Setor sucroenergético

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Sobrenome açúcar

Assim como a Südzucker, a também alemã e quase homônima Nordzucker está garimpando o mercado brasileiro.

Representantes do grupo já visitaram usinas sucroalcooleiras no interior de São Paulo. (Jornal Relatório Reservado 12/12/2016)

 

Abengoa: Dívidas

A Abengoa Bioenergia deverá apresentar até o dia 20 um novo plano de renegociação de sua dívida, de R$ 1 bilhão. Impacientes, alguns credores já estariam pedindo o arresto de equipamentos e estoques de cana. (Jornal Relatório Reservado 09/12/2016)

 

Lula e Dilma foram os autores da maior tragédia setorial do País

Os biocombustíveis foram uma das maiores vitrines do primeiro mandato do presidente Lula. A cada viagem internacional ele não se cansava de falar bem do etanol e do biodiesel e das vantagens sociais, econômicas e ambientais que eles representavam. A mudança se iniciou a partir da saída de Roberto Rodrigues do Ministério da Agricultura e ao surgimento das primeiras notícias do pré sal. 

Absurdos como os da utilização da mamona para a produção de biodiesel defendidas com unhas e dentes por Dilma Rousseff e um grupo de ‘ideólogos’ alinhados com um bando de ‘companheiros’ que tomaram de assalto a Petrobras e o sistema de energia do País, acabaram criando um desastre nunca antes visto num setor produtivo da economia brasileira.

Quando Dilma chegou à Presidência da República, enquanto a ‘companheirada’ se fartava e se lambuzava com os recursos desviados da Petrobras e do Sistema Eletrobras, criaram-se todas as condições para o que poderia ser denominada ‘tempestade perfeita’ para arrasar empresas, desativar postos de trabalho no campo e na indústria e, pior, desacelerar o crescimento e desenvolvimento de centenas de polos regionais espalhados ao lado de cada um das usinas canavieiras.

Dilma falava e repetia que não confiava em usineiros, ao mesmo tempo em que chegou a ser chamada de ‘patriota’ por um conhecido empresário do setor. O até então todo poderoso ‘comandante-en-jefe’ do setor de energia do país, afilhado e protegido de Dilma, Mauricio Tolmasquim, na condição de presidente da EPE – Empresa de Pesquisa Energética chegou a afirmar em evento oficial da Única que ‘a bioeletricidade não avança em nossa matriz energética porque os usineiros não cumprem o que vendem e prometem’.

A súbita riqueza dos petistas e representantes dos partidos aliados dos governos Lula & Dilma contrastava com a pobreza e desemprego imposto a centenas de milhares de trabalhadores que viram, de uma ora para outra, seus sonhos se esvaírem e impondo miséria e violência nos polos produtores de cana-de-açúcar.

O resultado desta política autofágica desnudou pretensos ideólogos, que aliados com os ‘representantes’ do povo, não passavam mesmo de farsantes covardes que se alinharam ao que tínhamos de mais espúrio e nojento. Contribuíram para esta situação o papel noscivo e criminoso patrocinado e desempenhado por ‘empresários’ que participaram ativamente do tsunami que tomou conta de empresas públicas e privadas.

A Lava Jato, a ‘República de Curitiba’, as manifestações de rua, o vergonhoso papel que vem sendo cumprido pelos nossos congressistas (Vide Renan Calheiros e Eduardo Cunha, dentre outros) e também governadores (Vide Rio de Janeiro) e centenas de prefeituras (Vide Ribeirão Preto) são resultado deste desvario que impactará as nossas próximas gerações. ( Redação Brasil Agro 12/12/2016)

 

Programa inclui ‘Proer’ para empresas da cadeia produtiva canavieira

Na entrevista concedida ao TV BrasilAgro, o secretário Márcio Félix Bezerra, de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis revela que um dos temas que estão sendo discutidos no âmbito dos ministérios envolvidos no RenovaBio 2030, é a criação de um programa de financiamento para as usinas e empresas do setor sucroenergético que encontram-se em dificuldades em razão da política predatória e nefasta para o setor determinada no início do 2º mandato do presidente Lula e agravada com a chegada de Dilma Rousseff à Presidência da República.

“Estamos discutindo alternativas com o Ministério da Fazenda e consideramos importante que o setor se capitalize e que novos investimentos possam ser feitos para cumprirmos as metas que serão estabelecidas até 2030. É preciso reverter o quadro desanimador e de pessimismo que reina no setor”, afirmou o secretário.

A sugestão de um ‘Proer’ para setor canavieiro já fora defendida pelo ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues enquanto presidente do Conselho Deliberativo da Única – União da Indústria da Cana-de-Açúcar. O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer) foi criado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso com o objetivo de socorrer os bancos através de fusões e incorporações com regras ditadas pelo Banco Central. (Redação Brasil Agro 12/12/2016)

 

Temer deve receber lideranças no setor sucroenergético no Planalto

Se nada mudar na agenda do presidente Michel Temer nesta próxima terça-feira, ele deverá receber no Palácio do Planalto no final da tarde as lideranças da cadeia produtiva sucroenergética que participarão do Workshop Etanol RenovaBio 2030 promovido pelo Ministério de Minas e Energia.

“Em princípio estas lideranças serão levadas pelo ministro Fernando Bezerra Coelho Filho até o presidente numa demonstração que estamos vivendo um novo e importante momento onde os biocombustíveis retomam papel no protagonismo brasileiro de produção e desenvolvimento de energias limpas e renováveis”, afirmou Márcio Félix Bezerra na entrevista concedida ao TV BrasilAgro. (Redação Brasil Agro 12/12/2016)

 

Divergências ainda impedem mudança na lei das cultivares

Desde que decidiu mudar a lei que protege as cultivares desenvolvidas para a agricultura no Brasil, com o intuito de obrigar os agricultores a pagarem royalties sobre as sementes plantadas para uso próprio, as sementes salvas, o Congresso Nacional alimenta uma disputa que parece não ter fim.

No agronegócio, até há consenso de que a lei, em vigor desde 1997, precisa ser revista para remunerar melhor as empresas de genética (obtentores) e estimular pesquisas em culturas carentes de inovação há anos. Mas o teor dessa revisão esbarra nas crescentes resistências vindas das mais diferentes frentes.

Quase dois anos já se passaram desde que o projeto de lei 827/2015 começou a tramitar na Câmara, com o objetivo de conciliar os interesses dos obtentores, sementeiros (multiplicadores) e produtores. Mas até hoje nenhuma das partes chegou a um consenso sobre a melhor forma de remunerar quem desenvolve pesquisas com germoplasma de sementes protegidas. O projeto versa sobre sementes convencionais, já que as transgênicas obedecem a outra lei.

De um lado estão produtores de culturas como soja, algodão, e trigo. Eles aceitam pagar às obtentoras de tecnologia, desde que participem da definição dos royalties e da forma de recolhimento e aplicação dos recursos arrecadados.

A Aprosoja Brasil, que representa produtores de grãos, admite que os agricultores paguem pela semente salva o mesmo valor cobrado pela semente adquirida (R$ 15 o saco de 40 quilos). Mas defende que parte do valor arrecado seja destinado a pesquisas, por exemplo. A Abrapa, entidade de cotonicultores, vai na mesma linha e sustenta que, assim, pesquisas com algodão não-transgênico, cujas variedades são mais produtivas, poderiam ganhar força.

Do outro lado da corda está quase todo o resto da cadeia produtiva. Desde obtentores, que não abrem mão de receber 100% dos royalties e defendem sanções penais mais duras contra sementes piratas, até grandes confederações de classe, que não querem a cobrança sobre as sementes salvas por temem o encarecimento geral do insumo.

A lei de proteção de cultivares funciona no país como uma espécie de lei de patentes exclusiva para vegetais. Define que, no período de proteção de uma semente ou muda, hoje de 15 anos, apenas a empresa que lançou uma cultivar pode comercializá­la, desde que a registre no Ministério da Agricultura, nos 19 anos em que a lei está em vigor, 3.081 variedades foram protegidas.

Mas, nas sementes salvas muitas vezes por várias safras, exceto no caso da cana-de-açúcar, não incidem os royalties pela tecnologia empregada na variedade em questão. Diante das divergências, o relator da proposta na comissão especial Congresso, deputado Nilson Leitão (PSDB­MT), tentou levar seu parecer à votação pelo menos duas vezes desde junho, sem sucesso, e na semana que vem fará outra tentativa.

Na última ofensiva para tentar encaminhar o tema, Leitão se reuniu recentemente com todas as partes envolvidas e passou a cogitar acatar pleitos específicos de cada uma delas. Mas o impasse permanece.

O epicentro da discórdia no relatório de Leitão é a parte que trata de uma proposta dele próprio: a criação de "Grupos Gestores de Cultivares", que teriam a missão de fazer a gestão dos royalties sobre as sementes salvas. Esses grupos seriam nacionais, divididos por cultura e compostos por uma entidade dos obtentores, uma dos produtores e outra dos sementeiros.

Pela proposta, cada grupo se encontraria uma vez por ano e teria autonomia para estipular qual o valor dos royalties a ser cobrado sobre cada cultura, a forma de destinação e se os royalties seriam cobrados no plantio ou na colheita.

A Braspov, que representa 26 obtentoras de tecnologia vegetal, entre elas a multinacional americana Monsanto e a estatal brasileira Embrapa, defende royalties sobre sementes salvas somente para propriedades maiores, acima de 4 mil módulos fiscais, enquanto o relatório de Leitão só exclui da lista fazendas com menos de 150 hectares.

Ivo Carrara, presidente da Braspov, reclama que o projeto começou a tramitar "na calada da noite" e que as obtentoras foram pouco ouvidas. Ele argumenta que a lei atual é muito permissiva com a semente salva, e que muitos produtores se aproveitam disso para viver na ilegalidade.

Já Francisco Soares, diretor-presidente da TMG, obtentora de capital nacional que disputa mercado com as multinacionais, defende a cobrança de royalties sobre semente salva sob o risco de empresas de pesquisa menores como a dele serem "engolidas" pelas grandes múltis no futuro. "Se nada mudar, a tendência é que a TMG seja vendida para uma grande", diz.

Reginaldo Minaré, consultor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), critica o "excesso de poder" nos grupos de cultivares. E diz que até hoje também não se sabe se o produtor que salva sementes precisará comunicar diretamente o fato ao obtentor ou se recolherá royalties quando entregar seu produto a uma trading.

Por sua vez, a OCB, confederação que representa as cooperativas, é totalmente contra o projeto e teme que haja ônus tributário sobre o recolhimento de royalties.

"Se as pesquisas na agricultura caíram no país e 35% dos produtores brasileiros não pagam royalties sobre semente salva, porque não cobrar? Não estou a serviço de nenhuma multinacional e farei questão de manter o projeto", afirmou Leitão ao Valor. Segundo ele, o que vem travando o projeto, no entanto, são "conflitos de entidades" que reivindicam poder nos grupos.

Um exemplo que ganha força na área de proteção de cultivares é o da cana. Para William Lee Bumquist, diretor de Melhoramento Genético do Centro de Tecnologia da Cana (CTC), sem a exceção para a cultura dada na atual lei não haveria tanta pesquisa em desenvolvimento de cultivares, por órgãos e instituições públicas e privadas.

Bumquist defende que a regra se mantenha para a cana, mas que o período de proteção para a cultura seja ampliado de 15 para 25 anos, como acatado pelo relator do PL não só para a cana, mas também para frutas, setor florestal, plantas ornamentais. Para as demais culturas, Leitão ampliou o prazo de proteção dos atuais 15 para 20 anos. (Valor Econômico 12/12/2016)

 

Etanol volta a aumentar nos postos de boa parte do país

Os preços do etanol hidratado (usado diretamente no tanque dos veículos) subiram nos postos de combustíveis da maior parte do país na semana passado, dando sequência à elevação que vem ocorrendo há mais de um mês.

Conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entre os dias 4 e 10 de dezembro o etanol subiu em relação à semana anterior em 16 Estados e no Distrito Federal; em nove Estados houve queda, e em um, estabilidade.

O biocombustível só não perdeu mais competitividade em relação à gasolina na semana passada porque os preços do combustível fóssil registraram alta nos postos de 22 unidades federativas e queda apenas em cinco.

Embora o etanol não esteja abaixo de 70% do valor da gasolina em nenhum Estado, a desvantagem competitiva do biocombustível diminuiu em 12 Estados e permaneceu estável em outros 13.

Em alguns Estados, o preço da gasolina subiu mais que o do etanol. Foi o caso de São Paulo, onde o preço médio subiu 0,49%, para R$ 2,687 o litro, enquanto a gasolina subiu 1,37%, para R$ 3,54 o litro.

Porém, o etanol subiu tanto nos períodos em que a Petrobras reduziu o preço da gasolina nas refinarias como na semana passada, quando o preço foi elevado. As usinas tem antecipado o fim da moagem da atual safra de cana, que foi menos alcooleira que a anterior. (Valor Econômico 12/12/2016)

 

Moagem de cana no Centro-Sul deve diminuir para 600 mil t em 2017/18, diz Safras & Mercado

A produção de cana-de-açúcar da região Centro-Sul e do Brasil devem diminuir em 2017/18. É o que aponta a primeira sondagem de SAFRAS & Mercado.

Para o Centro-Sul, a expectativa é de uma safra de 600 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, representando uma queda de 4,00% sobre os números da safra anterior, que teve uma produção de 625 milhões de toneladas.

Enquanto isso, a projeção para a produção nacional total de cana-de-açúcar de SAFRAS & Mercado é de 650 milhões de toneladas, recuo de 4,48%.

A produção de açúcar do Centro-Sul deve diminui para 36 milhões de toneladas em 2017/18, ou -1,4%, contra as 36,5 milhões de toneladas indicadas para 2016/17.

Em termos nacionais, a produção total de açúcar está estimada pela SAFRAS & Mercado em 39,00 milhões de toneladas, contra 40,3 milhões de toneladas no ano anterior, uma queda esperada de 3,23%.

Já a produção total de etanol da região Centro-Sul deve crescer, passando de 30,00 bilhões de litros para 31 bilhões de litros (+3,33%).

SAFRAS & Mercado estima também a produção nacional de etanol total (hidratado mais anidro) em 34,00 bilhões de litros, número que, se confirmado, apresentará elevação de 5,95% sobre os 32,09 bilhões de litros projetados para 2016/17.

Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Maurício Muruci, o mix das usinas deve ser mais “alcooleiro” no início da temporada de moagem, diante da necessidade de fluxo de caixa imediato para o pagamento de custos operacionais das unidades produtoras.

“Porém, com o decorrer da temporada, a necessidade de cumprimento dos contratos de exportação de açúcar já firmados em 2016 fará com que o mix passe a se equilibrar”, aponta Muruci.

Segundo ele, a queda nos referenciais internacionais do açúcar no último trimestre de 2016 tende a ser compensada pela desvalorização do real frente ao dólar.

Para 2017, a expectativa da SAFRAS & Mercado é que as exportações brasileiras totalizem 31 milhões de toneladas, crescendo quase 11% contra as 28 milhões de toneladas projetadas para o ano ainda em curso. (Safras & Mercado 09/12/2016)

 

Chuvas afetam plantações de cana-de-açúcar no interior do estado de São Paulo

As lavouras de cana-de-açúcar de algumas cidades do interior de São Paulo estão sofrendo com os resultados do excesso de chuvas dos últimos meses. Desde o fim do ano passado, a região passou por um período com muitas precipitações, inclusive durante o ciclo de estiagem. 

Cidades como Avaré, Lençóis Paulista, Araçatuba e, principalmente, Piracicaba tiveram perdas em sua produção. Segundo José Rodolfo Penatti, produtor e gerente do departamento técnico da Associação dos Fornecedores de Cana do município, no ano passado choveu bastante durante o período da colheita.

“Quando tem muita água no campo, acontece com maior frequência o pisoteio de máquinas, o que acaba atrapalhando a soqueira (emaranhado de raízes que ficam na terra após o corte da cana). Nós estimamos um prejuízo de 15% em relação ao ano passado”, conta Penatti. 

Mesmo com a queda na produção, o especialista explica que ainda não há tanto prejuízo para os produtores. Isso porque, de acordo com ele, o valor da cana continua positivo. “Podemos dizer que o preço está em um patamar mais elevado e parece que vai continuar assim. Hoje, a tonelada da cana sai, em média, R$ 90”, afirma.

Para evitar novas perdas na produção, Penatti ressalta alguns cuidados que os agricultores precisam seguir. “É necessário fazer uma boa análise do solo, usar defensivos e ter uma adubação de qualidade. Isso pode contribuir nas plantações, mesmo com a influência de fatores climáticos”, alerta. Segundo o agricultor, a cultura da cana se beneficia com o revezamento do sol e da chuva. “O clima com chuvas dentro da normalidade e temperaturas altas, com bastante sol e sem nuvens, também ajuda na produção”, comenta. 

De acordo com o meteorologista da Climatempo, César Soares, a chuva se espalha pelo país e o clima deve ser bem típico de verão, inclusive no interior paulista que irá registrar nos próximos dias sol, calor e pancadas de chuva à tarde com risco de temporais.

Para a segunda quinzena de dezembro, não há grandes mudanças no padrão do tempo. “ A tendência é de sol, calor e pancadas de chuva, típicas da nova estação, Verão”, finaliza Soares. (Clima Tempo 09/12/2016)

 

Ministro da Agricultura defende etanol de milho como alternativa em MT

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, defendeu nesta sexta-feira a construção de usinas de etanol à base de milho como alternativa para o escoamento da produção de Mato Grosso nos momentos de baixa dos preços do cereal.

"Nós, como produtores, devemos pensar em espécies de cooperativas, associações e buscar essa alternativa. Seria uma alternativa, uma válvula de saída, para os momentos em que o milho poderá chegar a 15 ou 16 reais (por saca) e não remunerar as nossas atividades agrícolas", disse o ministro no fórum Mais Milho, em Cuiabá (MT). (Reuters 09/12/2016)

 

Açúcar: Será que o mercado já corrigiu o que precisava?

O mercado futuro de açúcar em NY encerrou a sexta-feira com o vencimento março/2017 cotado a 19.24 centavos de dólar por libra-peso, apenas 12 pontos de alta em relação à semana anterior. Os demais meses de vencimento fecharam praticamente inalterados. Foi uma semana de baixa atividade no mercado a tal ponto que, segundo um corretor nova-iorquino, olhar gelo derreter parecia mais excitante.

Os baixistas estão cantando vitória antes do tempo. Pipocam aqui e ali relatórios que mostram que o açúcar vai apresentar superávit global em dois anos, que a Índia vai produzir 29 milhões de toneladas e por aí vai. Vamos aguardar, pessoal. Janeiro e fevereiro normalmente são meses cruciais e sazonalmente mostram picos de preço. Acreditamos ser menos provável ver preços acima de 24 centavos de dólar por libra-peso, no entanto, é bom que fiquemos atentos ao começo da safra 2017/2018. O canavial está envelhecido, desgastado, com menor trato cultura, falta de investimento e, não menos importante, um crescente número de pesquisadores colocando o próximo ano com uma safra menor que 550 milhões de toneladas. Talvez valha a pena comprar uma call (opção de compra) fora-do-dinheiro que será regiamente valorizada se os preços subirem em conjunto com a volatilidade. O outro lado da moeda é que os fundos fizeram muito dinheiro com o açúcar este ano e podem sim sair de suas posições remanescentes e colocarem o dinheiro em outros mercados que sinalizam maior valorização.

E por falar em fundos, os duas principais soft commodities, café e açúcar, caíram bastante das últimas semanas. Os fundos estavam bastante comprados nas duas. Devem ter resolvido de maneira orquestrada colocarem o lucro no bolso e partirem para novos desafios. Petróleo, quem sabe?

A política de transparência na formação de preços do combustível introduzida pela Petrobrás na administração de Pedro Parente começa aos poucos dar sinais de sua importância. Os preços da gasolina para o consumidor passam a seguir de perto as variações da commodity no mercado internacional e seu valor correspondente em reais. Logo mais, o mercado vai perceber que essa atitude da Petrobrás vai trazer bons frutos para o setor sucroalcooleiro, pois o etanol estará mais competitivo e arbitragem com o açúcar mais estreita. Um longo caminho ainda precisa ser percorrido para que o etanol se transforme em commodity na acepção da palavra, mas uma marcha de mil quilômetros começa com um primeiro passo. Em tempo, o preço médio do litro da gasolina na bomba, em 100 países consumidores, é de US$ 0.99. No Brasil, o preço justo da gasolina na bomba deveria ser R$ 3.1664 por litro.

O Brasil deve importar etanol no ano que vem uma vez que as contas da oferta e demanda projetadas do produto não fecham.

Se você é corajoso o bastante, uma estratégia que pode ser boa alternativa para compradores e vendedores: trata-se do straddle que consiste numa operação em que se vende ao mesmo tempo uma call (opção de compra) e uma put (opção de venda) do mesmo preço de exercício. Se tomarmos o preço de exercício de 18.50 centavos de dólar por libra-peso no maio/2017, capturaríamos cerca de 220 pontos de prêmio. Na expiração, você estará ou comprado ao equivalente a 16.30 centavos de dólar por libra-peso ou vendido ao equivalente a 20.70 centavos de dólar por libra-peso. Plenamente gerenciável. Só precisa ter uma boa relação com seu diretor financeiro.

Recebemos vários e-mails apoiando a ideia de que o Consecana necessita uma ampla reforma. Um dos leitores sugeriu que “a usina poderia disponibilizar para o fornecedor de cana a fixação de preço da parte relativa ao VHP”. Por exemplo: fornecedor com 100.000 toneladas de cana, poderia fixar 28.000 contra a tela de NY no mês vigente, assim como o câmbio futuro”. Só para lembrar que 28% é o percentual de cana produzida no Centro-Sul destinada a exportação.

A sexta estimativa de fixação de preços de exportação das usinas no mercado futuro de açúcar em NY, para a safra 2017/2018, mostra segundo o modelo desenvolvido pela Archer Consulting, que até o final de novembro de 2016 pouco mais de 9.4 milhões de toneladas já haviam sido fixadas (35.6% da exportação estimada). O preço médio apurado foi de 17.34 centavos de dólar por libra-peso. O valor médio ajustado de fixação, considerando as NDFs (contratos a termo de dólar com liquidação financeira) é estimado em R$ 1.548,49 por tonelada, ou 67.41 centavos de reais por libra-peso, sem prêmio de polarização.

Um executivo do setor estava dando uma entrevista para um jornalista de um grande veículo. Perguntado sobre o que achava da safra de 29 milhões de toneladas de açúcar prevista para a Índia para o ano que vem, ele dispara: “aqui na empresa, onde a gente trata cana como se fosse um bonsai e ainda assim a gente erra nas previsões que fazemos, imagina confiar numa previsão dessas sobre a Índia, faltando tanto tempo, onde tem produtor que entrega cana de bicicleta”. O jornalista parou de escrever (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)