Setor sucroenergético

Notícias

Cofco encerra 2016 com moagem recorde de cana

A Cofco informou, nesta quinta-feira (22/12) ter encerrado a safra deste ano com moagem recorde de cana-de-açúcar. Foram 14,9 milhões de toneladas, superando o resultado do ano passado, quando o processamento atingiu 11,9 milhões de toneladas da matéria-prima.

O trabalho foi encerrado no último dia 14, de acordo com nota divulgada pela assessoria de comunicação da empresa. A produção chegou a 1,1 milhão de toneladas de açúcar. Foram também 433 milhões de litros de etanol, sendo 223 milhões de anidro e 210 milhões de hidratado. A empresa também reportou a cogeração de um milhão de Megawatts de energia.

“No geral, o grupo ficou 20% superior aos resultados de 2015”, informa a nota da companhia, cujas usinas estão localizadas em municípios como Catanduva, Potirendaba e Meridiano, na região noroeste do Estado de São Paulo. (Globo Rural 21/12/2016)

 

Açúcar: Alta marginal

As cotações do açúcar demerara apresentaram leve oscilação no último pregão antes do Natal, refletindo as negociações mais fracas em Nova York.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 17,97 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 2 pontos.

As perspectivas, no entanto, ainda são de queda em meio à melhora das estimativas para a produção mundial nesta temporada.

O banco Pine estima que produção acumulada no Centro-Sul do Brasil até a primeira quinzena de dezembro ficou em 589,8 milhões de toneladas, avanço anual de 2%.

Na Índia, a produção de açúcar cresceu 11% nos primeiros meses do ano-safra atual.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 90,79 a saca de 50 quilos, leve alta de 0,19%. (Valor Econômico 26/12/2016)

 

Rabobank reduz déficit para açúcar

Diante da melhora das perspectivas para a produção mundial de açúcar, o Rabobank voltou a reduzir suas estimativas para o déficit na oferta mundial do adoçante na safra 2016/17. De acordo com o banco, a demanda deverá superar a oferta em 5,5 milhões de toneladas nesta temporada, volume 23,6% inferior ao apontado em novembro.

No Brasil, a produção acumulada no Centro-Sul até o fim de novembro foi de 34,698 milhões de toneladas de açúcar, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), 18,01% acima do produzido no acumulado da safra passada e acima da menor projeção do órgão para a temporada, de 33,5 milhões de toneladas.

Na Índia, a Associação Indiana de Usinas de Açúcar (ISMA) aponta uma produção em torno de 23,4 milhões de toneladas de açúcar, o que deve levar a um aumento de 6 milhões de toneladas nos estoques do país e dispensar a necessidade de importações na safra 2016/17.

Já o Rabobank ainda avalia que o país importará 1,5 milhão de toneladas nesta safra, abaixo das 2 milhões de toneladas estimadas anteriormente. No caso da China, o banco elevou em 800 mil toneladas suas previsões para a produção na safra 2016/17, para 10,8 milhões de toneladas, e reduziu as estimativas de consumo em 1 milhão de toneladas, para 15,5 milhões de toneladas.

Diante deste cenário, o açúcar já acumula queda de mais de 17% desde o início de setembro, quando atingiu a cotação máxima do ano, de 23 centavos de dólar a libra-peso, na bolsa de Nova York. Ontem, os papéis com entrega para maio fecharam a 18 centavos de dólar, o menor patamar desde junho. A desvalorização é catalisada ainda pela atuação dos fundos, que reduziram suas apostas de alta em 44,2% no mesmo período, segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC). (Valor Econômico 22/12/2016)

 

Novidade importante para motores a etanol, por Jayme Buarque, do INEE

No Salão do Motor em Paris, no início de outubro último, a Nissan apresentou um novo tipo de motor ciclo Otto que pode ter um papel muito importante no Brasil onde a maioria dos carros vendidos são flex.

Trata-se do motor “Variable Compression-Turbo (VC-T)” cuja principal característica é modificar a taxa de compressão (de 8:1 até 14:1), adaptando-se às variações de demanda de torque e permitindo um desempenho mais elevado que os motores convencionais, onde a taxa de compressão não muda.

O novo motor vai equipar um carro INFINITY (linha de carros de luxo do Grupo Nissan), que será comercializado em 2017. Segundo os fabricantes, com quatro cilindros, o VC-T 2.0 substitui um motor V6 3.5, sem prejuízo de potência e torque e consome 27 por cento menos gasolina. Segundo Kinichi Tanuma, engenheiro da Nissan, seu torque é compatível com o de motores diesel, mas deve custar menos que um motor diesel turbinado equivalente, com a vantagem de atender mais facilmente às restrições de emissões.

Ele representa um salto em eficiência e compactação e é a “cereja do bolo” dos motores a gasolina (ciclo Otto), buscada há muito tempo. Dessa vez, ao que tudo indica, uma solução está pronta para ser lançada no mercado. Nela, a mudança da taxa de compressão é feita em tempo real por meio de uma biela cujo comprimento varia e é ajustado por um motor elétrico. Outros fabricantes e pesquisadores trabalham para aperfeiçoar mecanismos que tenham o mesmo efeito de variar a taxa de compressão em motores Otto. O sucesso da NISSAN certamente vai acelerar o amadurecimento de outras tecnologias.

As notícias sobre o motor, ainda muito recentes, chamam a atenção para diversos aspectos disruptivos que vão trazer para o mercado automotivo, como a possibilidade de competir com os híbrido-elétricos e de substituir o motor diesel.

Além desses aspectos, o VC-T é perfeito para aumentar a eficiência energética nos carros flex, que utilizam variadas proporções de etanol misturado com gasolina. Nos motores flex atuais as características físicas dos motores, notadamente a taxa de compressão fixa, são projetadas para usar de forma adequada a gasolina. Virtudes do etanol combustível, como sua elevada octanagem, vão ser mais bem aproveitadas com a adaptação da taxa de compressão às suas características.

Não foi possível encontrar referência ao uso desses motores em carros flex, até porque estes representam menos que 5% das vendas mundiais de motores, concentradas no Brasil e EUA. Como nos EUA o interesse pelos flex decorre de variados incentivos e o etanol é vendido em poucos postos, é no Brasil, onde mais de cinco milhões de carros praticamente só usam etanol, que grandes saltos de eficiência e redução de emissões podem ser observados.

Espera-se que a Nissan, sem prejuízo do trabalho que realiza para usar, em longo prazo, o etanol como fonte de hidrogênio (para células a combustível em carros elétricos), use sua base tecnológica brasileira para explorar o uso do VC-T em veículos flex, que pode apresentar resultados em curto prazo. (INEE 23/12/2016)

 

Seca afeta moagem de cana no Nordeste e alonga entressafra

Todo o otimismo do setor sucroalcooleiro no início da moagem da safra de cana-de-açúcar no Nordeste, cerca de quatro meses atrás, desidratou. As chuvas cessaram há mais de dois meses na Zona da Mata, acelerando a moagem de cana. O resultado é que duas usinas em Pernambuco já encerraram suas atividades, e a perspectiva é que outras sigam o mesmo caminho, reduzindo a produção esperada e alongando o próximo período de entressafra na região.

Na estimativa do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar/PE), as usinas do Nordeste processarão 50 milhões de toneladas de cana nesta safra 2016/17, que começou oficialmente em setembro na região. A expectativa inicial era de que fossem processadas 54 milhões de toneladas de cana. As áreas mais afetadas até o momento foram o norte de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

O tempo seco impede o desenvolvimento da cana, reduzindo o volume colhido por hectare, embora favoreça a concentração de açúcares na planta. Também permite o avanço mais rápido da colheita, e consequentemente, da moagem.

As usinas estão avançadas no calendário de processamento e duas já encerraram as atividades desta safra: a Laranjeiras, em Vicência (PE), e a usina da Cooperativa da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (Coaf), em Timbaúba (PE). Segundo Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar-PE, é possível que até o fim deste mês mais duas usinas encerrem a moagem desta safra.

Em Pernambuco, as 15 usinas em operação devem antecipar o fim do processamento em cerca de um mês, levando ao encerramento das atividades em torno de janeiro e fevereiro. Com isso, a entressafra deve ter entre sete e oito meses, disse Cunha. Normalmente, dura cerca de seis meses. Em Alagoas, onde há 19 usinas em atividade, as poucas unidades mais atrasadas encerrarão a moagem na segunda quinzena de março, segundo Pedro Robério, presidente do Sindaçúcar do Estado.

Algumas usinas pararam por falta de cana. Foi o caso da Coaf, que encerrou a safra com 344 mil toneladas processadas, ante 450 mil toneladas esperadas no início do ciclo.

Uma entressafra prolongada no Nordeste e Norte deve significar maior necessidade de aquisição de etanol de fora das duas regiões, onde a produção canavieira já é preferencialmente voltada à produção de açúcar, o que tende a se acentuar nesta safra com a maior rentabilidade do produto ante o etanol. Porém, tanto Cunha como Robério acreditam que não será preciso aumentar a importação de etanol dos EUA para garantir o abastecimento regional, embora alguns carregamentos do biocombustível americano tenham desembarcado nos últimos meses nos portos da região em plena safra.

Para Cunha, a necessidade de etanol das regiões neste período pode ser coberta pela produção das usinas de Goiás, Minas Gerais e até mesmo da Bahia. Além disso, "a economia está patrocinando uma redução da demanda", afirmou Robério.

Segundo o presidente do Sindaçúcar de Alagoas, o Nordeste recebeu carregamentos de etanol americano recentemente porque a isenção da cobrança de ICMS sobre a importação de biocombustível no porto de São Luis, em Maranhão, torna o produto mais barato para as tradings em relação ao que chega por cabotagem a partir do Centro-Sul. (Valor Econômico 26/12/2016)