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Usinas favorecem açúcar sobre o etanol com aumento dos prêmios

Os preços mais elevados do açúcar poderão fazer com que as usinas de cana-de-açúcar do Brasil se preparem para destinar a maior parcela possível da safra para a produção de açúcar pelo segundo ano consecutivo e evitem a produção de etanol.

Os processadores serão estimulados a produzir mais açúcar por causa do prêmio sobre o biocombustível, segundo William Hernandes, sócio da empresa de consultoria FG/A, com sede em Ribeirão Preto, São Paulo. Os preços do açúcar devem ser 20 por cento maiores do que os do etanol até março, quando as usinas brasileiras iniciam o esmagamento da cana, e a diferença deverá crescer para 40 por cento em maio, projetou.

Em 2016, o prêmio do açúcar chegou a atingir 44 por cento, o maior em cinco anos, levando as usinas a ampliarem a produção do adoçante a uma alta histórica. Os futuros do açúcar em Nova York ganharam 4,8 por cento em janeiro em meio a problemas na safra da Índia, que fica atrás apenas do Brasil em termos de produção global. Ao mesmo tempo, os preços do biocombustível no Brasil foram prejudicados pela demanda menor.

O fato de as usinas escolherem fabricar açúcar em vez de etanol cria um ciclo que continua favorecendo a produção de açúcar. Isso ocorre porque a oferta menor de biocombustível aumenta os preços, levando os motoristas a optarem pela gasolina, que acaba saindo mais barata. Em 2016, a demanda por etanol no Brasil caiu 18 por cento até novembro, enquanto a da gasolina subiu 4,3 por cento, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Menos competitivo

Neste ano, a “oferta de etanol pode ser curta novamente, o que eleva os preços e torna o biocombustível ainda menos competitivo aos motoristas”, disse Hernandes, por telefone.

Tradicionalmente, os consumidores optam pelo etanol quando ele custa menos de 70 por cento do preço da gasolina porque o biocombustível rende cerca de 30 por cento menos energia por litro. A retomada de um imposto aplicado ao etanol, neste mês, reduziu ainda mais sua competitividade.

Contudo, ao mesmo tempo em que começa a gerar preços mais elevados, a oferta menor do etanol também ajuda a colocar um limite máximo sobre o prêmio que o açúcar pode alcançar.

“No ano passado, os diferenciais entre açúcar e etanol eram muito grandes”, disse Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro, com sede em São Paulo, por telefone. “Eu não acredito em uma diferença assim neste ano. Os preços do etanol terão que subir para equilibrar a demanda e a produção, o que tende a conter o prêmio do açúcar”. (Bloomberg 01/02/2017)

 

Preço valorizado do açúcar e caixa apertado incentivam a adoção de práticas prejudiciais à lavoura canavieira

Colheita em época de chuva e a não renovação do canavial com baixa produtividade podem afetar o desempenho das próximas safras.

Janeiro de 2017 se apresenta como um dos mais chuvosos dos últimos anos, mesmo assim, de acordo com relatório quinzenal da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), na 1ª quinzena de janeiro, 11 unidades continuam processando cana no Centro-Sul, sendo 6 no Mato Grosso do Sul, 4 em São Paulo e 1 em Minas Gerais.

A opção por continuar moendo no período chuvoso é uma prática criticada por muitos, pois aumenta o pisoteio no canavial, compactando ainda mais o solo e matando a soqueira. O que irá provocar falhas no canavial e menor produtividade nas próximas safras. Também impacta negativamente a indústria, pois a cana fica com mais impurezas levando a maior custo para o seu processamento.

Mas continuar moendo mesmo em condições não favoráveis, é a alternativa tomada por muitas unidades que precisam fazer caixa, e, como o preço do açúcar está valorizado e elas têm cana para moer, correm o risco de perdas futuras.

Outra alternativa com visão de curto prazo estimulado pela melhor remuneração é a não renovação de canaviais que já apresentam baixa produtividade. A renovação de áreas é uma fonte fundamental para a produtividade do canavial, mas nas próximas safras.

A renovação também é a parte mais cara do processo, por isso, o índice veio despencado nestes anos de crise. No ano de 2016, a região Centro-Sul do Brasil apresentou o segundo pior índice de renovação de canavial da história, 10,6% atrás apenas dos 8% de 1999. A boa notícia, é que a expectativa de renovação em 2017 aponta em torno de 17%. Sinal de que o caixa do setor está melhor. (Cana Online 01/02/2017)

 

Açúcar: Índia no foco

As especulações sobre a possibilidade de a Índia derrubar as tarifas sobre a importação de açúcar este ano voltaram a dar sustentação aos preços do açúcar na bolsa de Nova York.

Os contratos com vencimento em maio fecharam ontem a 20,7 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 24 pontos.

A Índia é o maior consumidor mundial de açúcar e deverá registrar um déficit de 4 milhões de toneladas na oferta da safra 2016/17.

Enquanto as autoridades locais afirmam que estoques de 7,75 milhões de toneladas do país são suficientes, o banco ING estimou ontem que a Índia terá de importar pelo menos 2 milhões de toneladas para atender o mercado interno em 2017.

No front doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 84,75 a saca de 50 quilos, alta de 1,05%. (Valor Econômico 02/02/2017)

 

Exportação brasileira de açúcar cresce 27,8% em janeiro, com 1,9 mi ton

O Brasil exportou em janeiro 1,912 milhão de toneladas de açúcar bruto e refinado, volume 26,4% menor que os 2,598 milhões de toneladas embarcadas em dezembro e 27,8% superior ante os 1,496 milhão de toneladas registradas em igual mês de 2016. Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) divulgados nesta quarta-feira, 1º de fevereiro, mostram que do total embarcado no mês passado, 1,777 milhão de toneladas foram de açúcar demerara e 135,5 mil toneladas, de refinado.

A receita obtida com a exportação total de açúcar em janeiro último foi de US$ 955,4 milhões, 13,6% menor que a registrada em dezembro (US$ 1,106 bilhão) e 120,7% acima ante os US$ 432,9 milhões computados em janeiro de 2016. (Agência Estado 02/02/2017)

 

Açúcar inicia ano com ritmo forte de exportações

Enquanto a soja está em começo de colheita e o volume da oleaginosa é limitado, açúcar e carnes reinam no saldo da balança comercial.

No mês passado, as exportações com açúcar subiram 121%, somando US$ 955 milhões. Esse é um setor que deverá crescer em volume e em receitas nas exportações deste ano.

As usinas devem enviar pelo menos 48% da cana para a produção de açúcar na safra 2017/18, segundo estimativas da consultoria Datagro, um percentual superior ao de 2016/17.

Em janeiro, as usinas colocaram 2,22 milhões de toneladas de açúcar bruto e refinado no mercado externo. O volume foi 48% superior ao de igual mês de 2016, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento.

As carnes também iniciam o ano em bom ritmo. O setor de suíno, repetindo o desempenho do ano passado, já obteve uma evolução de 40% no volume do primeiro mês, em relação a igual período de 2016.

As carnes bovina e de frango tiveram aumento médio de 13% neste início de ano no volume exportado, em relação a janeiro do ano passado.

As receitas dos três tipos de carne (suína, bovina e de frango) somaram US$ 1 bilhão, 31% mais do que no início do ano passado.

A liderança fica com a carne de frango, cujas exportações atingiram US$ 525 milhões. Os dados do Ministério do Desenvolvimento referentes às carnes incluem apenas as receitas e o volume com os produtos "in natura".

A partir deste mês, quando o ritmo de colheita de soja avançar, a oleaginosa deverá retomar a liderança da balança comercial brasileira, superando até petróleo e minério de ferro, os dois mais bem colocados no mês passado.

As exportações de petróleo renderam US$ 1,76 bilhão, acima do US$ 1,62 do minério de ferro.

MILHO

Uma das baixas da balança comercial deste início de ano é o milho. Em janeiro do ano passado, quando o dólar era favorável e o cereal brasileiro estava bastante competitivo no mercado externo, as exportações somaram 4,4 milhões de toneladas. Neste ano, recuaram para 1,45 milhão.

Apesar do aumento da produção em 2017, as exportações de milho não devem repetir o recorde de 2015, quando saíram próximo de 30 milhões de toneladas do país.

O dólar já não está tão favorável, e a melhora dos preços nos dois últimos anos permitiu uma evolução de produção também em outros concorrentes do Brasil, como a Argentina.

Os Estados Unidos, tradicionalmente os líderes mundiais em produção, também obtiveram boa safra. (Folha de São Paulo 02/02/2017)

 

Açúcar francês tem época doce pela frente com fim de cotas

Em Gamaches-en-Vexin, na Normandia, coração da produção de beterraba na França, agricultores como Alexandre Quillet estão com mais trabalho que o normal para esta época do ano.

Quillet está expandindo seu cultivo para se preparar para o fim de mais de uma década de normas que restringiram a produção de açúcar na União Europeia, estabeleceram preços garantidos para os produtores de beterrabas e limitaram as exportações. Os agricultores da França, maior produtora de açúcar do bloco formado por 28 países, estão apostando em uma produção maior para criar um futuro mais doce, mesmo que o resultado disso seja um maior risco de mercado.

"Estou passando da estabilidade para a incerteza, mas não existe nenhum outro tipo de cultivo que seja seguro", disse Quillet, 59, membro da quarta geração de produtores de beterraba da família, que cultiva 400 hectares nas planícies do norte da França junto com o filho. Ele atualmente está comprando sementes e planeja plantar beterrabas em março em 67 hectares de terras, 26 por cento a mais do que no ano passado.

"A UE realmente vai estragar a festa dos otimistas"

Produtoras de açúcar como Tereos, Saint-Louis e Cristal Union pediram que os produtores de beterrabas ampliassem sua produção em cerca de 20 por cento. Apesar de o açúcar branco, uma das commodities de melhor desempenho de 2016, estar ampliando os ganhos devido à preocupação com o atraso na produção da Índia, segunda maior produtora do mundo, a oferta maior da UE pode limitar a alta.

"A UE realmente vai estragar a festa dos otimistas", disse Robin Shaw, analista da corretora Marex Spectron Group em Londres. "Temos conversado com os agricultores e todos eles assinaram contratos de dois, três, quatro ou cinco anos com as processadoras para produzirem o máximo possível."

Novos mercados

Em outubro, a UE verá o fim dos limites impostos à produção de açúcar em 2006. As restrições foram aplicadas depois que as medidas impostas pelo bloco em 1968 para garantir a segurança alimentar foram rejeitadas pela Organização Mundial do Comércio, limitando a quantidade que as produtoras de açúcar podiam vender no mercado doméstico e estimulando as importações.

Com o fim das cotas, a produção da UE poderá chegar a 20 milhões de toneladas, um salto de cerca de 20 por cento, segundo o Rabobank International. Os produtores franceses esperam somar cerca de 1 milhão de toneladas à sua produção anual combinada de 4,5 milhões de toneladas. A agência agrícola da França, a FranceAgriMer, estima uma demanda doméstica de cerca de 3 milhões de toneladas, o que significa que os produtores buscarão mercados para exportar.

"Estamos preparados para atender os mercados internacionais", disse Alain Commissaire, presidente da Cristal Union, em entrevista por telefone, de Villette-sur-Aube, na região nordeste da França. "Temos acompanhado clientes industriais e traders no exterior e agora que já não estaremos mais limitados poderemos fornecer a eles". (Bloomberg 01/02/2017)

 

Alexandre Figliolino será conselheiro independente da Odebrecht Agro

Em seu primeiro passo de adequação às novas regras de governança da holding Odebrecht, o braço sucroalcooleiro do grupo, Odebrecht Agroindustrial, contratou Alexandre Figliolino como o primeiro conselheiro independente da companhia. Com a contratação, a empresa passará a ter nove membros em seu conselho de administração.

Atual sócio da consultoria MB Agro, Filgiolino já atuou no Itaú BBA por 23 anos como diretor de agronegócios, acompanhando de perto o setor sucroalcooleiro. Ele deve ser oficializado no conselho na próxima reunião do conselho.

O novo conselheiro chega à Odebrecht Agroindustrial em um momento de rumores acerca de uma busca por sócios para tocar as operações das nove usinas da companhia. Ao Valor, Figliolino disse que ainda desconhece intenções a esse respeito, mas avaliou que “tudo o que vier somar e ajudar a abreviar essa longa trajetória de ‘turnaraound’ da empresa é bem vista”. “Se surgir a oportunidade de algum tipo de transação que crie um atalho para que a empresa passe a performar maravilhosamente bem, tem que ser olhado e analisado”, defendeu.

Ele comentou que a decisão inicial do grupo de investir em usinas no setor em “áreas de fronteira”, sem infraestrutura já pronta para a atividade, gerou um desafio para a companhia, que no ano passado reestruturou uma dívida de R$ 11 bilhões. Figliolino avaliou que a Odebrecht ainda pode contribuir com sua experiência no setor de construção em seu negócio sucroalcooleiro, mas ressaltou a importância de investimentos na parte agrícola para garantir a produção industrial.

A holding Odebrecht adotou no fim do ano passado a meta de ter 20% ou no mínimo dois conselheiros independentes em cada uma de suas empresas como parte de uma nova estratégia de governança para demonstrar mais transparência. O processo deve ser concluído após a homologação do acordo de leniência do grupo firmado com o Ministério Público Federal (MPF). A homologação está prevista para ser feita neste mês pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal. (Valor Econômico 01/02/2017)

 

Agronegócio já começa 2017 segurando o superávit na balança comercial

O Brasil começou 2017 com o pé direito nas vendas de produtos ao exterior. O superávit (diferença entre exportações e importações) das vendas aos estrangeiros foi de US$ 2,725 bilhões - crescimento de 20,6% em relação a janeiro de 2016. O anúncio foi feito pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), nesta quarta-feira (1º).

Segundo o ministério, as exportações fecharam em US$ 14,911 bilhões em janeiro, com média diária de US$ 677,8 milhões. Os números representaram crescimento em todos os três grandes grupos de produtos vendidos ao exterior na comparação com o mesmo mês do ano passado. 9Gazeta do Povo 02/02/2017)

 

ING prevê importação de 2 milhões de toneladas de açúcar na Índia

O banco ING acredita que o governo da Índia vai rever sua posição e reduzir a tarifa de importação de açúcar, que atualmente é de 40%. Segundo o banco, os estoques do país devem diminuir consideravelmente por causa de uma safra reduzida de cana-de-açúcar. "Com base nas previsões atuais, estimamos que a Índia precisará importar pelo menos 2 milhões de toneladas para o mercado doméstico", disse o ING.

A próxima reunião do governo com representantes do setor deve ocorrer neste mês. Alguns analistas acreditam, no entanto, que a questão será adiada até o fim das eleições legislativas no país, em março, já que uma redução do imposto resultaria em preços domésticos mais baixos e seria desfavorável para produtores. (Down Jones 01/02/2017)

 

Produção de etanol dos EUA aumenta 1% na semana, para 1,061 milhão de barris/dia

A produção média de etanol nos Estados Unidos foi de 1,061 milhão de barris por dia na semana passada, volume 1% maior do que o registrado na semana anterior, de 1,051 milhão de barris por dia. Os números foram divulgados nesta quarta-feira, 1º de fevereiro, pela Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês).

Os estoques do biocombustível aumentaram 0,9% na semana encerrada no dia 27 de janeiro, para 21,9 milhões de barris.

Os números de produção de etanol nos Estados Unidos são um importante indicador da demanda interna por milho. No país, o biocombustível é fabricado principalmente com o cereal e a indústria local consome cerca de um terço da safra doméstica do grão. (Agência Estado 01/02/2017)