Setor sucroenergético

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Patina acordo entre Renuka e credores

A relação entre os controladores da Renuka do Brasil, que está em recuperação judicial, e os bancos credores já esteve melhor. Na última quinta-feira (9), a direção da empresa se reuniu com os bancos, mas nenhuma das partes tem até agora uma proposta alternativa ao plano atual que possa ser apresentada em uma nova assembleia de credores.

]A relação se deteriorou depois que o leilão da Usina Madhu foi suspenso na Justiça a pedido do BNDES e a companhia conseguiu que a Justiça autorizasse uma nova assembleia sem antes consultar as partes envolvidas.

Enquanto as conversas patinam, os envolvidos continuam atuando na esfera judicial. Na terça-feira, o relator da 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo, Alexandre Marcondes, recebeu um recurso do Banco do Brasil, que quer impedir que a Renuka do Brasil instale a nova assembleia de credores sem reformular o plano de recuperação judicial, que segundo o banco contém ilegalidades.

A indefinição acerca do cronograma de pagamento das dívidas aperta a companhia, que alega neste momento não ter caixa para cumprir os vencimentos, já que está no período de entressafra, e, portanto, apenas com despesas, e ainda estava contando com o leilão da Usina Madhu para quitar parte da dívida.

Segundo uma fonte ligada à companhia, a Renuka do Brasil precisa de algum aporte imediato – seja dos controladores, seja de um novo investidor ou de instituição financeira – apenas para garantir sua sobrevivência no curto prazo. Mas, para liquidar os créditos, não há outra perspectiva que não seja a alienação de ativos, já que a dívida é de R$ 2,3 bilhões. Já se cogita, inclusive, a venda da Usina Revati, em Brejo Alegre (SP).

A dificuldade, porém, é encontrar um investidor que apresente uma proposta concreta pelos ativos. Quando a Usina Madhu estava em leilão, a Renuka chegou a receber consultas de fundos de investimento, mas nenhum formalizou proposta. Na avaliação de fontes ligadas ao assunto, o que trava o avanço de aquisições no setor é o excesso de usinas à venda no Brasil, além de pouco crédito. Os bancos credores, por sua vez, não têm interesse em ficar com os ativos da Renuka do Brasil, já que teriam que vendê-los, segundo outra fonte envolvida nas negociações.

Outro desafio para a venda de ativos é retirar da unidade produtiva isolada as partes que tiverem hipoteca do BNDES – motivo pelo qual o banco de fomento quis cancelar o leilão da Usina Madhu. (Assessoria de Comunicação 10/02/2017)

 

Cana: Setor discute com Meirelles opções ao crédito presumido no etanol

As lideranças do setor sucroenergético que se reuniram nesta sexta-feira, 10, com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em São Paulo, discutiram, principalmente, alternativas ao fim do crédito presumido de R$ 0,12 por litro incidente sobre o etanol hidratado. Esse crédito vigorou de 2013 até o ano passado e, na prática, zerava a alíquota de PIS/Cofins que recai sobre o biocombustível.

Assim, desde janeiro o álcool usado diretamente no tanque dos veículos é comercializado pelas usinas a um valor R$ 0,12 mais alto, e o temor da indústria sucroalcooleira é de perda de competitividade. "Está difícil, mas ele (Meirelles) ficou de analisar alternativas junto a sua equipe", afirmou ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, um interlocutor com conhecimento do assunto tratado na reunião.

Estavam presentes no encontro, além de Meirelles, a presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Elizabeth Farina, o presidente do Conselho da entidade, Pedro Mizutani, e o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha. O secretário executivo da Fazenda, Eduardo Guardia, também participou. Inicialmente, havia a expectativa de que essa reunião ocorresse em Brasília, na sede da Fazenda, mas a mudança para São Paulo foi acertada no início da noite de ontem.

Outro tema discutido com o titular da Fazenda foram políticas econômicas e tributárias dentro do RenovaBio, que vem sendo preparado pelo Ministério de Minas e Energia. Ainda em fase de elaboração, o RenovaBio é um programa do governo federal que tem como horizonte o ano de 2030. A intenção é permitir ao Brasil cumprir suas metas de redução de 43% das emissões de gases do efeito estufa até aquele ano, tendo por base 2005.

Entre as premissas consideradas pelo programa estão quatro principais eixos: definição do papel dos biocombustíveis dentro da matriz energética, quais são as regras de comercialização desses produtos, a sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento de novos biocombustíveis. (Agência Estado 10/02/2017

 

Condições climáticas desfavoreceram safra 2016/2017 da cana

As condições climáticas de 2016, comparadas com as do ano anterior, foram desfavoráveis para a canavicultura. Além de prejudicar o desenvolvimento da cultura, a inconstância do clima impacta a elaboração de planejamento agrícola, que é feito considerando as variáveis climáticas e os dados de anos anteriores.

Os efeitos das variações climáticas são sentidos na redução da produtividade, que na safra 2016/2017 variou em torno de 7%, dependendo da região paulista. Por outro lado, a seca fez aumentar a concentração de sacarose. "Dependendo do grau do déficit hídrico, ele ajuda na sacarose, apesar de reduzir a produtividade", explica o pesquisador do Programa Cana IAC, Maximiliano Salles Scarpari.

A safra 2016/2017 ocorreu em condição mais seca do que a passada, quando as chuvas foram mais constantes. Nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, houve excesso hídrico e menor insolação, o que causa prejuízo porque é o período em que a cana-de-açúcar está em desenvolvimento. Neste estágio, a cultura precisa de água, além de temperatura e insolação adequadas. "Em função das chuvas, a temperatura e a insolação ficaram baixas", explica Scarpari.

Nos dois primeiros meses de 2015, na região central do Estado de São Paulo, a insolação ficou em torno de 11 horas de brilho solar, por dia, dois pontos a mais do que em 2016. Já a temperatura máxima ficou três graus acima em 2015, comparando-a com a de 2016. "Essa temperatura menor prejudica o crescimento do canavial", explica.

Já em março e abril deste ano, faltou chuva. Além disso, abril foi um dos meses mais quentes de 2016, atingindo cerca de quatro graus a mais do que no mesmo período do ano anterior. Ou seja, o segundo bimestre reuniu déficit hídrico e temperatura elevada. Conclusão: a cana secou. "De janeiro até abril houve problemas climáticos", resume o pesquisador.

De maio a agosto, foi a vez de excesso hídrico, mas também ocorreu falta de chuvas. Scarpari relembra que em junho e julho choveu bem, prejudicando a maturação da cana e a colheita. Já entre final de julho e início de agosto secou, voltando a chover no final de agosto. Setembro secou novamente, condição que começou a mudar no final de outubro. "Um clima bem inconstante".

Por ser a cana uma cultura de ciclo longo e permanecer em campo o ano todo, ela sofre todas as intempéries climáticas. "Quando tem extremos climáticos dentro de um mês isso impacta muito a produtividade", afirma.

"A safra 2016/2017 foi de altos e baixos em termos climáticos, isso prejudica o planejamento porque não tem constância", resume o pesquisador.

Os dados climáticos são usados na elaboração do planejamento agrícola, que envolve deste as etapas de produção e o uso de maquinários até a venda do açúcar. A comercialização antecipada da safra requer maior segurança na estimativa da produção. Daí a importância de adotar projeções acertadas, que levem a planejamentos confiáveis.

Quando os extremos do clima causam surpresas, são prejudicadas as modelagens, baseadas em dados do clima e, consequentemente, são impactados os planejamentos feitos nas propriedades rurais. "Quando há constância climática, a produtividade fica dentro da meta. Nós modelamos dados numéricos e projetamos para a próxima safra, construindo um cenário do clima", afirma.

As projeções são feitas em janeiro, considerando o que deverá ocorrer no meio e no final da safra. "Quando o cenário climático foge da previsão, ele prejudica o planejamento". Os acertos dessas projeções são em torno de 98%, segundo o pesquisador. (IAC 10/02/2017

 

Exportação de açúcar em contêiner cresce 31,6% em 2016, diz Williams Brasil

O Brasil exportou 2,856 milhões de toneladas de açúcar em contêiner no ano passado, 31,6% mais na comparação com os 2,170 milhões de toneladas registradas em 2015, de acordo com levantamento da agência marítima Williams Brazil.

O maior volume foi escoado pelo Porto de Santos (SP), de onde saíram 2,720 milhões de toneladas, ou 95,2% do total. Logo em seguida vem o Porto de Paranaguá (PR), com 80,327 mil toneladas (2,8% do total).

O pico de exportações de açúcar em contêiner foi em agosto, com 383,162 mil toneladas. Janeiro foi o mês em que esse tipo de embarque registrou o menor volume, com 152,146 mil toneladas.

De acordo com a Williams Brazil, o Iêmen foi o principal comprador em 2016, com 509,603 mil toneladas, ou 17,84% do total. Na sequência estão Mianmar, com 349,257 mil toneladas (12,23%), e Sri Lanka, com 329,775 mil toneladas (11,55%). (Agência Estado 10/02/2017)

 

A síndrome da espiral

Na área do gás natural, o governo volta a uma prática que já se mostrou improdutiva.

Durante anos os formuladores de política para o setor de energia no Brasil foram acometidos da chamada síndrome da espiral. Essa síndrome acontece quando as pessoas têm certeza de que o caminho mais curto entre dois pontos não é uma reta, e sim uma espiral. Portadora dessa síndrome, na política pública faltaram objetividade e pragmatismo e sobraram intervencionismo, academicismo, houve pouca ou nenhuma racionalidade econômica e quase sempre o governo apostou contra o mercado. Isso provocou crises num país com uma enorme diversidade energética.

Uma explicação foi a presença de grandes empresas estatais que, por meio de um discurso ideológico, se transformaram em ícones e em campeãs nacionais, vendendo a falsa ideia de que pertenciam ao povo. Essas empresas nunca tiveram uma governança capaz de proteger os interesses de seus acionistas e suas políticas sempre tiveram um viés político/partidário. Com isso, nunca se desenvolveu o mercado de energia no interesse do consumidor, e sim em benefício dos políticos e dos amigos do rei. Exemplo: a falta de fiscalização de agentes vendedores de combustíveis.

Essa narrativa precisa mudar. O governo acerta ao dar autonomia para que estatais como Petrobrás e Eletrobrás se redimensionem adotando planos de desinvestimentos. Mas é preciso que o governo não perca o foco pró-mercado e não ceda a setores atrasados da economia que vendem a imagem de modernidade. Decisões que ajudariam na geração de empregos e na atração de investimentos já poderiam ter sido tomadas, e isso vem frustrando o mercado. No etanol, a demora em usar a Cide como imposto ambiental; no petróleo, o adiamento da decisão sobre a cessão onerosa, política de conteúdo local e extensão do Repetro; na energia elétrica, leilões regionais, gás natural na base do sistema elétrico e critérios econômicos para novos leilões e para qualificar investidores.

Tomemos o exemplo do gás natural. A política para o setor há anos tem sido a de criar grupos de trabalho e elaborar estudos e planos. Nada disso alcançou o objetivo de promover uma maior participação do gás natural na matriz energética brasileira. Por quê? A explicação principal foi o monopólio da Petrobrás. Na área do gás natural, a Petrobrás sempre foi um monopólio vertical e horizontal, e com isso ditava as regras e o próprio planejamento e crescimento do setor. Agora, com a nova Petrobrás vendendo ativos, inclusive na área do gás, é chegada a hora de mudar e atrair o capital privado.

Essa é a intenção do Ministério de Minas e Energia, ao criar o programa Gás para Crescer e aprovar diretrizes no âmbito do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

O alerta é de que, mais uma vez, o governo parece estar caindo na armadilha da síndrome da espiral. Em vez de focar em pontos nos quais existe consenso no mercado, encurtando o caminho para o gás ter participação mais relevante na matriz energética, cria oito grupos de trabalho e manda os agentes do setor se entenderem. Isso é voltar a uma prática que já se mostrou improdutiva. Produtivo seria agentes e governo atacarem em conjunto quatro pontos:

1. Alterar a tributação do ICMS sobre importação do gás natural, transporte e sobre as operações de comercialização interestadual;

2. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis criar metodologias claras, com lógica econômica e de mercado para as tarifas de transporte e de acesso à infraestrutura;

3. Realizar leilões de gás natural, com as usinas gerando na base do sistema elétrico, criando âncoras de consumo que permitiriam desenvolver outros mercados de gás natural; e, em conjunto com os Estados, estabelecer uma regulação de distribuição mais harmoniosa.

O governo, de forma correta, vem promovendo as reformas fiscal, da Previdência e trabalhista. Está na hora da reforma energética. (O Estado de São Paulo 11/02/2017)