Setor sucroenergético

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Rumo paga ao BNDES para pedir mais

A emissão de bônus da Rumo Logística é um dormente fundamental nos trilhos que ligam a companhia ao BNDES.

A empresa de Rubens Ometto Silveira Melo pretende usar os US$ 750 milhões para antecipar o pagamento de dívidas com o banco. Com isso, espera pavimentar o caminho para a aprovação do novo pedido de empréstimo ao BNDES, de R$ 3,5 bilhões, no âmbito da renegociação com o governo para a renovação de suas concessões. (Jornal Relatório Reservado 07/02/2017)

 

Campeão de multas na CVM aposta em startups agrícolas

O empresário Reno Ferrari Filho está procurando startups na área de tecnologia agrícola para participar como "investidor discreto", segundo informou ao RR um jovem empreendedor do setor.

Até aí, nada demais.

Que invista e seja feliz.

O problema é que Ferrari corre em uma faixa extremamente acidentada: é o vencedor na corrida de Fórmula 1 das multas da CVM nos últimos cinco anos.

Deve uma bagatela de nove algarismos, mais precisamente uma quantia de R$ 157.817.125,00.

Ferrari fez um rolo danado, que combina não envio de documentos à CVM, um mútuo entre a Clarion Agroindustrial e a Manacá, empresas que ele controlava direta ou indiretamente, com juros prejudiciais à primeira, compra e venda casada e fraudulenta de ativos, um aumento de capital com o valor das ações sem critério de precificação pormenorizado e uma recuperação judicial enfeixando tudo.

O RR fez várias tentativas de contato com Reno Ferrari por telefone e e-mail, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

O empresário não é um neófito em questões judiciais: tem 77 processos contra ele.

Ele seria um dos sócios da Gutmen Inv Corp, localizada nas Ilhas Virgens, que também faz parte do capital da Clarion Agroindustrial. No momento, Ferrari está recorrendo ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, o chamado "Conselhinho".

A estratégia do empresário, conforme a fonte do RR, é sentar em cima do processo e buscar, por decurso de prazo, uma prescrição intercorrente.

Quanto à recuperação judicial, é tocar by the book. A Clarion possui três unidades no Paraná, Cuiabá e Mato Grosso, nas quais realiza esmagamento de soja e faz beneficiamentos sofisticados da commodity.

Produz também álcool e açúcar cristalizado.

Um dado curioso: o Google revela outra Clarion Agroindustrial, só que no setor de transportes: uma empresa de ônibus de Osasco (SP).

Enquanto a estiagem não chega, Ferreira, ao que tudo indica, vai procurando projetos alternativos. Um investidor desse naipe nunca para. (Jornal Relatório Reservado 07/02/2017)

 

Nesse ritmo de produção, setor sucroenergético não atenderá a demanda de 2024

Vai precisar de mais cana.

Estudo avalia a trajetória de rendimentos do setor nas duas últimas décadas para determinar em que níveis eles devem ser acelerados

Com o objetivo de analisar a eficiência da cana-de-açúcar no Brasil e determinar o grau de crescimento da produção canavieira sem dispor de mais terras, um estudo da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) da USP (Universidade de São Paulo) publicado na revista BioScience, da Universidade de Oxford, traça cenários para a produção de cana considerando a demanda projetada para 2024.

“Trata-se de um impasse no setor sucroalcooleiro brasileiro sobre para onde os investimentos devem ser direcionados: se para a ocupação de mais terras para o cultivo da cana-de-açúcar ou para a ampliação da produtividade nas terras já ocupadas, levando-se em conta o crescimento da demanda mundial. Diante disso, o artigo traça cenários para a produção de cana considerando a demanda projetada para 2024”, diz Fábio Marin, do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Esalq.

O estudo avalia a trajetória de rendimentos do setor nas duas últimas décadas para determinar em que níveis eles devem ser acelerados de modo que se obtenha, em 2024, uma maior produção de cana sem a expansão da área de produção. Considerando essa série histórica de ganho de rendimento, o estudo avalia que o ritmo atual de crescimento não será suficiente para atender a demanda projetada sem uma expansão de área de 5% a 45% para cenários de baixa e alta demanda, respectivamente.

“O desafio é aumentar a produtividade da cana existente, dadas as preocupações sobre a conversão de novas áreas e a crescente demanda mundial por açúcar e etanol de cana. O rendimento médio nacional da produção nessas condições é de 62% do potencial – ou seja, há oportunidades de incremento de 38%”, diz Marin.

Para o pesquisador, “num cenário mais favorável, em que o setor atingisse uma produtividade de 80% do seu potencial, a demanda de cana em um futuro próximo seria plenamente atendida com uma possibilidade de redução de 18% na área de cana para o cenário de baixa demanda ou uma expansão de 13% para o cenário de alta demanda”. Ainda de acordo com Marin, tal cenário é possível, mas desafiador, exigindo uma grande aceleração na taxa de rendimento em comparação com a tendência histórica, o que seria difícil de ser conseguido sem esforços de financiamento concentrado. (Cana Online 06/02/2017)

 

Adecoagro mira o mercado mexicano

A Adecoagro, empresa agrícola da América do Sul apoiada por investidores que incluem George Soros, quer vender grãos no México, aproveitando a deterioração das relações comerciais do país com os Estados Unidos desde a ascensão ao poder de Donald Trump.

A iniciativa da empresa personifica os temores no setor agrícola dos EUA de que os planos da Casa Branca de reformular o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Natfa) poderão prejudicar um lucrativo mercado exportador. O pacto permite a livre comercialização da maioria das commodities agrícolas entre Canadá, México e EUA.

Em 2016, os EUA venderam US$ 17 bilhões em produtos agrícolas ao México, o principal destino das exportações americanas de milho, arroz e lácteos. O México compra 98% de suas importações de milho dos EUA, segundo o International Trade Centre.

A Adecoagro, que tem ações listadas na Bolsa de Nova York, colhe perto de 2 milhões de toneladas na Argentina, Brasil e Uruguai. Mariano Bosch, seu principal executivo, disse que sua equipe comercial está agora tentando firmar acordos para vender arroz, milho e laticínios ao México. "O México poderá se tornar um mercado importante para nós se Trump continuar criando problemas com o país", disse Bosch.

A produção da Adecoagro poderá competir com as de companhias americanas como Archer Daniels Midland (ADM), Bartlett Grain e CHS. O livre comércio e o curto transporte via trem para o sul, dão hoje aos grãos dos EUA vantagem no mercado mexicano. Se essas importações ficarem mais caras, "os mexicanos terão opções", disse Philippe de Lapérouse, diretor-gerente da consultoria HighQuest Partners. "Eles poderão recorrer ao Brasil e à Argentina para esses produtos".

O México tem acordos de livre comércio com 45 países. O país quer concluir acordos com o Brasil e a Argentina, e fortalecer as relações com nações do Pacífico como Austrália e Nova Zelândia, segundo o ministro da economia mexicano, Ildefonso Guajardo. "Não podemos ficar parados, sem ampliar intensivamente nossas fronteiras comerciais", disse.

A maior parte dos Estados no cinturão agrícola do Meio-Oeste dos EUA votou em Trump. Mesmo assim, o setor agrícola está preocupado com suas políticas comerciais e já enviou a Trump uma carta observando que "o setor, e as comunidades rurais que dependem dele, conta muito com os mercados exportadores para sustentar os preços e as receitas".

A Adecoagro controla ou gerencia 434 mil hectares de terras cultiváveis, além de usinas de açúcar, processadoras de arroz e lácteos. Além de vender localmente, exporta para África, Ásia, Oriente Médio e América Central. "Não estamos vendendo nada para o México. Tudo lá é fornecido pelos EUA. É por isso que estamos entusiasmados com a oportunidade", disse Bosch. (Valor Econômico 07/02/2017)

 

Produção brasileira deve reduzir déficit global de açúcar e segurar preços

O rali que elevou os preços do açúcar bruto no final de 2016 deverá ficar sem fôlego este ano, já que a principal região produtora do Brasil parece estar pronta para uma produção recorde que reduziria o déficit da oferta mundial.

O déficit desaparecerá no próximo ano agrícola de 2017/18, de acordo com sondagem da Reuters feita junto a 18 empresas, analistas e especialistas do setor, já que o movimento dos preços no ano passado aumentou as expectativas de produção. O mercado global mudou para déficit no ano passado, depois de meia década de produção excedente.

A safra excelente do Brasil pode limitar os ganhos adicionais nos preços de referência do açúcar bruto na ICE Futures EUA, que se esperava que fosse pouco alterada em 21 centavos por libra no final do primeiro trimestre, de acordo com a estimativa mediana.

Os entrevistados fixaram o preço em 21,25 centavos até ao final do ano, um aumento de 1% em relação aos actuais níveis. Os preços tocaram um pico de mais de quatro anos perto de 24 centavos em outubro.

As usinas da principal região centro-sul do Brasil direcionarão mais de 47% de sua safra de cana para a produção de açúcar na safra 2017/18, que começa em abril, de acordo com a pesquisa.

Essa seria a maior parte da safra que eles dedicaram ao adoçante desde a temporada 2012/13, de acordo com dados da indústria de cana-de-açúcar.

A estimativa média fala numa produção de açúcar do centro-sul do Brasil em mais de 35 milhões de toneladas na próxima safra, superando o recorde alcançado na safra que acabou de terminar.

Os ganhos nos preços do açúcar branco do ICE deveriam ser maiores até o final de 2017. A previsão colocou os preços no final de março em 1%, com US $ 555 por tonelada, mas acima de 10% a US $ 605 no final do ano.

Isso dependerá da quantidade de açúcar produzida na União Européia neste ano, já que as restrições governamentais à produção foram abolidas, disseram os comerciantes.

"Se tudo correr de acordo com o cronograma, os preços cairão por aqui", disse Michael McDougall, diretor de commodities da Société Générale de Nova York.

"Mas nós estamos olhando para (produção) melhorias na Europa, Tailândia e Índia, para citar alguns, em reação aos preços mais elevados", acrescentou. "Mas o tempo é o grande desconhecido."

Se a Índia, maior consumidor do mundo, precisar importar este ano será um fator importante na demanda, concordou a maioria das fontes ouvidas. (Reuters 06/02/2017)

 

Açúcar: Oferta incerta

Em meio a incertezas sobre a oferta de açúcar no Brasil e na Índia, países que lideram a produção mundial, os preços futuros do açúcar subiram ontem na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em maio tiveram alta de 6 pontos, a 20,97 centavos de dólar por libra-peso.

No Brasil, as previsões de mercado para a safra 2016/17 vão de 567 milhões a 616 milhões de toneladas de cana, o gera dúvidas sobre o volume que será destinado à produção de açúcar.

Na Índia, as autoridades locais insistem que, apesar de um déficit de 4 milhões de toneladas de açúcar na atual safra, os estoques do país serão suficientes para atender a demanda local, mas analistas dão como certa a abertura do mercado para importação.

No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 84,67 por saca, leve alta de 0,3%. (Valor Econômico 07/02/2017)

 

Preço do etanol registra queda nas usinas do Estado de SP

As cotações do etanol seguiram em queda no Estado de São Paulo, principal produtor e consumidor do país, com algumas usinas priorizando a venda de hidratado para abrir espaço nos tanques antes do início da nova safra, em mais algumas semanas, afirmou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) nesta segunda-feira.

Além disso, disse o instituto de análises da Universidade de São Paulo, a necessidade de levantar caixa para pagamento de salários no início do mês fez com que algumas unidades produtoras cedessem nos preços de venda do biocombustível.

Na semana de 30 de janeiro a 3 de fevereiro, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado fechou a 1,7405/litro (na usina, sem ICMS e sem PIS/Cofins), baixa de 2,05 por cento em relação ao período anterior.

O etanol anidro teve desvalorização de 2,89 por cento no mesmo período, fechando a 1,9087/litro (sem PIS/Cofins).

Desde que iniciou o movimento de queda, em meados de dezembro, até a última semana, o Indicador semanal do etanol hidratado acumulou baixa de 8,14 por cento. Para o etanol anidro, as baixas vêm ocorrendo há quatro semanas, acumulando recuo de 8,2 por cento no período.

Nas bombas, de acordo com dados da ANP citados pelo Cepea, o hidratado foi cotado na média de 2,781 reais/litro nos postos de combustíveis paulistas na semana de 29 de janeiro a 4 de fevereiro, queda de 0,39 por cento em relação ao período anterior.

Já a gasolina C teve média de 3,634 reais/l, ligeiro aumento de 0,17 por cento. Com isso, a relação média entre os dois combustíveis caiu para 76,5 por cento, e o etanol hidratado manteve desvantagem frente à gasolina, o que vem ocorrendo há 18 semanas. (Reuters 06/02/2017)

 

Guarani deve moer 20 milhões de toneladas de cana em 2017/18

O diretor da Região Brasil da Tereos Internacional, Jacyr Costa Filho, afirmou nesta segunda-feira, 6, a jornalistas que as usinas da Guarani deverão moer 20 milhões de toneladas de cana e produzir 1,8 milhão de toneladas de açúcar na safra 2017/18, que começa oficialmente em abril. O volume acompanha o de 2016/17.

Já a previsão de produção de açúcar é 200 mil toneladas superior à do ciclo atual (1,6 milhão de toneladas). Já para a temporada 2018/19, que se inicia apenas em abril do ano que vem, a previsão é de um incremento na moagem da ordem de 1 milhão de toneladas, para 21 milhões de toneladas, resultado da expansão dos canaviais. (Agência Estado 06/02/2017)