Setor sucroenergético

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Black River busca soja

A gestora norte-americana Black River, que administra mais de US$ 250 bilhões, fincou raiz no agronegócio brasileiro.

Depois de desembolsar R$ 830 milhões por duas usinas de etanol do Grupo Ruette em São Paulo, está vasculhando a Região Centro-Oeste em busca de plantações de soja. (Jornal Relatório Reservado 13/03/2017)

 

Usina não pode terceirizar colheita e plantio de cana-de-açúcar

Uma usina de cana-de-açúcar não pode terceirizar os serviços de plantio, colheita e manutenção do insumo, pois são atividades-fim da empresa. Com esse entendimento, a Vara do Trabalho de Taquaritinga (SP) condenou uma usina a não terceirizar essas funções, sob pena de multa de R$ 20 mil, acrescida de R$ 1 mil por empregado encontrado em situação irregular. Cabe recurso da decisão.

Para a reparação dos danos morais coletivos, a empresa foi condenada ao pagamento de R$ 500 mil em benefício de projetos, iniciativas ou campanhas em benefício de trabalhadores abrangidos pela circunscrição da Vara do Trabalho de Taquaritinga, a serem indicados pelo Ministério Público do Trabalho.

A ação civil pública, ajuizada pelo procurador Rafael de Araújo Gomes, de Araraquara, denunciou a fraude cometida pela usina, que contrata pequenos produtores para o plantio e trato cultural da cana, consideradas atividades finais da empresa, cuja terceirização é vedada na Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho.

A obrigação de encerrar a terceirização deve ser cumprida no prazo de 90 dias, a partir da intimação da ré. "O que se percebe, seja pelas provas enunciadas em específico e pelos demais documentos acostados aos autos, é que a Ré passou a terceirizar o plantio e cultivo de sua principal matéria-prima, a cana-de-açúcar, para pessoas chamadas de "vendedores" ou "fornecedores", em operação iterativamente considerada como fraudulenta por este juízo de Taquaritinga, conforme depoimentos testemunhais feitos nos referidos processos e trazidos aos presentes autos", escreveu na decisão a juíza Paula Rodrigues de Araújo Lenza. (Brasil Agro 13/03/2017

 

Etanol hidratado cai 3,58% e anidro recua 1,02% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas recuou 3,58% esta semana, de R$ 1,5662 o litro para R$ 1,5102 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). Em plena entressafra, foi a 13ª queda seguida do indicador.

Já o valor do anidro caiu pela nona semana, com recuo de 1,02% no período, de R$ 1,6734 o litro para R$ 1,6564 litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 13/03/2017)

 

Análise do mercado de açúcar (fevereiro de 2017)

Mesmo em período de entressafra, os preços do açúcar cristal negociado no mercado spot paulista continuaram em queda em fevereiro. A demanda enfraquecida foi o principal motivo das baixas. Compradores adquiriram pequenos volumes, visto que contavam com estoque ou com o açúcar entregue por meio de contratos. Além disso, algumas usinas indicaram que darão início à moagem da nova safra 2017/18 já na primeira quinzena de março, reforçando o recuo comprador.

O Indicador do Açúcar Cristal Cepea/Esalq (estado de São Paulo) acumulou queda de 5% em fevereiro, fechando a R$ 81,34/saca de 50 kg no dia 24. A média mensal foi de R$ 83,22/sc de 50 kg, 5,5% inferior à de janeiro (R$ 88,02/sc) e 2,4% acima da de fevereiro/16 (R$ 81,25/sc), em termos nominais.

Para o Indicador de Açúcar Cristal Esalq/BVMF – Santos, a queda acumulada em fevereiro foi de 4%, a R$ 81,71/sc no dia 24. A média mensal deste Indicador foi de R$ 81,84/sc, 5,2% inferior à de jan/17 (R$ 86,31/sc) e 2,1% acima da de fev/16 (R$ 80,18/sc), em termos nominais.

De acordo com dados da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica), o volume processado de cana-de-açúcar na região Centro-Sul acumulou 594,73 milhões de toneladas desde o início da safra, em 1º de abril de 2016, até a primeira quinzena de fevereiro, ligeira queda de 0,4% sobre igual intervalo da temporada anterior (597,26 milhões de toneladas). Nesse mesmo período, a produção acumulada de açúcar alcançou 35,27 milhões de toneladas, aumento de 15,3% em relação à safra 2015/16, de 30,6 milhões de toneladas.

No Nordeste, algumas usinas estiveram mais flexíveis quanto aos valores ofertados, mas a comercialização seguiu lenta em fevereiro. Apesar de várias unidades terem encerrado a moagem, restringindo a oferta do produto, a demanda esteve enfraquecida, com compradores estocados. A seca tem prejudicado significativamente a produção de cana na região nordestina.

Em fevereiro, o Indicador Mensal do Açúcar Cristal Cepea/Esalq em Pernambuco foi de R$ 93,02/sc, queda de 0,4% se comparado a janeiro e de 5,4% sobre fev/16, em termos nominais.

Em Alagoas, o Indicador mensal foi de R$ 93,05/sc de 50 kg, respectivas baixas nominais de 1,9% e 3,2%.

Na Paraíba, o Indicador Mensal de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 77,17/sc, 2,3% inferior ao de janeiro. Em março/16, este Indicador passou a ser divulgado sem ICMS (até fevereiro/16, incluía valores com 12% ou 18% de ICMS, dependendo do destino do açúcar), a pedido do Sindálcool - PB.

No mercado internacional, as cotações do demerara em Nova York subiram no início de fevereiro, refletindo notícias relacionadas à safra na Índia (segundo maior produtor e principal consumidor mundial de açúcar), com algumas unidades produtoras sem matéria-prima para processamento. Segundo a Associação Indiana das Usinas de Açúcar, a produção totalizou 12,855 milhões de toneladas entre outubro/16 e janeiro/17, queda de 10% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.

Ao final de fevereiro, porém, os fundamentos altistas perderam força, dando lugar aos baixistas. O principal foi a expectativa de superávit mundial, ainda que modesto, para a próxima temporada 2017/18, de acordo com a Organização Internacional do Açúcar (OIA). A consultoria Kingsman também prevê que a produção superará o consumo, em 2,734 milhões de toneladas.

Cálculos do Cepea indicaram que as vendas internas do açúcar remuneraram, em média, 7,1% a mais que as externas em fevereiro. Esse cálculo considera o valor médio do Indicador Cepea/Esalq e do vencimento Março/17 do Contrato nº 11 da Bolsa de Nova York (ICE Futures), prêmio de qualidade estimado em US$ 77,14/tonelada e custos com elevação e frete de US$ 61,06/t.

Segundo a Secex, as exportações de açúcar bruto (VHP) totalizaram 1,54 milhão de toneladas em fevereiro/17, volume 13% menor que o de jan/17 (1,78 milhão de toneladas) e 32% inferior ao de fev/16 (2,27 milhões de toneladas). O preço médio do açúcar bruto exportado foi de R$ 1.301,7/tonelada em fevereiro/17, queda de 2,9% frente a jan/17 (R$ 1.339,9/t), mas aumento de 12,9% em comparação com fev/16 (R$ 1.153,4 /t), em termos nominais.

Para o açúcar branco, foram exportadas 281,7 mil toneladas, baixa de 35,3% em relação a jan/17 (435,5 mil toneladas) e de 35,6% sobre fev/16 (437,1 mil toneladas). O preço médio foi de R$ 1.582,8/t, alta de 2,8% em relação a jan/17 (R$ 1.540,4/t) e de 22,4% sobre fev/16 (R$ 1.293,1/t), também em termos nominais.

A receita obtida com a exportação de açúcar foi de R$ 2,45 bilhões em fevereiro/17, queda de 19,7% frente a jan/17 (R$ 3,05 bilhões) e de 22,9% em relação a fev/16 (R$ 3,18 bilhões), em termos nominais. (Cepea / Esalq 10/03/2017)

 

Análise do mercado de etanol (fevereiro de 2017)

Os preços dos etanóis no mercado paulista tiveram novas quedas em fevereiro, refletindo especialmente a proximidade do início oficial da safra 2016/17 na região Centro-Sul. Algumas usinas seguiram ofertando volumes significativos, visando liberar espaço nos tanques para a nova temporada.

Além disso, distribuidoras se mostraram recuadas em grande parte do mês no spot, trabalhando com estoques adquiridos anteriormente e/ou com produto negociado por meio de contratos. Mesmo com o recesso de carnaval, a demanda pouco se aqueceu e por parte de algumas distribuidoras somente. Com isso, os preços seguiram em queda ao longo do mês.

Na comparação das quatro semanas cheias de fevereiro com as de janeiro, os Indicadores semanais Cepea/Esalq (base estado de SP) dos etanóis anidro e hidratado acumularam quedas de 10,6% e 8,1%, respectivamente. Para o anidro, a entrada de produto importado em SP reforçou a pressão sobre as cotações, vale ressaltar que esse produto não entra no computo no cálculo.

O movimento de queda dos preços observado em São Paulo também ocorreu em outros estados do Centro-Sul. Houve aumento do fluxo de etanol especialmente de Mato Grosso do Sul e Goiás para bases paulistas a partir da segunda quinzena do mês. Assim, o Indicador diário do hidratado Esalq/BM&FBovespa posto Paulínia fechou a R$ 1.658,00/m³ no dia 24 de fevereiro, recuo de 8,2% frente ao último dia útil de janeiro.

De acordo com números da Unica (União da Industria de Cana de Açúcar), no acumulado da temporada 2016/17 (de abril a primeira quinzena de fevereiro), foram produzidos 25,09 bilhões de litros de etanol (anidro e hidratado) na região Centro-Sul, volume 8,3% menor que o do mesmo período da safra anterior. Essa queda se deve basicamente à menor produção de hidratado, de 13,3% em igual comparativo, totalizando 14,53 bilhões de litros; para o anidro, a quantidade produzida caiu ligeiro 0,2%, para 10,55 bilhões de litros.

No varejo, números de vendas da ANP (Agência Nacional de Petróleo) seguem mostrando queda nas vendas de etanol hidratado. Em janeiro (dados mais recentes), foram comercializados 876 milhões de litros em todo território nacional, o menor volume mensal desde junho de 2013 e redução de 23,4% frente a dezembro/16. Para a gasolina C, apesar de a quantidade comercializada em janeiro ter caído 11,9%, passando para 3,72 bilhões de litros, ainda supera a média consumida mensalmente em 2016, de 3,6 bilhões de litros. Em dezembro/16, foram vendidos 4,2 bilhões de litros do combustível fóssil em território nacional, o maior volume já registrado desde o início do levantamento, em janeiro de 2000.

A relação de preços entre o etanol hidratado e a gasolina C nos postos de SP foi de 75,8% em fevereiro ante os 76,5% no mês anterior. Mesmo com a queda da relação entre os dois combustíveis de um mês para outro, nas bombas, o etanol segue em desvantagem frente à gasolina.

No front externo, as exportações de etanol anidro e hidratado somaram 60,3 milhões de litros em fevereiro, volume 41,6% menor ao de janeiro e 80,3% inferior ao de fevereiro/16, segundo dados da Secex. Quanto à receita, foi de US$ 43,5 milhões em fevereiro, respectivos recuos de 39,2% e 71%. O mercado americano segue sendo o principal importador do combustível do Brasil.

Em Pernambuco, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado foi de R$ 1,7203/l em fevereiro (sem frete, sem ICMS), queda de 1,4% em relação ao mês anterior. Quanto ao anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ também caiu 1,4% no mês, para R$ 2,0506/l (sem frete).

Na Paraíba, o Indicador mensal Cepea/Esalq do hidratado permaneceu praticamente estável, a R$ 1,7098/l (sem frete, sem ICMS). O Indicador mensal Cepea/Esalq do anidro teve média de R$ 2,0819/l (sem frete) em fevereiro, recuo de 1,2%.

O Indicador Cepea/Esalq mensal do hidratado em Alagoas foi de R$ 1,7614/l (sem frete, sem ICMS) em fevereiro, leve variação positiva de 0,2% frente à média do mês anterior. Para o anidro, o Indicador foi de R$ 2,0083/l (sem frete), baixa de 1,8%. (Cepea / Esalq 10/03/2017)

 

Produção de açúcar no centro-sul soma 20 mil t na 2ª quinzena de fevereiro, diz Unica

A moagem de cana do centro-sul do Brasil deve começar a acelerar em março, já em preparação para o início oficial da nova safra, em 1º de abril, e permitir que a temporada 2016/17 termine com um volume processado de 605 milhões de toneladas, estimou nesta sexta-feira a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

A Unica registrou um processamento de 1 milhão de toneladas na segunda quinzena de fevereiro, atingindo um acumulado nos 11 primeiros meses da temporada de 595,8 milhões de toneladas. Para atingir a previsão, a moagem média das duas quinzenas de março deveria ser de aproximadamente 4,6 milhões de toneladas.

"Para a primeira quinzena de março o volume processado de cana deve sofrer influências de condições climáticas adversas a colheita, mas nos 15 dias finais do mês, indica um clima mais favorável mantendo a previsão de que a moagem final atinja 605 milhões de toneladas", disse a Unica, em um relatório.

No início da temporada, em abril de 2016, a Unica projetou moagem no intervalo de 605 milhões a 630 milhões de toneladas. Posteriormente, em novembro, chegou a dizer que o volume ficaria abaixo do limite inferior da previsão, devido a um clima menos favorável aos canaviais.

Na temporada entre abril de 2015 e março de 2016, o centro-sul produziu 617,7 milhões de toneladas de cana, maior volume da história.

Os primeiros meses do ano são de entressafra no centro-sul, devido ao clima mais chuvoso, que impede a moagem e por manutenção de maquinário. Mas algumas usinas já começam a reativar as equipes no mês de março.

A Unica registrou 11 usinas em atividade no centro-sul na segunda metade de fevereiro, sendo que três unidades estavam retomando atividades.

"Para próxima quinzena (primeira de março), a perspectiva é de que mais 35 usinas retomem o processamento", disse a entidade, em seu relatório.

AÇÚCAR E ETANOL

A produção de açúcar totalizou 19,63 mil toneladas na segunda metade de fevereiro, ante cerca de 9 mil na quinzena anterior e 13 mil um ano antes.

Já o volume produzido de etanol atingiu 68,11 milhões de litros, ante 64 milhões na primeira quinzena de fevereiro e 70 milhões um ano antes.

Com esse resultado, a produção acumulada de açúcar alcançou 35,29 milhões de toneladas na temporada, enquanto a fabricação de etanol totalizou 25,16 bilhões de litros. (Reuters 10/03/2017)

 

Banco do Brasil adere ao Agro+, programa do Ministério da Agricultura

O Banco do Brasil passou a adotar na carteira de crédito agrícola o Plano Agro+, encampado pelo Ministério da Agricultura e que visa à desburocratização de procedimentos no setor. A informação foi passada nesta sexta-feira, 10, pelo próprio ministério. "Entre os produtos oferecidos pelo Banco do Brasil aos produtores rurais destacam-se o Custeio Agrícola Digital, o Investe Agro, o GeoMapa Rural e o Extrato de Financiamento, possibilitando maior agilidade no acesso ao crédito agrícola", acrescentou a pasta.

Para acelerar a análise de crédito, o BB lançou o custeio agrícola digital, oferecido inicialmente em feiras agropecuárias, como a Expodireto Cotrijal, realizada até esta sexta-feira em Não-me-Toque (RS). O sistema permite o encaminhamento de propostas de contratação de crédito via celular. Já o Investe Agro é uma linha de investimento simplificada, para financiar sem limitação de crédito máquinas e equipamentos novos e usados importados para a formação de lavouras permanentes.

O GeoMapa, por sua vez, que também faz parte do Agro+, é um aplicativo que permite ao produtor captar e enviar ao banco as coordenadas geodésicas de área a ser plantada. "As coordenadas são necessárias para obter financiamento junto à instituição", diz o ministério. "Já o Extrato de Financiamento visa possibilitar consulta também pelo celular sobre operações com detalhamento de liberações, pagamentos e saldo devedor", finalizou.

Rondônia

O ministro Blairo Maggi vai lançar o Plano Agro+ em mais um Estado, desta vez em Rondônia, conforme informou o ministério. Na segunda-feira, Maggi estará em Porto Velho para o evento. A Agricultura informa que este é o terceiro Estado - após Rio Grande do Sul e São Paulo - a aderir ao Agro+, lançado em agosto de 2016. (Agência Estado 10/03/2017)

 

Açúcar: Cumprindo a profecia – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O contrato futuro de açúcar em NY fechou a sexta-feira negociado a 18.28 centavos de dólar por libra-peso para o vencimento maio/2017, uma queda de 124 pontos (28 dólares por tonelada) em comparação ao fechamento da semana anterior depois de ter beliscado a mínima de 17.96 centavos de dólar por libra-peso, o nível de negociação mais baixo desde dezembro passado.

Quem nos acompanha constatou que NY acabou buscando o nível de preço que prevíramos aqui havia algumas semanas. Cumpriu-se a nossa profecia. Brincadeiras à parte, insistentemente batemos na tecla acerca da dissociação entre a perspectiva exageradamente altista alimentada pela enorme posição comprada dos fundos e a realidade nua e crua dos descontos negociados no mercado físico. E, insistimos também, que as usinas devessem fixar seus preços em reais por tonelada, pois eles não estariam disponíveis por muito tempo. O que nos surpreende é a velocidade com a qual o mercado mergulhou de cabeça abaixo dos 18 centavos de dólar por libra-peso. Desde o pico de 23.90 centavos de dólar por libra-peso negociado em outubro passado, o mercado despencou 25%.

Depois desse tombo, olhando o histórico de preços dos últimos anos e a sazonalidade do açúcar, é difícil não aceitar o fato de que veremos preços ainda mais baixos em centavos de dólar por libra-peso de abril a junho deste ano. Pelo menos foi isso que aconteceu em 71% das vezes nos últimos dezessete anos. A menos que algo extraordinário aconteça: clima, quebra?

Os números, sempre de difícil digestão, que vem da Índia trazem enorme volatilidade ao mercado e assim continuarão por muito tempo. O argumento principal é a dificuldade, por parte da maioria dos traders, em acessar os números daquele país. Despejam-se dados ao vento como se fossem axiomas intocáveis e a não validação óbvia dessas previsões injeta mais volatilidade aos preços (a volatilidade das opções subiu esta semana).

Se no Centro-Sul, com apenas 80 mil fornecedores de cana, temos dificuldade de encontrar um consenso sobre o volume de cana a ser esmagado no Centro-Sul para a 2017/2018, como acreditar ser possível obter consenso do volume a ser produzido num país como a Índia, com seus 35 milhões de fornecedores (alguns acham que é mais de 50 milhões), supostamente com muito mais dificuldade de mastigar esses números? Pois é.

Quem acertou em cheio nesse mercado foram aqueles que aproveitaram os elevados preços em reais por tonelada extremamente remuneradores e não dormiram no ponto, nem leram a cartilha de ninguém. Fizeram o básico e ganharam dinheiro. Em commodities, são raríssimas as ocasiões em que se vê o preço internacional negociar acima de 50% do custo de produção da origem por um extenso período de tempo. Em 2016, o preço médio do açúcar de exportação VHP foi de R$ 1,437 por tonelada FOB Santos.

Nos últimos doze meses apurados até o final de janeiro deste ano, o mercado esteve acima dos R$ 1,500 por tonelada em 41% dos fechamentos diários. E em 67% das vezes, acima dos R$ 1,400 por tonelada. O fechamento desta sexta apura R$ 1,319 por tonelada. É ainda um preço bem remunerador. Por isso, quando comparado com o etanol que negocia na bacia das almas, é natural que vejamos mais cana direcionada para a produção de açúcar em 2017/2018 e eventualmente uma maior pressão nos preços possa ocorrer.

Existe chance de os preços no período abril-junho atingirem 16-17 centavos de dólar por libra-peso? Absolutamente, sim. No entanto, para que isso não ocorra, alguns fatores baixistas teriam de ser eliminados tais como a safra no Centro-Sul maior do que 600 milhões de toneladas de cana, o petróleo abaixo de 50 dólares por barril, o aumento dos juros americanos que pressionam os ativos de risco. Está fácil ser altista, não é mesmo?

Comenta-se que empresas do setor acreditando que o mercado futuro de açúcar continuaria sua exuberante trajetória de alta, fizeram operações de balcão (sempre elas) estruturadas para se enforcarem logo adiante. Coisas do tipo garantir fixação de venda a 20 centavos de dólar por libra-peso, mas caso o mercado caia para 17, fica comprado em 20 centavos de dólar por libra-peso, e outras “preciosidades”.

Mais inacreditável ainda é que essas coisas ainda continuam acontecendo. E é nessa hora, em que a água começa a baixar, que descobrimos quem estava pelado dentro da piscina. Nada contra os derivativos nem seus provedores, mas as empresas que fazem uso desse instrumento têm obrigação de conhecer os efeitos colaterais. Tomam remédio de tarja preta como se tivessem consumindo aspirina. E a história se repete. Ano passado empresas sólidas, no mercado de grãos, faturando acima de R$ 1 bilhão, se afundaram em operações mal estruturadas. Fazer derivativos sem conhecer as gregas é o mesmo que atravessar a Avenida Paulista às cinco da tarde com uma venda nos olhos.

Anote na sua agenda: o XXVIII Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos – Commodities Agrícolas (em português) da Archer Consulting, vai ocorrer dias 19 (terça), 20 (quarta) e 21 (quinta) de setembro de 2017, das 09 às 17 horas, em São Paulo-SP, no Hotel Paulista Wall Street (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda).