Setor sucroenergético

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Produtores europeus podem mudar cenário com preços altos do açúcar

Em entrevista gravada ao jornalista Ronaldo Knack e que encerra as participações de líderes da cadeia produtiva canavieira na Série Especial do TV BrasilAgro, o ex-ministro da Agricultura e atual coordenador da FVGAgro, Roberto Rodrigues, adverte que os produtores europeus de açúcar podem mudar totalmente o cenário do mercado internacional.

“Os preços altos e a facilidade de se produzir açúcar a partir da beterraba, podem alavancar aumento da produção da UE em detrimento dos interesses dos produtores brasileiros que estão se capitalizando com o ciclo de preços altos”, afirmou Rodrigues.

Na mesma entrevista, gravada na última sexta-feira em São Paulo, Roberto Rodrigues defende mudanças no Consecana. “O sistema precisa ser revisto e modernizado para que possa atender plenamente as demandas dos fornecedores de cana e dos usineiros”, disse.

MAPA

Roberto Rodrigues também revelou que o ‘excesso de ideologização’ em determinados ministérios durante o primeiro mandato do então presidente Lula, contribuíram para que ele renunciasse ao cargo de ministro da Agricultura.

“Fiquei preocupado em decepcionar meus amigos com a renúncia” afirma, “mas, para grata surpresa minha, tive apoio incondicional de todos”, lembrando algumas das dificuldades com as quais conviveu no ministério, como a brutal quebra de safras por problemas climáticos e o recrudescimento da febre aftosa. (Brasil Agro 05/12/2016)

 

Setor sucroenergético: ‘Ao que tudo indica, paramos de piorar’

Presidente de entidade diz que melhorou interlocução do governo com o setor e celebra programa de incentivo ao etanol.

O presidente do CEISE Br, Paulo Roberto Gallo, fez uma exposição sobre o atual cenário do setor sucroenergético e as perspectivas para 2017, destacando os bons preços do açúcar, com previsão de que continuem remuneratórios pelo menos até 2019, além também da melhora do mercado de etanol.

Segundo ele, observa-se na indústria de base certa recuperação de sua atividade, ainda que longe do ideal, direcionada mais aos serviços de manutenção de entressafra. “A partir do próximo ano, o setor vai poder dar uma respirada. Ao que tudo indica, paramos de piorar”, destacou.
A perspectiva foi anunciada na sexta-feira, 2, do Seminário Industrial do Grupo de Estudos em Gestão Industrial do Setor Sucroalcooleiro (GEGIS), no Centro Empresarial Zanini, em Sertãozinho.

De acordo com Gallo, o setor tem uma boa impressão com relação à interlocução do governo federal com as usinas sucroenergéticas. “Tanto é que estão lançando o Programa Renova Bio 2030, que pretende dobrar a produção brasileira de etanol, aumentando 20 bilhões de litros por safra, até 2030”, disse. (Revide 02/12/2016)

 

Açúcar: Receio com demanda

As preocupações com a demanda por açúcar na China e na Índia pressionaram a cotação da commodity na sexta-feira na bolsa de Nova York.

Em Nova York, os papéis mais negociados, com vencimento em março, fecharam a 19,12 centavos de dólar a libra-peso, com redução de 24 pontos.

De acordo com Jack Scoville, do Price Futures Group, a China tem reduzido consideravelmente as importações e a Índia declarou que não acredita que precisará importar este ano, mesmo depois de duas safras consecutivas ruins.

Além da demanda, o dólar tem se valorizado ante as principais divisas, o pressiona commodities como o açúcar. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 94,33 a saca de 50 quilos na sexta-feira, baixa de 0,43%. (Valor Econômico 05/12/2016)

 

Produção de açúcar da UE deve crescer 10% na safra 2017/18, diz S&P

A produção de açúcar da União Europeia (UE) deve aumentar em 10% na safra 2017/18, com o fim das cotas de produção no bloco, disse a consultoria S&P Global Platts nesta sexta-feira, 2. A UE deve produzir 18,3 milhões de toneladas de açúcar entre setembro de 2017 e outubro de 2018, cerca de 1,7 milhão de toneladas a mais do que a estimativa para o ciclo atual, segundo a consultoria.

A partir de outubro de 2017, a UE vai eliminar as cotas de produção e a política de preço mínimo pago aos produtores de beterraba, principal matéria-prima usada na fabricação de açúcar na região.

Segundo a consultoria, França e Reino Unido devem ser responsáveis por 70% do aumento total da produção na primeira temporada após o fim das cotas. "Alemanha, Itália, Holanda e Espanha também deverão aumentar a produção em um total de 350 mil toneladas", acrescentou a S&P Global Platts.

Mesmo com a expectativa de produção maior e consumo estável em 2017/18, os estoques reduzidos no início do ciclo devem fazer com que as importações ainda superem as exportações. As importações devem alcançar 3 milhões de toneladas na safra 2017/18, enquanto as exportações devem aumentar em 1 milhão de toneladas, para 2,4 milhões de toneladas. (Down Jones 05/12/2016)

 

Etanol sobe em 16 Estados e no DF, cai em 8 e fica estável no AP e em TO

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros subiram em 16 Estados e no Distrito Federal, caíram em outros oito e não se alteraram no Amapá e Tocantins nesta semana. No período de um mês, acumulam alta em 21 Estados e no Distrito Federal e queda em outros cinco. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Em São Paulo, principal Estado produtor e consumidor, a cotação caiu 0,45% na semana, para R$ 2,674 o litro, e no período de um mês acumula alta de 1,98%. Na semana, o maior avanço das cotações foi registrado no Acre (3,23%), enquanto o maior recuo ocorreu em Goiás (-1,64%). A maior alta mensal, de 8,17%, foi no Distrito Federal e a maior queda foi em Goiás (-2,93%).

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 2,279 o litro, em São Paulo, e o máximo foi de R$ 4,379 o litro, no Rio Grande do Sul. Na média, o menor preço foi de R$ 2,673 o litro, em Mato Grosso e o maior preço médio foi verificado no Amapá, de R$ 3,75 o litro.

Os preços do etanol hidratado seguem sem competitividade ante os da gasolina em todo o País, pela quinta semana consecutiva, de acordo com dados da ANP. A relação é favorável ao biocombustível quando está abaixo de 70%. Em São Paulo, onde o etanol equivale a 76,58% do valor da gasolina, o produto ficou cotado, em média, a R$ 2,674 por litro. A gasolina, em R$ 3,492 por litro. (Agência Estado 02/12/2016)

 

Usinas da Índia elevam produção de açúcar no início da safra

As usinas de açúcar da Índia produziram 2,74 milhões de toneladas do adoçante entre 1º de outubro e 30 de novembro, alta de 17 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, com as unidades do Estado de Uttar Pradesh iniciando a moagem mais cedo, informou nesta sexta-feira um órgão da indústria.

No final de novembro, 365 usinas de açúcar no país tinham iniciado a moagem, ante 340 durante o mesmo período do ano passado, de acordo com a Indian Sugar Mills Association.

É provável que o país produza 23,4 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2016/17, queda de cerca de 7 por cento em relação à temporada anterior, com a seca atingindo o importante Estado de Maharashtra.

A Índia é o maior consumidor do mundo de açúcar, sendo também o segundo produtor da commodity após o Brasil. (Reuters 02/12/2016)

 

China sinalizou que quer verificar produção e exportação de açúcar, diz Unica

Surpreendendo o Brasil, a China sinalizou que pretende visitar o País para fazer uma verificação in loco da produção e exportação de açúcar em meio ao processo de abertura de salvaguarda, alegando um surto (disparada) de importações do produto pelo país. Além do Brasil, há também a intenção de visitas à Austrália.

"É uma coisa um pouco estranha essa verificação, não é uma coisa normal", considerou nesta sexta-feira, 2, o diretor executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão de Sousa. "Esse processo de salvaguarda também está complicado porque costuma ser feito em processos de antidumping. Estamos querendo entender um pouco melhor o que os chineses devem fazer", acrescentou durante a Conference on Advanced Biofuels and Bioeconomy, que ocorre na capital britânica.

A China é o maior importador do produto brasileiro e há o temor de que o país queira sobretaxar as compras domésticas. Atualmente, já há uma taxa de 50% sobre as importações que ultrapassem as cotas do país.

Na próxima semana, o Global Sugar Aliance, um grupo ligado à indústria do açúcar formado por representantes de países como Brasil, Austrália, Tailândia, África do Sul, Índia, Guatemala e Canadá, deve soltar uma nota sobre o assunto. O grupo esteve reunido nesta quinta-feira, 1, para conversas variadas sobre o setor, num encontro que ocorre todos os anos, mas o assunto que dominou as conversas, de acordo com Leão de Sousa, foi a abertura de salvaguarda chinesa.

"A associação mostra que está alinhada e deve divulgar uma nota como resultado da reunião, questionando essa salvaguarda na semana que vem", informou. Para o grupo, segundo o executivo, esse movimento chinês soa mais como uma questão política. A província que solicitou essa verificação, de acordo com ele, é uma das mais pobres da China. "Pode ser um gesto para essa província", deduziram os participantes do grupo internacional, que deve voltar a se reunir no ano que vem, novamente em Londres.

Tailândia

O Brasil e a Austrália devem aguardar ainda um mês antes de abrir painel na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a Tailândia por causa do setor de açúcar, disse Leão de Sousa. "O prazo final deveria ser dezembro, mas entendemos que a gente deve esperar mais o mês de dezembro porque há sinais de que eles realmente estão fazendo alterações", disse o executivo durante a Conference on Advanced Biofuels and Bioeconomy.

Na quinta-feira, durante reunião anual do Global Sugar Aliance, um grupo ligado à indústria do açúcar formado por representantes de países como Brasil, Austrália, Tailândia, África do Sul, Índia, Guatemala e Canadá, foi realizada uma reunião "trilateral" sobre o tema. "Estamos questionando umas políticas que adotam (Tailândia), o sistema de cotas para consumo doméstico e exportação, com os preços domésticos acima dos do mercado internacional, e subsídios aos produtores de cana", enumerou o executivo.

Leão de Sousa lembrou que o Brasil e a Austrália já entraram com um processo formal na OMC e que houve duas reuniões de consulta, uma em Genebra e outra em Brasília. "O resultado é que eles conseguiram se conscientizar de que precisam mudar essa forma e propuseram para que nós segurássemos o painel", disse.

O representante da Unica salientou que os tailandeses já aprovaram a eliminação de subsídio aos produtores de cana e agora estão revendo o sistema de cotas e o preço mínimo de açúcar no mercado doméstico. "Estamos em negociação. Nosso governo está discutindo com o governo deles, em Genebra, a assinatura de um memorando de entendimento que reflita essas condições, um cronograma claro de alterações e, mais do que isso, que a gente entenda claramente o que e se eles vão colocar alguma coisa no lugar", disse.

Etanol

O Brasil não deve olhar apenas para a produção de etanol de segunda geração, mas também para o de primeira, feito a partir do caldo da cana, em sua estratégia de reduzir as emissões acordada durante a COP 21, disse Leão de Sousa.

"Queremos trazer mensagem neste evento que o Brasil deve olhar não necessariamente só o de segunda geração. Temos já o etanol tradicional, que é o de caldo de cana, considerado como avançado pelos Estados Unidos e pela União Europeia, que é capaz de reduzir em mais de 60% as emissões. Então, ele é um etanol de primeira geração, mas com desempenho semelhante ao de segunda geração. Temos que levar isso em consideração", argumentou.

Leão de Sousa salientou que o setor sucroalcooleiro é um dos que mais podem contribuir para a redução das metas, o Brasil tem de diminuir as emissões em 43% em relação a 2005. "Tem se dado muita ênfase à segunda geração, principalmente na Europa, mas temos que avaliar sob a ótica de redução de emissões, com base no resultado efetivo. Esse é o ponto que temos de levar em consideração", alegou.

No caso brasileiro, de acordo com o executivo, não existe etanol de segunda geração sem o de primeira, até porque são necessários o bagaço e a palha da cana para a produção do biocombustível celulósico. "Temos no Brasil a vantagem de que a nossa biomassa está do lado da indústria, então não temos custo com logística, que é superimportante nesse processo", considerou.(Agência Estado 02/12/2016)