Setor sucroenergético

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Clealco está em conversas para renegociar dívidas e avalia possível venda

A Clealco Açúcar e Álcool está em conversas com bancos para renegociar os termos de cerca de 1,5 bilhão de reais em empréstimos, a mais recente empresa açucareira do Brasil reestruturando suas operações em meio a pesadas dívidas, disseram três pessoas com conhecimento da situação.

Acionistas da Clealco estão considerando retomar processo para procurar um comprador, o que pode acontecer simultaneamente com o plano de renegociação dos empréstimos, disse a primeira pessoa, que não tem autorização para discutir os planos publicamente.

A Clealco, que possui três usinas no Estado de São Paulo com capacidade combinada de processamento anual de 10 milhões de toneladas de cana, contratou a empresa Pantalica Partners para assessorá-la nas negociações com bancos que incluem o Rabobank, Itaú Unibanco e Santander Brasil, disseram as pessoas.

A Clealco ainda irá propor os termos do plano para credores, acrescentaram. Os sócios da companhia esperam levantar em torno de 500 milhões de dólares no caso de decidirem por uma venda total do negócio, informou a primeira pessoa.

A Clealco, sediada em Clementina, na região de Araçatuba (SP), não quis comentar. O Rabobank, Itaú, Santander e Pantalica não comentaram.

As conversas para reestruturação do negócio ocorre dois meses após a Clealco e a operadora suíça de commodities Glencore suspenderem negociações sobre uma possível venda que já durava um ano. A Reuters reportou na terça-feira que a Glencore está avaliando outras instalações brasileiras de açúcar, após a aquisição em novembro de uma usina da Unialco.

A terceira fonte disse que a ideia inicial dos acionistas da Clealco era de vender uma participação minoritária na empresa para um investidor a fim de arrecadar capital para reduzir a dívida, mas não tiveram sucesso.

A Glencore não quis comentar sobre "rumores de mercado ou especulações".

Empresas de commodities e fundos de private equity estão buscando oportunidades para comprar usinas no maior produtor de açúcar do mundo, algumas das quais seguem atoladas em dívidas mesmo com os preços do açúcar atualmente próximos de uma máxima de cinco anos. Muitas usinas reestruturaram suas operações e outras entraram com pedidos de recuperação judicial após um ciclo de baixos preços que durou anos e acabou em meados de 2015. (Reuters 27/01/2017)

 

O etanol continua esquecido

Estamos abrindo mão de uma tecnologia que gera empregos e que está em plena evolução.

Dois ícones do setor de energia foram dizimados pelo PT: a Petrobrás e o etanol. A Petrobrás vem numa trajetória de aparente recuperação. Tem um plano de desinvestimentos ambicioso, que em 2016 praticamente atingiu a meta de US$ 15 bilhões, e uma nova política de preços, segundo a qual a direção da empresa anunciou que a gasolina e o diesel não serão mais vendidos abaixo da paridade do mercado internacional e que, a partir de agora, os preços serão reajustados sempre seguindo a tendência do mercado internacional. Ou seja, o acionista minoritário voltou a ser respeitado.

Enquanto isso, o governo continua se esquecendo do etanol ao não definir uma política pública para o setor sucroalcooleiro. Com isso, a produção do etanol hidratado vem caindo e, se nada for feito, tende a desaparecer.

Para ter uma idéia, a quantidade de cana processada na safra 2016/2017 foi igual à da safra anterior, e o Açúcar Total Recuperável (ATR) também, o que já não é uma boa notícia. Mas o que chama a atenção é a queda da produção do etanol hidratado. E por que isso está acontecendo? Porque os usineiros, de maneira correta, olham para o mercado internacional e vêem de forma clara o aumento do preço do açúcar e a perda de competitividade do etanol hidratado em relação à gasolina. Diante disso, são obrigados a produzir mais açúcar e menos hidratado.

Isso é bom para o Brasil? Acredito que não. Primeiro, é bom lembrar que o Brasil é o maior produtor de açúcar do mundo. Ora, se as políticas no mercado interno levam o produtor a fazer mais açúcar, as consequências serão a queda do seu preço no mercado internacional e o prejuízo na nossa balança comercial.

Segundo, com a perda de competitividade do hidratado em relação à gasolina, passaremos a importar mais gasolina, e outra vez isso levará a números piores na balança comercial.

Terceiro, com este cenário do quase desaparecimento do etanol hidratado, jamais atingiremos as metas da COP 21.

Quarto, e, com certeza, o mais importante, estamos abrindo mão de uma tecnologia brasileira que gera empregos e que está em plena evolução com a produção do chamado etanol 2G.

O que fazer? Em primeiro lugar, é fundamental que o governo deixe de ter uma visão míope sobre a Cide e passe a premiar o etanol pelas suas externalidades positivas. O governo precisa entender que é moderno e bom para o Brasil ter uma política que diferencie, por meio de tributação, os combustíveis limpos e renováveis dos sujos.

O atual governo não pode cair no mesmo erro do anterior, que chegou ao limite de zerar a cobrança da Cide na gasolina. A Cide precisa ser encarada e explicada ao consumidor como um imposto ambiental, que visa a melhorar a qualidade do ar que respiramos. Mas, infelizmente, o que observamos é uma ausência de política pública, e com isso o etanol continua esquecido. Se não, vejamos: no dia 1º de janeiro deste ano o governo elevou o PIS/Cofins do etanol hidratado em R$ 0,12/litro. No dia 6/1, a Petrobrás subiu o preço do diesel em R$ 0,10/litro, aumentando o custo agrícola. Enquanto isso, foi mantido o preço da gasolina na refinaria. No dia 26/1, aumenta a gasolina e o diesel. Tudo isso sem elevação de Cide ou de PIS/Cofins na gasolina. Isso surpreende o mercado, que esperava sinais que pusessem fim à política de stop and go que vem penalizando o etanol, interrompendo ciclos de investimento.

No final de 2016 veio uma esperança quando o governo, por meio do Ministério de Minas e Energia, lançou o Programa RenovaBio. Esse programa foi apresentado com o objetivo de criar políticas que internalizassem as externalidades positivas do etanol. Isso se daria por meio da Cide e, no futuro, com mandatos, como existem no mercado americano. Mas, até agora, o que aparentemente prevaleceu foi a miopia do governo. A conferir. (O Estado de São Paulo 28/01/2017)

 

Custo para exportação de açúcar em contêiner cresce 46,5% em 5 anos

Em 2011, essa operação demandava R$ 872,14. No ano passado, o valor chegou a R$ 1.277,92.

O custo para exportar açúcar em contêineres pelo Porto de Santos, com a utilização dos terminais retroportuários da Baixada Santista, aumentou 46,5% nos últimos cinco anos. Em 2011, essa operação demandava R$ 872,14. No ano passado, o valor chegou a R$ 1.277,92.

Os dados integram uma pesquisa inédita desenvolvida pela Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Empresas Transportadoras de Contêineres (ABTTC, com sede em Santos) e divulgada ontem (25) . Segundo a entidade, no estudo, foram analisados os custos de cada fase do processo de exportação da commodity, desde a chegada da carga no terminal retroportuário, incluindo os preços de estufagem, administrativos, operacionais e tributários, até o custo do transporte do contêiner cheio até o terminal portuário.

A pesquisa ainda observou que 74,2% do custo apurado não sofrem interferências do terminal onde a operação é realizada, pois são referentes ao pagamento de tributos, do transporte realizado por condutores autônomos e da estufagem, serviço usualmente realizado por trabalhadores avulsos vinculados ao Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral e dos Arrumadores de Santos e Região (Sintrammar).

O terminal retroportuário responde por 25,8% do custo apurado, referente aos gastos operacionais e administrativos da empresa e às exigências da Receita Federal em relação a sistemas de gerenciamento e de monitoramento da carga.

Conforme a pesquisa da ABTC, nesses cinco anos, considerando os custos que integram o preço da operação, a maior alta foi verificada nos gastos com o serviço de estufagem, ou seja, com a contratação dos trabalhadores avulsos do Sintrammar para a atividade. O aumento foi de 80,4%, indo de R$ 182,14 para R$ 328,63.

Esse quesito foi bem impactado em 2013, segundo a ABTTC. Nesse ano, os trabalhadores também assumiram a abertura das grades laterais dos compartimentos de carga (o que antes era feito por ajudantes dos transportadores) e houve a inserção de cláusulas prevendo o movimento de cargas fora dos padrões. (A Tribuna 27/01/2017)

 

EUA adiam regras para etanol e geram incerteza no mercado

A Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos EUA adiou para março a entrada em vigor dos novos volumes obrigatórios de uso de combustíveis renováveis para este ano no país. Embora a suspensão temporária de novas medidas seja comum em transições de governo nos Estados Unidos, o anúncio gerou incertezas e desvalorização no mercado de créditos de etanol no país.

O mandato de combustíveis renováveis para este ano, estabelecido em novembro de 2016, foi incluído em uma lista de 30 medidas congeladas pela EPA publicada na quinta-feira no Registro Federal (equivalente ao Diário Oficial).

Pela regra, as refinarias deveriam usar neste ano 15 bilhões de galões de biocombustível convencional (categoria na qual se encaixa o etanol de milho) e de 4,28 bilhões de galões de biocombustíveis avançados (categoria na qual se encaixa o etanol de cana).

O Brasil, por ser um dos poucos produtores de etanol de cana, é o principal fornecedor do biocombustível aos EUA. No cálculo da EPA, dentro do mandato para 2017, o Brasil teria capacidade de vender cerca de 200 milhões de galões (ou 750 milhões de litros) ao país, conforme informou a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), na época.

A norma que obriga o uso dos volumes de combustível renovável passaria a valer a partir de 10 de fevereiro. Com a decisão da EPA, o início do novo mandato passou para 21 de março. É o tempo que o governo de Donald Trump terá para rever todas as regulamentações pendentes e realizar alterações.

Os receios com o congelamento do mandato já fizeram com que os créditos de combustíveis (os RINs) negociados entre as refinarias americanas caíssem aos menores valores em 14 meses. Na sexta-feira, os RINs para o biocombustível convencional chegaram a 52,75 centavos de dólar por RIN (ou por galão), queda de 27% desde o dia 19, conforme dados da consultoria S&P Global Platts e da agência de informações Argus.

Apesar da reação do mercado, o setor ainda está cauteloso. A organização que representa o setor de etanol dos EUA avaliou que o adiamento de medidas é comum em transições de governo e não vê risco para o programa de combustíveis renováveis. "Nós não esperamos que essa postergação resulte em quaisquer mudanças substantivas nos conteúdos da regra para 2017 em si", afirmou Bob Dinneen, presidente e CEO da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês), em nota.

Dinneen ressaltou que o adiamento não altera a validade do programa para 2017, dado que o mandato se aplica de forma retroativa a 1 de janeiro de 2017. "Essa postergação é simplesmente processual. Não se espera que afete a implementação, o esforço ou a conformidade com o programa", acrescentou. Já a Unica avaliou que é cedo para comentar sobre qual rumo do novo governo para a EPA. (Valor Econômico 30/01/2017)

 

Usinas poderão tornar parte da frota agrícola autossuficiente em combustível

Autossustentáveis em energia elétrica por meio do aproveitamento do bagaço de cana, empresas do setor sucroenergético enxergam no horizonte a possibilidade de também se tornarem menos dependentes do óleo diesel nas operações de campo. E isso pode se tornar realidade com a produção de biometano, biocombustivel obtido da geração e purificação do biogás resultante da biodigestão da vinhaça e de outros subprodutos da cana, e que poderá substituir o uso do concorrente fóssil em parte do maquinário agrícola das usinas.

Para o consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, a independência do produtor em relação ao derivado do petróleo, com redução significativa do custo de produção e menor emissão de poluentes, é um fator que joga cada vez mais a favor do novo biocombustível no Brasil.

“Apesar de conhecer o processo de conversão da vinhaça em biometano, o segmento canavieiro passou a considerar essa alternativa energética com mais interesse somente há poucos anos, inicialmente como complemento energético para os processos industriais. Atualmente, vislumbra a possibilidade de que se viabilize o seu uso como “carburante em máquinas agrícolas e veículos pesados com motor diesel”, explica o executivo. Afinal, acescenta Alfred, nos últimos tempos o assunto vem merecendo cada vez mais a atenção da indústria automotiva, principalmente após o anúncio, por parte do governo federal, de medidas que visam garantir a expansão das energias renováveis na matriz energética País, em especial no segmento de transportes.

“Muito se deve à regulamentação divulgada em 2015 pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizando o uso de biometano em modelos nacionais, e ao lançamento, no final de 2016, do programa RenovaBio, criado para incentivar a produção de biocombustíveis. Pode-se, em consequência, mitigar emissões domésticas de gases de efeito estufa até 2030, conforme o compromisso assumido pelo Brasil no Acordo de Paris”, explica o executivo.

Em relação ao desenvolvimento de novas tecnologias que permitam a utilização em larga escala de biometano em veículos rurais de grande porte, o especialista da UNICA cita um projeto-piloto conduzido pela New Holland, fabricante de máquinas e implementos agrícolas do Grupo FIAT. “Desde o início de janeiro, estão sendo realizados inúmeros testes com um trator movido a biometano em uma propriedade localizada no Paraná. Embora ainda esteja em fase experimental, o protótipo apresentou resultados animadores em termos de consumo de combustível e emissão de poluentes, ou seja, mais competitividade e sustentabilidade ambiental para o agronegócio”, afirma.

O gerente de Marketing de Produto da New Holland, Nilson Righi, ressalta que a empresa é a única a dispor desta inovação tecnológica entre as multinacionais que fabricam produtos para o campo. “O trator foi testado pela primeira vez na Itália, o que, na América Latina, nunca tinha sido feito. As primeiras constatações relevam que 300 litros de metano comprimido garantem uma autonomia de cinco horas, além de uma redução de 80% na produção de CO2 e 40% de economia de combustível se comparado ao diesel. Estimamos que o modelo chegue ao mercado em três anos”, informa.

A maior participação do biometano e do biogás na matriz energética nacional tem sido constantemente discutida pela UNICA e demais entidades do agro em reuniões com autoridades do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Secretaria de Energia e Mineração do Estado de São Paulo. Presente nestas discussões, o gerente em Bioeletricidade da UNICA, Zilmar Souza, salienta a importância dos dois produtos para o cumprimento de algumas metas de desenvolvimento sustentável estabelecidas pelo Brasil.

“Trata-se de renováveis de grande relevância e estratégicos para o cumprimento das metas assumidas. O biometano ajudará o País a atingir a participação de 18% de biocombustíveis na matriz energética até 2030, e o biogás para se aumentar de 10% para 23% a presença das fontes biomassa, solar e eólica na geração de eletricidade. Neste sentido, estamos em constante diálogo com o governo, buscando o desenho de uma política setorial adequada”, observa Zilmar.

De acordo com o consultor Ambiental e de Recursos Hídricos da UNICA, André Elia Neto, a abundância de vinhaça no setor sucroenergético pode ser um diferencial para o crescimento da oferta de biogás e biometano no País.

“Temos vastas quantidades de vinhaça produzidas diariamente pelas usinas, que além de usarem este subproduto como fertilizante natural nos canaviais, podem transformá-lo em eletricidade e/ou num combustível renovável com a mesma especificação físico-química do gás natural fóssil, e com a vantagem de ser ambientalmente correto”, enfatiza. (UNICA 30/01/2017)

 

Chuvas prejudicaram culturas agrícolas em São Paulo, diz IAC

Com chuvas acima da média esperada para essa época do ano nas principais cidades paulistas, as precipitações constantes em São Paulo já causam estragos nas principais culturas agrícolas do Estado, entre elas o milho, a cana-de-açúcar, além das hortaliças, frutas e flores.

De acordo com dados do Instituto Agronômico da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado (IAC), em Franca foi registrado um volume de 425,70 milímetros no acumulado de janeiro até o último dia 26 ante uma média histórica de 292,8 milímetros para o período na região. Em Vargem, a chuva acumulada foi de 340,11 milímetros ante uma média de 263,3 milímetros.

Já em Campinas choveu 267,46 milímetros no acumulado de janeiro até o último dia 26 dentro da média de 272,9 milímetros para o mês. Ainda assim, o volume de chuva é superior aos 202,95 milímetros registrados em igual intervalo de 2015 e aos 181,35 milímetros registrados em 2014, quando a região sofreu com a estiagem.

“O plantio antecipado do milho safrinha em Capão Bonito fez com que as plantas fossem submetidas a altas temperaturas no início do mês e, agora, a excesso hídrico e baixa luminosidade, o que causa prejuízos à polinização. Os plantios na região do Médio Paranapanema podem atrasar”, explica o pesquisador do IAC, Orivaldo Brunini.

Em relação à cana-de-açúcar, principal cultura paulista, Brunini destaca que a umidade elevada tem atrasado o plantio de janeiro, enquanto a menor luminosidade tem levado ao florescimento da cana nas variedades mais sensíveis.

Em relação às hortaliças, a chuva tem afetado a qualidade das folhas e elevado a incidência de doenças, além de acelerar a maduração de algumas frutas, com impactos na qualidade de figo e uva, e flores cultivadas sem proteção. (Valor Econômico 27/01/2017)

 

Mais austeros, Brasil, Argentina e México eliminam subsídios à gasolina

As maiores economias da América Latina estão eliminando os caros subsídios aos combustíveis em uma mudança rumo à austeridade fiscal, que ocorre no rescaldo da queda das commodities.

Brasil, Argentina e México recentemente se uniram à Colômbia e colocaram os preços nas bombas nos níveis internacionais, ou próximo disso, em decisão que, segundo a Moody’s Investors Service, gera impacto indireto positivo sobre a percepção de risco porque melhora a situação fiscal dos países. Até o momento as políticas estão sobrevivendo às manifestações de rua no México e aos baixos índices de aprovação no Brasil.

As produtoras estatais Petrobras e YPF registraram aumentos nos valores de suas ações cortando os subsídios que os governos anteriores usavam para conter a inflação e estimular a economia. As decisões fazem parte de uma tendência mais ampla, na qual vários líderes latino-americanos estão revertendo anos de políticas econômicas populistas para frear déficits fiscais e restaurar a confiança em suas economias.

“Esses países estão sob uma enorme pressão fiscal e estão reagindo a isso”, disse Samar Maziad, analista de títulos soberanos da Moody’s.

O presidente Mauricio Macri tornou a economia da Argentina mais competitiva desde que assumiu em 2015. O aumento de 8 por cento nos preços da gasolina neste mês contribuiu para a alta recente das ações da YPF, que tem sede em Buenos Aires, e os papéis atingiram o maior patamar em mais de um ano. A Argentina caminha para a completa liberalização dos preços até 2018. A YPF preferiu não comentar sobre o preço de suas ações.

O México elevou os preços em cerca de 20 por cento neste mês após abrir o monopólio da estatal Petróleos Mexicanos à concorrência estrangeira. O governo prometeu eliminar completamente os subsídios ao combustível no decorrer do ano. O chamado “gasolinaço” gerou protestos por todo o país, o que complicou a distribuição de combustível e deixou o índice de aprovação do presidente Enrique Peña Nieto em uma mínima histórica de 12 por cento. O México planeja outro aumento do preço dos combustíveis em 4 de fevereiro.

No Brasil, onde os subsídios drenaram um total estimado em US$ 40 bilhões da Petrobras entre 2011 e 2014, o presidente da empresa, Pedro Parente, tem mostrado maior independência em relação ao governo para fixar os preços dos combustíveis. Com Parente, a companhia estabeleceu uma nova metodologia de preço em outubro e implementou cinco ajustes desde então.

A Petrobras reduziu os preços da gasolina e do diesel em 1,4 por cento e 5,1 por cento, respectivamente, a partir da sexta-feira, em resposta à valorização do real em relação ao dólar. Em resposta enviada por e-mail, a empresa informou que os preços domésticos continuarão acima dos níveis internacionais.

“A Petrobras precisa travar sua política de preços para os combustíveis domésticos para reduzir a ansiedade do mercado em relação às mudanças de preços”, disse Filipe Gouveia, analista de petróleo do Bradesco BBI, em relatório de 17 de janeiro. (Bloomberg 27/01/2017)

 

Açúcar: 2017 estréia com mais volatilidade

Um bom 2017 a todos nossos leitores nesse primeiro comentário do ano após um recesso necessário para recarregar as baterias.

O mercado de açúcar em NY no final de 2016 encerrou a 19.51 centavos de dólar por libra-peso fechando o ano com uma valorização de 28% em dólares e apenas 5% em reais (este é o motivo que insisto na tecla de que temos que olhar os valores em reais). Um desempenho que ajudou o setor na geração de caixa e na redução do endividamento que, pelos nossos cálculos era de R$ 86.87 bilhões, uma queda de 6.65% em comparação com dezembro de 2015.

Para os consumidores industriais, em especial a indústria de alimentos e bebidas, 2016 foi particularmente desafiador conseguir manter o custo dos produtos finais ao longo do ano, afetando diretamente a margem de lucro. O mercado interno para aqueles que compram açúcar baseado no índice ESALQ foi doloroso. Sem possibilidade de hedge para mitigar o risco de variação de preço e o descolamento do mercado internacional, as indústrias que insistem em usar o indicador com esse propósito devem estar coçando a cabeça. O aprendizado continua sendo pela dor, não por amor.

Para as usinas, é cada vez maior a consciência de não perder oportunidades de fixar preços do açúcar para exportação em reais por tonelada refletidos em NY. Reiteramos que achamos difícil que os preços possam repetir neste ano o teto de R$ 1,770 por tonelada que vimos em outubro do ano passado. A previsão mais recente da Archer informada aos clientes no início desse mês é de que a safra 2017/2018 apresente um preço médio de R$ 1,510 por tonelada para os açúcares de exportação VHP FOB Santos. Ainda um preço remunerador apesar de quase 2% abaixo da média negociada até agora da safra 2016/2017, que é de R$ 1,537.77 por tonelada, com prêmio de polarização.

Existem vários fatores que podem trazer substancial aumento na volatilidade do açúcar no mercado mundial. Se as incertezas já são abundantes apenas nos aspectos diretamente ligados ao setor, imagine então se a elas adicionarmos os impactos de eventuais travessuras de ordem econômica advindas da administração Trump.

Internamente, como era de se supor, não há consenso em relação ao tamanho da safra de cana para 2017/2018 onde os números flutuam de 560 a 600 mil toneladas; nem ao mix de produção e nem a ATR. Só nesses quesitos podemos estar falando de uma diferença de produção de dois milhões de toneladas de açúcar para mais ou para menos. Índia também tem dado provas de ser um produtor de difícil leitura dada a gama de variáveis que habita o universo açucareiro daquele país. China deve importar açúcar, mas o ritmo e o volume são desconhecidos. E o real, então? Como diria um conceituado economista ligado ao setor: "se você quiser passar vergonha, faça uma previsão acerca da trajetória do dólar". Com todos esses ingredientes na receita do bolo torna-se difícil saber se o resultado será doce, salgado, amargo, ácido ou azedo.

Vale a pena ler o artigo do professor José Roberto Mendonça de Barros publicado no jornal O Estado de São Paulo, domingo passado. Destaco aqui a parte que nos afeta diretamente: "... o acordo de sustentação de preços do petróleo entre países exportadores, como sempre acontece, acabará fracassando. É mais provável que vejamos preços abaixo de US$ 50 por barril nos próximos meses". Se o professor estiver correto e o real continuar a se valorizar perante o dólar, a paridade do etanol com a gasolina vai pressionar as usinas a otimizarem a produção de açúcar.

A sétima estimativa de fixação de preços de exportação das usinas no mercado futuro de açúcar em NY, para a safra 2017/2018, mostra segundo o modelo desenvolvido pela Archer Consulting, que até o final de 2016 pouco mais de 10.7 milhões de toneladas já haviam sido fixadas (40.6% da exportação estimada). O preço médio apurado foi de 17.38 centavos de dólar por libra-peso. Em safras anteriores, o percentual máximo de fixação acumulada até o mês de dezembro foi de 36.28% em 2014/2015.

A volatilidade no mercado futuro de açúcar em NY neste início de ano é de 31.65%. Para se ter uma idéia desse comportamento, as volatilidades do mercado de 50 e 100 dias são, respectivamente, 28.79% e 28.25%.

De acordo com o modelo desenvolvido pela Archer Consulting, o preço médio dos fechamentos do primeiro contrato de açúcar em NY para os próximos três meses, informado para nossos clientes no início do mês - será de 19.48 centavos de dólar por libra-peso para janeiro, 19.75 centavos de dólar por libra-peso para fevereiro e 18.78 centavos de dólar por libra-peso para o março.

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