Setor sucroenergético

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Usinas reduzem vendas de etanol em janeiro

As vendas de etanol hidratado (que compete com a gasolina nos postos) e as de etanol anidro (que é misturado à gasolina) no mercado interno na primeira metade de janeiro foram menores que no mesmo período de 2016.

As usinas do Centro-Sul venderam 437,7 milhões de litros de etanol hidratado de 1 a 16 de janeiro, um terço a menos que no mesmo período do ano passado. As vendas de etanol anidro recuaram 11%, para 392,8 milhões de litros, informou a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica).

A queda nas vendas de etanol hidratado já era esperada, dada a relação desfavorável entre os preços do biocombustível e os da gasolina nos postos. Como resultado, os motoristas têm trocado o etanol pela gasolina.

Os preços do etanol hidratado para os motoristas têm subido nas últimas semanas, mesmo com a queda dos preços pagos às usinas.

O indicador Cepea/Esalq para o hidratado, recebido pelas usinas, caiu por sete semanas seguidas, acumulando recuo de 6% no período (para R$ 1,770 o litro na semana até 27 de janeiro).

Mas, no mesmo período, os preços médios em São Paulo (maior polo consumidor) acumularam alta de 3,9% até a semana móvel encerrada dia 28, quando ficaram em R$ 2,792 o litro, conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A relação com o preço da gasolina subiu para 77%.

O recuo das vendas do etanol hidratado e mesmo do etanol anidro também ocorrem logo após a volta da incidência do PIS/Cofins sobre as vendas do produto. Segundo um trader que preferiu não se identificar, as distribuidoras anteciparam as compras no fim do ano passado e agora estão com estoques maiores na comparação anual. Com isso, a demanda junto às usinas tem sido mais fraca.

Esse mesmo trader também acredita que parte das vendas internas do etanol anidro tem sido substituída pela importação do produto, que tem ocorrido desde o último trimestre do ano passado.

Desde outubro, navios vêm encostando no litoral com etanol dos Estados Unidos, que chega a preços menores que os oferecidos pelas usinas. Parte desse etanol chegaria por tradings, que só negociam o produto com as distribuidoras quando a embarcação atraca nos portos. Dessa forma, esses dados de importação só aparecem nas estatísticas depois que o etanol é efetivamente comercializado. (Valor Econômico 31/01/2017)

 

Açúcar: Déficit maior

Embora os dados parciais da produção brasileira de açúcar na safra 2016/17 estejam superando as expectativas, as más condições para a produção da commodity na Índia seguem dando sustentação aos contratos futuros na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em maio fecharam ontem a 20,37 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 1 ponto.

Segundo a consultoria Datagro, a demanda mundial deverá superar a oferta em 5,3 milhões de toneladas, aumento de quase um milhão ante o projetado anteriormente pela empresa.

A revisão, segundo a Datagro, é reflexo de uma quebra estimada em mais de 10% na safra indiana.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 85,95 a saca de 50 quilos, alta de 0,24%. (Valor Econômico 31/01/2017)

 

Fixação de preço de açúcar para safra 2017/18 sobe a 40,6% até dezembro

As usinas brasileiras fixaram até 31 de dezembro os preços futuros de cerca de 10,7 milhões de toneladas de açúcar da safra 2017/18, que se inicia em abril. Segundo levantamento da Archer Consulting, o volume representa 40,6% da exportação estimada para o ciclo, a um preço médio de 17,38 centavos de dólar por libra-peso. Até novembro, eram 9,4 milhões de toneladas (35,6%).

Em temporadas anteriores, o porcentual máximo de fixação acumulada até o mês de dezembro foi de 36,28% em 2014/15. Ainda conforme as previsões da consultoria, o preço médio do açúcar na Bolsa de Nova York (ice Futures US) deve alcançar 19,48 centavos de dólar por libra-peso em janeiro, 19,75 centavos de dólar por libra-peso em fevereiro e 18,78 centavos de dólar por libra-peso em março. (Agência Estado 30/01/2017)

 

Perdas por pisoteio do canavial acumuladas em cinco anos, correspondem a um ano-safra

De acordo com o consultor da área de mecanização, Guilherme Castro Belardo, a mecanização da colheita da cana-de-açúcar pode ser considerada como a grande vilã da estagnação da produtividade. “O custo da colheita de cana é extremamente elevado quando comparado com outras culturas. Por isso, devemos ter atenção especial com esse processo.”

Um dos pontos levantados por Belardo é relacionado às perdas por pisoteio do canavial que, segundo ele, em cinco anos correspondem a um ano-safra. “Para resolver esse problema, devemos sistematizar as áreas, aplicar o método de canteirização, adequar as máquinas e controlar o tráfego”. (Cana Online 30/01/2017)

 

CCEE eleva projeção de preço spot da energia elétrica em 2017

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) projetou que o preço spot da eletricidade, ou Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), deverá fechar 2017 em uma média de 193,08 reais por megawatt-hora nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, em revisão para cima ante a previsão de janeiro, que apontava para média de 188,95 reais.

Os preços esperados para o Nordeste também subiram, para uma média estimada em 241,08 reais por megawatt-hora neste ano, ante 206,95 reais na projeção de janeiro, apontou a CCEE em documento divulgado nesta segunda-feira. (Reuters 30/01/2017)

 

Suape (PE) poderá ter plataforma de biocombustíveis para produzir isobutanol

Setor de aviação vem utilizando o combustível para reduzir emissão de gases.

O Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), em parceria com a Copergás e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, está estudando a implantação de uma plataforma de biocombustíveis no Complexo de Suape. Um dos objetivos é a produção do isobutanol, um álcool de quatro carbonos que pode substituir o uso da gasolina em veículos e ser usado como combustível de aviação. A tecnologia já está em uso nos Estados Unidos e o Brasil tem interesse em replicar.

“Com a plataforma em Suape, Pernambuco poderá sair na frente nos estudos e na produção de um combustível mais avançado e com melhor eficiência energética. Nos Estados Unidos a empresa Gevo desenvolveu uma tecnologia de produção direta do isobutanol, por fermentação direta, e produz simultaneamente ao etanol convencional (dois carbonos), em sua planta de Luverne, em Minnesota”, destaca o presidente do Sindaçúcar, Renato Cunha.

Os estudos fazem parte da tendência mundial de tentativa de redução das emissões de gases. Atualmente, só os aviões são responsáveis por 2% das emissões mundiais. Se nada for feito, o crescimento da aviação internacional poderá fazer esse percentual explodir nos próximos anos. Na avaliação de Cunha, a produção do isobutanol abre uma boa oportunidade de mercado para o etanol de cana e de milho, além contribuir para a reduzir as emissões de gases do efeito estufa na aviação. Hoje o setor consome cerca de 300 bilhões de litros de combustível por ano.

“Esta deveria ser uma área que os ministérios de Minas e Energia (MME) e Ciência e Tecnologia poderiam ajudar o setor sucroenergético, incentivando e formando parcerias com instituições e empresas, brasileiras e americanas, que pudessem desenvolver tecnologias objetivando a gradual destinação do etanol, ou seus derivados, para substituição e/ou adição aos combustíveis de aviação. É um mercado de mais de 300 bilhões de litros por ano e, uma participação de apenas 10% na mistura, já iria consumir cerca de 30 bilhões de litros de etanol ou derivados. Os americanos do milho também devem ter um interesse grande neste assunto, já que nós e eles somos os únicos produtores relevantes de etanol no mundo”, reforça Cunha.

COP-21

Na semana passada, a diretoria do Sindaçúcar-PE participou de reunião com o ministro Fernando Coelho Filho em Brasília para discutir a participação do setor nas discussões sobre o andamento do Renova Bio para atender as metas da COP-21 para 2030. A iniciativa é um plano nacional de desenvolvimento do setor de biocombustíveis, que será realizado em parceria com o setor sucroenergético nacional. “Foi importante o ministro abrir uma interlocução com os empresários do setor”, diz Cunha.

Dentre as metas da COP-21 está aumentar dos atuais 16% para 18% a participação da bioenergia na matriz brasileira até 2030, com expansão do etanol, biodiesel, da bioeletricidade e de novos biocombustíveis. (JC Online 30/01/2017)