Setor sucroenergético

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Governo quer retomar construção de refinarias

Programa Combustível Brasil quer promover reforma no setor.

Depois de penar tentativas de promover o refino de combustíveis no país, com o fim dos projetos das refinarias Premium e os atrasos no Comperj, o governo lança nesta segunda-feira o programa Combustível Brasil, para promover reformas nesse setor. Assim como os programas de estímulo aos setores de gás natural e biocombustíveis, a iniciativa do Ministério de Minas e Energia tem como meta atrair novos atores para esse segmento, diante da situação atual da Petrobras.

Com o lançamento do programa, será dado o primeiro passo para a discussão de medidas para estimular a construção de refinarias. A preocupação de mais curto prazo sobre o setor de combustíveis é com o abastecimento do país, diante das dimensões continentais do Brasil.

Por isso, dois dos quatro eixos principais da iniciativa são: o redesenho do cenário de abastecimento do país com o novo padrão da Petrobras; e o desenvolvimento de infraestrutura portuária e terminais de abastecimento. Tanto o combustível importado quanto praticamente tudo aquilo que vai para a região Norte passa por navios.

A iniciativa vai debater também o estímulo à entrada de novos agentes no setor de abastecimento, especialmente em refino. Quando já abalada pela crise e pela Operação Lava-Jato, a Petrobras chegou a negociar com potenciais investidores estrangeiros para colocar as refinarias Premium de pé. Para a do Ceará, a estatal chegou a assinar uma carta de intenções com a GS Energy coreana. Para a do Maranhão, houve sondagens de asiáticos e europeus.

No entanto, a entrada de investidores nesse setor esbarrava no controle dos preços dos combustíveis que o governo impunha às vendas das Petrobras. Com a liberação dos preços desde o ano passado, o governo entende que esse principal entrave para a atração de novos investidores foi afastado, mas ajustes ainda precisam ser feitos para o refino engrenar no país.

Com o programa, o Brasil pode também se tornar menos dependente da importação de combustíveis quando houver uma retomada econômica mais firme. A utilização da capacidade instalada do parque de refino brasileiro, de 2,39 milhões de bpd, chegou a bater em quase 100% ao longo de 2014.

A última refinaria de grande porte construída no Brasil, com 100 mil barris por dia de capacidade (bpd), foi Abreu e Lima, em Pernambuco, onde o Combustível #Brasil será lançado na segunda-feira. Antes disso, a refinaria com processamento de mais de 100 mil bpd inaugurada foi a do Vale do Paraíba (SP), em 1980, com 251 mil bpd.

Para a discussão do programa, serão convidados agentes do setor representados por associações e sindicatos, como Abiquim, Abragás, Brasilcom e Fecombustíveis. Universidades também serão convidadas a debater o tema.

Assim como o Gás para Crescer, medidas podem ser enviadas para o Congresso para dar mais segurança aos agentes. O programa Gás para Crescer, que visa a desenvolver a cadeia de distribuição pelo país, já se transformou em resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), na criação de um comitê específico para acompanhar a evolução do setor e outros grupos de ajustes de normas que são, inclusive, liderados por entidades privadas. Um cronograma para o Combustível #Brasil deve ser anunciado também nesta segunda-feira

 

Usina que foi controlada por dono do Mappin tem falência decretada em SP

Usina que chegou a ser controlada pelo empresário Ricardo Mansur (ex-Mappin e Mesbla), a Cerp (Central Energética Ribeirão Preto) teve a falência decretada pela Justiça de Ribeirão (a 313 km de São Paulo).

A usina, antiga Galo Bravo, já não opera desde maio de 2011, depois de uma história marcada por polêmicas e dificuldades financeiras em seus últimos anos de funcionamento.

A falência foi decretada pela 4ª Vara Cível da cidade devido a um título de R$ 33.839,90 protestado por um dos credores, uma empresa de inspeções técnicas de Sertãozinho que atua na área de soldagens.

Segundo o administrador judicial Alexandre Borges Leite, a usina que teve Mansur como administrador foi representada pela Defensoria, já que não foram encontrados representantes legais para serem citados. A Folha também não localizou membros da antiga diretoria.

Resulta latente a crise econômico-financeira da requerida que não paga obrigação líquida materializada em títulos protestados e não usufrui a faculdade do pedido de recuperação judicial", diz trecho da decisão do juiz Héber Mendes Batista.

Mansur administrou a Cerp entre agosto de 2009 e julho do ano seguinte, quando uma ala da família Balbo, que era proprietária da Galo Bravo, tomou posse da sede da indústria, com direito a uso de seguranças, após alegar sucessivos calotes do empresário.

Os proprietários acusaram o empresário de desviar pelo menos R$ 10 milhões da usina, que já estava praticamente falida. A Galo Bravo, quando Mansur a assumiu, tinha dívidas de cerca de R$ 450 milhões, segundo credores.

Após a retomada pela família, operou por apenas uma safra e encerrou as atividades. Foi a última das usinas de açúcar e etanol em funcionamento em Ribeirão Preto, que se denomina "capital do agronegócio".

Da antiga usina, resta apenas o "esqueleto" do prédio -com mato alto e ferrugem- em meio a lavouras de cana-de-açúcar que a cercam e hoje atendem a outras unidades espalhadas pela região.

NOVA VIDA

Ao assumir a usina, Mansur disse, por meio de um gerente que contratou, que apostaria no setor sucroalcooleiro e que pretendia investir em usinas.

Assim foi feito. Em janeiro de 2010, comprou a Destilaria Pignata, em Sertãozinho, cidade vizinha a Ribeirão, mas por pouco tempo. Depois de três meses, funcionários já se queixavam de atrasos salariais e credores não recebiam. Em maio, a empresa voltou a ser controlada pelos antigos donos.

Em sua temporada em Ribeirão Preto, Mansur frequentava restaurantes sofisticados, circulava em veículos importados e morava numa casa de 2.000 metros quadrados num condomínio de luxo. (Folha de São Paulo 20/02/2017)

 

Etanol anidro cai mais de 6% em SP por pressão de produto importado, diz Cepea

Os preços do etanol anidro caíram mais de 6 por cento na última semana, na média das usinas de São Paulo, por pressão da entrada de produto importado no Estado e da proximidade da nova safra, que leva muitos produtores a venderem estoques, informou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) nesta segunda-feira.

Para o anidro, o indicador Cepea/Esalq fechou a 1,7524 real por litro, queda de 6,2 por cento ante a semana anterior.

Os preços do etanol hidratado também tiveram queda, recuando 3 por cento ante a semana anterior, para 1,6661 real por litro, segundo o Indicador CEPEA/ESALQ.

A queda no preço do hidratado reflete a atividade mais intensa de usinas ativas no spot, buscando liquidar estoques antes do início da temporada 2017/18, indicou o Cepea. (Cepea / Esalq 20/02/2017)

 

Laranja e açúcar puxam alta de 7,2% do PIB do agronegócio paulista

Duas das principais culturas de São Paulo, açúcar e laranja, impulsionaram o PIB agrícola paulista de 2016.

Entre os elos da cadeia produtiva do agronegócio, o destaque ficou com o setor básico -as chamadas atividades dentro da porteira. A evolução no ano passado nesse segmento foi de 19%.

O setor básico agrícola, puxado por laranja e açúcar, tem alta prevista de 24% para 2016, enquanto a pecuária cresce 4,2%.

Com isso, mesmo com peso menor na composição do PIB, o segmento primário contribuiu decisivamente para a evolução de 7,2% do PIB do agronegócio em 2016, que deverá atingir R$ 277 bilhões.

Os números são estimativas do Deagro (Departamento do Agronegócio) da Fiesp e do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), com base em dados de até outubro.

O bom desempenho das atividades dentro da porteira se estendeu a vários outros produtos, como café, soja, milho, feijão, amendoim e uva.

O bom momento da cana, São Paulo tem 57% da participação da produção nacional, ocorreu devido ao déficit global de açúcar.

Problemas em importantes produtores mundiais favoreceram o comércio do Brasil. Isso porque a oferta de açúcar está menor do que a produção, o que garante ao país outros anos de boas receitas.

Já a laranja teve preço reajustado em 2016 devido aos baixos estoques mundiais de suco, que terminaram o ano em um dos menores patamares da história da indústria.

Apesar de uma previsão de recuperação da safra de laranja neste ano, o preço da fruta vai continuar aquecido.

A CitrusBR, associação das indústrias do setor, espera estoque de apenas 70 mil toneladas de suco ao fim de junho.

É um volume muito baixo e jamais visto, suficiente para o consumo de apenas três semanas. São Paulo representa 73% de todo o volume de laranja produzido no Brasil.

"As duas atividades foram beneficiadas por uma conjuntura global de retração da oferta, resultando em alta de preços ao produtor, em um cenário que também favoreceu o setor de insumos agropecuários", diz Antônio Carlos Costa, gerente do Deagro.

Já as atividades consideradas "antes da porteira", que compreendem as indústrias de insumos agropecuários, devem crescer 3,1% em 2016.

Nesse segmento, os insumos para a pecuária foram o destaque, com evolução de 8,5%, devido ao bom desempenho da indústria de nutrição animal. Esta teve faturamento real de 14,1%.

Já os insumos agrícolas não tiveram grande alteração, na média. Enquanto os números dos segmentos de adubos e de defensivos são positivos, os de máquinas agrícolas puxam a taxa de evolução para baixo.

A indústria de máquinas teve retração de 21% no ano passado no Estado, conforme dados apurados até outubro.

O setor já começou a reagir. No segundo semestre de 2016, houve alta de 30% em relação ao primeiro e, no primeiro mês deste ano, a evolução da vendas foi de 74% ante igual período de 2016.

O cenário negativo da indústria está sendo amenizado, o que gera uma expectativa de recuperação, diz Costa.

O segmento industrial, que engloba as indústrias de alimentos, entre outras, deverá fechar 2016 com alta de 5,7%. O setor agrícola, com alta de 6,3%, foi impulsionado pelas indústrias de café, de soja e, principalmente, de açúcar.

A pecuária deverá crescer 4,2%. Ovos e avicultura obtiveram elevação de preços, e a bovinocultura, baixa.

Já a indústria da pecuária deverá crescer 1,6%, tendo sustentação dos derivados de leite, cuja elevação de preços foi de 17,7%. (Folha de São Paulo 21/02/2017)

 

Petróleo deve estar entre US$ 55 e US$ 65 no começo de 2018, apura Platts

O preço do petróleo estará entre US$ 55 e US$ 65 por barril em fevereiro de 2018, segundo a maioria das centenas de delegados presentes ao fórum de petróleo e energia deste ano da provedora de dados Platts, em Londres. Pesquisa da Platts mostra que o porcentual dos que apostam nesse nível é de 48%. Já 31% são mais otimistas e preveem um intervalo entre US$ 65 e US$ 75 por barril. Apenas 2% dos delegados acreditam num preço superior a US$ 75 por barril.

Ainda segundo o levantamento, 60% preveem que o mercado de petróleo continuará superavitário no terceiro trimestre deste ano, apesar dos esforços da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de cortar sua produção ao longo do primeiro semestre. Para 24% dos consultados, o mercado se equilibrará e apenas 16% acreditam que passará a mostrar déficit. (Dow Jones Newswires 20/02/2017)

 

Lucro líquido da Wilmar International cresce 70% no quarto trimestre

A Wilmar International, trading com sede em Cingapura, teve um lucro líquido de US$ 560,8 milhões no quarto trimestre de 2016, um aumento de 70% em relação ao mesmo período do ano anterior. No ano todo, porém, o lucro caiu 5% e ficou em US$ 972,2 milhões.

A receita da companhia no trimestre somou US$ 11,95 bilhões, com crescimento de 26,7%. No ano, o aumento foi de 6,8%, com um total de US$ 41,4 bilhões.

O lucro operacional da trading chegou a US$ 845,7 milhões no trimestre e US$ 2,24 bilhões no ano, com crescimento de 37,8% e 6,9%, respectivamente. (Valor Econômico 20/02/2017)

 

Versatilidade do bagaço estimula parcerias para produção de etanol 2G na Ásia

A utilização do bagaço de cana para a produção de biocombustível de segunda geração (2G) está ganhando escala em diversas partes do mundo, particularmente na Ásia. Para ilustrar este cenário, o diretor Executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão de Sousa, cita importante projeto anunciado no início deste ano por uma joint venture formada pelas empresas japonesas Toray Industries, especializada em química sintética orgânica, e Mitsui Sugar, fornecedora de alimentos.

O plano da parceria é erguer na Tailândia, ao custo de aproximadamente US$ 51 milhões, uma das maiores usinas do mundo para conversão do resíduo fibroso da cana em açúcar celulósico de alta qualidade, que servirá de matéria-prima para diversos produtos bioquímicos, entre eles o etanol.

“As oportunidades comerciais oriundas da diversificação do bagaço aparecem cada vez mais nos radares de multinacionais dos segmentos de alimentação e energia. Com exceção do Brasil, quatro dos cinco maiores produtores mundiais de cana estão no continente asiático (Índia, China, Tailândia e Paquistão) ”, avalia Eduardo Leão, que completa: “Existe, portanto, um potencial imenso de mercado, em especial para o biocombusível 2G, que poderá ajudar a suprir parte da demanda por combustíveis na Ásia e ao mesmo tempo reduzir emissões de gases de efeito estufa nos transportes, um problema crítico e crescente em diversos países da região”.

De acordo com informações da empresa Cellulosic Biomass Technology (CBT), joint venture resultante da parceria Toray-Mitsui, a nova fábrica será construída na província de Udon Thani, segunda maior cidade do nordeste da Tailândia. Inicialmente, a planta, que será inaugurada em 2018, terá capacidade para processar, diariamente, até 15 toneladas de bagaço e produzir 4,2 toneladas de açúcar celulósico. (UNICA 20/02/2017)

 

Empresa de TI monta piloto de etanol celulósico para ACE Ethanol

A companhia de biotecnologia D3MAX anunciou que terminou de montar uma planta piloto de etanol celulósico patenteada com tecnologia própria que será instalada em uma unidade da ACE Ethanol, no município americano de Stanley, no Estado de Wisconsin, segundo informações da revista americana “Ethanol Producer”.

A instalação deve ocorrer até meados de março e o início das atividades e os testes da unidade começarão depois de dois meses.

“Nós vemos esse tipo de tecnologia com um claro passo rumo ao etanol celulósico”, disse Neal Kemmet, presidente e diretor geral da ACE Ethanol. “Claro, muito será determinado durante a próxima fase de testes. Porém, se der certo, nós sentimos que o processo da D3MAX será chave para permitir os atuais produtores a liderar o caminho para a próxima geração de produção de etanol”, atestou.

A D3MAX foi formada pela BBI International para licenciar sua tecnologia de etanol celulósico patenteada para usinas de etanol nos Estados Unidos e no Canadá. A tecnologia transforma fibra de milho e amido residual em etanol celulósico. (Valor Econômico 20/02/2017)

 

Em São Paulo, Temer lança etapa estadual do Agro+

Expectativa do governo com a regionalização do plano é ter um ganho de eficiência estimado em R$ 1 bilhão.

O presidente da República, Michel Temer, participou, na segunda-feira (20), em São Paulo, do lançamento da etapa paulista do Agro+. O programa busca a modernização do agronegócio para reduzir o custo das atividades do setor e combater a ineficiência gerada pela burocracia.

A expectativa do governo com a regionalização do programa é ter um ganho de eficiência estimado em R$ 1 bilhão, valor que representa 0,2% do faturamento anual do setor, calculado em aproximadamente 500 bilhões.

Em 2016, as exportações do agronegócio paulista somaram US$ 17,9 bilhões, com acréscimo de 12,8% em relação a 2015, informou a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo. Os setores com maior destaque foram o complexo sucroalcooleiro, carnes, sucos, produtos florestais e complexo soja.

Adesão ao plano

Antes de São Paulo, apenas Rio Grande do Sul lançou o Plano Agro+ estadual. Rondônia está com o lançamento programado para março e Distrito Federal para maio, durante a feira AgroBrasília. Os estados de Mato Grosso, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Bahia, Rio de Janeiro e Goiás já demonstraram interesse ou estão com seus planos avançados.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) disponibiliza aos estados as informações necessárias à implantação do Agro+ e uma lista de passos para a estruturação dos modelos locais.

Plano Agro+

Com medidas de curto, médio e longo prazos, o Agro+ tem dois eixos: Modernização e Desburocratização e o Marco Regulatório do Plano de Defesa Agropecuária. O foco é a redução da burocracia, que hoje interfere na execução dos serviços.

Para tanto, o Mapa acelerou a implementação do Manual do Boas Práticas Regulatórias de Defesa Agropecuária e priorizou as demandas de automação desta área. Isso está sendo feito por meio de portarias e instruções normativas para reorganizar e fortalecer a tramitação de normas.

O ministério também vai estabelecer cooperação com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para desenvolver ferramentas capazes de agilizar a troca de informações entre as autoridades sanitárias e os países importadores do agronegócio brasileiro.

Medidas do Plano Agro+

Fim da reinspeção nos portos e carregamentos vindos de unidades com SIF

Lançamento do sistema de rótulos e produtos de origem animal

Alteração da temperatura de congelamento da carne suína (-18ºC para -12ºC)

Revisão de regras de certificação fitossanitárias

Aceite de laudos digitais também em espanhol e inglês. (Portal Planalto 21/02/2017)