Setor sucroenergético

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Rolagem de dívida anima Odebrecht Agro

O período de aperto financeiro é tratado como uma página virada na Odebrecht Agroindustrial. O alívio propiciado pela reestruturação de sua dívida em 2016 permitiu à companhia (cuja controladora é alvo da Lava-ato) voltar a projetar um novo ciclo de crescimento, para o qual deve buscar um reforço de capital nos próximos anos, seja pela entrada de um sócio ou por meio de uma abertura de capital. Foi o que afirmou ao Valor Luiz de Mendonça, presidente da Odebrecht Agroindustrial.

"Talvez nos próximos dois anos possamos pensar, para continuar o financiamento ou alicerçar o crescimento, em trazer um investidor estratégico ou, em um momento em que o Brasil estiver melhor,  pelo setor sucroalcooleiro ter um futuro promissor por causa [do acordo assinado na COP21), em uma abertura de capital", afirmou.

Ainda que as condições macroeconômicas sejam decisivas para um eventual IPO, Mendonça ressaltou que os retornos alcançados pela companhia também precisam ser sólidos. "Já tivemos quatro anos de crescimento muito forte pelo nosso ganho de escala e produtividade, que se deram em condições extremamente adversas de mercado".

Em 2016, a empresa reestruturou uma dívida de R$ 11 bilhões, com alongamento do prazo para 13 anos, e carência de amortizações de cinco, e aporte da holding equivalente a R$ 6 bilhões.

Segundo Mendonça, a Odebrecht Agroindustrial deve encerrar o ciclo 2016/17 com "forte" crescimento sobre 2015/16, quando a receita líquida foi de R$ 3,7 bilhões, e com um avanço de geração de caixa de 70% a 80%. Na safra passada, o Ebitda da companhia ficou em R$ 1,1 bilhão.

As transformações em curso na estrutura de governança da holding, que conforme Mendonça já vinham sendo adotadas pela Agroindustrial antes da assinatura do acordo de leniência com os procuradores da Lava-Jato, são apresentadas como um fator positivo para a companhia.

Uma das mudanças foi a subordinação do comitê de ética e governança ao conselho de administração, e não mais ao departamento jurídico. Segundo ele, esse comitê não só reduz riscos de fraude como "é uma ferramenta de produtividade e aumento da eficiência operacional". Outra mudança é a contratação de dois conselheiros independentes. O primeiro foi Alexandre Figliolino, e o segundo deve ser escolhido "nos próximos poucos meses".

O otimismo contrasta com rumores de que a empresa estuda se desfazer de ativos ou mesmo sair do ramo. "Desfazer de um ativo específico nem é cogitado. É claro que se alguém chegar e oferecer um múltiplo extremamente interessante para um ativo, vamos olhar, mas nenhum rumor sobre isso faz sentido", disse.

Para o curto prazo, o foco é desenvolver os canaviais para ter matéria­prima suficiente para atingir sua capacidade instalada, de 37 milhões de toneladas. Se esse plano se confirmar, a companhia deve utilizar toda sua capacidade em quatro anos.

Atuando principalmente no Centro-Oeste, onde o cultivo da cana é menor que no Sudeste, a Agroindustrial tem buscado fornecedores para obter mais cana. Hoje, eles entregam 20% de toda a cana que é processada em suas unidades, mas a companhia tem atraído produtores para o cultivo e feito negócios pontuais com outras usinas.

Neste momento, é a própria geração de caixa que financia os investimentos da empresa, que giram entre R$ 450 mil a R$ 500 mil por ano, voltados, em sua maior parte, às lavouras. Por ora, não há planos de investir na estrutura industrial, nem mesmo de retomar já na safra 2017/18 as atividades na Usina Alcídia, em Teodoro Sampaio (SP). Atualmente, os canaviais próximos à unidade têm abastecido a Usina Conquista do Pontal, pertencente ao mesmo polo e localizada e, Mirante do Paranapanema (SP), a cerca de 50 quilômetros de distância.

A nova política de preços de combustíveis da Petrobras ainda não surtiu os efeitos esperados, segundo o executivo. "Quando se anuncia a alta do preço da gasolina, ela sobe na bomba, mas quando tem uma redução, o preço não cai. Obviamente isso é uma distorção de mercado dada pela excessiva concentração. Tem distorções na cadeia depois do produtor, e isso tem que ser olhado".

Diante desse cenário, o que a companhia pretende garantir para a safra 2017/18 é, pelo menos, produzir o máximo de açúcar possível, o que deve significar um mix 17% açucareiro para uma moagem estimada em 30 milhões de toneladas, 1 milhão a mais que na safra 2016/17. (Valor Econômico 29/03/2017)

 

Preço do etanol anidro cai cerca de 20% na entressafra com importação e estoque

Os preços do etanol anidro acumulam queda de quase 20% nesta entressafra de cana-de-açúcar, de janeiro a março. Perdas assim geralmente ocorrem após abril, quando a colheita de cana ganha ritmo no Centro-Sul do País, principal região produtora do mundo, mas neste ano o movimento de baixa começou mais cedo em virtude da volumosa importação e também dos estoques confortáveis do bicombustível.

Até 24 de março, o preço já havia recuado 19,35% nas usinas paulistas, para R$ 1,6743 o litro (sem impostos), segundo o monitoramento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). Já em igual período de 2016, a cotação acumulava alta de 5,39%, a R$ 2,0578 por litro. Dessa forma, o valor hoje está 18,64% inferior ao de um ano atrás.

Pelos dados mais recentes do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), as compras externas de anidro movimentaram US$ 130,6 milhões entre janeiro e fevereiro, 818,6% mais ante os US$ 14 milhões em 2016. Na contramão, as exportações do setor somaram US$ 115 milhões entre janeiro e fevereiro, baixa de 44,4% ante o primeiro bimestre do ano passado. O resultado é uma contribuição deficitária de US$ 15 milhões por parte do biocombustível na balança comercial brasileira. Os números referentes a março deverão ser divulgados na próxima semana.

Para o presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar), Miguel Rubens Tranin, a importação é de "oportunidade", pois o produto lá fora está mais barato após a safra recorde de milho nos Estados Unidos (o etanol é feito de cereal naquele país).

Entretanto, as compras acabam sendo prejudiciais às usinas brasileiras, que deixam de comercializar o álcool a cotações mais atrativas. "Isso, de certa forma, é injusto com os produtores e as distribuidoras", afirmou.

Segundo ele, as importações de anidro não fazem sentido, pois os estoques domésticos garantem o abastecimento. Pela Resolução 67/2011, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as usinas e destilarias são obrigadas a formar estoques reguladores de anidro, misturado em uma proporção de 27% à gasolina. Neste ano, segundo Tranin, as reservas são suficientes para mais de um mês e meio de consumo, ou seja, para além de maio, quando a produção do biocombustível no Centro-Sul já será maior.

No acumulado da safra 2016/17, iniciada em abril, até a primeira quinzena de março, a produção de anidro na principal região produtora do País totalizava 10,57 bilhões de litros, ligeiramente acima dos 10,53 bilhões de litros no ciclo anterior, conforme a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Já a de etanol hidratado, usado diretamente nos tanques dos veículos, diminuiu 13,80%, para 14,74 bilhões de litros. Até agora em 2017 o preço do litro do hidratado acumula baixa de 17,66%, a R$ 1,533 por litro. Na entressafra do ano passado, o produto registrava alta de 6,75%, a R$ 1,8424 por litro. (Agência Estado 28/03/2017)

 

EUA e México retomarão negociações sobre comércio de açúcar

Representantes do comércio do México e dos Estados Unidos irão retomar as negociações em Washington com o objetivo de resolver uma disputa sobre açúcar entre os países vizinhos, disse a maior autoridade do Comércio do México nesta terça-feira.

As negociações focam no acordo de açúcar do fim de 2014 que regula o acesso mexicano ao mercado dos Estados Unidos e ocorre no momento em que os laços entre os dois países têm se desgastado sob o governo do presidente Trump, que prometeu reformar o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, na sigla em inglês).

O ministro da Economia mexicano, Ildefonso Guajardo, e seu equivalente, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, anunciaram recentemente que as negociações sobre o açúcar seriam retomadas, mas não estabeleceram uma data.

"O diálogo vai ser retomado nesta semana entre equipes técnicas do Ministério da Economia do México e a equipe de Wilber Ross", disse Guajardo a repórteres.

As cotas de açúcar nos EUA são estabelecidas sob um acordo de 2014 que tornou-se fonte de tensão entre os dois países. O acordo pôs fim a uma investigação de um ano pelo governo dos EUA após produtores e empresas norte-americanas dizerem que usinas do México estavam inundando o mercado com açúcar barato e subsidiado.

"Estamos trocando informações, as posições daqueles que abriram a investigação nos EUA, as posições da indústria mexicana e estamos fazendo progresso", disse Guajardo, sem entrar em mais detalhas. (Reuters 28/03/2017)

 

Incertezas do mercado indiano pressionam o açúcar

A bolsa de Nova York começou a semana com oscilações marginais no valor dos contratos futuros do açúcar, por previsões divergentes no mercado indiano. Foi o que indicou a análise do jornal Valor Econômico de hoje (28). Os vencimentos maio/17 e julho/17 caíram um ponto, com negócios firmados em 17.70 e 17.68 centavos de dólar por libra-peso, respectivamente.

"Embora a imprensa local afirme que o país poderá reduzir o imposto de importação em breve para suprir o déficit na oferta local, a perspectiva de recuperação da produção em 2017/18 pressiona as cotações. Segundo o Departamento de Meteorologia local (IMD), mesmo um eventual retorno do El Niño este ano não deverá comprometer a safra", informou ainda o Valor em nota.

As demais cotações de açúcar da sessão de ontem, também desvalorizaram na bolsa de Nova York, fechando entre dois e três pontos para baixo cada.

Em Londres, a tela maio/17 caiu 3,10 dólares, fechando em US$ 497,90 a tonelada. Já o vencimento julho/17 teve os preços retraídos em 1 dólar, sendo a commodity comercializada a US$ 492,70 a tonelada. Outubro/17 fechou estável e os demais lotes tiveram valorização de 0,60 cents de dólar a 1,30 dólar.

Mercado interno

Nesta segunda-feira (27), os preços do açúcar caíram mais uma vez no mercado doméstico. A saca de 50 quilos do tipo cristal foi vendida a R$ 75,54, queda de 1,01% segundo os índices do Cepea/Esalq, da USP.

Etanol

Os preços do etanol começaram a semana desvalorizados, também, de acordo com os índices da Esalq/BVMF. Ontem (27) o metro cúbico do biocombustível foi comercializado a R$ 1.579,50, retração de 0,41%. (UDOP 28/03/2017)

 

Usina Coruripe inicia safra 2017/18 e espera moagem recorde

A Usina Coruripe, grupo sucroenergético com uma unidade em Alagoas e quatro em Minas Gerais, projetou nesta terça-feira, 28, moer um recorde de 14,35 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2017/18, incremento de 1,32% sobre 2016/17. A meta da empresa, que iniciou a colheita neste mês, é produzir 5,7% mais açúcar, com 22,8 milhões de sacas de 50 kg, e 3,9% mais energia por cogeração, com 740 MWh. Já a fabricação de etanol deve cair 6%, para cerca de 416 milhões de litros.

Atualmente, apenas a usina de Alagoas está em operação - as outras, em Minas Gerais, terminaram as atividades em dezembro. A previsão na companhia é de fechar a atual temporada com processamento de 14,16 milhões de toneladas de cana e produção de 21,59 milhões de sacas de 50 kg de açúcar e de 443,11 milhões de litros de etanol.

Em nota, o presidente da Coruripe, Jucelino Sousa, disse que as usinas da empresa já utilizaram quase 100% da capacidade na safra de 2016/17, que é de 14,5 milhões de toneladas de cana, "garantindo alta produtividade no campo". Ele destacou ainda a redução no número de acidentes. "Valorizar nosso capital humano é um dos nossos pilares. Nesta safra conseguimos reduzir em 72% o número de acidentes com afastamento em todas as unidades em relação ao período passado", disse. (Agência Estado 28/03/2017)

 

FS Bioenergia anuncia Henrique Ubrig como novo CEO no Brasil

A FS Bioenergia, formada pela brasileira Fiagril e a norte-americana Summit Agricultural Group, anunciou nesta segunda-feira, 27, Henrique Ubrig como seu novo CEO no Brasil. A empresa está construindo uma usina para produção de etanol de milho, a F&S Agrisolutions, em Lucas do Rio Verde (MT).

"A instalação da planta em Mato Grosso introduzirá no mercado valiosos coprodutos de fibra e proteína de milho, que servirão de alimento para a indústria agropecuária brasileira e, além disso, a planta ajudará a atender à crescente demanda do Brasil por etanol", afirmou o executivo, em nota. Para ele, o projeto é "histórico" e "trará muito retorno ao País".

Quando totalmente em operação, a F&S Agrisolutions poderá fabricar 220 milhões de litros de álcool por ano, 6 mil toneladas de óleo de milho, 60 mil megawatts de energia elétrica e ainda 100 mil toneladas de DDG (grãos secos por destilação, na sigla em inglês) de alta fibra e 50 mil toneladas de DDG de alta proteína.

Ubrig é fundador da Heliagro Agricultura e Pecuária Ltda. e trabalhou na DuPont por 27 anos em diversas posições, incluindo presidente para América do Sul de 1996 a 2003 e para Sudeste Asiático de 2004 a 2005. O executivo também atuou como membro do conselho de administração em empresas privadas e instituições sem fins lucrativos. (Agência Estado 28/03/2017)

 

Trump assinará ordem que anula medidas contra o aquecimento global

Em novo passo de sua campanha para desmantelar o plano de Barack Obama para frear o aquecimento global, o presidente Donald Trump assinará uma ordem executiva nesta terça (28) que irá suspender, rescindir ou colocar para revisão ao menos seis medidas tomadas pelo antigo presidente.

O objetivo de Trump é impulsionar a produção de energia por combustíveis fósseis nos EUA.

O governo irá iniciar uma revisão do Plano de Energia Limpa, que restringe emissão de gases por usinas de carvão. A regulação, que foi uma das decisões mais importantes de Obama contra as emissões de carbono, tem sido alvo de contestações legais por estados governados por republicanos.

O novo presidente, que já chamou o aquecimento global de "farsa inventada pelos chineses", criticou por diversas vezes o Plano de Energia Limpa, dizendo que este é um ataque aos trabalhadores americanos e à indústria de carvão do país.

Além de cancelar o Plano de Energia Limpa, o governo Trump irá rescindir uma moratória sobre a mineração de carvão em território americano e cobrar agências federais a "identificar todas as regulações, regras e políticas que servem de obstáculo à indústria de energia dos EUA". A ordem executiva também irá retirar menções ao "custo social" de gases do efeito estufa.

O governo ainda discute se irá abandonar o Acordo de Paris sobre o clima, onde os EUA definiram metas ambiciosas para a redução de emissão de carbono.

No início deste mês, o chefe da Agência de Proteção Ambiental de Trump, Scott Pruitt, disse que não acreditava que o dióxido de carbono é um contribuinte importante no aquecimento global. A afirmação é contestada pela maioria dos cientistas e pela própria agência que Pruitt comanda.

A decisão de Trump foi elogiada pela Câmara de Comércio dos EUA, que disse que administração Obama deixou "a energia mais cara com regulações que acabavam com empregos".

Por outro lado, Gina McCarthy, antiga líder da Agência de Proteção Ambiental, disse que a decisão é "perigosa e embaraçosa para nós e para nossos negócios em escala global". (Associated Press 28/03/2017)

 

Pedro Parente tem novo mandato na Petrobras

O conselho de administração da Petrobras aprovou nesta segunda-feira, 27, a recondução do presidente da companhia, Pedro Parente, para um mandato de dois anos. Parente havia sido eleito para o cargo em 31 de maio de 2016, em continuidade ao mandato de Aldemir Bendine. "Com isso, tem início um novo mandato de dois anos", disse a estatal em comunicado ao mercado.

A petroleira explica que no processo de recondução foram renovadas as análises de integridade e do cumprimento dos requisitos da posição. O Comitê de Indicação, Remuneração e Sucessão do Conselho de Administração da Petrobras afirma que "avaliou toda a documentação pertinente e recomendou a aprovação do novo mandato".

Eletrobras

A economista Elena Landau vai substituir José Luiz Alquéres na presidência do conselho de administração da Eletrobras. Nesta segunda, no Facebook, Alquéres comentou a mudança. "Minha sucessora é ótima e o Wilson (Ferreira Júnior), o presidente, muito bom", afirmou.

A substituição será formalizada em 28 de abril. Segundo fontes, Alquéres saiu por desentendimentos com o presidente da estatal. Ele deixará o cargo após nove meses de trabalho. (Agência Estado 28/03/2017)