Setor sucroenergético

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Piracicaba recebe 7ª edição de evento sobre tecnologia na cultura da cana

Evento acontece nesta quarta (15) e quinta-feira (16) no Engenho Central de Piracicaba.

Encontro Tecnológico Tecnocana prevê mais de 25 palestras sobre o tema.

O Encontro Tecnológico da Cultura da Cana-de-Açúcar (Tecnocana) será realizado, na próxima quarta-feira (15) e na quinta (16), em Piracicaba (SP). Segundo a organização, o evento se destina a apresentação de novas tecnologias e tendências do setor bioenergético, além promover troca de informações.

O Tecnocana acontece no Teatro do Engenho Central e receberá, durante os dois dias, cerca de 300 convidados de empresas nacionais e multinacionais que, conforme a organização, participam da programação de palestras com cerca de 25 profissionais da área.

Entre os temas incluídos na programação estão: "Setor Bioenergético: Passado, Presente e Futuro", "Manejo da Cultura da Cana-de-Açúcar:

Para Onde Vamos?

"Variabilidade Climática e Seus Impactos no Setor Bioenergético"

"Nova Plataforma de Controle de Plantas Daninhas Em Cana-de-Açúcar" entre muitos outros:

Acesse: http://tecnocana.agr.br/site/

 

Justiça suspende assembléia da Renuka do Brasil

O juiz Daniel Carnio Costa, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), determinou a suspensão da assembléia geral de credores da companhia sucroalcooleira Renuka do Brasil, que estava marcada para ontem, e pediu uma nova convocação para que a empresa apresente seu novo plano de recuperação judicial com antecedência aos credores. A assembléia que estava marcada para ontem seria a de segunda convocação, já que, na primeira convocação, não houve quórum suficiente para sua instalação. A companhia, porém, não apresentou com antecedência seu novo plano de recuperação.

Na avaliação do juiz, é "imprescindível publicidade anterior sobre o plano que a recuperanda pretende propor aos seus credores, de modo a permitir o comparecimento destes na assembléia geral de credores, em plenas condições de discussão e deliberação sobre a viabilidade de soerguimento da devedora".

O juiz determinou que a Renuka do Brasil deve apresentar novo edital de convocação de assembléia e apresentar o aditamento ao plano com antecedência, conforme os prazos legais.

A companhia ainda está acertando os detalhes do novo plano junto de recuperação aos bancos credores. A perspectiva é que o aditamento ao plano fique pronto nesta semana.

A Renuka do Brasil, que é controlada pela indiana Shree Renuka Sugars, e os credores estão discutindo a possibilidade de incluir o leilão de uma segunda unidade produtiva isolada (UPI) além da usina Madhu (localizada em Promissão, no interior do Estado de São Paulo), como estava previsto no primeiro plano de recuperação judicial.

Afora a Madhu, a Renuka do Brasil também tem outra usina sucroalcooleira, a Revati, em Brejo Alegre (SP), com capacidade de moagem de 6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra. A companhia tem ainda 85 mil hectares em terras agrícolas para o cultivo de cana. (Valor Econômico 14/03/2017)

 

Açúcar em alta favorece regiões sucroalcooleiras

O preço do açúcar tem destoado das demais commodities que são relevantes na estrutura produtiva da economia brasileira, o que tem favorecido as regiões que tem forte base no setor sucroalcooleiro, como são os casos das regiões de Ribeirão Preto, Barretos e Araçatuba, por exemplo.

É o que mostra o boletim do Setor Sucroalcooleiro do Centro de Pesquisa em Economia Regional Ceper), que traz uma análise do setor sucroalcooleiro nos últimos dez anos e das safras de 2005/06 a 2016/07, sendo esta última baseada nas estimativas divulgadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em dezembro último.

Analisando a evolução dos preços do açúcar e do petróleo entre janeiro de 2007 e janeiro de 2017, nota-se uma queda acentuada do preço do açúcar a partir de meados de 2011, período de aprofundamento da crise internacional. Após atingir um vale, em meados de 2015, o preço do açúcar passou a apresentar uma trajetória de crescimento em decorrência da redução dos estoques internacionais em decorrência de um desbalanceamento entre oferta e demanda.

Na análise traçada pelo CEPER, é possível ver que, com a melhora do preço do açúcar a partir de meados de 2015, começa a haver uma recuperação da área plantada no Brasil em decorrência do crescimento que vem sendo notado no Centro-Sul do País. Após um período de retração, a produção começou a se recuperar, com previsão de safra recorde em 2016/17.

“A tendência é de crescimento também na próxima safra, visto que o preço das demais commodities seguem em baixa e, portanto, com produções menos atrativas em termos de retorno para o produtor”, avalia o pesquisador do Ceper Luciano Nakabashi.

Outras commodities

O Boletim mostra também que outras commodities agrícolas que possuem relevância na economia brasileira também passaram por forte retração de preços a partir de 2013 (milho) e 2014 (soja). Apesar de um esboço de recuperação no preço da soja em meados de 2016, nos últimos meses a tendência tem sido de baixa, enquanto que para o milho, seus preços não apresentaram recuperação, mantendo-se nos níveis mais baixos dos últimos dez anos.

A redução dos preços de várias commodities está relacionada a uma grande expansão da oferta devido aos seus preços elevados por períodos prolongados em um momento em que a demanda não acompanhou o mesmo crescimento devido à crise internacional que tem atingido vários países, incluindo China, principal mercado importador dos produtos brasileiros, e que também vem experimentando retração em sua taxa de crescimento.

“A queda do preço das commodities ajuda a entender a crise pela qual passa a economia brasileira. Porém, fatores internos têm se mostrado mais importante sobre o seu atual desempenho, visto que a retração do PIB tem sido muito maior em relação ao restante dos países da América Latina, países que também dependem fortemente da exportação de commodities”, avalia Nakabashi.

As expectativas, segundo o pesquisador, é que o cenário de déficit entre oferta e demanda se normalize ao longo de 2017, mas com os estoques ainda baixos, mantendo os preços nos patamares atuais ou com pequena elevação. (Ceper 13/03/2017)

 

Açúcar: Ainda a Índia

As dúvidas em relação ao cenário de oferta e demanda na Índia, somadas ao fortalecimento do dólar ante o real, pressionaram os contratos futuros do açúcar na bolsa de Nova York ontem.

Os papéis com vencimento em julho fecharam a 18,15 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 4 pontos.

Enquanto a moeda americana mais forte tende a elevar as exportações brasileiras, pressionando as cotações, o déficit na oferta interna da Índia confere volatilidade ao pregão.

Em nota, a Archer Consulting observa que a Índia tem 35 milhões de produtores, bem acima dos 80 mil estimados para o Centro-Sul do Brasil, onde já há dificuldades para estimar a produção.

Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 77,79 a saca de 50 quilos, baixa de 0,73%. (Valor Econômico 14/03/2017)

 

Etanol de fora de SP pressiona preços no Estado, diz Cepea

A entrada de volumes significativos de etanol hidratado de Estados como Mato Grosso do Sul e Goiás no mercado paulista reforçou a queda nos preços do combustível na última semana, disse o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) nesta segunda-feira.

De 6 e 10 de março, o indicador Cepea/Esalq do hidratado fechou a 1,5102 reais o litro (sem ICMS e sem PIS/Cofins), queda de 3,6 por cento ante a semana anterior.

A queda nos preços, além de refletir a proximidade do início da safra 2017/18 no Centro-Sul, teve influência da demanda enfraquecida, uma vez que as distribuidoras ainda estão abastecidas com as compras realizadas antes do Carnaval, indicou o Cepea, acrescentando que as usinas paulistas também estavam mais retraídas nas vendas na última semana.

O etanol anidro também registrou queda de 1 por cento na comparação com a semana anterior, fechando a 1,6564 reais o litro. (Reuters 13/03/2017)

 

Rumo estuda capitalização de R$ 2 bilhões na Malha Sul

A Rumo, concessionária de ferrovia e terminais portuários controlada pelo grupo Cosan, vai avaliar propostas de investidores para fazer uma injeção de capital na América Latina Logística Malha Sul. Uma de suas empresas, na qual detém 100% das ações, a ALL Malha Sul tem operações nos estados da região Sul do país.

Conforme apurou o Valor, o plano de capitalização em estudo prevê um montante de R$ 2 bilhões. Os recursos serão utilizados para um plano de investimento nessa malha, avaliado em R$ 4 bilhões. É o valor previsto para adequar a Malha Sul a padrões operacionais mais elevados e atender ao crescimento futuro de demanda na região e ganhar volumes com substituição do transporte por meio de caminhões.

O Bank of America Merrill Lynch (BofA) está atuando no processo de captação e seleção de investidores que manifestaram interesse na proposta. Eles devem ter perfil de investidor com visão de longo prazo no empreendimento. Além do aporte de capital, é considerado muito bem-vindo se for alguém que puder agregar uma parceria comercial. Por exemplo, uma grupo que disponha de carga para a ferrovia.

A avaliação é que os programas de concessões de infraestrutura em curso no país, que incluem a renovação de contratos de ferrovias existentes, começam a abrir portas para novos projetos de investimentos, atraindo a atenção de investidores que buscam ativos para alocar seus recursos.

O Valor apurou que já foram identificados pelo BofA grupos do Japão, China e também da Europa. Todos mostraram, a princípio, interesse no plano de capitalização e de investimentos da Malha Sul da Rumo. É uma operação vista com enorme potencial para ampliar volume de cargas.

Essa unidade de negócio transporta, principalmente, commodities agrícolas, grãos (soja, farelo de soja e milho), açúcar, arroz, trigo, bem como fertilizantes e produtos industriais (combustíveis, papel, celulose e outros). No ano passado, teve receita líquida de R$ 1,1 bilhão, um quinto do valor apurado pela Rumo.

Com sede em Curitiba, a Malha Sul é a maior da Rumo em extensão, mas inferior à Paulista-Norte ­ que forma o corredor Rondonópolis, no Mato Grosso, a Santos, litoral paulista ­ em faturamento. A ferrovia é oriunda da ALL, que se fundiu à Rumo em 2015. Com 7,2 mil km, abrange os estados do Sul em corredores que deságuam em vários portos ­ Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Rio Grande (RS).

O projeto de capitalização tem como premissa a renovação antecipada do contrato da concessão, que é de 1997 e tem término em 2027. Mas pode ser renovada por mais 30 anos, mediante acordo com a União. Tal medida está prevista no edital de privatização realizado pela antiga RFFSA.

A Rumo pretende refazer o pedido de renovação ainda este ano junto às autoridades do governo, lideradas pela agência reguladora ANTT. No momento, o grupo está na fase final do processo de renovação da Malha Paulista, que abrange o Estado de São Paulo e se interliga à Malha Norte (Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, até a cidade de Rondonópolis).

Com entrada de um parceiro estratégico, o objetivo da Rumo é desenvolver novos projetos de expansão da malha atual da ferrovia, principalmente no noroeste do Paraná. Ao mesmo tempo, investir em trechos que hoje não permitem um transporte com maior agilidade e segurança.

Bank of America já identificou potenciais investidores do Japão, China e Europa para investir na ferrovia

A expansão prevê novos trechos nas regiões de Cascavel e Maringá, alcançando cargas de grãos (soja e milho) que atualmente são perdidas para caminhão. Por exemplo, soja do sul do Estado de Mato Grosso do Sul e até do Paraguai, segundo disse uma fonte que conhece bem o negócio. Grande parte da carga desce por caminhões até Paranaguá.

Uma ferrovia mais ágil e competitiva em fretes é o sonho de usuários paranaenses. Hoje, a Rumo consegue nos trajetos atuais atingir cargas num raio máximo de 500 a 600 km. Com investimentos em novos eixos, poderia alcançar entre 800 e 1.000 km.

A meta é gerar capacidade extra na ferrovia que garanta o escoamento de produtos, grãos e industriais, com mais eficiência até Paranaguá e São Francisco do Sul (SC). Estima-se, conforme estudos levados pelo BofA a investidores, que a capacidade de transporte possa triplicar, para cerca de 50 milhões de TKU (tonelada por quilômetro útil) ao ano.

A entrada do sócio permitiria ainda antecipar os investimentos que a Rumo tem previstos para a Malha Sul em vários anos. É um projeto a ser realizado em até cinco anos, a partir de 2019, se todas as condições forem atendidas, entre elas a renovação da concessão.

A injeção de capital, com emissão de novas ações, tornaria a ALL Malha Sul uma empresa mais robusta. Na operação, a Rumo teria sua participação acionária diluída, mas sem perder o controle. Procurada, a Rumo não se manifestou sobre a capitalização. (Valor Econômico 14/03/2017)

 

Cortador de cana consegue reconhecimento de “unicidade contratual”

Segundo o TST, o empregado realizava suas atividades de forma permanente, sendo as sucessivas contratações incompatíveis com o contrato a termo de safra.

A Nova América S.A. - Agrícola foi obrigada a reconhecer a unicidade contratual de um cortador de cana admitido e dispensado sucessivas vezes, com pequenas interrupções. O recurso da empresa não foi conhecido pela Primeira Turma do Tribunal Superior, que registrou que o empregado realizava suas atividades de forma permanente, sendo as sucessivas contratações incompatíveis com o contrato a termo de safra.

A unicidade contratual foi determinada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas-SP), que entendeu ter havido fraude à legislação, uma vez há necessidade permanente dos serviços do empregado.

A empresa alegou para o TST que a duração do contrato de safra depende de variações sazonais da atividade agrária, e que ao final de cada safra pagava ao empregado a indenização prevista no artigo 14, parágrafo único, da Lei 5.889/73 (Estatuto do Trabalhador Rural). Insistiu, assim, no afastamento da unicidade contratual e na aplicação da prescrição bienal relativamente a cada contrato de trabalho.

O relator do recurso, ministro Hugo Carlos Scheuermann, considerou inviável a aplicação da prescrição bienal relativamente a cada contrato, uma vez que o Tribunal Regional chegou à conclusão de que as sucessivas contratações, com interrupções curtas, são incompatíveis com o contrato por safra. Segundo o TRT, o cortador trabalhou tanto no período de safra como no de entressafra, em atividades permanentes da empresa.

O relator destacou ainda o entendimento regional de que a pretensão da empresa era contar com a mão-de-obra do trabalhador de forma permanente em todo ciclo da cana-de-açúcar, revelando que ele trabalhava tanto na colheita como no período de entressafra, na preparação da terra para o plantio. A contratação por safra, portanto, configuraria “verdadeira fraude”. A decisão foi unânime. (Globo Rural 13/03/2017)