Setor sucroenergético

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Bayer lança aplicativo que identifica planta daninha no campo

A Bayer anunciou há pouco o lançamento de um aplicativo capaz de reconhecer plantas daninhas por meio de imagens tiradas com o celular. Com a ferramenta, os produtores brasileiros passam a ter a possibilidade de identificar essas pragas ainda nos estágios iniciais, quando o controle é mais fácil.
Chamado de “Weedscout”, o aplicativo possui mais de 30 mil imagens registradas e conta com um sistema de atualização colaborativa, ou seja, é alimentado com fotos tiradas pelos próprios usuários para aprimorar os seus algoritmos.
Ao identificar uma planta daninha, o produtor só precisa abrir o aplicativo e clicá-la. Os algoritmos fazem a identificação automática. Além disso, o produtor recebe informações sobre o defensivo agrícola mais adequado para combatê-la.
“A planta daninha é uma ameaça que pode prejudicar qualquer lavoura. Por isso, é imprescindível que a base de dados do aplicativo seja ampla, quanto mais imagens mais plantas serão identificadas e com maior precisão. É isso que aumentará a assertividade de identificação das espécies que já estão no WeedScout e a capacidade de reconhecer novas espécies”, diz André Felli, gerente de Desenvolvimento de Negócios de Digital Farming da Bayer.
O WeedScou faz parte de um projeto global da companhia alemã. Já é utilizado na Alemanha, sendo o Brasil o primeiro país da América Latina e segundo mercado a obter a ferramenta. Está disponível para os sistemas operacionais Android e iOS. (Valor Econômico 08/12/2016 às 17h: 01m)
 

Minoritário questiona Renuka do Brasil

No momento em que se prepara para leiloar uma de suas usinas para quitar parte de sua dívida de R$ 2,3 bilhões, a Renuka do Brasil, em recuperação judicial, passa por um conflito societário que vem se acirrando nos últimos dias.
A sócia minoritária Halpink reclama que a controladora, a indiana Shree Renuka Sugars, a está excluindo das decisões em torno do cumprimento do plano de recuperação judicial. Além disso, há um fogo cruzado a respeito do valor patrimonial da empresa, que pode levar a uma diluição da fatia da minoritária.
Pertencente ao grupo Equipav, que também atua em construção, saneamento, transporte e mineração, a Halpink tem 40% das ações da Renuka do Brasil e, dessa forma, tem direito a veto no conselho de administração, já que o acordo de acionistas determina que as decisões precisam ser aprovadas por 80% do capital social.
Desde 2012, os dois sócios passaram a ser credores da Renuka do Brasil, seguindo um acordo de reestruturação de dívida feito com bancos. Na época, a Shree Renuka Sugars emprestou R$ 150 milhões para a empresa e a Halpink emprestou R$ 30 milhões. O aporte dos sócios foi uma exigência dos bancos, que fizeram empréstimo equivalente, de R$ 180 milhões.
Essa dívida com os acionistas nunca foi paga, mas o plano de recuperação judicial, aprovado pelos credores em agosto e homologado pela Justiça em setembro, prevê que ambos podem converter esses créditos em participação acionária.
Se os dois sócios resolverem realizar essa conversão, isso implicaria obviamente um aumento de capital da companhia, mas também um aumento da participação do grupo indiano, já que, do valor emprestado pelos acionistas, a Shree Renuka Sugars detém mais de 80% dos créditos. Atualizada para valores correntes, esse aumento de capital, em caso de conversão dos créditos por ambos os acionistas, seria de R$ 250 milhões.
A questão é que, enquanto a Shree Renuka Sugars afirma que o patrimônio líquido da empresa é de R$ 80 milhões, conforme laudo da KPMG, a Halpink apresenta um laudo da Apsis com a avaliação de um patrimônio líquido de R$ 1,02 bilhão, segundo uma fonte a par do assunto. Ambos os pareceres já consideram a venda da Usina Madhu, que será leiloada no próximo dia 19.
Independentemente do laudo considerado correto, a Halpink estaria fadada a ver sua participação de 40% sobre o capital da companhia reduzido se ela e o grupo indiano decidirem converter seus créditos. Mas se o laudo de R$ 1,02 bilhão for válido, essa diluição seria muito menor.
Mesmo com direito de veto preservado em ambas as situações, a Halpink tem acusando a sócia majoritária de ignorar o acordo de acionistas nas decisões relativas ao cumprimento do plano de recuperação.
Nesta semana, porém, a minoritária sofreu um revés com a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo de dispensar o voto afirmativo da Halpink "sempre que sua postura se mostrar contrária ao cumprimento do plano", conforme decisão do juiz João de Oliveira Rodrigues Filho, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais.
A empresa recorreu, mas o tribunal avaliou, em decisão proferida na quarta-feira, que "o regime jurídico sobre o qual a recuperanda está inserida possui caráter especial, que se sobrepõe ao acordo de acionistas firmado".
Ainda assim, a Halpink acusa a controladora de não ter trocado a administração da Usina Madhu por uma gestão profissional. Conforme previsto no plano, a Renuka do Brasil deveria trocar seu presidente e seu diretor financeiro três meses após a assembleia de credores (ocorrida em 25 de agosto) ou três dias após a homologação (em 26 de setembro). Até o momento, houve apenas troca do presidente da empresa.
O cargo é ocupado desde outubro por Manoel Bertone. De acordo com o executivo, ele responde por toda a Renuka do Brasil, o que inclui a usina em questão. Bertone substituiu Vijendra Singh, da Shree Renuka Sugars. A companhia ainda estaria procurando um executivo para ocupar o cargo de diretor financeiro.
Trocando em miúdos
Se for considerado o laudo de avaliação patrimonial elaborado pela KPMG a pedido da sócia majoritária, a Shree Renuka Sugars, que calcula o patrimônio líquido da Renuka do Brasil em R$ 80 milhões, uma eventual conversão de créditos em participação acionária por parte dos dois sócios elevaria o patrimônio da sucroalcooleira para R$ 330 milhões.
Levando-se em conta que a Shree Renuka Sugars detém uma participação de 60% sobre o capital atual e de 83% sobre os créditos dos acionistas (de R$ 250 milhões), essa conversão faria com que ela passasse a deter uma participação de 78% sobre a Renuka do Brasil. Dessa forma, a Halpink veria sua participação cair de 40% para 22%.
No entanto, caso seja considerado o laudo apresentado pela sócia brasileira elaborado pela consultoria Apsis, que avalia o patrimônio líquido da Renuka do Brasil em R$ 1,02 bilhão, uma conversão dos créditos elevaria esse valor para R$ 1,27 bilhão.
Nessa situação, a participação do grupo indiano passaria a ser de 64%, enquanto a da Halpink ficaria em 36%. A Halpink já foi dona das duas usinas sucroalcooleiras hoje administradas pela Renuka do Brasil.
Em 2010, a brasileira vendeu o controle acionário das duas plantas para o grupo indiano em um negócio avaliado em R$ 600 milhões.
Na época, a Shree Renuka Sugars passou a deter pouco mais de 50% de participação.
Esse número subiu em 2012, quando a companhia brasileira vendeu mais uma fatia de sua participação à sócia indiana, ficando com quase 40% das ações. (Valor Econômico 09/12/2016)
 

Açúcar: Pressão especulativa

O desmonte das posições compradas que os fundos vinham carregando desde o início do ano voltou a pressionar os contratos do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York.
Os papéis com vencimento em maio fecharam a 18,96 centavos de dólar a libra-peso, com recuo de 16 pontos.
De 27 de setembro a 29 de novembro, os gestores de recursos reduziram em mais de 41% seu saldo líquido comprado nos papéis da commodity, segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês).
Um novo relatório deve ser divulgado hoje, relativo ao pregão da última terça-feira, quando os papéis registraram alta de 3,01%.
No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 93,03 a saca de 50 quilos, queda de 0,59%. (Valor Econômico 09/12/2016)
 

Fixação de açúcar para safra 2017/18 atinge recorde de 9,4 mi de toneladas

As usinas brasileiras fixaram até 30 de novembro os preços futuros de cerca de 9,4 milhões de toneladas de açúcar da safra 2017/18, que se inicia em abril do próximo ano. Segundo levantamento da Archer Consulting, o volume representa 35,6% da exportação estimada para o ciclo seguinte. Até outubro, eram 8 milhões de toneladas (30,6%). Em temporadas anteriores, o porcentual máximo de fixação acumulada até o mês de novembro foi de 31% em 2016/17.
O preço médio apurado foi de 17,34 centavos de dólar por libra-peso. Considerando-se os NDFs (contratos a termo de dólar com liquidação financeira), o valor médio ajustado de fixação é estimado em R$ 1.548,49 a tonelada, equivalente a 67,41 centavos de real por libra-peso.
"Como vimos recentemente, os preços altos na bolsa de Nova York (ICE Futures US) combinados com a curva ascendente do dólar incentivaram as usinas a anteciparem suas fixações. O porcentual seria maior não fosse a restrição de crédito por parte das tradings às usinas mais necessitadas", disse, em comunicado, o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa.
Ainda conforme as previsões da consultoria, o preço médio do açúcar na bolsa de Nova York deve alcançar 23,15 centavos de dólar por libra-peso em dezembro, 24,12 centavos de dólar em janeiro e 24,13 centavos de dólar no mês seguinte. (Agência Estado 09/12/2016)
 

Adama lança aplicativo voltado aos produtores de cana-de-açúcar no Brasil

O Adama Cana combina as condições de cada talhão e recomenda as melhores soluções para o tratamento de plantas daninhas
A Adama (leia-se Adamá) acaba de lançar um aplicativo voltado aos produtores de cana-de-açúcar, que auxilia a tomada de decisão para o controle de plantas daninhas que se desenvolvem na cultura. De acordo com as informações preenchidas pelo usuário, referentes às condições de cada talhão, a ferramenta gera a melhor recomendação de herbicidas para os problemas encontrados. O objetivo do Adama Cana é indicar ao agricultor o melhor produto e a melhor dose para cada tratamento, assim é possível otimizar recursos e salvar o histórico de produtos aplicados em todas as áreas. Combatendo de forma efetiva os problemas na plantação, o produtor aumenta a sanidade da lavoura, evita desperdícios que elevam o custo e, consequentemente, aumenta sua rentabilidade.
“As tecnologias digitais são grandes parceiras da agricultura. Nós investimos em soluções que proporcionem comodidade ao produtor como o Adama Cana e outros diversos serviços agrodigitais. Sabemos a dificuldade de manejo que os produtores de cana enfrentam quando se trata de plantas daninhas e resistência. Em situações mais complexas, o aplicativo pretende diminuir o tempo entre o surgimento do problema e sua eliminação, reduzindo os danos à produção”, afirma Roberson Marczak, gerente de Inovação da Adama Brasil.
O Adama Cana conta com um banco de dados único no segmento e que permite que o produtor selecione as variações que podem interferir em sua decisão como: tipo de cana, de solo, momento da aplicação e plantas infestantes. A partir dessas informações, o aplicativo sugere o tratamento mais adequado entre os disponíveis no mercado, que podem ser tanto do portfólio da Adama como de outras empresas. O sistema também armazena os dados para futuras consultas e pede a avaliação da recomendação fornecida para contínuo aprimoramento da ferramenta. A ferramenta será disponibilizada em tablets e oferecidos a clientes parceiros da marca.
Para chegar a este resultado, os especialistas da Adama consultaram diversas usinas e compreenderam suas necessidades individuais, procurando unir todas as informações em uma única ferramenta. “Cada cliente desejava algo mais personalizado, pois as necessidades variam e são justamente as variáveis que determinam a melhor decisão. Conseguir interligar as informações e as possíveis recomendações foi um desafio, mas conseguimos; nosso objetivo é sempre oferecer o melhor, facilitando o trabalho no campo”, disse Marczak. (Adama 08/12/2016)
 

Variedade de fertilizantes ofertados vai aumentar no mercado

Maior variedade de fertilizantes para aplicação em todos os tipos de solos e culturas é um dos benefícios que a Instrução Normativa 46, publicada quarta-feira (7), traz aos produtores. Maior número de produtos poderão ser registrados para comercialização, a partir de flexibilização de exigências que foi determinada . “Mesmo com a flexibilização de exigências, será mantida a segurança dos produtos, pois haverá maior controle nos processos de produção”, garante o coordenador do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas (DFIA), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Hideraldo Coelho.
Fabricantes e consumidores pediram a modernização das normas, iniciativa que faz parte do Plano Agro+. O plano visa, além da modernização, desburocratizar a atividade agropecuária. Atualmente, existem cerca de 70 mil formulações (produtos) no mercado, número que agora poderá até dobrar, prevê o coordenador. Outro ponto de destaque são os rótulos dos produtos, que deverão informar todos os componentes contidos na fórmula. Isso permitirá que o agricultor saiba exatamente o que está comprando, tornando a aquisição mais segura. Foi ampliada também a lista de aditivos autorizados na formulação.
A importação de matérias primas, cerca de 70% do total consumido pelas indústrias no processo de produção - também foi flexibilizada. No caso do potássio, por exemplo, era exigido teor de 58% do mineral. Agora será de 50%, o que atende a todos os solos e culturas, viabilizando ainda a exploração das minas existentes no Brasil. Segundo o coordenador, as empresas têm prazo de adaptação de 180 dias ás novas regras. (Mapa 08/12/2016)
 

Moagem de cana da Tereos no Brasil cresceu 1,5% na safra 2016/17

A companhia francesa Tereos, através da Guarani, encerrou a moagem de cana da safra 2016/17 em suas sete usinas no Brasil com um volume processado ligeiramente maior do que na última temporada, ficando aquém das expectativas iniciais.
Foram moídas 19,8 milhões de toneladas de cana, superando o ciclo passado em 1,5%. A projeção inicial era de uma moagem de 20,5 milhões de toneladas. Deste volume, 8,5 milhões de toneladas de cana foram produzidos em terrenos próprios e 11,3 milhões de toneladas foram entregues por fornecedores.
Como as demais usinas do setor nesta safra, a prioridade foi dada para a produção de açúcar, o que provocou um aumento na oferta da commodity em detrimento da destilação de etanol.
Foram produzidas 1,6 milhão de toneladas de açúcar, um crescimento de 10,8%. Já a produção de etanol sofreu um recuo de 5,6%, para 640 milhões de litros. A energia elétrica gerada e entregue ao sistema deverá atingir 1030 gigawatt­hora (GWh).
"Enceramos a safra 2016/17 com resultados positivos com um volume de cana processada superior ao do ano passado. Investimos forte em uma entressafra consistente, assim como na renovação dos canaviais e implantação de novas tecnologias para garantir o aumento de produtividade e estamos colhendo os resultados", afirmou Pierre Santoul, presidente da Guarani, em nota.

Na avaliação de Jacyr Costa, diretor região Brasil da Tereos, “o setor sucroenergético vive um momento bastante positivo diante ao mercado favorável de açúcar e com perspectivas propícias ao etanol face aos compromissos assumidos pelo Brasil na COP 21 em Paris ratificados junto à ONU”. (Valor Econômico 08/12/2016 às 18h: 29m)