Setor sucroenergético

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Açúcar Guarani

Após negociar a participação de 49% da Nova Fronteira Bioenergia para a São Martinho, a Petrobras corre para fechar até meados de janeiro a venda de 49,5% da Açúcar Guarani.

O comprador é o parceiro na joint venture, a francesa Tereos. A Petrobras espera arrecadar cerca de R$ 1 bilhão nas duas operações. (Jornal Relatório Reservado 19/12/2016)

 

Usina de Guararapes é vendida para empresa suíça

A trading de commodities suíça Glencore será a nova controladora da usina localizada em Guararapes (a 31 km de Araçatuba), pertencente até então ao grupo Unialco, em recuperação judicial desde novembro do ano passado. A proposta de compra da unidade feita pela multinacional por cerca de R$ 350 milhões foi aceita por credores da empresa brasileira, homologada na Justiça e aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

A informação é do advogado Fernando Castellani, da R4C Assessoria Empresarial, responsável pela administração judicial da companhia em recuperação. De acordo com ele, a Glencore deve assumir as operações da planta adquirida em janeiro. O quadro de funcionários será mantido mesmo com a mudança de direção, conforme Castellani. Segundo matéria noticiada em setembro deste ano pela Udop (União dos Produtores de Bioenergia), a usina empregava 1.049 colaboradores, na época. (Folha da Região 18/12/2016)

 

Açúcar: Otimismo com oferta

O maior otimismo com a oferta mundial de açúcar segue pressionando as cotações da commodity na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em maio fecharam, na sexta-feira, a 18,04 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 28 pontos.

Enquanto no Brasil a produção atingiu 34,698 milhões de toneladas até o fim de novembro, 18,01% acima do observado no mesmo período do ciclo anterior, a Índia elevou em 11% sua produção nos primeiros meses do atual ano-safra, para 5,3 milhões de toneladas.

Com isso, alguns analistas já falam em um superávit ainda nesta temporada, contrapondo-se às previsões de déficit de até 7,5 milhões de toneladas.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 91,97 a saca de 50 quilos, queda de 0,27%. (Valor Econômico 19/12/2016)

 

Governo prepara incentivo para biocombustíveis

Projeto RenovaBio é uma das propostas para que País consiga atingir a meta de cortar em 43% as emissões de gases do efeito estufa até 2030.

 As ações do Brasil para cumprir as metas climáticas acertadas na COP 21, realizada no ano passado em Paris, começam a tomar forma. O País se comprometeu a cortar em 43% as emissões de gases do efeito estufa (GEEs) até 2030, tendo como base as emissões de 2005. Uma das propostas envolve biocombustíveis, principalmente o etanol, e deve integrar o RenovaBio, programa do governo federal lançado esta semana que pretende impulsionar a produção de combustíveis não fósseis.

A ideia é fixar um limite para o lançamento de poluentes na atmosfera e, a partir daí, aumentar o uso de fontes renováveis para que o teto de emissões, calculadas em toneladas de gás carbônico equivalente, seja respeitado.

Na última terça-feira, a presidente da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, disse, no evento realizado no Ministério de Minas e Energia (MME), em Brasília, que o modelo apresentado pelo setor sucroenergético prevê que os agentes privados tenham metas individuais, não podendo ultrapassar o teto de emissões definido pelo governo. “As empresas distribuidoras (de combustíveis) terão de, gradativamente, ampliar a participação do etanol em relação à gasolina, de forma a cumprir suas metas anuais”, afirmou.

Inspirado em projetos já adotados nos Estados Unidos, como o Renewable Fuel Standard (RFS), esse programa de controle de emissões valeria para o volume de biocombustíveis destinado à frota de veículos leves, o que inclui motocicletas, automóveis e caminhonetes. Assim, para que as emissões desses veículos se reduzam ao longo dos anos, mais etanol terá de ser distribuído pelas companhias.

“Esse mecanismo inclui vários tipos de energia renovável e outras que possam surgir daqui para a frente. Além disso, teríamos metas anuais ou bianuais (de redução de emissões de GEEs). Trata-se do método menos intervencionista”, explicou Elizabet ao Broadcast Agro, serviço de notícias do agronegócio em tempo real do Grupo Estado. A intenção é que a proposta entre em vigor em 2019, após toda a tramitação do RenovaBio.

Sustentabilidade

Ainda em fase de elaboração, o RenovaBio é um programa do governo federal que tem como horizonte o ano de 2030. Entre as premissas do projeto está a definição do papel dos biocombustíveis na matriz energética e das regras de comercialização desses produtos, além do apelo à sustentabilidade ambiental e ao desenvolvimento de novas tecnologias renováveis. O RenovaBio receberá propostas até o fim do ano, vai para consulta pública no primeiro trimestre de 2017 e deverá ser encaminhado como projeto de lei entre 2017 e 2018.

Representantes do setor sucroenergético chegaram a se reunir com o presidente Michel Temer na terça-feira passada para discutir o programa e apresentar a proposta que liga emissões de GEEs aos volumes de uso de biocombustíveis.

Para o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho (PSB-PE), que participou do encontro, a cadeia produtiva de açúcar e etanol foi “uma das que mais sofreram nos últimos anos” em razão de políticas energéticas que acabaram por privilegiar a gasolina. “Nosso tempo é muito curto para olhar para trás. Temos de pensar em uma agenda para o País, para o meio ambiente, para o setor sucroenergético. Temos de iniciar uma nova fase.” Segundo ele, o objetivo com o RenovaBio é “melhorar a integração entre o governo e o setor privado”.

Investimentos

A boa relação entre essas partes é de vital importância para que o Brasil cumpra suas promessas. De acordo com a Unica, o País terá de produzir 50 bilhões de litros de etanol carburante em 2030 – hoje, esse volume é inferior a 30 bilhões de litros. Para que essa expansão ocorra, a entidade avalia que será necessário construir 75 unidades produtoras de álcool, considerando uma moagem média, por usina, de 3,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra. Ao todo, o investimento seria de US$ 40 bilhões.

Na avaliação do governo, o controle de gastos pelos próximos 20 anos, estipulado pela proposta de emenda constitucional (PEC) aprovada nesta semana, não deve ter efeito sobre o RenovaBio. Ao Broadcast Agro, o diretor do Departamento de Biocombustíveis do MME, Miguel Ivan Lacerda, salientou que o programa não prevê transferência de recursos e, por essa razão, não seria prejudicado pela limitação dos gastos públicos. “O RenovaBio é uma sinalização para o mercado e pode se tornar a grande agenda microeconômica do governo”. (O Estado de São Paulo 17/12/2016)

 

Efeito de alta da gasolina deve ser balanceado por alta menor do etanol, diz FGV

O impacto do aumento médio de 8,1% no preço da gasolina nas refinarias desde o último dia 6 ainda não está influenciando o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S). Porém, está prestes a aparecer, conforme o coordenador do IPC-S da Fundação Getulio Vargas (FGV), Paulo Picchetti. Contudo, ele acredita que a desaceleração no ritmo de alta no preço do etanol no varejo deve equilibrar o efeito de elevação da gasolina para o consumidor. "O aumento ainda pode ser ponderado pela demanda fraca", afirmou.

Na segunda quadrissemana, a gasolina teve variação negativa de 0,30%, praticamente a mesma apurada anteriormente, de -0,32% Já a taxa do etanol no IPC-S ficou positiva em 1,59%, na comparação com 2,56% na primeira leitura de dezembro. "Os combustíveis não devem pressionar muito o IPC-S, nem por um lado nem de por outro. De alguma forma, a desaceleração na alta do etanol pode compensar o reajuste da gasolina", reforçou.

Bandeira Verde

A vigência da bandeira tarifária verde, sem custo para os consumidores, este mês, ajudou permitiu deflação de 0,48% para o grupo Habitação na segunda quadrissemana, segundo Picchetti. Na primeira leitura foi de queda de 0,24%. O item tarifa de eletricidade residencial intensificou o ritmo de queda de 2,42% para 4,21%. Os sinais, conforme ele, são de novas retrações. (Agência Estado 16/12/2016)

 

Crise de liquidez afeta consumo de açúcar da Índia

O consumo de açúcar da Índia em 2016/17 deverá se manter estável enquanto a manobra do governo para retirar de circulação papel moeda de alto valor tem afetado a demanda, disse um importante grupo industrial nesta sexta-feira.

O consumo de açúcar do país na nova temporada, que começou em 1º de outubro, foi estimado entre 24,5 milhões de toneladas e 25 milhões de toneladas, ante 24,8 milhões de toneladas no período anterior.

O grupo industrial havia estimado anteriormente que o consumo subiria para 25,5 milhões de toneladas durante o ano.

A Índia é o maior consumidor global de açúcar e segundo produtor, atrás do Brasil.

"Fontes do mercado sugerem que as vendas de açúcar na primeira quinzena de dezembro de 2016 foram fortemente prejudicadas e que a demanda retraída pode persistir até janeiro de 2017", disse a associação das usinas de açúcar da Índia

No último mês, o primeiro-ministro Narenda Modi eliminou as notas de 500 e 1.000 rúpias, ou 86 por cento do valor de dinheiro em circulação, como parte de uma ação punitiva à corrupção e evasão fiscal. (Reuters 16/12/2016)

 

Investidores: preparem-se para a revolução dos carros elétricos

Após várias falsas largadas, uma nova era para o automóvel brilha no horizonte.

O carro do futuro será elétrico, conectado e – isso talvez demore um pouquinho mais, com piloto automático. Mas e a indústria automobilística do futuro, como será? Numa série de artigos este mês, o Wall Street Journal ajuda os investidores a compreender o maior choque tecnológico a sacudir o setor automotivo em décadas.

Na aurora da era automotiva, os carros elétricos a bateria chegaram a sobrepujar os carros a gasolina. Transcorrido mais de um século, é possível que isso volte a acontecer no prazo de uma década ou duas. E os investidores que não quiserem ser pegos na contramão da história precisam abrir os olhos.

Exatamente quando os carros elétricos irão deixar o nicho do mercado de luxo ou da tecnologia verde e, após tantas falsas largadas, ingressar no mercado de massas, vai depender sobretudo do seu custo relativo. Neste quesito, tudo indica que a maré é favorável.

O barateamento das baterias é um fator-chave. O crescimento da computação móvel atraiu investimentos maciços para essa área, com duas consequências felizes para os elétricos: eles ganharam maior autonomia no momento mesmo em que seu custo de produção declinava. A Daimler, fabricante da Mercedes, acredita que o custo de produção das tecnologias de motores e de baterias pode alcançar paridade já em 2025. Mas o ponto de virada para os consumidores, que também leva em conta subsídios e custos operacionais, pode chegar antes disso.

Normas ambientais cada vez mais rígidas vêm tornando a produção de motores de combustão interna dentro dos parâmetros cada vez mais cara, particularmente na Europa. Lançando mão de subsídios agressivos, a China, maior mercado automotivo do mundo em número de unidades vendidas – já criou uma demanda segura para os veículos elétricos. O preço baixo da gasolina – especialmente nos Estados Unidos – deixou de ser a criptonita da eletrificação, muito embora o governo Trump, caso concretize suas pretensões desregulatórias, possa dar alguma sobrevida aos modelos tradicionais.

Ademais, a indústria agora tem um modelo a seguir: o revolucionário modelo Tesla, cria do Vale do Silício, mostrou que existe demanda para carros elétricos bem planejados, obrigando os barões da indústria, de Detroit ao Japão, passando pela Alemanha, a investir pesado para não ficar para trás.

A General Motors está lançando o seu Chevrolet Bolt, 100% elétrico, que sairá na faixa dos US$ 30 mil, impostos inclusos. É menos que o preço médio de venda de um carro novo nos Estados Unidos, ainda que caro para um compacto. O tão propalado Modelo 3 da Tesla, que deve chegar ao mercado no segundo semestre de 2017, deve custar um pouco menos que isso.

Manter a relevância, e os lucros – na era dos elétricos será um desafio para as montadoras tradicionais. O know-how acumulado em matéria de tecnologia de motores garantiu-lhes uma posição de mercado estável por várias décadas. Mas os motores elétricos são mais simples e mais baratos de fabricar. À medida em que a expertise em motores for perdendo relevância, a tendência é ficar cada vez mais difícil bater a concorrência, especialmente do Leste Asiático, onde se produz a maior parte dos equipamentos eletrônicos e estão instalados os fabricantes de bateria.

As montadoras que sobreviverem aos solavancos desse período de mudança talvez terminem mais parecidas com empresas de tecnologia, e tão valorizadas quanto.

Isso não impedirá que elas tentem. As três gigantes da indústria automotiva alemã, Volks, Daimler e BMW, divulgaram novas estratégias voltadas para o mercado de elétricos este ano. Até mesmo a Toyota, maior fabricante de carros do mundo em número de unidades produzidas, sinalizou no mês passado uma reversão em sua antiga estratégia de focar na tecnologia de células-combustíveis a hidrogênio em detrimento das baterias. Os próximos anos testemunharão uma enxurrada de novos lançamentos para rivalizar com o Bolt e o Modelo 3.

O design de marca também terá de sofrer adaptações. Um exemplo: as emblemáticas grades em formato de rim da BMW vão se tornar obsoletas com a eletrificação. Os líderes de ontem terão de encontrar novas maneiras de combinar marca, design e tecnologia.

Para os investidores, os riscos e as oportunidades afiguram-se imensos. As ações de quase todas as fabricantes de automóveis, exceção feita à Tesla Motors, estão saindo a preço de banana, seja na comparação com o histórico em bolsa, seja em relação ao mercado de forma mais ampla. Há preocupações de longo prazo, como o custo de adaptação das linhas de montagem para a tecnologia elétrica e o risco de uma quebradeira geral. No entanto, as montadoras que sobreviverem aos solavancos desse período de mudança talvez terminem mais parecidas com empresas de tecnologia – e tão valorizadas quanto.

O futuro do automóvel será eletrizante. E as recompensas para os que apostarem certo suas fichas serão enormes. (Wall Street Journal 16/12/2016)

 

RenovaBio 2030 é esperança para o setor sucroenergético

O lançamento, esta semana, do RenovaBio 2030, programa que prevê o avanço do setor de biocombustíveis no país até 2030 – pode ser um primeiro passo na reversão de um quadro de falta de incentivos e políticas públicas que tem penalizado o segmento sucroenergético.

A opinião é do engenheiro de produção e consultor da Dedini Indústrias de Base, José Luiz Olivério, para quem o programa surge como uma espécie de luz no fim do túnel, chega com a urgência necessária a um país que precisa de alternativas de recuperação econômica, e deixou em segundo plano o seu grande trunfo.

Olivério sabe muito bem o que diz. Foi vice-presidente de tecnologia e desenvolvimento do Grupo Dedini e acompanhou o Proálcool desde o seu nascimento, até cada uma das fases vividas pelo programa, boas e muito ruins. Ao ponto de ter sido um dos colaboradores do livro Proálcool 40 anos, lançado em novembro pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

“Os benefícios trazidos por toda a cadeia do setor sucroenergético são tão óbvios, que fica difícil compreender o porquê de o país não ter definido sua capacidade de produzir energia renovável como prioridade”, avalia.

O especialista refere-se ao grande potencial de empregabilidade do setor, com benefícios para toda a cadeia produtiva, que ele classifica de “irradiante e capilar”. O problema, em sua opinião, é que a cadeia foi preterida em detrimento à concentração dos investimentos e a priorização nos combustíveis fósseis, gerando o que ele chama de concorrência desleal e desembocando no quadro atual que forçou a importação da gasolina.

Por isso, Olivério entende que o RenovaBio, lançado pelo Ministério de Minas e Energia com o apoio de entidades do setor sucroenergético, propõe o que o Brasil precisa com urgência. Visa a sustentabilidade ambiental, econômica e financeira, ao definir o papel dos biocombustíveis na matriz energética brasileira, estabelecer regras de comercialização e também o investimento em novos biocombustíveis, como o etanol de segunda geração, o biodiesel HVO (óleo vegetal hidrotratado), o diesel de cana, o biogás/biometano e o bioquerosene.

“O mais interessante é que o programa também está focado em políticas que promovem a segurança e os investimentos no setor. A expectativa é que essas políticas ajudem a alavancar a produção de etanol e de biodiesel e, como consequência, ajudem o Brasil a cumprir as metas que assumiu no Acordo de Paris”, destaca.

METAS

O etanol é parte fundamental do compromisso brasileiro de enfrentamento das mudanças climáticas, assumido na COP 21 (Conferência do Clima da ONU) e ratificado pelo Congresso Nacional e pela Presidência da República.

A previsão é de que o Brasil deverá produzir 54 bilhões de litros de etanol em 2030. Hoje, o país produz cerca de 28 bilhões de litros de etanol por safra. De biodiesel, a produção deste ano deve fechar em 4 bilhões de litros.

A maior participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira exigirá quase o dobro da oferta de etanol até 2030 e maior presença desse combustível no mercado.

“O Brasil tem conhecimento e uma admirável capacidade nesse setor. Basta lembrar que em menos de oito anos o país deu um salto na produção de cana-de-açúcar. Pulou de 6 milhões para 10 milhões de hectares plantados atualmente. Um feito admirável, um esforço imenso e um crescimento sem precedentes na história, o que reforça o nosso potencial”, avalia.

E, dentro desse novo cenário que se projeta, Olivério diz que a Dedini estará preparada para atender a demanda de mercado.

“A Dedini reduziu sua atividade de forma planejada. Manteve os núcleos essenciais e pode retomar a produção e o crescimento, da mesma forma que fez na retomada do setor em 2004, quando surgiu o carro-flex. Em seis anos, 117 novas usinas foram construídas no Brasil, sendo o market share da Dedini cerca de 50%”.

Nesse período, com os olhos do mundo voltados para o potencial do setor sucroenergético, a Dedini chegou a receber mais de 8 mil visitas por ano. “Em 2004, fizemos até um projeto de etanol para a Austrália. A visão do mundo sobre os biocombustíveis está mudando. Precisamos aproveitar as novas oportunidades”, acrescenta. (Brasil Agro 16/12/2016)

 

Açúcar: Para o bem ou para o mal – Por Arnaldo Luiz Corrêa

A semana foi devastadora para o mercado futuro de açúcar. O vencimento março de 2017, na bolsa de NY, encerrou a sexta com uma queda de quase 100 pontos em relação à semana anterior. A pressão também ocorreu nos meses de vencimento que refletem a safra 2017/2018 no Centro-Sul: o maio/2017 caiu 69 pontos enquanto o março/2018 caiu apenas 7 pontos. A safra seguinte fechou com cotações mais altas. A pressão, como se vê, concentra-se nos vencimentos mais curtos.

Quem está no mercado de commodities há muitos anos, como este escriba, já não se espanta tanto com as oscilações assustadoras dos mercados, quase sempre deixando os participantes boquiabertos com a magnitude da volatilidade. Para o bem ou para o mal, diga-se de passagem. Quando em abril, no comentário semanal intitulado “Dois Mundos Diferentes”, dissemos que dado o quadro fundamentalista do açúcar, era razoável pensar que o março chegasse a 18 centavos de dólar por libra-peso no último trimestre do ano”, muitos leitores duvidaram dessa possibilidade, pois entendiam que os preços do açúcar estavam remuneradores. Nessa ocasião, NY negociava a 15.26 centavos de dólar por libra-peso e o déficit mundial de açúcar já estava na pauta.

As oscilações de preços em mercados líquidos como é o caso do açúcar exageram sempre. O movimento de manada protagonizado pelos fundos cria valores artificialmente altos ou baixos dependendo de como estão posicionados naquele mercado ou da velocidade com que liquidam essas posições. Por diversas vezes alertamos aqui a dicotomia existente entre o preço negociado no mercado futuro alimentado pelos fundos que compravam freneticamente contatos de açúcar e o preço negociado num mercado físico lânguido, refletido nos descontos incompatíveis com a visão propiciada pelos futuros. E abundaram aqui as recomendações para que as usinas fixassem preços do açúcar na exportação aos extraordinários níveis em reais por tonelada que estavam sendo negociados no mercado (acima de R$ 1,500 por tonelada).

Essa exuberância parece ter chegado ao fim. O açúcar precisará de notícias fundamentalistas alvissareiras se quiser ver revertido o humor baixista que tomou forma depois de uma desvalorização de 600 pontos desde o início de outubro.

Nesse momento que o mercado negociou a máxima de 23.90 centavos de dólar por libra-peso, no comentário daquela semana “Melhor Prevenir”, alertamos para o fato de que o “nosso raciocínio se contamina [com a ilusão de preços em constante alta] e desenvolve uma rígida convicção interior de que os preços subirão indefinidamente apesar das evidências contrárias que cercam o ambiente. É quase uma patologia essa obsessão por preços continuamente altos”. Citamos como exemplo o que acontecera em duas ocasiões anteriores: “a primeira em janeiro de 2010 quando o ágio chegou acima de 105% evaporando dois meses depois; a segunda, em fevereiro de 2011 quando o ágio chegou acima de 90% evaporando três meses depois. Ou seja, os ágios evaporam. Nessa época, ouvi gente dizer que só fixaria preços se batesse R$ 2,000 por tonelada.

São extremos como esse que “calibram” o mercado. Uns dizendo que só fixariam vendas se o preço batesse R$ 2,000 por tonelada, outros – no caso um grande comprador – que em maio passado acreditava que compraria açúcar a 11 centavos de dólar por libra-peso. Que lição podemos tomar para não mais repetir esses deslizes que provocam imensas perdas para as usinas que não fixaram preços (tendo condições de fazê-lo)? Que lição aprendemos por não fixar em NY a parte correspondente à cana de terceiros por causa do bendito Consecana que - nessas situações especificas – prejudica igualmente a usina e o fornecedor de cana?
O que pode mudar o humor agora? Alguns pontos importantes que ainda não estão na percepção geral dos participantes do mercado: uma eventual quebra de safra nos níveis de 540-545 milhões de toneladas de cana (uma possibilidade ainda pequena demais), o petróleo a 75 dólares por barril (o analista Samuel Levy vê essa possibilidade caso os preços ultrapassem uma resistência de 62.50 dólares por barril, mas ainda está muito longe); o real se valorizando em relação ao dólar (com o quadro político atual, está difícil acreditar em dólar abaixo dos R$ 3,2000); afrouxamento regulatório dos derivativos (Dodd-Frank) no governo Trump, aumentando o fluxo de dinheiro para os ativos de risco (será?). Enfim, vale mais a pena não perder o foco nos valores em reais por tonelada que se pretende fazer. A compra de uma put (opção de venda) e venda de uma call (opção de compra) não deveria ser descartada.

Para os consumidores industriais, vale também ficar de olho nas oportunidades de compra tomando, se for o caso, a posição inversa, ou seja, a venda de uma put (opção de venda) e a compra de uma call (opção de compra).

Falando nisso, o volume de calls negociado na quinta-feira foi extraordinário: 45,000 calls contra 17,000 puts, ou seja, o mercado está mostrando que essas vendas pesaram um pouco, como sempre exagerou na queda, e busca oportunidades de ganhos caso ele volte a subir. Além disso, 5,000 call spreads de 18.00/21.00 também foram negociados, um forte argumento (e trade) de quem aposta que o mercado deve ficar nesse intervalo de preços

Já estão abertas as inscrições para o XXVII Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos – Commodities Agrícolas da Archer Consulting. Marque na sua agenda: dias 14 (terça), 15 (quarta) e 16 (quinta) de março de 2017, das 09 às 17 horas, em São Paulo-SP, no Hotel Paulista Wall Street. Faça sua reserva pois as vagas são limitadas. Para mais informações: priscilla@archerconsulting.com.br (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)