Setor sucroenergético

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Raízen Energia reduz vendas de açúcar e etanol no terceiro trimestre

A Raízen Energia, maior companhia sucroalcooleira do país, dona de 24 unidades no Centro-Sul, reduziu suas vendas de açúcar e etanol no terceiro trimestre da safra 2016/17 e elevou seus estoques no fim do período.

A companhia vendeu 1,049 milhão de toneladas de açúcar, um volume 17% menor do que no mesmo período da safra passada. Porém, com uma alta no preço médio de açúcar vendido, de 5,4%, para R$ 1.325 por tonelada, a receita líquida de açúcar (incluído o efeito de contabilidade de hedge) totalizou R$ 1,4 bilhão, um recuo de 13% na comparação anual.

O volume de etanol vendido caiu 5,6%, para 980 milhões de litros, mas isso acabou sendo compensado pela forte alta dos preços do produto, o valor médio praticado no período foi 7% maior do que no mesmo trimestre do ciclo passado, a R$ 1.918 o metro cúbico. Com isso, a receita com as vendas do biocombustível teve uma ligeira alta de 1%, somando R$ 1,9 bilhão.

Menos expressiva, a receita com cogeração de energia elétrica a partir de bagaço de cana recuou 29%, para R$ 118,6 milhões, afetada tanto pela redução do volume como da queda do preço médio de venda do megawatt-hora (MWh). Foram vendidas 673 mil MWh (queda de 20%) a um preço médio de R$ 176 o MWh, queda de 11,2%.

Outro efeito da redução dos volumes vendidos foi a redução dos custos dos produtos vendidos, que alcançou R$ 2,4 bilhões no trimestre, queda de 10,4%.

Com vendas menores de açúcar e etanol no trimestre, a Raízen Energia engordou seus estoques no fim do período. Os estoques de açúcar contabilizados em 31 de dezembro foram avaliados em R$ 1,179 bilhão, quase 30 vezes maior do que o valor dos estoques de açúcar um ano antes. Os estoques de etanol foram avaliados em R$ 1,008 bilhão, mais de quatro vezes o valor dos estoques do produto um ano antes.

Considerando os produtos ainda em processo na época e perdas estimadas, o valor em estoque de produto da companhia naquela data era de R$ 2,376 bilhões, quase cinco vezes o valor em estoque um ano antes.

A companhia informou que o processamento de cana no trimestre foi menor do que no mesmo período da safra passada em função do fim antecipado da moagem. No trimestre, a moagem caiu 31,2% na comparação anual, para 11,3 milhões de toneladas.

No acumulado da safra 2016/17, foram processadas 59,4 milhões de toneladas, uma leve redução de 0,9% ante o mesmo período do ciclo anterior. Essa diminuição foi parcialmente compensada pela recuperação do teor de açúcar na cana, que cresceu 1% no acumulado da safra, para 129,4 quilos por tonelada.

Até o fim do trimestre, a Raízen Energia já havia fixado o preço de venda de seu açúcar referente à safra 2017/18 (que começa oficialmente em abril) para 1,784 milhões de toneladas, a um valor médio de 69,80 centavos de reais a libra-peso.

O preço médio é 19,5% maior do que o valor de fixação antecipada das vendas da safra atual. O preço médio fixado para as vendas da safra corrente ficou em 58,4 centavos de reais a libra-peso, referente à venda de 3,083 milhões de toneladas de açúcar.

No balanço divulgado ontem à noite, a Raízen Energia informou que concluiu dois investimentos em expansão de moagem de cana no último trimestre. Um deles foi a expansão da usina Raízen Paraguaçu, em Paraguaçu Paulista (SP), por R$ 25,715 milhões. Outro investimento foi na expansão da usina Raízen Caarapó, em Caarapó (MS), por R$ 93,749 milhões.

A empresa também realizou investimentos de melhorias em sua unidade de etanol celulósico (ou de segunda geração) por R$ 30,522 milhões, além de investimentos em manutenção, melhoria industrial e automação agrícola que totalizaram R$ 164,237 milhões. (Valor Econômico 15/02/2017 às 15h: 39m)

 

Lucro líquido da Bunge cai 5,8% em 2016, para US$ 745 milhões

A Bunge, uma das maiores companhias de agronegócio do mundo, teve um lucro líquido de US$ 271 milhões no quarto trimestre de 2016, o que representa um avanço de 33,5% frente ao mesmo período do ano anterior. Por ação, o lucro ficou em US$ 1,83 ante US$ 1,31 um ano antes.

Com este resultado, o lucro líquido do ano fechou em US$ 745 milhões, 5,8% menos que em 2015.

O Ebit, resultado antes de juros e tributos na sigla em inglês, somou US$ 403 milhões no trimestre ante US$ 294 milhões no mesmo período de 2015. No ano, o Ebit ficou em US$ 1,14 bilhão, na comparação com US$ 1,25 bilhão um ano antes.

“A Bunge teve um quarto trimestre sólido para encerrar um ano que foi desafiador”, disse Soren Schroder, CEO da empresa no texto de divulgação dos resultados.

Mais representativas para a multinacional, as vendas líquidas da divisão de agronegócios da Bunge somaram US$ 8,34 bilhões no quarto trimestre, com aumento de 5,7% frente ao mesmo período de 2015. No ano, porém, a divisão teve queda no faturamento de 3,36%, com um total de US$ 30,21 bilhões.

Na divisão de produtos de óleo houve uma retração de 11,7% no trimestre e de 2,54% no ano, com os resultados em US$ 1,9 bilhão e US$ 6,86 bilhões.

O segmento de moagem somou vendas líquidas de US$ 404 milhões ante US$ 379 milhões um ano antes. Em 2016 todo, as vendas da divisão ficaram em US$ 1,65 bilhão, quase semelhante a US$ 1,61 bilhão em 2015.

Já a divisão de açúcar e bioenergia registrou vendas de US$ 1,27 bilhão no quarto trimestre, com crescimento de 30,6%. No ano, US$ 3,82 bilhões foram registrados, com aumento de 10,6%.

Por fim, a divisão de fertilizantes da Bunge teve vendas líquidas de US$ 135 milhões nos últimos quatro meses de 2016 ante US$ 132 milhões anteriormente. O resultado anual ficou em US$ 403 milhões, com 4,4% de crescimento.

Para 2017, ele prevê um ano com forte crescimento. “Após safras decepcionantes na América do Sul no ano passado, a região deve produzir um recorde nesta temporada, alinhado com a nossa estratégia. Além disso, as margens de processamento de soja estavam ruins no ano passado, mas estão melhores agora, principalmente na América do Norte e Europa”. (Valor Econômico 15/02/2017 às 14h: 57m)

 

Ipiranga diz aguardar manifestação do MP para se defender

A Ipiranga, distribuidora de combustíveis controlada pelo grupo Ultrapar, informou que aguarda ser citada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) em ação civil pública para que possa tomar medidas cabíveis quanto à sua defesa.

Ontem, o MP-RJ pediu à Justiça que sejam suspensas as inscrições estaduais das empresas Ipiranga, Petrobras e da Raízen (Shell) por causa da venda de combustível adulterado. De acordo com a petição obtida pelo jornal “O Globo”, a 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Cidadania solicita ainda que sejam imediatamente suspensos todos os benefícios fiscais e financeiros e que o Estado seja proibido de conceder novos ou renovar essas benesses.

Na ação civil pública, Alberto Flores Camargo, promotor de Justiça, pede que as empresas sejam condenadas a pagar 20% do valor da causa ao Fundo Especial do Ministério Público. No caso da Petrobras, a causa é de R$ 13,9 milhões. A da Raízen foi fixada em R$ 24,5 milhões. E a da Ipiranga está em R$ 6,7 milhões.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e citando “notícias veiculadas na mídia”, a Ultrapar afirma que a ação civil pública está baseada em fiscalização promovida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em novembro do ano passado, em relação a diversos distribuidores.

A companhia também lembra que, naquele mesmo mês, informou ao mercado ter tomado conhecimento de uma não conformidade no etanol hidratado comercializado em alguns postos do Rio e que, “por cautela e em respeito aos seus consumidores e revendedores”, cessou a comercialização de etanol e pediu que sua rede de revenda parasse a venda do produto. De acordo com a empresa, a ANP foi avisada dessas providências.

Na época, a Ipiranga também deu início a uma substituição do etanol entregue aos postos revendedores para regularizar a qualidade do produto ofertado ao consumidor e iniciou uma avaliação de fornecedores e prestadores de serviços para verificar a não conformidade identificada.

“A Ipiranga aguarda citação da demanda para que, de conhecimento dos fatos que lhe são imputados, possa tomar todas as medidas cabíveis à sua defesa e ao pleno funcionamento de suas atividades na região afetada”, afirma a distribuidora, no aviso ao mercado de hoje. (Valor Econômico 15/02/2017 às 11h: 07m)

 

Preço do açúcar fecha novamente em alta em Nova York

Os preços do açúcar na ICE foram sustentados nesta quarta-feira em parte pela demanda de Myanmar.

O açúcar bruto para maio encerrou em alta de 0,06 centavo, ou 0,3 por cento, a 20,43 centavos por libra-peso, enquanto o açúcar branco para maio fechou em alta de 4,70 dólares, ou 0,9 por cento, a 553,50 dólares por tonelada.

Fatores de suporte incluem conversas sobre demanda de Myanmar, vista como uma passagem para a China, e por prospectos de importações indianas mais adiante na temporada. (Reuters 16/02/2017)

 

Recuperação judicial da Dedini é aprovada

A decisão veio um ano e meio depois da aprovação do acordo de recuperação pelos credores, em 19 de setembro de 2015.

O juiz Marcos Douglas Veloso Balbino da Silva, da 2.ª Vara Cível de Piracicaba (SP), homologou nesta quarta-feira, 15, o plano de recuperação judicial da Dedini, fabricante de equipamentos para a indústria de açúcar e álcool.

A decisão veio um ano e meio depois da aprovação do acordo de recuperação pelos credores, em 19 de setembro de 2015.

O passivo da companhia, na época do pedido, era estimado em cerca de R$ 300 milhões. A crise do setor sucroalcooleiro fez o faturamento da Dedini começar a despencar, após atingir R$ 2,1 bilhões em 2008. Em 2014, a companhia faturou R$ 380 milhões.

A Dedini espera atingir receita líquida operacional de R$ 306 milhões neste primeiro ano de cumprimento do plano, com pequeno crescimento previsto para 2018 e 2019.

Calendário

A proposta aprovada ontem pela Justiça prevê o pagamento integral dos créditos e rescisões trabalhistas ainda em 2017.

Segundo a companhia, a liberação de aproximadamente R$ 21 milhões referentes à venda de um de seus ativos, o estacionamento do Shopping Piracicaba, que estava atrelada à aprovação do plano de recuperação judicial, vai permitir à Dedini liquidar passivos de mais da metade dos credores trabalhistas.

Os demais credores não trabalhistas serão pagos em 11 anos com o abatimento de 50% do valor devido pela indústria de base que já foi a maior produtora do mundo de usinas do setor sucroenergético.

Segundo o plano, os fornecedores dispõem de cláusulas que lhes permitem reduzir ou eliminar seu deságio frente a novos fornecimentos de serviços ou insumos na retomada da empresa.

Em nota divulgada nesta quarta-feira, 15, o presidente do conselho da companhia, Giuliano Dedini Ometto Duarte, considerou a decisão “uma vitória no processo de recuperação da empresa, que está empenhada em voltar a ser uma grande geradora de empregos e contribuir com o desenvolvimento sustentável do Brasil”.

Duarte afirmou ainda que “a empresa tem tudo para voltar a ter posição de destaque no cenário mundial, liderando mercados em que atua e se mostrando como pioneira na inovação tecnológica na área, assim como na qualidade e leque dos produtos ofertados”. (Agência Estado 15/02/2017)

 

Assembléia de credores da Renuka é adiada para 6 de março

A assembléia da Renuka do Brasil para deliberar sobre um novo plano de recuperação judicial foi adiada de 21 de fevereiro para 6 de março, já que não haveria tempo hábil para a convocação dos credores. Caso não seja alcançado quórum suficiente, outra reunião será feita em 13 de março.

O aval para a realização da assembleia foi dado pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e ocorre após o leilão da Usina Madhu, em Promissão (SP), marcado para 23 de janeiro, ter sido suspenso a pedido do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O objetivo na próxima assembleia de credores é trabalhar em um plano de recuperação que ainda considere a venda da Usina Madhu como uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), sem pendências para o comprador.

Com dívida estimada em R$ 2 bilhões, a Renuka do Brasil entrou com pedido de recuperação judicial em outubro de 2015. Além da Usina Madhu, a empresa também administra a Revati, em Brejo Alegre, no interior paulista. Ambas as unidades podem processar mais de 10,5 milhões de toneladas de cana por safra. (O Estado de São Paulo 15/02/2017)

 

Usina de etanol de milho no Mato Grosso aposta em estoque cheio de matéria-prima

A FS Bioenergia já adquiriu 120 mil toneladas do cereal para a produção na usina em Lucas do Rio Verde (MT), que será inaugurada em julho

Os investidores americanos do grupo Summit Agricultural Group e seus parceiros brasileiros estão na contagem regressiva para a coroação de um grande projeto de investimentos no Brasil. Está em fase final a construção de uma usina de etanol, que será inaugurada em julho. Com investimento de US$ 115 milhões (mais de R$ 350 milhões), a unidade terá capacidade para produzir 200 milhões de litros de etanol de milho por ano.

Para investir no Brasil, o grupo americano criou a empresa FS Bioenergia. Trata-se de uma joint-venture em parceria com a Fiagril, uma originadora de grãos brasileira com sede em Lucas do Rio Verde (MT). De acordo com o CEO da FS Bioenergia, Henrique Ubrig, a empresa já conseguiu comprar 120 mil toneladas de milho na região, volume de matéria-prima suficiente para atender a demanda da usina por dois meses. “Temos um grupo de compradores operando, que já fez um mapeamento completo dos produtores da região”, afirma Henrique Ubrig.

Cada tonelada de milho processada pela usina vai gerar 420 litros de etanol. Entre os subprodutos, essa mesma tonelada de milho resultará na produção de 320 toneladas de farelo (135 toneladas alta fibra, 80 toneladas de farelo úmido e 105 toneladas de alta proteína) e cerca de 40 litros de óleo de milho.

De acordo com Ubrig, a produção de etanol de milho é economicamente viável por duas razões: a farta oferta de matéria-prima na região da usina e a logística facilitada. “Estamos numa situação privilegiada. Aqui temos capacidade elevada de produção de milho e enormes excedentes, por um valor econômico”, afirma Ubrig. “O segredo é o milho e a logística. Se a gente não tivesse essa abundância de milho aqui, o etanol não seria viável”.

Armazenar para produzir o ano inteiro

Para produzir etanol de cana-de-açúcar, a cana precisa ser processada em 24 horas após a colheita e tradicionalmente as usinas registram paralisações durante a entressafra. Diferentemente dessa rotina, a usina da FS Bioenergia tem a vantagem de poder estocar o milho. Com isso, terá matéria-prima disponível e será capaz de produzir etanol o ano inteiro.

A empresa já possui dois armazéns localizados no complexo industrial, que somam uma capacidade estática de 120 mil toneladas. Além disso, a empresa pretende contar com armazéns terceirizados para estocar cerca de 50 mil toneladas adicionais de milho.

Outro detalhe é que a empresa planeja comprar a matéria-prima com antecedência. “Estamos precavidos. Vamos aumentar bastante o nosso nível de estoques de tal maneira que na passagem do ano vamos passar com estoques cheios e só teremos compras de milho spot ocasionais”, afirma o CEO.

Fornecimento de milho

O grupo pretende comprar milho apenas de produtores de Mato Grosso, de preferência com fazendas localizadas num raio de até 100 quilômetros de distância da usina. “Temos certeza que o milho será regional e, na medida do possível, vamos comprar diretamente dos produtores”, afirma Ubrig, que continua: “O mercado primário é o ideal. Comprar do produtor significa ter uma melhor condição de negociação, entrega e qualidade”.

De acordo com o CEO da FS Bioenergia, o grupo pretende firmar parcerias com produtores para o fornecimento de milho e prevê concentrar o fechamento de compras especialmente entre maio e junho. “Parcerias são bem-vindas. Isso traz vantagens para nós e esperamos que seja bom para o produtor também”, diz Ubrig. “Quanto mais lealdade no sistema, melhor. Queremos uma boa convivência que vá nos dar perpetuidade”.

Para se tornar um fornecedor da FS Bioenergia, o requisito será apenas oferecer um produto de qualidade, com lavouras localizadas na região de Lucas do Rio Verde. “Vamos aceitar o milho básico standard. Inicialmente, não vamos avaliar a procedência”, afirma Ubrig. “O milho precisa estar em condições adequadas de umidade e sem contaminação. O rigor vai ser o mesmo do milho para exportação”.

Nicho de mercado

Segundo Ubrig, a empresa não tem intenção alguma de competir com o mercado de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. “A indústria de cana está absolutamente consolidada, ela é dominante e vai continuar crescendo. Nós não vamos competir com o etanol da cana, vamos coexistir”, diz Ubrig. “Não vamos mandar o nosso produto para o Sudeste, que já é abastecido pela produção de etanol de cana de São Paulo e Minas Gerais”.

De acordo com o CEO, a estratégia da companhia é conquistar o seu próprio mercado. O plano inicial é vender o etanol de milho na região Norte do Brasil, que demanda etanol e não é atendido pelo setor sucroenergético. “Cerca de um milhão de litros de etanol de milho são importados dos Estados Unidos por ano. Vamos atender a região Norte e competir com o etanol importado”, conta Ubrig.

A produção anual será de 200 milhões de litros de etanol, mas a empresa já prevê que há muito espaço para expandir a atividade. “O nosso objetivo é avançar, com prudência”, afirma o CEO da FS Bioenergia.

Subprodutos

Além da produção de etanol hidratado e anidro, a usina também vai gerar ingredientes valiosos para a indústria de alimentação animal. Um deles é chamado de “alta proteína”, um subproduto do etanol de milho nutritivo que é indicado para a alimentação de aves e suínos. Outro subproduto é a “alta fibra”, recomentada para a nutrição de bovinos. Há ainda o “farelo úmido” e o óleo de milho que resultam desse processo industrial.

A FS Bioenergia já criou marcas comerciais para os subprodutos e está negociando parcerias para a comercialização. Elas são a SF Essencial (alta proteína), FS Ouro (alta fibra) e SF Úmido (farelo úmido). O óleo de milho, por sua vez, será destinado à fabricação de biodiesel, em uma fábrica da Fiagril localizada também em Lucas do Rio Verde. (SF Agro 15/02/2017)

 

Índia deve ser a nova China para o agronegócio nos próximos anos

Em dez anos, a Índia se tornará para o agronegócio o que a China é hoje. Foi o que destacou o economista e palestrante Ricardo Amorim, nesta segunda-feira (13), durante o primeiro dia do “Simpósio Internacional de Vitaminas e Tecnologias”, organizado pela empresa DSM, em Guarulhos (SP). Para dar suporte ao seu raciocínio, Amorim usou como argumento o fenômeno de um novo crescimento da classe média mundial, principalmente nos países emergentes. Segundo ele, a expansão da classe média acarreta diretamente em maior consumo de carnes, de proteína animal.

De acordo com Amorim, o papel da Índia como grande consumidor de produtos agrícolas será puxado pelo aumento de renda da população.

“Hoje, a renda média do cidadão indiano é um quinto da renda do chinês”, disse. Amorim pontuou que, em um prazo de uma década, quando a China tiver consolidado seu salto de consumo, será a vez de a Índia carrear a demanda.

“Ou seja, teremos aí mais uns 30 anos de forte demanda, sem contar outros países asiáticos.”

Segundo ele, a Índia, mesmo com renda média inferior à da China, já mexe, por exemplo, com o mercado de açúcar.

“Por quê? Porque se trata da fonte de energia mais barata que existe”, pontuou, ressaltando que “a importância do agronegócio na economia mundial será cada vez mais crescente”. (Info Money 16/02/2017)

 

Projeto do RenovaBio vai a consulta pública

O RenovaBio, programa do governo federal para expansão da produção de biocombustíveis no País, foi colocado em consulta pública nesta quarta-feira, 15, no site do Ministério de Minas e Energia (MME) e estará aberto a "sugestões e críticas motivadas" até 20 de março. Lançado em dezembro, o projeto envolveu discussões dos segmentos produtores de biodiesel, biogás, biometano, bioquerosene e etanol de 1ª e 2ª gerações.

A expectativa era de que a consulta pública ocorresse mesmo no primeiro trimestre de 2017. No documento publicado pelo MME, os valores defendidos são a competitividade dos biocombustíveis, a credibilidade para o desenvolvimento desses produtos e a previsibilidade em relação ao papel deles dentro da matriz energética nacional.

Além disso, sugere-se o estímulo à eficiência da indústria de biocombustíveis, com foco no diálogo com o Estado e na sustentabilidade econômica, social e ambiental. O horizonte do RenovaBio é o ano de 2030. A intenção é permitir ao Brasil cumprir suas metas, acertadas na COP 21, em Paris, de redução de 43% das emissões de gases do efeito estufa até aquele ano, tendo por base 2005.

Entre as premissas consideradas pelo programa estão quatro principais eixos: definição do papel dos biocombustíveis dentro da matriz energética, quais são as regras de comercialização desses produtos, a sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento de novos biocombustíveis. No total, a consulta pública coloca 21 "questões de reflexão" para esses eixos estratégicos.

Conforme o documento, "após a consulta pública e a consolidação de suas contribuições, a proposta inicial das diretrizes estratégicas poderá ser aperfeiçoada". "A partir disso, deverá ser buscado o instrumento adequado para a formalização dessas diretrizes, importantes para nortear as políticas públicas de Estado para os biocombustíveis". (Agência Estado 15/02/2017)