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Syngenta vê fechamento do acordo de compra pela ChemChina no 2º trimestre

O grupo suíço de pesticidas e sementes Syngenta adiou o prazo esperado para o fechamento da compra de 43 bilhões de dólares da empresa pela ChemChina para o segundo trimestre de 2017, mas disse que estava tendo progresso em ganhar aprovação regulatória para o acordo.
A transação é importante para a China, o maior mercado agrícola do mundo, que está em busca do portfólio de químicos e sementes protegidas por patentes da Syngenta para ajudar a ampliar a oferta de alimentos para sua grande população.

"A ChemChina e a Syngenta fizeram progresso significativo para alcançar as aprovações regulatórias necessárias e fechar a transação", disse a Syngenta nesta quarta-feira, ao reportar lucro acima do esperado para 2016, um sinal de que a saga do negócio que já dura um ano não afetou os negócios.

"Ainda vemos chances muito altas (90 por cento) do acordo ser fechado com sucesso", disse o analista da Bernstein Research, Jeremy Redenius, em nota.

O prazo de fechamento para a tomada de controle da Syngenta foi adiado no ano passado para o primeiro trimestre de 2017, mas órgãos antitruste da União Europeia estenderam em janeiro o prazo final para sua decisão até 12 de abril.

O acordo já recebeu aprovações de 13 autoridades regulatórias, mas ainda faltam os avais do Brasil, Canadá, China, União Europeia, Índia, México e Estados Unidos. (Reuters 08/02/2017)

 

Tereos investe R$ 60 milhões em usina

O grupo francês Tereos, dono da Guarani no Brasil, está investindo R$ 60 milhões para ampliar a capacidade de moagem de cana-de-açúcar em sua usina em Tanabi (SP), afirmou Jacyr Costa Filho, diretor Região Brasil da Tereos, ao Valor. Esse é um dos poucos aportes em aumento de capacidade de moagem desde a recuperação dos preços internacionais do açúcar.

A ampliação, que deverá estar concluída para a safra 2018/19, vai adicionar 1 milhão de toneladas às atuais 3 milhões de toneladas de capacidade instalada da Usina Tanabi, uma das sete do grupo no país. Com isso, a capacidade total de moagem sob o guarda-chuva da Tereos no Brasil crescerá 5%, para 21 milhões de toneladas de cana por safra.

O aporte também permitirá que a Tanabi direcione uma parcela maior do caldo de cana para a produção de açúcar. Atualmente, a usina pode direcionar 50% do caldo de cana para a produção da commodity e os outros 50% para o etanol.

Segundo Costa Filho, o aumento de capacidade industrial ocorre em paralelo a uma expansão agrícola da companhia, que vem intensificando o plantio em novas áreas com cana. No ano passado, a Tereos aumentou sua área de cultivo em 3 mil hectares, que serão colhidos na próxima safra (2017/18), entre abril e novembro. Neste ano, entre fevereiro e maio, a companhia acrescentará mais 5 mil hectares à sua área de cultivo por meio de arrendamentos. Essa área será colhida na safra 2018/19.

Atualmente, a Usina Tanabi ainda opera aquém de sua capacidade de moagem. Na safra 2016/17, a unidade processou 2,4 milhões de toneladas de cana e, na próxima temporada, a estimativa é de uma leve queda, para 2,3 milhões de toneladas.

Desde o ano passado, a recuperação dos preços do açúcar na bolsa de Nova York e a vantagem em relação à remuneração oferecida pelo etanol animaram algumas usinas do Centro-Sul a investir no direcionamento de mais caldo de cana para o açúcar.

Já os investimentos em aumento de capacidade de moagem têm sido pontuais, como o da São Martinho iniciado no ano passado para elevar a capacidade da Usina Santa Cruz em 500 mil toneladas, para 5,6 milhões de toneladas. Essa ampliação deve estar pronta para a temporada 2017/18.

Na semana passada, a Tereos concluiu a aquisição da participação de 45,97% da Petrobras Biocombustíveis na Guarani, por um valor de US$ 202,75 milhões por meio da Tereos Participations.

A decisão de adquirir a fatia da estatal se deu pela importância do Brasil no tabuleiro mundial da produção de açúcar, segundo o diretor Região Brasil da Tereos. "A Tereos é o terceiro maior produtor de açúcar do mundo, e para nós é estratégico ter uma posição no Brasil", disse Costa Filho. A Tereos não vê necessidade de um sócio para o negócio no Brasil, uma vez que o pagamento à Petrobras já foi feito, mas o executivo disse que a empresa está aberta se aparecer uma "oportunidade estratégica".

A companhia espera moer 20 milhões de toneladas de cana na próxima safra, um volume praticamente igual ao do ciclo atual. O mix será mais açucareiro, o que deve elevar a produção de açúcar de 1,6 milhão de toneladas na safra para 1,8 milhão de tonelada. (Valor Econômico 09/02/2017)

 

Lucro da São Martinho recuou 29,5% no trimestre

A quebra da safra de cana decorrente de geadas no inverno e a antecipação das exportações de açúcar na primeira metade do ciclo 2016/17 fizeram com que o lucro líquido do Grupo São Martinho caísse 29,5% no terceiro trimestre da temporada, para R$ 55,8 milhões.

Com as três geadas que afetaram seus canaviais, a empresa reduziu em 3,7% o volume de cana processada em relação à safra anterior, para 19,3 milhões de toneladas e, do caldo obtido, priorizou a produção de açúcar. Isso concentrou a quebra na produção e na receita com o etanol.

Mas o faturamento com as vendas de açúcar também caiu em relação ao terceiro trimestre da safra anterior, quando a estratégia de vendas foi oposta. "Sabíamos que ia haver dificuldade de escoamento de açúcar no terceiro trimestre, por isso carregamos mais no primeiro e no segundo. No terceiro trimestre do ano passado, havia mais janela de embarque do que neste. São dois trimestres de estratégias diferentes", disse Fábio Venturelli, CEO do grupo.

A receita líquida do período ficou em R$ 607,8 milhões, uma redução de 12,8%. Com açúcar, o faturamento recuou 8,8%, e somou R$ 347,9 milhões. "Como o preço está alto, os compradores esperam uma janela para ver se reduzem o preço. Isso influencia a disponibilidade de navios nos portos", acrescentou.

A receita com as vendas de etanol hidratado caíram 21,6%, para R$ 143,8 milhões, enquanto as vendas de etanol anidro renderam 10,4% menos, a R$ 197,6 milhões.

Com receitas menores, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu 17,1%, para R$ 341,6 milhões, reduzindo a margem Ebitda para 46,2%.

Para o total da safra, porém, a São Martinho mantém sua estimativa para o Ebitda ajustado para algo entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,5 bilhão, dado que, no acumulado do ciclo, o resultado já superou R$ 1 bilhão. Além disso, o número do próximo trimestre refletirá a incorporação da Nova Fronteira, considerada uma "forte geradora de resultado".

Diante da estratégia para os estoques até então, o grupo aumentou sua dívida para financiar o capital de giro. A dívida líquida alcançou R$ 2,9 bilhões no fim do trimestre, alta de 4,2% desde o início da safra, e a alavancagem subiu para 2,09 vezes.

Segundo Felipe Vicchiato, diretor financeiro da São Martinho, esse aperto financeiro deve aliviar no quarto trimestre. "Tem um capital de giro grande empregado. O estoque vai ser convertido em caixa no próximo trimestre", afirmou. Ainda deve haver impacto positivo da incorporação da Nova Fronteira, com dívida de apenas R$ 180 milhões.

Para reduzir a pressão da dívida no curto prazo, o grupo contratará um financiamento de US$ 90 milhões, com vencimento em oito anos e quatro anos de carência, segundo Vicchiato. No fim do trimestre, R$ 1,038 bilhão em dívida vencia em 12 meses, ou 27% da dívida bruta. (Valor Econômico 09/02/2017)

 

Projeções para safra de cana do Brasil variam fortemente por chuvas acima da média

As primeiras projeções para a safra de cana-de-açúcar do Brasil 2017/18 têm variado fortemente devido a pesadas chuvas no centro-sul, deixando comercializadores de commodities incertos sobre quanto açúcar o maior produtor global irá ofertar em um momento em que a colheita se aproxima.

Um clima extremamente benéfico para desenvolvimento da cana em janeiro, que segue nos primeiros dias de fevereiro, parece estar impactando os cálculos de alguns analistas. As projeções, que apontavam para um grande consenso no final do ano passado, agora apresentam grandes diferenças.

Duas das maiores consultorias do setor, como a S&P Global Platts e a Datagro, têm estimativas que diferem em 30 milhões de toneladas para a safra do centro-sul, um volume que representa aproximadamente a produção prevista para todo o ano-safra em países como Austrália e Indonésia, que estão entre os dez maiores produtores globais.

O mercado global de açúcar deve sair de um cenário de dois anos de déficit global na próxima safra. A recente escassez de produção levou os preços do açúcar aos maiores níveis em quase cinco anos. O volume de açúcar a vir do Brasil é o principal fator por trás das projeções de operadores sobre o balanço de oferta global.

"Os números divulgados até agora são uma prova eloquente de quão fortemente diferentes as visões estão em relação à temporada que está para começar", disse o especialista da Archer Consulting em São Paulo, Arnaldo Correa.

Havia um consenso no final do ano passado de que a produção de cana em 2017 seria menor do que em 2016, principalmente devido à insuficiente renovação de canaviais e adversidades climáticas na primeira metade do ano, como as geadas de abril. Mas o clima recente parece ter mudado isso.

"A cana reage muito bem ao tempo chuvoso", disse o presidente-executivo do grupo da indústria de cana Udop, Antonio Cesar Salibe. "Tem chovido quase todo dia, então podemos esperar um impacto positivo".

Segundo meteorologistas da Somar, a região de cana de Ribeirão Preto recebeu 365 milímetros de chuva em janeiro, ante uma média de 30 anos de 309 milímetros. A mesma região recebeu 99 milímetros de chuva nos primeiros sete dias de fevereiro, ou metade do esperado para o mês inteiro.

"Os modelos climáticos estão oscilando muito. O (seco) fenômeno La Niña não se materializou e agora nós esperamos um clima próximo ao normal, mas com chuvas acima da média", disse a meteorologista da Somar, Nadiara Pereira. (Reuters 08/02/2017)

 

Brasil quer elevar exportações ao México

Governo acredita que turbulência na relação entre México e EUA pode facilitar.

O governo brasileiro se movimenta para aproveitar possíveis oportunidades no comércio internacional de commodities, após a chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Um dos alvos é o México, que compra anualmente cerca de US$ 30 bilhões em alimentos dos EUA. Segundo o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, o Brasil está se preparando para exportar carne processada, soja e milho ao país.

Com receio de que o fornecimento de alimentos pelos EUA seja prejudicado pela discórdia, entre os países em torno do tema da imigração, o México se aproximou do Brasil nos últimos meses. “Na viagem que fiz em janeiro à Europa, havia lá 80 ministros de Estado da Agricultura. Falei com 17 deles. Muitos têm preocupações relacionadas aos EUA”, afirmou Blairo, em entrevista ao Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Blairo disse que já tinha se encontrado antes com o ministro José Eduardo Calzada, em dezembro, em Cancún, quando o mexicano sinalizou interesse em ampliar o diálogo. Eles se encontrarão de novo nos dias 20 e 21, em São Paulo, para debater sobre o agronegócio.

De acordo com Blairo, já há representantes do país verificando os frigoríficos brasileiros para a compra de carne processada. Uma das vantagens do Brasil, segundo o ministro, é que as negociações com o México não partirão do zero. “Já temos há alguns anos um protocolo comercial, que nunca evoluiu porque o México não queria. Agora, eles querem e precisam. E no comércio, quando dois países querem, as coisas andam bem”, afirmou o ministro.

Além da carne processada, os mexicanos estão interessados na soja e no milho produzidos no Brasil. Este ano, a safra projetada é de 215,3 milhões de toneladas de grãos – um recorde histórico, conforme os números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No caso da soja, serão 103,8 milhões de toneladas, outro recorde.

“Não sei mais quem os EUA estão incomodando com tanta força. Mas a União Europeia, que é um grande parceiro, também está intranquila. O bloco tem um comércio muito grande com os EUA. O importante é estar atento”, disseBlairo.

Açúcar e café

De olho no mercado europeu, o Brasil também fez uma proposta formal à Argentina para incluir o açúcar na pauta de produtos do Mercosul. Assim, será possível negociar a venda à União Europeia em condições mais vantajosas. O problema é que a Argentina, que também é produtora, teme que o açúcar brasileiro, mais competitivo, invada suas fronteiras.

Segundo Blairo, foi proposto à Argentina uma blindagem contra o açúcar brasileiro, que inclui o estabelecimento de limites para exportação ao país vizinho e taxação de 35% – a alíquota máxima permitida no Mercosul. “O que o Brasil quer é o apoio da Argentina, e não o mercado do país”, afirmou. O ministro disse ainda que o tema foi colocado na reunião com o presidente argentino, Maurício Macri, que esteve no Brasil esta semana.

Além disso, Maggi confirmou que a importação do café do tipo conilon, usado na indústria brasileira, deve ser anunciada amanhã. Será importada 1 milhão de sacas de café.

“Já temos protocolo, que nunca evoluiu porque o México não queria. Agora, eles querem e precisam. E quando dois querem, as coisas andem bem”. (O Estado de São Paulo 09/02/2017)

 

Produção de etanol nos EUA diminui 0,6% na semana

A produção média de etanol nos Estados Unidos foi de 1,055 milhão de barris por dia na semana passada, volume 0,6% menor do que o registrado na semana anterior, de 1,061 milhão de barris por dia. Os números foram divulgados nesta quarta-feira, 8, pela Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês).

Os estoques do biocombustível aumentaram 0,9% na semana encerrada no dia 3 de fevereiro, para 22,1 milhões de barris.

Os números de produção de etanol nos Estados Unidos são um importante indicador da demanda interna por milho. No país, o biocombustível é fabricado principalmente com o cereal e a indústria local consome cerca de um terço da safra doméstica do grão. (Down Jones 08/02/2017)