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Chuvas revigoram canaviais no interior paulista

Cana que terminou 2016 atrasada, arriba com as chuvas e possibilita o uso de maturador

Em novembro de 2016, o cenário para o início da safra canavieira de 2017/18 era pessimista, muitos duvidavam se haveria cana para começar a moer em abril, de tão atrasado que estava o estágio do canavial. Até o uso de maturadores - produtos químicos que induzem o amadurecimento de plantas, causando, assim, a translocação e o armazenamento dos açúcares na planta. E utilizados para antecipar e otimizar o planejamento da colheita - estava ameaçado, pois a cana precisa estar no estágio ideal para a sua aplicação.

Mas para muitos especialistas na lavoura canavieira, o quadro de início da safra 2017/18 poderia ser menos feio se as chuvas fossem fartas no começo do ano. “Dependendo da quantidade de chuva, o canavial poderá dar uma boa arribada”, disse em dezembro, Oswaldo Alonso, consultor técnico da Canaoeste, especialista em clima.

Pois é, em janeiro, no interior paulista, as chuvas passaram a acontecer quase que diariamente e em grande volume, arribando os canaviais. “Nossa, com essas chuvas melhorou muito. O canavial está bonito”, diz o produtor Luiz Camilotti, de Jaboticabal, SP, fornecedor de cana para as usinas Santa Adélia e Nardini.

Quem também está animado com a ação das chuvas nos canaviais, é o engenheiro agrícola Rodrigo Bello, do Grupo Pavani, que conta com cinco mil hectares de cana nas regiões de Tanabi, Jaboticabal e São José do Rio Preto e fornece para as usinas Guarani, Moreno, São Martinho e Santo Antonio. “O canavial recuperou bem o atraso, vai dar para aplicar maturador”, salienta Bello. (Cana Online 26/01/2017)

 

Preços de créditos de combustíveis renováveis despencam nos EUA

Os preços dos créditos de combustíveis renováveis comercializados entre as refinarias americanas para garantir o cumprimento do mandato de biocombustíveis do governo estão em queda livre nesta semana.

A desvalorização é reflexo da decisão do governo de Donald Trump de congelar todas as decisões dos departamentos e agências reguladoras, entre as quais a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês), que regula a política de combustíveis renováveis.

Em memorando publicado na sexta-feira, o chefe de gabinete de Trump, Reince Priebus, suspendeu o encaminhamento de medidas para publicação no Registro Federal, além da aplicação de medidas já oficializadas mas que ainda não entraram em vigor.

Conforme levantamento da agência de informações Argus Media, o RIN (sigla para Renewable Identification Number) vinculado ao etanol de milho fechou ontem em 53 centavos de dólar por RIN (ou por galão), ante 69,8 centavos de dólar o RIN na segunda-feira. O RIN vinculado aos biocombustíveis avançados (categoria na qual se encaixa o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar no Brasil) caiu de 104,5 centavos de dólar o RIN na segunda-feira para 95 centavos de dólar ontem. O RIN vinculado ao biodiesel caiu de 97 centavos de dólar o RIN na segunda para 89,3 centavos de dólar o RIN ontem.

Os RINs são gerados pelas refinarias que misturaram mais combustível renovável que o volume obrigatório estabelecido pela EPA e são comercializados para refinarias que não atingiram esse patamar.

Paulo Roberto de Souza, presidente executivo da Copersucar, maior trading de etanol do Brasil e dona de dona da maior trading de biocombustíveis dos Estados Unidos, a Eco-Energy, afirmou ao Valor que “o mercado já ‘reprecificou’ o RIN como resultado das indicações iniciais do governo Trump”. Para o executivo, “mesmo com a reação negativa do mercado, não há medidas efetivas ainda, e a expectativa é com o que virá”.

Souza não vê risco de o novo governo americano alterar os mandatos estabelecidos para este ano, mas avalia que pode haver risco com relação à mistura de 15% do etanol na gasolina (E15). “Se não for um governo abertamente favorável aos biocombustíveis, talvez não tenhamos o E15, mas não vemos riscos em relação ao E10 [mistura de 10% de etanol na gasolina]”.

O presidente da Copersucar disse ainda que o mercado está esperando que Trump “se pronuncie sobre o programa de [combustíveis] renováveis derivados do milho” e lembrou que, em campanha, o republicano se manifestou a favor do mercado de etanol de milho perante os produtores. (Valor Econômico 26/01/2017 às 19h: 40m)

 

Preços mais firmes dos adubos neste começo de ano

Segundo levantamento da Scot Consultoria, os preços dos adubos fosfatados e potássicos subiram 0,2% e 0,1%, respectivamente, na primeira quinzena de janeiro deste ano, frente a dezembro/16.

Os fertilizantes nitrogenados tiveram alta de 1,8% neste mesmo período.

Algumas empresas falam em menor disponibilidade matéria-prima neste momento. Além disso, cabe destacar as recentes altas de preços dos adubos e matérias primas no mercado internacional, mais ajustado do lado da oferta nos últimos meses.

Já do lado da demanda interna, o cenário ainda é de baixa movimentação. A expectativa é de retomada a partir de fevereiro pelo setor de cana-de-açúcar e para atender a demanda para segunda safra no país. (Scot Consultoria 26/01/2017)

 

Pesquisa da UFSCar transforma resíduo da queima do bagaço de cana em areia para construção civil

O bagaço é um dos principais resíduos do processamento da cana-de-açúcar; é um poluente ambiental quando descartado de modo inadequado na terra ou próximo a rios. Uma das maneiras mais comuns de reuso deste material é a queima em caldeiras, gerando energia para a própria usina. Porém, essa queima gera um outro resíduo, conhecido como areia da cinza do bagaço de cana-de-açúcar (ACBC). Por não possuir nutrientes, esse resíduo também configura um sério problema ambiental. A estimativa é que cerca de 4 milhões de toneladas de ACBC são descartados anualmente pelas usinas no Brasil.

Pensando nisso, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram um estudo que obteve duas importantes inovações: a simplificação do processo de transformação do bagaço em ACBC e o uso dela na construção civil, substituindo parcialmente a areia retirada do meio ambiente para a produção de concreto.

Um dos re-usos para a areia da cinza do bagaço de cana-de-açúcar pesquisado atualmente é a transformação deste material em cimento. Porém, este processo implica em longos períodos de moagem e altas temperaturas para queima (calcinação), o que o torna demorado e de alto custo.

Na pesquisa da UFSCar, foi utilizado um processo simples e de menor custo. Nele, a ACBC passa por uma etapa de peneiramento, que pode ser manual, e uma moagem de apenas três minutos visando a padronização granulométrica das partículas, ou seja, para que elas fiquem com tamanho próximo ao da areia natural. Outro resultado é que este processo transformou a ACBC em areia que pode ser utilizada na construção civil, especificamente na composição de concretos, vigas, entre outros materiais. A areia resultante deste processo pode substituir em até 30% a areia retirada da natureza, o que significa a redução do uso da areia natural e, consequentemente, a diminuição do impacto ambiental.

Outras vantagens da areia resultante da ACBC em relação à areia natural estão na composição química e na granulometria (tamanho dos grãos de areia).

Por ser mais fina, a nova areia permite "fechar" os pequenos poros (abaixo de 150 micrômetros), o que diminui a porosidade do concreto quando comparado ao concreto convencional, resultando em uma maior durabilidade do produto. "Com menos poros e menos vazios, menor é a possibilidade de degradação do material", explica Fernando do Couto Rosa Almeida, mestre em Estruturas e Construção Civil pela UFSCar e responsável pelos estudos. Testes também mostraram maior resistência do concreto em "ataques" de cloretos em armaduras (ferros de construção).

A pesquisa foi descrita no artigo "Sugarcane Bagasse ash sand (SBAS): Brazilian Agroindustrial by-product for use in mortar", de autoria de Almeida, e publicado no periódico Construction Building Material. O trabalho foi o vencedor do Prêmio Capes-Natura Campus de Excelência em Pesquisa 2015, no tema Sustentabilidade: novos materiais e tecnologias. A pesquisa de mestrado, que serviu como base para o artigo, foi orientada por Almir Sales, docente do Departamento de Engenharia Civil (DECiv) da UFSCar, e realizada no âmbito do Grupo de Estudos em Sustentabilidade e Ecoeficiência em Construção Civil e Urbana (GESEC), liderado por Sales, e que estuda esta temática há 10 anos. (Bonde News 26/01/2017)

 

Blairo refuta na Europa críticas de que agronegócio destrói ambiente

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, refutou hoje enfaticamente em Bruxelas percepções de alguns setores na Europa de que o Brasil destrói o meio-ambiente na produção agrícola a fins de exportações.

A Apex (Agência de Promoção das Exportações) e a Unica (União da Indústria da Cana­de­Açúcar) organizaram um debate do ministro com empresários e parlamentares europeus, funcionários da Comissão Européia, além de representantes dos EUA.

A mensagem de Maggi foi de que a agricultura brasileira está se tornando cada mais sustentável, mostrou uma série de dados. E insistiu que o país exporta, mas também consome grande parte do que produz.

“Foi muito importante a presença do ministro em Bruxelas, pois permitiu desmistificar críticas feitas ao Brasil com relação ao uso da terra e uso de alimentos para produzir biocombustíveis”, afirmou Géraldine Kutas, representante da Unica na capital européia.

Maggi observou, sobre o uso da terra, que 11% do território brasileiro é preservado na propriedade privada, ou seja, nas próprias fazendas. Além disso, há as áreas protegidas, incluindo reservas indígenas. Ele destacou que 61% do território ainda tem vegetação nativa. E que a produção agrícola, fora pecuária, só ocupa 8% do território brasileiro.

O ministro falou também de novas iniciativas ambientais. Inclui a plataforma Biofuture, criada para acelerar alternativas ao uso de combustíveis fósseis em transporte, químicos, plásticos e outros setores. E o programa Renova Bio 2030, que define papel concreto de bioenergia sustentável.

Um representante da UE, da direção geral sobre clima, destacou que a UE e o Brasil tem forte parceria em negociações do clima e que a Europa vê o Brasil como um dos líderes nas discussões nessa área.

Curiosamente, no debate nada foi perguntado sobre a negociação UE­Mercosul. (Valor Econômico 26/01/2017 às 16h: 26m)

 

Governo da Tailândia vende 72 mil toneladas de açúcar em leilão, informa estatal

O governo da Tailândia vendeu 72 mil toneladas de açúcar em um leilão, afirmou a estatal Thai Cane & Sugar nesta quinta-feira, 26. A Alvean e a Sucden Asia compraram 24 mil toneladas da variedade altamente polarizada por 75 pontos acima do preço na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), com entrega entre 1º de março de 2018 e 15 de maio de 2018.

A Cofco também comprou 24 mil toneladas de açúcar da variedade altamente polarizada, mas para entrega entre 1º de maio de 2018 e 15 de julho de 2018. A empresa pagou 98 pontos acima do preço da ICE Futures US.

Os futuros do açúcar com vencimento em março recuaram 1,2% no pregão desta quarta-feira, 25, a 20,34 cents por libra-peso na Bolsa de Nova York. A Tailândia é o segundo maior exportador de açúcar do mundo, atrás apenas do Brasil. (Dwon Jones 26/01/2017)

 

Fila de navios para embarque de açúcar aumenta de 23 para 27 na semana, diz Williams Brazil

O total de navios que aguardam para embarcar açúcar nos portos brasileiros aumentou de 23 para 27 na semana encerrada nesta quarta-feira, 25, segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 11 de fevereiro.

Foi agendado o carregamento de 861,12 mil toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos (SP), de onde sairão 524,65 mil t, ou 61% do total. Paranaguá responderá por 26% (220,80 mil t); Maceió, por 8% (69,42 mil t); Suape, por 3% (26,25 mil t); e Recife, por 2% (20 mil t). Em Santos, o terminal da Copersucar deve embarcar 202,85 mil toneladas. No da Rumo, são 321,80 mil t.

A maior parte do açúcar a ser embarcado é da variedade VHP, açúcar bruto de alta polarização, com 790,57 mil toneladas. Outras 46,25 mil toneladas são de refinado A-45 e 24,30 mil t, de B-150, ambos carregados ensacados. (Agência Estado 26/01/2017)