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Aumento dos combustíveis já chegou às bombas

Consumidor já paga, em média R$ 0,10 a mais por litro de gasolina e R$ 0,15 pelo diesel; as duas últimas reduções de preço não chegaram aos postos

No mesmo dia em que a Petrobrás aumentou o preço da gasolina e do óleo diesel em 8,1% e 9,5%, respectivamente, na refinaria, o consumidor já pagou mais pelos combustíveis. Na terça-feira, 6, o litro da gasolina estava, em média, R$ 0,10 maior do que no dia anterior na cidade de São Paulo. No óleo diesel, o aumento médio foi de R$ 0,15, aponta um levantamento do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), confirmado pelo ‘Estado’, que consultou vários postos.

A expectativa do sindicato é que até sexta-feira todos os postos do Estado estejam com preços majorados porque, diante da escassez de capital de giro, os estoques no varejo são, no máximo, para três dias. A Petrobrás também anunciou que a partir desta quarta-feira, 7, o preço do GLP (gás liquefeito de petróleo) industrial terá aumento de 12,3%.

A rapidez com que ocorreu o repasse da alta de preço dos combustíveis na refinaria para o consumidor destoa do comportamento dos últimos tempos em relação à gasolina. Em meados de outubro e na primeira semana de novembro, a Petrobrás reduziu o preço da gasolina, mas a queda não chegou ao consumidor. Ao contrário, nesses períodos, houve um aumento na cotação média da gasolina, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP).

“As distribuidoras não repassaram na baixa e já repassaram na alta. Alguém ficou com o dinheiro”, afirma o presidente do Sincopetro, José Roberto Paiva Gouveia. O executivo observa que, por conta de os preços não terem caído na bomba, o consumidor achou que os donos de postos de gasolina embolsaram a diferença, já que a Petrobrás, na época do anúncio dos cortes, chegou a falar em quanto o preço poderia ser reduzido. Gouveia afirma que as distribuidoras aumentaram os preços, mesmo quando as cotações caíram na refinaria.

Denúncia

A animosidade criada entre os clientes e os postos por causa da conduta das distribuidoras fez o presidente do Sincopetro enviar denúncia, por duas vezes seguidas, em outubro e novembro, ao presidente da Petrobrás, Pedro Parente, relatando que as empresas não repassaram a redução de preços para os postos. Nas duas vezes, Gouveia diz que não teve resposta. Agora, ele se prepara para fazer a denúncia pela terceira vez. Vai relatar novamente que não houve corte de preços no passado recente e que agora o reajuste foi imediato.

Procurada, a BR Distribuidora informou por meio de nota que “como a lei brasileira garante liberdade de preços no mercado de combustíveis e derivados, as revisões feitas pela Petrobrás nas refinarias podem ou não se refletir no preço final ao consumidor. Isso dependerá de repasses feitos por outros integrantes da cadeia de petróleo, especialmente distribuidoras e postos de combustíveis”.

A Raízen, distribuidora licenciada da Shell no Brasil, informou, por meio de nota, “que seus preços variam quando ocorrem alterações nas diferentes parcelas que compõem o custo de seus produtos, o que ocorreu, inclusive, nas recentes reduções anunciadas pela Petrobrás”. A empresa diz que as cotações dos combustíveis são livres e as variações de custo na refinaria não são as únicas determinantes na precificação estabelecida na cadeia de comercialização. O Sindicom, que reúne as distribuidoras, informou, em nota, que desconhece a política de preço das associadas. (O Estado de São Paulo 06/12/2016)

 

Indústria de máquinas agrícolas acelera contratações

Enquanto o país vê a taxa média de emprego ser achatada pelo rolo compressor da baixa atividade econômica, a indústria de máquinas agrícolas pisa no acelerador e aumenta as contratações.

No mês passado, a indústria tinha em seus quadros 17,04 mil trabalhadores, 8,3% mais que em igual período do ano passado, conforme dados divulgados nesta terça-feira (6) pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

Esse aumento de emprego ocorre devido à aceleração da produção e das vendas de máquinas neste segundo semestre.

Após uma queda de 31% nas vendas de janeiro a junho, em relação a igual período de 2015, a comercialização de máquinas de julho a novembro supera em 20% a de igual período do ano passado.

O grande destaque deste ano fica para as vendas de colheitadeiras, que somam 3.740 unidades, 6,8% mais do que em igual período de 2015.

O setor agrícola se prepara para uma safra recorde, estimada em até 215 milhões de toneladas, conforme previsões da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
A venda de tratores ficou em 38,8 mil unidades neste ano, 9,3% menos do que em 2015. A queda ocorre principalmente nas máquinas de menor potência. A comercialização de tratores de até 80 cv caiu 18% no ano, enquanto a de 81 cv a 130 cv recuou 7,8%.

Já os tratores com potência superior a 130 cv tiveram um crescimento de 18% no ano.
Os dados mostram que, enquanto os pequenos produtores chegaram ao limite de crédito e do poder de compra, a chamada agricultura empresarial ainda tem fôlego para adquirir máquinas.

Mesmo com o crescimento das vendas neste segundo semestre, a atividade do setor ficará, neste ano, bem distante da de 2013, quando as vendas atingiram 83 mil unidades. (Folha de São Paulo 07/12/2016)

 

Petrobras reajusta em 12,3% gás em botijão para uso industrial e comercial

A Petrobras vai aplicar um reajuste médio de 12,3 por cento no preço do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) para uso industrial, comercial e a granel, em aumento válido a partir de quarta-feira, informou a petroleira nesta terça-feira.

Em comunicado, a empresa destacou que os preços de GLP destinado ao uso residencial, conhecido como gás de cozinha, comercializado em botijões de até 13 kg, não foram objeto de reajuste.

O último reajuste para o gás de botijão para uso industrial e comercial ocorreu em dezembro de 2015, lembrou o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), Sergio Bandeira de Mello.

Na ocasião, a empresa havia anunciado um reajuste médio de 3,8 por cento.

A Petrobras não informou na nota a motivação para a realização do reajuste de preços.

Bandeira de Mello afirmou, em entrevista à Reuters, por telefone, que o sindicato recebeu a notícia do reajuste nas embalagens acima de 13 kg com surpresa, já que esse produto já estava com preços superiores ao gás de cozinha.

"Causa espanto que um novo aumento ocorra sobre as embalagem acima de 13 quilos, que já estão 80 por cento mais caras que as embalagens de até 13 quilos, e agora vai ser (após o reajuste) 113 por cento mais caro, e 73 por cento mais caro do que o produto que a Petrobras importa", afirmou o presidente.

Cálculos do Sindigás, que não consideram a aplicação de impostos, apontou que atualmente o preço da tonelada da molécula do GLP envasado em embalagens de até 13 kg é de aproximadamente 1.008 reais, enquanto o preço médio de importação está em torno de 1.224 reais, incluindo as taxas de importação.

Em contrapartida, o preço da tonelada da molécula envasada em embalagens acima de 13 kg estava em cerca de 1.870 reais e passará para aproximadamente 2.113 reais após o ajuste anunciado.

Procurada, a Petrobras não comentou o assunto.

O aumento do preço do gás ocorre após a Petrobras ter anunciado na véspera alta na cotação do diesel de 9,5 por cento e de 8,1 por cento na gasolina. (Reuters 06/12/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Efeito Petrobras: A elevação de 8,5% no preço da gasolina e de 9,5% no preço do diesel nas refinarias da Petrobras divulgada na noite de segunda-feira deu sustentação aos contratos futuros do açúcar demerara na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 18,98 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 50 pontos. A gasolina mais cara tende a elevar a demanda por etanol, o que pode levar a uma redução no volume de cana destinado à produção de açúcar no país. Segundo a consultoria FCStone, a oferta mundial de açúcar em 2016/17 deve apresentar um déficit de 7,5 milhões de toneladas após uma produção de 178,08 milhões de toneladas. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 93,73 a saca de 50 quilos, alta de 0,04%.

Cacau: Entregas avançam: O avanço nas entregas de cacau em portos da Costa do Marfim, maior produtor mundial, endossou as previsões de superávit na oferta mundial da amêndoa em 2016/17. O país passou de um atraso de 17% nas entregas acumuladas no fim de novembro para um volume apenas 1% menor no início de dezembro. Na bolsa de Nova York, os papéis da commodity com vencimento em março fecharam ontem a US$ 2.358 a tonelada, recuo de US$ 9. Segundo estimativa do Citibank, a oferta mundial deve apresentar um excedente de até 220 mil toneladas na atual temporada após a melhora climática no oeste da África. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 134 a arroba, recuo de 0,74%, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Indefinição: Os fundamentos divergentes para o mercado de algodão continuam dando instabilidade às cotações da commodity na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março fecharam ontem a 71,33 centavos de dólar a librapeso, com avanço de 32 pontos. De um lado, o Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC, na sigla em inglês) aponta que o atraso nas entregas do produto em portos da Índia deve levar a um aumento de 29% nas exportações americanas. De outro, a China deve retomar seus leilões de estoques em março do ano que vem, pressionando o mercado. O país asiático é o maior importador mundial da pluma. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia foi de R$ 87,09 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Demanda firme: Novos sinais de demanda firme pela produção americana de soja deram fôlego às cotações da oleaginosa na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em março fecharam a 10,5775 o bushel, avanço de 4,5 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura do país (USDA), os exportadores americanos venderam ontem 198 mil toneladas de soja para a China, 276 mil toneladas para a Coreia e 378 mil toneladas para destinos desconhecidos ­ que o mercado acredita também ser a China. No acumulado do ano-safra, as exportações do país estão 18,76% acima do observado no mesmo período do ano passado. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão em Paranaguá ficou em R$ 80,39 a saca de 60 quilos, alta de 0,27%. (Valor Econômico 07/12/2016)