Setor sucroenergético

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O RenovaBio é muito importante para o setor, afirma Pedro Mizutani

Mizutani pede o envolvimento do setor para que o RenovaBio tenha sucesso.

Programa poderá trazer a desejada estabilidade para a cadeia sucroenergética

O cenário de maior demanda por açúcar, etanol e energia, leva à necessidade de aumentar o volume de cana, além de novas unidades e elevação na capacidade produtiva das já existentes. Mas o sobe e desce do mercado de açúcar, etanol e energia, aliado a inconstância governamental não animam investimentos na agroindústria canavieira.

Em se tratando de etanol e energia, produtos estratégicos para o Brasil, o setor há muito tempo pede ao governo federal garantias de previsibilidade para poder investir. Não quer repetir o erro ocorrido no governo do Presidente Lula, que estimulou a grande corrida expansionista da cana, baseada na conquista de novos mercados pelo etanol, e depois abandonou os produtores, deixando-os cheios de dívida. O golpe fatal veio no governo seguinte ao de Lula, o da Presidente Dilma, que ao congelar o preço da gasolina, acabou com a competitividade do etanol.

Depois de mais de 100 usinas entre paralisadas ou em recuperação judicial e cerca de 300 mil vagas de trabalho fechadas, os sobreviventes da cana pouco se empolgaram quando o governo Dilma anunciou, em 2015, o compromisso assumido na Conferência do Clima (COP21), em que um dos pontos mais importantes prevê que a participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional deverá atingir 18%, o que, para o caso do etanol, significará saltar de uma produção de 28 bilhões de litros por ano para 50 bilhões de litros anuais nos próximos anos.

O Compromisso foi ratificado pelo Presidente Temer em 2016, isso significa que o Brasil confirmou que pretende cumprir o acordo. Para isso, vai precisar da cana. Para incentivar investimentos, o governo do Presidente Temer retomou o diálogo com o setor e desenvolveu o RenovaBio 2030- Programa do Ministério de Minas e Energia que vai discutir o papel dos biocombustíveis na matriz energética brasileira; desenvolvimento sustentável, economia e comercialização.

Governo e setor já discutem a formatação doRenovaBio, e, segundo Pedro Mizutani,vice-presidente de Relações Externas e Estratégia da Raízen e Presidente do Conselho da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), trata-se de um programa muito importante, pois ao oferecer previsibilidade aos investidores, pode trazer estabilidade para a cadeia sucroenergética. “Todos precisam se envolver e apoiar para que este programa seja elaborado de forma que garanta a sustentabilidade do setor e que o Brasil cumpra seu compromisso com a COPY 21”, diz Mizutani.

A expectativa é que o RenovaBio, até 2030, receba US$ 40 bilhões de investimentos no Brasil pela iniciativa privada, esteja presente em 1,6 mil municípios e gere cerca de 750 mil empregos. (Cana Online 01/03/2017)

 

Etanol: Outro bilhete premiado no lixo

Lula não estava errado quando disse que o Brasil poderia se tornar uma Arábia Saudita Verde com a produção de etanol.

Leia o trecho de uma reportagem publicada pela revista Época em 2007:

"Depois de rodar pelo país e se encantar com o processo de produção do álcool a partir da cana-de-açúcar, Thomas Friedman, colunista do New York Times e um dos maiores especialistas em Oriente Médio, voltou para os Estados Unidos convencido de que o Brasil pode se tornar a Arábia Saudita do álcool. A comparação com o maior exportador mundial de petróleo não é delirante. O Brasil é o país mais avançado em combustíveis de origem vegetal, também chamados biocombustíveis. Temos matéria-prima competitiva, tecnologia de ponta, um mercado maduro e espaço para crescer. Foi esse potencial etílico que trouxe para cá o subsecretário de Estado americano para Assuntos Políticos, Nicholas Burns. Ele veio na semana passada para tratar de um acordo estratégico entre os dois países na área de energia. Em março, quem virá ao Brasil falar de combustíveis alternativos é o próprio presidente George W. Bush, cujas ligações com a indústria do petróleo são históricas."

O fato é que o Brasil apresenta vantagens competitivas enormes na produção de etanol com cana, em relação ao etanol de milho, produzido nos Estados Unidos.

O problema foi o que o ex-presidente Lula e sua discípula Dilma Rousseff, suposta especialista em energia, fizeram com a indústria de etanol: desmantelaram-na com uma política artificial de preços, que tornou mais vantajoso usar gasolina a álcool.

A "Arábia Saudita Verde" que não nos tornamos

Um vídeo lançado há poucos dias pela associação americana de produtores de combustíveis renováveis (Renewable Fuels Association) faz um balanço da indústria de etanol no país em 2016 e mostra o desenvolvimento espetacular do combustível nos Estados Unidos.

No vídeo, a Associação afirma que o etanol substituiu a importação de 540 milhões de barris de petróleo pelos Estados Unidos no ano passado.

O volume é equivalente a toda importação de óleo da Arábia Saudita pelo país.

Vale assistir ao vídeo em:

https://www.youtube.com/watch?v=zJgZ5586l2k

Mais que isso, vale lembrar que o ex-presidente Lula anunciou pelos quatro cantos do planeta que o Brasil seria a Arábia Saudita Verde. A propaganda petista do etanol durou até a confirmação de que as reservas do pré-sal eram realmente gigantescas.

E que a possibilidade de roubo também era enorme.

Eles comemoram. Nós lamentamos

Enquanto os americanos comemoram o crescimento do etanol, as vendas no Brasil de álcool hidratado, o que vai direto no tanque do carro, diferente do álcool anidro, que é misturado a gasolina, recuaram 18,3% em 2016, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O controle de preço da gasolina para segurar a inflação, principalmente no primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, gerou a explosão do consumo do derivado de petróleo (e provocou um estrago estimado em US$ 50 bilhões à Petrobras).

Por outro lado, o subsídio à gasolina segurou o consumo de álcool, como mostram os números abaixo:

Consumo de etanol hidratado:

2008: 13 bilhões de litros

2015: 18 bilhões de litros

Consumo de gasolina comum:

2008: 25 bilhões de litros

2015: 41 bilhões de litros

Fontes: Unica e ANP.

Como destruir o setor de energia de um país

Para finalizar a série "como o PT quase destruiu o setor de energia brasileiro", o economista Adriano Pires, especialista em infraestrutura, resume:

"Lula e Dilma conseguiram um feito inimaginável até para os maiores críticos dos governos petistas: quebraram a Petrobras e a indústria de etanol ao mesmo tempo, os dois maiores ícones do setor energético do país."

Não é demais lembrar que a Petrobras se tornou dona da segunda maior dívida (ao final de 2016) entre as empresas listadas na Bolsa de Nova York.

Enquanto isso, mais de um quarto das usinas de etanol estavam em recuperação judicial no final de 2015e mais de uma dezena haviam falido na mesma época. (O Antagonista 28/02/2017)

 

Brasil:Investidores sauditas têm interesse na expansão do etanol e açúcar

A Missão Comercial do Governo de Goiás ao Oriente Médio acumula mais um resultado positivo: investidores sauditas demonstram interesse em apostar na expansão do etanol e do açúcar no Brasil. A economia da Arábia Saudita vive um momento de expansão e busca maior presença no cenário econômico mundial, até como forma de concorrer com os demais países do Golfo Pérsico, que se ocidentalizaram.

É a primeira vez, nos últimos anos, que um governador brasileiro visita a Arábia Saudita, num momento em que a economia local está se abrindo para o mundo. Para Marconi Perillo, é um momento importante de se aproveitar para aprimorar as relações comerciais que favoreçam a balança de exportação do Estado e garantam mais negócios aos empresários goianos.

O presidente-executivo dos sindicatos da Indústria de Fabricação de Etanol e Açúcar do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar) e do Fórum Nacional Sucroenergético, André Luiz Baptista Lins Rocha (Foto), avaliou com “ótima reunião” a que participou com o governador Marconi Perillo e investidores sauditas, em Riade. “Eles manifestaram interesse em investir em na expansão da indústria sucroenergética brasileira”, disse.

Segundo André Rocha, a Arábia Saudita também é um importante mercado para o setor sucroenergético, uma vez que o Oriente Médio é um grande comprador de açúcar. “Em Abu Dhabi, onde estivemos recentemente, está instalada a maior refinaria de açúcar do mundo”, disse André, ao relatar que a missão comercial, liderada por Marconi, busca prospectar o mercado de etanol, que tem dificuldades de entrar na região por causa da força da indústria do petróleo, mas que, por questões ambientais, como forma de diminuir o lançamento de carbono na natureza pelos combustíveis fósseis, reúne condições para crescer.

Em Riade, o compromisso da agenda de trabalho do governador e da delegação de autoridades e empresários foi na multinacional de energia ABB, para a prospecção de investimentos e parcerias para transferência de tecnologia. A agenda de trabalho na Arábia Saudita inclui ainda reunião de trabalho do governador e da delegação em dos fundos soberanos do País.

No almoço com os príncipes sauditas, Marconi a delegação foram recebidos pelo CEO da ABB na Arábia Saudita, Abdullah I. Al Hobayb. A ABB é uma gigante mundial do setor de energia, com negócios em mais de 100 países. A empresa é pioneira e líder em tecnologia, voltada aos clientes industriais, de concessões, transporte e infraestrutura. Também é bastante atuante na promoção de pesquisa e desenvolvimento de produtos para o mercado de energia e tem atualmente mais de US$ 1 bilhão aplicados em inovação tecnológica.

Ao falar a movimentada agenda na Arábia Saudita, Marconi assinalou que trata-se de uma enorme conquista para a economia de Goiás, uma vez que é um dos países mais fechados do mundo, apesar de seus empresários e investidores estarem dispostos a celebrar parcerias internacionais. “A decisão da Arábia Saudita de nos receber e nos apresentar para seus empresários e investidores mostra que o País está aberto para as conversações com o Governo de Goiás e com os empreendedores goianos”, assinalou o governador.

Acompanham Marconi nesta segunda etapa da missão o presidente da Assembleia Legislativa, José Vitti, o secretário de Assuntos Internacionais, Isanulfo de Abreu Cordeiro, a primeira-dama, Valéria Perillo, e o assessor de imprensa, João Bosco Bittencourt. (Brasil Agro 02/02/2017)

 

Glencore busca oportunidades para comprar empresas brasileiras

Multinacional suíça pode estar em negociações com a Odebrecht Agroindustrial.

No último mês, surgiram rumores da negociação entre a Glencore e a Odebrecht Agroindustrial em relação a compra da Usina Alcídia, localizada no Oeste Paulista, no município de Teodoro Sampaio. Entretanto, as duas multinacionais negaram esclarecimentos, deixando assim aberto a possibilidade de trâmites.

A Glencore é uma multinacional com sede em Baar, na Suíça, que abrange a extração de metais, produção de energia e produção agrícola, com lucro US$ 145 milhões anuais (R$ 453 milhões). O grupo vem fazendo investimentos no Brasil, a sua primeira unidade é a Usina Guararapes, arrematada em um leilão no último bimestre.

Especulações surgem em torno da Destilaria Alcídia, devido ao prejuízo à Odebrecht no primeiro semestre de 2015. A destilaria teve um déficit de R$ 158 milhões, com o aumento do prejuízo em mais de 50%.

Glencore e Odebrecht

Chegaram a circular rumores de que a Odebrecht retomaria a moagem na Alcídia, mas depois do escândalo de corrupção descoberto pela Operação Lava jato envolvendo a empreiteira, a principal empresa do grupo, não se falou mais nada.

A Odebrecht agora tem dívidas com o Brasil e recentemente vem procurando vender suas ações. A empresa suíça Glencore viu nessa situação uma grande oportunidade de investimento no país, que é o que mais se dedica ao cultivo da cana de açúcar. (Blasting News 01/03/2017)

 

Dedini começa de novo: com reestruturação, empresa acredita em recuperação

Após acumular uma dívida de R$ 1,8 bilhão e entrar em recuperação judicial, uma das principais fabricantes nacionais de equipamentos para usinas de açúcar e etanol traça a sua reconstrução

Venda de ativos é uma das principais alternativas da Dedini.

O ano de 2008 é um marco na trajetória da Dedini. Naquele ano, a pequena oficina de reparos de carroças, fundada em 1920 pelo italiano Mário Dedini, se consolidou como uma das principais fabricantes nacionais de equipamentos para usinas sucroalcooleiras. Instalada em Piracicaba, interior de São Paulo, a companhia aproveitou a alta dos investimentos em açúcar e etanol no País para faturar R$ 2,1 bilhões, um salto de 38% sobre 2007 e o melhor resultado da sua história.

As políticas de controle de preços da gasolina, instituídas pelos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, no entanto, estrangularam o setor de etanol, que não conseguia repassar as altas de custos ao preço do combustível. O resultado foi uma quebradeira geral no setor, interrompendo a trilha favorável da Dedini. Nos anos seguintes, o grupo assistiu a uma deterioração progressiva de seus negócios. Com os clientes suspendendo contratos e aportes em novas usinas, a Dedini chegou a operar com uma capacidade ociosa de 60%.

Sem saída, a empresa pediu recuperação judicial em agosto de 2015, com um passivo estimado em R$ 177 milhões, além de uma dívida ativa com a União de R$ 1,7 bilhão. Na quarta-feira 15, a Dedini ganhou a chance de um recomeço. O juiz Marcos Douglas Balbino da Silva, da 2ª Vara Cível de Piracicaba, homologou o plano de recuperação judicial da empresa, aprovado em setembro de 2015. A decisão permite que a companhia implante as medidas traçadas para a sua reestruturação. “Desde o início, nossa estratégia foi a transparência e o enfrentamento aberto de todos os problemas”, diz Giuliano Dedini Ometto, 49 anos, CEO e presidente do conselho de administração da Dedini.

Membro da quarta geração da família e primo de segundo grau do empresário Rubens Ometto Silveira Melo, do Grupo Cosan, ele é o responsável por liderar essa reconstrução. “A homologação vai acelerar esse processo”. Disposta a ir além do discurso, a Dedini colocou à venda, na semana passada, 36 lotes residenciais em Piracicaba, com valor estimado em R$ 2 milhões. Antes, o grupo já havia se desfeito de um terreno na cidade, por R$ 21 milhões, dinheiro que havia sido depositado em juízo para o pagamento de dívidas e que, com a homologação, foi desbloqueado.

O próximo passo é a venda da unidade de serviços Dedini Refratários, em Piracicaba, e da fábrica de Maceió, que produz peças para reposição. A soma dos dois bens é de R$ 85 milhões. A empresa possui outras sete unidades fabris, em Piracicaba e Sertãozinho (SP). O destino prioritário desse montante é a quitação dos R$ 36,5 milhões de dívidas trabalhistas. “A ideia é liquidar essas pendências em 12 meses”, diz Dedini Ometto. Nos últimos dois anos, o grupo demitiu 1,6 mil profissionais, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba. Nos tempos áureos de 2008, a empresa chegou a empregar 6,5 mil funcionários.

Hoje, o quadro compreende 2 mil profissionais. Os demais credores serão pagos em um prazo de 11 anos, com um abatimento de 50% da cifra devida a cada um deles. O processo fixou ainda uma carência de um ano para o início desses pagamentos. “Muitos fornecedores da região nasceram e cresceram em função do grupo”, diz Felipe Franchi, advogado de alguns desses credores. “Essas empresas deram um voto de confiança para a companhia”. Para manter suas operações rodando, a Dedini também está acrescendo 0,5% no valor pago em cada novo contrato com esses fornecedores. A cifra adicional é aplicada para abater parte da dívida que a companhia tem com esses parceiros.

No médio prazo, a Dedini vai focar em frentes como a diversificação para áreas como energia, mineração e alimentos e bebidas. A expectativa, porém, é de melhoras em seu mercado tradicional. Para Aparecido Luiz, presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis, o aumento da demanda pelo açúcar e a previsão de preços mais competitivos para a commodity e o etanol trazem um alento. “Esse cenário reaquece a demanda por manutenção e reformas nas usinas”, diz. “E é um passo para a volta das encomendas de máquinas”. O RenovaBio, programa federal que estuda medidas para ampliar a produção de etanol até 2030, é outro fator positivo.

“Isso pode dar maior previsibilidade para os aportes no setor”, afirma Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro. A Dedini também espera reduzir, gradativamente, sua dívida com a União. “A empresa passa a ter fôlego para recuperar sua receita e pagar esse passivo”, avalia Julio Mandel, advogado do grupo. Nos primeiros doze meses após a homologação, o grupo prevê faturar R$ 306 milhões. Nos anos seguintes, a projeção é crescer 1,5%. “Assim como meus antepassados, sigo otimista, mesmo empreendendo em um País que hostiliza quem produz”, diz Giuliano Dedini Ometto, que não vê espaço para grandes saltos nesse ano. “Mas vamos arrumar a casa para voltar a crescer em 2018”. (Isto é Dinheiro 01/03/2017)

 

Açúcar: Mais uma alta

O açúcar ampliou, ontem, os ganhos registrados na última terça-feira na bolsa de Nova York, quando os contratos passaram por uma correção.

Os papéis com vencimento em julho fecharam a 19,34 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 28 pontos.

As especulações em relação à Índia, maior consumidor mundial, sustentam as cotações. Estima-se um déficit de 4 milhões de toneladas na oferta interna do país, o que pode levá-lo a importar a commodity.

No Brasil, um dos navios encostados no porto de Santos tem como destino o porto de Kandla, na Índia, e deve ser carregado com 60,061 mil toneladas de açúcar, segundo a agência marítima Williams Brazil.

Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 80,76 a saca de 50 quilos, queda de 0,71%. (Valor Econômico 02/03/2017)

 

Wilmar compra todo o açúcar da entrega de futuros de março

A Wilmar International adquiriu todo o açúcar vendido contra futuros expirados de Nova York em uma enorme entrega que sinalizou uma oferta maior que a esperada do Brasil, o maior produtor mundial.

A trader com sede em Cingapura, que virou uma potência no mercado açucareiro, abocanhou cerca de 1,2 milhão de toneladas para solucionar o término do contrato de março na bolsa ICE Futures U.S., segundo uma pessoa com conhecimento do assunto, que pediu anonimato porque a informação é privada.

Esta é a maior entrega da história para o mês e duplica a quantidade do ano anterior, segundo dados da bolsa, que deverá divulgar números oficiais nesta quarta-feira.

A maior parte do açúcar virá do Brasil, onde as safras estão atualmente no intervalo entre as temporadas de cultivo na principal região produtora. Quando uma quantidade "considerável" é entregue no período da entressafra do Brasil, o fato é percebido como um sinal de fraqueza do mercado físico, disse Arnaldo Luiz Corrêa, sócio da Archer Consulting, em relatório divulgado antes de o contrato expirar.

Uma entrega grande "geralmente é mais pessimista porque indica que não foi encontrado nenhum outro destino para tanto açúcar além da bolsa", disse Bruno Lima, chefe de açúcar e etanol da INTL FCStone em Campinas, em relatório enviado por e-mail na terça-feira. Isso ocorre apesar dos indicativos de que o comprador é proprietário de refinarias na Ásia capazes de processar o açúcar, disse ele.

Impacto nos preços

O contrato de março expirou na terça-feira a 19,31 centavos a libra-peso. Os preços caíram nas três semanas anteriores à entrega e qualquer impacto associado ao fim do contrato provavelmente já tenha acontecido, disse James Cassidy, chefe global de derivativos de açúcar do Société Générale em Nova York, em relatório enviado por e-mail. Com isso, os fundamentos indianos e chineses e o clima brasileiro impulsionarão o mercado, disse ele.

A Alvean, a maior trader mundial de açúcar e uma joint venture da Cargill com a Copersucar, confirmou a venda da maior parte do açúcar, ou cerca de 858.102 toneladas, sendo que a maior parte dele veio do Brasil. A segunda maior vendedora foi a Sucres et Denrées, que entregou 214.081 toneladas por meio de suas unidades de Paris e Miami.

A ED&F Man Holdings ficou entre as vendedoras que entregaram açúcar de países da América Central, como a Guatemala, disse Jascha Raadtgever, diretor-gerente de açúcar da trader com sede em Londres. Entre as demais traders que venderam estavam a Cofco Agri, uma unidade da maior empresa alimentícia da China, e a trader Enerfo, com sede em Cingapura, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

A Wilmar entrou no mercado açucareiro em 2010 e se tornou um ator dominante, com clientes em muitos países importadores. A empresa assumiu a maior parte das entregas nos últimos dois anos. O fato de o recebedor ter preferido aceitar essa entrega denota uma jogada tática na qual a empresa provavelmente tem a clientela certa para o produto, informou o Commonwealth Bank of Austrália em relatório, na segunda-feira. (Bloomberg 01/03/2017)

 

Depois de abrir semana em baixa, preços do açúcar sobem em NY

No último dia de fevereiro (28), os preços do açúcar fecharam em alta na bolsa de Nova York, após quatro quedas consecutivas. No vencimento março/17, a commodity subiu 22 pontos, sendo comercializada a 19,31 centavos de dólar por libra-peso. De acordo com a análise publicada no jornal Valor Econômico de hoje (1º), essa alta acontece em meio ao vencimento dos papéis de primeira posição e devido ao feriado de Carnaval no Brasil, que enfraqueceu as negociações.

O jornal também informou que, segundo o banco Société Générale, cerca de 1,4 milhão de toneladas de açúcar foram entregues ontem (28) com o vencimento dos contratos de primeira posição.

Na tela maio/16, os preços registraram aumento de oito pontos, fechando cotado a 19,23 centavos de dólar por libra-peso.

Em Londres, o lote maio/17 teve negócios firmados em US$ 532,60 a tonelada, alta de 4,40 dólares. No vencimento agosto/17, a commodity foi comercializada a US$ 522,20, valorização de 2,10 dólares no comparativo com a última sessão. As demais telas fecharam em alta de 1,00 a 2,40 dólares.

Mercado doméstico

Em virtude do feriado de carnaval, a última cotação do açúcar segundo índices do Cepea/Esalq, da USP, é de sexta-feira (24). A saca de 50 quilos do tipo cristal foi vendida a R$ 81,34, uma desvalorização de 0,83% em relação à sessão de quinta-feira. (UDOP 01/03/2017)

 

Uso da palha da cana-de-açúcar pode aumentar produção de energia

Pesquisa do CTBE, de Campinas, aponta produção mais limpa nas usinas. Hoje, poucas empresas utilizam este procedimento, segundo especialistas.

Potencial da palha da cana-de-açúcar não pode ser atingido porque as usinas não possuem a tecnologia adequada.

Pesquisadores de Campinas (SP) estão desenvolvendo um estudo que utiliza a palha da cana-de-açúcar colhida sem queima para aumentar a produção de energia elétrica dentro das usinas, com baixa emissão de gases do efeito estufa.

Os responsáveis pelo levantamento querem provar que este procedimento é mais limpo do que a biomassa, que é a mistura da palha com o bagaço da cana.

A estimativa é que a produção energética possa aumentar em sete vezes com o uso da palha.

“Se a gente pegasse hoje toda a palha no centro sul do país e colocasse para queimar, isso corresponderia aproximadamente uma Itaipu [usina hidrelétrica binacional que produziu 8,74 milhões de MWh em janeiro]”, disse Gonçalo Pereira, pesquisador do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), do Cento Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM).

De acordo com os especialistas, as usinas paulistas tentam há 20 anos utilizar a palha, mas não tem equipamentos adequados e nem o conhecimento logístico para por em prática.

“A palha é uma espécie de sol no estado sólido. Então, além de você desperdiçar e deixar a palha no campo tem a possibilidade de insetos e fungos se alojarem na palha. E ao longo do tempo, ela acaba virando CO2 e outros gases do efeito estufa. Deixar a palha no campo é péssimo para o meio ambiente”, completa o pesquisador Gonçalo Pereira.

Os especialistas lembram ainda que a palha é importante para a qualidade do solo, e não pode ser retirada totalmente. O estudo leva em conta ainda qual é o equilíbrio ideal.

“Pelo menos sete toneladas de massa seca de palha por hectare devem ser mantidas todo ano no campo para manter o equilíbrio”, ressalta o pesquisador do CTBE João Carvalho.

O próximo passo da pesquisa do CTBE é identificar como transportar a palha sem contaminá-la. (G1 01/03/2017)

 

Governo do Mato Grosso do Sul revisa incentivos de usinas e etanol pode subir 6,5%

Secretaria da Fazenda (Sefaz) reduziu o crédito presumido do álcool anidro e hidratado.

Antecipando a série de medidas para equilibrar as contas públicas do Mato Grosso do Sul, incluindo a reforma administrativa e o teto de gastos anunciados na semana passada, o governo estadual alterou os incentivos fiscais das usinas para operações dentro do Estado.

A mudança poderá elevar o preço do etanol em até 6,5% para o consumidor final.

Em decreto publicado no Diário Oficial de Mato Grosso do Sul do dia 17 de fevereiro, o governo reduziu o incentivo concedido sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para a operações do álcool etílico anidro (misturado à gasolina) e do álcool etílico hidratado (etanol) dentro do Estado – de suspenso, o imposto passou a ser cobrado com 18% de desconto.

Conforme o presidente da Associação dos Produtos de Bioenergia de Mato Grosso do Sul, Roberto Holanda Filho, até então, as refinarias do Estado tinham alíquota de 25% e crédito presumido de 15,93% para o ICMS do álcool.

Com o novo decreto, o crédito presumido para o álcool anidro reduziu para 7%. “No caso do hidratado, o etanol, o crédito foi zerado e o setor passou a pagar os 25% cheios. Essa alteração terá impacto no setor e isso vai refletor no consumidor”. (Correio do Estado MS 01/03/2017)

 

Grandes múltis de máquinas traçam cenário positivo para o país até 2018

A acelerada recuperação das vendas de máquinas agrícolas no país desde que o Plano Safra 2016/17 entrou em vigor, em julho do ano passado, devolveu o ânimo às principais companhias do segmento. Afinal, foram cerca de dois anos de mercado retraído, e agora as perspectivas indicam que esta nova fase de bonança poderá durar pelo menos até meados do ano que vem.

Depois que a reação do segundo semestre reduziu a queda das vendas de tratores e colheitadeiras em 2016 como um todo a 4,8%, para 42,8 mil unidades, no primeiro semestre a retração havia sido de 30,9% em relação ao mesmo período de 2015, para 17,1 mil unidades ­, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) passou a prever crescimento de 13% em 2017. É quase uma média do que estimam grandes multinacionais que atuam no ramo para os seus próprios negócios.

"Esperamos que a tendência de alta se mantenha. A conjuntura agrícola está muito positiva", afirmou ao Valor Christian Gonzalez, diretor de portfólio e produto da CNH Industrial no Brasil, que prevê um incremento de 10% a 15% das vendas no país este ano. Conforme dados divulgados pela Anfavea, em 2016, a companhia vendeu 11.222 unidades no país, entre tratores de rodas, colheitadeiras de grãos e colhedoras de cana. No ano anterior, foram 11.225 unidades. "O ano passado foi bem atípico. Começou muito mal e terminou bem. Essa curva gera uma expectativa muito boa para 2017".

Com a melhora do cenário, a fábrica de Curitiba da New Holland, uma das marcas da CNH Industrial, renovou o contrato de cerca de 250 funcionários temporários até setembro. Depois das muitas demissões no segmento nos últimos anos, no total foram fechados 1,4 mil postos de trabalho apenas em 2016, não deixa de ser uma boa notícia.

A recuperação está diretamente ligada ao aumento da confiança dos produtores rurais em relação ao setor e, em menor escala, também aos rumos da economia do país. E está sendo alimentada por recursos do Moderfrota, linha de crédito do governo com juros subsidiados que sustenta a maior parte das vendas de máquinas agrícolas no mercado interno.

Inicialmente, o Plano Safra 2016/17, que terminará em 30 de junho deste ano, reservou R$ 5 bilhões para o Moderfrota. Com a demanda em alta, R$ 2,5 bilhões adicionais já foram garantidos, e a indústria pediu mais R$ 1,5 bilhão. Se tudo der certo, portanto, os desembolsos poderão chegar a R$ 9 bilhões nesta temporada. E para o Plano 2017/18, que entrará em vigor no início do próximo mês de julho, o segmento demanda R$ 11 bilhões.

"Eu acho que R$ 11 bilhões é uma estimativa até conservadora. Se você for olhar o período que estamos vivendo, talvez o mercado reaja até mais positivamente com commodities em alta e dólar mais favorável para compra de insumos", afirmou Alfredo Miguel Neto, diretor de assuntos corporativos da americana John Deere para a América Latina.

Segundo o executivo, outro fator que pode impulsionar o setor agrícola como um todo e, consequentemente, a venda de máquinas, é uma eventual mudança no comportamento da China. "Talvez os chineses direcionem mais suas compras para a América do Sul. Os astros estão ajudando o Brasil em todos os sentidos".

No ano passado, a John Deere vendeu 11.655 máquinas agrícolas no Brasil, 16,2% mais que em 2015. Mesmo com essa melhora, a companhia ainda não repôs a quantidade de funcionários demitidos no país nos últimos dois anos em decorrência do agravamento da crise econômica. "Fizemos apenas contratações pontuais para suprir uma demanda externa", informou Miguel Neto.

Mas isso também pode mudar, sobretudo se o horizonte positivo para as vendas nos próximos dois anos se confirmar. "As oportunidades para o Brasil são enormes no contexto mundial. É um momento no qual as alianças entre os países estão sendo reativadas e a China está repensando suas parcerias. Isso nos dá a oportunidade de aumentar a produção agrícola via tecnologia". (Valor Econômico 02/03/2017)