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Centro-Sul dá largada na safra de cana 2017/18 com 25% menos usinas em operação

A safra de cana do centro-sul do Brasil irá começar oficialmente, no início de abril, com 90 usinas em atividades, estimou nesta sexta-feira a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), um número abaixo do início da temporada passada, quando a colheita começou acelerada, com cerca de 120 usinas operando.

O centro-sul, que responde por cerca de 90 por cento da produção de açúcar e etanol do Brasil, está atualmente em período de entressafra, nos últimos dias do ano comercial 2016/17, que encerra em 31 de março.

A Unica disse, em relatório quinzenal, que "a expectativa é que até o final do mês 90 unidades produtoras estejam em operação, sendo que desse total, 52 devem iniciar a moagem na segundo quinzena de março."

No relatório de um ano atrás, a Unica informou que 75 unidades produtoras estavam em operação na primeira quinzena de março de 2016 e que a expectativa era de que cerca de 120 empresas estivessem em operação até o final daquele mês.

Na avaliação do analista João Paulo Botelho, da INTL FCStone, o número de usinas operando logo no início da safra volta agora a um patamar "normal", após uma corrida incomum na largada da temporada passada.

"Ano passado tinha quantidade muito grande de cana bisada (remanescente da temporada 2015/16). Com essa maior disponibilidade, as usinas começaram a safra mais cedo", lembrou o analista.

Ele também destacou que a experiência de 2015/16, quando chuvas atrapalharam o processamento em diversas regiões, gerou uma expectativa de começar logo os trabalhos da safra 2016/17, quando posteriormente o clima favoreceu os trabalhos de campo e acabou gerando até um encerramento mais rápido da safra. Agora, com o histórico recente de boas condições de trabalho, as empresas retomam seu ritmo habitual.

QUINZENA

Em relação à produção efetiva, na primeira quinzena de março, a penúltima da atual temporada, a moagem de cana atingiu 3,26 milhões de toneladas, ante 1,1 milhão de toneladas na segunda metade de fevereiro e 5,3 milhões um ano antes.

No acumulado da temporada 2016/17, o volume já atinge 599,2 milhões de toneladas, queda de 0,74 por cento ante mesmo período de 2015/16.

A produção de açúcar da região ficou em 73 mil toneladas, ante 20 mil toneladas na quinzena anterior e 141 mil na primeira metade de março de 2016.

Já a fabricação de etanol atingiu 161 milhões de litros na primeira quinzena de março, ante 68 milhões no período imediatamente anterior e 224 milhões de litros na mesma quinzena de 2016.

No acumulado da atual temporada, a produção de açúcar soma 35,37 milhões de toneladas (alta anual de 15 por cento), enquanto a de etanol soma 25,3 bilhões de litros (queda de 8,4 por cento). (Reuters 24/03/2017)

 

Etanol hidratado sobe 0,51% e anidro avança 1,53% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 0,51% entre segunda-feira (20) e esta sexta-feira (24), de R$ 1,5252 o litro para R$ 1,5330 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor do anidro subiu após dez semanas de queda, com alta de 1,53% no período, de R$ R$ 1,6490 para R$ 1,6743 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 24/03/2017)

 

Cana: 3,26 milhões de toneladas moídas na 1ª quinzena de março

A quantidade processada de cana-de-açúcar pelas unidades produtoras da região Centro-Sul somou 3,26 milhões de toneladas na 1ª quinzena de março de 2017. Com isso a produção quinzenal de açúcar totalizou 72,61 mil toneladas e o volume fabricado de etanol totalizou 160,70 milhões de litros, dos quais 18,19 milhões de litros de etanol anidro e 142,51 milhões de litros de hidratado.

Vale ressaltar que os dados de produção de etanol acima citados englobam também os volumes de reprocesso, tanto de anidro para hidratado, como de hidratado para anidro. Nesta quinzena, o volume reprocessado de anidro para hidratado foi de 11,95 milhões de litros e o de hidratado para anidro foi de 787 mil litros.

No acumulado de 1º de abril até 16 de março, o total processado atingiu 599,16 milhões de toneladas, volume 0,74% inferior ao registrado até o mesmo período da safra 2015/16. Com esse resultado, a produção acumulada de açúcar atingiu 35,36 milhões de toneladas, enquanto que a fabricação de etanol totalizou 25,32 bilhões de litros, com 10,57 bilhões de anidro e 14,74 bilhões de hidratado.

A produção de etanol de milho no acumulado da safra somou 215,85 milhões de litros, sendo que na 1ª quinzena de março 4,44 milhões de litros de anidro e 14,03 milhões de litros de hidratado.

A expectativa é que até o final do mês 90 unidades produtoras estejam em operação, sendo que desse total, 52 devem iniciar a moagem na 2ª quinzena de março.

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul alcançaram 1,00 bilhão de litros na 1ª quinzena de março, sendo 47,89 milhões de litros destinados à exportação e 954,49 milhões de litros ao mercado interno.

No mercado doméstico, tanto o volume comercializado pelas usinas de etanol anidro como de hidratado apresentaram forte recuperação ante a 2ª quinzena de fevereiro. O etanol anidro registrou 461,21 milhões de litros, crescimento de 28,61% e o hidratado totalizou 493,28 milhões de litros, forte aumento de 31,60%. (UNICA 24/03/2017)

 

Raízen e BR Distribuidora arrematam dois terminais no Porto de Santarém

Empresas formavam consórcio que venceu o certame ao oferecer ágio médio de 146%.

Representantes do consórcio vencedor na Bovespa: investimento será de aproximadamente R$ 30 milhões.

O consórcio Porto Santarém, formado pela Raízen (60%) e pela BR Distribuidora (40%), venceu nesta quinta-feira o leilão de duas áreas destinadas à movimentação e armazenagem de granéis líquidos (STM04 e STM05) no Porto Organizado de Santarém, no estado do Pará. O certame ocorreu na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Para a área STM04 o consórcio ofereceu ágio de 62% e, após disputa com outras duas empresas no lance a lance, arrematou o terminal por R$ 18,2 milhões. Já na área STM05 o prêmio oferecido foi de 231%, com a compra sendo finalizada por R$ 50 milhões. Neste caso, o único proponente interessado para o consórcio Porto Santarém.

As outras duas companhias interessadas na área SPM04 foram a Aba Infraestrutura e a Distribuidora Equador de Produtos de Petróleo.

No total, os investimentos nos dois terminais, que são considerados estratégicos para o abastecimento de combustíveis na região amazônica, somam R$ 29,8 milhões e deverão ser aplicados, principalmente, na ampliação e melhorias dos tanques de armazenamento (gasolina, diesel e etanol).

Segundo informou a Antaq, agência que regula os transportes aquaviários e que realizou o certame, o novo arrendatário do terminal STM04 pagará pelo uso da área, de 28.827 m², um aluguel fixo mensal de R$ 2.471,67 e mais R$ 1,35 por tonelada movimentada. Estão previstos investimentos no terminal de R$ 18,8 milhões. O valor global do contrato do STM04 é de 82,376 milhões e a receita média estimada para o novo arrendatário é de R$ 55,71 por unidade por tipo de produto movimentado derivados de petróleo e etanol.

Já na área STM05 o investimento será de R$ 11 milhões em melhorias. Para uso da área de 35.097 m², o novo arrendatário pagará um aluguel fixo mensal de R$ 25.016,88 e mais R$ 5,40 por tonelada movimentada. O valor global do contrato deste terminal é de R$ 199,418 milhões, e, assim como no STM04, estima-se uma receita média para o novo arrendatário de R$ 55,71 por unidade por tipo de produto movimentado de derivados de petróleo e etanol.

O prazo de vigência dos dois contratos é de 25 anos, prorrogável por mais 25 anos.

Ao final dos leilões, o ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa, afirmou que a disputa superou as expectativas do governo.

“O governo federal acertou ao reformular as regras tornando os certames mais atrativos. O resultado de hoje representa um sucesso estrondoso”, disse, repetindo o mesmo termo que usou para classificar o resultado do leilão de aeroportos realizado na semana passada. ( O Globo 24/03/2017)

 

Açúcar: Beleza e paciência – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado de açúcar em NY fechou a semana em queda de 46 pontos (10 dólares por tonelada) no primeiro mês de vencimento (maio de 2017) e entre 20 e 42 pontos (4,50 e 9 dólares por tonelada) nos demais meses até o julho de 2019. Os fundos liquidaram cerca de 25,000 lotes e agora devem estar comprados ainda em cerca de 60,000 lotes. Aos poucos o mercado vai encontrar seu suporte. Acreditamos que o mercado pode eventualmente bater 16.00-16.50 centavos de dólar por libra-peso em função do pânico e, principalmente, de eventuais operações de balcão mal estruturadas que possuem níveis de desaparecimento (o famoso knock-out) no nível de 17 centavos de dólar por libra-peso!

Diz o ditado que “não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe”. Poderíamos usá-lo para ilustrar o mercado de açúcar nos dias atuais. Muitos gestores pensavam que aqueles fabulosos R$ 1,600 - 1,700 por tonelada, a equivalência do açúcar em NY convertido em reais, negociados em setembro, outubro e novembro do ano passado durariam para sempre. Ouço histórias de um executivo de um banco ligado ao setor, de empresas que decidiram suspender, naquele momento de pico de cotações em NY, novas fixações de preço e só voltar a hedgear quando o valor em reais se aproximasse dos R$ 2,000 por tonelada, o que - como sabemos - nunca ocorreu. Esta é a parte do "não há bem que sempre dure" que alguns gestores não conseguiram absorver. Falta de disciplina e gestão de risco.

Agora, com o fechamento de sexta-feira do contrato para maio/2017 na bolsa de NY nos 17.71 centavos de dólar por libra-peso e o câmbio a R$ 3.1150, estamos em R$ 1,260 por tonelada. Como disse um atento gestor: "a vida muda pouco para a usina se o preço vai de 1,700 para 2,000 reais. Mas muda (para pior) extraordinariamente se vai de 1,700 para 1,200. Enfim, temos que virar a página. Melhor seria se aprendêssemos com os erros, mas geralmente apenas nos esquecemos deles.

O período que vai de abril até julho é sazonalmente a temporada de preços baixos no mercado futuro de açúcar refletindo a força da entrada da safra do Centro-Sul. Acredito que boa parte dessa histórica pressão sobre os preços já tenha sido antecipada com a maciça liquidação da posição comprada dos fundos e deverá ser suavizada nos meses a seguir, devido ao menor volume disponível de fixação de preços por parte das usinas que, como apurado pelo nosso modelo, estão relativamente bem fixadas para os primeiros vencimentos na tela de NY. Esta é a parte do "nem mal que nunca se acabe".

Os últimos meses têm sido marcados pela atipicidade na conduta das negociações comerciais. Dois exemplos curiosos: por razões de restrição de crédito, usinas que só podiam fixar preços de exportação de açúcar muito próximo ao período de embarque, conseguiram uma média de fixação em centavos de dólar por libra-peso superior à daquelas empresas bem capitalizadas. Ou seja, a restrição creditícia que deveria ser um entrave para as usinas com fluxo de caixa apertado, acabou beneficiando-as. Inversamente, na entressafra, empresas capitalizadas seguraram o etanol esperando vende-lo agora com ágio suficiente para pagar o custo financeiro e de carrego. Já as empresas com problemas de caixa venderam o etanol antes disso e acabaram vendendo nas máximas enquanto quem carregou estoques assistiu aos preços despencarem. Que fase!

Algumas notícias positivas no cenário econômico nacional terão impacto no mercado de açúcar, não necessariamente positivo. A inflação caiu mais do que o esperado e a estimativa é que os juros internos se reduzam para 8.75% a.a. até o final do ano. Com o possível aumento dos juros americanos, o spread entre os dois estreita e diminui o prêmio dos contratos em reais por tonelada ao longo da curva de preços via NDF (contrato a termo de dólar com liquidação financeira). Com o real mais forte, o cupom cambial mais estreito e o petróleo não dando nenhum sinal de melhora, o mais prudente é pensar em oportunidades de fixação em reais por tonelada. A receita em reais das empresas deve diminuir na safra 2017/2018. Enquanto o período de abril até julho é péssimo para as usinas fixarem preços de venda em centavos de dólar por libra-peso, para os consumidores industriais a hora está chegando.

Uma expressiva figura do setor, formador de opinião, conhecido pela fidalguia e eloquência, em recente roda de amigos, ensinava que as qualidades chaves que todo executivo precisa ter para atravessar os atuais desafios com os quais nos confrontamos no mercado de açúcar, neste início de ano, são a beleza e a paciência. Um interlocutor, curioso, quis saber mais detalhes. O sábio executivo então revelou: “se tudo der certo, beleza. Se não der certo, paciência”.

Anote na sua agenda: o XXVIII Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos – Commodities Agrícolas (em português) da Archer Consulting, vai ocorrer dias 19 (terça), 20 (quarta) e 21 (quinta) de setembro de 2017, das 09 às 17 horas, em São Paulo-SP, no Hotel Paulista Wall Street (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)