Setor sucroenergético

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Carga pesada

A incorporação da América Latina Logística (ALL) tem custado caro à Rumo, de Rubens Ometto Silveira Mello.

Além das 147 sanções pendentes junto à ANTT, há cerca de um mês a companhia foi condenada pela 1ª Vara do Trabalho de Rondonópolis a pagar R$ 1,5 milhão por dano moral coletivo a funcionários de um antigo terminal ferroviário da ALL.

Consultada, a Rumo informou que já recorreu da decisão. (Jornal Relatório Reservado 09/01/2017)

 

Petrobras prepara saída da Usina Bambuí

Após deixar o capital da São Martinho e da Açúcar Guarani, chegou a vez do bagaço: a Petrobras vai iniciar o processo de venda da participação de 40% na Usina Bambuí, que carrega uma dívida de R$ 450 milhões e convive com o fantasma da recuperação judicial.

Há mais de um ano o acionista controlador, o usineiro José Geraldo Ribeiro, tenta, sem sucesso, se desfazer da sua parte no negócio. (Jornal Relatório Reservado 09/01/2017)

 

Após Petrobrás, Raízen deve emitir títulos no exterior

Depois de a Petrobrás reabrir a janela de captação externa para empresas brasileiras, a Raízen deve seguir pelo mesmo caminho. Na fila, ainda estão Rumo Logística, Vale, Cemig, Braskem e o próprio Tesouro. A Fibria iniciou semana passada reuniões com investidores, o chamado roadshow, para sua emissão, mas sem data para a colocação. (O Estado de São Paulo  10/01/2017)

 

Açúcar: Na esteira do petróleo

O cenário macroeconômico pressionou, ontem, as cotações do açúcar na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 20,23 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 18 pontos.

A queda reflete a desvalorização do petróleo em meio às dúvidas sobre a capacidade dos países exportadores da matéria-prima de reequilibrar a oferta mundial após as perfurações de poços nos EUA avançarem na última semana.

A resistência da Índia em reduzir o imposto sobre a importação de açúcar diante do déficit na oferta em seu mercado interno também pressionou as cotações.

O país disse que seus estoques são suficientes para atender a demanda.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 89,26 a saca de 50 quilos, ligeira alta de 0,08%. (Valor Econômico 10/01/2017)

 

Fim de safra da cana na Índia sustenta preço global do açúcar

O encerramento antecipado da safra de cana-de-açúcar 2016/17 em algumas regiões da Índia tem dado suporte ao preço do açúcar no mercado global, segundo a consultoria Capital Economics. A produção indiana foi prejudicada por causa de uma seca prolongada. Entretanto, a consultoria destacou que o impacto do encerramento das atividades deve ser limitado. "Dado que a Índia é um exportador relativamente pequeno, isso não vai afetar prolongadamente o mercado internacional", disse, em nota.

A empresa acrescentou também que o país tem um grande estoque do alimento e que não deve importar em escala suficiente para afetar os preços. O processamento de cana no maior Estado produtor da Índia, Maharashtra, tem caído aceleradamente. A prolongada estiagem comprometeu a oferta de cana e as usinas do país interromperam as operações mais cedo.

Das 147 usinas do Estado que estavam em operação na safra que começou em outubro, 25 haviam parado o processamento até 31 de dezembro, segundo a Associação das Usinas de Cana-de-Açúcar da Índia (Isma, na sigla em inglês). (Dow Jones Newswires 09/01/2017)

 

Falta de chuvas preocupada fornecedores de cana de Alagoas

A falta de chuvas em Alagoas tem deixado a Associação dos Plantadores de Cana do Estado preocupada. Segundo o último boletim meteorológico disponibilizado pelo setor sucroenergético, foram registrados apenas, no acumulado da safra 16/17, 134,4 mm de chuvas na região canavieira.

Para o diretor técnico da Asplana, Antônio Rosário, o número implica numa redução de canaviais "desastrosa" na safra futura. "A seca está deixando todos nós preocupados. Essa safra já está prejudicada. A impressão que temos é de que ocorra uma redução do que foi produzido no ciclo anterior. Mas para a safra 17/18, se não chover, a perda pode ser ainda pior", atenta Rosário.

Segundo o diretor Técnico, os fornecedores de cana que possuem sistema de irrigação nos seus canaviais podem conseguir segurar sua produção. Para aqueles que não possuem, é preciso esperar para que chova e seguir trabalhando.

"Para o plantio de junho, a irrigação consegue repor algumas perdas. Estamos trabalhando, também, num projeto junto ao governo do Estado, através da Secretaria de Agricultura, para conseguir ajudar os pequenos fornecedores de cana a recuperar seu canavial. Mas esse resultado só viria no ano que vem", afirma o técnico da Asplana. (BCCOM Comunicação 09/01/2017)

 

Usina Caeté deve fechar acordo com credor Santander

A Usina Caeté, do Grupo Carlos Lyra, e um dos principais grupos sucroalcooleiros do Nordeste, está prestes a fechar um acordo com seu credor Santander, que prevê a antecipação do recebimento de R$ 200 milhões do banco em troca de contratos futuros de exportação com a trading Toyota, segundo fonte que acompanha o assunto.

O montante equivale a 60% do valor do compromissos que a usina Caeté tem com a trading relativos a contratos de exportação de açúcar ao longo de seis safras.

Na prática, o Santander passa a ser o beneficiário desses contratos, recebendo pelo açúcar que a Caeté entregar para a Toyota. Com isso, a Caeté embolsa à vista, com desconto, um valor que só receberia ao longo das próximas seis temporadas. Procurado, o Santander disse que não comentaria o assunto. O objetivo da operação é evitar que a Caeté tenha de pedir recuperação judicial.

O acordo depende agora da negociação da Caeté com outros credores, principalmente debenturistas, além do banco de fomento latino­americano CAF, e que têm a receber cerca de R$ 600 milhões da companhia. A expectativa é que a reestruturação dessa parcela de créditos ocorra até o fim deste mês.

A princípio, o acordo com o Santander não prevê garantias, ou seja, se a Caeté não entregar o açúcar comprometido para a Toyota, o banco assumirá o risco. Isso ainda está em negociação, mas segundo a mesma fonte, não é condição para o acordo ser assinado.

No total, a dívida da Caeté, dona de três usinas em Alagoas e uma em São Paulo, supera R$ 1 bilhão. A empresa também tem dívida com Credit Suisse, com a gestora americana Amerra, o HSBC, Banco do Brasil e Bradesco. Em 2016 a companhia entrou em calote, conforme classificação da Standard & Poor's (S&P), após deixar de pagar os vencimentos de juros e principal de sua dívida. (Valor Econômico 10/01/2017)

 

Projetos para cogeração de energia têm queda este ano

O setor sucroalcooleiro elevará neste ano sua capacidade de cogeração de energia elétrica, mas a um ritmo menor do que no passado, refletindo a falta de leilões direcionados para atrair o segmento nos últimos anos, segundo representantes do setor.

Para este ano, está prevista a entrada em operação de oito unidades de cogeração de energia a partir de biomassa, acrescentando ao Sistema Interligado Nacional (SIN) 450 megawatt (MW), segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). No ano passado, 25 projetos de biomassa começaram a operar e acrescentaram à capacidade instalada 1,2 gigawatt (GW), quase três vezes mais do que deve ser adicionado neste ano. Segundo a CCEE, a maior parte dos projetos nos dois anos são de biomassa a partir de cana.

Rui Altieri, presidente do conselho da CCEE, afirma que é comum ocorrerem oscilações entre um ano e outro e que não houve leilões recentemente prevendo início de entrega de energia neste ano. Zilmar de Souza, gerente de bioeletricidade da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), afirma, contudo, que a falta de leilões para estimular a geração a partir de biomassa tem sido estrutural nos últimos anos.

No ano passado, seis projetos de cogeração a partir de biomassa venceram em leilão (todos no leilão A-5, ocorrido em abril), dos quais quatro a partir do bagaço da cana. Foi mais do que em 2015 ­ quando três projetos foram vencedores, mas aquém do que o setor já conseguiu no passado, como em 2008, quando 31 projetos venceram leilões.

"Para quem já vendeu mais de 30 projetos e construiu uma cadeia para isso, realmente tem sido um sinal errático ruim", avalia Souza, da Unica. Depois de 2008, o ano em que houve mais projetos de cogeração a partir de biomassa que venceram leilões foi em 2011, com 12 projetos.

Além disso, o cancelamento de dois leilões de energia no ano passado por causa da situação de sobrecontratação das distribuidoras, embora fossem direcionados a outras fontes, também gerou incertezas no setor sucroalcooleiro. "O que se avizinha é preocupação se vai ter leilão em 2017 para viabilizar novos investimentos. E, se tiver, temos preocupação se a biomassa vai ser convidada a participar", acrescenta o gerente da Unica.

A contratação de projetos no ambiente regulado costuma ser a forma mais segura de incentivar aportes em cogeração, embora o mercado livre tenha crescido em importância para o segmento.

A migração de muitos consumidores de energia do ambiente regulado ao mercado livre, que disparou no ano passado, tem sustentado a demanda pela energia gerada pelas usinas sucroalcooleiras, segundo Altieri, já que as energias incentivadas (limpas) têm desconto.

Segundo a CCEE, a quantidade de consumidores que migrou para o mercado livre em 2016 mais do que duplicou, alcançando 4.062 no fim do ano, dos quais 3.250 foram de consumidores especiais, que obrigatoriamente tem de comprar energia limpa. Há ainda 1.121 processos em aberto de migração e que podem se concretizar neste ano, sendo 1.044 de consumidores especiais.

O mercado livre já representa a maior parte do destino da energia cogerada nas usinas. Segundo dado da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), 64% da energia cogerada a partir de biomassas como um todo são negociadas no mercado livre.

Para que essa nova demanda ofereça segurança para as usinas investirem em cogeração, Souza defende o fortalecimento de contratos de longo prazo no mercado livre. Afinal, intempéries climáticas que afetam a safra e alterações no consumo geram volatilidade na remuneração da energia.

A atual safra elevada de cana garantiu às usinas uma geração de 21,4 mil gigawatts­hora (GWh) até 26 de dezembro, superando o total de 2015.

Para este ano, o aumento da capacidade instalada nas usinas deve favorecer um novo avanço na cogeração a partir da bagaço de cana, mas a entrega dependerá do clima e da safra, que segundo as previsões do mercado será menor do que a atual. (Valor Econômico 10/01/2017)