Setor sucroenergético

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Petrobras vai vender fatia em joint venture de etanol para São Martinho

A Petrobras assinará na quinta-feira um acordo para a venda de seus 49 por cento na joint venture Nova Fronteira Bioenergia, do setor de etanol, para sua parceira São Martinho, por 500 milhões de reais, disse nesta quarta-feira uma fonte diretamente envolvida na negociação.

A São Martinho, uma das cinco maiores empresas do setor sucroalcooleiro no país, já detém 51 por cento na Nova Fronteira, que foi fundada há seis anos e tem uma usina de última geração em Goiás.

"A empresa não faz comentários sobre a especulação do mercado", disse um representante da São Martinho. A Petrobras não tinha um comentário imediato.

As ações preferenciais da Petrobras caíram cerca de 4 por cento nesta quarta-feira, enquanto as da São Martinho recuaram 1,3 por cento.

A venda é uma das cinco transações em andamento que o Tribunal de Contas da União (TCU) não proibiu a Petrobras de concluir, em uma decisão recente que impede a empresa de assinar novos contratos de venda de ativos e de iniciar novos processos de alienação, mas libera a estatal para concluir aqueles desinvestimentos que estão em fase final.

A Petrobras manteve meta vender 15,1 bilhões de dólares em ativos no biênio 2015-2016, diante da decisão do tribunal.

A transação com a Nova Fronteira marca mais um passo nos esforços da Petrobras para sair da indústria de biocombustíveis, que durante anos absorveu enormes quantidades de gastos de capital e foi prejudicada pelos controles governamentais de preços.

A Petrobras tem participações em nove usinas de açúcar e etanol no Brasil, incluindo a joint venture com a São Martinho, bem como participação em cinco usinas de biodiesel.

A Petrobras também iniciou negociações com a Tereos Internacional para a venda da participação de 45,9 por cento da Petrobras Biocombustível na empresa do setor sucroenergético Guarani. (Reuters 14/12/2016)

 

Usinas voltam a pedir PIS/Cofins para gasolina

A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) voltou a defender hoje que o governo não cobre os tributos PIS e Cofins apenas sobre as vendas de etanol, mas que inclua também a gasolina nessa conta.

Em 31 de dezembro expira o crédito presumido de PIS/Cofins sobre a venda de etanol dada pelo governo desde 2013. “Como a partir de janeiro o etanol volta a pagar R$ 0,12 de PIS/Cofins, estamos propondo ao governo que compartilhe esse aumento com a gasolina também, pois senão podemos perder competitividade”, disse Eduardo Leão, diretor-executivo da Unica, ao Valor. “Mas até agora não tivemos nenhuma sinalização do governo, só que a isenção vai acabar.”

A presidente da Unica, Elizabeth Farina também disse hoje, no evento de lançamento do plano Renova Bio, em Brasília, que o setor do etanol precisa de “diferenciação tributária” em relação à gasolina. O Renova Bio é um plano que terá a participação de entidades do setor sucroenergético e do governo para a fixação de metas de ampliação do uso de biocombustíveis na matriz energética brasileira até 2030.

Nesses três anos, a isenção de PIS/Cofins sobre o etanol gerou uma economia de aproximadamente R$ 10,5 bilhões ao setor, segundo Leão. Essa renúncia fiscal para os cofres do Tesouro Nacional ocorreu em função da Medida Provisória 613, que concedeu isenções tributárias a vários setores à época e inclusive foi citada em recente delação premiada do ex­diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, no âmbito da Operação Lava­Jato. Ele disse que a construtora pagou R$ 7 milhões a parlamentares para aprovarem a MP. (Valor Econômico 14/12/2016)

 

Açúcar: Produção avança

O avanço na produção brasileira de açúcar pressionou as cotações do adoçante na bolsa de Nova York ontem.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 17,82 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 51 pontos. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o Centro-Sul do Brasil produziu 34,698 milhões de toneladas de açúcar no acumulado da atual temporada até o final de novembro, 18,01% mais que o observado no mesmo período do ciclo anterior e acima da menor projeção da Unica para 2016/17, de 33,5 milhões de toneladas.

Só na segunda quinzena de novembro foram produzidas 1,137 milhão de toneladas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 91,73 a saca de 50 quilos, retração de 0,24%. (Valor Econômico 16/12/2016)

 

Bunge não pretende vender negócios de açúcar no Brasil, diz CEO

O CEO da Bunge, Soren Schroder, disse nesta terça-feira, 13, que a venda dos negócios de açúcar no Brasil não é o caminho certo, embora o setor esteja aparentemente entrando num ciclo ascendente. As operações de açúcar no Brasil, que vêm prejudicando o desempenho da Bunge há algum tempo, foram colocados em revisão estratégica há três anos.

Segundo Schroder, a Bunge pode buscar um investidor estratégico de longo prazo, unir-se a outros players do setor, fazer uma oferta pública inicial (IPO) de ações da unidade, ou uma combinação dessas opções. "Somos realistas", disse durante um evento com investidores.

No mesmo evento, executivos da Bunge disseram que vão originar mais grãos não transgênicos e dedicar linhas de produção a óleos e amidos derivados desses grãos, para a fabricação de cookies, biscoitos e outros produtos.

Produtos especiais como ingredientes orgânicos e sem organismos geneticamente modificados (OGMs) sempre pareceram algo voltado a um nicho muito específico do ponto de vista de grandes tradings, que negociam grãos por toneladas. No entanto, a capacidade limitada do setor de alimentos orgânicos e não transgênicos de aumentar a eficiência de forma significativa e obter maiores margens em produtos alimentícios premium levou tradings como a Bunge a se interessarem pelo negócio. Com a escala da Bunge, "podemos aumentar a oferta desses óleos, que são difíceis de conseguir", disseram executivos da trading. (Down Jones 14/12/2016)

 

RenovaBio: MME marca reabertura do diálogo com o setor sucroenergético

O diálogo entre o Governo Federal e o setor sucroenergético está reaberto, para iniciar a construção de uma proposta conjunta de ações para que levem à expansão da produção de biocombustíveis no Brasil, em um ambiente de incentivo à inovação tecnológica. Nesta terça-feira (13/12), o Ministério de Minas e Energia (MME) lançou o RenovaBio, iniciativa que busca ampliar a participação dos combustíveis renováveis de forma compatível com o crescimento do mercado e em harmonia com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no âmbito da COP 21. A abertura do evento contou com a participação do Ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho (Foto) .

"O evento de hoje inaugura um novo momento de relacionamento entre o setor e o MME. O que mais ouvíamos no começo da gestão era sobre a falta de interlocução com altas pessoas da administração pública para que a gente pudesse discutir políticas de como incentivar o setor. O que nós precisamos é de uma integração melhor entre Governo Federal e as mais diversas entidades", avaliou o ministro.

Além de um canal de diálogo mais próximo com o setor privado, o RenovaBio vai buscar sua atuação baseado em quatro eixos estratégicos: discutir o papel dos biocombustíveis na matriz energética; desenvolvimento baseado nas sustentabilidades ambiental, econômica e financeira; regras de comercialização e atento aos novos biocombustíveis.

Também presente na abertura, o secretário-executivo do MME, Paulo Pedrosa, destacou que há uma grande convergência nas necessidades de diálogo para o setor de biocombustíveis. "A gente vê hoje aqui neste evento as principais lideranças do setor de etanol do Brasil, unidas em torno de uma agenda positiva e de futuro", disse.

Temer se reúne com representantes do setor e recebe carta de apoio

No intervalo do workshop, representantes do setor produtivo foram recebidos em audiência com o Presidente Michel Temer no Palácio do Planalto, para conhecer os pleitos das empresas e produtores de cana e insumos para etanol e biodiesel. Ao final da reunião, foi apresentada pelos empreendedores uma carta de apoio à proposta RenovaBio e ao governo. Participaram da reunião o ministro Fernando Coelho Filho, o secretário-executivo Paulo Pedrosa e o Secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis, Márcio Félix.

O setor comemorou a criação da iniciativa RenovaBio, em especial em diretrizes como a definição de regras claras e estáveis para essa atividadade. Sobre a condução econômica do atual governo, o setor sucroenergético reiterou seu apoio ao presidente Temer.

Na carta, os representantes do setor afirmam que a manutenção de postos de trabalho no país e a preservação meio ambiente são contribuições que podem ser prestadas pela indústria sucroenergética. Os empresários também reforçam no documento que o setor careceu de interlocução com a administração federal nas gestões anteriores, o que levou a perda de uma grande oportunidade de desenvolvimento nacional com graves consequências para o país.

Após a reunião, representantes do setor apresentaram a Temer o protótipo de um veículo movido por uma Célula de Combustível de Óxido Sólido (SOFC). O carro, produzido pela fábrica japonesa Nissan, utiliza o bioetanol para fazer uma reação química e abastecer uma bateria, que fornece energia elétrica para movimentar o veículo, com autonomia estimada pela fabricante em 600 km.

Sobre o RenovaBio

A iniciativa, que reúne o MME, entidades públicas e privadas, tem como objetivo "garantir a expansão da produção de biocombustíveis no país, baseada na previsibilidade, sustentabilidade ambiental, econômica e financeira, em harmonia com o compromisso brasileiro na COP 21 e compatível com o crescimento do mercado". Entre suas premissas, está a busca de convergências; a definição de regras claras, transparentes e estáveis; o reconhecimento das externalidades; a segurança do abastecimento; a previsibilidade ao setor e o fortalecimento de um mercado competitivo e harmonioso com outros energéticos.

Essas premissas e objetivos serão, a partir de agora, discutidas em conjunto com Governo e setor produtivo para construção conjunta de propostas a serem formalizadas em 2017. As propostas serão colocadas em consulta pública, após o amplo debate, para serem formalizadas ou consolidadas. (Brasil Agro 15/12/2016)

 

Consultoria eleva previsão para produção de açúcar da Rússia

A Rússia poderá produzir 5,82 milhões de toneladas de açúcar na safra 2016/17 que começou em 1º de agosto, disse a consultoria agrícola IKAR nesta quarta-feira, aumentando sua estimativa anterior em 4 por cento.

A Rússia, que produziu 5,2 milhões de toneladas de açúcar na safra anterior, tem aumentado sua produção para se tornar autossuficiente e se afastar de sua dependência de importações.

A IKAR, uma importante consultoria agrícola, poderá elevar sua estimativa ainda mais para 5,9 milhões de toneladas, se o clima permanecer favorável para a safra de beterraba.

A Rússia já produziu 4,7 milhões de toneladas de açúcar de beterraba nesta safra. É esperado que o consumo alcance 5,8 milhões de toneladas de açúcar na safra 2016/17 como um todo.

Suas importações de açúcar bruto estarão em uma mínima recorde nesta safra, em até 90 mil toneladas, disse o analista de açúcar da IKAR, Evgeny Ivanov. O país também importará ao menos 200 mil toneladas de açúcar branco de Belarus.

Nesta temporada, o país também está exportando e já embarcou cerca de 70 mil toneladas de açúcar desde 1º de agosto, principalmente para o Cazaquistão e outros países vizinhos. (Reuters 14/12/2016)

 

Deputados no Rio aumentam ICMS da gasolina de 30% para 32%

Em uma votação confusa, o governo do Rio conseguiu aprovar nesta terça (13) o aumento das alíquotas de ICMS sobre uma série de produtos, garantindo uma receita adicional de R$ 800 milhões em 2017.

O ICMS da gasolina sobe de 30% para 32%, telefonia de 26% para 28%, cerveja e chope de 19% para 20%, cigarro vai de 25% a 37% e a energia elétrica vai variar entre 30% a 32%, dependendo da faixa de consumo.

O valor cobrado de ICMS sobre o etanol no estado é de 24%. Em relação ao preço na bomba, o etanol custa 85,7% do preço da gasolina. Enquanto a gasolina é vendida por R$ 3,93, o etanol está 51 centavos mais barato. Dessa maneira, a alteraçào do ICMS no estado não deve ter feito sorbe as vendas de etanol.

Sobre gasolina, telefonia e cigarro incidem ainda alíquotas do Fundo Estadual de Combate à Pobreza, de 2%, 4% e 2%, respectivamente.

A medida faz parte do pacote anticrise elaborado pelo governo Luiz Fernando Pezão e foi bastante criticada pela oposição.

"O aumento de impostos em um momento de crise pode surtir efeito contrário ao desejado pelo governo e quebrar também o setor privado", disse o deputado Carlos Osório (PSDB).

Deputados reclamaram de manobra da base governista na aprovação da proposta, que havia sido decidida com votos dos partidos da base em reunião das lideranças pela manhã.

À tarde, durante a sessão, porém, governistas levantaram as mãos rejeitando as medidas. Mesmo assim, a presidência da casa manteve a decisão tomada pela manhã e declarou aprovado o texto.

"O que aconteceu aqui hoje foi vergonhoso. Amanhã vai sair no Diário Oficial uma matéria que foi aprovada com a maioria absoluta dessa casa contra", reclamou o deputado Marcelo Freixo (PSOL).

O presidente da casa, Jorge Picciani (PMDB), defendeu a aprovação alegando que a votação já havia sido definida pelos líderes.

As novas alíquotas entram em vigor em 90 dias e valerão enquanto vigorar o estado de calamidade pública decretado pelo governo estadual antes da Olimpíada e reconhecido pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) no início de novembro. (Folha de São Paulo 14/12/2016)