Setor sucroenergético

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Usina Bom Retiro será reaberta após dois anos parada

A Raízen Energia vai reabrir a Usina Bom Retiro, em Capivari (SP), que está sem operar há dois anos, para processar a chamada "cana energia", uma espécie mais fibrosa que a cana-de-açúcar convencional.

A unidade funcionará de junho até setembro ou outubro, que é o período em que a "cana energia" está em seu período fisiológico ideal de maturação. A meta é processar 400 mil toneladas de "cana energia" nesta temporada, afirmou ontem João Alberto Abreu, vice-presidente de etanol, açúcar e bioenergia da Raízen Energia, a jornalistas, durante evento da Cosan.

A unidade tem capacidade instalada para moer 1,2 milhão de toneladas de cana por safra e teve suas atividades suspensas em 2015 por falta de cana-de-açúcar após uma longa estiagem.

A reativação da unidade, porém, tem caráter experimental. "É mais um projeto para testar a usina com a variedade", afirmou Abreu. A matéria-prima foi plantada em parceria com a empresa de biotecnologia Vignis, que desenvolveu a variedade de "cana energia".

O executivo também afirmou que a Raízen Energia pode decidir neste ano ampliar a capacidade instalada de sua unidade de etanol celulósico (produzido a partir de biomassa), a Usina Costa Pinto, em Piracicaba, ou construir uma nova usina baseada nessa tecnologia, se a atividade da atual unidade apresentar um bom desempenho.

A meta da Raízen Energia para a produção de etanol celulósico na safra 2017/18 é de 15 milhões de litros a 20 milhões de litros. Se a companhia conseguir atingir esse objetivo, conseguirá ampliar de forma significativa sua produção em relação à safra que está terminando, em que a produção ficou em 7,1 milhões de litros de etanol celulósico. Porém, ainda estará aquém da capacidade instalada, de 40 milhões de litros. (Valor Econômico 22/03/2017)

 

Importação de combustível ganha destaque na Raízen

A mudança na política de preços da Petrobras vai pautar a estratégia das empresas de distribuição de combustíveis daqui para a frente e capacidade de "trading" e infraestrutura logística ganham ainda mais relevância para o negócio, de acordo com o presidente da Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, Luis Henrique Guimarães

"A importação passa a ser parte do fornecimento e não mais uma operação oportunista que buscava gerar valor na arbitragem. Agora, o risco adicional é a volatilidade dos preços da Petrobras no mercado interno", afirmou.

Ao mesmo tempo, as compras externas tanto de gasolina e diesel como de etanol serão inevitáveis nos próximos anos, na avaliação do executivo da Raízen, já que não há perspectivas de investimentos em aumento de capacidade produtiva por parte da estatal no Brasil.

"O Brasil vai ter que importar, não vai ter saída", sustentou Guimarães, citando um investimento de R$ 200 milhões da companhia em um terminal de armazenamento de líquidos no porto de Itaqui, no Maranhão, para receber combustíveis do exterior.

Uma vez que a dinâmica de mercado mudou, a Raízen também reforçou seu time de trading. "As importações agora são parte do dia a dia, parte da estratégia de suprimento, e o Brasil finalmente volta a praticar preços com lógica econômica", acrescentou o executivo.

Para o braço sucroalcooleiro da joint venture, a nova política de preços da Petrobras trouxe, até o momento, apenas benefícios. Desde que a estatal passou a atrelar os preços da gasolina que vende no mercado interno às oscilações do petróleo no mercado internacional, os preços do combustível nos postos seguiram trajetória de alta, o que elevou o preço médio do produto no ano passado e favoreceu a elevação de preços do etanol hidratado (abastecido diretamente nos tanques).

Empresa seguirá atenta a oportunidades de fusão e aquisição, mas não vai investir em ativos sem qualidade.

"Isso [a política de preços da Petrobras] fez com que o preço médio do etanol na safra 2016/17 fosse melhor que na safra anterior, porque tirou o teto do produto", afirmou Guimarães. Em geral, os preços do etanol hidratado ficam próximo de 70% do valor da gasolina, patamar em que os dois combustíveis são igualmente competitivos, conforme parâmetro mais aceito no mercado.

O executivo reconheceu, porém, que ao referenciar os preços internos no mercado externos, "tem coisa boa e coisa ruim", já que o setor sucroalcooleiro se torna suscetível à fortes quedas do petróleo.

Por isso, Guimarães reforçou que, na ordem de prioridade de produção, a Raízen Energia segue com foco em açúcar. "A ordem [de prioridade] é açúcar, etanol industrial, [etanol] anidro e depois [etanol] hidratado. Queremos estar menos sujeitos ao preço do barril e a políticas de preço da Petrobras", justificou.

Além disso, o presidente da Raízen ressaltou que o açúcar continua oferecendo prêmio em relação ao etanol mesmo depois da queda dos preços do adoçante nos últimos meses, o que mantém a tendência mais "açucareira" para a safra 2017/18, que começa oficialmente em 1º de abril.

No mercado doméstico de combustíveis, após o recuo verificado no ano passado, os números do primeiro trimestre começaram a mostrar alguma melhoria, segundo Guimarães. Nesse ambiente, a Raízen manterá a expansão da rede de postos de maneira "seletiva". "Vai haver racionalização no mercado, porque o Brasil tem elevado número de postos", observou.

O presidente da Raízen reconhece que, no negócio de conveniência, a empresa de distribuição ainda não achou o modelo ideal. Algumas decisões já foram tomadas, como a contratação de profissionais com histórico de atuação no varejo e a separação dessa área em um novo CNPJ, mas elas ainda não se refletiram nos números. "Não estamos felizes com o resultado, tem muito mais valor para extrair dessa área", disse o executivo.

A Raízen também seguirá atenta a oportunidades de fusão e aquisição, mas não vai investir em ativos sem qualidade de ponto de venda. "Não queremos trazer problema para uma rede que está bem equacionada", afirmou. Sobre embandeiramentos, disse que a velocidade daqui para a frente não deve ser muito maior do que a vista, com cerca de 300 a 350 unidades por ano. (Valor Econômico 22/03/2017)

 

Açúcar: Fundos em fuga

O otimismo com a produção de açúcar na safra 2017/18, para quando é esperado um superávit na oferta mundial, tem estimulado a liquidação de posições vendidas dos fundos na bolsa de Nova York, pressionando os contratos futuros da commodity.

Os papéis com vencimento em julho fecharam ontem a 17,32 centavos de dólar a libra-peso, queda de 37 pontos.

Segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities, os fundos mantinham um saldo líquido comprado de 90.503 papéis no último dia 14 deste mês, 24,3% abaixo do registrado uma semana antes.

O órgão divulga um novo balanço na sexta-feira, referente ao fechamento de ontem.

Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 76,34 a saca de 50 quilos, alta de 0,07%. (Valor Econômico 22/03/2017)

 

Competitividade limitará investimento de produtores de açúcar e etanol

A melhora no faturamento e na geração de caixa livre das companhias sucroenergéticas desde o ano passado deve fazer com que o cenário financeiro do setor tenha uma melhor saúde em 2017/2018, segundo o Itaú BBA. No entanto, de acordo com a avaliação da instituição financeira, a baixa competitividade de empresas produtoras de açúcar, etanol e bioenergia, sem investimentos para o aumento de produtividade e ainda o uso de recursos para amortizar dívidas, limitará o crescimento e a entrada de dinheiro novo no setor.

Segundo e instituição, a relação dívida líquida sobre a cana processada pelas companhias clientes do Itaú BBA deve ficar praticamente estável na safra 2016/2017 ante 2015/2016, em R$ 128/tonelada e recuará para R$ 105/tonelada no estimado para a safra 2017/2018, período que se inicia em 1º de abril. Já a relação de dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros impostos, depreciação e amortização) deve ficar em 2 vezes em 2017/2018, ante 2,7 vezes em 2016/2017 e 3,5 vezes em 2015/2016.

"Há uma melhora faturamento, uma melhora no Ebitda, na geração do caixa livre, mas a maior parte disso foi utilizada para pagar juros, com aumento de despesas financeiras", disse Guilherme Pessini Carvalho, gerente sênior de Agronegócios do Itaú BBA. A instituição acompanha 57 grupos sucroenergéticos do Centro-Sul, que processam 411 milhões de toneladas das 605 milhões de toneladas de cana moídas na região neste ciclo.

Durante seminário de abertura da safra, organizado pela Datagro e pelas seguradoras Marsh e AD, em Ribeirão Preto (SP), Carvalho mostrou dados que apontam uma produtividade estável nos canaviais ao menos desde o início da década e ainda uma taxa de renovação nas lavouras abaixo do ideal nos dois últimos períodos.

"Com a produtividade ruim, fica difícil estimular alguém a entrar com dinheiro novo em um negócio que está perdendo competitividade. Basicamente o setor destruiu capacidade de tirar produto da terra que cultiva", criticou. Com a queda na taxa básica de juros para 8,25% ao ano estimado pelo banco para o final de 2017, e a melhora do cenário econômico brasileiro, o executivo do Itaú BBA avalia que grandes investidores e fundos devem voltar para a renda variável, incluindo o mercado de ações.

"Há uma projeção para 25 novos (IPOs) em 2017, contra apenas 3 em 2016", concluiu. (Agência Estado 21/03/2017)

 

Usinas de açúcar do Brasil vendem 52,4% da safra 2017/18 antecipadamente, diz Archer

Usinas brasileiras de açúcar já venderam antecipadamente por meio de contratos futuros em Nova York 52,4 por cento do volume exportável projetado para a safra 2017/18 do Centro-Sul do Brasil, disse nesta terça-feira a consultoria Archer Consulting, baseada em São Paulo.

O volume de açúcar vendido antecipadamente é estimado em 13,87 milhões de toneladas, disse a consultoria em relatório, acrescentando que o preço médio sobre esses derivativos era de 17,71 centavos de dólar por libra-peso.

As vendas antecipadas estão apenas ligeiramente abaixo do volume de negociações visto no mesmo período do ano passado, quando as usinas haviam negociado 59 por cento do açúcar exportável, um volume recorde.

Isso mostra que os produtores brasileiros de açúcar têm estado ativos para fixar os preços em Nova York, uma vez que as cotações médias em dólares garantem um retorno considerado favorável quando convertidas para o real.

A Archer disse que as operações de hedge para o açúcar e para a moeda local, uma estratégia comum de derivativos usada por usinas, está indicando um preço médio de 1.530 reais por tonelada de açúcar.

O relatório afirma que o preço médio em reais atualmente está 20 por cento acima do valor médio na safra passada e 61 por cento acima da safra 2015/16, uma vez que dois anos de déficit global de açúcar impulsionaram as cotações.

A nova temporada de processamento da cana-de-açúcar do Centro-Sul começará oficialmente em abril, mas muitas usinas já começaram os trabalhos de moagem. (Agência Estado 21/03/2017)

 

Fim do regime de cotas de açúcar na UE pode levar bloco a produzir maior volume desde a safra 2005/06

Com o fim de mudanças regulatórias que travam o mercado de açúcar, União Europeia incrementará produção, diminuindo a dependência da importação do adoçante.

O mercado de açúcar se prepara para uma das principais mudanças regulatórias da década em outubro de 2017. A partir deste mês as usinas da União Europeia, cuja produção hoje é limitada por rígido sistema de cotas – poderão produzir quanto quiserem e destinar este produto tanto no mercado doméstico quanto externo.

Com essas medidas, e supondo um cenário climático normal, a INTL FCStone estima que o bloco poderá produzir 18,24 milhões de toneladas de açúcar na safra 2017/18, o que representa um aumento de 16,6% em relação à estimativa da consultoria para a safra atual. Esta seria a maior produção no bloco desde 2005/06, quando a mesma registrou 19,3 milhões de toneladas. “A produção ficaria em torno de 400 mil toneladas abaixo de nossa estimativa para a demanda doméstica do bloco, reduzindo drasticamente a necessidade de importações do continente”, lembra o analista de mercado da INTL FCStone, João Paulo Botelho.

Em relatório, a consultoria explica que a produção de açúcar tende a se elevar conforme os produtores mais eficientes buscam aumentar sua participação no mercado, reduzindo as importações. No médio prazo, o bloco pode se tornar exportador líquido de açúcar. Por outro lado, o consumo pode diminuir devido à eliminação das cotas de produção do xarope de glicose, que deve competir diretamente com o açúcar.

Há de se atentar, também, para o fato de que o fim das cotas de produção e do preço mínimo sobre o açúcar e a beterraba tornará mais complexo o processo de decisão das empresas açucareiras europeias. Primeiro, as usinas devem decidir quanto do adoçante pretendem produzir, considerando o nível de preços esperado, além da estratégia comercial e de risco que será adotada. Em segundo lugar, precisam negociar com seus fornecedores de beterraba qual será o preço/sistema de remuneração que será adotado, procurando garantir que os incentivos sejam suficientes para que os agricultores plantem a área necessária e façam os investimentos essenciais para que a produção final de beterraba possa alcançar o volume esperado pela usina.

Para a safra 2017/18 a maioria destas decisões já foi tomada. Com os preços internacionais em patamar relativamente elevado, a maioria das grandes produtoras de França, Alemanha, Reino Unido e Holanda incentivaram seus fornecedores a aumentar em até 30% a área plantada, com o objetivo de aumentar o share no mercado europeu e, possivelmente, até exportar o produto. A negociação com os agricultores, entretanto, foi muito diferente entre as empresas.

“Pelas informações que circularam no mercado podemos aferir que a maior parte das empresas ofereceu preço da beterraba inferior à safra passada, devido principalmente à perspectiva de que o preço do açúcar na UE convirja para a cotação internacional”, explica o analista Botelho. Mesmo considerando os preços mais baixos, a maioria dos agricultores deve aumentar a área plantada devido à maior remuneração oferecida pela beterraba em relação às culturas concorrentes.

Algumas empresas também ofereceram prêmio para os produtores que alcançarem meta de aumento na área plantada ou para o produto entregue tardiamente (a partir de janeiro), possibilitando assim o alongamento da safra. Na maioria dos casos, as usinas ofereceram possibilidade de que os fornecedores participem da alta no preço do açúcar caso o mesmo ultrapasse determinado nível (em geral ao redor de €450/t).

Nos países menos eficientes do bloco, como Espanha, Itália, Grécia e Romênia, mesmo com os subsídios oferecidos pelos respectivos governos, é esperado que a produção de açúcar perca força. Com preços menores no continente, é improvável que as empresas destes países consigam competir com o produto dos vizinhos mais competitivos, levando à perda de participação no mercado.

Destaca-se, ainda, que as exportações brasileiras de açúcar devem ser impactadas negativamente, apesar de a participação do continente já ser muito baixa. Ao longo dos últimos três anos o bloco respondeu por pouco mais de 2% das vendas externas do país, com compras entre 400 e 800 mil toneladas do produto por ano. As usinas do Nordeste, que possuem cotas com tarifas preferenciais, devem ser mais impactadas.

Principais mudanças

• Cotas de produção serão eliminadas. Todas as usinas poderão produzir quanto açúcar quiserem, podendo vender o produto em todo o bloco e exportar.

• O limite de exportação de 1,374 milhões de toneladas será abolido.

• Os preços mínimos para a beterraba e para o açúcar serão eliminados. Desta forma, os preços da matéria-prima e do produto final serão definidos exclusivamente pelo mercado.

Sistema de cotas

O regime de cotas em seu formato atual foi instituído em 2005 como resposta à contestação de modelo anterior de apoio ao setor na Organização Mundial do Comércio (OMC). A principal mudança implementada em 2005 e que ainda está em vigor é um limite de 1,374 milhões de toneladas para as exportações de açúcar do bloco. Com este limite, a UE reduziu substancialmente sua participação no mercado internacional do adoçante e, com isso, impediu que as proteções em vigor para os produtores tivessem impacto deflacionário sobre os preços globais.

Em conjunto com emaranhado de regulações e preços mínimos, o sistema atual tem como principais objetivos proteger a indústria europeia da competição externa, garantir o suprimento para os consumidores domésticos e a importação de produto de antigas colônias, tudo isso sem impacto excessivo sobre o mercado internacional.

O bloco europeu é responsável, hoje, por aproximadamente 11% da oferta global de açúcar, sendo o terceiro maior produtor e o segundo maior consumidor da commodity. Desta forma, a mudança regulatória radical pela qual o setor açucareiro europeu passará deve reverberar por todo o mundo. (Reuters 21/03/2017)

 

Louis Dreyfus estima safra 2017/18 de cana entre 580 mi e 585 mi de toneladas no Centro-Sul

As usinas e destilarias do Centro-Sul do Brasil devem processar entre 580 milhões e 585 milhões de toneladas em 2017/2018, ante 605 milhões de toneladas na safra 2016/2017, que se encerra no próximo dia 31 de março, segundo estimativa da Louis Dreyfus Company (LDC) Brasil. A previsão leva em conta o padrão climático para 2017/2018 dentro da normalidade, após dois anos de chuvas acima da média, e um canavial envelhecido.

Segundo Carlos Franco, diretor comercial da LDC Brasil, a produção de açúcar no Centro-Sul deve variar de 35,2 milhões a 35,8 milhões de toneladas, ou seja, estável ante as 35,6 milhões de toneladas de 2016/2017. “O açúcar chegou a pagar mais de 30% acima do etanol e hoje deve estar menos de 20% acima. Se seguir dessa maneira, o açúcar pagará mais que o etanol também nesta próxima safra”, disse durante o seminário de abertura da safra, organizado pela Datagro e pelas seguradoras Marsh e AD, em Ribeirão Preto (SP).

A LDC estima que após dois anos de déficit global de açúcar, a safra 2017/2018 (que vai de outubro de 2017 a setembro de 2018), deve ter um superávit pouco acima de 1 milhão de toneladas, “se toda a produção der certo”. “Isso deve ocorrer mesmo com uma produção global da commodity de 10,5 milhões de toneladas a mais que na safra passada”, afirmou.

Já a demanda de etanol no Brasil deverá voltar a crescer, de 1,5% a 2% em 2017, o que pode levar os preços do combustível para perto da estabilidade de paridade com a gasolina dentro dos 70% nas bombas. “O petróleo não deve cair abaixo dos US$ 48 e não trará pressão sobre etanol”, afirmou Franco. (Agência Estado 21/03/2017)

 

Datagro mantém previsão de 612 mi de t de cana na safra 2017/18 no Centro-Sul

As usinas e destilarias do Centro-Sul do Brasil processarão 612 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2017/18, cujo início oficial é no próximo mês, de acordo com a nova estimativa da consultoria Datagro, feita nesta terça-feira, 21, em Ribeirão Preto (SP).

O volume é o mesmo da primeira previsão, feita em 31 de janeiro, e 1,1% maior na comparação com o total de 605,5 milhões de toneladas moído em 2016/17. Considerando o Norte-Nordeste, a moagem nacional deve atingir 657 milhões de toneladas, ou 4 milhões a menos que as 661 milhões de toneladas previstas em janeiro.

"Os canaviais do Centro-Sul têm desenvolvimento muito satisfatório, o clima é bom, o trato cultural é melhor e teremos uma melhor qualidade de matéria-prima. A grande preocupação é no Nordeste que, com os impactos da seca, deve encerrar 2017/18 com 45,7 milhões de toneladas e em 2017/18 será de 45 milhões de toneladas", afirmou Plinio Nastari, presidente da Datagro, durante o seminário de abertura da safra, organizado pela consultoria e pelas seguradoras Marsh e AD, em Ribeirão Preto (SP).

Para a Datagro, o mix de destino na temporada deve ficar em 47,4% da oferta de matéria-prima para açúcar e, para o etanol, em 46,3%. A fabricação do açúcar deve aumentar 3,3%, para 36,80 milhões de toneladas. Já a produção de etanol tende a cair 1%, para 25,31 bilhões de litros. As duas estimativas também foram mantidas.

Levantamento feito pela Datagro com 170 usinas do Centro-Sul, 73 delas iniciarão a moagem da safra 2017/18 até fim de março, outras 63 até a primeira quinzena de abril. "Até o fim do próximo mês, 160 das 170 usinas estarão operando", disse Nastari.

Ainda segundo a Datagro, após dois anos de déficit global de açúcar, a safra global 2017/18 (de outubro de 2017 a setembro de 2018), pode voltar a ter um superávit, estimado em 1,5 milhão de toneladas, cenário, no entanto, que pode migrar para um déficit de 2,2 mi de toneladas. "A safra ainda será de preços bons, com preços de exportação entre 19 cents e 21 cents (por libra peso)", concluiu Nastari. (Agência Estado 21/03/2017)

 

Corte menor no orçamento nacional pode levar a aumento de tributo sobre combustíveis

A equipe econômica vai apresentar ao presidente Michel Temer duas propostas de alteração no Orçamento de 2017 para cumprir a meta de déficit de R$ 139 bilhões neste ano.

A primeira prevê um contingenciamento superior a R$ 60 bilhões para evitar aumento de tributos. A segunda considera um bloqueio de gastos em torno de R$ 50 bilhões. A diferença, nesse caso, seria coberta pelo aumento na alíquota de PIS/Confins sobre combustíveis.

Os ministérios da Fazenda e do Planejamento têm até esta quarta-feira (22) para definir o volume de recursos que será preciso contingenciar no Orçamento.

Os recursos bloqueados por meio desse expediente poderão ser liberados ou cortados de forma definitiva mais tarde, dependendo da evolução da arrecadação e das contas do governo ao longo do ano.

O governo ainda mantém a previsão de terminar este ano com um corte máximo de R$ 30 bilhões, o que dependerá da retomada do crescimento e da consequente melhora na arrecadação. (Reuters 21/03/2017)

 

Setor energético poderia reduzir emissões de CO2 em 70% até 2050

Para que uma transição dessa magnitude ocorra, a participação das fontes renováveis no fornecimento de energia teria de aumentar para 65%.

As emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2) relacionadas ao setor de energia poderiam ser reduzidas em 70% até 2050, e completamente eliminadas até 2060.

É o que aponta o novo relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês) divulgado nesta semana durante a reunião do G20 em Berlim.

Para que uma transição dessa magnitude ocorra, a participação das energias renováveis no fornecimento de energia primária teria de aumentar para 65% em 2050, ante os 15% de 2015, diz o relatório.

Um adicional de US$ 29 trilhões de investimento em fontes renováveis seria necessário até meados do século, o que equivale a 0,4% do produto interno bruto (PIB) global.

Conforme o estudo, tais investimentos devem proporcionar um estímulo que, associado a outras políticas de apoio ao crescimento, impulsionaria o PIB global em 0,8% em 2050.

Globalmente, o setor energético emitiu 32 gigatoneladas de CO2 relacionados em 2015. Para limitar o aquecimento do Planeta em não mais do que 2 graus Celsius acima das temperaturas pré-industriais até o final deste século, as emissões de gases efeito estufa precisam cair para 9,5 gigatoneladas em 2050, segundo a Agência.

Tecnicamente, esta é uma transformação possível, mas exigirá reformas políticas significativas, custos e inovação tecnológica adicionais, para garantir que cerca de 70% do mix global de fornecimento de energia em 2050 seja de baixo carbono.

O estudo destaca que a maior parte do potencial de redução de emissões para os próximos anos provém das energias renováveis e eficiência energética, mas todas as tecnologias de baixo carbono (incluindo captura e armazenamento e fontes nucleares) desempenham um papel.

Atualmente as energias renováveis representam 24% da produção mundial de energia e 16% da oferta de energia primária. Para alcançar a descarbonização, o relatório afirma que elas deverão representar a maior parte da geração de energia em 2050, com base no crescimento rápido e contínuo, especialmente para a solar e eólica. (Reuters 21/03/2017)