Setor sucroenergético

Notícias

Açúcar: Melhora na oferta

A melhora nas expectativas para a oferta de açúcar na safra 2016/17 pressionou a commodity na bolsa de Nova York na última sexta-feira.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 19,62 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 9 pontos.

Segundo a Organização Internacional do Açúcar (OIA), a safra 2016/17 deverá registrar uma produção de 168,7 milhões de toneladas e consumo de 174,9 milhões de toneladas, com um déficit na oferta estimado em 6,2 milhões de toneladas.

O déficit previsto é levemente inferior ao apontado anteriormente pelo órgão.

Ainda segundo a OIA, a menor oferta da commodity deverá ser revertida já na safra 2017/18.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 97,87 a saca de 50 quilos, queda de 0,46%. (Valor Econômico 21/11/2016)

 

Etanol hidratado cai 0,36% e anidro recua 2,49% nas usinas paulistas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas recuou 0,36% entre segunda-feira e esta sexta-feira, 18, de R$ 1,8808 o litro para R$ 1,8740 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor do anidro caiu 2,49%, de R$ 2,1094 o litro para R$ 2,0567 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 18/11/2016)

 

Raízen avança no etanol de 2ª geração

Muito à frente da tradicional tecnologia adotada no etanol produzido com caldo (1G), o 2G é feito com resíduos da colheita e do processamento de cana-de-açúcar, como palha e bagaço.

A Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, completa neste ano sua primeira safra com produção contínua de etanol de segunda geração (2G) na Usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP). Muito à frente da tradicional tecnologia adotada no etanol produzido com caldo (1G), o 2G é feito com resíduos da colheita e do processamento de cana-de-açúcar, como palha e bagaço.

Trata-se de um aproveitamento adicional em relação ao que se faz hoje, já que a palha costuma ficar na lavoura, cobrindo o solo, e o bagaço vira combustível na cogeração de energia. O objetivo da Raízen é atingir uma produção de 42 milhões de litros até 2018, apostando em custos de produção do 2G menores do que os do 1G até o fim da década.

Segundo estudo divulgado no ano passado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) a redução de custos deve ocorrer mesmo em 2020, quando produzir o 2G custará entre R$ 0,70 e R$ 0,50 por litro, enquanto o 1G, R$ 0,90 a R$ 0,70. Basicamente, isso se dará pelo próprio desenvolvimento tecnológico e biotecnológico do setor.

Inaugurada em julho de 2015, a Usina Costa Pinto mantém a produção de etanol 2G ainda com algumas dificuldades mecânicas, grande parte delas relacionada à natureza da matéria-prima processada. Mas nada que faça a companhia repensar seus planos originais.

“Queremos chegar aos 42 milhões de litros até 2018”, disse o diretor executivo de Tecnologias e Projetos da empresa, Antonio Alberto Stuchi (Foto), ao Broadcast Agro, serviço de notícias do agronegócio em tempo real do Grupo Estado. Na atual temporada, a Costa Pinto deve processar 16% dessa capacidade instalada, ou 6 7 milhões de toneladas.

Além do 2G, a Raízen fabrica na Costa Pinto o 1G. Considerando-se os dois derivados, a indústria tem capacidade para mais de 100 milhões de litros por safra. A construção da unidade de 2G e a instalação dos equipamentos necessários demandaram investimentos de quase R$ 250 milhões, dos quais cerca de R$ 200 milhões provenientes de financiamento do BNDES.

A empresa tinha por objetivo produzir em torno de 10 milhões de litros de etanol 2G ainda no ano passado, quando a usina trabalhou em fase de “análise”, conforme definiram os responsáveis à época. Entretanto, o desempenho ficou bem abaixo da expectativa inicial, com apenas 1,4 milhão de litros. “Tivemos vários problemas na indústria”, explicou Stuchi, destacando dificuldades com a filtragem da lignina, presente nos colmos e palha, para a produção de álcool.

Para a atual safra, foram feitos alguns ajustes e a produção já está em 5,5 milhões de litros, podendo chegar a 6,7 milhões até meados de dezembro, quando a Raízen tende a encerrar os trabalhos de colheita de cana. “Hoje trabalhamos em regime contínuo, mas bem abaixo de nossa capacidade. Os problemas são mecânicos, de filtragem, não de processo. Eles foram identificados e já os estamos atacando”, garantiu Stuchi.

O diretor destacou que é possível dar outro salto na produção no ano que vem, a exemplo do avanço de 380% observado entre 2015 e 2016, graças ao ganho de eficiência. Conforme o executivo, nos dois últimos meses a Usina Costa Pinto tem fabricado 211 litros de etanol 2G por tonelada de biomassa seca (palha e bagaço). Ainda está abaixo do “target” de 289 litros por tonelada, mas tal meta só não foi alcançada em razão dos problemas já citados.

Atingir esse volume seria um passo importante para que a Raízen torne viável seu projeto de levantar um total de oito usinas de etanol 2G, com capacidade de produção de 2 bilhões de litros por ano. O plano por ora está em “hibernação” até que a Costa Pinto alcance a excelência. De acordo com Stuchi, o momento é de aprendizado, mas as próximas unidades deverão demandar investimentos maiores, com ganho de escala em equipamentos.

Biocombustíveis devem participar com 18% da matriz

Além de ter um custo de produção mais barato do que o etanol de primeira geração, o álcool 2G é uma das grandes apostas para o Brasil cumprir o Acordo do Clima de Paris, elaborado após a COP 21, em 2015.

O País se comprometeu, até 2030, a elevar a participação de biocombustíveis na matriz energética de 6% para 18%, o que demandaria uma produção de 50 bilhões de litros de etanol carburante, praticamente o dobro ante o volume atual. Só de etanol 2G, o Brasil tem potencial de fabricar 10 bilhões de litros até 2025, bem mais do que os quase 200 milhões de litros de agora, conforme projeção da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

Para Antonio Alberto Stuchi, diretor da Raízen, porém, ainda é necessária a "consolidação dessa tecnologia" para que esses 10 bilhões de litros sejam alcançados. Segundo o executivo, seria interessante o governo oferecer incentivos em tecnologia de produção de etanol 2G, pelo menos até a consolidação desse produto. (O Estado de São Paulo 19/11/2016)

 

China e Índia relançam propostas na OMC para frear importações agrícolas

O Brasil e os outros países do Mercosul estarão entre os mais afetados se prosperarem na Organização Mundial do Comércio (OMC) propostas de um grupo liderado pela China e Índia para facilitar o aumento de tarifas para frear importações agrícolas.

O embate entre exportadores agrícolas e o G­33, o grupo protecionista presidido pela Indonésia, mas controlado por Pequim e Nova Delhi, intensificou-se na última semana com o ressurgimento de propostas de 2014 que já resultaram em forte impasse no passado. O G­33 relançou a idéia de criar um mecanismo de salvaguarda especial (SSM, na sigla em inglês) para que países em desenvolvimento possam elevar temporariamente tarifas a fim de frear aumentos súbitos de importações ou declínio de preços.

Embora o G­33 argumente que o objetivo é usar o mecanismo contra exportações subsidiadas, que viriam de países ricos e afetariam seus produtores, eles querem de fato que seja aplicada a todos os países.

Para o Brasil e outros exportadores, o impacto negativo sobre o comércio Sul-Sul seria significativo, ainda mais quando estão avançando nesses mercados onde a renda melhorou e a demanda tende a continuar crescendo.

No caso do Brasil, as exportações de açúcar seriam logo afetadas por sobretaxas. Basta ver a salvaguarda normal que a China já está usando para frear a entrada do produto importado em seu mercado. Também as exportações brasileiras de milho seriam prejudicadas pelo protecionismo do G-33. No caso de Argentina e Uruguai, os produtos mais prejudicados seriam trigo e arroz.

O G-33 insiste também agora que os programas de estoques públicos de alimentos, por razões de segurança alimentar, não tenham limite de gastos. O instrumento é aceito pelos países, em geral.

Mas os exportadores não escondem a inquietação com o endurecimento da postura da China, Índia e de outros membros do G­33. A preocupação é que, quando o governo insiste em comprar dos produtores a preços fixos ou com subsídios, esses programas podem ter consequências inesperadas para a segurança dos outros países.

A Austrália exemplificou que a China já é o maior produtor mundial de trigo e a Índia o maior exportador de arroz, e que os programas de garantia de preços nesses dois gigantes têm impacto no mercado global. Isso sobretudo quando os estoques são despejados no mercado internacional derrubando preços.

Países exportadores, como o Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Colômbia, Austrália, Tailândia, Estados Unidos, Canadá e também a União Européia, constatam que a reforma agrícola que um bom número de países em desenvolvimento quer é para manter, na verdade, proteção de seus mercados.

A proposta de salvaguarda especial deve causar mais impasse nas discussões sobre o que pode resultar em compromisso na conferência ministerial da OMC, no ano que vem, em Buenos Aires.

Quanto à solução permanente sobre estoques públicos de alimentos, há menos resistência dos exportadores, desde que atenuada. O Paquistão sugere que a questão de segurança alimentar seja tratada com transferência direta de dinheiro para os agricultores, em vez de o governo acumular estoques.

No entanto, a receptividade a compromisso por parte de Pequim e Nova Delhi parece estar próxima de zero, no momento. O aumento do protecionismo agrícola, agora em grandes mercados em desenvolvimento, deve resultar em novos contenciosos na OMC.

Os EUA planejam pedir a abertura de painel (comitê de investigação) contra a China ainda este ano, contra programas de subsídios internos para a produção de milho, trigo e arroz. O Brasil tem contenciosos contra a Indonésia por causa de barreiras a carnes bovina e de frango, e contra a Tailândia envolvendo o açúcar. (Valor Econômico 21/11/2016)

 

Executivos de empresas líderes no setor confirmam participação no UNICA Fórum

Rubens Ometto Silveira Mello e Luís Roberto Pogetti, presidentes dos Conselhos de Administração das companhias Cosan e Copersucar, respectivamente, além de Pedro Mizutani, vice-presidente de Relações Externas e Estratégia da Raízen e presidente do Conselho Deliberativo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, estão confirmados como palestrantes do UNICA Fórum 2016. O encontro, marcado para 28 de novembro, no Teatro Principal do World Trade Center (SP), vai reunir autoridades governamentais, especialistas e empresários para uma reflexão sobre o papel dos produtos e energias obtidas da cana para a “descarbonização” da matriz energética brasileira e mundial, principalmente em relação aos compromissos assumidos no Acordo de Paris visando combater as mudanças climáticas.

Para a presidente da UNICA, Elizabeth Farina, a presença dos três executivos no Fórum ajuda a ampliar ainda mais a representatividade do evento. “Copersucar e Raízen, esta última uma joint venture criada a partir da união entre Shell e Cosan, representam o que há de mais moderno em termos de produção, distribuição e comercialização de etanol e açúcar no mundo. São nomes essenciais em um debate dessa importância”, afirma.

Na primeira das quatro plenárias do evento, Rubens Ometto e Luís Roberto Pogetti vão analisar o papel das energias renováveis na economia brasileira e global após apresentações do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles e do chefe do Centro de Crescimento Econômico do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, Samuel Pessôa. Na cerimônia de abertura, Pedro Mizutani dividirá o palco com o presidente da república Michel Temer e o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. Ele também estará presente na cerimônia de encerramento com Elizabeth Farina, presidente da UNICA, e Márcio Felix, secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia. As plenárias serão ancoradas pelo jornalista William Waack, do Jornal da Globo e do programa Painel, da GloboNews.

Currículos

Formado em Engenharia de Produção Mecânica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Rubens Ometto acumula experiências em gestão empresarial. Na década de 1970 trabalhou como executivo corporativo na União de Bancos Brasileiros, diretor financeiro do Grupo Votorantim e primeiro presidente do Conselho da TAM Linhas Aéreas. Em 1986 entrou para os negócios da família e foi decisivo na consolidação da Cosan como a maior fabricante de produtos derivados da cana no Brasil nos anos 2000. A partir daí a empresa realizou novas aquisições e parcerias, ampliando sua rede de produtos e atuação. 

Em 2005, a Cosan abriu capital na Bolsa de Valores e, três anos mais tarde, na Bolsa de Nova York. Em 2008 completou a aquisição da rede de distribuição da Esso no Brasil e criou as companhias Rumo e Radar, especializadas em soluções de logística e imobiliário agrícola, respectivamente. Em 2011 foi estabelecida a parceria com a Shell na criação da Raízen, que no mesmo ano ficou entre as cinco maiores empresas brasileiras em termos de receita. Em 2012, a Cosan adquiriu a Comgás, a maior distribuidora de gás natural do País. 

Além de presidir o Conselho de Administração da Copersucar, Luiz Roberto Pogetti, bacharel em Administração de Empresas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em Finanças e Mestrado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), também comanda o Conselho de Administração da Alvean Sugar e da Eco-Energy Biofuels. Em janeiro de 2011, assumiu a cadeira máxima do Conselho de Administração do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), instituição de excelência tecnológica na indústria canavieira.

Além disso, Pogetti integra o Conselho de Administração da Logum Logística, empresa responsável pelo projeto do “etanolduto”. Em 2015, o executivo substituiu o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, como presidente do Conselho Deliberativo da UNICA, até ser substituído por Pedro Mizutani, eleito em abril deste ano.

Além de presidir o Conselho da UNICA, Pedro Mizutani, graduado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), também participa dos Conselhos Deliberativos do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado de São Paulo (SIFAESP) e do Sindicato da Indústria do Açúcar no Estado de São Paulo (SIAESP). Com 34 anos dedicados ao setor sucroenergético brasileiro, Mizutani iniciou sua carreira como trainee na usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP). Foi supervisor de planejamento, gerente financeiro, superintendente administrativo e diretor da mesma área.

Em 2000 assumiu a vice-presidência do Grupo Cosan e no ano seguinte foi nomeado diretor superintendente. Em 2009 foi alçado a presidente da Cosan Açúcar e Álcool, em paralelo ao cargo de vice-presidência do Grupo. Com a formação da Raízen, exerceu a vice-presidência do departamento de Etanol, Açúcar e Energia. Em novembro de 2015, assumiu a vice-presidência Executiva da diretoria de Relações Externas e Estratégia da empresa.

Nomes confirmados

Em seu ano de estreia, o UNICA Fórum será composto por quatro plenárias e cerimônias de abertura e encerramento. Além dos palestrantes Henrique Meirelles, Samuel Pessôa, Luiz Roberto Pogetti, Rubens Ometto e  Pedro Mizutani, o evento tem as seguintes confirmações: Pedro Parente, presidente da Petrobras; Fernando Bezerra Filho, ministro de Minas e Energia; José Goldemberg, presidente da Fapesp; Justine Leigh-Bell, especialista em créditos de carbono e diretora da Climate Bonds Initiative; Luiz Barroso, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE); Antonio Megale, presidente da Anfavea; Ricardo Abe, gerente de Engenharia de Produto da Nissan do Brasil; Paolo Corvo, diretor global de Desenvolvimento de Negócios para Bioenergias da multinacional alemã Clariant; e Marcelo Furtado, representante da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura.

Inscrições

O prazo de inscrições para o UNICA Fórum 2016 termina na próxima segunda-feira, dia 21 de novembro, ou seja, daqui a 3 dias. Portanto, os interessados em participar têm até esta data para efetuar as inscrições por meio da página oficial do Fórum (http://www.unica.com.br/forum/). O sistema de registros oferece duas opções de pagamento: boleto bancário e cartão de crédito.

Para pagamentos com boleto bancário, alertamos que este deve ser quitado também até 21/11. Caso utilize o serviço de internet banking, pedimos atenção especial ao horário limite para pagamentos on-line do seu banco.

Patrocínio e organização

O seminário, patrocinado pelas empresas FMC, Syngenta, Coca-Cola, Bayer, Clariant, Honda, Amyris e Energisa, será organizado pela multinacional suíça MCI Group, maior realizadora de congressos do mundo, e pela MediaLink, consultoria dirigida pelo ex-diretor de Comunicação da UNICA, Adhemar Altieri.

Apoio

Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Nissan, Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Associação Brasileira de Bancos Internacionais (ABBI), Associação Brasileira Marketing Rural (ABMR&A), Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (CEISE Br), Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE), Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana), União dos Produtores de Bioenergia (Udop), Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil (Stab) e Associação dos Fabricantes de Equipamentos para Controle de Emissões Veiculares da América do Sul (Afeevas).

Parceiros de Mídia

Canal Rural, Argus Media, Jornal Cana, OPIS, Gazeta Mercantil Experience, Portal Notícias Agrícolas e as seguintes Revistas: Carro, Horizonte Geográfico, Opiniões, RPA News, Carro Online, Brasil Energia e PIB. (Unica 19/11/2016)

 

Para Blairo Maggi, metas brasileiras para o clima são só ‘intenção’

Em meio à Conferência do Clima da ONU, que busca mostrar os caminhos para o combate às mudanças climáticas, e participando de um evento para discutir como a agricultura pode participar disso, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse nesta quinta-feira, 17, que o setor não vai cumprir suas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa a não ser que alguém, que não o próprio setor, pague por isso.

Chamando os compromissos assumidos pelo País junto ao Acordo de Paris de “intenção”, Maggi causou furor entre ambientalistas que acompanham a conferência. O que no começo parecia uma presença bem-vinda, por sinalizar que a agricultura está no mesmo barco que o ambiente nos esforços brasileiros de lutar contra o aquecimento global, tem gerado constrangimento.

“Posso dizer isso com toda tranquilidade: nós não temos condições financeiras de levar adiante a intenção que o Brasil colocou. Eu gosto dessa palavra: intenção”, Blairo Maggi

Desde terça-feira, 15, Maggi disse que a agricultura brasileira é a mais sustentável do mundo, minimizou o impacto que o setor tem sobre as emissões de gases de efeito estufa e disse que mortes de ativistas ambientais no campo são “problema de relacionamento”.

Os comentários levaram o Observatório do Clima a elaborar uma carta rebatendo ponto por ponto. E no evento desta quinta, a ONG jovem Engaja Mundo deu de presente ao ministro um colar com o que eles chamaram de “pérolas mággicas”, em referência às falas de Maggi.

No debate, promovido pela Coalizão Clima, Florestas e Agricultura, estavam presentes representantes do Banco Mundial, da Convenção do Clima da ONU, e da Climate Policy Initiave (que financia ações de combate às mudanças climáticas), que foram elogiosos sobre os avanços que o Brasil teve nos últimos anos ao reduzir suas taxas de desmatamento e disseram que o mundo olha para o País buscando exemplo de atuação nas áreas de agricultura e floresta. Também estava na mesa, no começo do evento, o ministro Sarney Filho (Ambiente), que chefia a delegação brasileira.

Hotel vazio

Maggi aproveitou o reconhecimento para dizer que o custo disso para o setor é alto. Em outros eventos em Marrakesh ele já havia comparado a Reserva Legal, prevista na lei florestal do País, e que estabelece que uma porção das propriedades rurais brasileiras têm de ser preservadas, como um hotel que não pode ser todo ocupado. Segundo ele, é como um hotel que tem cem quartos, mas só pode comercializar 20, se referindo aos 80% de proteção prevista em fazendas na Amazônia.

Nesta terça, ele disse apoiar que o setor contribua com o combate às mudanças climáticas, mas se queixou dos custos de cumprir as metas brasileiras de recuperar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e 12 milhões de hectares de florestas.

“A intenção que o Brasil assumiu perante o mundo não pode ser obrigação do produtor brasileiro, tem de ser a intenção do produtor brasileiro também”, Blairo Maggi

Nos seus cálculos, que não explicou exatamente como foram feitos, Maggi afirmou que o custo dessas ações seria de “40 a 50 bilhões de dólares”.

No ano passado, como contribuição ao Acordo de Paris, o Brasil apresentou uma meta total de redução de emissões, de 37% até 2025 e 43% até 2030, e entregou anexada uma lista de ações que poderiam ser tomadas para atingir esses valores. Entre elas, estão as duas citadas pelo ministro, mas também o fim do desmatamento ilegal e investimentos em energias renováveis.

“Tenho certeza de que não vamos nos furtar a ajudar a fazer, mas precisamos de financiamentos, de oportunidades, para que os produtores possam fazer”, Blairo Maggi

Ao ratificar o acordo, no entanto, a meta brasileira vira lei internamente. E o que eram metas pretendidas ou INDCs – contribuições nacionalmente determinadas pretendidas – viraram, simplesmente, NDCs (contribuições nacionalmente determinadas). A lista de ações que entrou como um anexo de fato não chega a ser obrigatória, mas é a linha que o País propôs seguir.

Questionado pelo Estado sobre isso, respondeu: “É intenção. Não é a agricultura e a pecuária que tem de pagar essa conta. Não queiram pendurar essa conta no setor agrícola sozinho”.

“São metas gerais que o Brasil colocou e deu uma indicação de por onde pode sair, mas se não cumprir através de reflorestamento ou de melhoramento de pastagem, vai ter de fazer em outro lugar. Não é obrigação da agricultura”, Blairo Maggi

Na carta do Observatório do Clima, que foi entregue ao ministro durante o evento, os ambientalistas questionam os números do ministro. “Num cálculo simples, US$ 40 bilhões até 2030 (prazo das ações contempladas na NDC) equivalem, utilizando-se uma taxa de câmbio de R$ 3,2, a pouco menos de R$ 10 bilhões por ano em 13 anos.

Apenas em 2016 o Plano Safra destinou R$ 202 bilhões ao financiamento do setor agropecuário, cuja inadimplência histórica média é de cerca de 5%. Somente o custo de equalização dos juros do Plano Safra, em julho de 2015, atingiu R$ 13,4 bilhões. Ou seja, mesmo admitindo que a estimativa do ministro Blairo Maggi esteja certa, haveria dinheiro para bancar a NDC. Bastaria, para isso, que os agricultores pagassem suas dívidas”.

No documento, os ambientalistas lembraram também a contribuição do setor com as emissões brasileiras. Com base no último levantamento do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima, “a atividade agropecuária respondeu, em 2015, por 69% das emissões brutas de gases de efeito estufa do Brasil, quando contabilizadas as emissões diretas e indiretas, em especial o uso final das terras desmatadas”, escrevem.

Mortes no campo

Outro ponto que caiu mal na plateia foi uma declaração sobre mortes no campo que Maggi fez na quarta-feira após ouvir estatísticas de que o Brasil é o país onde mais se mata ambientalistas. “Nós temos conflitos, sim, no Brasil, não podemos negar. Mas eles não são dessa forma. Existem muitas brigas, muitas coisas que acontecem que são ditas, que são relacionadas a briga de terra, a briga por posse da terra, a briga por questões ambientais. Mas quando você vai no cerne da questão, você vai ver que tem problema de relacionamento de pessoas de determinados lugares e que não pode ser computado nesta questão”, disse ao se apresentar no Global Landscape Fórum, um dia dedicado à discussão sobre florestas.

Na carta, o Observatório do Clima lembrou dados da Global Witness, de que apenas em 2015 foram 50 mortes, um terço do total mundial – em sua maioria na Amazônia brasileira. Ao ler isso na carta, Maggi ironizou. “Fico feliz em saber que de ontem para hoje morreram menos 150 ambientalistas, porque ontem ouvi que eram 200 por ano e agora diz aqui que foram 50”. (Agência Estado 19/11/2016)

 

Arnaldo Luiz Corrêa: Balde de água fria em Londres (comentário semanal)

O mercado de açúcar iniciou a semana com uma notícia preocupante para os altistas, mas com grande alívio para os consumidores industriais: a imensa entrega de açúcar branco na expiração do contrato futuro de Londres demonstra que o mercado físico está largado. É o que já falamos aqui por diversas vezes.

Temos observado no mercado ao longo dos últimos meses uma dicotomia entre o preço negociado nos mercados futuros de açúcar (seja em NY ou em Londres), representado pela expectativa futura da trajetória de preço do açúcar e influenciado sobremaneira pelo apetite que os fundos tem pelo risco, e o preço efetivamente negociado no mercado físico (traduzido pelo basis). Essas diferenças são realçadas e colocadas à prova no exato momento em que o derivativo (mercado futuro) encontra-se com a entrega (mercado físico). E foi isso que aconteceu em Londres. O físico não validou o futuro.

Grandes volumes entregues na expiração de um contrato futuro são, na maioria das vezes, incontestável indicação de que o melhor comprador daquele momento é a bolsa. Portanto, o vendedor não encontrou preço melhor no mercado do que aquele negociado/hedgeado por ele por meio da venda de contratos futuros na bolsa e, consequentemente, entrega seu produto no vencimento dentro das regras estabelecidas por tal contrato.

Em Londres quase 540.000 toneladas de refinado foram entregues na expiração do contrato de dezembro. Pode parecer um número pequeno se comparado com as recentes entregas físicas de açúcar VHP contra o contrato de NY, que ultrapassaram um milhão de toneladas, mas considere o fato que o número de contratos em aberto na bolsa de NY é em média 8 vezes maior do que o da bolsa de Londres. Ou seja, o impacto do volume entregue em Londres é como se 4 milhões de toneladas de açúcar fossem entregues em NY. E o ainda pior e mais impactante é que grande parte da entrega, 440.000 toneladas, veio de Dubai, berço de uma das maiores refinarias de açúcar do mundo. Agora tente convencer o mundo açucareiro que essa entrega não foi baixista e boa sorte.

Não seria de outra forma a reação em NY cujo mercado futuro encerrou a sexta-feira com o vencimento março/2017 cotado a 20,15 centavos de dólar por libra-peso, uma queda de 34 dólares por tonelada em relação ao fechamento da semana anterior. O real continuou se desvalorizando em relação ao dólar abrindo oportunidades pontuais de fixação de preços em reais por tonelada. Soube de uma usina que aproveitou a oportunidade e fixou açúcar para março/2017 a inacreditáveis R$ 1,773 por tonelada NDF (contrato a termo de dólar com liquidação financeira) com prêmio de polarização.

Desde a máxima negociada a 23,90 centavos de dólar por libra-peso verificada em 03 de outubro no contrato março/2017, o mercado caiu quase 400 pontos, ou 85 dólares por tonelada. Em reais, a queda da máxima foi de quase 200 reais por tonelada.

O que ainda pode fazer o mercado subir em centavos de dólar por libra-peso é a sintonia fina que teremos quando nos aproximarmos do início do próximo ano com a melhora da percepção de que provavelmente teremos uma safra de cana menor no Centro-Sul. Isso pode impulsionar os preços em NY. A maioria das usinas com quem tenho falado mostra preocupação com a safra de cana do próximo ano que – consensualmente – aponta que deverá ser menor do que 590 milhões de toneladas de cana. Petróleo acima dos 50 dólares por barril melhora a arbitragem do etanol com a gasolina, isto é, o início de safra (interferindo no maio/2017) pode ser menos açucareira.

Nos últimos dezesseis anos, o preço médio do contrato futuro de açúcar em NY no mês de dezembro ficou por dez ocasiões acima do preço médio do mês de novembro. E quando isso ocorreu, os preços subiram em média 5.3%, ou seja, considerando o que novembro já fez até o momento, os preços médios em dezembro poderiam chegar a 22,50 centavos de dólar por libra-peso. Nas seis ocasiões em que o preço médio de dezembro foi inferior ao de novembro, a queda foi de 3,7% apenas. Usando esse raciocínio o intervalo de preço de dezembro ficaria entre 20,50 e 22,50 centavos de dólar por libra-peso.

Por outro lado, algumas questões me preocupam (e por isso tenho insistido demasiadamente que fixação em reais por tonelada nos níveis que vimos deveriam/devem ser aproveitadas): será que os fundos irão ajustar seus portfólios no final do ano liquidando suas posições compradas no açúcar? Com Trump assumindo em 20 de janeiro de 2017, será que o mercado não tende a ficar mais avesso ao risco fugindo das commodities? O FED pode aumentar juros antecipando os enormes investimentos em infraestrutura prometidos na campanha de Trump?

Na dúvida, minha recomendação é de fixar preços usando uma combinação adequada ao apetite ao risco da empresa: uma parte fixando preços em NY, uma parte fixando com opções dentro-do-dinheiro para agregar valor e outra parte fazendo uma fence, ou seja, comprando uma put (opção de venda) fora-do-dinheiro com a venda de uma call (opção de compra) fora-do-dinheiro.

Em resumo, os preços podem subir em centavos de dólar por libra-peso, mas estou menos otimista agora. Em reais por tonelada tenho plena convicção que já vimos o preço mais alto. Mudá-la depende de algum forte fator exógeno que não consigo enxergar nesse momento. Mas, estou aberto às sempre bem vindas colaborações dos leitores.

Levantamento da Archer aponta que o endividamento do setor no início de novembro/2016 era de R$ 85,93 bilhões, ou 7,7% abaixo do valor no mesmo período do ano passado. Como era de se esperar, 2016 foi um ano de diminuição e equacionamento das dívidas. O setor não está nadando de braçada, mas está pelo menos em condições de planejar.