Setor sucroenergético

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Salto no etanol

A chinesa Cofco Agri , gigante mundial do agronegócio, está semeando um grande projeto para a expansão da sua operação sucroalcooleira no Brasil.

A meta é duplicar sua capacidade de moagem no país em até cinco anos, chegando a 30 milhões de toneladas de cana por safra.

Nos planos, aquisições e a expansão das quatro usinas que herdou em São Paulo com a compra da Noble Agri. (Jornal Relatório Reservado 28/11/2016)

 

Carolo pretende quitar dívida trabalhista

A Usina Carolo, que está em recuperação judicial desde 2014, planeja quitar a dívida que tem com credores trabalhistas até o fim do ano com os recursos levantados no leilão de quatro fazendas. O pagamento dessas dívidas trabalhistas pela usina, que tem duas unidades, está um ano atrasado.

As propriedades, localizadas em Pontal (SP), foram vendidos em leilão por R$ 11,8 milhões, o que, segundo Eduardo Jacques Machado, diretor financeiro da companhia, vai ajudar a cobrir o pagamento da dívida com os trabalhadores, que soma R$ 12,8 milhões. Esse é o valor que a empresa calculou ao longo da última semana e que será apresentado à Justiça, conforme solicitado pela juíza responsável pelo caso, Aline de Oliveira Machado Bonesso Pereira de Carvalho, da 1ª Vara de Pontal.

A quitação da dívida trabalhista deveria ter ocorrido até outubro de 2015, um ano após a homologação do plano aprovado pelos credores. A companhia, porém, só conseguiu levantar os recursos depois do leilão das terras.

Até o momento, a Carolo pagou R$ 10,9 milhões aos credores trabalhistas. O valor ainda devido aos trabalhadores precisou ser atualizado, já que uma parte do crédito já havia sido pago e outros requisitaram habilitação de crédito.

O leilão das propriedades foi uma alternativa ante o fracasso da primeira tentativa de leilão de uma destilaria em Ibiá (MG), após a falta de compradores interessados. A Carolo ainda pretende vender a unidade para cumprir o previsto no plano.

Depois de quitar a dívida com os trabalhadores, a companhia começa agora a pagar o que deve aos credores com garantia real e àqueles sem garantia (quirografários), dois anos após a homologação do plano de recuperação.

A primeira parcela vence no fim deste mês, mas o valor ainda está sendo apurado, já que sobre ele incidem taxas e correções cambiais. Pelo plano aprovado, a dívida que a companhia tinha com credores com garantia real sofreu um desconto de 30%, enquanto os créditos devidos aos credores quirografários teve um deságio de 70%. Antes da aprovação do plano, a empresa tinha dívidas de R$ 835 milhões com seus credores. Além disso, a Carolo ainda tem dívida de R$ 329,9 milhões com a União. (Valor Econômico 25/11/2016)

 

Açúcar: Avanço em NY

O menor volume de negócios no pregão após o feriado de Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos fortaleceu os fundamentos de uma menor oferta mundial de açúcar no curto prazo na última sexta-feira.

Os papéis da commodity com vencimento em maio fecharam a 19,26 centavos de dólar a libra-peso na bolsa de Nova York, com alta de 18 pontos.

Os preços refletem ainda a perspectiva de um maior consumo nos EUA após a agência ambiental americana (EPA, na sigla em inglês) elevar a cota mínima de mistura de biocombustíveis avançados à gasolina para 969 milhões de galões (equivalente a 3,668 bilhões de litros).

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 95,05 a saca de 50 quilos, baixa de 0,28%. (Valor Econômico 28/11/2016)

 

Usina Caeté perto de acordo

A Usina Caeté, dona de quatro usinas e pertencente ao Grupo Carlos Lyra, está perto de fechar um acordo de reestruturação de suas dívidas com os bancos depois que o Santander ofereceu comprar R$ 150 milhões em contratos de recebíveis de exportação, segundo uma fonte a par do assunto. Dessa forma, o banco receberia diretamente o valor quando a usina realizar a exportação.

O acordo de reestruturação da dívida, porém, ainda não foi firmado. A reunião prevista para fechar o acordo, marcada para a semana passada, foi cancelada e adiada para esta semana. A demora se deve às características da dívida com os bancos, já que recebíveis de exportação envolvem garantias por parte do governo, afirmou a fonte.

Desde que a usina deixou de pagar o vencimento de debêntures, todos os pagamentos de dívida foram suspensas. Credores que possuem créditos de contratos de câmbio (ACC) já acertaram a prorrogação de prazos, segundo a fonte.

Calcula-se que a dívida da Caeté com os bancos seja de R$ 1 bilhão. Estão entre eles o banco de fomento CAF, o Credit Suisse, a gestora americana Amerra, o HSBC, o Banco do Brasil e o Bradesco, além do Santander. (Brasil Agro 28/11/2016)

 

ATR PR: novembro tem valorização de 1,24% no preço projetado

O Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado do Paraná (Consecana-PR) divulgou hoje (25) os dados referentes ao ATR para o mês de novembro da safra 2016/2017. De acordo com os números, o ATR projetado para este mês teve alta de 1,24%, passando de R$ 0,6090 em outubro para R$ 0,6166 em novembro.

O ATR acumulado registrou valorização de 0,92% em relação ao mês passado, cotado em R$ 0,6116 o quilo contra R$ 0,6060 de outubro. O ATR mensal também fechou em alta. Os contratos em novembro subiram 3,52%, firmados em R$ 0,6731 contra R$ 0,6502 do último mês.

Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo fecharam em R$ 67,33 a tonelada, alta de 1,24% ante os R$ 66,50 a tonelada no mês passado. Os preços da cana esteira também subiram. Ela foi negociada a R$ 75,21 a tonelada contra os R$ 74,28 do último mês, com alta de 1,25%. (UDOP 25/11/2016)

 

Açúcar: Hora de rever o Consecana

O mercado de açúcar em NY encerrou a semana encurtada pelo feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, com mais uma queda em relação à sexta-feira da semana passada. O vencimento março de 2017 fechou cotado a 19.86 centavos de dólar por libra-peso, uma queda de pouco mais de 6 dólares por tonelada na semana. Todos os demais meses de negociação na bolsa fecharam em quedas entre 5 e 7 dólares por tonelada.

Parece-me cada vez mais difícil que possamos ver os preços do açúcar nos altos níveis em reais por tonelada que vimos até o início de outubro, quando o mercado bateu R$ 1,761,89 (uma combinação de taxa de dólar a 3.2212 e açúcar em NY a 23.81 centavos de dólar por libra-peso). Com o fechamento desta sexta de 19.86 centavos de dólar por libra-peso e dólar negociado a 3.4140, temos R$ 1,557,56. Uma queda de 11.60%. A desvalorização do real em relação ao dólar sofre uma combinação das incertezas globais pela eleição de Donald Trump e do quadro político brasileiro com mais uma queda de ministro metido em acusações de favorecimentos. Petróleo despencando no mercado internacional também não favorece a arbitragem do etanol com açúcar, ou seja, independentemente do tamanho da safra no próximo ano, mais açúcar será produzido.

O consumo de combustíveis no Brasil, nos últimos doze meses, segundo números divulgados pela ANP foi de 57.66 bilhões de litros, uma queda de 1.4 bilhões de litros. Por gasolina equivalente a queda é de 1.48% no mesmo período e estamos projetando que o ano feche com queda de 1.58%.

O setor necessita urgentemente promover uma ampla discussão a respeito da eficiência do Consecana. Não há dúvida que o modelo teve incontestável sucesso desde a sua criação. No entanto, modelos não são perfeitos e precisam ser ajustados e melhorados para se adequarem à realidade de um mercado e um mundo em constante mudança. Por muito tempo, o Consecana pareceu refletir os anseios do setor e definir de maneira justa a remuneração dos fornecedores de cana. Serviu sob determinadas condições de mercado, mas é incontestável que hoje o modelo prejudica igualmente as usinas e os próprios fornecedores de cana quando essas condições mudam, que é o caso atual em que o mundo açucareiro passou de um superávit para um déficit mundial.

É preciso analisar com a devida profundidade as restrições que o atual modelo apresenta em mercados invertidos, aqueles cujos preços dos meses com vencimento mais curto negociados no mercado futuro são mais altos do que os meses com vencimentos mais longos. Que é o caso agora.

Querem um exemplo? Há algumas semanas o contrato futuro de açúcar com vencimento maio/2017 na bolsa de NY, primeiro mês de fixação de preço para os açúcares da safra 2017/2018, negociava a 23.00 centavos de dólar por libra-peso. A política de risco da maioria das usinas recomenda fortemente que o percentual correspondente à produção de açúcar oriundo de cana de terceiros não seja fixado. O argumento é que ao fixar o preço do açúcar no mercado futuro da parcela correspondente à produção de açúcar de cana de terceiros, a usina corre o risco de ver o mercado continuar em ascensão e o custo ajustado da cana que terá que pagar ao fornecedor afetar a rentabilidade do produto final (açúcar). Dessa forma, seguindo essa orientação, a usina assistiu ao contrato de maio/2017 negociar a 23.00 centavos de dólar por libra-peso sem fixar nada da parcela correspondente à cana de fornecedor. Tornou-se quase um axioma dentro das usinas esse procedimento. Não há matemática que consiga justificar que perder 400 pontos –ou 90 dólares por tonelada!!! - (o maio está 19.10 centavos de dólar por libra-peso) não faz diferença nem para a usina nem para o fornecedor de cana. Ambos perderam.

A lógica de não fixar cana de terceiros funciona no mercado em custo e carrego (aquele em que os preços futuros com vencimento mais longo são mais altos do que os preços com vencimentos mais curtos), comuns em situações de excesso de oferta. No entanto, usar esse mesmo critério num mercado invertido é jogar pela janela uma eventual oportunidade de remuneração mais vantajosa que os meses com vencimento mais curto proporcionam num mercado invertido. Eu não consigo entender essa lógica.

Como resolver essa questão para que todos saiam ganhando é o desafio maior que nos dá certeza de que um amplo debate precisa ser feito. Talvez um contrato futuro de ATR na BM&F Bovespa? Ou um modelo mais justo que não iniba a usina de ganhar dinheiro quando o mercado futuro sobe apenas por conta de ter cana de terceiros. Temos que ter a humildade de reconhecer que precisamos aperfeiçoar os instrumentos de apreçamento da cana para que o setor, como um todo, possa tirar proveito de situações raras como a que estamos vivendo, com o açúcar negociando numa margem muito acima do que vimos nos anos recentes (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)