Setor sucroenergético

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Negociações para compra de usinas agitam os bastidores do setor

Rubens Ometto Silveira Melo quer mais usinas?

A conversa mais quente no setor é que voltou o apetite da Raízen por adquirir usinas

Nada é oficial, para alguns são apenas especulações, para outros os negócios já estão na fase de bater o martelo. Mas o fato é: especulações ou possíveis negociações agitam os bastidores do setor sucroenergético.

É verdade que foram acionadas as empresas especializadas em operações de due diligence, um conjunto de atos investigativos que devem ser realizados antes de uma operação empresarial. Esse levantamento é para apurar a real situação das unidades sucroenergéticas abertas à venda, fusão ou incorporação.

Os bons preços dos produtos da cana e um horizonte positivo para o setor estimulam o retorno dos investidores. Há interesse de grupos internacionais, três deles já com unidades no Brasil. Mas, segundo conversas nos carreadores dos canaviais, os mais interessados são grupos nacionais.

Um deles, dizem, que está para fechar negócio com o Grupo Diné e levar a Usina Maringá, localizada em Araraquara, SP, e que está sem moer. Mas a conversa mais quente no setor é que a Raízen, maior grupo sucroenergético do mundo, com 24 unidades produtoras, voltou às compras. “O Binho (Rubens Ometto, dono do grupo Cosan, controlador da Raízen) não engoliu ter perdido a Unialco para a Glencore, e deu a ordem para a empresa ir atrás das boas oportunidades e não perder mais negócio”, conta um especialista no setor que pediu para não ter o nome divulgado,

Procuramos a Raízen para saber sobre essa possível volta do apetite por aquisição de usinas, por meio de sua assessoria de imprensa, a empresa nos informou que não fala sobre o assunto.

Para alguns, o retorno do interesse por aquisição, fusão ou incorporação de usinas, além de ser um bom sinal, pois é uma mostra real de boas expectativas para a agroindústria canavieira, é também a possibilidade de empresas voltarem a moer ou, as que ainda estão moendo, receberem mais recursos para saldar dívidas e realizarem investimentos.

Por outro lado, há quem reclame que essas operações vão aumentar a concentração de empresas no setor, ou seja, mais unidades estarão nas mãos de menos donos, o que dificultará a negociação com produtores de cana e com empresas fornecedoras de produtos e serviços. (Cana Online 08/02/2017)

 

Um inimigo íntimo no caminho da Ale e da Ipiranga

Antes mesmo da pressão de concorrentes diretos, como a Raízen, a cruzada contra a venda da Ale para a Ipiranga começa "dentro de casa".

Um bloco com mais de uma centena de proprietários de postos da própria Ale foi ao Cade reivindicar a suspensão do negócio.

Com uma razoável estrutura jurídica por trás, os insurretos têm municiado o Conselho com informações e documentos para comprovar a concentração de mercado. (Jornal Relatório Reservado 08/02/2017)

 

Com PIS/Cofins, queda de preço do etanol nas usinas não chega aos postos, diz ANP

Combustível ficou 8% mais barato nas usinas de São Paulo e 10% mais caro nas bombas. Distribuidoras alegam que volta do PIS/Cofins encareceu o litro em R$ 0,12.

Dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam que a redução de preço do etanol hidratado nas usinas paulistas, nos últimos quatro meses, não foi repassada na mesma proporção aos consumidores.

Em outubro, as destilarias comercializavam o litro do combustível a R$ 1,90 e os postos revendiam em média por R$ 2,52. Na última semana, porém, o litro do etanol saiu por cerca de R$ 1,74 da indústria, mas chegou ao consumidor 10,3% mais caro: R$ 2,78, em média.

Os dados são do Sistema de Levantamento de Preços (SLP) da ANP e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

Ao Jornal da EPTV, o Sindicato Brasileiro das Distribuidoras de Combustíveis justificou que o preço para o consumidor não baixou porque o litro de etanol, com os impostos, não sai por menos que R$ 2,10.

Mais barato nas usinas

O usineiro Antônio Eduardo Toniello Filho explica que, geralmente, a tendência é de alta no preço do etanol hidratado durante a entressafra, entre dezembro e abril, justamente porque nesse período as usinas interrompem a produção.

Esse ano, porém, as destilarias decidiram reduzir o valor em 10% para vender o estoque e investir na manutenção dos equipamentos. Além disso, a queda tem o objetivo de incentivar a venda do combustível e equilibrar a concorrência com a gasolina.

“Nós perdemos competitividade. A nossa relação saiu de 70% e foi para quase 80%. Com isso, a demanda caiu e a oferta aumentou. As usinas precisam fazer os pagamentos, muitas delas vão começar a moer no mês que vem e também precisam diminuir os estoques”, diz.

Impostos

O economista José Carlos de Lima Junior, professor da Faculdade de Economia, Contabilidade e Administração de Ribeirão Preto (FEA-RP/USP), explica que o retorno do PIS/Cofins sobre o etanol, desde janeiro, contribuiu para encarecer o produto nas bombas.

Desde 2013, importadores e produtores de etanol estavam isentos da tributação de R$ 0,12 por litro de etanol hidratado vendido. A desoneração integrava um pacote de medidas concedido pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) para beneficiar o setor sucroenergético.

“Mesmo com o PIS/Cofins, o valor que chegaria para o consumidor deveria ser muito menor. Então, na verdade, tem uma margem adicional que está sendo cobrada e, provavelmente, está no canal de distribuição, ou seja, na distribuidora e nos postos de combustível”, diz. (G1 08/02/2017)

 

BrasilAgro compra área no Maranhão por R$ 100 milhões

Ainda que a euforia em relação ao "Matopiba" ­ região de confluência entre os Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, tenha sido prejudicada pelas frustrações de safra das últimas temporadas, a BrasilAgro decidiu investir no Maranhão.

A companhia focada no desenvolvimento de terras agrícolas, que encerrou o segundo trimestre de seu atual exercício com 194,9 mil hectares no Brasil e no Paraguai, anunciou ontem a aquisição, por R$ 100 milhões, de 17,6 mil hectares de terras no município de São Raimundo das Mangabeiras, no sul do Estado. Dessa área adquirida, 10 mil hectares são terras agricultáveis. Além da compra, a empresa fechou uma parceria agrícola em uma área de 15 mil hectares para produção de cana. As terras fazem parte da Fazenda São José, localizada no mesmo município.

"Apesar de algumas regiões do Matopiba terem sofrido muito, o Maranhão é uma das que menos têm sofrido com eventos climáticos. Ali, você tem uma distribuição de chuvas mais eficiente em função da predominância do volume de chuvas da região amazônica", afirmou André Guillaumon, presidente da BrasilAgro, ao Valor.

A estratégia é buscar ativos que estejam passando por algum tipo de estresse financeiro. "Esse tipo de problema compromete os manejos de culturas e a área não atinge o potencial produtivo que tem", disse Guillaumon. Segundo o executivo, a área de cana-de-açúcar incluída na parceria produziu na safra 2015/16 entre 60 e 65 toneladas de cana por hectare.

"É uma região não tradicionalmente produtora de cana-de-açúcar, mas acreditamos que a adoção de tecnologias mais eficientes vai trazer a produtividade a níveis parecidos com as regiões produtoras", avaliou. Ele previu produtividade entre 85 e 90 toneladas por hectare para a cana, níveis parecidos com os que a BrasilAgro já obtém com a cultura no Centro-Oeste.

A parceria agrícola, que será chamada de Parceria IV, terá a duração de 15 anos, com a opção de prorrogação pelo mesmo período. Da produção da área de parceria, uma fatia de 10% ficará com a Fazenda São José.

Dos 17,6 mil hectares adquiridos pela BrasilAgro, uma porção de 7,6 mil hectares corresponde à área de preservação ambiental. A companhia pretende destinar os 10 mil hectares à produção de soja e milho. "Por ser uma área mais madura [que já está em produção], com grande fertilidade, vai nos permitir plantar a safra de verão precoce de soja, possibilitando uma segunda safra de milho dentro da janela ótima de chuvas na região", explicou. (Valor Econômico 08/02/2017)

 

Açúcar Deve Continuar com Preços Elevados em 2017

Os preços do açúcar cristal no mercado brasileiro devem continuar em patamares elevados ao longo de 2017, sustentados principalmente pelas estimativas de novo déficit mundial da commodity. Apesar da ligeira recuperação projetada na produção global 2016/17, de 3% em relação à temporada anterior, totalizando 171 milhões de toneladas, o volume não deverá ser suficiente para alcançar a demanda, estimada em 174 milhões de toneladas, conforme números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Como resultado, o déficit pode chegar a 2,6 milhões de toneladas de açúcar. Para a OIA (Organização Internacional de Açúcar), esse volume pode ser ainda maior, atingindo 6,2 milhões de toneladas.

A produção de açúcar menor que o consumo na próxima temporada mundial 2016/17 (que termina em setembro/17) já era um fato esperado, em razão das quedas nos volumes de importantes players como Índia e Tailândia e da baixa recuperação na União Europeia e no Brasil. Na região Centro-Sul do Brasil, a produtividade na safra 2017/18, a ser iniciada oficialmente em abril/17, deve ser limitada pela falta de canade-açúcar bisada e pelas baixas taxas de renovação dos canaviais em anos anteriores. Além disso, as áreas programadas para serem renovadas no primeiro trimestre deste ano só estariam no ponto de colheita em meados de 2018.

Segundo estimativas da INTL FCStone, a moagem de cana no próximo ciclo deve cair 1,1% em relação à temporada 2016/17, totalizando 590,8 milhões de toneladas de matéria-prima. Ainda assim, conforme projeções do Rabobank, usinas devem manter elevado o volume de cana destinado à produção de açúcar. Além dos altos preços na atual safra (2016/17), o retorno do PIS/Cofins sobre o etanol desde 1º janeiro de 2017 no mercado brasileiro pode favorecer esse cenário, visto que diminui a competitividade do biocombustível.

Na Índia, a produção de açúcar 2016/17 deverá cair 13% sobre a temporada anterior, passando de 27,5 milhões de toneladas para algo próximo a 23,9 milhões de toneladas. A queda na safra do maior consumidor mundial da commodity reflete dois anos consecutivos de secas nos principais estados produtores, como Maharashtra e Karnataka, o que reduziu as áreas cultivadas com cana no país. A Tailândia, segundo maior exportador de açúcar, também enfrentou forte seca no primeiro semestre de 2016, o que, conforme o Rabobank, pode resultar em queda de 6% na produção da commodity.

Já na União Europeia, a produção de açúcar deverá crescer 13,4%, atingindo 16,2 milhões de toneladas. Além dos elevados preços praticados em 2016 e da perspectiva de continuidade dos bons níveis para 2017, o fim das quotas de produção de açúcar programado para outubro/17 deve contribuir para ampliar o volume no bloco europeu, que é o terceiro maior produtor mundial de açúcar. Na China, a previsão também é de aumento na produção de açúcar, de 7,9% sobre a temporada passada, totalizando 9,5 milhões de toneladas na safra 2016/17 – dados USDA. Esse incremento deve vir da maior área plantada com cana em praticamente todas as províncias produtoras, exceto na de Yunnan. Com um consumo interno previsto em 17,5 milhões de toneladas e um déficit beirando 8 milhões de toneladas, a China pode vir a se consolidar como o maior comprador mundial de açúcar.

NORDESTE

Iniciada oficialmente em setembro/16, a safra 2016/17 do Nordeste brasileiro tem sido prejudicada pela seca, que vem limitando o desenvolvimento da cana, reduzindo o volume colhido por hectare. Nesse cenário, o encerramento das atividades de moagem pode ser antecipado, ampliando o período da próxima entressafra nordestina. Por outro lado, o clima seco durante a colheita contribuiu para elevar o Açúcar Total Recuperável (ATR) médio, já que essa condição tende a concentrar mais açúcares na cana. Para o Norte-Nordeste, são projetados 131,9 kg/t, 4,8% acima da média da safra passada, segundo a INTL FCStone. Para 2016/17, o mix açucareiro estimado é de 52%, o que elevaria a produção do adoçante para 3,3 milhões de toneladas, 24,7% acima da registrada na temporada 2015/16. Tal aumento se deve à maior rentabilidade do produto ante o etanol.

Por enquanto, números da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) indicam redução de 1,3% na área colhida na safra nordestina 2016/17, em relação à temporada anterior. Apesar da queda, a produção de cana pode crescer 3,8%, para 46,99 milhões de toneladas, ante 45,27 milhões da 2015/16. De açúcar, espera-se um aumento de 33,3% no volume produzido, passando de 2,57 milhões de toneladas para 3,43 milhões de toneladas. (Cepea/Esalq 07/02/2017)

 

Embarques de etanol dos EUA alcançam segundo maior volume da história

Os Estados Unidos embarcaram o segundo maior volume de etanol da história em 2016 diante do forte crescimento da demanda do Brasil, que passou a ser o principal destino dos embarques do país.

Em dezembro, os EUA exportaram 372 milhões de litros de biocombustível, 20% a menos do que no mesmo mês de 2015. Porém, no ano, as exportações totais do país alcançaram 3,9 bilhões de litros, crescimento de 27%, segundo dados do Departamento de Comércio americano compilados pela Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês).

A receita com as exportações do ano passado foram de US$ 2,02 bilhões, elevação de 13% ante 2015 e o terceiro maior faturamento da história.

O Brasil tornou-se o principal destino das exportações americanas do produto, seguido do Canadá e da China. Os navios que saíram da costa americana rumo aos portos brasileiros representaram 26% dos embarques dos EUA, enquanto o Canadá representou 25%, e a China, 17%. Apenas em dezembro, o Brasil importou 161,5 milhões de litros, o que representou 43% de todo o volume embarcado pelos EUA.

A disparada da demanda brasileira alterou o tabuleiro global de exportações americanas de etanol. Os embarques para a América do Sul cresceram 118%, e os do leste asiático, 69%. Já as exportações para o sudeste asiático, o Oriente Médio e o norte da África recuaram. A União Europeia, por sua vez, importou apenas 38 milhões de litros do biocombustível americano, após importar 661 milhões de litros no ano anterior.

“Apenas alguns anos atrás, os EUA era um importador líquido de etanol brasileiro, mas conforme os produtores dos EUA se tornaram mais eficientes e os preços internacionais do açúcar subiram, o Brasil é agora o maior recebedor de nosso produto doméstico”, afirmou Bob Dinneen, presidente e CEO da associação setorial americana.

Isso não significa que não houve vendas de etanol brasileiro aos EUA no ano passado. Esse comércio costuma ocorrer na época de pico de safra de cana no Brasil e de entressafra de milho nos EUA. No ano passado, o volume exportado de etanol para os EUA caiu 63%, para 120 milhões de litros. Ainda assim, o país continuou sendo o principal fornecedor do biocombustível aos americanos.

No caso da China, as exportações tiveram um comportamento bastante volátil ao longo do ano, tanto que houve meses em que não houve registro de nenhum comércio do produto entre os dois países em 2016. (Valor Econômico 07/02/2017 às 19h: 43m)

 

São Paulo lança plano de desburocratização do agronegócio neste dia 20

O ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) (Foto), o governador Geraldo Alckmin e o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Fábio Meirelles, lançam dia 20 de fevereiro, às 9h30, na capital paulista, o Plano Agro+ SP. A exemplo do plano nacional, criado no segundo semestre do ano passado pelo Ministério da Agricultura, a iniciativa do governo de SP também é voltada à desburocratização, modernização e simplificação das normas e procedimentos do setor público que envolvam o agronegócio.

O Agro+ faz parte da estratégia de elevar de 6,9% para 10%, em cinco anos, a participação brasileira no comércio agrícola mundial, seja por meio da abertura e ampliação de mercados ou da agregação de valor aos produtos agrícolas nacionais. Desde o lançamento do plano, o Ministério da Agricultura já atendeu a cerca de 100 pedidos do setor produtivo para modificar ou eliminar procedimentos que representavam entraves às operações da agropecuária.

O Agro+ SP é considerado pelo Mapa como fundamental para alcançar essa meta, já que o estado é o maior polo econômico do país. Em 2016, as exportações do agronegócio paulista somaram US$ 17,92 bilhões, com acréscimo de 12,8% em relação a 2015, quando atingiram US$ 15,88 bilhões, de acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Os setores que tiveram maior destaque foram o complexo sucroalcooleiro, carnes, sucos, produtos florestais e complexo soja.

O Agro+ SP foi elaborado pelo governo paulista em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e o Mapa. A solenidade de lançamento do plano paulista será no auditório do piso C do WTC Teatro, na Avenida das Nações Unidas, 12.551. O presidente da AméricaEconomia, Agostinho Turbian, também participará do evento.

O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado a lançar versão regional do Agro+. Depois de São Paulo, os próximos devem ser Rondônia e Distrito Federal. Até o momento, pelo menos 10 municípios também manifestaram a intenção de criar planos Agro+ locais. (Agência Estado 07/02/2017)

 

Maggi diz que agricultores são ‘espremidos’ na cadeia por fusões na indústria química

Acordos bilionários que movimentam a indústria global de químicos agrícolas podem prejudicar produtores rurais no Brasil, de acordo com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

Segundo ele, acordos como o da compra da Monsanto pela Bayer por US$ 66 bilhões podem causar concentração excessiva na oferta de sementes e defensivos agrícolas, abalando a concorrência e os lucros dos agricultores.

“Há apenas um pequeno número de fornecedores para um mundo muito grande, e isso pode fazer com que os produtores se tornem apenas uma parte de um sistema de integração, onde você ganha só um pouco para se manter na cadeia”, disse Maggi em entrevista em São Paulo.

O ministro, que vem da família que controla um dos maiores empreendimentos de soja do País, o Grupo Amaggi, ressaltou que estava falando “como produtor” e que o governo não deve interferir em transações privadas, deixando essa tarefa para as autoridades reguladoras. O faturamento anual do grupo da família dele é de US$ 3,8 bilhões.

Consolidação

A indústria global de sementes e químicos agrícolas passa por uma rápida consolidação. No ano passado, a Bayer acertou a compra da Monsanto. DuPont e Dow Chemical planejam uma fusão de iguais de US$ 59 bilhões. A China National Chemical espera concluir a aquisição da companhia suíça de sementes Syngenta por US$ 43 bilhões.

O acordo Bayer-Monsanto já havia causado desconforto no Brasil. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) teme que a fusão proposta provoque concentração do mercado e custos maiores para os produtores rurais, segundo informação passada em novembro por um representante com conhecimento direto do caso. No mundo todo, os agricultores enfrentam queda de lucros após vários anos de baixa nos preços dos alimentos. Os produtores no Brasil foram especialmente prejudicados pela recessão e pelo aperto nas condições de crédito.

Também ocorre consolidação no mercado brasileiro. Diversos compradores estrangeiros adquiriram empresas menores que negociam fertilizantes, químicos agrícolas e sementes. A chinesa Hunan Dakang Pasture Farming no ano passado comprou o controle da Fiagril, do Mato Grosso, por US$ 286 milhões e está em negociações avançadas para adquirir o controle da paranaense Belagrícola. Em 2015, a japonesa Sumitomo comprou 65 por cento da Agro Amazônia Produtos Agropecuários, do Mato Grosso.

Maggi disse que um novo plano do governo deve ampliar a disponibilidade de crédito para os produtores rurais. O Brasil pretende liberar a compra de propriedades rurais por estrangeiros, medida que, segundo o ministro, também tende a injetar mais recursos na agricultura uma vez que permitirá que os bancos estrangeiros possam executar terras dadas em garantia em empréstimos.

Ainda assim, a expansão do setor agrícola será modesta, uma vez que os preços atuais de commodities como soja e milho não são suficientes para dar retorno sobre investimentos maiores, ele disse, acrescentando que há poucos grandes grupos globais com know-how para operar grandes fazendas no País.

No ano passado, a área plantada com soja aumentou 1,6 por cento, o menor crescimento desde 2006. Para Maggi, que durante décadas liderou a expansão da cultura no Cerrado, esse ritmo pode ser considerado um novo padrão para a expansão agrícola brasileira.

“São necessários pelo menos oito anos para o investimento se pagar”, disse Maggi. “Para um produtor que depende de recursos de terceiros, não é algo viável”. (Bloomberg 07/02/2017)

 

Primeira fábrica que produz papel a partir da palha da cana é inaugurada em SP

O Grupo Cem inaugurou no último dia 3 a primeira fábrica de papel produzido a partir da palha da cana-de-açúcar do mundo. Localizada em Lençóis Paulista, a FibraResist demandou investimento de R$ 25 milhões e tem capacidade para produzir até 72 mil toneladas de pasta celulósica por ano, com previsão de atingir esse volume no médio prazo.

A escolha do município no Estado de São Paulo para as instalações ocorreu por causa da grande quantidade de matéria-prima na região, com forte atividade canavieira.

De acordo com nota da Secretaria da Agricultura, o primeiro acordo de fornecimento de cana já está acertado com a Coopercitrus Cooperativa de Produtores Rurais para a colheita e transporte da matéria prima proveniente do campo.

“O valor pago na venda da palha é revertido em benefícios aos produtores por meio de produtos e serviços da Coopercitrus, como fertilizantes, defensivos agrícolas, utilização da oficina mecânica, entre outras facilidades”, explica Fernando Degobbi, diretor financeiro da cooperativa. Cada hectare é capaz de produzir até 16 toneladas do subproduto. Isso significa que um produtor médio, com 100 hectares, consegue gerar até 1.600 toneladas de palha de cana-de-açúcar.

A produção inicial, que será de 25% do total da capacidade produtiva da FibraResist, está sendo negociada com empresas que produzem diversos tipos de embalagens e também papel kraft e tissue (como papel higiênico e papel toalha). (Agência Estado 07/02/2017)

 

Canaviais viram desertos em cidades situadas no epicentro da seca no NE

O verde dos canaviais dá lugar ao tom acinzentado da terra quase nua com a morte da cana e poucos pés atrofiados diante da grave estiagem que segue pelo sexto ano seguido em PE e em grande parcela do NE. O caos assola grande faixa territorial que se inicia na cidade de Nazaré da Mata em direção à Mata Sul e que continua em Alagoas e Sergipe.

Em PE, o sumiço dos canaviais dá lugar a áreas parecidas com desertos, já bem perceptíveis entre as cidades de Tracunhaém e Nazaré, região considerada o epicentro da seca pela Associação dos Fornecedores de Cana de PE (AFCP). Em Carpina, por exemplo, tem chovido bem abaixo da média desde junho de 2016. Choveu 208% a menos que o previsto para o período entre junho e dezembro. Situação bem similar em outras várias cidades. Com isso, a nova safra será afetada significativamente, prejudicando uma das principais cadeias produtivas do PIB do Estado. Mesmo chovendo regular a partir de agora, já prevê-se grande déficit de 30% em comparação a safra atual (11,5 milhões de toneladas de cana).

O cenário é desolador. Vastos hectares sem nada brotar e outros com pequenos pés de cana morrendo. Nos locais do epicentro da estiagem, a AFCP prevê um prejuízo mais drástico, porque mesmo que a chuva chegue, já houve grande mortandade dos brotos da cana nesses últimos meses - período em que a planta mais precisava de água para crescer. A previsão é de uma perda de até 70% em relação a produção anterior. No engenho Quatis do produtor Felipe Neli, em Lagoa de Itaenga, por exemplo, só deve atingir 30% do montante produzido na safra 2016/17.

Até os canaviais da Zona da Mata Sul, que tradicionalmente chove mais, têm convivido com a morte de socaria (broto da cana) devido a seca que também provocará impacto sobre a nova produção. A morte da socaria não é comum na região. Ela só ocorre quando o déficit hídrico é elevado e continuado, como tem sido verificado desde junho de 2016. Diversas as propriedades da região já penam com a situação, como observado no engenho Boa Sorte em Xexéu, do produtor rural Frederico Pessoa de Queiroz. 

"A seca também tem prejudicado significativamente a produção de cana nos estados de Alagoas e Sergipe. Em SE, ha relatos até de usinas comprando água de carro pipa para findar a moagem da safra 2016/17", informa Alexandra Andrade Lima, presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida). O dirigente conta que a situação é menos drástica no Rio Grande do Norte e na Paraíba. E em uma pequena faixa em Pernambuco, situada a partir da cidade de Ferreiros em direção a PB. Todavia, a previsão do déficit da nova safra nordestina é elevada. A estimativa já é de um prejuízo de 20% em comparação à safra anterior.

O dirigente aproveita o cenário para criticar os órgãos de meteorologia diante do que ele considera alto nível de contradições e erros entre suas previsões nos últimos tempos. "Ora falavam no fim do El Niño e chegada da Lá Niña, cenário que traria chuva para a região NE; depois, com a seca já intensificada na vida real, mudam as previsões e falam em seca ainda mais severa. Até da volta do El Niño", critica esses prognósticos climáticas que em nada ajuda o planejamento agrícola no Nordeste.

Com o cenário de continuação da seca e elevada previsão de frustração da safra canavieira, reacende o debate sobre o papel do gestor público nesta questão. Ainda mais porque a produção da cana afeta diretamente os indicadores social (postos de trabalho) e econômico (cadeia produtiva envolvida em todo setor, inclusive exportações e geração de impostos).

A Unida retomará a defesa do pagamento da subvenção federal para o setor. Com a crise econômica, a União ainda não pagou esse subsídio já sancionado desde 2014. Além de cobrar ações emergências, como é a subvenção, o setor também se reunirá em Brasília na próxima semana para defender junto ao governo federal um projeto de irrigação através de pequenas barragens para reter e aproveitar no período de seca a água da quadra chuvosa na região - comum entre março a junho. Sem a barragem, esta água escorre para o rio e vai para o mar sem utilização. (AFCP/Unida 08/02/2017)

 

Governos da América Latina se afastam de subsídios à gasolina

Os subsídios aos combustíveis que os governos da América Latina têm usado por décadas para distribuir a abundância de recursos naturais estão minguando à medida que as maiores economias da região migram rumo a políticas regidas pelo mercado. Isso, por sua vez, está aprofundando a ira da população em um momento de dificuldades econômicas.

O México elevou os preços dos combustíveis em até 20% em 1º de janeiro como parte de um esforço ambicioso que teve início em 2013 para liberalizar o setor do petróleo. A Petróleo Brasileiro SA, a Petrobras, fez ajustes nos preços do diesel e da gasolina cinco vezes desde outubro, numa tentativa de manter a confiança dos investidores e reduzir seu endividamento num momento em que também lida com um gigantesco escândalo de corrupção. Os argentinos viram os preços do gás natural comprimido subirem nas bombas dos postos, após decisão do governo de reduzir os subsídios para o combustível.

As mudanças ocorrem em um momento em que o México procura atrair investimentos do setor privado para a sua indústria do petróleo, que enfrenta dificuldades, e depois que governos mais conservadores assumiram o poder no Brasil e na Argentina. Mas elas ocorrem na esteira de turbulências sociais em partes de uma região onde uma longa história de nacionalismo em relação aos recursos naturais tem tornado a política energética um pára-raios político.

O índice de aprovação do presidente do México, Enrique Peña Neto, caiu para 12% o mais baixo para um presidente nas últimas décadas, de acordo com uma pesquisa publicada este mês pelo jornal Reforma, depois que as medidas que aumentaram os preços da gasolina, batizadas de “gazolinazo”, geraram protestos e saques.

Os protestos que se estenderam por uma semana e incluíram bloqueios de estradas, depósitos e postos de combustíveis, causaram centenas de prisões e foram responsabilizados por várias mortes. A Antad, associação mexicana de varejistas, afirma que os saqueadores levaram das 681 lojas que fazem parte da entidade mercadorias que, somadas, valem cerca US$ 90 milhões.

O México, o quarto país maior consumidor de gasolina per capta do mundo, citou a alta dos preços da commodity e a recente desvalorização da sua moeda, o peso, para justificar sua decisão de elevar os preços da gasolina no início do mês. O ministro da Fazenda, José Antonio Meade, disse que o país hoje gasta mais com gasolina do que obtém com a venda de petróleo bruto, acrescentando que manter os preços nos níveis de 2016 este ano custaria US$ 10 bilhões para o governo.

No fim de fevereiro, os preços do petróleo no México passarão a ser ajustados diariamente em vez de mensalmente, conforme o país migra para o modelo de preços de livre mercado, que deve entrar em vigor no fim do ano, segundo autoridades.

“O controle de preços não funciona”, diz Gabriel Casillas, chefe de estudos econômicos do Instituto Mexicano de Executivos de Finanças. “Você acha que o ouro retirado das minas mexicanas, porque é mexicano, é vendido abaixo do preço no mercado internacional? Claro que não”.

As autoridades esperam que a mudança vá atrair investidores para uma indústria de petróleo que está décadas atrasada desde que o presidente Lázaro Cárdenas expropriou os ativos de petrolíferas estrangeiras em 1938.

A Petrobras, enquanto isso, gastou até US$ 28 bilhões entre 2011 e 2014 subsidiando os preços dos combustíveis para ajudar o governo a cumprir suas metas de inflação.

Em parte como resultado dessa generosidade, ela hoje acumula o maior endividamento da indústria petrolífera mundial, US$ 123 bilhões, e está correndo para vender ativos e cortar investimentos.

Esforços para recompor as vendas em queda por meio de preços mais altos estão sendo mal recebidos pela população. “Somo um país produtor [de petróleo], acho que o preço da gasolina deveria ser a metade do que é”, diz José Marcos Marques, um taxista de 38 anos do Rio de Janeiro. “Eles estão obrigando nós, consumidores, a pagar o preço pelo o que aconteceu [na Petrobras]”.

A nova política da empresa busca paridade com os preços globais dos combustíveis, além de uma margem para cobrir as flutuações cambiais e outros riscos. Enquanto anteriormente ela ajustava seus preços apenas esporadicamente, com frequência passando mais de um ano sem aumento algum, a nova política defende ajuste pelo menos uma vez a cada 30 dias.

“A companhia precisa reagir aos movimentos dos preços internacionais e é isso que ela está fazendo, nada a mais”, respondeu o diretor-presidente da Petrobras, Pedro Parente, quando foi questionado sobre a alta dos preços diante de câmeras de TV no início do mês. “É muito importante para nós que a sociedade entenda o papel da Petrobras neste processo”.

A cotação da ação da Petrobras mais que dobrou entre maio e outubro do ano passado, quando o presidente Michel Temer, que assumiu o cargo em meio ao processo de impeachment de Dilma Rousseff, procurou direcionar a empresa para uma gestão mais voltada para o mercado.

Parente é o primeiro diretor-presidente da Petrobras que veio diretamente do setor privado desde 1999.

Nem todos os países da América Latina estão seguindo esse modelo. A Venezuela, rica em petróleo, elevou os preços da gasolina apenas uma vez nos últimos 20 anos. Apesar do aumento de mais de 6.000% em fevereiro do ano passado, o país ainda conta com a gasolina mais barata do mundo, ao preço de cerca de US$ 0,01 o litro. A manutenção desse subsídio, visto como uma questão de sobrevivência para o regime do presidente Nicolás Maduro, tem sido uma das políticas que forçam o banco central do país a imprimir moeda e levaram o governo à beira da moratória.

O Brasil gradualmente eliminou o controle de preços entre 1997 e 2002, mas a desregulamentação foi suspensa depois que o Partido dos Trabalhadores assumiu o poder, em 2003. Graças à sua posição dominante, a Petrobras foi capaz de vender combustível abaixo dos preços do mercado, fazendo com que as empresas do setor privado não tivessem condições de concorrer.

Abrir mão do controle da Petrobras, que é considerada um tesouro nacional por muito brasileiros, continua ainda sendo algo impensável pelo governo.

“Ela continua sendo uma empresa controlada pelo Estado e continua sendo provavelmente a empresa estatal mais politizada do país”, diz Peter Taylor, que ajuda a gerir cerca de US$ 6 bilhões em ações brasileiras na gestora de recursos britânica Aberdeen Asset Management PLC.

A Aberdeen vendeu no fim de 2014 uma fatia substancial que tinha em ações da Petrobras depois que promotores revelaram o amplo esquema de corrupção na empresa.

“Se você está investindo com o horizonte de cinco anos”, diz ele, “você está fazendo uma grande aposta no futuro da política do Brasil”, diz ele, lembrando que o país realizará eleições presidenciais em 2018. (Wall Street Journal 07/02/2017)