Setor sucroenergético

Notícias

Os bons ventos de Soros

A biruta de George Soros no Brasil mudou de direção. De um lado, voltou a apostar pesado em ações da Petrobras; do outro, a Adecoagro, da qual é acionista, garimpa usinas de etanol no interior de São Paulo (Relatório Reservado, 2/2/17)

 

A usina sem dono e o dono sem dinheiro

A decisão da Justiça de bloquear os bens do pecuarista José Carlos Bumlai ricocheteia nos credores da Usina São Fernando. Os bancos, entre eles, BB e BNP Paribas, fornecedores e plantadores de cana tentam provar judicialmente que Bumlai é o acionista controlador da sucroalcooleira pra cobrar dele, na física, uma dívida superior a R$ 1 bilhão. A São Fernando sempre negou pertencer a Bumlai, garantindo que o controle está nas mãos de seus fi lhos, Mauricio e Guilherme. (Jornal Relatório Reservado 03/02/2017)

 

Nova assembléia de credores da Renuka

O juiz Daniel Carnio Costa, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), autorizou a convocação de uma nova assembleia de credores da companhia sucroalcooleira Renuka do Brasil. (Assessoria de Comunicação 03/02/2017)

 

Petrobras conclui venda da participação na Guarani para Tereos

A Petrobras informou ter concluído nesta sexta-feira (03) a venda da participação total de sua subsidiária Petrobras Biocombustível na Guarani.

Em fato relevante, a empresa informou que a operação foi concluída com o pagamento de 202,75 milhões de dólares pela Tereos.

A Petrobras havia anunciado a venda de sua fatia na Guarani ao grupo francês Tereos no fim de 2016. (Reuters 06/02/2017)

 

Açúcar: Pessimismo na Ásia

O pessimismo com a safra 2016/17 de açúcar na Ásia continua dando sustentação aos contratos futuros da commodity na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em maior fecharam a 20,91 centavos de dólar a libra-peso na última sexta-feira, alta de 40 pontos.

Na índia, a produção acumulada até o último dia 31 de janeiro somou 12,855 milhões de toneladas de açúcar, 10% abaixo do registrado no mesmo período do ciclo anterior.

Na Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar, estima-se que a produção da safra atual deva cair 3% ante o ciclo passado, quando foram produzidas 9,7 milhões de toneladas.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 84,41 a saca de 50 quilos, queda de 0,5%. (Valor Econômico 06/02/2017)

 

Etanol hidratado cai 2,05% e anidro recua 2,89% nas usinas de SP

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas recuou 2,05% nesta semana, de R$ 1,7770 o litro para R$ 1,7405 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

O valor do etanol anidro teve queda de 2,89%, de R$ 1,9656 para R$ 1,9087 o litro, em média. (Agência Estado 06/02/2017)

 

Mato Grosso: usinas de etanol de milho são beneficiadas com desobrigação de relatórios ambientais

Isenção é para obras de ampliação ou de melhoria em usinas de produção de açúcar e álcool.

No estado do Mato Grosso, uma lei complementar, que isenta a necessidade de apresentação de relatórios ambientais em obras de ampliação e de melhoria de usinas de açúcar e etanol, foi estendida para unidades que tenham como insumo milho, beterraba ou outras matérias-primas.

O benefício era concedido anteriormente somente para as empresas que utilizavam a cana-de-açúcar como fonte para produção do biocombustível. Com ampliação da lei, a expectativa é que produtores que extraem açúcar ou etanol de matérias-primas alternativas tenham uma redução nos custos.

A principal vantagem está do destino do DDG, subproduto gerado a partir da produção de etanol de milho. Com a isenção concedida às usinas, diminuem-se os custos de produção, o que deve agregar valor competitivo ao subproduto, que chegará aos pecuaristas com preços mais atrativos. A expectativa é que a matéria-prima possa ser mais interessante que o farelo de soja, utilizado amplamente pela pecuária.

Lei

A lei, publicada no Diário Oficial do Estado de Mato Grosso (DOE/MT) em 18 de janeiro, acrescenta dispositivos à Lei Complementar nº 38, de 21 de novembro de 1995.

De acordo com o novo texto, a partir da data de publicação, usinas que utilizam outras matérias-primas, fora a cana, também estarão dispensadas da apresentação de um Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/Rima) em caso de reforma, ampliação de edificação, modificação, substituição de equipamento ou a ampliação da atividade de produção de açúcar ou de álcool.

O benefício é concedido apenas para os investimentos que impliquem em uma capacidade de moagem de no máximo de 200 mil toneladas ao ano, ou seja, os investimentos que ampliem as capacidades para um volume acima desse limite ficaram de fora da isenção. (Nova Cana 03/02/2017)

 

Unica defende maior presença da biomassa na matriz energética mundial

Aumentar a produção de biocombustíveis e eletricidade a partir da biomassa encontrada no bagaço de cana, lenha, carvão vegetal e dejetos de animais é uma das estratégias mais eficazes para o combate ao aquecimento global e para que os países signatários do Acordo do Clima alcancem suas metas de desenvolvimento sustentável.

O enorme potencial de redução das emissões de CO2 com o uso de energias renováveis geradas de matérias-primas orgânicas foi tema da 5ª edição do “Central European Biomass Conference”, evento que reuniu mais de 1000 pessoas provenientes de 40 nações entre os dias 18 e 20 de janeiro, em Graz, Áustria. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) marcou presença no encontro por meio de uma parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), cujo objetivo é promover a imagem do etanol e demais produtos sucroenergéticos no exterior.

No primeiro dia da Conferência, chamado “World Bioenergy Day”, a assessora sênior da presidência para Assuntos Internacionais da Unica, Géraldine Kutas, participou do painel “Biomass as Export Fuel”, no qual apresentou os benefícios ambientais e socioeconômicos advindos da biomassa da cana no Brasil. “As bioenergias obtidas da biomassa representam 25,6% da matriz energética brasileira. A cana contribui com 17,6% deste total, enquanto que os 8% restantes vêm da lenha e carvão vegetal. Há décadas a produção e uso de etanol e bioeletricidade impulsiona o desenvolvimento socioeconômico e ambiental no País. Graças a estes dois derivados, o Brasil tem uma das frotas automotivas mais sustentáveis do mundo com reduções significativas nas emissões de CO2 no segmento de transporte e também no elétrico”, explica a executiva.

Em sua apresentação, Géraldine destacou o sucesso da utilização em larga escala do combustível sucroenergético em mais de 25 milhões de veículos de passeio no Brasil, onde o motorista tem a opção de abastecer o tanque com 100% de etanol hidratado ou gasolina contendo até 27% de biocombustível misturado. No caso da bioeletricidade produzida a partir da biomassa em geral, o último levantamento da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica registra que, de janeiro a dezembro de 2016, foram gerados para o Sistema Interligado quase 24 mil GWh, o suficiente para abastecer anualmente 12,3 milhões de residências, evitando a emissão de 10,2 milhões de toneladas de CO2. Para efeito comparativo, a marca equivale ao cultivo de 71 milhões de árvores nativas ao longo de 20 anos.

Encerrando a sua participação na Conferência, a assessora internacional da Unica ressaltou outras inovações tecnológicas criadas a partir da cana e da importância de iniciativas que garantam a expansão da produção de biocombustíveis no Brasil e no mundo. “A expertise do setor sucroenergético brasileiro ampliou a gama de produtos para muito além do etanol e da bioeletricidade. Hoje, a biomassa e resíduos da produção canavieira podem ser convertidos em bioplástico, bioquerosene para aviação, diesel renovável e biogás. E este potencial poderá ser ainda mais explorado no transcorrer de programas como a Plataforma do Biofuturo, no nível internacional, e o RenovaBio, no mercado doméstico”, conclui Géraldine.

Além da representante da Unica, participaram do painel executivos de associações de biomassa do Canadá, Letônia, Singapura e da empresa americana Enviva, uma das maiores produtoras de pellets de madeira do mundo; Gordon Murray, Didzis Palejs, Saku Rantanen e Ben Moxham, respectivamente. Durante a Conferência, oito entidades ligadas à indústria de biomassa europeia assinaram a “Declaração de Graz”, um documento com uma série de diretrizes para o desenvolvimento do mercado de pellets e demais bioenergia na Europa até 2030. (UNICA 03/02/2017)

 

Zilmar José de Souza: Geração pela biomassa cresce quase 6% em 2016

Em 2013, oferta de bioeletricidade para o SIN chegou a crescer mais de 30%, em relação a 2012. Em 2016, a fonte biomassa atingiu um total de aproximadamente 24 mil GWh ofertado para o Sistema Interligado Nacional (SIN), representando um crescimento de quase 6% em relação a 2015. No mês a mês, de acordo com dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em julho de 2016, a geração de bioeletricidade para o SIN foi de mais de três mil GWh, equivalente a 8,1% do consumo nacional de energia elétrica na rede no mesmo mês, um recorde de representatividade para a fonte biomassa.

Trata-se de uma geração de energia renovável estratégica para o setor elétrico. A geração de quase 24 mil GWh para o SIN é equivalente a ter abastecido mais de 12 milhões de residências durante todo o ano de 2016, e estima-se ter evitado a emissão de 10 milhões de toneladas de CO2, marca que somente seria atingida com o cultivo de 71 milhões de árvores nativas ao longo de 20 anos.

Apesar deste bom desempenho da bioeletricidade, quando se observa o potencial desta fonte e sua evolução recente, verifica-se a capacidade que esta fonte tem para contribuir ainda mais para a segurança no suprimento e para a sustentabilidade da matriz elétrica brasileira. Em 2013, a oferta de bioeletricidade para a rede chegou a crescer 32% em relação a 2012, em virtude principalmente da entrada em operação comercial de projetos de geração sucroenergéticos.

Manter o ritmo de crescimento elevado de geração pela biomassa passa pela continuidade de contratação de novos projetos nos mercados regulado e livre de energia elétrica. As perspectivas são promissoras para o mercado livre, mas, pelo menos nos próximos anos, ainda será o mercado regulado a porta de entrada para boa parte dos projetos de bioeletricidade, com os leilões regulados ainda organizando o sinal da expansão no setor elétrico brasileiro.

Diante disto, estimativas ainda não animadoras para a recuperação da economia, num quadro atual de sobrecontratação por parte das distribuidoras, trazem uma preocupação para a fonte biomassa. Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, a situação de sobrecontratação das concessionárias de distribuição deve permanecer, até 2021, acima do limite regulatório de contratação excedente garantido nas tarifas.

Neste cenário, a realização de leilões regulados de energia nova pode estar comprometida neste ano e, se ocorrer, seria para atendimento a demandas pontuais de distribuidoras, embora um leilão A-5 em 2017 seria para atender a demanda de 2022, quando o contexto econômico e de sobrecontratação das distribuidoras poderá ter se alterado.

Uma possibilidade que será estudada pelo Ministério de Minas e Energia é a realização, ainda neste semestre, de um leilão de reserva, seja por necessidade energética ou por decisão de política energética de apoio às energias renováveis. Nesta linha, é importante incluir a fonte biomassa dentre as fontes de energia que deverão participar de leilão de reserva com possibilidade de ocorrer em 2017.

Desde 2011, a fonte biomassa tem sido sistematicamente excluída de participar dos leilões de reserva. Num cenário restritivo de contratação no ambiente regulado, excluir a fonte biomassa do leilão de reserva, eventualmente o único a ocorrer em 2017, em nada contribuirá com a necessidade premente de se estimular o investimento em bioeletricidade e de revitalização dessa importante cadeia produtiva nacional.

Zilmar José de Souza é gerente de bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) e professor da Faculdade Getúlio Vargas (FGV/SP). (UNICA 06/02/2017)

 

Após pedido do MPF, ANTT adia fim de audiência pública de ferrovia paulista

O prazo para contribuições aos estudos para renovação do contrato da Malha Paulista de ferrovias foi prorrogado até 3 de março, anunciou a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) nesta sexta-feira (3).

A audiência pública aberta no fim do ano passado seria encerrada hoje, mas, após pedido do Ministério Público Federal, a direção da agência decidiu dar mais prazo para as contribuições. As sugestões podem ser encaminhadas pelo site da agência.

O atual contrato para gestão da principal malha ferroviária do estado está em poder da Rumo Logística, empresa do grupo Cosan, que tem contrato por mais 11 anos. A agência está propondo renovar antecipadamente o contrato por mais 30 anos em troca de investimentos para aumentar a capacidade de transporte e mudanças nas regras para garantir o tráfego de outras companhias pela ferrovia.

O Brasil que dá Certo - Infraestrutura

O valor total dos pagamentos, que incluem obras, multas e outorgas, pode chegar a R$ 5 bilhões.

Houve duas audiências públicas presenciais para receber sugestões de mudanças nas novas regras, uma em São Paulo e outra em Brasília. Nelas, a maioria dos presentes apresentou apoio à renovação como a melhor forma para fazer investimentos necessários à ampliação do tráfego.

Mas há críticas pela renovação beneficiar a atual concessionária que não vem cumprindo metas estabelecidas em contrato, e também sobre falta de regras mais claras sobre como será o acesso de outras empresas e usuários à ferrovia no novo contrato.

A Rumo, que assumiu a concessão há cerca de dois anos, alega que está fazendo investimentos para manter a ferrovia funcionando e que só será possível cumprir metas e dar mais espaço com um novo contrato que amplie a capacidade da via. (Folha de São Paulo 03/02/2017)

 

Brasil e Argentina negociarão abertura do mercado de açúcar no Mercosul

Países querem eliminar as barreiras que impedem o livre comércio. Por outro lado, os dois brigam por causa de novo regime de autopeças argentino.

Brasil e Argentina estão prestes a quebrar um tabu que já dura mais de 20 anos. Os dois países começarão a discutir o ingresso do açúcar na união aduaneira. Hoje, o produto brasileiro não entra no mercado argentino, por exemplo, embora os vizinhos o importem de outros países, entre os quais a Colômbia. O anúncio da retomada das negociações será feito na próxima terça-feira, durante visita de Estado do presidente Maurício Macri a Brasília.

“O açúcar foi totalmente excluído do Mercosul. O tratamento dado ao Brasil é pior do que para um terceiro mercado (país que não faz parte do Mercosul). Tanto é que a Argentina importa açúcar de outros países, mas não da gente”, disse o subsecretário-geral para América Latina e Caribe do Itamaraty, Paulo Estivallet de Mesquita, acrescentando que o etanol brasileiro também não entra na Argentina.

Segundo Estivallet, há uma coincidência de posições entre os presidentes Macri e Michel Temer no sentido de se eliminar as barreiras no Mercosul que impedem o livre comércio. Ele citou como exemplo o setor automotivo, que também não é parte integrante do comércio livre dentro do bloco.

Existe, atualmente, um acordo automotivo entre Brasil e Argentina, com limitações no comércio de veículos isentos do Imposto de Importação. O que não fizer parte dessa cota é tributado com alíquota de 35%. Porém, surgiu um novo problema nas relações bilaterais: o novo regime de autopeças argentino que, segundo a indústria brasileira, vai desestimular a venda desses produtos ao país vizinho.

“Isso nos causa preocupação, pelo fato de que há aspectos nesse regime que não nos parecem compatíveis com as normas da Organização Mundial do Comércio. Esse tema também está em pauta, com prioridade”, afirmou o diplomata.

O regime prevê créditos de 4% a 15% para redução de impostos federais a automóveis fabricados na Argentina, desde que os veículos tenham, no mínimo, 30% de conteúdo nacional. Daí a preocupação do governo e dos empresários brasileiros. (O Globo 03/02/2017)