Setor sucroenergético

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Refinarias à venda

Em encontro fechado com investidores na última semana, em São Paulo, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou que a empresa está concluindo a modelagem da venda de ativos na área de refino, como antecipou o RR em 24 de fevereiro.

Segundo Parente, a meta é dar a partida na operação em julho.

Procurada, a Petrobras informou que "o modelo de parcerias no refino está em análise e não há previsão para conclusão desse processo". (Jornal Relatório Reservado 10/04/2017)

 

Para reforçar operação global, trading Alvean capta US$ 400 milhões

Buscando fortalecer suas operações globais já bastante consolidadas e ainda impulsionar seu crescimento, a Alvean, joint venture entre a brasileira Copersucar e a americana Cargill, acertou um empréstimo rotativo sindicalizado de US$ 400 milhões com 21 instituições financeiras na última semana. A trading lidera atualmente a comercialização de açúcar no mundo.

Inicialmente, a Alvean buscou uma captação de US$ 250 milhões, mas como a oferta foi bem recebida pelos bancos convidados para a operação, a empresa acabou captando US$ 400 milhões. A operação foi encabeçada pelos bancos BNP Paribas, Rabobank e Natixis. O empréstimo tem duração de 364 dias.

Em comunicado, a companhia disse que o financiamento servirá para "propósitos de emprego de capital em geral relacionados às atividades de comércio de açúcar da companhia" e "vai apoiar o crescimento de seu negócio".

O diretor financeiro da Alvean, Stefano Tonti, afirmou, em comunicado, que o empréstimo terá "um papel importante em nosso modelo de financiamento crescentemente diversificado, contribuindo para nossa força e resiliência conforme nós entramos na próxima fase de nosso desenvolvimento".

O executivo ressaltou que a interesse elevado dos bancos na operação "demonstra a confiança que nossos bancos têm em nós, em nosso modelo de negócios e nos nossos planos de crescimento para o futuro". Ele destacou o interesse de novos bancos, além das instituições com as quais a empresa já trabalha.

A Alvean foi constituída em 2014 pelas sócias com 50% de participação cada uma sobre seu capital. Na safra brasileira 2015/16, quando operou pela primeira vez em uma temporada do início ao fim ­, comercializou 11,5 milhões de toneladas de açúcar em todo mundo. Esse volume representou uma participação de 30% no mercado internacional naquela safra. No entanto, foi um ciclo em que a trading não registrou resultado positivo nem negativo, conforme informou à época a Copersucar.

Os números da safra brasileira 2016/17, que terminou no último dia 31 de março, ainda não foram divulgados, mas as condições de mercado foram em geral mais favoráveis às tradings. Apesar do surgimento de uma concorrente de peso, a RaW, joint venture entre Raízen e Wilmar, os preços do açúcar ficaram historicamente elevados na safra.

No Brasil, a Alvean adquire açúcar por meio da Copersucar e outros fornecedores e vende no mercado internacional. Na safra 2015/16, a empresa originou 5 milhões de toneladas no país. A trading também atua no Oriente Médio, Estados Unidos, Rússia e nos países da Ásia próximos ao Oceano Pacífico, trabalhando com açúcar bruto como o refinado. (Valor Econômico 10/04/2017)

 

Açúcar: Ainda a Índia

As especulações com a decisão da Índia de autorizar uma cota de importação de 500 mil toneladas de açúcar deram força às cotações da commodity na bolsa de Nova York na última sexta-feira.

Os papéis com vencimento em julho fecharam a 16,74 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 25 pontos.

Embora o volume anunciado tenha ficado abaixo das expectativas de mercado, alguns analistas avaliam que o país realizará novas autorizações ao longo do ano.

Na semana, a commodity acumulou queda de 83 pontos em meio à liquidação de posições vendidas dos fundos e à perspectiva de superávit na oferta mundial em 2017/18.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 73,56 a saca de 50 quilos, com recuo de 0,03%. (Valor Econômico 10/04/2017)

 

Etanol hidratado cai 3,25% e anidro recua 5,27% nas usinas

Na primeira semana da safra 2017/2018 de cana-de-açúcar e com o aumento da oferta de etanol, o preço do hidratado nas usinas paulistas recuou 3,25%, de R$ 1,4842 o litro para R$ 1,4360, o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor do anidro baixou 5,27%, de R$ 1,6798 o litro para R$ 1,5913 litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 10/04/2017)

 

Marcelo Odebrecht usava rede de influências para favorecer setor de etanol

O ex-presidente da Odebrecht e agora delator, Marcelo Odebrecht, em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirma ter sido ‘usado’ pelo setor de etanol para ‘alinhar’ o Ministério da Fazenda e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Em meio a doações oficiais, formação de Caixa 2 e pagamentos de propinas, o presidente afastado da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, acabou criando uma relação de contrapartidas com o governo federal. Entre os tópicos de sua “agenda ampla”, um termo citado em seu depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estão demandas do setor de etanol, envolvendo inclusive a Unica em seu depoimento.

Preso desde 2015 no âmbito das investigações da Operação Lava Jato, o executivo afirmou que era frequentemente contatado por várias grandes empresas com atuação no exterior, que sabiam de sua relação com o até então ministro da fazenda Guido Mantega.

“O setor do etanol também me usava para a relação com Guido. Eu conversava com o Guido e ele colocava os técnicos da Fazenda em alinhamento com a Unica”, confessou ao TSE, referindo-se à União da Indústria de Cana-de-Açúcar, entidade com mais de 120 companhias associadas.

Essa ‘relação’ com o Ministro da Fazenda e, também, com a então presidente Dilma Rousseff fez com que o corregedor-geral eleitoral Herman Benjamin questionasse o papel de Odebrecht como “uma espécie de embaixador do meio empresarial”: “O senhor não se achava meio dono do governo, do poder?”.

Para se defender da provocação, o executivo reagiu alegando que se sentia usado pelo governo, chegando a se referir a si mesmo como “pedinte”, “mendigo” e “otário”. Como exemplo, ele cita os investimentos da Odebrecht em usinas de etanol. “A pedido do governo Lula, nós fazemos um investimento de bilhões no setor de etanol. Aí o governo vai e tira a Cide. Eu passo horas e horas de minha agenda, pedindo, implorando para esse assunto voltar”, afirma.

De acordo com o depoimento, a Odebrecht teria investido R$ 10 bilhões no setor de etanol porque o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria ‘convencido’ Emílio Odebrecht, pai de Marcelo. Com a retirada da cobrança da Cide, em 2013, o executivo alega que a empresa teria sido ‘destruída’ pelo governo. “Eu passo horas e horas de reunião com Guido e falo: ‘Pô, Guido, vocês têm que voltar com a Cide’. Aí, ele vai e diz o seguinte: ‘Ah, mas se voltar tem inflação’”, complementa o executivo.

"A gente investiu 10 bilhões de reais no setor de etanol. (...) Aí o governo vai e tira a Cide!? Destruiu a gente! (...) Aí, eu contrato estudos da FGV, junto com a Unica. Quer dizer, na verdade, é só pegar minha agenda, minha agenda é de pedinte! Eu, no fundo, não era o dono do governo, eu era o otário do governo"

Além das reuniões com o ministro, Odebrecht também menciona a contratação de um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em conjunto com a Unica. Em setembro de 2013, a entidade representante do setor sucroalcooleiro realmente acabou apresentando um estudo produzido pela FGV em que defendia a retomada de uma tributação diferenciada entre etanol e gasolina. Entre os argumentos adotados estavam ganhos de ordem econômica, social, ambiental e de saúde pública. “O estudo da FGV mostra que uma tributação adicional sobre a gasolina pode reduzir a inflação, desde que os recursos arrecadados sejam utilizados para subsidiar as tarifas de transporte público”, resumia a Unica em nota da época.

Em dezembro de 2013, Guido Mantega chegou a declarar que a cobrança do imposto sobre a gasolina retornaria em 2014, quando a gasolina estivesse em um “patamar mais confortável”. A Cide, no entanto, voltou a ser cobrada apenas em janeiro de 2015.

Procurada pelo novaCana, a Unica alegou que “faz um trabalho legítimo de defesa dos interesses do setor sucroenergético em diversos níveis do governo”. A entidade confirmou que contratou o estudo da FGV com o objetivo de avaliar os impactos da Cide sobre a inflação. “Esse levantamento seria apresentado posteriormente a técnicos do Ministério da Fazenda. O estudo foi pago pela entidade”, completou a Unica.

Já a FGV disse desconhecer o teor do depoimento de Marcelo Odebrecht, apesar do novaCana ter enviado as informações do TSE para a fundação.

Usinas sucroenergéticas

Um dos pontos que Marcelo Odebrecht tem dificuldades em esclarecer durante seu depoimento é o nome das empresas do grupo que estariam envolvidas no financiamento de campanhas eleitorais, seja para Caixa 1 ou Caixa 2. Ele, contudo, explica que era determinado um ‘limite global’ que, depois, seria dividido entre as diversas empresas.

“O problema é o seguinte: cada usina de etanol é uma empresa. Aí, você distribui. Porque você vai usando os limites que cada um tem”, afirma. Odebrecht ainda explica que muitas empresas não podem ser oficialmente doadoras para campanhas por serem concessionárias, de modo que outras companhias precisam ser utilizadas. “Como era criminalizado, a gente evitava de algumas empresas aparecerem doando”, completa.

O depoimento, entretanto, não detalha quantas e quais empresas ligadas à Odebrecht Agro participaram do esquema de financiamento eleitoral e em quais campanhas. Nas eleições presidenciais de 2014, Brenco, Destilaria Alcídia, Agroenergia Santa Luzia, Usina Conquista do Pontal e Usina Eldorado, todas da Odebrecht Agroindustrial, fizeram doações oficiais para as campanhas de diversos candidatos, somando R$ 4,5 milhões. Desse total, o PT recebeu R$ 2,7 milhões e o PSB recebeu R$ 500 mil.

O depoimento de Marcelo Odebrecht ao TSE está em:

https://www.novacana.com/pdf/marcelo-05-04-17.pdf (NovaCana e Site da Única 05/04/2017)

 

Estudo desvenda como hormônio aumenta o acúmulo de açúcar na cana

Genes ativados por maturadores químicos podem ser alvos de manipulações futuras para o desenvolvimento de uma variedade de cana que acumule mais açúcar.

Nos canaviais no Brasil é comum a aplicação na cana de reguladores de crescimento ou maturadores químicos, análogos aos hormônios vegetais, com o objetivo de acelerar e aumentar o amadurecimento (acúmulo de sacarose) e inibir o florescimento da planta para prolongar os períodos de colheita e moagem e, dessa forma, aumentar a produtividade e os ganhos econômicos dos canavieiros.

Um grupo de pesquisadores do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em colaboração com colegas do Instituto Agronômico (IAC) e do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), desvendou, agora, como um desses hormônios age em nível molecular na cana, contribuindo para aumentar o armazenamento de sacarose na planta.

Resultado da pesquisa de doutorado da estudante Camila Pinto da Cunha, realizada com Bolsa da FAPESP, e de um projeto apoiado pela Fundação no âmbito do Programa de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), o estudo foi publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

“Identificamos alguns genes que são ativados por um dos principais maturadores químicos utilizados hoje nos canaviais e que podem ser alvos de manipulações futuras por engenharia genética para tentar chegar ao desenvolvimento de uma variedade de cana que acumule mais açúcar”, disse Marcelo Menossi, professor do Departamento de Genética, Evolução e Bioagentes do Instituto de Biologia da Unicamp e coordenador do projeto, à Agência FAPESP.

Os pesquisadores analisaram os efeitos em nível molecular da aplicação de etefom em variedades de cana cultivadas em casas de vegetação.

Primeiro regulador de crescimento utilizado no manejo de culturas agrícolas, hortícolas e florestais no mundo e um dos mais usados para manipular e estimular a maturação da cana, o etefom tem contribuído para aumentar a quantidade de sacarose da planta, inibir a floração e, consequentemente, prolongar os períodos de colheita e moagem.

Esses efeitos do composto químico na cana são atribuídos ao etileno, um hormônio vegetal conhecido por seu envolvimento na maturação de frutos, que é liberado pelo etefom ao penetrar na planta após ser pulverizado.

Por isso, o etileno é considerado uma pista-chave para compreender a regulação da transição do crescimento vegetativo para a fase de amadurecimento da cana, explicou Menossi.

“Apesar de ser sabido que o etileno contribui para aumentar a quantidade de açúcar na cana, ainda não estava claro como a síntese e ação desse hormônio afeta o amadurecimento da planta”, afirmou.

Para estudar a ação do etileno na cana, os pesquisadores pulverizaram etefom e um regulador de crescimento de plantas, chamado aminoetoxivinilglicina (AVG), conhecido como um inibidor do etileno, em exemplares de uma variedade de cana-de-açúcar desenvolvida pelo IAC antes do início do amadurecimento.

Após pulverizar os dois compostos nas plantas, eles quantificaram os teores de sacarose em amostras de tecidos das folhas e do colmo da cana cinco dias após a aplicação e 32 dias depois, na colheita.

Os resultados das análises indicaram que o etefom estimula a acumulação de sacarose em entrenós imaturos da cana. As plantas tratadas com o maturador químico apresentaram maiores níveis de sacarose nos entrenós superiores e médios na colheita.

Já as plantas tratadas com AVG tiveram uma redução de 42% no teor de sacarose.

“Esses dados confirmaram a importância da presença e da ação do etileno para indução de amadurecimento da cana”, disse Menossi.

Genes-alvo

A fim de avaliar a ação do etileno em nível molecular, os pesquisadores também fizeram uma análise do transcriptoma, perfil completo de transcritos, para identificar quais genes foram diferencialmente expressos nas plantas pela ação do etileno durante a maturação da cana.

Com base na combinação dessa análise de transcriptoma das principais enzimas envolvidas na regulação do metabolismo da sacarose e do perfil hormonal das plantas pulverizadas com etefom e AVG, eles conseguiram identificar genes-alvo do etileno, além da ação do hormônio em locais de acúmulo de sacarose na planta. Além disso, também propuseram um modelo molecular de interação do etileno com outros hormônios.

O etileno ativou um número significativo de genes de vias hormonais exclusivamente no colmo das plantas. Dentre essas vias hormonais destacaram-se aquelas envolvidas justamente com o etileno e também com o ácido abscísico, um outro fator de maturação da cana, e de vias da giberelina e da auxina, hormônios que atuam no alongamento do colmo e que afetam o florescimento e gemas laterais da planta, explicou Menossi.

“Sabendo quais genes o maturador modula para que a planta aumente o acúmulo de sacarose será possível fazer melhoramentos genéticos na cana e desenvolver variedades que expressem mais esses genes, sem a necessidade de aplicação do etileno, por exemplo”, vislumbrou o pesquisador.

“Além disso, pode ser possível identificar em um conjunto de variedades de cana aquelas que mais expressam esses genes e que facilitam a ação do maturador, uma vez que há variedades de cana que não respondem bem à aplicação de hormônio”, afirmou.

 

Após sequência de quedas, preços do açúcar voltam a subir no mercado internacional

Mesmo com o anúncio da importação de açúcar da Índia, as cotações da commodity no mercado internacional fecharam esta quinta-feira (6), em alta. "Alguns analistas acreditam que o país precisará abrir novas cotas com isenção de imposto, já que a quebra da safra de cana no país (Índia) reduziu a oferta de açúcar", divulgou o jornal Valor Econômico de hoje (7).

Também de acordo com o jornal, há previsões do banco Pine, de um retorno do El Niño no segundo semestre, o que coloca em risco o otimismo com a próxima safra.

Na bolsa de Nova York, o vencimento maio/17 subiu 35 pontos, com negócios firmados em 16.45 centavos de dólar por libra-peso. A tela julho/17 fechou cotada a 16.49 centavos de dólar por libra-peso, alta de 25 pontos. Os demais vencimentos terminaram a sessão valorizados entre 15 e 21 pontos.

Em Londres, o dia também foi de alta. O vencimento maio/17 teve o açúcar comercializado a US$ 473,60 a tonelada, alta de 9,40 dólares. O lote agosto/17 subiu 6,40 dólares na sessão de ontem, cotado a US$ 466,10 a tonelada. Os demais contratos subiram entre 3,60 e 5,10 dólares.

Mercado interno

O açúcar sofreu sua segunda queda consecutiva ontem, segundo índices medidos pelo Cepea/Esalq, da USP. A saca de 50 quilos do tipo cristal teve queda de 1,09% no mercado doméstico, com negócios firmados em R$ 73,58.

Etanol

Os preços do etanol vivem um sobe e desce desde segunda-feira (3). Ontem, o indicador da Esaql/BVMF apontou uma alta de 0,37% nos preços do biocombustível, que foi vendido a R$ 1.499,00 o metro cúbico. (UDOP 07/04/2017)

 

Liberação de importação desagrada produtores de açúcar da Índia

A decisão da Índia de liberar a importação de 500 mil toneladas de açúcar, sem taxas, para elevar os estoques internos não agradou os produtores. Muitos deles estão pressionando o governo para desistir da ideia. "As importações baratas levarão ao desespero os agricultores já atingidos pelos problemas na safra de cana", disse o presidente de um grupo de produtores do país, Rakesh Tikait.

Ele afirmou que há estoques suficientes de açúcar da safra anterior. A importação livre de impostos vai ser permitida até 12 de junho, de acordo com a notificação do governo enviada ao parlamento. Atualmente, a taxa no país é de 40%, o que tem evitado as compras no exterior do alimento.

As lavouras de cana-de-açúcar em janeiro e fevereiro nos Estados de Maharashtra e Karnataka "acabaram ficando substancialmente abaixo do que estava previsto", disse a Associação das Usinas de Cana-de-Açúcar da Índia (Isma). A temporada do alimento no país vai de outubro a setembro.

A safra de açúcar no país, segunda maior depois do Brasil, deve ser de 22,5 milhões de toneladas neste ciclo. A estimativa é inferior aos 25,1 milhões de toneladas da temporada passada, segundo o Ministério de Agricultura do país. A Isma projeta uma produção menor, de 20,3 milhões de toneladas. (Dow Jones 07/04/2017)

 

O etanol não pode esperar

Estamos jogando fora a vantagem comparativa que temos no campo da energia.

O setor sucroalcooleiro nacional, que já passou por diferentes ciclos desde o advento do Proálcool, vem enfrentando um longo período de crise, motivado, em grande medida, por má gestão governamental. A inexistência de ações concretas do governo atual para a recuperação efetiva da competitividade do etanol afasta cada vez mais a esperança de inversão desse cenário.

O caminho traçado até a atual configuração do setor sucroalcooleiro é conhecido, mas vale recordar. O último ciclo de prosperidade do setor e, sobretudo, do etanol teve fim com o anúncio da descoberta do petróleo do pré-sal e a crise econômica mundial de 2008. Desde então, o setor desacelerou as suas atividades e paralisou investimentos, mergulhando num período de crise, que persiste até os dias de hoje, motivado por uma soma de políticas equivocadas do governo.

Uma delas foi a política de controle de preços dos combustíveis fósseis, que, somada a desonerações, como o fim da Cide em 2012, subsidiou o preço da gasolina por um longo período, estimulando seu maior consumo e comprometendo a competitividade do etanol. Acometido pelos efeitos nocivos da política de preços do combustível fóssil, o setor sucroalcooleiro padeceu com aumento da dívida e corte na expansão dos investimentos e da produção. O resultado foi uma crise generalizada, que, em seu ápice, levou a dívidas de cifra próxima de R$ 100 bilhões e ao encerramento de atividades em dezenas de usinas por problemas financeiros.

Em 2015, o aumento nas vendas de etanol acendeu uma luz no fim do túnel para o setor. Esse cenário resultou de três principais fatores: a volta da cobrança da Cide e a desoneração das alíquotas do PIS/Cofins sobre o etanol; os reajustes da Petrobrás no preço de refinaria; e mudanças nos regimes de ICMS para o etanol e a gasolina em alguns Estados. No fim de 2016, a nova política de preços da Petrobrás soou positiva ao setor sucroenergético, por dar certa previsibilidade à cotação dos produtos. No entanto, o fim da desoneração do PIS/Cofins e a manutenção de um valor baixo da Cide, que não incorpora as externalidades positivas do etanol, mantiveram o combustível renovável esquecido pelas políticas do governo.

Por isso, o resgate do setor sucroalcooleiro precisa ir além e passar por incentivos sólidos e direcionados, que não foram vislumbrados até o momento.

Um exemplo é a permanência da utilização errônea da Cide. Ela deve ser usada como um imposto ambiental, excluindo-a da preocupação de controle inflacionário. Esse acréscimo da Cide no preço da gasolina deve refletir a sua característica fóssil e incentivar o consumo do etanol, combustível limpo e renovável.

A baixa competitividade do etanol e a falta de ações concretas levam os produtores a optarem pela maior produção de açúcar, ampliando a oferta global e forçando para baixo o preço internacional da commodity. A queda do preço externo, combinada à valorização do real, em 2016, reduziu fortemente a atratividade das exportações do açúcar, pressionando os preços internalizados em reais. Atualmente, o preço do açúcar de uso caiu de US$ 0,23 para abaixo de US$ 0,17 por libra-peso, mais de 20% de queda, levando o País a perder cerca de US$ 2 bilhões em receita de exportação por ano, o que é incrível e muito ruim.

Por enquanto, o Programa RenovaBio só apresenta intenções, sem nenhuma ação concreta. Isso vem provocando destruição de valor no setor sucroalcooleiro. Por fim, essa política errática levará a importações crescentes de gasolina e, pasmem, à importação de etanol americano em 2017. Isso sem falar no não cumprimento das metas ambientais acordadas na COP-21, em Paris. Estamos jogando fora a vantagem comparativa que o Brasil tem no campo da energia.

É isso que o País precisa e deseja? (O Estado de São Paulo 08/04/2017)

 

Açúcar: Mercado fecha em tímida alta após oito semanas de baixa

Após oito semanas consecutivas fechando em baixa, o mercado futuro de açúcar em NY conseguiu tomar fôlego e terminou o pregão de sexta-feira com um ponto de alta em relação à semana anterior. O vencimento maio/2017 encerrou a semana cotado a 16.77 centavos de dólar por libra-peso. O último final de semana encerrado com alta havia sido o de 3 de fevereiro passado quando NY fechou a 21.11 centavos de dólar por libra-peso. De lá para cá, um derretimento de 434 pontos, pouco mais de 95 dólares por tonelada de queda. Um jejum de oito semanas como o que foi quebrado nesta sexta-feira, se repetiu em julho 2014. Teremos chegado ao fundo do poço?

Nesse nível de preço, contas começam a ser feitas pelas usinas acerca da competitividade do etanol comparativamente ao açúcar de exportação. Sabe-se que para as usinas, no início de safra, faz muito mais sentido, do ponto de vista financeiro, produzir etanol. O valor líquido de entrada no necessitado caixa da usina no começo da safra é mais alto com o etanol. Com o açúcar de exportação, o produto é pago no ritmo de entrega da usina às tradings.

No entanto, o nível de preço de 16 centavos de dólar por libra-peso passa a criar uma demanda por açúcar e limitar expansões de produção em países competidores. Consumidores industriais, no Brasil, começam a fixar seus preços para não correr riscos desnecessários adiante. Portanto, difícil acreditar que o mercado caia abaixo desse suporte, dada as condições atuais.

É muito comum nos mercados futuros de commodities ouvirmos uma imensa gritaria por parte dos produtores quando os fundos derrubam os preços da mercadoria. Eles se revoltam e ficam inconformados com a “manipulação de preços” causada pelos fundos. “É uma vergonha”, exageram uns. No entanto, quando esses mesmos fundos, pela força que representam em conjunto, elevam os preços para patamares nunca antes vistos, sem nenhuma razão fundamentalista consistente, aí não tem problema. “São os fundamentos”, exageram outros. E assim o mercado vai.

O que ocorre hoje é que aqueles pontos que podiam ser determinantes para a continuação de uma queda parecem estar perdendo fôlego. Os fundos não-indexados estão comprados em 36,500 lotes, quando se pensava que eles liquidaram suas posições quando o mercado despencou 140 pontos. Aqui, parece-me que pode ter havido fixações por parte de algumas usinas alimentadas pelo pânico.

O desempenho do mercado de açúcar em NY durante o mês de março foi abaixo da estimativa do nosso modelo de previsão de preços. Pelo nosso modelo, o preço médio do fechamento do primeiro vencimento do açúcar no mês de março seria de 19.07 centavos de dólar por libra-peso. A realidade foi mais cruel: o preço médio real foi de 18.06 centavos de dólar por libra-peso. Para o mês de abril e maio, o modelo aponta preços médios de 17,02 e 16,51 centavos de dólar por libra-peso, respectivamente.

Em 17 de fevereiro, no Archer Sugar View, relatório enviado aos clientes, dissemos que o modelo apontava, com 95% de segurança, que o preço médio de março ficaria entre 17.78 e 20.93 centavos de dólar por libra-peso. Parece que o mercado antecipou a queda e os próximos meses devem ser menos turbulentos.

A décima estimativa de fixação de preços de exportação das usinas no mercado futuro de açúcar em NY, para a safra 2017/2018 mostra, de acordo com o modelo desenvolvido pela Archer Consulting, que até o final de março de 2017, 17,071 milhões de toneladas já haviam sido fixadas (64.4% da exportação estimada de 26.5 milhões de toneladas).

O preço médio apurado foi de 17.73 centavos de dólar por libra-peso. O valor médio de fixação até o momento é de R$ 1.503,90 por tonelada FOB incluindo o prêmio de polarização e considerando as NDFs (contratos a termo de dólar com liquidação financeira). O preço médio acumulado é de 65,47 centavos de reais por libra-peso, sem prêmio de polarização, representando um aumento de 18.84% em relação ao preço médio da safra 2016/2017 e de 58.27% comparado à safra 2015/2016.

Anote na sua agenda: o XXVIII Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos – Commodities Agrícolas (em português) da Archer Consulting, vai ocorrer dias 19 (terça), 20 (quarta) e 21 (quinta) de setembro de 2017, das 09 às 17 horas, em São Paulo-SP, no Hotel Paulista Wall Street (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)