Setor sucroenergético

Notícias

Raízen raspa o tacho da indústria sucroalcooleira

A Raízen, associação entre a Cosan, de Rubens Ometto, e a Shell, lançou uma blitzkrieg sobre empresas sucroalcooleiras em recuperação judicial.

Logo na primeira colheita, a companhia pretende adquirir quatro usinas de três grandes grupos do setor, todos em RJ, a saber: Tonon Bioenergia, Abengoa Bioenergia e Unialco.

No primeiro caso, o ativo sobre o balcão é a Usina Paraíso, localizada em Brotas (SP). A planta tem capacidade para processar 2,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra.

Seu maior atrativo está na geografia: fica próxima ao polo petroquímico de Paulínia e ao Porto de Santos. Por sua vez, as conversações com a Abengoa envolvem a aquisição das duas usinas que os espanhóis colocaram à venda nas cidades de Pirassununga e São João da Boa Vista, em São Paulo.

Ambas somam uma capacidade de moagem de sete milhões de toneladas por ano. Em relação à Unialco, a Raízen vai participar do leilão que o grupo pretende promover ainda neste ano para a venda da Usina Guararapes, também no interior paulista.

As negociações, ressalte-se, passam não apenas pela oferta de uma quantia em dinheiro, mas também pela renegociação das dívidas das usinas com um expressivo deságio.

Um fator é fundamental para a investida da Raízen: os respectivos credores da Tonon, da Abengoa e da Unialco, especialmente os bancos, não só pressionam as empresas a se desfazer de seus ativos como aceitam achatar o valor de face dos débitos.

No caso da Unialco, por exemplo, estima-se que a dívida da Usina Guararapes (acima dos R$ 800 milhões) possa sofrer um desconto superior a 70%. Tomando-se como base os números, o caso mais urgente é o da Tonon, que tem um passivo total de quase R$ 3 bilhões. (Jornal Relatório Reservado 18/11/2016)

 

Açúcar: Pregão instável

Apesar dos esforços do Banco Central brasileiro para conter a alta do dólar em relação o real, a moeda americana registrou forte oscilação durante o dia de ontem, o que se refletiu nas cotações do açúcar na bolsa de Nova York.

Depois de abrir em baixa e subir no decorrer do pregão, os papéis com vencimento em maio fecharam a 19,71 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 16 pontos.

Os dados de produção divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) também são fator de instabilidade.

A entidade estima que 95 usinas no Centro-Sul encerraram os trabalhos até o último dia 15, o que pode impactar na produção total esperada para a atual temporada.

Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 98,32 a saca de 50 quilos, queda de 0,64%. (Valor Econômico 18/11/2016)

 

Job reduz estimativa de moagem de cana do centro-sul, mas ainda vê recorde

Com uma safra de cana menor do que a esperada no centro-sul e usinas produzindo um volume recorde de açúcar, a Job Economia reduziu nesta quinta-feira suas estimativas de produção, consumo e exportação de etanol do Brasil.

Com os preços da gasolina mais competitivos que o etanol hidratado, motoristas em geral estão preferindo o combustível fóssil em detrimento do renovável. De outro lado, usinas estão produzindo o máximo que podem de açúcar, para tirar proveito dos bons preços no mercado global.

A produção de etanol do país foi projetada pela Job na temporada 2016/17 em 27,85 bilhões de litros, ante 29,15 bilhões de litros na projeção de setembro, com o centro-sul do país respondendo pela grande parte do volume. Na temporada passada, a produção no Brasil atingiu 30,23 bilhões de litros.

Já a projeção de consumo nacional de etanol (anidro e hidratado) na temporada 2016/17 foi reduzida para 26,6 bilhões de litros, ante 28 bilhões de litros previamente, por "restrição da oferta", disse a consultoria em nota. Na safra anterior, o consumo atingiu 28,15 bilhões de litros.

Dessa forma, a Job revisou para baixo as exportações brasileiras de etanol (para 1,6 bilhão de litros, versus 2,1 bilhões de litros anteriormente) e elevou ligeiramente a projeção de importações do biocombustível (para 1,2 bilhão, versus 1,1 bilhão de litros).

Na temporada passada, o Brasil exportou 2,16 bilhões de litros e importou 500 milhões de litros.

As mudanças nas projeções ocorrem em meio a uma redução na estimativa de moagem de cana-de-açúcar do centro-sul do Brasil, região que responde por cerca de 90 por cento da produção nacional, para 618,4 milhões de toneladas, ante 632 milhões de toneladas na previsão anterior.

Segundo a consultoria, a redução ocorre por "razões estatísticas", uma vez que cerca de 14 milhões de toneladas de cana da safra 2016/17 foi moída na segunda quinzena de março de 2016 e contabilizada na safra 2015/16.

Além disso, citou a Job, a renovação dos canaviais e tratos culturais ainda estão deficientes e pragas e doenças afetaram as produtividades.

Apesar da redução, a safra do centro-sul ainda será recorde, o que permitirá que o país produza e exporte volumes recordes do adoçante.

"Aumentamos a produção de açúcar no CSUL em relação a nossa última previsão de 35,0 mi t para 35,6 mi t devido ao forte viés açucareiro da safra. No Brasil, a produção de açúcar deve alcançar 39,3 mi t. As exportações de açúcar podem atingir 27,7 mi t no Brasil. Tudo isto é recorde histórico absoluto", afirmou.

Nesta quinta-feira, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estimou um déficit global de açúcar menor em 2016/17 ante a safra anterior, e citou a maior produção brasileira como fator que ajuda a compensar a menor safra em outras nações e também o consumo global recorde. (Reuters 18/11/2016)

 

USDA vê déficit menor no mercado de açúcar; estoques em mínima de 6 anos

O governo dos Estados Unidos reduziu acentuadamente nesta quinta-feira sua projeção para um déficit no mercado global de açúcar no atual ano safra 2016/17, mas disse que os preços ainda devem continuar altos, à medida que os estoques caem para uma mínima de seis anos e a demanda atinge uma alta recorde.

O déficit global de açúcar vai diminuir em 2016/17 para 2,6 milhões de toneladas, ante 6,7 milhões de toneladas na temporada anterior, previu o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) em um relatório bianual nesta quinta-feira. Isso fica abaixo da projeção de maio, de um déficit de 4,3 milhões de toneladas.

O déficit no mercado menor do que o esperado ocorre no momento em que a produção de importantes produtores, como Brasil e China, compensam a produção menor em outras.

"Apesar dos ganhos de produção em 2016/17, os baixos níveis dos estoques anunciam outro ano de reconstrução na oferta em meio aos fortes preços", disse o USDA no relatório, observando que o consumo está previsto para atingir uma máxima recorde de cerca de 174 milhões de toneladas.

Os preços de referência do açúcar bruto negociado na ICE subiram em um terço para cerca de 20 centavos por libra-peso no ano até agora, no momento em que o mundo entrava em seu primeiro déficit em seis anos no ano safra 2015/16 que vigorou até 30 de setembro. (Reuters 18/11/2016)

 

ATR SP: Preços no acumulado sobem 2,96% em outubro

O Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana-SP) divulgou nesta quinta-feira (17) os dados referentes ao ATR - Açúcares Totais Recuperáveis do mês de outubro. Em comparação ao mês de setembro, os preços subiram 2,96% no acumulado, fechando em R$ 0,6459 contra R$ 0,6273 do mês anterior. Já o valor mensal teve valorização de 7,95%, passando de R$ 0,6887 para R$ 0,7435.

Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo foram cotados em R$ 70,53 a tonelada contra R$ 68,49 do mês de setembro, alta de 2,97%. O preço da cana esteira em outubro fechou com valorização de 2,96%, com contratos firmados em R$ 78,78. (UDOP 17/11/2016)