Setor sucroenergético

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Rubens Ometto x Temer: Trilho rompido

O empresário Rubens Ometto está fulo da vida com o presidente Michel Temer.

O motivo é a decisão do governo de retardar a renovação antecipada da concessão da malha paulista, pertencente à Rumo Logística, de Ometto. Temer não dá a menor pelota ao empresário.

Em outros tempos, iria correndo ao seu encontro.(Jornal Relatório Reservado 16/11/2016)

 

Rumo recebe oferta de R$ 2 bi por terminal

A operadora logística Rumo recebeu uma proposta da ordem de R$ 2 bilhões por uma participação majoritária no seu complexo portuário em Santos dedicado à movimentação de granéis sólidos, açúcar e grãos, localizado na região de Outeirinhos, apurou o Valor.

No total, a empresa recebeu ao menos quatro propostas de grandes embarcadoras de cargas. Nenhuma, contudo, é firme (vinculante). Entre os proponentes estão a Raízen, produtora de açúcar, a trading Czarnikow, a chinesa Cofco e o banco de investimento Macquarie. Por enquanto, a Rumo avalia as propostas vis-a-vis o valor que considera justo para o ativo, considerado estratégico, apurou o Valor.

Segundo uma fonte a par do assunto, não houve uma decisão deliberada da empresa de vender ou de se desfazer de seus ativos portuários, mas essa mesma fonte pondera que, em tese, faria sentido alienar alguma participação, pois os terminais não são o principal negócio da companhia, que tem pela frente um ambicioso plano de investimentos em sua malha ferroviária. Procurada, a Rumo disse que não comenta o assunto.

O terminal da operadora em Santos é resultado da unificação de três contratos de arrendamentos pertencentes integralmente à Rumo, dois deles são do ex-Teaçu, e que se valorizou neste ano, após a companhia conseguir, em fevereiro, unificar e renovar antecipadamente os contratos por mais 20 anos, com exploração até março de 2036.

Em troca da prorrogação, a Rumo se comprometeu a investir R$ 308 milhões até o fim de 2018 nas instalações, para aumentar a produtividade. Os desembolsos com novos equipamentos e estruturas de armazenagem aumentarão a capacidade de movimentação de 10 milhões de toneladas anuais para 14,67 milhões de toneladas.

Especializada no transporte ferroviário, armazenagem e movimentação de granéis sólidos, a Rumo tem nos trilhos sua principal atividade. A venda de uma fatia no negócio portuário ajudaria a empresa a se capitalizar para fazer investimentos avaliados em R$ 8 bilhões nas suas concessões ferroviárias. A primeira da fila é a concessão da Malha Paulista, que integra o "corredor Norte" da empresa, ligação entre Rondonópolis (MT) e o porto de Santos, onde, além de terminais, a Rumo é arrendatária da malha interna ferroviária do porto, com a Portofer.

A Rumo tem ainda participação em outros terminais no porto de Santos: no TGG, no Termag (ambos localizados na margem esquerda do porto, em Guarujá) e no Terminal XXXIX ­ todos herdados da fusão com a ALL, feita em 2015.

Com uma eventual venda ou alienação parcial, a Rumo teria uma melhor estrutura de capital para avançar no projeto que visa a dar uma "virada operacional" na companhia resultante da fusão.

A reestruturação financeira está apoiada em três medidas, duas delas já concluídas. O aumento de capital no valor de R$ 2,6 bilhões e o reperfilamento da dívida, que no fim de 2015 estava na casa dos R$ 8,58 bilhões, com alongamento de prazo com seis bancos para pagar R$ 2,925 bilhões, que venceriam entre este ano e 2018.

Recentemente, a Rumo obteve do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) o enquadramento de solicitação de empréstimo de R$ 3,5 bilhões, a última etapa do plano. A Rumo é controlada pela Cosan Logística, TPG e BNDESPar. (Valor Econômico 17/11/2016)

 

Raízen faz parceria com PayPal em postos

A parada obrigatória em um posto de combustível é muitas vezes desgastante para quem vive apressado no dia a dia. A Raízen, que licencia a marca Shell no Brasil, decidiu transformar essa desvantagem em diferencial frente à concorrência, ao fazer uma parceria com o serviço de pagamentos PayPal. Agora, a compra de combustíveis pode ser paga por meio de um aplicativo no celular, digitando apenas um código, sem precisar sair do carro.

O serviço, lançado oficialmente hoje, começou a ser testado na cidade de Goiânia, em fevereiro, e no Rio de Janeiro, em outubro. Já está disponível em 210 postos. No fim do ano será estendido para mais 200 postos do interior paulista e, até o fim de 2017, para toda a rede da marca no país, que compreende 5,9 mil postos e mil lojas de conveniência, disse Eduardo Wantuil, diretor de marketing da Raízen.

"Em Goiânia descobrimos que o consumidor tem diversos momentos de compra. Às vezes está mais tranquilo, mas em outras tem pressa e não quer sair do carro. Precisamos estar em sintonia com ele", disse Wantuil.

O executivo não revela o potencial de clientes para o serviço. A rede registra de 1,5 milhão a 2 milhões de transações por dia nos postos da marca, e cerca de 30 milhões por mês. Mas o aplicativo não elimina a principal briga do consumidor, o preço. "A competição por preço é parte importante do negócio. Temos que conviver e fortalecer", afirmou.

Para ter acesso ao meio de pagamento, o consumidor precisa baixar o aplicativo Shell Box na Apple Store ou Google Play, para os sistemas Android, do Google, e iOS, da Apple. Em seguida, vincular sua conta ao PayPal. Se ainda não tiver uma conta, poderá criar e usá-la para qualquer pagamento, não só da Shell. O PayPal tem acordo com mais de 100 mil lojas no Brasil e 10 milhões em cerca de 200 países, segundo Mario Mello, diretor-geral do PayPal para América Latina.

O aplicativo foi desenvolvido pela Raízen e já é adotado pela Shell no Reino Unido. Para usá-lo, tanto o posto quanto o consumidor precisam ter acesso à internet. A Raízen está adaptando a infraestrutura para os postos, pois alguns deles sequer dispõem de internet. Embora os clientes precisem de internet, por enquanto não está previsto oferecer Wi-Fi, o que inviabiliza o serviço para quem não tem plano de dados no celular.

Cada bomba recebe um código referente à sua geolocalização, que será digitado no aplicativo pelo consumidor. A partir daí tudo ocorre automaticamente. O sistema reconhece o usuário e o posto, cruza as informações, captura o valor, debita do cliente e credita para o estabelecimento, além de enviar o comprovante da operação por e­mail, tudo em poucos segundos.

O aplicativo está restrito à cobrança do combustível na bomba. A expectativa de Wantuil é que os gastos do cliente com outros serviços e nas lojas de conveniência sejam incluídos em outra etapa. (Valor Econômico 17/11/2016)

 

Indiana Shree Renuka Sugars volta ao azul

A indiana Shree Renuka Sugars, controladora de quatro usinas sucroalcooleiras no Brasil, que estão em recuperação judicial, registrou um lucro líquido de US$ 373 mil (25 milhões de rúpias indianas) no terceiro trimestre deste ano. No mesmo período de 2015, a companhia havia amargado prejuízo de US$ 22,4 milhões.

A melhora do resultado líquido ocorre na esteira da forte valorização dos preços internacionais do açúcar, que tem recomposto as finanças do segmento após um longo ciclo de preços deprimidos. A receita operacional total da companhia, que também é dona de sete usinas e duas refinarias na Índia, mais do que duplicou no terceiro trimestre, totalizando pouco mais de US$ 306 milhões. Desse montante, três quartos foram provenientes do segmento de açúcar, enquanto a receita do negócio de etanol representou apenas 5% do total.

O negócio de açúcar registrou um lucro antes de juros e impostos da ordem de US$ 13 milhões no intervalo, enquanto o de etanol obteve um lucro antes de juros e impostos de US$ 3,7 milhões.

No balanço, a companhia indiana informou que espera que o plano de reorganização da Renuka do Brasil, dona de duas usinas em São Paulo e que está em recuperação judicial, deva ser concluído em março do ano que vem. Pelo plano aprovado pelos credores, a empresa leiloará a usina Madhu, localizada em Promissão, que tem capacidade de processar até 6 milhões de toneladas de cana por temporada.

A Shree Renuka Sugars está avaliando os impactos do investimento realizado tanto na Renuka do Brasil, na qual possui participação de 60%, na Renuka Vale do Ivaí, da qual tem 100% do capital, e na provisão para a baixa contábil, se houver.

A Renuka do Brasil teve seu plano de recuperação judicial aprovado pelos credores em 29 de agosto, quando foi determinado que a companhia leiloaria sua unidade em Promissão pelo valor mínimo de R$ 700 milhões. As propostas deverão ser apresentadas até 19 de dezembro no site do MegaLeilão, conforme edital publicado na semana passada.

Segundo Tony Rivera, diretor jurídico da companhia indiana no Brasil, não foram apresentadas propostas formais até o momento.

Pelo plano aprovado pelos credores, se a venda da usina for insuficiente para quitar 30% das dívidas, a Renuka do Brasil também terá que leiloar a Usina Revati, em Brejo Alegre, ou pagar em dinheiro o montante para atingir os 30%. A companhia tem uma dívida de aproximadamente R$ 2 bilhões.

Ainda no relatório de resultados, a Shree Renuka Sugars informou que realizou no último trimestre investimentos na ilha Maurícia, no Oceano Índico. (Valor Econômico 17/11/2016)

 

Açúcar: Vendas especulativas

Os fundos continuam reduzindo o seu saldo líquido comprado no mercado futuro de açúcar demerara, o que pressiona as cotações na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 19,87 centavos de dólar a libra-peso ontem, recuo de 72 pontos.

Segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities, os fundos detinham 26,2% do mercado em 8 de novembro contra 26% na semana anterior.

Embora o número represente uma leve alta, está bem abaixo do pico de 32,3% do início de outubro.

O mercado também segue atento às boas condições climáticas para a maturação e a colheita na Índia, segundo maior produtor mundial.

Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 98,95 a saca de 50 quilos, queda de 0,28%. (Valor Econômico 17/11/2016)

 

Lucro da Adecoagro no 3º trimestre recua 58%, para US$ 6,8 milhões

Dona de três usinas sucroalcooleiras e de lavouras de grãos no Brasil, a argentina Adecoagro, com capital aberto na bolsa de Nova York, registrou lucro líquido de US$ 6,8 milhões no terceiro trimestre, o que representou uma redução de 57,7% em relação ao resultado líquido do mesmo período do ano passado. O resultado foi divulgado na segunda-feira à noite e os resultados serão comentados em teleconferência na tarde de hoje.

Embora a companhia tenha registrado uma melhora no lado operacional, o resultado líquido foi afetado por uma perda de US$ 26,1 milhões relacionados a sua dívida em dólar e por causa de um aumento de US$ 8,6 milhões com depreciação e amortização.

Porém, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado cresceu 32%, para US$ 89,8 milhões, enquanto a receita bruta teve um aumento de 44,5%, para US$ 246,4 milhões.

O segmento de açúcar, etanol e energia apresentou um forte desempenho tanto operacional como financeiro, com um Ebitda ajustado de US$ 80,2 milhões, alta de 22,7%. Segundo a Adecoagro, esse negócio foi favorecido pela melhora da produtividade e da eficiência na parte industrial e logística, além de um tempo favorável, que colaboraram para um aumento de 20,2% no volume de cana processado no período.

A companhia também buscou maximizar sua produção de açúcar, direcionando 54% do caldo para a produção da commodity, elevando o volume de vendas do produto, e ainda se beneficiou da valorização tanto do açúcar como do etanol.

O resultado do segmento sucroalcooleiro só não foi maior porque a companhia deixou de ganhar US$ 10,3 milhões por sua posição de hedge em açúcar, comparado com um ganho de US$ 3,1 milhões no terceiro trimestre do ano passado. Além disso, também houve aumento do custo de produção por causa da valorização do real.

No segmento agrícola, a companhia registrou um Ebitda ajustado de US$ 16,1 milhões, alta de 76%, favorecida pelo aumento das margens em arroz e leite e pelo ganho de US$ 8,1 milhões no negócio de gado resultado de uma disputa com pecuaristas a respeito de contratos de longo prazo. Os ganhos desse segmento foram limitados, porém, pela depreciação da soja e do milho no período.

A Adecoagro começou a realizar, durante o trimestre, um programa de recompra de ações que terminará em 23 de setembro de 2017 para “fortalecer os retornos aos acionistas”, afirmou Mariano Bosch, CEO da companhia, em nota. (Valor Econômico 16/11/2016)

 

Parada de usinas: Moagem de cana cai 18% no fim de outubro no Centro-Sul

A moagem de cana do Centro-Sul do Brasil atingiu 31,75 milhões de toneladas na segunda quinzena de outubro, queda de cerca de 18 por cento ante o volume processado no mesmo período de 2015, com um maior número de usinas já tendo encerrado a safra 2016/17, informou nesta quarta-feira a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Até o final da segunda quinzena de outubro, 55 unidades produtoras haviam encerrado a safra 2016/17, ante 18 usinas observadas no mesmo período do último ano.

A Unica destacou que 23 usinas pararam a moagem na segunda quinzena de outubro, a maioria delas em Goiás.

A entidade destacou também que essas 55 unidades tiveram em 2016/17 uma safra pior que a anterior, com redução de 11,9 por cento no volume total processado na comparação com 2015/16.

Na comparação com a primeira semana de outubro, o processamento de cana ficou praticamente estável, com recuo de apenas 0,8 por cento.

O volume processado na segunda quinzena de outubro também ficou dentro do esperado por analistas. A Sucden Financial, por exemplo, projetou moagem de 31,7 milhões de toneladas. Uma segunda fonte do mercado havia projetado a moagem entre 30 milhões e 31 milhões de toneladas.

PRIORIDADE PARA AÇÚCAR

As usinas do centro-sul mantiveram a tendência de priorizar a produção de açúcar, que está mais rentável que o etanol, devido a boas cotações internacionais e câmbio favorável, e também para cumprir contratos fechados anteriormente.

Na segunda quinzena de outubro, a produção de açúcar caiu 6 por cento ante a mesma quinzena de 2015, enquanto a fabricação de etanol recuou 29,3 por cento.

A produção de açúcar atingiu 2,05 milhões de toneladas e a de etanol 1,303 bilhão de litros.
Na comparação com a primeira quinzena de outubro, a produção de açúcar caiu 8,6 por cento e a de etanol recuou 7,3 por cento.

O motivo pelo qual a produção de açúcar e etanol caiu, enquanto a moagem ficou praticamente estável na comparação do início com o fim do mês de outubro, está na concentração de açúcar recuperáveis em cada tonelada de cana (ATR), que perdeu 8,1 por cento. (Reuters 16/11/2016)

 

Produção de etanol nos EUA sobe 1,5% na semana, diz EIA

A produção média de etanol nos Estados Unidos foi de 1,017 milhão de barris por dia na semana passada, volume 1,5% maior do que o registrado na semana anterior, de 1,002 milhão de barris por dia. Os números foram divulgados nesta quarta-feira, 16, pela Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês).

Os estoques do biocombustível diminuíram 3,1% na semana encerrada no dia 11 de novembro, para 18,6 milhões de barris.

Os números de produção de etanol nos Estados Unidos são um importante indicador da demanda interna por milho. No país, o biocombustível é fabricado principalmente com o cereal e a indústria local consome cerca de um terço da safra doméstica do grão. (Down Jones 16/11/2016)

 

Açúcar: Comprador se retrai e mantém baixa liquidez no spot paulista

O mercado interno de açúcar segue lento, apesar da forte valorizaçăo do dólar. Segundo colaboradores do Cepea, a demanda continua reduzida, com poucos compradores buscando novas aquisições.

De maneira geral, agentes que possuem contratos ou estoques estăo fora do mercado desde que o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal (estado de Săo Paulo), cor Icumsa entre 130 e 180, alcançou a casa dos R$ 100,00/saca de 50 kg, no final de outubro. Entre 7 e 14 de novembro, o Indicador caiu 1,5%, fechando a R$ 99,23/sc de 50 kg na segunda-feira, 14. (Cepea / Esalq 16/11/2016)

 

Baixa demanda reduz liquidez e preços do etanol caem

O mercado de etanol registrou poucos negócios na última semana, mesmo com a proximidade do feriado prolongado. Distribuidoras continuaram adquirindo somente pequenos volumes.

Do lado das usinas, segundo pesquisadores do Cepea, algumas unidades entraram no mercado e, em alguns casos, cederam nos preços em funçăo da baixa demanda. Mesmo assim, o Indicador CEPEA/ESALQ do anidro subiu ligeiro 0,3% em relaçăo ao período anterior, a R$ 2,1094/l.

Já o hidratado se desvalorizou 0,8%, com o Indicador a R$ 1,8808/l. O Indicador ESALQ/BM&FBovespa do hidratado, posto Paulínia (SP), caiu 0,3% em sete dias, a R$ 1.818,00/m3 (sem impostos) na segunda-feira, 14. (Cepea / Esalq 16/11/2016)

 

Parceria com Nasa abre novo nicho ao plástico da Braskem

Maior fabricante de resinas termoplásticas das Américas, a Braskem conquistou recentemente um novo e inusitado nicho de mercado: o de peças e ferramentas produzidas no espaço. Por meio de uma parceria com a Made In Space, startup americana que desenvolve impressoras 3D para operação em gravidade zero e fornecedora da Nasa (National Aeronautics and Space Administration), a petroquímica brasileira está fornecendo o poliletileno "verde" usado na confecção desses itens na Estação Espacial Internacional (ISS, do inglês International Space Station).

A resina produzida a partir de etanol de cana-de-açúcar no polo petroquímico de Triunfo (RS), conta o diretor de Inovação e Tecnologia da Braskem, Patrick Teyssonneyre, está abastecendo a primeira impressora comercial 3D alocada no espaço, a Additive Manufacturing Facility (AMF), operada por astronautas. "A Made In Space é a primeira empresa a trabalhar com manufatura no espaço e dá muito orgulho ver o país participar de uma iniciativa dessas", afirma o executivo.

Um foguete levando suprimentos e o polietileno verde brasileiro partiu em 22 de março rumo à ISS. Em setembro, foi impressa a primeira peça, um conector de mangueiras de irrigação. Outros dois modelos de peças já foram produzidos, entre os quais um coletor de amostras. Os termos do contrato firmado pela Braskem com a Made In Space estão sujeitos a um acordo de confidencialidade, mas Teyssonneyre adianta que outros polímeros, inclusive de fonte petroquímica, podem ser contemplados.

A aproximação entre as empresas teve início após um pesquisador da Braskem identificar a contratação da startup pela Nasa. A Made In Space estava em busca de um fornecedor de matéria-prima plástica em condições bastante específicas de flexibilidade, resistência física e que pudesse ser reciclada e a Braskem trabalhava desde 2007 com uma tecnologia de produção de eteno e polietileno verdes, hoje, a empresa está apta a fazer até 200 mil toneladas ao ano do biopolímero e é a maior fabricante do mundo nesse segmento.

Além disso, explica o executivo, praticamente tudo o que se pesquisa e se desenvolve, quando o assunto é o espaço, é de longo prazo. Nesse sentido, a Nasa busca materiais que possam em algum momento ser encontrados ou produzidos em outros planetas. "O plástico depende do petróleo. Mas o plástico verde deriva da agricultura e esse é um importante foco da Nasa, que já está trabalhando nisso", acrescenta.

Ao longo dos dois últimos anos, Braskem e Made In Space trabalharam juntas em busca do polímero verde e da impressora 3D que atendessem às necessidades do projeto. Boa parte do desenvolvimento se deu no centro de pesquisas de Triunfo. A petroquímica já tinha um polietileno verde com características próximas ao desejado, mas foi necessário ajustar seu filamento à impressora, acrescenta.

O valor do investimento no projeto não é divulgado. Atualmente, o polietileno verde da Braskem é usado em uma série de produtos, com destaque para embalagens. A demanda pelo biopolímero, diz Teyssonneyre, cresce globalmente, impulsionada principalmente pela estratégia de sustentabilidade das empresas, especialmente as grandes marcas de bens de consumo. (Valor Econômico 17/11/2016)