Setor sucroenergético

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Mais uma falência com a grife Mansur

A falência da Cerp (Central Energética Ribeirão Preto), decretada pela Justiça na semana passada, promete trazer o empresário Ricardo Mansur de volta à ribalta. A família Balbo, controladora da empresa, pretende processar Mansur, responsabilizando-o pela crise fi nanceira que levou a companhia à lona. O empresário administrou a Cerp entre 2009 e 2010, uma passagem curta, porém inesquecível para os Balbo.

Pesam sobre ele acusações de má gestão e até desvio de recursos que teriam precipitado a desativação da usina, em 2011. Se a intenção dos acionistas da Cerp é conseguir alguma indenização do empresário, podem se preparar para um calvário. Já há algum tempo, Mansur garante que entregou todos os seus bens à Justiça por conta da falência do Crefisul.

Não convenceu os credores do Mappin e da Mesbla que, recentemente, contrataram investigadores particulares norte-americanos e reuniram evidências de que ele manteria patrimônio não-declarado nos Estados Unidos. Procurados, a família Balbo e Ricardo Mansur não se pronunciaram até o fechamento desta edição. (Jornal Relatório Reservado 03/03/2017)

 

Usina Diana inicia nova safra e espera moer 1,65 mi de toneladas de cana

A Usina Diana, em Avanhandava (SP), iniciou as atividades da nova safra de cana-de-açúcar 2017/18. Oficialmente, a moagem até 31 de março será computada na temporada 2016/17, enquanto o processamento a partir de abril valerá para 2017/18. A expectativa entre os diretores da unidade é moer 1,65 milhão de toneladas no ciclo deste ano, bem próximo à capacidade total da indústria, segundo informações da União dos Produtores de Bioenergia (Udop).

O mix de produção na safra deve ficar em 50% da oferta de matéria-prima para açúcar e os outros 50% para etanol. Para marcar o início dos trabalhos, um culto ecumênico foi realizado semana passada na usina. (Agência Estado 06/03/2017)

 

Etanol hidratado sobe 0,10% e o anidro recua 2,38% nas usinas de SP

Após 11 semanas em queda, o preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 0,10% entre segunda-feira e esta sexta-feira, 3, de R$ 1,5846 o litro para R$ 1,5862 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor do anidro caiu pela oitava semana, com recuo de 2,38% no período, de R$ 1,7142 o litro para R$ 1,6734 litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 03/03/2017)

 

Índia perde mercados para açúcar do Brasil

Chuvas abaixo da média e canaviais envelhecidos pressionaram o desempenho do segundo maior produtor global de açúcar, a Índia. As exportações brasileiras da commodity já dispararam e devem seguir em alta em função da escassez de oferta no mundo.

O complexo sucroalcooleiro foi o setor com maior expansão nas vendas externas entre os exportadores do agronegócio em janeiro. O valor dos embarques dos subprodutos de cana teve alta de 110% em relação ao mesmo mês de 2016, passando de US$ 489,34 milhões para US$ 1,03 bilhão, segundo o Ministério da Agricultura. O açúcar respondeu por 92,9%. Foram US$ 955,40 milhões faturados, elevação de 120,7% no intervalo avaliado.

"Vimos um aumento grande nas importações de players do sudeste asiático, que antes eram abastecidos por países que tiveram quebra de safra, como Índia e Tailândia", explica o analista da INTL FCStone, João Paulo Botelho. Bangladesh, Malásia, Indonésia e Emirados Árabes estão entre os mercados perdidos pelos indianos. A China, que figurava como o maior comprador do Brasil, recuou por uma estratégia do governo chinês que favorece a produção doméstica.

A consultoria revisou a projeção de saldo negativo na oferta global açucareira em 13,5%, para 8,5 milhões de toneladas, impulsionada pelos efeitos da Índia. A última prévia foi divulgada em novembro de 2016.

Mesmo considerada a situação positiva dos canaviais no maior estado produtor do país, Uttar Pradesh, a estimativa de produção total é de 20 milhões de toneladas, 20,3% abaixo da safra passada. Esta queda seria puxada por Maharashtra e Karnataka (segundo e terceiro fabricantes principais), que sofreram mais com as monções fracas - condições climáticas sazonais dos ventos, que acontecem entre o sul e sudeste da Ásia. Para os dois últimos estados, espera-se quebra de 46%.

"O açúcar brasileiro tomou alguns mercados da Índia, mas parte das vendas foi do produto bruto, que passaria pelas refinarias do concorrente e cumpriria os contratos de exportação daquele país", pondera o especialista. Porém, a partir do início da próxima safra nacional, em abril, pode haver um fortalecimento da demanda indiana ao Brasil.

Reflexo no campo

O presidente do Grupo Maubisa de usinas, Maurílio Biagi Filho, disse ao DCI que o açúcar está remunerando muito mais do que o etanol, fator que automaticamente mexe com o mix de produção da próxima safra canavieira.

"Quando isso acontece, há uma tendência de processar todo o açúcar possível, dentro das limitações das unidades produtivas", afirma Biagi. Segundo o executivo, a maioria dos usineiros fixou margens razoavelmente atrativas nos contratos e, em consequência, as projeções são positivas.

Como boa parte dos contratos já foi realizada, o mercado spot (à vista) ficou desaquecido e está com os preços mornos. "O spot enfraquecido é porque tivemos uma porção considerável de açúcar contratado", avalia a pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Heloisa Lee Burnquist. A especialista lembra que na safra houve uma pressão altista nos preços e agora nós temos um mercado doméstico dentro da normalidade, que não necessita de demanda excedente da indústria para absorver e movimentar o spot.

Levantamento da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), divulgado na semana passada, mostra que no acumulado de 1º de abril de 2016 a 16 de fevereiro de 2017, o total processado atingiu 594,73 milhões de toneladas. Com esse resultado, o processamento total da commodity alcançou 35,27 milhões de toneladas.

Etanol

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul somaram 934,40 milhões de litros na 1ª quinzena de fevereiro, sendo 22,53 milhões de litros destinados à exportação e 911,87 milhões de litros ao mercado doméstico. No mercado interno, tanto o volume comercializado do biocombustível anidro como o de hidratado apresentaram contração ante a 2ª quinzena de janeiro. O anidro registrou 455,22 milhões de litros, com redução de 2,88%, e o hidratado somou 456,65 milhões de litros, queda de 0,98%.

Biagi comenta que o etanol está menos competitivo, mas tem produção e consumo equilibrados País. (DCI 03/03/2017)

 

Estoques finais de açúcar na Índia devem cair 54% em 2016/17

Os estoques de açúcar na Índia devem cair 54% e atingir 4,2 milhões de toneladas ao término da safra 2016/17, em 30 de setembro, projetou nesta sexta-feira, 3, o Banco Pine. O volume é um dos menores já registrados no passado recente e fica consideravelmente abaixo dos 11,5 milhões de toneladas alcançados em 2014/15. A temporada 2015/16 encerrou com 9,2 milhões de toneladas.

Na avaliação da instituição, a queda nas reservas pode forçar o governo a zerar a tarifa de 40% incidente sobre a importação do alimento, a fim de estimular as compras externas e o consequente abastecimento doméstico. Apesar disso, o banco não prevê nenhuma "avalanche" de importações. Atualmente, a importação para refino e venda na Índia com tarifa de 40% gera um prejuízo de US$ 224,5 por tonelada para o comprador. Caso a taxa seja zerada, ainda assim haverá uma perda de US$ 16,2 por tonelada.

"Será necessário que o prêmio do açúcar indiano suba para fomentar as importações. Apesar da grande quebra de safra, o mercado local não está muito descolado do internacional. Contudo, estamos no fim da safra indiana, e quando as usinas cessarem suas atividades o preço local deverá subir", comentou o analista do Pine Lucas Brunetti, em relatório.

Segundo o banco, a produção indiana do alimento deve recuar para 21,2 milhões de toneladas em 2016/17, 22% inferior à de 27,3 milhões de toneladas observada em 2015/16. A atual temporada foi marcada por uma série de adversidades climáticas, que comprometeram a produtividade dos canaviais indianos. (Agência Estado 06/03/2017)

 

Cana de açúcar registra perda em AL e SE

 Nos próximos dias, o avanço de uma frente fria pela Região Sul deixará o tempo bastante instável em grande parte do centro-sul do Brasil. Há previsão para pancadas de chuva ao longo do dia desde Rondônia até o Rio Grande do Sul. Sendo que os maiores volumes deverão ser observados sobre o Rio Grande do Sul, por conta da presença deste sistema e também sobre parte de Minas Gerais e de Goiás. As chuvas persistem também sobre boa parte do Pará, uma vez que a ZCIT (Zona de Convergência Intertropical) mantém o tempo bastante instável sobre o norte do país.

Com a previsão para pancadas de chuva , os produtores conseguirão ir a campo e realizar todos os seus trabalhos, desde a colheita, plantio e tratos culturais . Contudo, em grande parte da região centro-sul as horas de trabalho serão pequenas, como já vem ocorrendo, sendo que muitas propriedades estão com índices elevados de perdas de produtividade tanto na soja quanto no milho . No caso do algodão o tempo bem mais úmido tem ocasionado um aumento do número de focos de doenças .

Tempo um pouco mais aberto somente sobre a região nordeste de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Sergipe e Alagoas. Vale ressaltar que o tempo seco tem provocado perdas consideráveis na produção decana de açúcar na região litorânea de Sergipe e Alagoas e na produção de grãos , no interior dos dois estados.

Na próxima semana o padrão meteorológico não muda muito, as chuvas deverão continuar ocorrendo ao longo de toda a semana sobre grande parte das regiões produtoras do centro-sul do país e também no Pará.

No Centro-Oeste e Sudeste as chuvas virão apenas na forma de pancadas, já que frentes frias estarão avançando pelo Brasil durante a semana. Os produtores ainda vão encontrar dificuldades para finalizar a colheita da soja e posterior plantio do milho safrinha . Produtores de feijão também deverão tomar cuidado com a colheita já que a chuva poderá dificultar o processo de secagem. (Agroclima 06/03/2017)

 

Guerra civil nas usinas de etanol dos EUA: Relação entre Trump e bilionário deflagra desunião e crise inédita

Num momento crucial o bilionário Carl Icahn desencadeou uma série de demonstrações públicas de desunião entre os produtores de etanol, como nunca se viu antes.

A relação entre o bilionário Carl Icahn e o presidente americano Donald Trump ajudou a deflagrar uma série de recriminações nos bastidores da bilionária indústria de etanol dos Estados Unidos, justo em um dos momentos mais cruciais de sua história.

A discórdia aflorou nos últimos três dias, depois que usinas de etanol reagiram a uma proposta capaz de reconfigurar o modo como o setor de combustíveis é regulado, feita por Icahn e um grupo lobista.

“Acreditamos que a RFA foi comprada, vendida e entregue numa bandeja.” Todd Becker, CEO da Green Plains

No cerne da disputa está a questão sobre quem deve ficar responsável pela adição do etanol à gasolina, como exige a lei de mistura, vigente há doze anos nos Estados Unidos. Icahn é um célebre investidor corporativo e comanda uma das maiores refinarias independentes do país. Durante as eleições presidenciais do ano passado, ele fez bastante barulho ao tratar da matéria, argumentando que esse ônus não deveria recair sobre empresas como a dele (refinarias de petróleo), mas sobre as distribuidoras de combustível.

A posição de Icahn é alvo de reprovação enérgica por grande parte do setor de biocombustíveis. Daí a surpresa quando, em 27 de fevereiro, revelou-se que o bilionário de 81 anos, agora conselheiro especial do presidente Trump para assuntos regulatórios, havia angariado o apoio da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA - Renewable Fuels Association) para o seu pleito. A RFA é um grupo lobista radicado em Washington e a principal associação defensora dos interesses dos produtores de etanol.

Embora o presidente da RFA, Bob Dinneen, há muito se opusesse ao tipo de mudanças defendidas por Icahn, sua associação agora está respaldando a proposta em discussão na Casa Branca. A notícia agitou os mercados da gasolina e do milho, e desencadeou uma série de demonstrações públicas de desunião entre os produtores de etanol, como nunca se viu antes.

“Negociata de bastidores”

“Acreditamos que a RFA foi comprada, vendida e entregue numa bandeja”, diz Todd Becker, CEO da Green Plains, que não integra o grupo lobista.

Em novembro, a unidade de combustíveis renováveis da Valero Energy Corporation, maior refinaria independente dos Estados Unidos, filiou-se à RFA. A empresa endossou a medida encampada por Icahn, o que, segundo Becker, pode ter pesado para o desfecho. “Bob Dinneen vendeu a alma para o diabo”, afirmou Becker, referindo-se ao ingresso da Valero no grupo.

As críticas também se dirigem à maneira como a proposta foi apresentada à gestão Trump, sem uma consulta ampla ao setor. A Poet LLC, maior fabricante de etanol dos EUA e uma das fundadoras da Growth Energy, associação que se opõe terminantemente à manobra de Icahn, tachou o acordo de “negociata de bastidores”, feito à revelia das “vozes de liderança”.

Funcionários da Casa Branca passaram os últimos dois dias em deliberações com Icahn e com produtores de etanol contrários à proposta, segundo fontes a par das negociações. A avalanche de reuniões e telefonemas veio na segunda-feira, depois que a Bloomberg News noticiou que Icahn havia ajudado a intermediar um acordo com o grupo de Dinneen. A veiculação da notícia provocou uma valorização de mais de US$ 100 milhões na participação acionária de Icahn na CVR Energy, dona de uma refinaria.

Na quarta, a porta-voz da Casa Branca Kelly Love afirmou não haver nenhuma ordem executiva relativa ao etanol sendo preparada no momento. Ela não respondeu diretamente às perguntas sobre o andamento das discussões.

Custos de adequação à lei

Embora as regulamentações de etanol possam ser esotéricas nos melhores momentos, o setor dispõe de considerável influência política em Washington. Trata-se de uma indústria fundamental para a economia do Cinturão do Milho, região cujos eleitores ajudaram a colocar Trump na Casa Branca. Muitos estão ansiosos para ver o que Trump fará em prol do setor agrícola.

Até esta semana, a indústria dos biocombustíveis mostrava-se unida em sua luta contra mudanças na lei de mistura, argumentando que elas acabariam por minar o propósito do programa, ampliar o uso de etanol e biodiesel.

A CVR, juntamente com outras refinarias de gasolina, alega que os atuais custos para cumprir com a lei de mistura são excessivos. Atualmente, as refinarias que não têm condições de misturar etanol à gasolina são obrigadas a comprar créditos para cumprir os requisitos. Icahn alertou para o risco de isso provocar falências no setor.

Ainda na semana passada, a RFA entrou com um pedido na Agência de Proteção Ambiental para que o órgão barrasse as demandas de Icahn. Mas tudo mudou, segundo o próprio Dinneen, depois que ele foi contatado pela Casa Branca e informado, “em termos nem um pouco vagos”, de que o pleito de Icahn seria aprovado. A partir desse momento, Dinneen diz ter procurado arregimentar apoio no setor para conseguir a melhor negociação possível.

“Alvoroço” sem precedentes

O mundo dos biocombustíveis agora se encontra em polvorosa. A Fuels America, grupo lobista que conta com filiados em todos os elos da cadeia agrícola, divulgou na terça-feira haver cortado laços com a RFA. As associações de combustíveis renováveis dos estados de Iowa e Illinois também se declararam contrárias a qualquer esforço no sentido de alterar a lei de mistura.

Dinneen limitou-se a afirmar que continua a “nutrir grande respeito pela coalizão da Fuels America e seus integrantes”, recusando-se a fazer comentários adicionais.

A Growth Energy, por sua vez, declarou que a organização de Dinneen não fala em nome da parcela majoritária da indústria de biocombustíveis. Emily Skor, CEO do grupo, disse ter sido pega de surpresa pelo pacto acordado por Icahn, e que passou os últimos dias em conversas com agências reguladoras, congressistas e jornalistas, num esforço para distinguir a sua organização, cujos integrantes continuam contrários à medida, da RFA. Skor, que assumiu o cargo de CEO da Growth Energy em maio, diz ter ouvido que o atual “alvoroço” em que se encontra o setor é algo sem precedentes. (Bloomberg 03/03/2017)

 

Decisão sobre nova mudança no preço spot da energia em 2018 sai até julho, diz CCEE

A decisão sobre uma possível nova mudança em 2018 na metodologia de cálculo do preço spot da eletricidade, ou Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), deve ocorrer até julho deste ano, disse à Reuters o presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, Rui Altieri.

A alteração, se aprovada, entraria em vigor a partir de janeiro do próximo ano e seria a segunda revisão no PLD, após uma atualização da metodologia de cálculo ser aprovada para maio deste ano, com o governo defendendo a medida como uma forma de tornar os preços da energia "mais realistas".

O PLD, que é calculado por modelos computacionais, serve de referência para contratos de energia de curto prazo e influencia cotações no mercado livre de eletricidade.

A definição do PLD leva em conta simulações sobre a oferta e demanda por energia e os cenários de chuvas. A metodologia em preparação para maio, chamada de CVaR, torna mais pessimistas os cenários utilizados nessas simulações, enquanto a mudança que poderia ser adotada em 2018 tem sido chamada tecnicamente de SAR.

"Estamos estudando (a SAR) e até julho vamos concluir as avaliações e estudos, entender se é realmente uma metodologia que agrega valor", disse Altieri à Reuters.

A CCEE participa do grupo técnico que conduz esses trabalhos no Ministério de Minas e Energia.

Segundo Altieri, pode ser que a conclusão de estudos em julho aponte a necessidade de prolongar as avaliações, o que adiaria a mudança.

Mas a chance de a nova metodologia ser descartada é vista por ele como "muito remota".

Ele também afirmou que, com o início da aplicação da metodologia CVar no PLD, os preços médios tendem a subir, o que já tem sido apontado em projeções divulgadas pela CCEE nos últimos meses.

"Estamos contribuindo para alinhar o PLD com a realidade... e as alterações estão sendo feitas de maneira previsível", destacou.

Especialistas afirmam que, sem essas mudanças, os preços spot não refletem os custos reais de operação do sistema, e as medidas já anunciadas pelo governo para alterar o PLD têm sido bem vistas pelo mercado.

Na quinta-feira, a CCEE elevou as projeções para o preço spot da eletricidade para Sudeste e Sul em 2017, mas reduziu as expectativas para Norte e Nordeste.

A CCEE apresentou previsões de um PLD médio em 2017 de 199,75 reais por megawatt-hora no Sudeste e Sul, ante 193 reais na projeção realizada no mês anterior.

Para o Nordeste, o PLD médio esperado para este ano é de 220,62 reais por megawatt-hora, ante 241 reais anteriormente. (Reuters 03/03/2017)

 

Açúcar: Entrega volumosa pode mudar o tom do mercado

A semana foi marcada pelo sobressalto causado pelo enorme volume de açúcar entregue contra a expiração do contrato futuro de março, em NY. Mais de um milhão e duzentas mil toneladas de açúcar foram recebidas por uma única trading (Wilmar), das quais 932 mil toneladas originadas do Brasil, 117 mil da Guatemala e o restante dividido entre Argentina, Costa Rica, El Salvador, Honduras, México e Nicarágua. Foi o maior volume entregue numa expiração de março, cuja média até então não passava das 480 mil toneladas. E é, também, quase o triplo da média do volume entregue pelo Centro-Sul nos meses de março.

Dessa forma, caro leitor e cara leitora, a menos que seu nome seja Alice e você tenha como companheiro inseparável um coelho branco de colete carregando um relógio de bolso, a verdade é que a entrega de março tem um espantoso tom baixista, independentemente de o recebedor ter refinarias espalhadas pela Austrália, Nova Zelândia e Indonésia.

Um volume dessa magnitude entregue no período de entressafra do Centro-Sul denota que o mercado físico de açúcar estava (ou ainda está) à deriva e o melhor comprador era (ou ainda é) mesmo a bolsa. Pode-se construir o argumento altista que melhor lhe aprouver para justificar a operação, mas a consistência dele é como prego na gelatina. A entrega desse volume é baixista.
Talvez, mais surpreendente do que a própria entrega, seja a quietude com a qual os fundos têm tratado o mercado. Já apagamos os ganhos de 2017, chegamos a negociar bem abaixo do fechamento de 31/12 (19.51 centavos de dólar por libra-peso). O mercado encerrou a sexta heroicamente negociado a 19.52 centavos de dólar por libra-peso. E os fundos, coincidentemente, tem praticamente a mesma posição que tinham no final do ano passado. Embora tenham ganhado muito dinheiro com o açúcar, não me parece razoável que vão aguentar essa lengalenga por muito tempo.

Além disso, como se sabe, a sazonalidade do açúcar mostra que abril-maio-junho são períodos de preços mais baixos. Mesmo correndo o risco de morder a própria língua, nunca é demais repetir que se não houver alguma modificação de impacto nos fundamentos do açúcar, as chances de ver esse mercado mergulhando para 17-18 centavos de dólar por libra-peso no segundo trimestre de 2017 são respeitáveis. “De jeito nenhum”, bradou um trader de São Paulo, “não com o prêmio de branco assim firme”. Pode ser, mas já vimos prêmios de branco acima de 130 dólares por tonelada antes de o mercado mergulhar de cabeça (em 1995/1996). Mas, é um bom argumento.

Se temos o prêmio de branco como um importante fator de sustentação, e a ele pudermos juntar o sólido volume de fixações de preço de exportação por parte das usinas para a safra 17/18, que alivia o mercado futuro de uma eventual pressão de preços da origem, por outro lado, temos fatores que desestabilizam. São eles o robusto desconto com o qual o hidratado tem sido negociado, entre 300-400 pontos do açúcar VHP em NY; o petróleo que não vai para ligar nenhum e continua estacionado a 55 dólares por tonelada; o real que se valoriza perante o dólar e afunda ainda mais a relação do hidratado; a Petrobrás que baixou os preços dos combustíveis para seguir a política de transparência na formação de preços, e por aí vai.

E ainda não falamos da Índia que é um fator desconhecido considerando tantas informações desencontradas. Quanto já está absorvido pelo mercado e refletido nos preços. E ainda mais outro ponto: o número médio das previsões de safra do Centro-Sul estão próximas do número da Archer, ou seja, 585 milhões de toneladas. E se forem 615 milhões de toneladas?

Apenas como guia, ou mais um indicador no cockpit, o nosso modelo de previsão de preços mostrava que o valor médio de fechamento do contrato futuro de açúcar em NY no mês de fevereiro seria de 20.76 centavos de dólar por libra-peso; foi de 20.41, ou seja, 1.69% abaixo da previsão. Agora, o modelo aponta para um preço médio de 19.07 centavos de dólar por libra-peso durante o mês de março, 17.90 centavos de dólar por libra-peso para abril e 17.17 centavos de dólar por libra-peso em maio. No mês passado, o modelo assinalava preços médios de 19.36, 18.14 e 17.36 centavos de dólar por libra-peso, respectivamente. Numa situação de estresse o preço pode visitar os 17 centavos de dólar por libra-peso.

Anote na sua agenda: o XXVIII Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos – Commodities Agrícolas (em português) da Archer Consulting, vai ocorrer dias 19 (terça), 20 (quarta) e 21 (quinta) de setembro de 2017, das 09 às 17 horas, em São Paulo-SP, no Hotel Paulista Wall Street (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)