Setor sucroenergético

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Dólar favorece exportação de açúcar e sustenta preço interno até próxima safra

A disparada do dólar após a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos volta a estimular as exportações brasileiras de açúcar e as cotações internas devem se manter firmes até o início da próxima safra no Centro-Sul, em abril. Os preços internacionais remuneradores neste ano já haviam beneficiado as usinas, que direcionaram maior parcela do alimento para exportação, em detrimento do mercado doméstico.

Como consequência, os valores do cristal por aqui estão em torno de R$ 97 por saca de 50 quilos, alta de quase 20% em 2016 e perto do maior patamar real em cinco anos. "O câmbio está favorecendo a estratégia de hedge neste momento. Isso representa uma oportunidade adicional de operações futuras para o produtor brasileiro", explicou ao Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro.

A conta é simples: como o açúcar para exportação é negociado em dólar, isso representa mais reais para os vendedores no momento da conversão de moedas – o que explica a prioridade dada ao alimento em detrimento do etanol. A preferência das usinas pela produção de açúcar e pela sua venda ao exterior deve-se à alta da commodity na Bolsa de Nova York, de 34% neste ano, refletindo a perspectiva de déficit de produção global pelo menos até 2017.

Cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) evidenciam essa atratividade. Na semana passada, por exemplo, o produto remunerou 58% mais que o etanol anidro, misturado em 27% à gasolina, e 64% mais que o hidratado, usado diretamente no tanque dos veículos.

Na parcial da safra 2016/2017, de abril a outubro, o Brasil embarcou 17,47 milhões de toneladas de açúcar, volume 32,3% maior na comparação com igual intervalo de 2015. Essa quantidade representa aproximadamente 54% do que foi produzido no acumulado da temporada.

Há um ano, as exportações eram 48% da produção. Ou seja, mais açúcar foi para o exterior em 2016, acarretando em menor disponibilidade interna. "Os preços domésticos devem se manter firmes até o início da próxima safra por causa da situação de abastecimento", afirmou Nastari, lembrando que o Centro-Sul já se encaminha para o período de menor produção, que vai de meados de dezembro até março.

Alguns fatores, porém, podem alterar esse cenário até lá. A começar pela própria safra do ano que vem. Após uma temporada marcada por quebras agrícolas, dadas as adversidades climáticas, as expectativas para o próximo ciclo também não são das mais otimistas, o que pode dar ainda mais suporte aos preços.

A avaliação no mercado é de que a oferta de cana tende a ser menor, devido à renovação dos canaviais inferior ao ideal. "O longo prazo vai depender da situação do Brasil. Apesar de a alta do açúcar ajudar o setor, o endividamento das usinas continua elevado", disse Michael McDougall, diretor de commodities do banco Société Générale, referindo-se às dificuldades financeiras da cadeia produtiva após anos em crise.

Até as medidas tomadas pela Petrobras influenciam nas cotações do açúcar, mas no sentido inverso. A possibilidade de novos cortes no preço da gasolina pela estatal deve desestimular a fabricação de etanol, concorrente direto do combustível fóssil. Dessa forma, as usinas tenderiam a direcionar maior volume de cana para a fabricação de açúcar, elevando a oferta do cristal. "Por enquanto, a Petrobras continua favorecendo a produção de açúcar", resumiu McDougall.

Na atual temporada, quase 47% da oferta de matéria-prima foi para se fazer açúcar, o maior porcentual desde o ciclo 2012/2013. E há ainda fatores mais técnicos. Fundos e especuladores, que dão liquidez ao mercado global de açúcar, vem reduzindo suas apostas em alta da commodity, o que se traduz em queda na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). O temor é que esses participantes se desfaçam ainda mais de suas posições, o que poderia acarretar em forte baixa em Nova York.

Atualmente, os valores futuros do açúcar estão entre 19 centavos e 20 centavos de dólar por libra-peso, embora no começo do mês tenham superado os 22 centavos de dólar. Já o etanol hidratado está perto dos R$ 1.800 por metro cúbico desde o início de novembro, tendo por base o Indicador Esalq/BM&F, cuja referência é Paulínia (SP). (Agência Estado 23/11/2016)

 

Açúcar: Mais perdas

Em meio a nova liquidações de posições do fundos, os contratos futuros do açúcar demerara estenderam as perdas na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 19,08 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 20 pontos.

Os fundos correm para realizar lucros em meio a relatórios cada vez mais otimistas para a oferta mundial ao longo dos próximos anos e diante das intenções chinesas de liquidar parte de seus estoques nacionais.

Segundo o Rabobank, o país possui reservas avaliadas em 7 milhões de toneladas, das quais 1,8 milhões deverão ser liquidados ao longo de 2017, pressionando as cotações.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 95,90 a saca de 50 quilos, queda de 0,43%. (Valor Econômico 24/11/2016)

 

Energia de biomassa tem capacidade para abastecer quase um terço do consumo total de eletricidade

A energia de biomassa, gerada a partir de resíduos vegetais ou animais, tem espaço para suprir quase um terço do consumo de energia brasileira, de acordo com Zilmar José de Souza, gerente de bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). “No caso da biomassa gerada pela cana, poderíamos ter exportado para a rede elétrica um excedente de 129 mil MWh (megawatt hora) com a biomassa existente já no ano passado, sem aumentar o plantio de canaviais e aproveitando ao máximo a biomassa. Isso representaria 28% do consumo de energia elétrica do Brasil do ano passado.”

É uma quantidade de energia suficiente para abastecer mais de 66 milhões de casas por ano, segundo Souza. Além da biomassa de cana, empresas estão aproveitando seus resíduos orgânicos para aumentar a eficiência energética e oferecer projetos de geração de energia limpa ao mercado.

A produção atual de excedente de energia de biomassa de cana está aquém do potencial da fonte. Em 2015, o montante foi de 20 mil MWh, ou 4,4% do consumo de eletricidade do Brasil. Apesar disso, o impacto ambiental foi significativo, atesta Souza. “Esse volume gerou uma economia de mais de oito milhões de toneladas de emissão de gases poluentes na atmosfera.”

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), há 370 usinas sucroenergéticas no Brasil e pouco mais da metade (175) exporta excedente de bioeletricidade para o sistema elétrico. “Todas as usinas produzem energia para autoconsumo. Mas há 195 usinas que podem passar por um processo de retrofit (reforma) e aproveitar ainda mais o bagaço e outros subprodutos, como a palha e o biogás da vinhaça, para alimentar a geração de bioeletricidade da rede.”

Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) revelam que a biomassa é a terceira maior fonte de energia elétrica nacional. Com 14,6 mil MW da potência instalada da matriz elétrica do Brasil, a participação da biomassa é pouco mais de 9% do total de 161 mil MW do sistema. Somente a biomassa de cana-de-açúcar contribui com 11 mil MW. As demais fontes são compostas por insumos florestais, principalmente a lenha de eucalipto, resíduos sólidos urbanos e restos vegetais.

A geração de biomassa é mais intensa durante a época de colheita da cana. Mas, apesar das características sazonais da produção, Souza afirma que há tecnologia disponível para gerar eletricidade o ano inteiro. “Existem turbinas de condensação que permitem operar até 365 dias ininterruptos e independente da safra. Para isso, é necessário estocar biomassa por períodos maiores e aumentar o uso da tecnologia em mais usinas.” Segundo Souza, quase 20% das turbinas instaladas no setor sucroenergético hoje já são de condensação.

De olho no aproveitamento de resíduos, a Raízen aumentou sua produção de etanol com base no reaproveitamento de resíduos. O etanol de segunda geração (ou etanol 2G) é um combustível igual ao produzido no modelo tradicional, porém feito a partir da celulose do subproduto.

O bagaço que antes era destinado para proteção do solo e cogeração de energia elétrica foi convertido em celulose, o que possibilitou um aumento de 40% da produção sem crescer a área plantada, de acordo com a companhia. O projeto deu à Raízen o Prêmio Eco de 2014, na modalidade Práticas de Sustentabilidade – Produtos ou Serviços.

No Rio Grande do Sul, a PepsiCo, dona da marca Quaker, queima casca da aveia para gerar o vapor que move a caldeira de produção. Ao usar a biomassa, a Quaker deixou de emitir cerca de 1 mil toneladas de gases poluentes originados da queima de gás natural. O projeto ganhou o Prêmio Eco 2013 na modalidade Práticas de Sustentabilidade.

Em Uberlândia, a startup Alsol Energia, do Grupo Algar, desenvolve um projeto combinado de geração de energia a partir do biogás produzido pelo dejeto de suínos e captação de energia fotovoltaica. “Aqui temos condições favoráveis para aproveitar os resíduos do rebanho suíno, um dos maiores do Brasil, e a alta incidência de luz solar”, detalha Gustavo Buiatti, diretor de operações e diretor técnico da Alsol Energia. O projeto foi inscrito no Prêmio Eco deste ano.

O projeto piloto está em andamento em uma propriedade rural de Patos de Minas, no interior de Minas Gerais. Durante o dia a energia é gerada por painéis fotovoltaicos, e um biodigestor que processa os dejetos dos cinco mil suínos da fazenda garante o fornecimento de eletricidade no final da tarde. A economia mensal com energia chega a 160 mil reais, segundo Buiatti.

O potencial de negócios que a venda ou locação de geradores de energia pode gerar na região é de 180 milhões de reais, estima o executivo. “Se considerarmos que Uberlândia tem um rebanho de 1,5 milhão de suínos e os equipamentos podem ser usados em propriedades de até 5 mil animais, estamos falando de pelo menos 300 unidades geradoras a serem usadas nos próximos quinze anos.”

Em Tarabaí, interior de São Paulo, a Amidos do Oeste Paulista (Amidoeste) encontrou no uso do biogás uma alternativa de redução de custos de produção. A matéria orgânica que sobrava da produção de amido de mandioca passou a ser aproveitada para gerar energia de biomassa.

“Usando biogás, deixamos de usar energia térmica e reduzimos os custos de energia de 10% para 5%”, afirma Sebastião Sílvio Panobianco, gerente industrial da Amidoeste. O aproveitamento do resíduo também diminuiu o impacto ambiental da produção, uma vez que os restos da produção não são mais descartados nos rios.

O uso de biomassa como fonte energética é uma tendência consolidada, afirma Souza. Mas para acelerar o seu desenvolvimento, o especialista defende a criação de políticas públicas favoráveis, como acesso ao crédito, benefícios fiscais e novos leilões de energia. “Mais do que tudo, precisamos de uma política setorial favorável que traga estabilidade e favoreça novos investimentos”. (O Estado de São Paulo 23/11/2016)

 

Unica diz que decisão dos EUA sobre etanol é sinal positivo

A presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, disse que a Agência Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês), ao estabelecer um volume final de biocombustíveis avançados para 2017 maior do que o proposto no requerimento do último mês de maio, destacou a grande importância dos benefícios econômicos e ambientais gerados pela utilização dos biocombustíveis.

"Os produtores brasileiros de etanol de cana reconhecem a importância da EPA por sua liderança e apoio aos combustíveis renováveis avançados, categoria em que se enquadra o etanol de cana-de-açúcar brasileiro", disse em nota.

"Com as condições de mercado adequadas, o Brasil tem capacidade de prover aos EUA quantidades significativamente maiores de biocombustível avançado do que os mais de 750 milhões de litros determinados pela regra da EPA para 2017. Juntos, Brasil e EUA têm construído um mercado global de biocombustíveis", afirmou. (Agência Estado 24/11/2016)

 

Donos de usinas oferecem mais de R$ 300 milhões em bens

Valor deve ser usado para pagar direitos de funcionários das empresas.

Os acionistas majoritários das Usinas Jaciara e Pantanal, do Grupo Naoum, Mounir Naoum e Lucia Gomes Naoum, peticionaram à juíza do Trabalho de Jaciara, Tatiana de Oliveira Pitombo, disponibilizando R$ 340 milhões em bens das empresas e pessoais dos sócios do Grupo.

O valor deverá ser usado para o pagamento do passivo trabalhista existente junto à vara, referente à quitação integral de todo o passivo com dívidas trabalhistas.

As ações trabalhistas decorrentes das Usinas Jaciara e Pantanal, do Grupo Naoum, totalizam mais de dois mil processos. A soma total dos valores atualizados cobrados nas reclamações trabalhistas, que se arrastam há quase 10 anos em Mato Grosso, pode chegar a R$ 60 milhões.

Segundo levantamento recente realizado pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho, dos 10 maiores demandantes do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT23), seis são de empresas do Grupo Naoum e seus sócios ou de familiares que foram incluídos indevidamente nas demandas.

De acordo com o advogado que representa as usinas e seus acionistas nas reclamações trabalhistas, Rafael Lara Martins, os bens envolvem fazendas, glebas, lotes além de imóveis como casas e prédios. “Todos os bens são das pessoas físicas dos sócios, ou de empresas diretamente ligadas ao Grupo Naoum”, afirmou.

O advogado informou ainda que alguns dos bens se encontram completamente livres de quaisquer constrições judiciais. “Alguns possuem penhoras trabalhistas e não trabalhistas; e outros, além das penhoras, são gravados por hipotecas garantidoras, porém todos passíveis de uso na quitação da dívida”, explicou.

Para o advogado dos acionistas majoritários do Grupo Naoum, Ilion Fleury Neto, a intenção dos acionistas é quitar a integralidade das dívidas existentes, especialmente as dívidas trabalhistas.

“Somente os bens que não possuem qualquer restrição, possuem valor estimado de quase R$ 2 milhões, sendo que a alienação judicial destes é suficiente para quitar centenas de reclamações trabalhistas de baixo valor, que se arrastam por anos”, argumentou.

“Além da disponibilização dos bens e imóveis para liquidar a dívida trabalhista, os sócios apresentaram à Justiça Trabalhista mais de R$ 22 milhões em créditos junto à Usina Porto Seguro, provenientes do arrendamento das terras dos sócios, que estão sendo exploradas pela Usina Porto Seguro desde a arrematação, ocorrida em 2014, sem que, contudo, realizem os pagamentos devidos”, pontuou ainda o advogado.

Fleury ressaltou, também, que mesmo que alguns bens estejam com penhoras decorrentes de outros créditos, nada impede que sejam realizadas penhoras trabalhistas, e tais bens sejam alienados judicialmente por determinação da Vara do Trabalho.

“O crédito trabalhista, dada sua natureza alimentícia, possui superprivilégio perante todos os outros créditos, de forma que esperamos estes bens sejam aceitos e alienados o mais breve possível, iniciando, assim, a pagamento dos débitos trabalhistas existentes”.

Recuperação judicial

As usinas Jaciara e Pantanal de Açúcar e Álcool entraram em recuperação judicial no final de 2008 em razão da crise internacional ocorrida naquele ano. Em fevereiro de 2014, ocorreu o arremate dos bens pela Usina Porto Seguro S.A., no valor de R$ 200 milhões, parcelados em doze prestações anuais e com a reversão dos recursos em favor dos credores.

Em março deste ano, o juiz da Segunda Vara da Comarca de Jaciara, Valter Fabrício Simioni da Silva, bloqueou todas as matrículas dos bens adquiridos pela Usina Porto Seguro, após acolher denúncias apresentadas pelo Ministério Público Estadual (MPE), que apontou a existência de “crimes falimentares e contra a ordem tributária”. A gravidade das informações forçou o magistrado a elevar as investigações para a esfera federal.

Os documentos anexados ao processo evidenciam que, antes mesmo da realização das audiências entres os credores e a oficialização da negociação, as usinas Jaciara e Pantanal já teriam formalizado, em janeiro de 2014, um secreto documento de alienação de todos os seus ativos patrimoniais à empresa Atrium S. A. – Incorporadora e Construtora.

Segundo o juiz Valter Simioni, a negociação com a Atrium ocorreu sem qualquer autorização judicial ou dos credores das usinas em recuperação.

Ainda de acordo com as informações levantadas pela Fetagri, o advogado Michael Herbet Matheus, sócio administrador da Usina Porto Seguro S.A., assinou o documento entre as usinas Jaciara e Pantanal e a empresa Atrium, como testemunha e, posteriormente, realizou a compra das empresas em processo de recuperação judicial.

Relações espúrias

O MPE, com base nos documentos apresentados pela Fetagri, também relatou que no comprovante do CNPJ da suposta compradora das usinas, a Atrium, sediada em São Paulo (SP), consta o telefone do escritório dos representantes da Porto Seguro, os advogados Michael Herbert Matheus e Micael Heber Mateus, que são pai e filho.

Segundo o advogado Cleuber Alioni, que também representa os sócios fundadores das Usinas Jaciara e Pantanal, os advogados Michael e Micael, no início do processo, propuseram aos sócios das Usinas Pantanal e Jaciara, queestão com idade bastante avançada, uma solução para “salvar” as usinas. “Esses advogados são os mesmos envolvidos em fraudes denunciadas no caso da Encol. Eles sugeriram que os sócios entregassem todo o patrimônio das empresas e das pessoas físicas para que todas as dívidas fossem pagas”, argumentou.

No entanto, segundo acentuou Alioni na sustentação oral perante o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, o patrimônio das empresas e das pessoas físicas foi dilapidado sem que nem um real das dívidas da recuperação fossem pagas. “A Usina Porto Seguro está hoje em dificuldades financeiras, operando sem certidões negativas de débitos federal e estadual. Nosso receio é que eles se desfaçam de todos os ativos e não paguem as dívidas da recuperação”, explicou.

Para o MPE, os advogados e empresários realizaram o negócio com a finalidade de transferir o patrimônio das usinas em recuperação, “com a eliminação de todas as penhoras, arrestos, sequestros, hipotecas e demais restrições sobre todas as matrículas dos imóveis que integravam os ativos das recuperandas”. (Mídia News 22/11/2016)

 

EUA elevam cota de biocombustível; indústria brasileira elogia

 A Casa Branca propiciou uma vitória aos produtores de etanol de milho e causou choque às companhias de petróleo ao requerer que os carros e caminhões dos Estados Unidos consumam mais biocombustíveis no ano que vem.

A regra, finalizada nesta quarta-feira (23), vai requerer um aumento de 6% no uso de combustíveis renováveis, para 72,9 bilhões de litros em 2017.

A EPA também elevou o padrão para o "biocombustível avançado" –que pode incluir biodiesel, etanol de cana de açúcar importado e biocombustível de celulose– de 13,6 bilhões de litros para 16,2 bilhões de litros.

Dentro dessa categoria, ela ampliou a cota compulsória do biodiesel de 7,2 bilhões a 7,6 bilhões de litros, e a do biocombustível, de celulose, de 870 milhões a 1,2 bilhão de litros.

A presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Elizabeth Farina, elogiou a decisão da EPA e disse que ela pode aumentar a presença no etanol brasileiro nos EUA.

"Nos últimos quatro anos, aproximadamente 4,5 bilhões de litros de etanol de cana importados do Brasil abasteceram veículos americanos. Neste período, o país forneceu 10% de todo os biocombustíveis avançados usados nos EUA", disse a presidente da Unica, cujas empresas associadas representam 60% da produção de cana no Brasil.

Embora o total fique abaixo dos 90 bilhões de litros originalmente prescritos por lei, ainda assim causou elogios da parte dos proponentes do biocombustível, que estão lutando contra a distribuição nacional limitada de seu produto.

Mas as metas se tornaram inatingíveis porque os motores de automóveis ganharam eficiência e o consumo nacional de combustível ficou estagnado depois da crise financeira. A recusa do setor petroleiro de adicionar mais de 10% de etanol à gasolina restringiu a demanda.

O padrão dos Estados Unidos para combustíveis renováveis (RFS) definiu metas ambiciosas para o consumo de biocombustível, quando foi aprovado pelo Congresso, em 2007. O etanol e o biodiesel são misturados à gasolina comum e ao diesel para uso em veículos.

Além disso, o desenvolvimento de etanol de celulose, produzido com base em grama e plantas fibrosas semelhantes à biomassa, ficou aquém das esperanças iniciais. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos tentou elevar os volumes de consumo desses combustíveis sem deixar de reconhecer as realidades do mercado.

"A EPA está usando as ferramentas fornecidas pelo Congresso para ajustar os padrões abaixo das metas legais, mas o crescimento constante dos volumes na norma final continua a sustentar a intenção do Congresso quanto à expansão dos volumes", declarou a EPA.

A regra da agência para 2017 requer 56,7 bilhões de litros de etanol de milho, um volume igual ao determinado pela lei de 2007.

O total é 1,9 bilhão de litros mais alto que o volume requerido para 2016 e 760 milhões de litros mais alto que o proposto inicialmente pela EPA em maio.

TRUMP

A eleição de Donald Trump como próximo presidente dos Estados Unidos criou novas incertezas quanto ao futuro do padrão de uso de biocombustível. Ele já declarou apoio ao etanol, mas o site de sua equipe de transição menciona apenas de passagem as fontes renováveis de energia.

"Devemos todos ser gratos por a EPA ter elevado o total requerido de biocombustível aos 56,7 bilhões de litros requeridos pela lei", disse Bob Dinneen, presidente da Associação de Combustíveis Renováveis.

"A decisão enviará sinal positivo aos investidores e afetará positivamente toda a nossa economia e o ambiente."

O anúncio gerou alta de 6,3% nos mercados futuros para o óleo de soja, que é usado na produção do biodiesel. As ações de algumas refinarias de petróleo cru caíram, com 1,1% de baixa para a Tesoro e 2,4% de queda para a PBF Energy.

O Instituto Americano do Petróleo definiu a decisão como "irresponsável".

"Estamos decepcionados por a EPA ter andado para trás em sua norma final", disse Frank Macchiarola, o diretor de comunicações do grupo.

"A norma RFS é ruim para o consumidor norte-americano. O anúncio de hoje só serve para reforçar a necessidade de que o Congresso revogue ou reforme a RFS de forma significativa". (Folha de São Paulo 23/11/2016)

 

Futuro do etanol sob administração Trump ainda é incerto, diz banco

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, já expressou em algumas ocasiões apoio à regulamentação que estabelece o volume de etanol de milho e outros bicombustíveis que deve ser misturado à gasolina nos EUA. No entanto, ainda há incertezas sobre o futuro do setor de etanol durante o mandato do novo presidente, segundo o banco de investimento Cowen. "Antes de ficarmos muito animados, precisamos ver o modo e os métodos que a administração Trump vai escolher para lidar com o programa", conhecido como Padrão de Combustíveis Renováveis, disse o banco.

Nesta quarta-feira,23, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) publicou a regulamentação final com esses volumes. Ela estabelece que refinarias devem misturar 15 bilhões de galões (56,78 bilhões de litros) de etanol convencional e 4,28 bilhões de galões (16,2 bilhões de litros) de biocombustíveis avançados à gasolina em 2017. O volume total, de 19,28 bilhões de galões (72,98 bilhões de litros), representa um aumento de 1,17 bilhão de galões (4,43 bilhões de litros) em relação à exigência para este ano.

Em Iowa, maior produtor de milho dos EUA, Trump venceu as primárias e as eleições gerais em parte por causa de seu apoio ao Padrão de Combustíveis Renováveis. Nos EUA, o biocombustível é feito principalmente com milho, e o setor consome cerca de um terço da safra doméstica do grão. Líderes republicanos do Estado estão entre os maiores defensores do padrão.

No entanto, caso quisesse revisar os volumes estabelecidos por alguma razão ou até postergar indefinidamente a entrada em vigor do padrão para 2017, a administração Trump teria várias opções legais para fazê-lo, de acordo com especialistas.

Grupos que representam companhias de biocombustíveis elogiaram os números da EPA, enquanto o setor de petróleo pediu que o Congresso rejeite a política.

"A medida vai enviar um sinal positivo aos investidores, com repercussões na nossa economia e no meio ambiente", disse o presidente e CEO da Associação de Combustíveis Renováveis, Bob Dinneen. "Ao sinalizar seu comprometimento com um mercado crescente de biocombustíveis, a EPA vai estimular novo interesse em etanol celulósico e outros biocombustíveis avançados."

Ações de companhias de etanol como Green Plains e Pacific Ethanol subiram após o anúncio da EPA.

A Associação Americana de Fabricantes de Combustíveis e Petroquímicos, que representa refinarias, criticou o anúncio e pediu que o Congresso rejeite ou revise a política. Segundo o presidente da associação, Chet Thompson, o volume de biocombustíveis estabelecido pela EPA vai além do desejado por consumidores ou do que a infraestrutura pode suportar. "As refinarias não devem ter a responsabilidade de forçar consumidores a usar produtos que eles não querem ou que são incompatíveis com seus carros, barcos ou equipamentos motorizados", disse. (Down Jones 24/11/2016)

 

Green Pool reduz previsão de déficit de açúcar em 16/17 para 5,28 mi t

O mercado mundial de açúcar enfrentará um déficit na temporada 2016/17 de 5,28 milhões de toneladas, afirmou nesta quarta-feira a analista do setor de commodities Green Pool, ante projeção de 5,80 milhões de toneladas da consultoria divulgada em setembro.

A Green Pool afirmou que a revisão foi em grande parte devido a uma menor estimativa de consumo pelos altos preços globais.

"Os preços do açúcar avançaram para o seu nível mais alto desde 2012, sem dúvida, fazendo alguns danos no lado do consumo na equação do açúcar", disse a Green Pool.

Os futuros de açúcar bruto ICE subiram para um pico de 23,90 centavos por libra-peso no mês passado, o maior valor desde julho de 2012. (Reuters 24/11/2016)