Setor sucroenergético

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CTC e BASF já preparam nova edição do Desafio CanaMáxima

Cristiano Peraceli, explica que o próximo Desafio CanaMáxima irá unificar as edições de cana-planta e soca em uma mesma premiação.

Projeto estimula o setor a aumentar a produtividade do canavial adotando tecnologias inovadoras, mas que já estão no mercado

A BASF e o CTC já trabalham no desenvolvimento da 4º ediçãoDesafio CanaMáxima, projeto que visa provar que, por meio da adoção de tecnologias que já se encontram nas prateleiras, é possível extrair o potencial máximo da cana-de-açúcar, com sustentabilidade e rentabilidade.

O gerente de marketing de cana Brasil da BASF, Cristiano Ortigosa Peraceli, explica que o próximo Desafio, ao contrário do que ocorreu em 2016, irá unificar as edições de cana-planta e soca em uma mesma premiação, porém, em categorias diferentes.

“Nosso principal objetivo, o de extrair o máximo dos campos, foi claramente alcançado. Porém, ainda há espaço para melhorias. Por isso, para a próxima edição, devemos ter um CanaMáxima mais simples, objetivo e estruturado, que buscará incentivar ainda mais o nível tecnológico das áreas para elevar a cana ao seu máximo potencial produtivo”, afirma Peraceli.

Ele explica que, diferente das edições anteriores, em que se olhava no retrovisor para escolher uma área e, com ela, tentar capturar o máximo de valor, o 4° Desafio irá olhar para frente, onde os participantes poderão trabalhar em seus plantios e soqueiras em 2017 e sendo premiados apenas em 2018. “Dessa forma, nós cadenciamos o processo e extraímos o máximo de valor das áreas inscritas”. (Cana Online 31/01/2017)

 

ATR SP: Preços no acumulado sobem 2,94% em dezembro

O Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana-SP) divulgou nesta terça-feira (31) os dados referentes ao ATR - Açúcares Totais Recuperáveis do mês de dezembro. Em comparação ao mês de novembro, os preços subiram 2,94% no acumulado, fechando em R$ 0,6819 contra R$ 0,6624 do mês anterior. Já o valor mensal teve valorização de 0,53%, passando de R$ 0,7797 para R$ 0,7839.

Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo foram cotados em R$ 74,46 a tonelada contra R$ 72,33 do mês de novembro, alta de 2,94%. O preço da cana esteira em dezembro fechou com valorização também de 2,94%, com contratos firmados em R$ 83,17. (Udop 31/01/2017)

 

Arroz com feijão bem-feito ganha o reforço de tecnologias de ponta na Biosev

Plantio de MPB na Biosev

O foco da empresa é aumentar a produtividade e longevidade dos canaviais

Nos últimos dois anos, a Biosev, segunda maior processadora de cana do mundo, com 11 unidades sucroenergéticas, apresentou crescimento de 22% na média de produtividade agrícola. Ricardo Lopes, diretor agrícola da Biosev, diz que, têm buscado fazer o feijão com arroz bem-feito, priorizando certos processos, como segurança, plantio sem falhas, colheita sem arranquio, aderência varietal, tecnologia e automação”

Na parte de Planejamento Varietal, adotam: Idade de colheita de, no mínimo, doze meses. Entretanto, nas unidades do Mato Grosso do Sul, a idade mínima é de treze meses; Variedades promissoras; Mudas pré-brotadas (produção em todos os polos); População de plantas, falha zero.

A Biosev não abre mão das Boas Práticas agronômicas, observa Lopes, como: Várias áreas fertirrigadas; Utilização de organominerais; Uso de maturador e inibidores e Adubação foliar e líquida.

Para a melhoria da eficiência, a empresa mantém: Equipe específica voltada à qualidade; Foco na redução de impurezas; Planejamento integrado; Operação e suprimentos; Trabalho intenso em manutenção, proporcionando um aumento na confiabilidade do ativo; Desenvolvimento de lideranças. Atualmente, a agrícola da Biosev tem 13 mil colaboradores. Juntamente com o RH, essa área desenvolve o programa “Entrenós”, que foca no desenvolvimento de lideranças agrícolas.

Mas a Biosev reforça o Arroz com feijão bem-feito com o uso de tecnologias como sistema de replantio; Uso de VANTs; Irrigação nas unidades do Nordeste e modelos matemáticos no controle de pragas e plantas daninhas. (Cana Online 31/01/2017)

 

Etanol subiu em 17 Estados e caiu em 7 e no DF na semana passada

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros subiram em 17 Estados, caíram em sete e no Distrito Federal e não se alteraram no Amapá e em Santa Catarina na semana encerrada em 28 de janeiro. No período de um mês, as cotações do produto acumulam alta em 23 Estados e no Distrito Federal, queda na Bahia e Paraíba e estabilidade no Amapá. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Em São Paulo, principal Estado produtor e consumidor, a cotação caiu 0,39% na semana, para R$ 2,792 o litro, e no período de um mês acumula alta de 3,37%. Na semana, o maior avanço das cotações foi registrado no Acre (3,02%), enquanto o maior recuo ocorreu no Distrito Federal (0,50%). A maior alta mensal, de 7,43%, foi no Espírito Santo e a maior queda foi na Paraíba (0,74%).

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 2,259 o litro, em São Paulo, e o máximo foi de R$ 4,399 o litro, no Rio Grande do Sul. Na média, o menor preço foi de R$ 2,743 o litro, em Mato Grosso, e o maior preço médio foi verificado em Roraima, de R$ 3,80 o litro.

Competitividade

Os preços do etanol hidratado seguem sem competitividade ante os da gasolina em todo País, pela 13ª semana consecutiva, de acordo com dados da ANP. A relação é favorável ao biocombustível quando está abaixo de 70%.

Em São Paulo, onde o etanol equivale a 76,96% do valor da gasolina, o produto ficou cotado, em média, a R$ 2,792 por litro. A gasolina, em R$ 3,628 por litro. (Agência Estado 31/01/2017)

 

Raízen investe R$ 200 milhões no Maranhão

Empresa vai construir uma base de distribuição de combustíveis no Porto de Itaqui; projeto deverá estar concluído dentro de dois anos.

Atraída pelo crescimento da economia do Centro-Oeste e parte da região Norte, especialmente por conta do desempenho do agronegócio, a Raízen vai investir R$ 200 milhões de recursos próprios em uma base de distribuição de combustíveis (gasolina, diesel, querosene de aviação) no polo industrial de São Luís, no Maranhão, no Porto de Itaqui. O empreendimento fica fora da área de concessão portuária.

Ainda em fase de licenciamento ambiental, o projeto deve ser concluído em até dois anos e será o maior terminal de distribuição da companhia isoladamente, sem a participação de outros sócios. A base de distribuição vai ocupar uma área de dez hectares do governo do Maranhão pela qual a empresa pagou R$ 1 milhão.

A cifra equivale a 20% do valor de mercado do terreno, que a companhia desembolsou pelo seu uso, mediante o compromisso de geração de empregos e outras contrapartidas sociais. Com a base de distribuição, a empresa quer dobrar em dois anos o volume de combustíveis que movimenta na região, hoje de 1,2 bilhão de litros por ano.

“Estamos investindo para eliminar os gargalos, apesar da crise”, afirma Nilton Gabardo, diretor de Desenvolvimento de novos negócios e infraestrutura da Raízen. Ele conta que, desde que a Raízen foi formada, em 2011, a partir de uma associação entre a Shell e a Cosan, a companhia tinha intenção de ampliar a capacidade de distribuição na região, mas não conseguiu investir no porto por questões de legislação.

Agora o projeto começa a se concretizar e deve, segundo Gabardo, reduzir o custo dos combustíveis localmente e garantir o abastecimento da rede de postos na região. A empresa, segundo ele, não dava mais conta de atender aos postos da Shell na região, que inclui Maranhão, leste e sul do Pará, Tocantins e Piauí. Mais da metade do volume de combustíveis dessa área é movimentada por operadores logísticos. Isso representa custos adicionais, que oneram o preço dos produtos. A empresa tem 600 clientes na área de influência do terminal portuário de São Luís, entre postos Shell, postos com bandeira branca e clientes empresariais (B2B).

“É um investimento para propiciar o crescimento da empresa nessa área geográfica que pega o meião do Brasil: Tocantins, Maranhão e leste do Pará, onde a fronteira agrícola ainda está se desenvolvendo”, observa o diretor.

Ele lembra também que a sinalização da Petrobrás de que não pretende investir em logística e de que pode vender o controle acionário da BR Distribuidora acelerou o processo.

Arrecadação. A intenção da companhia de investir no Estado caiu feito uma luva para o governo do Maranhão. Simplício Araújo, secretário da Indústria e Comércio do Estado do Maranhão, informa que, ao contrário de outros Estados, as finanças do Maranhão estão em dia. Mas o projeto, nas suas contas, pode ampliar entre 10% a 15% a arrecadação de impostos com a venda de combustíveis pela Raízen, que é uma das principais geradoras de receitas para o Estado.

Além disso, o secretário lembra que o investimento tem contrapartidas sociais, como a construção de cinco escolas e a geração de 700 empregos diretos e indiretos na fase de construção e mais 600 na operação.

“É um investimento para propiciar o crescimento da empresa nessa área (...) onde a fronteira agrícola ainda está se desenvolvendo”. (O Estado de São Paulo 01/02/2017)

 

Archer Consulting prevê moagem de 586 milhões de t no Centro-Sul

A consultoria Archer Consulting estimou que as usinas do Centro­Sul do país processarão 586 milhões de toneladas de cana na safra 2017/18, que começa em abril. Esse volume representa uma pequena redução em relação à produção de cana da temporada atual.

Desse volume, deverão ser produzidos 35,428 milhões de toneladas de açúcar e 24,546 bilhões de litros de etanol, dos quais 10,771 bilhões de litros deverão ser de etanol anidro e 13,774 bilhões de litros deverão ser de etanol hidratado.

Do caldo de cana processada, 47% deve ser direcionado para a produção de açúcar e 53% para a produção de etanol. (Valor Econômico 31/01/2017)

 

Moagem de cana será de 661 milhões de t em 2017/18, prevê consultoria

A moagem de cana da safra 2016/17, a que está se encerrando, fica em 653 milhões de toneladas no país. A próxima, a 2017/18, deverá ter uma moagem um pouco maior: 661 milhões de toneladas.

As estimativas são de Plinio Nastari, da Datagro, consultoria especializada no setor. Se confirmados esses valores, a evolução da próxima safra será de 1,3% em relação à atual.

A região centro-sul, a de maior destaque na produção de açúcar e de etanol do país, deverá moer 612 milhões de toneladas em 2017/18, conforme a primeira estimativa da consultoria.

Já a previsão mais recente para a safra atual de 653 milhões de toneladas no país é 0,5% abaixo do que a Datagro havia previsto em dezembro.

As usinas vão continuar priorizando a produção de açúcar, como fizeram nesta safra. A moagem da cana da próxima safra vai resultar em uma produção de 40,1 milhões de toneladas de açúcar no país, 3,5% mais do que os 38,7 milhões da safra atual.

Pelo menos 36,8 milhões desse volume sairão das usinas da região centro-sul, conforme as previsões da Datagro.

A produção de etanol recua 1%, para 26,9 bilhões de litros na próxima safra, incluído também o combustível derivado de milho. A região centro-sul será responsável por 25,3 bilhões de litros.

Nastari calcula que 48% da cana a ser moída na safra 2017/18 irá para a produção de açúcar, um percentual superior aos 46,9% da safra atual. (Folha de São Paulo 01/02/2017)

 

2017 e os bons ventos de esperança para a bioenergia

Adentramos ao ano de 2017 com as esperanças renovadas e com novos ares de que enfim, finalmente, podemos enxergar o horizonte à nossa frente e juntos nos guiarmos por um caminho de progresso a nosso tão sofrido setor bioenergético.

Os bons ventos que sopram aqui possuem vários fatores distintos, mas que juntos, permitem que uma brisa refrescante toque nossos rostos e nos faça, novamente, sorrir.

Não se trata, é óbvio, de uma euforia como a vivida em meados dos anos 2000. Hoje estamos mais maduros, e as sequelas da crise ainda nos impedem de comemorar de forma mais efusiva os bons ares. De toda a forma, viver com esperança é melhor do que imaginar quando o fim do poço vai chegar.

Dentre os fatores que nos trazem esta esperança está, seguramente, as movimentações do governo Michel Temer, que passou a olhar com outros olhos para nosso segmento, dando-nos a real importância que temos dentro do contexto de retomada de crescimento de nosso País.

Esquecido por anos nas gestões de Dilma Rousseff e mesmo no último mandato de Lula, hoje enxergamos com clareza a movimentação que envolve diversos ministérios na discussão de planos e políticas de Estado que possam dar sustentação a este setor, responsável por grande parcela dos empregos e do PIB do agronegócio brasileiro.

Do Ministério do Meio Ambiente a movimentação é pela criação de consulta pública, já em andamento, a fim de se formatar uma estratégia para a implementação do compromisso assumido pelo Brasil na COP 21. Vale ressaltar que dentre esses compromissos temos a produção de mais de 54 bilhões de litros de etanol e o aumento da participação da bioeletricidade na matriz energética brasileira para 68 TWh/ano, em 2030.

A simples discussão do tema já é importante, pois traz a bioenergia novamente em pauta, tirando do ostracismo o setor que via, perplexo, o antigo governo assumindo metas sem qualquer planejamento para sua execução.

Do Ministério de Minas e Energia, liderado pelo competente ministro Fernando Coelho Filho e sua equipe, enxergamos talvez a principal esperança de dias melhores. Lançado no final de 2016, o RenovaBio começa a ganhar forma e grupos de trabalho estão sendo criados para a discussão das principais premissas que sustentarão o programa, tão necessário para que o setor volte a crescer.

Com a participação de vários elos da cadeia bioenergética, como o Fórum Nacional Sucroenergético, as distribuidoras, a EPE, o próprio Ministério de Minas e Energia, o Ministério da Agricultura, consultorias, enfim, uma seleção de grandes mentes do setor se debruça, agora, na busca da melhor estratégia para que o RenovaBio possa, de fato, ser esta esperança que tanto necessitamos.

Outro fator que nos renova são as condições climáticas, por ora, favoráveis. Depois de um setembro e outubro do ano passado bem seco, vimos uma retomada das chuvas mais regulares nos meses de dezembro e janeiro, o que nos permite prever que mesmo com uma menor renovação, o que culminará em um canavial mais velho este ano, a depender das chuvas de fevereiro e março, poderemos experimentar uma safra bem próxima da 2016/17, limitando, assim, as perdas.

Todo este otimismo, no entanto, está respaldado em grande responsabilidade. Aprendemos com a euforia do passado, e agora é hora de voltar a crescer com bases mais sólidas.

De toda a forma esse melhor momento não está passando despercebido pelo mundo. Voltaram-se os interesses de grandes multinacionais em ativos do setor, hoje bem depreciados com a fragilidade de nossa economia e as taxas cambiais crescentes.

Esse interesse é respaldado, também, por uma conjuntura internacional que volta, depois de mais de cinco anos de superávit, a ver uma quebra na produção de açúcar global com perspectiva de déficit na ordem de 5 milhões de toneladas.

Agora é fazermos nossa lição de casa, reorganizarmos nosso setor, e, quem sabe, voltarmos a ter orgulho de sermos produtores da melhor alternativa mundial aos combustíveis fósseis (Antonio Cesar Salibe é Presidente Executivo da UDOP)