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Indian Oil construirá usina de etanol celulósico na Índia

A petrolífera Indian Oil planeja construir uma usina de etanol de segunda geração, produzido a partir de biomassa, no município de Panipat, localizado no Estado de Haryana, no norte da Índia, segundo a imprensa indiana.

A informação partiu de Rama Gopal, diretor executivo do complexo petroquímico da Indian Oil em Panipat, durante encontro com o ministro-chefe do Estado de Haryana, Manohar Lal Khattar, ocorrido ontem.

Segundo Rama Gopal, a Indian Oil receberá uma área da companhia estatal Haryana State Industrial and Infrastructure Development Corporation (HSIIDC) para construir a usina. A construção deverá ocupar uma área de cerca de 20 hectares.

De acordo com o executivo, cerca de 20% do etanol produzido a partir da biomassa “pode ser diretamente misturado no petróleo”.

Este é o segundo plano de construção de uma usina de etanol de segunda geração na Índia. O primeiro é um projeto da estatal Hindustan Petroleum e está em construção em Bhatinda, no Estado de Punjab. (Valor Econômico 31/03/2017 às 17h: 52m)

 

Açúcar liderou quedas no exterior em março

Diante de um dólar mais 'comportado', os fundamentos se sobrepuseram no mês passado, pressionando as cotações da maior parte das commodities agrícolas. Na bolsa de Chicago, os grãos caíram sob o peso da oferta global abundante, com a soja caminhando rumo ao menor nível em seis meses. Em Nova York, o destaque foi a expressiva baixa do açúcar, refletindo o cenário na Índia, que é grande produtor e consumidor dessa commodity.

Levantamento do Valor Data baseado nos contratos futuros de segunda posição de entrega, normalmente, os de maior liquidez, mostra que o preço médio do açúcar, que se valorizou bastante desde o ano passado devido ao déficit global na atual safra (2016/17), caiu de forma expressiva em março, atingindo o menor nível desde maio último.

No mês passado, o açúcar recuou 11,38% ante a média de fevereiro, para 18,03 centavos de dólar por libra-peso. Embora o cenário de oferta para o longo prazo permaneça apertado, o esperado corte da tarifa de importação da Índia que impulsionaria a demanda no curto prazo não aconteceu.

Devido à quebra da safra de cana no país asiático, a expectativa no mercado é que os indianos inevitavelmente terão de buscar açúcar de outras partes do mundo, mas a redução tarifária é essencial para tanto. Diante disso, as incertezas em relação ao "timing" e ao volume de importações dos indianos pressionaram as cotações, apontou o Rabobank, em relatório trimestral.

Nessa conjuntura, os fundos que atuam nos mercados futuros reduziram as apostas na alta do açúcar. Conforme levantamento divulgado pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês) na última sexta-feira, o saldo líquido comprado dos gestores de recursos somava 56,4 mil contratos no último dia 28, queda de quase 60% em março.

Ainda em Nova York, os preços do café também recuaram, com a média 3,6% inferior à de fevereiro. A queda das cotações reflete a resistência dos compradores, que estão adiando as compras, diz Thiago Cazarini, da trading Cazarini. Além disso, a safra 2017/18 no Brasil, apesar da bienalidade negativa, está em boas condições.

Também ancorados nas apostas de baixa dos fundos, os grãos negociados em Chicago fecharam março em queda, liderados pela soja, cujo preço médio recuou 3,87%, de acordo com o Valor Data. Por sua vez, milho e trigo caíram 1,76% e 1,72%, respectivamente.

Segundo o analista Renato Rasmussen, do Rabobank, o recuo dos preços da soja já era esperado, tendo em vista a colheita recorde nos EUA no ciclo 2016/17, e a substancial recomposição da safra brasileira, cuja colheita está em fase final. Nesse quadro, a demanda atual não é suficiente para segurar os preços. Conforme o analista, o balanço entre oferta e demanda deve resultar em estoques maiores.

A recomposição da oferta de soja fez os preços da oleaginosa romperem o "piso técnico" de US$ 10 o bushel, destacou o analista do Rabobank. Em março, o preço médio da oleaginosa ainda ficou acima desse patamar, em US$ 10,0678, mas a ruptura já se consolidou, disse Rasmussen. Na sexta-feira, os contratos futuros de soja para maio encerraram o dia a US$ 9,57.

Na avaliação do analista do Rabobank, a consolidação da oleaginosa abaixo dos US$ 10 foi reforçada na sexta-feira, com a divulgação das estimativa de área plantada nos EUA. Conforme o Departamento de Agricultura do país (USDA), os agricultores americanos semearão 36,2 milhões de hectares com a oleaginosa na safra 2017/18, um recorde.

Se as condições climáticas ajudarem, não há razão para imaginar que os preços da soja subam, avaliou Rasmussem. "Se tivermos um ano normal, podemos esperar que a soja fique na casa dos US$ 9,50", acrescentou ele. Para 2017, o Rabobank trabalha com um piso de US$ 9,25 o bushel para soja.

Por outro lado, o milho, cujo preço médio atingiu US$ 3,6998 em março e US$ 3,7175 no último pregão do mês, pode ter encontrado um "piso", especialmente após o USDA estimar na sexta-feira uma redução de 4% na área plantada em 2017/18 ­ a soja tomará espaço do milho nos Estados Unidos. "Internacionalmente, há condições até para uma leve alta do milho", avaliou o analista do Rabobank, ponderando que o cenário é outro no mercado brasileiro, onde o aumento da produção pressionará as cotações. (Valor Econômico 03/04/2017)

 

Açúcar: Sessão volátil

As perspectivas divergentes para oferta mundial de açúcar no curto e no longo prazo têm sido motivo de volatilidade para as cotações do açúcar em Nova York.

Os papéis com vencimento em julho fecharam na última sexta-feira a 16,88 centavos de dólar a libra-peso, queda de 6 centavos.

Enquanto se espera um superávit de 2 milhões a 4 milhões de toneladas na oferta mundial em 2017/18, a atual temporada (2016/17) sofre com a escassez do produto nos mercados asiáticos.

Na Índia, as previsões são de uma produção de menos de 20 milhões de toneladas, com um déficit na oferta local estimado em cerca de 4 milhões de toneladas.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal negociado em São Paulo ficou em R$ 74 a saca de 50 quilos, alta de 0,28%. (Valor Econômico 03/04/2017)

 

FMC anuncia compra de parte da divisão de defensivos da DuPont

A FMC Corporation e a DuPont anunciaram hoje um acordo em que ficou definido que a americana FMC irá comprar parte do negócio de defensivos agrícolas da DuPont. A negociação faz parte de uma exigência da Comissão Europeia para aprovar a fusão entre a DuPont e a Dow Chemical.

Após completar a compra, a FMC Agricultural Solutions será a quinta maior empresa de defensivos agrícolas do mundo em receita, com aproximadamente US$ 3,8 bilhões anuais.

Segundo o comunicado das empresas, a DuPont vai receber como contrapartida a Divisão de Saúde & Nutrição da FMC, além de US$ 1,2 bilhão em dinheiro. A FMC vai comprar o portfólio global de inseticidas, herbicidas de cereais e uma parcela substancial do setor de pesquisa e desenvolvimento em defensivos agrícolas da empresa.

Em 2017, a FMC espera que esse negócio gere aproximadamente US$ 1,5 bilhão em receita e US$ 475 milhões em Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês).

Segundo a DuPont, a transação com a FMC deve ser concluída no quarto trimestre de 2017, sujeita à aprovação da fusão da DuPont e da Dow, além de outras condições habituais de fechamento, como aprovação regulatória.

A Dow Chemical e a DuPont conseguiram, no início desta semana, a aprovação da Comissão Europeia para o processo de fusão das duas gigantes do setor químico. A liberação, entretanto, foi condicionada a venda de alguns ativos das duas companhias para evitar impactos negativos ao mercado internacional e manter a concorrência, disse o órgão antitruste do bloco.

O acordo entre Dow e DuPont, anunciado em dezembro de 2015, está passando por uma análise bastante minuciosa por parte de órgãos reguladores, que avaliam seu possível impacto sobre a concorrência. (Valor Econômico 31/03/2017 às 09h: 18m)

 

Agroconsult estima safra de cana 2017/18 em 620 milhões de t, alta de 2,5%

A Agroconsult estima que as usinas e destilarias do Centro-Sul do Brasil processarão 620 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2017/18, cujo início oficial é amanhã. O volume representa aumento de 2,5% ante o ciclo 2016/17. Quanto aos produtos, a consultoria prevê fabricação de 37,1 milhões de toneladas de açúcar (+4,1%) e 25,9 bilhões de litros de etanol (+1,3%). “A safra é muito parecida com a de 2016/17. Ela é um pouquinho melhor em termos de produtividade, um pouquinho menor em área, e um pouquinho maior em volume total”, disse à reportagem o sócio-analista da Agroconsult, Fabio Meneghin.

De acordo com ele, “as chuvas foram muito boas nesse período de primavera e verão (entressafra)”. “Quase nenhuma região registrou déficit significativo (de umidade), todas ficaram acima da média”, disse, referindo-se ao momento de desenvolvimento fisiológico dos canaviais. Ainda segundo ele, o risco de florescimento das plantações, fator que reduz a produtividade, “é bem baixo neste ano”.

Houve, também, melhora no trato das lavouras, com compras recordes de adubo em São Paulo no ano passado. Mas, apesar disso, a planta que será colhida em 2017/18 tende a ser mais velha, devido à baixa taxa de renovação nas últimas temporadas. “O fator que puxa para baixo (a safra) é a baixa taxa de renovação nos últimos anos e o próprio envelhecimento do canavial”, resumiu.

Por fim, Meneghin comentou que a recuperação da rentabilidade do setor ainda é recente, de modo que as dificuldades entre as usinas persistem. “O endividamento ainda é alto, então o setor ainda está se curando das feridas dos últimos oito anos”. (Agência Estado 31/03/2017)

 

Governo quer redesenhar rede ferroviária em plano de concessões

O governo prepara um novo desenho da rede ferroviária que faz parte do seu programa de concessões, com o objetivo de criar mais ligações entre as áreas produtoras e portos, além de permitir mais competição.

A ideia é que a Ferrovia Norte-Sul entre Tocantins e São Paulo seja concedida com a possibilidade de extensão até Mato Grosso.

Outra obra inacabada, a Ferrovia Oeste-Leste, na Bahia, poderia ser estendida para se conectar à Norte-Sul.

Nessa reconfiguração da malha ferroviária nacional, a principal área de produção de grãos do país, o Centro-Oeste, teria a possibilidade de escoar seus produtos por quatro portos diferentes, cada um deles com acesso por uma empresa ferroviária.

Atualmente, há um tronco ferroviário que vai de Mato Grosso a São Paulo, controlado pela Rumo (Grupo Cosan), e outro que segue do Tocantins para o Maranhão, em poder da VLI (Vale). Com as concessões, previstas ainda para este ano, as duas linhas existentes passam a estar ligadas.

Caso a Oeste-Leste se encontre com a Norte-Sul, haverá a possibilidade de saída por um terceiro porto, na Bahia, que poderá ser construído pela vencedora da concorrência caso o governo do Estado não conclua um projeto já autorizado.

Além disso, o governo também vai licitar uma ferrovia entre Mato Grosso e o Pará (Ferrogrão) como uma nova opção de acesso aos portos. Essa licitação, que deve sair primeiro, tem grande interesse das tradings de grãos (grandes vendedores) ADM, AMaggi, Bunge, Cargill e Dreyfus, que fizeram o projeto para a estrada de ferro.

PORTO DE SANTOS

Segundo Adalberto Vasconcelos, secretário do PPI (Programa de Parceria em Investimentos), órgão do governo que coordena os processos de concessões, as concessões novas e o processo de renovação das concessões antigas, da década de 1990, vão fomentar a competição.

Nas renovações será possível garantir que trens vindos de outras malhas ferroviárias vão poder passar pelas malhas já concedidas e acessar os portos. Hoje essa possibilidade existe, mas há restrições que dificultam a competição.

Segundo Vasconcelos, o primeiro ato em direção a essa reconfiguração será anunciado em breve. Houve um acordo entre as três empresas que hoje operam as malhas de ferrovias em São Paulo (Rumo, MRS e FCA) para que todos possam acessar o porto de Santos.

Esse acesso é considerado um gargalo, porque as empresas estão sempre em disputa para ter prioridade de entrada no principal porto do país, além da necessidade de fazer obras para a ampliação.

"Colocamos as três numa mesa e pedimos que apresentassem uma solução ou não haveria renovação de concessões. Elas já nos apresentaram uma resposta e estamos analisando", disse.

Entre interessados nas concessões há algum ceticismo sobre a velocidade do governo para conseguir fazer com que essas três concorrências estejam prontas até o fim do ano e sobre as chances de renovação das concessões, devido a oposições apontadas pelo Ministério Público Federal e pelo Tribunal de Contas da União.

PROBLEMAS NA MALHA PAULISTA

A proposta de renovação do contrato da Malha Paulista de ferrovias vem sendo criticada por entidades do setor por permitir que a atual concessionária, a Rumo, mantenha, por mais dois anos, trechos sem utilização.

O projeto de extensão da concessão por mais 30 anos está em consulta pública na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e levou uma comissão de entidades de São Paulo a pedir alteração nesse item da proposta.

Dos quase 2.000 quilômetros de estradas de ferro em poder da Rumo em São Paulo, há 835 quilômetros não usados pela empresa, que abrangem os ramais de Colômbia, Piracicaba, Panorama e Cajati. Pelas regras do atual contrato, a Rumo, que assumiu a malha em 2013, deveria manter esses trechos em operação.

Há investigações do Ministério Público Federal e da própria ANTT que apontam que parte desses trechos foi abandonada e não teria condições de operar. A empresa tem a obrigação de devolvê-los em condições de uso.

O relator da MP que altera regras das concessões, senador Sérgio Souza (PMDB-PR), afirmou que poderá fazer emenda ao texto enviado pelo Executivo para garantir que as renovações de todas as concessões tenham solução prevista em lei para trechos abandonados.

A proposta em audiência pública estabelece prazo de dois anos para que a Rumo decida quais trechos vai operar e quais vai devolver.

A empresa defendeu esse prazo durante as audiências públicas justificando que é o tempo necessário para estudar a viabilidade econômica desses ramais, que hoje não seriam usados pelas restrições de tráfego na linha tronco da concessão, que vai da divisa com Mato Grosso do Sul ao porto de Santos.

O deputado estadual João Caramez (PSDB-SP), que coordena a Frente Parlamentar em Prol do Transporte Metroferroviário, defende que os trechos tenham a operação retomada imediatamente.

"Não tem sentido ficar abandonado por dois anos. Tem que ter uma solução imediata", afirmou Caramez.

Jean Pejo, que coordena a Alaf (Associação Latino-Americana de Ferrovias), diz que não há motivos técnicos para que o estudo de viabilidade demore tanto. Segundo ele, as malhas que forem devolvidas ao governo podem servir a outros tipos de ferrovia com características diferentes da atual, que está voltada para carga agrícola. (Folha de São Paulo 02/04/2017)

 

Açúcar perde quase 14% no trimestre – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY fechou o primeiro trimestre de 2017 com o vencimento maio/17 cotado a 16.76 centavos de dólar por libra-peso, um desempenho horroroso de 13.59% de queda acumulada no ano. São 500 pontos de queda desde meados de novembro de 2016 ou 700 pontos de queda desde o início de outubro passado. O vencimento maio/17 teve a cotação máxima de 23.10 centavos de dólar por libra-peso em 29 de setembro. A cotação hoje, usando o dólar de sexta-feira, atinge míseros R$ 1,205 por tonelada, um derretimento de mais de 550 reais por tonelada das máximas observadas.

Das commodities, no acumulado do ano, o açúcar só bateu o suco de laranja que perdeu 18.4%. Gasolina caiu 11.4%, óleo de soja 9%, petróleo 8.4%, etanol 7.2% e soja 6.9%. Trigo, milho e algodão foram exceção e fecharam o trimestre em território positivo.

Difícil agora é encontrar notícias que possam animar o mercado, cansado de esperar por números positivos da Índia, ou fortes fundamentos vindos da China ou ainda um número positivo da safra de cana do Centro-Sul (menor que 570 milhões de toneladas) que elevasse o preço. Como nada disso se materializou, os ursos (baixistas) entraram em campo.

A situação (dos preços) pode piorar ainda devido a uma série de fatores que pairam sobre nossas cabeças:

1. a) real mais forte diminui preço interno da gasolina e piora a rentabilidade do etanol;

2. b) a safra vai começar;

3. c) os fundos estão aumentando a posição vendida;

4. d) abril-maio-junho-julho são meses sazonalmente mais fracos;

5. e) números de safra no Centro-Sul acima de 610 milhões de toneladas de cana como anunciam algumas consultorias;

6. f) Europa produzindo mais de 20 milhões de toneladas de açúcar;

7. g) números de superávit ao redor de 3 milhões de toneladas;

8. h) o preço do petróleo no mercado internacional não decola!

Não está fácil, não.

O mercado de açúcar tanto carece de notícias fundamentalistas altistas, que nem o ciclone que atingiu a Austrália conseguiu mover o mercado por um longo espaço de tempo. No Brasil, a introdução de impostos nos combustíveis que poderia elevar a curva de suporte de preços para o etanol teve o impacto de uma brisa. Para os consumidores industriais, no entanto, é um momento de grande oportunidade para fixarem o preço dos insumos, embora acredito que o açúcar em reais por tonelada ainda tem espaço para cair um pouco mais (R$ 1,075-1,100 por tonelada).

Os fundos reduziram suas posições compradas próximo dos 40,000 contratos, segundo um experiente corretor em NY e, depois, de uma semana em que os preços encolheram 95 pontos (21 dólares por tonelada) no vencimento maio/17 e 250 pontos desde a entrega de 1.2 milhão de toneladas contra o vencimento de março/17, fica difícil manter alguma chama altista.

Para piorar a situação, a bola que cantamos aqui há algumas semanas, acabou se confirmando. Usinas que possuíam hedge com operações de balcão vinculadas a determinado nível de desaparecimento (17 centavos de dólar por libra-peso), conhecidas por knock-out, foram finalmente “nocauteadas”. Ouvimos dizer que o prejuízo chega próximo de US$ 4 ou 5 milhões. Ou seja, essas usinas, num mercado descendente perderam seus hedges. O que falar sobre esses knock-outs? Com um nome sugestivo como esse, só entra quem quer, não é mesmo? Imagine você convidando um amigo para participar de um knock-out. “Vamos lá, meu irmão, vai ser bom demais, vamos subir no ringue com um cara chamado Mike Tyson”. Depois não adianta reclamar se sair com o nariz ensanguentado.

Operações de balcão são instrumentos essenciais para a gestão de risco. Existem várias empresas sérias no mercado, que oferecem seus produtos adequadamente aos clientes, respeitando o apetite deles ao risco e alertando sobre as limitações embutidas na estrutura. Todas elas ganham dinheiro e não há nada de errado nisso. No entanto, existem algumas poucas cujo foco é apenas e tão somente o lucro e os gordos bônus provenientes das estruturas suicidas que oferecem aos incautos. Com essas, o cliente é mero coadjuvante e, em situações como a da semana que se encerrou, acabam colocando todas as empresas provedoras de operações de balcão no mesmo balaio prejudicando a reputação dos profissionais sérios e pondo dúvidas na utilização de futuras estruturas. Ou seja, estão matando o mercado de derivativos de balcão.

O efeito colateral dessa situação são balanços horríveis, aversão a novas estruturas, desconfiança do setor financeiro, inadimplemento, entre outras coisas. O importante é saber separar o joio do trigo. Há culpa também por parte das usinas, que desconhecem o funcionamento dos derivativos e tratam a gestão de risco como um apêndice da área comercial quando deveria ser a protagonista. Vão aprender pelo método mais doloroso: do ringue para a UTI.

Anote na sua agenda: o XXVIII Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos – Commodities Agrícolas (em português) da Archer Consulting, vai ocorrer dias 19 (terça), 20 (quarta) e 21 (quinta) de setembro de 2017, das 09 às 17 horas, em São Paulo-SP, no Hotel Paulista Wall Street

(Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)