Setor sucroenergético

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Safra 16/17

A moagem de cana voltou a recuar na primeira quinzena de novembro no Centro-Sul do Brasil, mas a produção de açúcar registrou crescimento, na medida que as usinas elevaram o direcionamento da matéria-prima para a produção do adoçante.

Foram processadas 21,7 milhões de toneladas de cana, 15,3% de queda na comparação anual. A produção de açúcar, porém, cresceu 13,6%, para 1,3 milhão de toneladas.

Já a produção de etanol hidratado recuou 28,3%, para 462 milhões de litros, e a de etanol anidro cedeu 17,2%, para 458 milhões de litros, de acordo com a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica). (Valor Econômico 30/11/2016)

 

CTC prevê aprovação de variedade transgênica de cana no 1º semestre

O CEO do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Gustavo Leite, previu que na primeira metade do ano que vem a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio) poderá liberar comercialmente a primeira variedade de cana-de-açúcar transgênica.

"Entregamos o dossiê para a primeira variedade de cana geneticamente modificada à CTNBIO no fim do ano passado e a qualquer momento pode vir a aprovação. Imaginamos que entre março e junho, na primeira metade do ano que vem", estimou Leite em conversa com o Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, ao final do 25th ISO International Seminar, organizado pela Organização Internacional do Açúcar (OIA) em Londres.

A CNTBio é o órgão que aprova todos os passos da pesquisa e a liberação para a comercialização. As primeiras variedades geneticamente modificadas vão trazer como característica, de acordo com o CEO, a resistência à broca. Além da cana geneticamente modificada, o CTC também desenvolve pesquisas, em parcerias, para desenvolver o plantio em regiões de seca, maior capacidade de fotossíntese e variedade de uma cana com 10% a 15% a mais de teor de açúcar.

A instituição desenvolve tecnologias para o setor sucroenergético e, desde 2012, passou a ter um enfoque em algumas tecnologias que não estivessem em desenvolvimento no resto do mundo, como melhoramento genético, biotecnologia agrícola, sementes artificiais e o etanol celulósico (Agência Estado, 29/11/2016)

 

Preço do etanol hidratado segue em queda Etanol

O etanol hidratado vem se desvalorizando há cinco semanas no mercado paulista, acumulando queda de 3,8%, de acordo com o Indicador semanal CEPEA/ESALQ, apesar da produção 8% menor nesta safra (2016/17).

Um dos motivos é a demanda retraída pelo combustível, que tem perdido competitividade frente à gasolina na bomba. Nas últimas cinco semanas, a relação entre os dois combustíveis passou de 72,9% para 76,4% nos postos de SP.

Com isso, números da ANP indicam menor consumo do biocombustível no Brasil, inclusive no estado de SP. No segmento produtor, na última semana, o preço do etanol hidratado recuou 2,1%, com o Indicador CEPEA/ESALQ fechando a R$ 1,8339/litro.

Segundo pesquisadores do Cepea, a pressão maior veio do lado da oferta, com usinas precisando gerar receita para despesas de final de safra e até mesmo com o pagamento do 13º salário. Além disso, a procura de distribuidoras seguiu pequena, dada a sequência de baixas nas cotações.

No balanço, o volume negociado permaneceu baixo, praticamente o mesmo registrado na semana anterior. (Cepea 29/11/2016)

 

Sucden prevê superávit de oferta de açúcar em 2017/18

A trading francesa Sucden estima que o mercado internacional de açúcar voltará a ter uma situação de produção superior ao consumo na safra 2017/18, que começará em outubro do próximo ano, após dois ciclos de déficit.

A projeção converge com a recente sinalização da Organização Internacional do Açúcar (OIA), de que o déficit de oferta de açúcar da safra atual seria "zerado" na próxima temporada. Até o momento, porém, esse cenário tem sido visto com ceticismo por executivos do setor.

Em apresentação feita ontem em um seminário da OIA, em Londres, a trading estimou que o superávit de oferta deverá ser de 2,1 milhões de toneladas de açúcar na próxima safra, revertendo o déficit de 4,5 milhões de toneladas calculados para a temporada atual.

Duas semanas atrás, a OIA calculou que o déficit de oferta da safra atual seria de 6,2 milhões de toneladas, e que a relação seria mais "balanceada" em 2017/18, caso o clima se mantivesse em condições normais pelos próximos 21 meses.

O principal motivo para essa expectativa de virada é a Índia, afirmou Eduardo Sia, trader da Sucden no Brasil, ao Valor. A estimativa da trading é que a produção no país volte aos níveis anteriores ao El Niño, alcançando 29,1 milhões de toneladas de açúcar em 2017/18.

"Na safra 2014/15 a produção [na Índia] foi semelhante. Depois houve problemas climáticos sucessivos, e de uma produção de 28,3 milhões de toneladas passaram para 25 milhões de toneladas na safra 2015/16, e a safra 2016/17 deve ficar em 22,8 milhões de toneladas", afirmou Sia.

Também há otimismo com a produção de açúcar da Europa como reação à valorização da commodity nos últimos 12 meses. A projeção é que saia de um patamar de 15 milhões de toneladas na safra atual para 17 milhões de toneladas no ciclo seguinte, volume que os europeus já conseguiram produzir no passado, segundo o trader. O impacto do fim das cotas de produção e exportação de açúcar na União Européia (UE) não foi avaliado nesse cálculo.

As projeções da Sucden foram feitas desconsiderando eventuais impactos de fortes adversidades climáticas. Eduardo Sia ressaltou que também há elementos macroeconômicos que podem interferir nessas projeções, como a política chinesa para as cotas de importação e a retirada de moedas em circulação na Índia.

A perspectiva de um superávit, porém, é descartada por executivos de usinas no Brasil. Rui Chammas, diretor presidente da Biosev, disse em evento ocorrido ontem que não vê expansão de capacidade ocorrendo no Brasil no curto prazo. Luis Roberto Pogetti, presidente do Conselho de Administração da Copersucar, avaliou que não deve haver movimento nesse sentido nos próximos cinco anos. Para Helder Gosling, diretor comercial e de logística do Grupo São Martinho, ainda é cedo prever uma correlação entre oferta e demanda para a safra 2017/18. (Valor Econômico 30/11/2016)

 

Biotecnologia conquista novos nichos de mercado

Empresas de biotecnologia vão encerrar o ano com conquistas em novos nichos de mercado. Com menos de um ano de operação, a Tismoo, que pesquisa transtornos neurológicos de origem genética como o autismo, teve um estudo publicado na "Nature", a revista científica mais respeitada do mundo, e está abrindo uma filial nos Estados Unidos. A Bug, de controle biológico, desenvolveu um método que usa vespas para combater pragas nas lavouras e deve duplicar a produção em 2017. Já a R3, que produz um composto que elimina as larvas do mosquito Aedes aegypti, foi uma das vencedoras do concurso Acelera Startup, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na Tismoo, a ideia é recriar em laboratório as etapas do desenvolvimento neural a partir das células dos pacientes. "Investigamos como uma mutação causa um quadro clínico e buscamos formas para reverter esse processo", explica o diretor de estratégia Gian Franco Rocchiccioli. Para ele, a grande vantagem da iniciativa é abrir possibilidades para o teste de drogas, sem a necessidade de usar pessoas como cobaias. Somente com as células é possível analisar tipos de medicamentos para definir um tratamento mais adequado, diz.

A empresa surgiu por iniciativa de um grupo de cientistas e médicos brasileiros. Fazem parte da equipe um biólogo molecular, um neurologista pediátrico e um cientista da computação com especialização em genética. Além da medicina de precisão genômica, o objetivo do grupo é usar tecnologias baseadas em big data. O recurso vai fornecer subsídios para que os especialistas tomem as melhores decisões para os pacientes.

Até agora, o negócio recebeu cerca de R$ 3 milhões de investimentos dos fundadores e laçou clientes no Brasil, Paraguai e Portugal. Para ajudar a divulgar ainda mais seus serviços fora do país, pesquisa sobre o vírus da zika ganhou espaço na revista "Nature". Segundo a publicação, a startup brasileira ajudou a demonstrar a relação do vírus com a má formação do córtex em bebês infectados.

Para 2016, a previsão de faturamento é de R$ 1 milhão. No próximo ano, deve aplicar R$ 2 milhões em pessoal e pesquisa, além de uma filial americana. "Queremos viabilizar um estudo sobre as características da genética brasileira do autismo, com uma amostragem de mil genomas.

Na Bug, sediada em Piracicaba (SP), o interesse é ganhar mais clientes no setor de agricultura. A companhia desenvolveu um método para multiplicar um tipo de vespa, que mede menos de um milímetro e ataca pragas agrícolas. O sócio Alexandre de Sene Pinto afirma que a produção atual é capaz de cobrir cinco mil hectares ao dia. "A idéia é dobrar essa capacidade para a safra 2017-2018", diz o engenheiro agrônomo, especializado em entomologia (ramo da zoologia que estuda os insetos).

A partir de 2005, a Bug ganhou a atenção do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A ação apóia a execução de pesquisas científicas e tecnológicas. Hoje, a companhia atende mais de 110 usinas de cana-de-açúcar e cresce 30% ao ano. Em 2016, investiu R$ 3,5 milhões em infraestrutura e no aumento do portfólio, com a chegada de uma vespa que controla ovos de percevejos. No próximo ano, pretende trabalhar com insetos que acabam com pragas em plantações de soja e milho. "O nosso maior desafio é quebrar a cultura do uso de inseticidas pelo agricultor brasileiro."

Rodrigo Perez, diretor da BR3, afirma que estar em uma incubadora e realizar atividades de qualificação foram determinantes para colocar a companhia numa trajetória ascendente. A empresa, associada à incubadora paulista Cietec, produz um inseticida biológico, em forma de comprimido, para ser colocado na água.

Desenvolvido a partir de pesquisas de cientistas ligados à Fiocruz, mata as larvas do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Custa R$ 2 por ponto tratado ao mês e é eficaz por 60 dias. A produção mensal é de 500 mil unidades. "Em dois anos, vamos multiplicar em dez vezes o volume produzido, com uma nova planta em Taubaté (SP)." A meta é fechar 2016 com R$ 5 milhões de faturamento. (Valor Econômico 30/11/2016)

 

Ainda há dúvidas sobre como funcionará reforma da UE sobre açúcar, diz Cid Caldas

O coordenador-geral de Cana-de-Açúcar e Agroenergia da Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Cid Caldas, avaliou nesta terça-feira, 29, que ainda há muitas dúvidas entre produtores e investidores a respeito do fim das cotas de produção de açúcar a partir de outubro do ano que vem na União Europeia (UE).

Ele conversou com o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, durante o 25º Seminário Internacional da Organização Internacional do Açúcar (OIA), o evento mais importante do mercado mundial de açúcar, que ocorre nestas terça e quarta-feira em Londres, organizado pela entidade e que tratou sobre o tema na primeira parte do dia.

A intenção da UE é limitar os riscos em um setor reestruturado na Europa e dominado mundialmente pelo Brasil, maior produtor e exportador global do produto. "Eu vi hoje aqui que ainda há dúvidas sobre como vai funcionar a reforma da União Europeia e qual o impacto disso para o mercado mundial", comentou o técnico do Ministério da Agricultura.

As dúvidas, de acordo com o relato de Caldas, são muito abrangentes. "Os europeus vão ter competitividade para entrar no mercado mundial e competir com a gente? Com os mercados em que eles são próximos? Essa é a grande dúvida. Vai ter a possibilidade de haver alguma exportação para cá? Sim ou não? Tudo isso é incógnita", enumerou.

Ele chegou a dizer que até mesmo a entrada em vigor do regime em outubro de 2017 ainda não é dada como algo totalmente certa. "O pessoal aqui pareceu preocupado. Será que vai entrar ou não?", questionou.

A Política Agrícola Comum (PAC) europeia, que se aplica a todos os países do bloco, estabelece atualmente uma cota de produção de açúcar de 13,5 milhões de toneladas anuais. Há expectativa de que, com isso, seja observado um aumento da produção local em torno de 20%.

O coordenador também disse que outra grande incerteza entre os presentes ao seminário hoje diz respeito à efetividade e à forma que o Reino Unido deixará o bloco europeu, o chamado Brexit. "Também não se sabe o impacto que o Brexit terá. Pelo que vi aqui, isso também é incógnita". (Agência Estado 29/11/2016)