Setor sucroenergético

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Rumo Logística vende bilhetes para o seu capital

O empresário Rubens Ometto Silveira Mello vai buscar parceiros para viabilizar o plano de investimentos da Rumo Logística, que prevê o desembolso de R$ 8 bilhões até 2020. A idéia original de trazer um sócio exclusivamente para a Malha Sul, uma das concessões do grupo, começa a dar lugar a um projeto mais amplo, que passa pela capitalização da própria holding.

Ometto trabalha com duas possibilidades: uma oferta de ações em bolsa ou a venda direta de uma participação para um investidor. Se uma operação restrita à Malha Sul tem potencial para a captação de aproximadamente R$ 2 bilhões, conforme estimativas do grupo, a negociação de parte do capital da Rumo poderia elevar essa cifra para algo próximo de R$ 5 bilhões.

Seja qual for o trajeto escolhido, toda a operação está ancorada na renovação antecipada das concessões da Rumo Logística. Após diversos ziguezagues nas negociações com o governo, ou melhor os governos de Dilma Rousseff e Michel Temer, a expectativa da companhia é que a prorrogação da licença da Malha Paulista saia até junho, quando o TCU dará o parecer final após o pronunciamento da ANTT.

Segundo fonte do próprio Tribunal de Contas, a extensão será aprovada, assim como um acordo para o pagamento de valores atrasados referentes à concessão. A cifra da ordem de R$ 1 bilhão é alvo de uma disputa jurídica entre a empresa e União. Na teia de trilhos que compõe sua rede, a Rumo vai se dedicar ainda à renovação antecipada da concessão da Malha Sul, herdada com a incorporação da América Latina Logística, em 2015.

O atual contrato vence em 2027, mas, a exemplo da Malha Paulista, pode ser estendido até 2057, conforme o edital original de privatização da rede ferroviária federal. (Jornal Relatório Reservado 17/04/2017)

 

Fazenda mudou decreto para setor de etanol após intervenção, diz Odebrecht

Marcelo Odebrecht disse em depoimento de delação premiada que tinha influência nas decisões do governo devido à relação que mantinha, por exemplo, com Guido Mantega.

O empresário Marcelo Odebrecht, ex-presidente da construtora Odebrecht, afirmou em depoimento que interviu junto ao então ministro da Fazenda Guido Mantega para que fosse alterado o texto de um decreto que tratava de benefícios para produtores de etanol.

O delator disse aos investigadores que, a pedido dele, técnicos do Ministério da Fazenda se reuniram com representantes da União da Indústria de Cana de Açúcar (Única), associação que representa os produtores de açúcar e etanol, para “vir um pacote razoável” para o setor.

A declaração foi dada em depoimento ao Ministério Público Federal, dentro de acordo de delação premiada no âmbito da Lava Jato.

“Eu tinha uma reunião de Guido [Mantega] por outra razão. Quando eu estava esperando Guido, essa reunião foi em Brasilia, eu estava esperando ele naquela ante sala que tem uma sala de reunião, ele entra pela sala dele. Eu não me lembro quem, mas alguém da equipe dele disse: 'Ó, Marcelo, esse é o decreto do pacote do etanol que vai sair amanhã'. Aí eu li rápido e disse: 'Isso não resolve, não é nada disso. Aí o governo vai dizer que fez o pacote e não vai resolver'. Em seguida, eu tive a reunião com o Guido e disse: 'Segura esse negócio e vamos botar os técnicos da Única e o seu pessoal [do Ministério da Fazenda] pra resolver esse assunto e vir um pacote razoável'. E aí foi feito isso”, relatou Odebrecht aos investigadores.

Na sequência, Odebrecht avalia que o pedido de benefício pelo setor de etanol “era legítimo”, mas que “o pacote ia sair prejudicado” se não fosse pela influência dele junto ao governo, em especial junto ao então ministro Mantega.

“Quer dizer, é aquela história: era legítimo, mas com certeza se eu não tivesse esse acesso [a Mantega], o pacote ia sair e ia ser prejudicado. Então, eu consegui isso, teve a reunião [entre técnicos da Fazenda e da Única], foi o pacote que saiu junto com o REIQ. Esse foi um exemplo”, afirmou Odebrecht. REIQ é o Regime Especial da Indústria Química, que dá benefícios às empresas do setor.

"Infelizmente ele via isso como um benefício que ele estava dando pra gente, com certeza pesava na cabeça dele quando ele fazia um pedido pra doar de campanha e algumas coisas, não tudo, eu conseguia resolver por esses acesso que eu tinha a ele. Quer dizer, se tivesse uma empresa ou um setor que não tivesse esse acesso, que não tivesse esse compromisso que eu tinha com eles, provavelmente não tinha resolvido. [...] O que foi resolvido com certeza teve peso importante no fato de que eu tinha esse acesso a ele", completou. (G1 17/04/2017)

 

Açúcar: Futuro incerto

As incertezas em relação à oferta mundial de açúcar na safra 2017/18 limitaram a queda da commodity na bolsa de Nova York ontem.

Os papéis com vencimento em julho fecharam a 16,52 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 5 pontos. No Brasil, estimativas privadas indicam a colheita de 582 milhões a 612 milhões de toneladas de cana na safra 2017/18, enquanto para a Índia as previsões são de uma produção de 25 milhões de toneladas de açúcar.

Mas a possível formação do fenômeno El Niño no próximo semestre coloca em xeque essas previsões.

O fenômeno climático provocou um déficit de 4 milhões de toneladas na oferta indiana em 2016/17.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 73,59 a saca de 50 quilos, queda de 0,55%. (Valor Econômico 18/04/2017)

 

Com baixa oferta de qualidade, indicador do açúcar cristal se sustenta

O ritmo de negócios está lento no mercado paulista de açúcar, por conta da demanda enfraquecida. No entanto, os preços do cristal tiveram ligeira alta nos últimos dias.

Segundo pesquisadores do Cepea, ainda que a moagem da cana-de-açúcar da temporada 2017/18 já tenha começado, a oferta do produto de melhor qualidade, tipo Icumsa 150, é pequena, o que tem sustentado as cotações da commodity. Esse cenário é comum no início da safra, uma vez que as usinas passam por ajustes na produção.

No balanço entre 10 e 17 de abril, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal, cor Icumsa entre 130 e 180, permaneceu praticamente estável (leve recuo de 0,1%), fechando a segunda-feira, 17, a R$ 73,59/saca de 50 kg. (Cepea / Esalq 18/04/2017)

 

Marcelo mandou recado a Dilma: "Ela cai, eu caio"

Entre novembro e dezembro de 2014, com a Operação Lava-Jato já batendo à porta das maiores empreiteiras do país, Marcelo Odebrecht, passou a pressionar a então presidente Dilma Rousseff a reagir para ajudar a proteger a companhia e, nas palavras de Marcelo, o próprio governo.

Um documento entregue pelo executivo ao Ministério Público Federal como parte de sua delação traz a seguinte anotação: "Ela cai, eu caio." A nota era um recado de Marcelo à presidente, passado pelo governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).

Quem ajuda a entender a anotação é João Carlos Nogueira, ex-diretor de Crédito à Exportação da Odebrecht e interlocutor de Pimentel. Segundo o relato de Nogueira, era 17 de dezembro de 2014 e Marcelo foi a Belo Horizonte se reunir com o então governador eleito. Levou na bagagem documentos que provavam repasses em caixa dois da empresa à campanha de Dilma à Presidência. "Sempre alertei a presidenta e as pessoas que eu procurei [no governo], mesmo sem tomar consciência do tamanho da exposição. Eu sabia da dimensão do nosso caixa dois. Eu sabia que tinha ido muito caixa dois para o João Santana [marqueteiro do PT]", disse Marcelo em delação.

Nogueira detalha a movimentação de Marcelo. "Marcelo foi lá para demonstrar ao Pimentel que tinha vindo recursos não contabilizados, para que ele [Pimentel] pudesse conversar com ela [Dilma], mostrar que tinha documentos que implicavam o governo federal na crise, para catalisar uma atitude do governo, que não tinha acontecido", disse Nogueira em delação. "Eram tempos desesperadores."

Foi Nogueira quem apresentou Pimentel a Marcelo. Em sua delação, o ex-diretor narra encontros em sua casa unindo Pimentel e Marcelo, além de pelo menos duas ocasiões em que tratou a sós com o governador sobre a Lava-Jato e as possíveis consequências para Dilma e Odebrecht.

"Ele [Pimentel] me disse que iria sondar o governo e que entendia que alguma ação deveria ser feita em função da escalada da crise. Ele entendia a gravidade do cenário", afirmou Nogueira.

O ponto principal de interesse da Odebrecht era que o governo endossasse a iniciativa da construtora Engevix, que também estava na mira da Lava-Jato, para tirar os processos da Justiça Federal de Curitiba, ou seja, do juiz Sergio Moro, e levá-los ao Supremo. "Essa contestação de competência talvez pudesse, não melar [a Lava-Jato], ninguém tinha essa esperança, mas seria menos traumático. Era um controle de danos", disse ele.

A proximidade entre Pimentel e Nogueira era tanta que o governador contou ao executivo da empreiteira sobre uma reunião convocada por Dilma para tratar da crise no governo.

"Pimentel me convidou para almoçar com ele no apartamento dele na Asa Sul, em Brasília. Lá chegando, ele me disse: 'João, hoje à noite haverá uma reunião no Alvorada, de avaliação de crise. Eu estarei. Vou aproveitar essa oportunidade para checar se algo vai ser feito em relação à reclamação da Engevix.'" Tarde da noite, Pimentel enviou uma mensagem via WhatsApp para Nogueira com a resposta: "Providências serão tomadas."

A Justiça vai investigar a tentativa de Pimentel de obstruir a Lava-Jato. O petista teria recebido R$ 13,5 milhões da empreiteira, ao mesmo tempo em que intermediava pedidos da companhia na Presidência. (Valor Econômico 17/04/2017)

 

Odebrecht trouxe “relação lobista contaminada” para setor sucroenergético

Em meio aos escândalos das delações da Odebrecht, professor da Universidade de São Paulo, critica envolvimento do setor sucroenergético: “setor não precisa deste tipo de relação lobista contaminada”.

Envolvidos dos pés à cabeça nas investigações da Operação Lava-Jato, os executivos da Odebrecht realizaram uma série de delações onde explicitaram como funcionava a influência da companhia no governo. A Odebrecht movimentava grandes somas de dinheiro por meio de propinas e doações, legais e ilegais, para campanhas e, assim, criou uma rede de favorecimentos.

Um dos pontos levantados pelo presidente afastado da companhia, Marcelo Odebrecht, é que ele teria levado pleitos do setor ao então Ministro da Fazenda, Guido Mantega, e, inclusive, alinhado’ os técnicos do governo com a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica).

Essa associação entre Odebrecht e as demandas do setor foi vista como uma “relação lobista contaminada” pelo professor Marcos Fava Neves, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). De acordo com ele, em artigo publicado pela União dos Produtores de Bioenergia (Udop), a associação do presidente da Odebrecht e a exigência de contrapartidas governamentais às demandas das companhias sucroenergéticas pesam como um “fato negativo” ao setor.

Entre os pleitos mencionados por Marcelo Odebrecht está o pedido pela volta da cobrança da Cide, no qual ele teria se envolvido por meio de diversas conversas com Mantega e com a contratação de um estudo da FGV em conjunto com a Unica. A entidade confirma que apresentou um levantamento ao ministério, mas garante que o estudo foi pago com recursos da Unica. Sobre o lobby de Odebrecht a entidade não se manifestou.

Além disso, Odebrecht também teria interferido no que chama de ‘pacote do etanol’, que envolve a redução das alíquotas de PIS/Cofins aos produtores do biocombustível. Nesse caso, ele teria sido beneficiado por seu acesso facilitado ao ministro e pela posição de grande doador eleitoral.

“Vamos supor que a Odebrecht não estivesse no setor do etanol. Provavelmente, por mais legítimo que tenha sido isso aqui [a influência no ‘pacote do etanol’], era capaz de sem o acesso que eu tinha a ele, isso aqui não ter saído”, afirmou Marcelo Odebrecht em delação. (Nova Cana 17/04/2017)

 

Açúcar: preços abrem em queda na bolsa Nova York

Os preços do açúcar abriram a sessão desta segunda (17) em queda em Nova York, com o vencimento maio/17, a commodity em10 pontos a menos e cotado a 16,60 centavos de dólar por libra-peso. Na tela julho/17, a retração foi de 17 pontos, com negócios firmados em 16.57 centavos de dólar por libra-peso. O lote de outubro/17 sofreu queda de 22 pontos em comparação ao dia anterior.

De acordo com a análise semanal, feita pelo Diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, "existe a sensação por parte dos participantes do mercado de açúcar que estamos diante de uma encruzilhada. Não é algo novo, mas que se repete em todos os mercados de commodities que vão de um extremo a outro com muita rapidez. A desorientação faz com que fiquemos mais altistas na alta (lembre como tinha gente achando que o mercado ia para 60 centavos de dólar por libra-peso em 2010 quando alcançara 36 centavos de dólar por libra-peso) e mais baixistas na baixa (quando o mercado bateu 10 centavos em agosto de 2015 e tinha gente dizendo que ia para 8 centavos)".

Em seu artigo semanal, ele disse ainda que "acreditamos que o preço médio de NY para abril deva ficar em torno de 17 centavos de dólar por libra-peso (hoje está 16.52 centavos de dólar por libra-peso em 9 pregões) e em maio uma queda de 50 pontos no máximo. No entanto, como modelos falham, pode ser que o mercado já tenha antecipado esse quadro previsto para maio", concluiu Corrêa.

Em Londres, os preços também caíram na última quinta-feira. Na tela maio/17, os negócios foram firmados em US$ 478,30 a tonelada, baixa de 1,40 dólar. Os contatos para agosto/17 fecharam em queda de 2,30 dólares, com preços negociados a US$ 470,30. Nos outros lotes, a desvalorização da commodity oscilou de 3 a 3,60 dólares.

Na sexta-feira (14), as bolsas não funcionaram devido ao feriado da Sexta-feira Santa.

Mercado interno

Na quinta-feira (13), de acordo com os índices do Cepea/Esalq, da USP, os preços do açúcar caíram 0,18% em São Paulo. A saca de 50 quilos do tipo cristal foi vendida a R$ 73,79 no comparativo com o dia anterior. (UDOP 17/04/2017)

 

Preços do etanol voltam a subir nas usinas de SP

Após registrar forte queda na abertura oficial da safra 2017/18, os preços dos etanóis anidro e hidratado voltaram a subir expressivamente na última semana no mercado paulista. Conforme pesquisadores do Cepea, além da demanda, que seguiu aquecida por conta do feriado prolongado de Sexta-Feira Santa, o impulso esteve atrelado às chuvas em algumas regiões do estado, que restringiram a oferta do combustível.

Entre 10 e 13 de abril, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado (estado de São Paulo) foi de R$ 1,4732/litro (sem ICMS e sem PIS/Cofins), alta de 2,6% em relação à semana anterior. Para o anidro, o Indicador Cepea/Esalq subiu 2,7%, a R$ 1,6339/litro (sem PIS/Cofins). (Cepea / Esalq 18/04/2017)

 

Plano para montadoras vai beneficiar carros elétricos

Forçado por derrota recente na Organização Mundial do Comércio (OMC), o governo Michel Temer vai reformular completamente o Inovar-Auto, programa de incentivos à indústria automotiva lançado pela ex-presidente Dilma Rousseff. Batizada preliminarmente de Rota 2030, a nova política de estímulos ao setor terá metas a serem cumpridas ao longo de 13 anos.

Um esboço do programa será apresentado hoje pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) a representantes das montadoras. Os incentivos devem ser atrelados ao cumprimento de metas em algumas áreas, como pesquisa e desenvolvimento em engenharia, eficiência energética e segurança veicular. A formatação da nova política será definida por um grupo interministerial que deve concluir o trabalho até 30 de agosto.

Lançado em 2012, o Inovar-Auto vigora até o fim deste ano e se baseia em mecanismo protecionista: a cobrança de sobretaxa de 30 pontos percentuais no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) das montadoras que não cumprem índices de nacionalização de componentes. Por causa dessa regra, o Brasil foi condenado na OMC. Na nova política, não haverá nenhuma relação entre os estímulos e a exigência de conteúdo local.

Hoje, as alíquotas de IPI para o setor variam de 7% a 25%, conforme o tipo de motor usado no veículo, carros de mil cilindradas e flex pagam menos; automóveis mais potentes e que usem apenas gasolina pagam mais. A possibilidade da tributação deixar de se basear nas cilindradas dos motores abre grande oportunidade para a venda de carros puramente elétricos no país.

Os veículos movidos só a eletricidade são atualmente os mais penalizados pela cobrança do IPI porque as alíquotas se baseiam em cilindradas de motores a combustão, um equipamento desnecessário no carro elétrico, que usa baterias. Por não se enquadrar em nenhuma dessas categorias, o IPI do elétrico é o mais alto, 25%. A nova política deve beneficiar também os carros movidos a etanol. (Valor Econômico 18/04/2017)

 

Superávit comercial chega a US$ 17,8 bi no ano

A balança comercial registrou superávit de US$ 1.829 bilhão na segunda semana de abril. De acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), o resultado decorre de exportações de US$ 4,075 bilhões e importações de US$ 2,246 bilhões no período.

Na primeira quinzena do mês (nove dias úteis), a balança acumula superávit de US$ 3,422 bilhões e, no ano, o saldo positivo chega a US$ 17,840 bilhões.

As exportações acumuladas nas duas primeiras semanas de abril subiram 26,6% na comparação com a média diária registrada no mesmo mês do ano passado. As vendas diárias de US$ 973,3 milhões subiram impulsionadas pelas três categorias de produtos.

O embarque de semimanufaturados cresceu 32,5% para US$ 121,7 milhões, em média por dia, por conta de açúcar em bruto, celulose, óleo de soja em bruto, ouro em formas semimanufaturadas e produtos semimanufaturados de ferro e aço.

A venda de manufaturados subiu 25,7% para US$ 341,5 milhões, por conta de automóveis de passageiros, veículos de carga, açúcar refinado, hidrocarbonetos e seus derivados halogenados e aviões.

As exportações brasileiras de produtos básicos aumentaram 25,6% para US$ 485,8 milhões, por conta, principalmente, de soja em grão, minério de ferro, petróleo em bruto, minério de cobre e carne suína.

As importações acumuladas durante este mês também subiram 12,9% em relação a abril de 2016 para US$ 593,1 milhões, pela média diária. Nesse comparativo, cresceu o volume de gastos feito pelo país, principalmente, com filamentos e fibras sintéticas (55,2%), combustíveis e lubrificantes (52,4%), borracha e obras (37,6%), equipamentos eletroeletrônicos (36,7%) e plásticos e obras (26,6%). (Valor Econômico 18/04/2017)

 

Palocci faz 1ª reunião com a Lava Jato para fechar acordo de delação

O ex-ministro Antonio Palocci, preso na 35ª fase da Operação Lava Jato, deixa IML em Curitiba após realizar exame de corpo de delito.

O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci deu o primeiro passo para sua delação premiada. Há cerca de duas semanas ele teve uma reunião com a força-tarefa de Curitiba na Polícia Federal em Curitiba, onde está preso desde setembro de 2016.

Pessoas ligadas a Palocci dizem que os principais temas que o político pretende tratar envolvem corrupção de empresas do sistema financeiro, como bancos, além de conglomerados que não integram grupos de empreiteiras.

Na lista também há fatos ligados ao ex-presidente Lula - de quem ele defendeu interesses econômicos - e às campanhas do PT.

Também estava na reunião com a força-tarefa da Lava Jato o delegado Felipe Pace, que conduziu investigações que prenderam o político. Desde 2016 a PF não participa de delações negociadas pelo MPF e PGR (Procuradoria-Geral da República).

Há um ano, o procurador-geral Rodrigo Janot entrou com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para proibir a PF de negociar delação premiada.

Segundo a Folha apurou, a sugestão para que a PF sentasse à mesa partiu do empreiteiro Marcelo Odebrecht, que assinou delação em dezembro. Ele e Palocci estão presos na carceragem de Curitiba.

Marcelo teria dito que enfrentou problemas em temas da delação sobre os quais os procuradores não tinham tanto conhecimento. Ele teria argumentado que a PF pode ajudar a dar foco em assuntos mais relevantes, daí a tentativa de Palocci de incluir os federais em seu acordo.

A colaboração com o MPF é vista por especialistas como mais vantajosa, já que nela pena e multa são determinadas na negociação. Porém, dividir as tratativas com outro órgão pode ajudar a reduzir a pressão dos procuradores sobre o potencial delator.

Um delegado chegou a procurar o juiz Sergio Moro para informar que Palocci queria negociar com a PF, mas o magistrado disse que era preciso incluir o MPF.

Nesta terça (18), o STJ (Superior Tribunal de Justiça) marcou o julgamento do pedido de liberdade de Palocci.

A Folha apurou que o petista tem dito que tem pouca chance de êxito -ainda mais com a publicidade das delações da Odebrecht.

Neste mês, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, negou liberdade provisória a Palocci.

Outro ponto que pesou para Palocci decidir tentar a delação é a negociação de seu ex-assessor, Branislav Kontic com investigadores. Os dois foram presos no ano passado, mas Kontic deixou a prisão após dois meses por decisão da Justiça.

Palocci é réu por corrupção e lavagem em um processo conduzido por Moro.

Há, no entanto, outras ações que miram Palocci, como a que investiga sua atuação na compra de terreno que abrigaria o Instituto Lula.

A primeira opção do ex-ministro para conduzir sua delação era o advogado Marlus Arns, que fechou o acordo do ex-vice-presidente da Camargo Corrêa Eduardo Leite.

O criminalista, porém, declinou do caso por questões financeiras. Arns argumentou que já atende o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está com os bens bloqueados, e que não poderia ter outro cliente sem condições de pagar.

O advogado Roberto Batochio, que além de Palocci defende o ex-ministro Guido Mantega e o ex-presidente Lula, disse que deixará o caso se o cliente tomar a decisão de firmar acordo de delação. "Ele não falou nada para mim nesse sentido", afirmou. (Folha de São Paulo 18/04/2017)

 

Crise econômica não afeta dólar nem preços agrícolas

Crises no Brasil sempre respingam sobre preços e comércio agrícola. O dólar fica instável, com tendência de alta, favorece exportações e eleva preços internos.

A atual crise tem efeitos tão intensos na política que nem o dólar consegue reagir. Além disso, apesar de o país ser líder em produção e exportação de vários produtos agrícolas, o mercado externo ignora o cenário do Brasil.

O resultado é que o mercado olha só para Chicago e para os efeitos da supersafra colhida nos Estados Unidos e na América do Sul.

O câmbio está em R$ 3,10, o mesmo valor de um mês atrás, e não consegue acelerar exportações. A soja, o principal item da pauta de exportação agrícola, estava a R$ 66 a saca há dois meses. Nesta segunda-feira (17), terminou o dia sendo negociada a R$ 59,5, uma queda de 10%, conforme a agência AgRural.

O mercado não perde de vista também os números de plantio nos Estados Unidos em 2017/18. No caso da soja, voltam a ser recordes.

Os fundos de investimento colocam os preços ainda mais para baixo. Em meados de fevereiro, eles tinham em suas carteiras 23,2 milhões de toneladas de soja compradas. Por algum motivo ainda acreditavam em alta de preços.

A partir daquela data começaram a vender até zerarem os estoques. Na semana passada, adotaram posição inversa e já tinham 4 milhões de toneladas vendidas. Ou seja, acreditam em cenário de queda para a oleaginosa.

O mercado financeiro, com aversão a riscos no momento, também coopera para a queda dos agrícolas. Os investidores apostam em ouro.

Por ora, os bons preços de 2015 e início de 2016 ficaram para trás. Além disso, o dólar, ligeiramente forte e estacionado no patamar atual há várias semanas, torna o produto brasileiro menos atrativo no mercado internacional. (Folha de São Paulo 18/04/2017)