Setor sucroenergético

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Volkswagen e suas nuvens de fumaça

Na Volkswagen do Brasil, a discussão já não é mais “se” e sim “quando” será convocado o recall das 17 mil picapes Amarok fabricadas entre 2011 e 2012.

Os veículos foram produzidos com o dispositivo criado pelos alemães para mascarar a emissão de gases poluentes, escândalo mundialmente conhecido como "dieselgate".

A montadora tentou segurar ao máximo o recall, e consequentemente a confissão de culpa, à espera do recurso contra a multa aplicada pelo Ibama.

Na última sexta-feira, no entanto, o órgão ambiental confirmou a sanção de R$ 50 milhões.

Há um agravante: a Volkswagen havia garantido às autoridades que o sistema estava desativado no país.

Após os testes, no entanto, o Ibama descobriu que a companhia mentia duas vezes. (Jornal Relatório Reservado 11/04/2017)

 

Cana-de-açúcar ganha novas soluções para o controle dos nematoides

Presentes em mais de 70% das áreas de cultivo de cana-de-açúcar no país, os nematoides podem reduzir de 10 até 50% a produtividade do canavial.

A FMC Agricultural Solutions, preocupada em atender os clientes com máxima eficiência, realiza uma ação com o objetivo de discutir a incidência dos Nematoides na cana-de-açúcar. Trata-se do Tour Comando Nematoides, que será realizado entre os dias 11 e 19 de abril nas cidades de Ivinhema-MS, Paraguaçú Paulista-SP, Araçatuba-SP, e Araraquara-SP.

Os produtores e equipes das cooperativas dessas regiões estão convidados a conhecer a história da FMC no controle de nematoides, os resultados da safra de cana-de-açúcar 2015/2016 e as características e benefícios do nematicida Marshal Star e do bionematicida Quartzo. Serão realizados dias de campo em propriedades que utilizam os produtos para que os participantes reconheçam os benefícios das soluções FMC, além de palestras técnicas com o time de consultores da companhia. Nos dias 18 e 19, o Nematologista Jaime Maia, irá ministrar uma palestra sobre “Impactos causados pelos nematoides e a importância do controle desta praga”.

“A FMC investe no manejo de nematoides há mais de 40 anos. Essa ação será uma oportunidade de apresentarmos novas soluções e os benefícios que essas tecnologias promovem ao negócio das usinas e produtores. São esperados 80 participantes em cada encontro e acredito que iremos auxiliar os produtores, tirando dúvidas e apresentando produtos que irão potencializar sua rentabilidade e produtividade”, pontua Vinicius Batista, Gerente Regional de Marketing da FMC.

O Marshal Star é o inseticida nematicida mais concentrado do mercado, com alta sistemicidade e efeito rápido, proporcionando resultados excelentes de incremento em produtividade, características que permitem a criação do novo conceito que será apresentado: tratamento de sulco de plantio com foco em ganhos de TCH. Já o Quartzo é um produto biológico com alta eficácia de controle de nematoides, podendo ser aplicado no momento do plantio, transplante de mudas, durante o ciclo de cultivo ou após a colheita. É recomendado para qualquer cultura com presença de Nematoide-das-lesões (Pratylenchus zeae e P. brachyurus) e Nematoides-das-galhas (Meloidogyne incognita e M. javanica). (Cana Online 10/04/2017)

 

Pesquisa da UFSCar identifica fungos para aumentar a produção de etanol

Isolamento de levedura ideal para o ambiente da usina otimiza o processo de fermentação do combustível

Uma pesquisa desenvolvida por estudantes e professores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) avalia alternativas para aumentar a produção de etanol. Foram identificados alguns fungos usados na fabricação que podem tornar o processo mais eficiente. Com mais oferta no mercado, a tendência é que os preços caiam.

Os pesquisadores do curso de biotecnologia descobriram uma forma de melhorar a fabricação do combustível a partir da seleção de um fungo, usado na transformação do açúcar do caldo de cana em combustível. Geralmente vão para o tanque vários tipos desses fungos, chamados de leveduras. Nessa mistura tem as boas, mas também as ruins no processo de fermentação, porque interferem na capacidade de produção.

O problema pode ser resolvido quando é isolada uma levedura ideal para o ambiente da usina. "Leveduras que se desenvolvem bem em uma determinada usina, muitas vezes não se desenvolvem com a mesma capacidade numa usina, às vezes vizinha", disse o pesquisador da UFSCar Anderson Ferreira da Cunha.

Segundo os pesquisadores, a padronização do processo pode levar a uma redução de custos. Durante a pesquisa, foram coletadas amostras de várias usinas do Estado de São Paulo. Na usina São Luís, em Ourinhos, eles conseguiram identificar uma levedura que pode aumentar a produção em até 20%, isso porque ela levou menos tempo para transformar o açúcar em etanol.

“Essa levedura não é a que foi adicionada ao processo no início, foi uma levedura que veio ao longo do processo e que permaneceu nos tanques durante muito tempo. Então o isolamento dessa provavelmente faz com que o processo seja mais adequado para essa usina”, disse o pesquisador.

Andamento

O estudo teve início em 2009 e até o momento os pesquisadores já identificaram quatro tipos de leveduras capazes de suportar temperaturas mais altas, acima dos 40 graus.

Como os tanques de fermentação trabalham entre 30 e 33 graus, isso permite reduzir os custos porque serão usados menos equipamentos para resfriar e com temperaturas mais elevadas, as leveduras consideradas ruins não conseguem sobreviver.

Outra vantagem apontada pela pesquisa é que o tempo de produção deve ser otimizado, de oito horas para seis. "Uma vez que você vai ter menos oscilações do processo, vai ter provavelmente leveduras que transformem a mesma quantidade de açúcar na mesma quantidade de etanol, mas num tempo menor do que as atualmente empregadas, com isso você ganharia tempo de processo e uma vez tendo caldo de cana para fermentar, você poderia produzir um volume maior de etanol no mesmo tempo”, disse o professor e pesquisador.

Até o momento, os experimentos foram feitos apenas em laboratório. Os testes na usina devem começar no início de 2018. (G1 10/04/2017)

 

Açúcar: com base na sexta, abriu em alta nesta segunda (10) em NY

A sessão da bolsa da bolsa de Nova York da última sexta-feira (7), fechou com alta nas cotações do açúcar, devido ainda às especulações com a decisão da Índia de autorizar uma cota de importação de 500 mil toneladas da commodity. No vencimento maio/17, os preços fecharam em 16.77 centavos de dólar por libra-peso, um aumento de 32 pontos. As demais telas também registraram alta.

"Embora o volume anunciado tenha ficado abaixo das expectativas de mercado, alguns analistas avaliam que o país realizará novas autorizações ao longo do ano", diz ainda a nota publicada no jornal Valor Econômico sobre a importação da Índia.

O diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Côrrea, afirma em sua análise semanal que, desde fevereiro, o pregão de Nova York não encerra uma semana com os preços em alta. "De lá para cá, houve um derretimento de 434 pontos, pouco mais de 95 dólares por tonelada de queda. Um jejum de oito semanas como o que foi quebrado nesta sexta-feira", explicou.

"O desempenho do mercado de açúcar em NY durante o mês de março foi abaixo da estimativa do nosso modelo de previsão de preços. Pelo nosso modelo, o preço médio do fechamento do primeiro vencimento do açúcar no mês de março seria de 19.07 centavos de dólar por libra-peso. A realidade foi mais cruel: o preço médio real foi de 18.06 centavos de dólar por libra-peso. Para o mês de abril e maio, o modelo aponta preços médios de 17,02 e 16,51 centavos de dólar por libra-peso, respectivamente", completou o artigo de Côrrea.

Em Londres, o preço do açúcar no vencimento maio/17 fechou a sexta-feira com alta de 10,40 dólares, sendo a tonelada vendida a US$ 484,00. A tela agosto/17 fechou em US$ 472,70 a tonelada, valorização de 6,60 dólares. As demais cotações subiram entre 4,10 e 5,60 dólares.

Mercado doméstico

Já no mercado interno, o açúcar fechou a semana desvalorizado. Na sexta-feira (7), a saca de 50 quilos do tipo cristal foi vendida a R$ 73,56, baixa de 0,03%, segundo índices do Cepea/Esalq, da USP. (Cepea / Esalq 10/04/2017)

 

EPE estuda mudança em prazos de contratos em leilões de energia

A estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE) tem conduzido estudos sobre a possibilidade de alterar o prazo de duração dos contratos de venda de energia oferecidos a investidores em leilões públicos para viabilizar novas usinas de geração no Brasil, disse à Reuters um representante da instituição.

Nos últimos certames, realizados no ano passado, foram fechados contratos de 30 anos para a compra da produção futura de hidrelétricas e 20 anos para outras fontes, como parques eólicos e termelétricas.

O assessor da presidência da EPE, Rafael Ferreira, disse que não existe atualmente "nenhuma iniciativa de mudança imediata", mas ressaltou que o órgão busca avaliar quais seriam os "prazos ótimos" para os contratos nos próximos certames-- "nem longos nem curtos demais".

"A EPE conduz estudos contínuos sobre possíveis aprimoramentos aos leilões de energia, e entre os tópicos estudados estão os prazos dos contratos", resumiu.

Segundo Ferreira, a EPE avalia que contratos muito longos podem se tornar caros para o consumidor à medida que surgem novas tecnologias ou devido à indexação dos preços à inflação, atualmente prevista nos acordos.

Por outro lado, contratos muito curtos também não são positivos, uma vez que tendem a elevar o custo da energia, conforme o gerador precisa recuperar seu investimento em menor período de tempo.

"Os prazos de contratos prevalentes em diversos outros mercados são inferiores àqueles praticados nos leilões no Brasil. Mas a maior parte destes países tem características distintas... Sendo assim, não é imediato transferir a sua experiência para o Brasil", ressaltou.

Segundo Ferreira, as análises sobre o tema têm sido conduzidas não de modo isolado, mas dentro de "um contexto mais amplo de análise de alternativas" para a evolução da regulação do setor elétrico.

"Soluções integradas neste sentido requereriam também a adoção de medidas para incrementar a credibilidade dos preços de curto prazo e valorar adequadamente os produtos e serviços entregues por geradores ao mercado, o que poderá abrir espaço para ajustar os prazos de contratos", disse.

Avanços na metodologia de cálculo dos preços da energia no mercado de curto prazo, ou Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), já estão em andamento. O governo deve implementar a partir de maio novos parâmetros para o PLD, que deverá ainda sofrer novos aperfeiçoamentos em 2018 ou 2019.

Transição difícil

O professor do Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GEE-UFRJ), Edmar de Almeida, avalia que a mudança em estudo na EPE para os contratos de energia tem méritos, mas é complexa e precisa ser conduzida com cuidado para não secar o financiamento aos projetos.

"Tem vantagens em se fazer contratos menores, porque esses contratos de 20, 30 anos podem parecer competitivos, mas depois de 10 anos o preço da energia reajustado pela inflação pode ficar mais caro que novas fontes", ponderou.

Por outro lado, ele ressalta que prazos menores nos contratos exigiriam maior aporte de capital dos investidores nas usinas, o que pode limitar a concorrência em um momento em que o Brasil passa por uma enorme recessão que torna o crédito caro e escasso.

"Talvez o setor tenha amadurecido e isso tenha maior viabilidade agora, mas é uma coisa a ser estudada com cuidado, para você não estancar o investimento... acho que não é um momento muito favorável para fazer isso, apesar do mérito da medida. Estudar não faz mal, mas entendemos que a situação de financiamento não é tão fácil assim".

Mudanças no BNDES

Segundo Ferreira, os novos prazos em estudo para contratos de energia levam em conta mudanças em curso nas políticas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que anunciou no final de março que a Taxa de Longo Prazo (TLP) substituirá a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) nos financiamentos contratados a partir de 2018.

A TLP deverá convergir gradualmente para um valor equivalente à variação da inflação (medida pelo IPCA) e mais uma taxa de juros real prefixada de acordo com o rendimento real das notas do Tesouro Nacional-Série B (NTN-B).

Na prática, isso significa que os empréstimos do BNDES ficarão mais caros, reduzindo os subsídios destinados pelo governo federal aos empréstimos do banco.

As análises da instituição sobre os prazos dos contratos de energia não foram desencadeadas pelos anúncios do BNDES sobre a mudança nos financiamentos, "ainda que os levem em conta", disse Ferreira, da EPE. (Reuters 10/04/2017)

 

Marcelo Odebrecht relata pagamento de R$ 13 mi em espécie para Lula

O empresário Marcelo Odebrecht prestou nesta segunda (10) o primeiro depoimento ao juiz Sergio Moro depois de fechar delação premiada.

Herdeiro do grupo Odebrecht, Marcelo reafirmou que Lula tinha o apelido de "Amigo" em suas anotações, segundo a Folha apurou.

Ele detalhou que a empreiteira tinha uma conta com esse codinome usada para fazer repasses vinculados ao ex-presidente.

Entre os repasses informados por Marcelo no depoimento estão pagamentos feitos ao Instituto Lula que seriam usados em um prédio que abrigaria a entidade e também R$ 50 milhões direcionados à campanha de Dilma Rousseff por meio do ex-ministro Guido Mantega.

Ele também relatou o repasse de R$ 13 milhões em espécie que teriam sido entregues ao ex-presidente. Segundo a Folha apurou, o empresário disse que o dinheiro saiu da conta "Amigo" e foi pago em parcelas ao longo de 2012 e 2013. Na planilha da Odebrecht esses pagamentos aparecem associados a "Programa B", referência a Branislav Kontic, assessor do ex-ministro Antonio Palocci, e está dividido em seis vezes.

A reportagem apurou que Marcelo reafirmou que Palocci, que foi ministro nas gestões Lula e Dilma Rousseff, era o "Italiano" apontado em planilha de repasses de propina da empresa.

O empresário detalhou os mecanismos de pagamento de vantagens indevidas a Palocci que, segundo ele, era o principal interlocutor da empresa no governo Lula.

A íntegra do depoimento está sob sigilo, assim como o acordo de delação premiada dos executivos da empreiteira, que ainda não foi tornado público pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

O interrogatório fez parte da ação contra Palocci, acusado de interceder em favor dos interesses da empreiteira. Ele foi mencionado em planilhas apreendidas na empreiteira que demonstram o pagamento de R$ 128 milhões em vantagens indevidas, segundo a denúncia.

Marcelo apontou Mantega como o sucessor de Palocci no contato com a Odebrecht, sendo ele o "Pós-Itália" na planilha apreendida pela PF.

O advogado Nabor Bulhões, que defende Marcelo, não conversou com a imprensa sobre a audiência. Durante o interrogatório, Moro foi informado da publicação de trechos da audiência na imprensa. Ele prometeu apurar o vazamento.

OUTRO LADO

O Instituto Lula disse que o ex-presidente nunca pediu valor indevido à Odebrecht. "Lula não tem nenhuma relação com qualquer planilha na qual outros possam se referir a ele como "Amigo" (...) Por isso não lhe cabe comentar depoimento sob sigilo de Justiça vazado seletivamente e de forma ilegal."

O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, não quis comentar o teor da audiência, sob o argumento de que ela está em segredo de Justiça. Ele vem afirmando que o ex-ministro é inocente e que "Italiano" não se refere a Palocci, mas "é um apelido em busca de um personagem".

Mantega tem negado irregularidades (Folha de São Paulo 11/04/2017)