Setor sucroenergético

Notícias

Petrobras vende fatia em usina de etanol por US$ 133 milhões

A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (15) operação de venda de sua participação no grupo sucroalcooleiro São Martinho por US$ 133 milhões.

O negocio faz parte do plano de desinvestimentos da estatal, que tem como meta arrecadar US$ 34,6 bilhões até 2019.

A operação envolve a incorporação, pela São Martinho, da Nova Fronteira Bioenergia, tem como principal ativo a Usina Boa Vista, localizada em Quirinópolis (GO), dedicada exclusivamente à produção de etanol.

Por meio da Petrobras Biocombustíveis, a estatal tem 49% da Nova Fronteira. Essa fatia será trocada por 6,6% da São Martinho, que passa a ter uma capacidade de moer 21,6 milhões de toneladas de cana após a operação, crescimento de 12,3% com relação à capacidade atual.

Em nota, a Petrobras informou que poderá vender suas ações na São Martinho e, por isso, contabiliza em seu balanço o valor de US$ 133 milhões, com base no preço médio ponderado pelo volume dos últimos 30 dias de negociações das ações da empresa.

Segundo a estatal, o valor ajudará a cumprir a meta de venda de ativos para os anos de 2015 e 2016, que é de US$ 15,1 bilhões. Até agora foram cerca de US$ 11 bilhões.

"O fechamento da operação está sujeito à aprovação da assembleia geral da São Martinho e ao cumprimento de condições precedentes usuais, incluindo a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)", disse a estatal. (Folha de São Paulo 15/12/2016)

 

Rumo avança em renovação do contrato

Três semanas após a publicação da MP 752, medida provisória que trata de novas regras nas concessões de infraestrutura, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) abrirá audiência pública para discutir a prorrogação por 30 anos do contrato da Malha Paulista. Operada pela Rumo, empresa que pertence ao grupo Cosan, a ferrovia tem sua concessão expirando em 2028.

O aviso de abertura da audiência pública deve sair no Diário Oficial da União no início da semana que vem, provavelmente na segunda-feira. Haverá duas reuniões presenciais: uma em São Paulo, no dia 24 de janeiro, e outra em Brasília, no dia 26. O prazo para contribuições de interessados no processo será de 45 dias.

Em troca da prorrogação antecipada do contrato, a Rumo terá que investir R$ 4,7 bilhões na modernização dos trilhos. Além da exigência de investimentos, o Valor apurou que a ANTT pretende impor um pagamento de outorga em torno de R$ 1 bilhão, dividido em parcelas anuais e feito ao longo das próximas três décadas.

O montante precisará ser depositado na conta única do Tesouro Nacional. Esses valores ainda são preliminares e podem mudar, dependendo das discussões.

A outorga foi incluída na proposta inicial de renovação do contrato porque as receitas projetadas pela ANTT até 2058 são mais do que suficientes para amortizar os novos investimentos da Rumo e garantir uma taxa interna de retorno (TIR) de 11,04%, fixada para as concessões prorrogadas.

Para o presidente da Rumo, Julio Fontana Neto, as diretrizes da agência reguladora para renovar o contrato de concessão devem vir em linha com suas expectativas. Ele aponta que o valor das prestações anuais de outorga, por exemplo, ficará bastante próximo ao que a empresa já deposita como arrendamento da malha.

"Não esperávamos nada diferente disso", disse o executivo, com a ressalva de que ainda só tem uma sinalização do teor dos documentos da ANTT, mas espera os detalhes. "O volume de investimentos é muito pesado e tínhamos como premissa não pagar mais [outorga] do que pagamos hoje", acrescentou Fontana.

Segundo ele, o cronograma indica que seria possível assinar a prorrogação do contrato no fim do primeiro trimestre. "Acredito que estamos chegando a um bom termo para a companhia, o governo e a sociedade", afirmou.

Essencial para o escoamento da produção agrícola, a ferrovia terá sua capacidade de transporte aumentada dos atuais 30 milhões de toneladas/ano para 75 milhões. O tempo necessário para percorrer os 820 quilômetros da Malha Paulista, até Santos, diminuirá de 59 horas para 46 horas.

A audiência pública colocará à disposição dos interessados não apenas a minuta do contrato e o plano de investimentos da Rumo, mas uma série de problemas herdados da ALL, que operava a ferrovia até um acordo de compra do controle pelo grupo Cosan, no início de 2014, e oficializado pelo Cade (órgão antitruste) em abril de 2015. Entre esses pontos está a grande quantidade de multas recebidas da agência por descumprimento de normas contratuais.

Desde sua criação, em 2001, a ANTT contabiliza 147 processos sancionatórios contra a ferrovia, mas a grande maioria sem qualquer efeito prático para punir as irregularidades verificadas pela autarquia responsável por fiscalizar o setor. Pelo menos 78 processos foram suspensos pela Justiça, o que fez o governo recolher menos de 7% das penalidades financeiras aplicadas. Até hoje, foram arrecadados R$ 893 mil com as multas à Malha Paulista, enquanto que os processos suspensos judicialmente acumulam R$ 14,5 milhões. De acordo com a ANTT, outras 23 ações estão em fase de instrução e sem decisão final no âmbito administrativo.

Instalada nesta semana, a comissão especial do Congresso que fará a análise da MP 752 terá o deputado Sergio Souza (PMDB­PR) como relator. Com o recesso legislativo, a comissão só deve funcionar a partir de fevereiro. Foram apresentadas 90 emendas à medida provisória. Uma das mais importantes, para o setor ferroviário, tenta mudar a exigência de que metas de produção e segurança tenham sido cumpridas em pelo menos três dos cinco anos anteriores ao pedido de prorrogação.

Esse artigo da MP impediria o avanço na renovação de concessões de três ferrovias: Malha Oeste, Malha Sul e a antiga Transnordestina. As duas primeiras também sob operação da Rumo. Uma emenda do deputado Julio Lopes (PP-RJ) propõe modificar o conceito, com a adoção de só um dos dois critérios para estender os contratos. (Valor Econômico 16/12/2016)

 

Açúcar: Impulso comprador

Um movimento de compras após os preços do açúcar terem caído ao patamar de junho deste ano deu fôlego às cotações da commodity na bolsa de Nova York ontem.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 18,32 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 50 pontos.

No acumulado da semana, no entanto, as cotações ainda registram queda de 46 pontos (2,45%), pressionadas pelo aumento da produção brasileira.

Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o Centro-Sul do país produziu 34,698 milhões de toneladas de açúcar no acumulado da safra 2016/17, 18,01% acima do observado no mesmo período do ciclo anterior.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 92,22 a saca de 50 quilos, alta de 0,53%. (Valor Econômico 16/12/2016)

 

Jalles Machado faz captação para amortizar dívida

Dona de duas usinas sucroalcooleiras em Goiás, a Jalles Machado, controlada pelo Grupo Otávio Lage, já se preparou para a próxima safra. A companhia tem planejado o cumprimento de todas as amortizações de sua dívida para o ciclo 2017/18 e está com a maior parte de sua produção de açúcar esperada para o período com o preço de venda fixado.

Ontem, a empresa anunciou que captou R$ 135 milhões com sua segunda emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), que teve uma demanda de quase duas vezes acima da oferta inicial de R$ 100 milhões e emissão de lotes adicional e suplementar.

"Com as captações que a empresa está concluindo até dezembro, já estamos com a safra 2017/18 inteira com caixa suficiente para garantir as amortizações", afirmou Rodrigo Siqueira, diretor financeiro da Jalles Machado. Com a captação, a companhia ganha fôlego tanto em relação ao prazo quanto ao custo da dívida, atualmente em torno de 10%. Parte do recurso também será usado como capital de giro.

Esse arranjo ainda permite que a empresa comece a programar o cumprimento de suas amortizações referentes à safra 2018/19, segundo Siqueira.

Além disso, a companhia também buscou antecipar o máximo possível sua comercialização de açúcar da próxima safra, aproveitando a disparada de preços da commodity em reais meses atrás. Até o momento, a Jalles Machado fixou o preço de 66% do açúcar que espera produzir ao longo do ciclo 2017/18, ou 136 mil toneladas, a um valor médio de R$ 1.540 por tonelada.

A fixação foi feita antes de os preços começarem a se desidratar no mercado internacional. Com a recente desvalorização na bolsa de Nova York, os preços do açúcar em reais relacionados aos vários contratos de entrega para o decorrer de 2017 estão entre R$ 1.350 e R$ 1.438 a tonelada.

A forte aposta na comercialização da commodity também foi possível porque a companhia espera concluir em maio a construção de uma fábrica de açúcar anexa à unidade Otávio Lage, em Goianésia, que hoje só produz etanol. A unidade, que demandou aporte de R$ 55 milhões, começou a ser erguida em setembro deste ano.

As duas usinas da Jalles Machado já encerraram a moagem da safra atual com 3,8 milhões de toneladas de cana, 5,6% abaixo da perspectiva inicial, por causa da baixa pluviosidade na região. Nos dois trimestres em que as unidades operaram, a companhia teve um lucro líquido de R$ 19 milhões e uma receita líquida de R$ 364 milhões. Em 12 meses, o Ebitda ajustado aumentou 6%, para R$ 566 milhões, o que ajudou a alavancagem a cair para 1,4 vez no fim de setembro, ante 2,3 vezes um ano atrás. (Valor Econômico 16/12/2016)

 

Senado aprova nomes de dois novos diretores da ANP

O Plenário do Senado Federal aprovou ontem (14/12) os nomes de Décio Oddone e Felipe Kury para comporem a Diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Ambos haviam passado por sabatina, de manhã, na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado.

Décio Fabricio Oddone da Costa é graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tendo também cursado Administração na Harvard Business School e no Insead e recebido título de doutor honoris causa em Educação da Universidad de Aquino (Bolívia). É funcionário aposentado da Petrobras, pela qual atuou no Brasil, Angola, Líbia, Argentina e Bolívia, onde foi presidente da subsidiária da empresa. Entre 2015 e novembro de 2016, foi diretor de Projetos de Óleo e Gás da Prumo Logística.

Felipe Kury é graduado em Engenharia Elétrica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e fez especializações executivas na Harvard Business School e London Business School, além de MBA em Finanças e Economia pelo IBMEC. Possui experiência em gerência geral, gestão de investimentos e desenvolvimento de negócios, bem como atuação em conselhos de administração de empresas na construção de estratégias de crescimento, planos de investimentos e reestruturação. Atuou em empresas como IBM, Microsoft, Softbank e Thomson Reuters. (ANP 15/12/2016)

 

Síria, cliente improvável para o mercado de açúcar

As exportações do Brasil para a Síria aumentaram 48% em 2016, na comparação com o ano passado, aponta o Mdic (Ministério da Indústria e Comércio Exterior).

O maior responsável pelo crescimento foi o açúcar, que cresceu 215% em 2016.

"Eles produziam açúcar de beterraba, mas a região de cultivo foi muito afetada pelo conflito", diz Ali El Zoghbi, presidente da Fambras (federação de associações muçulmanas do Brasil).

O valor total não é alto se confrontado com o de outros países — são R$ 85,4 milhões neste ano, cerca de metade do que foi exportado para a Coreia do Norte, por exemplo.

Os números devem ganhar importância com o fim da guerra civil, afirma Michel Alaby, secretário-geral da câmara de comércio árabe.

"O volume de 2016 surpreendeu, mas espera-se que aumente mesmo quando o país começar a ser reconstruído". (Folha de São Paulo 15/12/2016)