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Odebrecht enxuga portfólio de negócios e define novos líderes

A poucos dias do fim de 2016, o grupo Odebrecht definiu uma nova estrutura de gestão, mais enxuta e com nova governança, para suas operações, envolvendo o Brasil e exterior. Com a reorganização, no todo, passaram a existir no conglomerado empresarial liderado pela família Odebrecht dez negócios. Em dezembro de 2015, quando Marcelo Odebrecht deixou de vez o comando da holding do grupo, no portfólio haviam 15 negócios.

As mudanças vão desde a unificação de negócios, como em Engenharia e Construção, até a extinção de empresas, criação de uma nova companhia encarregada de gerir o que sobrou das áreas de defesa e construção naval e a nomeação de novos executivos.

No futuro, a depender do programa de venda de ativos em curso, para arrecadar R$ 12 bilhões até meados deste ano, das negociações de dívidas de empresas como a Óleo e Gás (cerca de US$ 5 bilhões) e da viabilidade de outros, como o da área imobiliária, não se descarta novo enxugamento do portfólio. A empresa confirmou as mudanças na gestão, mas preferiu não conceder entrevista.

Novos executivos para os negócios foram recrutados nos escalões intermediários da organização, passando a ocupar cargos de muitos que foram envolvidos nos acordos de delação com o Ministério Público Federal. Ao todo, foram 77 pessoas, incluindo Emílio Odebrecht e seu filho Marcelo.

Tão logo foi assinado o acordo de leniência com procuradores do MPF, com Estados Unidos (Departamento de Justiça) e autoridades da Suíça, em decorrência das investigações da Lava-Jato, a Odebrecht efetivou a nova estrutura de comando, que traz seis novos nomes de líderes, comparado com dezembro de 2015. O que se busca, agora, é uma nova rotina de gestão dos negócios.

O acordo de leniência ainda passa pelo rito de homologação do Supremo Tribunal Federal. Está a cargo do ministro Teori Zavascki e a expectativa é que seu conteúdo seja aprovado, integral ou parcial, no próximo mês. Ele é considerado na Odebrecht o novo "marco zero" da companhia, depois do tsunami da Lava-Jato.

As investigações identificaram pagamentos de propinas em obras da Petrobrás no país e a construtora mais a Braskem vão pagar R$ 6,9 bilhões de indenizações num período de 23 anos.

O grupo ainda tem pela frente as negociações de acordos com autoridades de mais de uma dezena de países, como Peru, Colômbia, Panamá e Equador, onde foram identificados pagamentos irregulares em contratos de diversas obras de infraestrutura.

Conforme apurou o Valor, a maioria das mudanças foram reveladas durante encontro de fim de ano do alto escalão da holding com de cerca de 200 executivos, na sede de Salvador, Bahia.

Na nova grade de negócios, as cinco áreas de Engenharia e Construção (Brasil e exterior) foram concentradas em duas: Infraestrutura e Industrial, ambas com atuação internacional e cada uma com seu respectivo líder.

As demais, já conhecidas, são a petroquímica Braskem, OR (negócio imobiliário), Odebrecht Transport (concessões de infraestrutura no Brasil), Latinvest (réplica da OTP no exterior), Agroindustrial (de etanol e açúcar) e Óleo e Gás (exploração de petróleo). Recentemente foi criada a Empresa de Construção Naval (ECN) para abrigar o Estaleiro Enseada e o projeto de um submarino.

A décima unidade de negócio é a Foz, que herdou ativos de saneamento ambiental no exterior da Odebrecht Ambiental, que foi vendida em novembro para a canadense Brookfield. Os ativos estão no México, Peru e Angola.

A Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT), que não prosperou, e a Odebrecht Properties (gestão de ativos imobiliários) foram extintas. Ativos, como a Mectron, estão à venda. As duas empresas foram criadas no plano de expansão do grupo, acelerado a partir de 2007.

No pacote de mudanças, Luciano Guidolin foi recrutado na Braskem, onde era vice-presidente do principal negócio da petroquímica Braskem, o de resinas plásticas. Com carreira na Odebrecht desde 1994, o engenheiro formado pela USP passou a ocupar o cargo de vice-presidente de Investimentos e Análise de Risco da holding.

Segundo apurou o Valor, o cargo é estratégica. Ele terá a função de dar suporte à holding, avaliando o dia a dia de cada um dos negócios. Tanto que o executivo, após assumir o posto no início de janeiro, já foi nomeado presidente dos conselhos de administração de seis empresas. Não ficaram com ele Braskem, Odebrecht Engenharia e Construção e Óleo e Gás.

Na holding, executivo da Braskem foi recrutado para assumir uma nova vice-presidência, de Investimentos e Análise.

Guidolin, segundo uma fonte, é visto como um potencial líder em ascensão na nova fase do grupo, que teve vários outros na mesma condição ceifados nas investigações da Lava-Jato. O executivo é cotado como candidato interno a ser presidente da holding no futuro, quando Emílio Odebrecht definir qual o desfecho da reestruturação da gestão da companhia. O empresário, que preside o conselho de administração, negociou com o MPF um ano para poder realizar a reorganização.

Em meados do ano passado, na holding, já havia sido criada a vice-presidência de Comunicação e Sustentabilidade, assumida por Marcelo Lyra, também trazido da Braskem. Logo a seguir, Olga Pontes também foi recrutada para ser a diretora-chefe de compliance.

Nilton Sérgio de Souza, homem de confiança de Emílio, está no comando do grupo desde a prisão de Marcelo, em junho de 2015. Foi efetivado no cargo quando se concluiu que Marcelo não tinha mais condições de retornar ao comando no fim daquele ano.

Com as mudanças, a Odebrecht tem como meta adotar nova governança entre o presidente da holding e os executivos das empresas. A relação passa a ser com os conselhos de administração e não mais diretamente, como era com Marcelo Odebrecht.

O foco da companhia, neste momento, é aprimorar a governança, adotar procedimentos de conformidade (compliance) em cada negócio, reestruturação organizacional e a venda de ativos. Em cada empresa foi criado um comitê de compliance, vinculado ao conselho de administração. Já foram contratados diretores e pessoas de apoio que somam 40 profissionais para cuidar disso.

No intuito de mostrar mais transparência, foi definido que os conselhos das empresas terão 20% ou no mínimo dois conselheiros independentes. Esse processo ainda está em curso e só deve ser concluído após a homologação do acordo de leniência.

O sonho de Marcelo Odebrecht de tornar o conglomerado um gigante brasileiro, com R$ 200 bilhões de faturamento na virada de 2020, desmoronou com a Lava-jato. Em 2015, atingiu R$ 132 bilhões e o grupo carregava uma dívida bruta de R$ 110 bilhões. Com a venda de ativos e a perda de contratos na construção e engenharia, a tendência é de recuo ano a ano.

Segundo informações, a Odebrecht já encerrou 2016 com faturamento abaixo de R$ 100 bilhões, afetada principalmente pela perda de receita na área de construção, segundo maior negócio, atrás da petroquímica. A Braskem tem faturamento estimado na casa de R$ 55 bilhões.

A dívida total, por sua vez, também caiu, para a casa de R$ 95 bilhões, porém cerca de 75% já estaria refinanciada com os credores. (Valor Econômico 19/01/2017)

 

À beira da falência, usina de Bumlai está nos planos de grupo argelino

A Usina São Fernando, de propriedade da família do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula e réu na Operação Lava Jato, está entre as indústrias sucroalcooleiras com problemas financeiros que despertaram interesse de conglomerados de países emergentes e fundos de investimento.

De acordo com o jornal Valor Econômico, o grupo Cevital, maior companhia privada da Argélia, já demonstrou interesse em adquirir a São Fernando, que está em recuperação judicial e enfrenta vários pedidos de falência na Justiça em Dourados.

Fontes ligadas às negociações informaram ao jornal paulistano que a expectativa é de alguns desses negócios saírem do papel ainda neste ano.

Além do Cevital, outro grupo de país emergente interessado em comprar indústrias no Brasil está o Fatima, um dos maiores do Paquistão.

O Cevital é dono da maior refinaria de açúcar do mundo e atua em diversos segmentos do agronegócio, da indústria e do setor automotivo em vários países da Ásia e da Europa. Conforme o jornal, o representante do Cevital no Brasil não quis comentar a possibilidade de fazer uma proposta pela usina de Bumlai.

As mesmas usinas também estão sendo cortejadas por fundos de investimento. Na lista de gestoras de fundos e consultorias que vêm colhendo informações sobre as indústrias estão o Amerra, o Proterra Investments Partners (que tem como um dos acionistas a Cargill), o Castlelake e a RK Partners, segundo o Valor.

Desde o ano passado o Amerra tem indicado interesse na São Fernando. Entretanto, o imbróglio jurídico da empresa por causa das dívidas travaram os negócios. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul suspendeu a assembleia de credores da usina, marcada para novembro. (Campo Grande News 17/01/2017)

 

Cade aprova compra de fatia da Guarani, da Petrobras, pela Tereos

A superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a compra, por parte do Grupo Tereos, da totalidade das ações de emissão da empresa Guarani, detidas pela Petrobras Biocombustível (PBio). As ações correspondem a 45,9% do capital votante e total da Guarani.

Despacho aprovando a operação foi publicado nesta quarta-feira, 18, no Diário Oficial da União.

Com a conclusão da operação, o Grupo Tereos passará a ser o único detentor da Guarani.

O Grupo Tereos atua no setor e agribusiness com seu principal ramo de atividade ligado à transformação de beterraba e cana-de-açúcar em açúcar, etanol e energia, e também por meio da transformação de cereais, batata e mandioca em amido e derivados de amido, álcool e co-produtos. O grupo opera 45 unidades industriais ao redor do mundo. No Brasil o Grupo Tereos detém as empresas Tereos Amido e Adoçantes Brasil, além da Guarani.

A Petrobras Biocombustível é uma subsidiária integral da Petrobras, criada em 2008. A PBio atua, diretamente ou por meio de subsidiárias, na produção, logística, comercialização e pesquisa de biocombustíveis, incluindo etanol e biodiesel, bem como de quaisquer outros produtos, subprodutos e atividades correlatas ou afins à logística e à comercialização de matéria-prima e geração de energia elétrica associada às suas operações de produção de biocombustíveis. (Valor Econômico 18/01/2017 às 11h: 33m)

 

SP concentra metade das startups do agronegócio do Brasil

O Estado de São Paulo, responsável por mais de 55% da produção nacional de cana-de-açúcar (48,22 % de etanol e 63,74% de açúcar) na safra 2015/2016, abriga 37 das 74 empresas de tecnologia recém-criadas no País com atividades voltadas exclusivamente para o agronegócio.

Segundo um levantamento divulgado recentemente pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), 15 destas companhias estão instaladas no AgTech Valley, ou Vale do Piracicaba, um conglomerado de startups para a agricultura inspirado no Vale do Silício, na Universidade de Stanford (EUA), onde atuam companhias como Facebook, Apple e Google.

O consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, destaca o pioneirismo da iniciativa lançada em maio de 2016 com o objetivo de integrar o trabalho de diversas empresas e intuições de pesquisas localizadas no município paulista. “O projeto cria uma rede importante de relacionamento, dá mais visibilidade aos diversos agentes que compõem a Agtech Valley. Isso poderá resultar em novas oportunidades de investimentos em soluções que no futuro poderão garantir a posição de destaque do Brasil no atual mapa do agronegócio mundial” afirma o especialista.

O presidente do Conselho Deliberativo da Incubadora ESALQTec, Mateus Mondin, destaca que o Vale do Piracicaba cria um ecossistema com 80 empreendimentos já instalados na região. “Ele organiza o sistema de inovação tecnológica que é, sem dúvida nenhuma, o Vale do Silício da agricultura. Seguindo o modelo americano, temos a ESALQ como um centro de gravidade (a exemplo da Universidade de Stanford), onde surgem as inovações amparadas por outras instituições de ensino superior. Existem startups para todas as áreas do agronegócio”, explica Mondin.

Outros resultados

De acordo com outros dados revelados pelo censo da ESALQ, as 15 startups focadas em biotecnologias, agricultura de precisão e softwares para gestão que atuam em Piracicaba representam 18,6% do total de iniciativas dessa natureza no País. A região soma mais empresas do que o restante dos estados brasileiros. O ranking é formado por SP (37), Minas Gerais (13), Paraná (7), Santa Catarina (6), Rio Grande do Sul (5), seguidos do Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Amazonas e mais o Distrito Federal, todos com uma companhia cada.

Em relação à idade média da equipe de fundadores, a investigação feita pela ESALQ revela que 44% possuem entre 31 e 40 anos, 25% têm de 26 a 30 anos, 16% estão com mais de 40 anos, 12% situam-se na faixa 21-25 anos e 3% ainda não chegraram aos 20 anos. Dos integrantes com expertise técnica, 53% completaram o ensino superior.

Para os novos empresários do ramo tecnológico do universo agro, a ideia de montar startups surgiu predominantemente durante a vida acadêmica (21%) ou em empregos anteriores (21%). Para o restante dos entrevistados, a inspiração surgiu na observação de outros mercados (20%), demanda não atendida como consumidor (15%), outros (11%), hobby (6%) e vivência com negócios familiares (6%). Dentre as principais dificuldades enfrentadas pelas novas empresas, estão: capital inicial para investir na ideia (66%), conquista dos primeiros clientes (49%) e a não dedicação full-time ao negócio (48%). (UNICA 18/01/2017)

 

Oferta de açúcar cai na Ásia e eleva preço internacional

O andamento da produção de açúcar na Ásia tem decepcionado quem esperava uma recuperação após a quebra na última temporada provocada pelo El Niño. Tanto na Índia como na Tailândia, segundo e terceiro maiores produtores de açúcar respectivamente, a produção tem ficado abaixo da safra passada, sustentando os preços internacionais da commodity.

Na Índia, a quantidade de usinas operando é menor que na safra passada devido à falta de cana para garantir a moagem. Até o último dia 15, havia 399 usinas em atividade, 93 a menos do que na mesma época do ano passado, segundo dados divulgados ontem pela Associação Indiana de Usinas de Açúcar (ISMA, na sigla em inglês).

A produção desde o início da safra 2016/17 até a metade deste mês somou 10,48 milhões de toneladas, 500 mil toneladas a menos que no mesmo período da safra passada, uma queda de 4,5%.

A situação é mais grave no principal Estado produtor, Maharashtra, onde a quantidade de usinas em operação até o dia 15 era de 149, 23 a menos do que na mesma data do último ano.

Na Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar, estima-se que a produção da safra atual deva cair 3% ante o ciclo passado, quando foram produzidas 9,7 milhões de toneladas. Com a seca que atingiu o país no último ano, muitos produtores migraram de cultura.

Quanto à China, a produção deve crescer 1 milhão de toneladas, para 10,5 milhões de toneladas, mas o consumo também segue em ascensão, com a estimativa de acrescentar 400 mil toneladas ao patamar da safra passada.

"Pouco muda em termos de necessidade de compra. No ano passado, a China comprou menos, mas teve muito contrabando. A China vai precisar comprar por causa do déficit interno", disse Bruno Lima, analista da FCStone.

A quebra de safra de Índia e Tailândia ocorre em um momento em que as atenções globais do mercado de açúcar estão voltadas para a Ásia, já que esta é a época do pico da safra na região, enquanto o Brasil segue em entressafra.

Esse enxugamento da oferta asiática tem potencializado neste mês a tendência de alta dos preços do açúcar, que vem desde 2016 em meio à segunda temporada seguida de déficit de oferta.

Desde o início do ano, os contratos futuros do açúcar demerara na bolsa de Nova York subiram entre 3% e 6%. Os papéis com vencimentos no curto prazo apresentam altas maiores e cada vez mais distantes dos contratos com vencimentos mais longos.

Em relação ao mesmo período de safras anteriores, a variação é ainda maior. O valor médio do contrato de segunda posição do açúcar na bolsa nova-iorquina neste mês, até ontem, ficou em 20,41 centavos de dólar a libra-peso, 45% a mais do que o valor médio de janeiro do ano passado e 31% acima do valor médio do mesmo mês de 2014, de acordo com levantamento do Valor Data. (Valor Econômico 19/01/2017)

 

CPFL indica chineses para vagas em conselhos da CPFL Renováveis

A holding de energia elétrica CPFL indicou os nomes de cinco profissionais chineses para assumirem cargos nos conselhos de administração e fiscal de sua subsidiária CPFL Renováveis, dedicada a energia limpa, segundo documento divulgado pela elétrica nesta quarta-feira.

As nomeações, que serão submetidas a uma assembleia geral ordinária de acionistas, agendada para 16 de fevereiro, vêm em um momento em que a chinesa State Gridassume o comando da CPFL Energia, após ter aprovada no final do ano passado sua proposta de aquisição do bloco de controle da companhia por cerca de 12 bilhões de reais.

O engenheiro Futao Hang, que começou carreira na State Grid e atualmente é diretor de um escritório australiano da Shenzhen, foi indicado a uma vaga efetiva no Conselho de Administração da CPFL Renováveis.

Foram apontados ainda os nomes de Yuehui Pan, Ran Zhang e Changgang Liu para cargos no conselho fiscal, além de JiaJia como membro suplente do conselho fiscal, todos são profissionais atualmente com cargos na State Grid ou subsidiárias da companhia. (Reuters 18/01/2017)

 

Produção própria de energia e combustível traz segurança a produtor

O produtor André Haacke está tentando fechar o cerco entre os principais gastos e lucros dentro da própria porteira da propriedade agrícola em Santa Helena, no oeste do Paraná.

O trator e a camionete já não utilizam diesel e são movidos a biometano, um combustível produzido na propriedade de 36 hectares.

A energia elétrica, com uso intensivo em determinados períodos do ano, também é gerada dentro da propriedade.

Após um investimento total de R$ 700 mil nos últimos anos, Haacke diz que já consegue uma economia de pelo menos R$ 80 mil por ano em suas despesas.

Mas essa economia não é tudo. O produtor, que atua na produção de ovos e tem um semiconfinamento bovino, passou a ter segurança na sua atividade.

A falta de energia, comum em períodos de fortes chuvas e tempestades no campo, deixou de ser uma preocupação. Com isso, a mortandade de galinhas é menor, e os custos caíram.

Na ponta do lápis, os ganhos são evidentes. A energia elétrica produzida por Haacke custa R$ 0,11 por kWh. Já a comprada fica por R$ 0,34.

Com os dejetos das granjas e do gado, o produtor produz gás. Parte deste gás é transformado em energia elétrica e outra passa por um processo de filtragem.

A filtragem permite que o gás abasteça parte dos veículos de Itaipu. O gás metano tem de ter pureza de 96,5% para ser utilizado como combustível veicular.

Mas, como diz o produtor, "ainda estamos aprendendo e em busca do ponto ideal na produção e utilização dessa energia".

Na verdade, tudo isso ainda são experimentos e ocorre devido à parceria de Haacke, com a New Holland, a Itaipu e Copel.

Quanto à primeira, ela está testando um dos quatro protótipos de trator movido a biometano que tem no mundo. O equipamento que está em Santa Helena veio da Europa, após ter passado por um período de testes em propriedades agrícolas europeias, principalmente na Itália.

Nilson Righi, da New Holland, assim como Haacke, diz que "estamos aprendendo". Um dos problemas encontrados pela empresa é o da autonomia. O trator tem capacidade para armazenar 300 litros de metano comprimido e autonomia para cinco horas de trabalho. Nas condições agrícolas do país, de grandes extensões, esse período de autonomia ainda é pequeno.

"É um trabalho de tentativas e erros", que poderá ser melhorado com a chegada do segundo protótipo do trator movido a gás biometano, a partir do segundo semestre, afirma Righi.

Uma coisa é certa, segundo ele. Os testes na Europa indicaram uma economia de 40% em relação ao trator movido a diesel.

Outro parceiro de Haacke nesse projeto é a Itaipu, que já tem um quarto de sua frota utilizando o biometano. No segundo semestre, esse percentual ficará próximo de 30%. Enquanto os carros movidos a etanol têm custos de R$ 0,36 por quilômetro, os que utilizam o biometano gastam R$ 0,24.

Já com a Copel, empresa de energia, o produtor fez um contrato de troca de créditos. Repassa para a empresa a energia excedente e utiliza os créditos que adquire quando necessita de um suporte da empresa.

Os envolvidos nesse projeto sabem que é um projeto ainda inicial, mas que necessário para uma autonomia maior dos produtores rurais e para que o país avance cada vez mais na utilização da energia limpa.

"E esse avanço será necessário", diz Rodrigo Regis de Almeida Galvão, diretor-presidente da Cibiogas Energias Renováveis.

O Brasil tem capacidade e vai implementar a produção de proteínas, principalmente nessa região do Paraná. Os dejetos são uma saída para a geração de energia e uma solução para os produtores se livrarem deles.

Galvão diz que eles dão segurança energética às fazendas, resolve o problema ambiental e agrega valor econômico à propriedade.

Mas alguns entraves precisam ser resolvidos. O biometano tem a mesma tributação do gás fóssil. Além disso, é preciso que o biogás se torne um modelo de negócio.

Ainda aprendendo, Haacke diz que a utilização da produção de biometano o livrou das reclamações dos vizinhos, principalmente devido aos dejetos, que somam de 80 a 85 m3 por dia.

A coleta é feita automaticamente das granjas de galinha e do confinamento de gado da propriedade.

O jornalista viajou a Santa Helena (PR) a convite da New Holland.

Agricultura nos EUA

Após uma longa lista de possíveis candidatos ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, Donald Trump optou por Sonny Perdue, ex-governador da Georgia, segundo membros do comitê de transição do presidente eleito.

Orçamento

O novo secretário vai ter em mãos um orçamento de US$ 150 bilhões e um setor muito exigente, devido à votação dos agricultores em Donald Trump. A nomeação do secretário de agricultura foi a última feita por Trump. (Folha de São Paulo 18/01/2017)

 

Boas práticas e o uso de plantadora automatizada melhoram muito o desempenho da operação

Alinhamento do plantio com piloto automático, qualidade da sulcação e da cobertura estão entre benefícios da Plantadora de Cana Picada PCP 6000 Automatizada

Nas oito fazendas do produtor de cana Anselmo Dimas Ferrari, situadas num raio de 100 km de São José do Rio Preto, SP, todas as distribuidoras de cana foram encostadas. “Passamos a utilizar totalmente no nosso plantio a Plantadora de Cana Picada PCP 6000 Automatizada, da DMB Máquinas e Implementos Agrícolas”, relata Anselmo, que é diretor da Agro FCM. “Achamos a máquina confiável e com realização satisfatória do plantio”, avalia.

Entre os benefícios possibilitados pela plantadora automatizada DMB, Anselmo destaca o alinhamento do plantio com piloto automático, a qualidade da sulcação e da cobertura, a maneira como distribui os toletes, em posição e quantidade satisfatórias, e a obediência ao trator. (Cana Online 18/01/2017)