fornecimento com outros grupos. Entre os clientes que deverão levar mais uma safra para processar cana energia está a Zilor, para quem a Vignis vai começar a plantar a nova espécie no ano que vem. (Valor Econômico 16/11/2016)

 

Raízen Energia sai de prejuízo e registra lucro no 2º tri de 2016/17

A Raízen Energia registrou lucro líquido de R$ 302,5 milhões no segundo trimestre da safra 2016/17, ante prejuízo de R$ 175,6 milhões no mesmo período da temporada passada. A melhora do resultado líquido deveuse tanto ao aumento da produção, da vendas e dos preços, como da redução dos custos financeiros.

A receita operacional líquida ajustada cresceu 8,8%, para R$ 3,148 bilhões, puxada pelo avanço do faturamento com as vendas de etanol. Já as receitas com a venda de açúcar recuaram levemente no período (1%), para R$ 1,443 bilhões, diante do menor volume vendido ao mercado externo.

A receita também foi afetada pela valorização do real em relação ao trimestre anterior, o que reduziu a receita em R$ 140 milhões, já que a taxa de câmbio média fixada para os embarques foi de R$ 3,78, mas a taxa média de câmbio realizada (Ptax) foi de R$ 3,24.

O menor volume de venda do açúcar ainda acabou pesando sobre a geração de caixa da companhia no trimestre. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado recuou 5,5%, para R$ 795,4 milhões.

O resultado financeiro líquido, por sua vez, passou do negativo no segundo trimestre da safra passada para o positivo no último período, para R$ 72,4 milhões. A empresa foi beneficiada tanto pela redução das despesas financeiras como pelo aumento da receita financeira. O efeito líquido dos derivativos continuou positivo, embora menor na comparação anual.

Ainda assim, a dívida líquida cresceu 22,9% em um ano, somando no fim do trimestre passado R$ 8,5 bilhões.

A Raízen Energia também teve um aumento do dispêndio com investimentos de capital (Capex), que cresceram 63,4% na comparação anual, para R$ 376,5 milhões, aplicados principalmente no plantio do canavial e em projetos. (Valor Econômico 14/11/2016)

 

GranBio quer acelerar desenvolvimento de variedades

Com duas variedades de cana energia protegidas por registros no Ministério da Agricultura até o momento, a GranBio está focada agora na pesquisa em biologia molecular para acelerar o desenvolvimento de novas variedades. Conforme Bernardo Gradin, presidente da companhia, o objetivo é obter o reconhecimento oficial de três a quatro novas variedades por ano nos próximos anos.

Para realizar as pesquisas, a companhia importou 400 genomas de cana convencional de um banco de germoplasma nos Estados Unidos. Sua subsidiária de biotecnologia, a GranCelere, sediada em Campinas, mapeou os genomas de cada variedade e está aplicando análise de "big data" (grandes volumes de dados) para otimizar os cruzamentos de genes.

Nos últimos cinco anos, a GranBio já investiu R$ 25 milhões em pesquisas sobre cana energia, e a perspectiva para os próximos anos é manter esse ritmo de investimentos, a depender da demanda. "Nossa diferença é que, além da hibridação natural, temos um trabalho genômico. Estudamos os genes que fazem [a planta] crescer mais rápido ou como inserir características para aumentar a eficiência. Com isso vamos dar um grande salto de produtividade", afirma Gradin.

Por meio do cruzamento de espécies ancestrais que tiveram seu genoma mapeado, a companhia está desenvolvendo diferentes variedades adaptadas a clima e solo de cada região em que atua e também com maior capacidade para produzir mais açúcar ou mais palha, por exemplo.

Já há variedades que estão sendo testadas em dez regiões de atuação da GranBio no país, e para este ano a companhia espera obter o registro de mais três ou quatro variedades além das que já possui.

Segundo Gradin, a empresa poderia lançar uma variedade transgênica de cana energia já no próximo ano, mas, como ainda é necessária a fase de testes, não há previsão para o lançamento.

A meta é que, daqui cinco anos, as novas variedades de cana energia da GranBio estejam produzindo 3,5 vezes mais biomassa do que a cana convencional. Atualmente, as variedades registradas da companhia produzem cerca de 2 vezes mais biomassa. (Valor Econômico 16/11/2016)

 

Açúcar: Novas liquidações

Uma nova realização de lucros dos fundos pressionou os contratos futuros do açúcar ontem na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 20,59 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 37 pontos.

De acordo com a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), os investidores e fundos de hedge detêm atualmente cerca de 26% do mercado futuro de açúcar em Nova York.

Trata-se de menos de um terço do observado em outubro, mas um volume ainda considerável se considerados os padrões históricos do mercado, o que eleva o temor de uma liquidação em massa.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 99,23 a saca de 50 quilos na última segunda-feira, queda de 0,84%. (Valor Econômico 16/11/2016)

 

“Potencial de investimento pode chegar a US$ 40 bilhões”, diz Única

A indústria de açúcar e etanol do Brasil terá um enorme desafio nos próximos 14 anos, com a implementação do Acordo de Paris, tratado internacional assinado por 195 países com o objetivo de frear o aquecimento do planeta. A Única (União da Indústria de Cana de Açúcar) participará ativamente dessas discussões na 22ª Conferência do Clima (COP22) evento organizado pela ONU e que vai até o dia 18, em Marrocos.

“Com a implementação do acordo, a produção de etanol do País terá de saltar dos 30 bilhões de litros/ano para 50 bilhões de litros até 2030, o que exigirá investimentos de até US$ 40 bilhões nos próximos anos”, diz Elizabeth Farina, presidente da entidade, em entrevista ao O Estado de São Paulo.

Qual o impacto da implementação do Acordo de Paris para o setor?

É preciso ressaltar primeiro o ganho ambiental, uma vez que esse acordo estabelece a redução global de emissões de gases do efeito estufa. O setor sucroalcooleiro tem uma importância estratégica porque o Brasil é um dos maiores produtores globais de biocombustíveis.

Mas o setor passa por uma crise, com cerca de 80 usinas fechadas e várias outras em dificuldades financeiras.

O fim da intervenção do governo nos preços dos combustíveis, mesmo com a queda da cotação global do petróleo, dá um alento. A grande questão é como destravar os investimentos em novas capacidades, considerando que a produçãoo de cana hoje está em torno de 600 milhões de toneladas/ano (a capacidade total é de 700 milhões de toneladas).

Para atingir a meta de 50 bilhões de litros de etanol até 2030, quanto terá de ser investido?

A produção de cana teria de atingir 1 bilhão de toneladas/ano para chegar a 50 bilhões de litros em 2030. Não é só elevar a produção, o setor tem condições de saltos em produtividade.

Como convencer os empresários a retomrar investimentos, considerando que a crise do setor se arrasta desde 2009?

O setor foi um dos primeiros a entrar na crise, que atingiu depois quase todos os setores. É preciso retomar a confiança (Digitado pelo BrasilAgro; O Estado de São Paulo 15/11/2016)

 

Brasil lança parceria internacional para voltar a incentivar o etanol

Brasil ressuscita a antiga "diplomacia do etanol", agora rebatizada como "diplomacia da bioenergia", lançando uma plataforma com 19 outros países para ganhar escala na produção de biocombustíveis de segunda geração, a partir da quebra de celulose, a fim de reduzir emissões do setor de transporte.

Depois de anos sem defender o etanol como uma política externa, o Brasil vai reassumir nesta quarta-feira (16) sua “diplomacia do etanol”, que tinha sido marcante na primeira gestão Lula, agora rebatizada de “diplomacia da bionergia”. O País lança junto com 19 outras nações a “Plataforma Biofuturo”, uma parceria para incentivar os chamados biocombustíveis avançados e ajudar a reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor de transporte.

Parceria quer incentivar etanol de segunda geração. Crédito: EBC

Para o cenário brasileiro, a idéia é dar escala para o etanol de segunda geração, obtido através da quebra de celulose do bagaço de cana (e não só do açúcar), hoje já obtido por duas usinas no Brasil, mas ainda em quantidade pequena.

Atualmente o País produz cerca de 30 bilhões de litros de etanol por ano somente com a tecnologia de primeira geração. De acordo com o governo federal, a segunda geração tem potencial para aumentar em 50% a produção.

Esses 15 bilhões de litros extras deixariam o Brasil perto de cumprir uma das metas nacionais junto ao Acordo de Paris, que é fazer com que os biocombustíveis respondam por 18% da matriz energética até 2030. No caso do etanol, a produção teria de saltar para 50 bilhões de litros.

De acordo com Renato Godinho, chefe da Divisão de Recursos Energéticos do Itamaraty e um dos nomes por trás da plataforma, a ideia é que os países trabalhem para oferecer soluções rápidas para as emissões de transporte. Hoje, segundo cálculos da Agência Internacional de Energia, o setor (que inclui também navegação e aviação), responde por 23% das emissões de gases de efeito estufa de energia.

“A tecnologia de usar material celulósico já saiu do laboratório e chegou à indústria, mas ainda tem alguns problemas de escala. Queremos chamar a atenção do mundo para essas coisas. Países como China e Índia nunca pensaram em plantar cana (porque competiria com a produção de alimentos), mas com essa tecnologia podem usar palha de arroz, de milho e extrair mais valor”, disse a jornalistas brasileiros em Marrakesh. Já existem seis plantas de biocombustível avançado no mundo. Duas estão no Brasil (Alagoas e Piracicaba). A maior está nos Estados Unidos.

Artur Milanez, gerente do Departamento de Biocombustíveis, também envolvido na plataforma, acredita que o modelo pode ajudar a derrubar barreiras europeias ao produto, que se estabeleceram por causa do potencial risco de a cana-de-açúcar roubar espaço de alimentos ou impulsionar o desmatamento da Amazônia. Como o etanol de segunda geração é feito com resíduos da produção de primeira geração, não existe pressão para aumento de área.

A retomada da investida brasileira em etanol internacionalmente ocorre em um momento que cresce a tentativa de eletrificar a frota de carros no mundo. A Alemanha decidiu em outubro que vai proibir a venda de veículos a combustão (de diesel e gasolina) a partir de 2030. E a Índia anunciou um plano de só ter carros elétricos circulando nas ruas naquele ano.

Questionados se isso não poderia ser um problema para os planos de expansão, Milanez e Godinho disseram acreditar que a mudança não será tão imediata quanto a que pode ser oferecida já pelo etanol.

“A eletrificacao requer trocar a frota inteira, infraestrutura para lidar com as baterias. Acho que os planos vêm mais do fato de que os países ainda não veem outras possibilidades de resolver as emissões de transporte”, comentou Godinho. “Mesmo nos cenários mais otimistas, ainda devemos ter motores a combustão por um bom tempo.”

Ele acredita também que a eletrificação não será num primeiro momento soluções para o transporte aéreo e naval. “Usar biocombustível para isso está no mandato da plataforma”, explicou.

O evento, sob comando dos ministros Sarney Filho (Ambiente) e Blairo Maggi (Agricultura), será realizado na 22.ª Conferência do Clima da ONU, que ocorre em Marrakesh. Também participam representantes de Argentina, Canadá, China, Dinamarca, Egito, Estados Unidos, Finlândia, França, Filipinas, Holanda, Índia, Indonésia, Itália, Marrocos, Moçambique, Paraguai, Reino Unido, Suécia e Uruguai. “É o G20 da bioeconomia”, brincou Godinho. (O Estado de São Paulo 16/11/2016)

 

ANP encontra metanol em etanol hidratado para veículos no Rio de Janeiro

Produto adulterado era das marcas BR, Ipiranga e Shell

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) divulgou nota nesta segunda-feira informando ter detectado, no último dia 10 de novembro, metanol no álcool hidratado (etanol) comercializado em alguns postos revendedores na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. O produto adulterado continha as marcas da BR, da Ipiranga e da Shell.

“Os postos onde foi encontrado o combustível não conforme foram interditados pelos fiscais da ANP e o produto está sendo retirado e encaminhado para as bases dos distribuidores fornecedores para reprocessamento”, diz um trecho de uma nota divulgada pela agência.

Segundo a ANP, também foram realizadas ações de fiscalizações nas bases das distribuidoras que forneceram aos postos. Com isso, foi determinada a imediata suspensão de fornecimento até o resultado da análise das coletas.

“Assim, foi evitada a comercialização de produto não conforme para outros postos revendedores”.

Uso é perigoso

O combustível, armazenado nos tanques dos distribuidores, será reprocessado com o acompanhamento da ANP. Será aberto processo administrativo, sendo que os distribuidores e revendedores estarão sujeitos a multas de R$ 20 mil a R$ 5 milhões.

No último dia 11, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes e de Lojas de Conveniência do Município do Rio enviou uma carta à ANP pedindo providências. Uma delas era a fiscalização das distribuidoras.

“Só assim poderemos iniciar uma eficaz investigação esclarecedora a respeito da elaboração das irregularidades”, destaca um trecho da carta, assinada pela presidente da entidade, Maria Aparecida Siuffo.

O uso do metanol como combustível é bastante perigoso, conforme especialistas. O produto, além de corroer o aço, é altamente tóxico e sua chama é invisível a olho nu, o que dificulta o controle de incêndios, por exemplo.

Shell retirou lote do mercado

A Raízen, que tem a licença para usar a marca Shell no país, emitiu nota informando que o produto “ já foi retirado do sistema de distribuição e a comercialização de etanol foi suspensa na região até que novo lote seja distribuído, processo que já está ocorrendo e deverá ser finalizado nas próximas 48 horas”.

Segundo a empresa, o problema com o combustível foi provocado “por um único produtor, com sede na região de Campos dos Goytacazes (RJ)”.

Também em nota, a Petrobras Distribuidora disse que assim que foi identificado o problema, a empresa suspendeu a venda e “determinou o recolhimento e reposição dos volumes em sua rede de postos na região”. Assim como a Raízen, a BR afirmou que “o problema é proveniente de uma única usina produtora, localizada na região de Campos dos Goytacazes”.

A Ipiranga, em comunicado, afirmou que “cessou imediatamente a comercialização de etanol, solicitou que sua rede de revenda cessasse a venda do produto”. E disse ter iniciado “avaliação completa” de fornecedores e prestadores de serviço para “verificar a origem da não conformidade identificada”. (O Globo 16/11/2016)

 

Suedzucker vê chance de aquisições de usinas no Brasil

O grupo alemão Suedzucker, maior produtor europeu de açúcar, está considerando aquisições no Brasil, disse à Reuters o presidente executivo da companhia.

Wolfgang Heer disse que a Suedzucker tem poder financeiro e conhecimento para fazer grandes aquisições se necessário, que poderiam ser fora da União Europeia.

"Naturalmente nós estamos sempre examinando projetos para crescimento por aquisições, não apenas para açúcar", disse ele em entrevista à Reuters.

O Brasil é o maior produtor de açúcar do mundo, mas extrai a commodity da cana, ao invés da beterraba, que é utilizada na Europa.

"Tirando a matéria-prima ser diferente, a produção de açúcar de cana ou de beterraba é muito similar", ele disse.

"Não precisa necessariamente ser uma aquisição custando bilhões. Posso conseguir a mesma coisa com uma aquisição pequena no longo prazo que com uma grande aquisição", afirmou.

Heer disse também que espera que os preços do açúcar continuem firmes nos próximos meses.

"Se você considerar que a demanda no próximo ano vai ser maior que a oferta, então o preço deve se manter", disse ele. "Espera-se que o preço no mercado global definitivamente suba ao invés de cair. Isso vai apoiar a situação dos preços na UE", disse.

Em 13 de outubro, a Suedzucker disse que os preços em alta do açúcar ajudaram a impulsionar uma alta de 81 por cento em seus lucros no primeiro semestre do ano comercial 2016/17, que inicia em março. (Reuters 14/11/2016)

 

Fundos acumulam 26% do mercado de futuros de açúcar; preços podem cair

Investidores especulativos, como fundos de hedge, acumularam cerca de 26% do mercado de futuros de açúcar de Nova York, ou US$ 5,35 bilhões a preços atuais, um valor considerável em relação a níveis históricos, segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities.

O fato aumenta o receio de que os preços do produto caiam drasticamente se houver uma venda generalizada, dizem analistas. A cotação do açúcar recuou perto de 10% ante um pico atingido em 29 de setembro, mas a queda tem sido gradual até agora. (Wall Street Journal 16/11/2016)

 

Audiência para propostas de compra de usinas do Grupo João Lyra é adiada mais uma vez

A abertura dos envelopes com as propostas de compra das usinas mineiras Vale do Paranaíba e Triálcool, pertencentes ao império falido do empresário João Lyra, foi mais uma vez adiada.

A solenidade aconteceria nesta quarta-feira, 16, na cidade de Coruripe, com a supervisão do juiz responsável pelo processo, Nelson Fernando de Medeiros Martins.

O adiamento foi a pedido de Maria de Lourdes Pereira de Lyra e Guilherme José Pereira de Lyra, filhos do ex-usineiro. A liminar dos herdeiros de Lyra foi acatada pelo presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), desembargador João Luiz Azevedo Lessa.

Conforme a liminar, os irmãos "defendem a necessidade do prosseguimento do processo falimentar; porém, não a qualquer custo, sem critérios técnicos, e pior, em situação atípica de ativo superior ao passivo".

A entrega dos envelopes foi adiada para o dia 15 de dezembro.

Imbróglio

Inicialmente, o recebimento de propostas de compra das unidades ocorreria no dia 15 de setembro. A data havia sido marcada pelo juiz Kleber Borba Rocha, que atuava no processo antes de ser promovido para a 1ª Vara de Santana do Ipanema, em agosto.

Com a mudança de magistrado, houve o adiamento para que o juiz Nelson Fernando de Medeiros Martins se inteirasse sobre o processo. Caso as duas unidades sucroalcooleiras sejam vendidas, estima-se uma negociação de cerca de R$430 milhões. (Jornal Extra AL 16/11/2016)